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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

População mundial ganhou mais de dez anos de esperança de vida desde 1970

Portugal é dos poucos países que, em 40 anos, registaram melhores progressos na mortalidade de crianças até aos cinco anos e de jovens e adultos, entre os 15 e os 49 anos.
A população mundial ganhou mais de dez anos de esperança de vida desde 1970, mas as diferenças entre os países com melhores e piores resultados praticamente não mudou, conclui um relatório publicado hoje na revista The Lancet. Em Portugal, entre 1990 e 2010, refere ainda o estudo, a esperança de vida passou de 70,7 anos para 77,8 anos nos homens e, nas mulheres, esse salto foi dos 76,3 para os 82,3.
Intitulado Peso Global das Doenças 2010, o estudo é descrito pela revista como o maior esforço de sistematização para descrever a distribuição global e as causas de uma variedade de doenças, lesões e factores de risco para a saúde.
Recolhidos ao longo de cinco anos por 486 cientistas de 302 instituições em 50 países, os dados relativos a 187 países são agora publicados na primeira tripla edição da Lancet totalmente dedicada a um só estudo, que inclui sete artigos científicos e diversos comentários, incluindo da directora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, e do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.
Entre as conclusões, o estudo revela que a esperança de vida dos homens aumentou 11,1 anos entre 1970 e 2010, passado de 56,4 para 67,5. Nas mulheres, a esperança de vida aumentou ainda mais – 12,1 anos ou 19,8% –, passando de 61,2 anos em 1970 para 73,3 anos em 2010.
No entanto, acrescenta o estudo, as diferenças entre os países com maiores e menores esperanças de vida mantiveram-se muito semelhantes desde 1970, mesmo quando se retiram acontecimentos dramáticos como o genocídio do Ruanda em 1994.
Em 2010, as mulheres japonesas eram as que tinham maior esperança de vida (85,9 anos), enquanto para os homens a Islândia era o país com melhores resultados (80 anos). No extremo oposto, o Haiti tinha a mais baixa esperança de vida em ambos os géneros (32,5 nos homens e 43,6 nas mulheres), sobretudo devido ao sismo de Janeiro de 2010.
Além disso, alguns países contrariaram a tendência e registaram quedas substanciais da esperança de vida. Na África subsariana como um todo, a esperança de vida nos homens diminuiu 1,3 anos entre 1970 e 2010, enquanto nas mulheres caiu 0,9 anos, declínios atribuídos à epidemia do vírus da sida.
Por outro lado, o estudo revela que, à medida que a esperança de vida aumenta e o mundo vai envelhecendo, as doenças infecciosas e problemas infantis relacionados com a malnutrição – em tempos as principais causas de morte – vão sendo substituídos (com excepção da África subsariana) por doenças crónicas, lesões e doenças mentais.
“Essencialmente, o que nos faz doentes não é necessariamente o que nos mata. Enquanto o mundo fez um excelente trabalho a combater doenças fatais – especialmente doenças infecciosas –, vivemos agora com mais problemas de saúde que causam muita dor, afectam a nossa mobilidade e nos impedem de ver, ouvir e pensar claramente”, escreve a Lancet em comunicado.

Dados sobre Portugal
Portugal é um dos poucos países que registaram, em 40 anos, melhores progressos na mortalidade de crianças até aos cinco anos e de jovens e adultos entre os 15 e os 49 anos, revela o estudo. Portugal, a par de Cuba, Maldivas, Sérvia e Bósnia-Herzegovina, registou os melhores progressos na mortalidade das crianças.
O estudo indica também que Portugal foi um dos países com melhores resultados na mortalidade de jovens e adultos, superando Noruega, Espanha e Austrália.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que os óbitos em crianças até aos cinco anos baixaram em Portugal 97,3%, dos 12.357 em 1970 para os 326 em 2010. Quanto às mortes em jovens adultos dos 15 aos 49 anos, desceram 28,7%, das 8.517 em 1970 para as 6.069 em 2010, de acordo com o INE.
Quanto à esperança de vida dos portugueses, entre 1990 e 2010, passou de 70,7 anos para 77,8 anos nos homens e, nas mulheres, dos 76,3 para os 82,3.
Outra conclusão do estudo internacional é que, enquanto o peso da malnutrição foi reduzido em dois terços, a alimentação desequilibrada e a falta de exercício físico estão a contribuir para um aumento das taxas de obesidade e outros factores de risco, como a hipertensão, representando já 10% do peso das doenças.
O estudo conclui também que, embora se registe uma enorme redução da taxa de mortalidade infantil – que caiu mais do que alguma vez se tinha estimado – há um aumento de 44% no número de mortos entre os 15 e os 49 anos entre 1970 e 2010, sobretudo devido ao aumento da violência e ao desafio do VIH/sida, que matou 1,5 milhões pessoas por ano.
Resultado de um projecto liderado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, este estudo visa fornecer uma nova plataforma para avaliar os maiores desafios mundiais na área da saúde e formas de os abordar.

Fonte: Público

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cientistas conseguiram regenerar o coração depois de um enfarte

Dois portugueses obrigaram células musculares cardíacas a multiplicarem-se, o que não acontece naturalmente. Dois meses após um enfarte, a função cardíaca dos roedores da experiência era quase normal.
A maioria dos órgãos adultos dos mamíferos não se regenera. À excepção de alguns casos, como o fígado, as células não são capazes de começar a dividir-se para salvar a função de um órgão, quando ele sofre danos. Por isso, a seguir a um enfarte de coração, a actividade circulatória não volta a ser a mesma. Mas um trabalho liderado por dois cientistas portugueses, em Itália, conseguiu que as células musculares de ratos e ratinhos se multiplicassem após um ataque cardíaco. Os roedores recuperaram a função do coração quase totalmente, segundo os resultados publicados na última edição da revista Nature.
Um ataque cardíaco dá-se quando há células no coração a morrer em massa. Esta mortandade acontece quando uma região do músculo deixa de receber oxigénio e nutrientes vindos do sangue. As pessoas que sobrevivem ao enfarte têm a função cardíaca comprometida. Uma porção do músculo fica morta, forma-se uma cicatriz e o coração deixa de bombear o sangue com a eficácia de antes. "Este é o problema: as células musculares do coração não são capazes de se dividir", diz Miguel Mano ao PÚBLICO. "É preciso arranjar uma alternativa."
O cientista português, de 35 anos, pertence a uma equipa do Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia de Trieste, no Norte de Itália. Durante os dois anos desta experiência, Miguel Mano esteve a trabalhar com Ana Eulálio, que é a primeira autora do artigo e tem uma larga experiência laboratorial em micro-ARN – uma classe de moléculas com uma função muito importante na regulação genética das células.
"Os micro-ARN regulam a expressão [actividade] de um número grande de proteínas ao mesmo tempo. São muito importantes no desenvolvimento embrionário", explica Miguel Mano.
Os genes são partes da molécula de ADN que está no núcleo das células. Contêm a informação necessária para a produção das proteínas do corpo. Na linha de montagem das proteínas, o primeiro passo é o gene ser copiado, ou transcrito, para uma molécula semelhante ao ADN chamada ARN. Este ARN-mensageiro sai do núcleo das células e é usado como molde para a produção da proteína.
A célula regula a actividade ou a inactividade destes genes logo na molécula de ADN. Mas os micro-ARN, descobertos quase há 20 anos, vieram acrescentar um grau novo a este controlo. Estas pequenas moléculas de ARN ligam-se ao ARN-mensageiro e impedem que ele sirva de molde para produzir a devida proteína. Só que uma molécula de micro-ARN pode ligar-se a diferentes ARN-mensageiros e com isso impedir a produção de várias proteínas.
Em Trieste, Miguel Mano tinha montado uma biblioteca de microARN humanos. Em conjunto com Ana Eulálio – hoje chefe de grupo na Universidade de Würzburg, na Alemanha –, o cientista testou perto de 900 micro-ARN humanos em células musculares cardíacas de ratos e ratinhos, para ver se algum provocaria a divisão das células, algo que não acontece naturalmente.
Os investigadores descobriram que 204 micro-ARN promoviam a multiplicação nas células de rato e, desses, 40 mantinham esse poder também nas células de ratinho – outra espécie usada como cobaia. Depois de uma série de experiências, a equipa conseguiu isolar os dois micro-ARN mais potentes. De seguida, injectaram-se estas duas moléculas separadamente no coração de ratos e de ratinhos, durante uma operação, pouco depois de lhes ter sido provocado um ataque cardíaco. Resultado: as células musculares começaram a multiplicar-se e, ao longo de dois meses, regeneraram boa parte do tecido que tinha sofrido o enfarte. O coração ficou sem cicatriz e a sua função foi restabelecida quase totalmente.
A equipa descobriu que cada um destes dois micro-ARN reduzia os níveis de actividade de cerca de 600 genes e aumentava a actividade de outros 800. "Com uma só molécula, alterámos o programa celular", sublinha Miguel Mano.
O próximo passo, em Trieste, será testar estes micro-ARN em cães e porcos, dois modelos com uma fisiologia mais parecida com a do homem. "É muito provável que estas moléculas funcionem em humanos." Mas, antes, é preciso perceber se a sua aplicação tem efeitos secundários.

Fonte: Público

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aumenta a mortalidade das árvores centenárias

Cientistas alertaram hoje para o aumento alarmante das taxas de mortalidade dos maiores organismos vivos do planeta, as árvores centenárias de grande porte que abrigam e sustentam inúmeras aves e animais selvagens.
Estudos conduzidos na Austrália e nos Estados Unidos, sustentam que os ecossistemas a nível mundial estão em perigo de perder as suas árvores de maior dimensão e idade, a não ser que sejam implementadas novas políticas no sentido de uma melhor proteção destes organismos.
"É um problema a nível mundial e parece estar a acontecer na maioria dos tipos de florestas", disse David Lindenmayer, da Australian National University.
Segundo o autor principal do estudo sobre o problema, "tal como os animais de grande porte como elefantes, tigres, e cetáceos diminuíram drasticamente em muitas partes do mundo, um número crescente de provas sugere que as grandes árvores centenárias podem estar igualmente em perigo".
Os cientistas disseram que políticas e práticas de gestão devem ser implementadas com vista ao crescimento destes organismos e redução das taxas de mortalidade dos mesmos.
Lindenmayer, juntamente com colegas da James Cook University na Austrália e Washington University nos Estados Unidos, conduziram estudos depois de analisarem os registos das florestas suecas até ao período de 1860.
Os cientistas descobriram alarmantes perdas de árvores de grande porte, com idades entre os 100 e 300 anos, nas várias latitudes da Europa, América do Norte, Ásia, América do Sul, América Latina e Austrália.
Os investigadores defenderam também a necessidade de levar a cabo investigações direcionadas para objetos de estudo específicos para compreender melhor as ameaças à vida dos grandes organismos e traçar estratégias para as enfrentar.
"Sem essas iniciativas, estes organismos icónicos e as muitas espécies que dependem deles poderão diminuir em largar escala ou perder-se completamente", sustentaram.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

É o corpo que revela o que estamos a sentir em situações extremas

As teorias tradicionais sobre as emoções dizem que é possível ler, na cara, se uma experiência extrema que se está a viver é positiva ou negativa. Um novo estudo, na revista Science, conclui que não é bem assim.
Será que a derrota ou a vitória ficam estampadas na cara de uma forma diferente? Parece que não, quando vivemos momentos de emoções extremas. Afinal, é o corpo que mais revela os sentimentos em situações extraordinárias, como quando se ganha a lotaria ou se vê um filho a ser atropelado, conclui um estudo publicado na última edição da revista Science.
Os modelos tradicionais das emoções defendem que a raiva ou a felicidade provocam expressões faciais distintas, isto porque os músculos que são activados são diferentes. Estas diferenças, dizem os modelos, são úteis para os outros interpretarem o estado emocional, se é positivo ou negativo, de quem passa por essas situações.
No entanto, há poucos trabalhos que avaliam as expressões faciais durante estas experiências emocionais extremas. Estes estados são intensos e duram pouco tempo, como quando se obtém o ponto decisivo que permite ganhar uma partida de ténis, ou quando se perfura um mamilo com um piercing.
A equipa de Hillel Aviezer, da Universidade de Princeton, em New Jersey, nos Estados Unidos, foi avaliar se "as expressões faciais de significado afectivo oposto podem sobrepor-se durante picos muito intensos de emoção" - ou seja, se nestas situações extremas a cara que fazemos é, de facto, diferente consoante vivemos um acontecimento positivo ou negativo. Ou se, afinal, até temos uma expressão semelhante, independentemente do valor da experiência. Esta questão não é descabida: os trabalhos em neurociências mostram que emoções opostas activam as mesmas regiões do cérebro.
Para avaliar isso, a equipa fez uma experiência com imagens de jogadores de ténis no momento de emoção mais extrema, logo após perderem ou ganharem um ponto durante uma partida. As imagens mostram tanto a expressão facial como corporal do desportista.
Os cientistas isolaram, depois, as caras dos corpos dos tenistas e deram a observar três tipos de imagens distintas a três grupos de participantes de 15 pessoas cada. Algumas imagens eram integrais com o corpo e a cara dos jogadores, outras só tinham a cara sem o corpo e o terceiro grupo mostrava o corpo sem a cara.
Os cientistas pediram aos participantes para observar as imagens e avaliar as emoções dos jogadores. "Quando só viam as caras, os participantes falhavam na avaliação das emoções positivas, embora não no caso dos derrotados. Mas tinham sucesso quando viam só o corpo ou o corpo e a cara em conjunto", diz o artigo. Os resultados foram claros: a expressão facial é muito ambígua nos casos emocionais extremos.

O efeito de ilusão facial
Para confirmar estes dados, os cientistas usaram a técnica de corte e colagem: recortaram a face do jogador durante uma vitória e colocaram-na no mesmo jogador quando sofreu uma derrota. A imagem resultante mostrava o jogador com uma cara de felicidade num corpo de sofrimento. Fizeram também o inverso: um recorte de um jogador com a cara infeliz num corpo vitorioso.
Os participantes viram estas imagens reconstruídas: mesmo sem terem consciência disso, o corpo é que foi determinante para a avaliação que fizeram do estado emocional dos jogadores. O corpo de um jogador derrotado era sempre avaliado com um valor negativo, quer a cara fosse a do tenista derrotado ou a do mesmo tenista vitorioso. O contrário também se passava: os participantes consideravam estar perante um estado emocional positivo, se o corpo fosse de um jogador que acabava de ganhar um ponto, mesmo que a cara mostrasse uma reacção de derrota.
Perguntou-se depois a um grupo de pessoas que não participaram nesta experiência, mas que viram as imagens, se o mais importante para a avaliação do estado emocional era a cara, o corpo ou ambos. "Oitenta por cento escolheu a face como a região do corpo mais determinante para se diagnosticar o significado [emocional], 20% a cara e o corpo, e nenhum dos participantes escolheu o corpo", lê-se no artigo.
Como é que os autores do artigo interpretaram este conjunto de respostas? "Referimo-nos a este fenómeno como o efeito de ilusão facial." Mesmo que a expressão da cara seja ambígua, as pessoas assumem que é distintiva para a boa interpretação das emoções. Para a equipa, isto confirma a existência de uma lacuna entre as expressões faciais que as pessoas estão à espera de ver e as expressões que realmente ocorrem.
"Quando as emoções se tornam intensas, a diferença entre as expressões faciais positivas e negativas esboroa-se", diz Hillel Aviezer em comunicado. "Esta descoberta põe em causa os modelos básicos de comportamento nas Neurociências, na Psicologia Social e na Economia."
Mas se estamos habituados a interpretar um sorriso como sinal de alegria e as sobrancelhas descaídas como tristeza, então como se explica que em situações extremas - de dor, raiva ou felicidade - a expressão da cara seja indistinta? "A nível muscular, esta incapacidade de produzir uma expressão que leve ao diagnóstico pode reflectir uma musculatura facial que não está preparada para transmitir uma emoção de intensidade extrema", explicam os cientistas no artigo.
Talvez, remata a equipa, a avaliação da cara não seja assim tão importante. Na grande maioria dos casos, o contexto da situação será clarificador do estado emocional das pessoas. Seja como for, uma expressão emocional extrema passa depois para um estado menos ambíguo de alegria ou de tristeza, que já permite uma leitura mais fácil das emoções dos outros.

Fonte: Público

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Já tínhamos luz branca e ruído branco. Agora, também temos cheiro branco

É o equivalente odorante da luz branca e do ruído branco. Ao que dizem os que o cheiraram, não é nem agradável, nem desagradável - e não se parece com nenhum cheiro natural.
Quando um número suficiente de cores do arco-íris se misturam, vemos luz branca. Quando muitas frequências sonoras se sobrepõem, acabamos por ouvir sempre o mesmo distintivo ruído "branco" (aquela crepitação irritante que sai dos altifalantes do auto-rádio quando estacionamos o carro no piso -3 de um parque subterrâneo). Mas que odor sentiríamos se cheirássemos uma mistura de muitos componentes odoríferos diferentes?
Será que existe também um cheiro "branco"? Segundo resultados publicados na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) por uma equipa de cientistas israelitas, tudo indica que sim. Basta misturar um número suficiente de odores de igual intensidade e que abrangem todo o "espectro olfactivo" para o nosso nariz achar, a dada altura, que qualquer um dos cheiros assim obtidos é, por assim dizer, o mesmo cheiro. Noam Sobel e colegas, do Instituto Weizmann de Ciência (Israel), designam este cheiro de "branco olfactivo".
Para realizar o estudo, estes cientistas partiram de uma variedade de 86 moléculas odoríferas - cheiros agradáveis como o das rosas, desagradáveis como o da transpiração, cheiros que costumam estar associados a substâncias comestíveis ou pelo contrário a produtos tóxicos. Diluíram as moléculas para nivelar a sua intensidade e com esses ingredientes de base prepararam uma série de misturas. Pediram então a um grupo de participantes, entre os quais um profissional dos perfumes, para avaliar as diferenças ou semelhanças entre os cheiros das diversas misturas.
"Constatámos", escrevem os investigadores na PNAS, "que à medida que fazíamos aumentar o número de componentes independentes (...), as misturas se tornavam cada vez mais semelhantes entre si, apesar de não terem entre elas qualquer componente em comum". A partir de 20 componentes, a distinção olfactiva entre as misturas tornava-se difícil e, "com cerca de 30 componentes, a maioria das misturas tinham o mesmo cheiro".
Mas então, perguntam, "por que é que, no mundo real, misturas com inúmeros componentes, tais como o vinho, o café ou as rosas não cheiram todos igual, todos a branco?" Um primeiro elemento de resposta é que o leque de cheiros que compõem o odor das substâncias reais é muito estreito. Um segundo elemento é que os componentes dos cheiros naturais não costumam ter intensidades uniformes: por exemplo, o característico cheiro a rosas deve-se na realidade ao esmagador contributo (98%) de uma única molécula: o álcool beta-feniletílico. Por isso, apesar de poder haver uma multiplicidade de outros cheiros envolvidos - que nos casos reais podem atingir as centenas -, nada ultrapassa a predominância desse único cheiro distintivo. Aquilo que é a essência do "branco olfactivo" - igual intensidade de todos os componentes e uma distribuição por todo o espectro olfactivo - não se verifica com os cheiros reais.
"A que cheira o branco olfactivo?", perguntam ainda os cientistas. Segundo os voluntários que participaram no estudo, trata-se de um cheiro que não é nem agradável, nem desagradável, nem imponente de mais, nem parecido com nada de conhecido. Os cientistas especulam aliás que, mesmo a existir na natureza, a sua ocorrência é provavelmente "um evento extremamente raro". E por isso propõem, na versão online do seu artigo, uma lista de "receitas" artificiais de branco olfactivo.
Seja como for, pensam que este inédito cheiro possa vir a ser utilizado para perceber melhor a neurobiologia do olfacto, que permanece em parte misteriosa. A teoria mais consensual descreve este sentido com uma espécie de máquina de detectar moléculas odorantes, explica um comunicado do Instituto Weizmann, mas o estudo agora publicado sugere, pelo contrário, que o nosso sistema olfactivo apreende os cheiros no seu conjunto e não os odores individuais que os compõem. "Os resultados", diz Sobel, citado no mesmo documento, "dizem respeito aos princípios mais básicos subjacentes ao nosso sentido do olfacto e levantam algumas questões em relação às ideias feitas sobre o tema".
E houve outras surpresas ainda: numa das experiências, o branco olfactivo mostrou-se capaz de neutralizar outros cheiros. Como explica no seu site a revista Nature, "quando as [quatro] moléculas-chave do cheiro a rosas foram combinadas com uma mistura de branco olfactivo, o cheiro a rosas foi ocultado - demonstrando-se assim que poderia vir a ser utilizado para mascarar odores", por exemplo nas casas de banho públicas...

Fonte: Público

domingo, 25 de novembro de 2012

Das espinhas de bacalhau, cientistas portugueses querem fazer próteses

É preciso juntar mais uma maneira de cozinhar o bacalhau às 1001 que dizem existir. Neste caso, falamos especificamente das espinhas do peixe muito apreciado e popular em Portugal. E falamos de um tipo de “cozinha” especial. Um grupo de investigadores da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto submeteu as espinhas do bacalhau a temperaturas que vão desde os 600 aos 1250 graus Celsius e conseguiu um “pó branco” — um precioso pó, que é um composto por hidroxiapatite (um fosfato de cálcio que é o principal componente dos ossos humanos e de animais) e que pode servir para produzir próteses ósseas e dentárias, entre outras possíveis aplicações.
Este é o resultado de uma parceria entre as empresas Pascoal & Filhos e WeDoTech e a investigação. “Conseguimos obter a hidroxiapatite com espinhas de bacalhau. Temos agora uma fonte natural para obter este composto, quando a habitualmente usada é de síntese química, feita essencialmente com fósforo e cálcio”, começa por explicar Paula Castro, uma das responsáveis pelo projecto de investigação. A engenheira alimentar nota ainda que outra componente inovadora do processo de produção desenvolvido “é a possibilidade de fazer um pré-tratamento das espinhas em solução, antes da calcinação a alta temperatura e assim produzir materiais à base de hidroxiapatite que são ligeiramente modificados e têm aplicações diferentes”.
Se levarmos esta descrição para a imagem da cozinha, estaremos a falar em adicionar um ingrediente diferente antes de colocar as espinhas “no forno” e assim conseguir “servir” outro produto. Ou seja, há várias receitas possíveis com resultados diferentes.
Exemplos? “Podemos introduzir o fluoreto na composição da hidroxiapatite e então teremos um material que é mais apropriado para aplicação na prótese dentária, porque tem o flúor e uma solubilidade menor.” Outro exemplo: se o ingrediente adicionado na receita foi o cloreto, conseguimos um composto adequado para uso na área electrónica. E se juntarmos titânio teremos uma aplicação mais voltada para o ambiente. Se juntarmos magnésio ou sódio, conseguimos algo capaz de favorecer o crescimento ósseo.
Podemos estar (outra vez) perante 1001 variações possíveis. A hidroxiapatite é o principal elemento dos ossos humanos e, combinada com outros materiais, resulta em diferentes aplicações. Nos materiais usados em próteses dentárias ou ósseas, a exigência em termos de pureza é mais elevada.
Paula Castro sublinha ainda que estes materiais têm uma biocompatibilidade comparável à dos produtos existentes no mercado e que são, na maioria, de síntese química. Por outro lado, nota que era já possível encontrar produtos comerciais de hidroxiapatite a partir de fontes naturais, nomeadamente bovina e algas. Porém, não é conhecido nenhum resultado ou projecto relacionado com a aplicação de peixe como biomaterial, sublinha Paula Castro.
“Na indústria do bacalhau, geram-se quantidades muito elevadas de subprodutos e, no processamento deste peixe, os subprodutos podem atingir valores na ordem dos 40%. Estamos a falar de milhares de toneladas de espinhas anualmente e que agora podem ser utilizadas para a extracção e produção de compostos de elevado valor”.

O valor ambiental

Desta forma, destaca a investigadora, aproveitamos uma matéria-prima abundante em Portugal (que é habitualmente usada para fazer rações e farinha de peixe) e a reaproveitar o fósforo que existe nessas espinhas. A investigadora valoriza ainda a vertente e o valor ambiental do projecto. “Da maneira como a sociedade tem usado de forma crescente o fósforo, está também a colocar em causa a sua disponibilidade no futuro. Portanto, há também a vantagem de reutilizar fósforo a partir de uma fonte natural”, refere Paula Castro.
Mas o valor ambiental não existe só pelo facto de se conseguir uma nova forma de ir buscar um recurso como o fósforo que é muito explorado, mas também porque, além da aplicação na saúde, a hidroxiapatite pode ser utilizada no tratamento de águas residuais, especificamente na remoção de metais pesados como chumbo ou na degradação de poluentes orgânicos, como corantes.
O processo de produção conseguido no laboratório já está patenteado. Falta agora demonstrar que é possível levar esta “receita” e esta “oportunidade de inovação” para a grande escala de produção industrial. As espinhas do bacalhau são apenas uma parte concluída de um projecto mais vasto, que quer explorar este outro lado do peixe, desde a pele à água da salga, e que é hoje apresentado no seminário ICOD, no Porto.

Fonte: Público

sábado, 24 de novembro de 2012

Nariz muda de temperatura quando se mente

A famosa história do Pinóquio, personagem imortalizada pela Disney, poderá ter algum fundo de verdade. Quando os seres humanos mentem o nariz não cresce, mas aquece ou arrefece.
Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Granada, em Espanha, mostrou que quando as pessoas mentem o nariz não permanece igual. Dependendo do tipo de mentira que se conta, o nariz pode aquecer ou arrefecer, notícia o site do jornal espanhol 'El Mundo'.
De acordo com Emilio Gómez Milán e Elvira Salazar López, ambos do departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Granada, quando um indivíduo realiza um grande esforço mental, a temperatura do nariz desce. Se, por outro lado, uma mentira causar um elevado nível de ansiedade, produz-se uma subida da temperatura facial.
Deste modo, o chamado "efeito Pinóquio" demonstra que a temperatura da ponta do nariz aumenta ou diminui consoante os estados de espírito. Esta investigação faz parte de uma tese de doutoramento, defendida ontem na Faculdade de Psicologia da Universidade de Granada. Alguns dos resultados defendidos foram já publicados em revista científicas, diz o 'El Mundo'.

Fonte: Diário de Notícia

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cientistas descobrem gene que indica a hora da morte

A equipa do investigador Andrew Lim comprovou que as pessoas madrugadoras morrem por volta das 11 horas da manhã a as notívagas a partir das seis da tarde.
Um grupo de cientistas descobriu o gene que dá corda ao relógio biológico e que, segundo a revista "Annals of Neurology", é capaz de determinar o momento em que vamos morrer, avança o jornal espanhol "ABC".
"O relógio biológio interior regula muitos dos aspectos da biologia e comportamento humano e também inclui a hora de estados clínicos graves como um derrame cerebral ou um enfarte", explica Andrew Lim, do centro médico Beth Israel, em Boston, nos Estados Unidos.
A ideia inicial de Lim e dos seus colegas era prevenir enfermidades e determinar o traço genético que determina o aparecimento de determinadas doenças como a Alzheimer ou a Parkinson. No total, cerca de 1.200 pessoas com mais de 65 anos submeteram-se a um estudo efetuado pela equipa de investigadores, através de um apulseira que vigiava os seus ciclos de sono e vigília. Assim foi descoberto que as pessoas que costumam madrugar e deitar-se cedo apresentam diferenças genéticas em relação aos que preferem levantar-se tarde e só se vão deitar de madrugada. Um nucleótido combinado com o gene "Period 1" marcava uma diferença entre os "madrugadores" e os "notívagos", sendo que os primeiros (60%) tinham adenina (A) e os segundos (40%) guanina (G).
Como os seres humanos posuem pares de cromossomas, a adenina e a guanina também estão duplamente presentes (A-A, G-G ou A-G). O estudo revela que os portadores do par A-A acordam aproximadamente uma hora antes dos portadores do par G-G, enquanto que os A-G dormem meia hora menos que estes últimos.
Os investigadores decidiram comparar também a descoberta em coelhos da índia, após a sua morte, e comprovaram que estas variedades genéticas podem indicar a hora da morte dos seus portadores.
Assim, as pessoas com A-A e A-G, os "madrugadores", morrem cerca das 11 horas da manhã, enquanto que a maioria dos G-G, "notívagos" morrem cerca das seis horas da tarde.
Apesar dos estudos já efetuados, a equipa de investigadores adianta que ainda serão necessários estudos mais aprofundados para determinar com exatidão qual a correlação entre o relógio biológico e o momento da morte.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cães paralisados recuperam controlo das patas traseiras após transplante de células olfactivas

O Jasper é um “cão-salsicha” (Dachshund) que perdeu o uso das suas patas posteriores há quatro anos. Agora, a seguir a um tratamento a que foi submetido por Robin Franklin, da Universidade de Cambridge, e colegas, Jasper está “sempre a correr pela casa fora”, diz a sua dona, citada no site do Huffington Post United Kingdom.
Os resultados da equipa britânica, que dizem respeito a Jasper e mais 33 cães de estimação que ficaram paralisados na sequência de atropelamentos ou de problemas de costas, foram publicados na revista Brain e constituem a primeira demonstração de que é possível reparar lesões da medula espinal em casos “da vida real”, salientam os cientistas. A maior parte dos cães era raça Dachshund (ou Teckel), que tem propensão a sofrer de problemas da coluna vertebral que se revelam altamente incapacitantes.
O que os cientistas fizeram foi colher certas células da própria mucosa nasal dos cães para realizar um autotransplante – em inglês, são chamadas olfactive ensheathing cells, ou OEC. As OEC não são neurónios, mas células gliais, ou seja, células nervosas que têm em particular como função a sustentação dos tecidos nervosos.
Essas células foram cultivadas no laboratório antes de serem injectadas, no local da lesão, em cerca de dois terços dos animais, enquanto os outros recebiam apenas uma injecção de um líquido neutro.
Como o sistema olfactivo é a única parte do organismo dos mamíferos onde as fibras nervosas continuam a crescer ao longo de toda a vida – e como as OEC são justamente as células nervosas que promovem esse crescimento –, os especialistas suspeitavam há anos, com base em estudos anteriores, de que um transplante destas células ao nível de uma lesão espinal poderia permitir a reconstituir as ligações nervosas que tinham sido seccionadas por um traumatismo. Sabia-se também que um tal procedimento não apresentava riscos para o ser humano, mas a sua eficácia nunca fora testada – e ainda menos comprovada.
Foi isso que agora parece ter finalmente acontecido – no cão. “Os nossos resultados são extremamente excitantes porque mostram, pela primeira vez, que o transplante deste tipo de células para dentro de uma lesão grave da espinal medula pode acarretar uma melhoria significativa”, diz Franklin, citado pela imprensa britânica. E, de facto, isso aconteceu aos cães que tinham recebido as suas próprias células olfactivas, mas não aos que tinham apenas sido tratados com o líquido.
Os animais foram testados, de mês a mês, do ponto de vista da sua função neurológica e do seu desempenho numa passadeira. E os cientistas puderam observar que os animais tratados com as células nasais conseguiam mexer as patas até aí paralisadas, coordenando o movimento de conjunto graças às patas dianteiras. Porém, também constataram que, ao contrário do que acontece naturalmente no nariz, onde a regeneração nervosa promovida pelas OEC consegue manter a comunicação entre o sistema olfactivo e o cérebro (condição sine qua non para a preservação do sentido do olfato), ao nível da espinal medula as ligações nervosas regeneradas eram de curto alcance.
Daí que os cientistas permaneçam muito prudentes quanto à eventual aplicação da técnica aos seres humanos. “Pensamos que a técnica poderia restaurar o movimento pelo menos de forma limitada em doentes humanos com lesões da espinal medula”, acrescenta Franklin, “mas estamos muito longe de poder dizer que esses doentes poderiam vir a recuperar todas as funções perdidas.” Acontece que, juntamente com a perda de mobilidade, estas lesões acarretam também perda da função sexual e do controlo dos esfíncteres. Ora, na actual experiência, embora alguns cães tenham recuperado o controlo da bexiga e dos intestinos, o seu número não foi significativo.Isso não impede Geoffrey Raisman, do University College de Londres e descobridor das OEC, de afirmar que se trata “do mais alentador avanço em anos”.

Fonte: Público

sábado, 17 de novembro de 2012

É o animal com mais patas e vive nos arredores do Silicon Valley

Os animais com mais patas do mundo vivem nos Estados Unidos, na Califórnia, e só agora foram descritos pormenorizadamente. Parentes afastados das nossas maria-cafés, pertencem à espécie Illacme plenipes e agora ficou a saber-se que, apesar de andarem muito devagar, as fêmeas podem ter 750 patas e os machos 562.
Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1928, por Orator Fuller Cook e Harold Frederick Loomis, com base em sete exemplares. Mas nesse relato não havia qualquer ilustração ou imagem e os autores pouco a diferenciaram de uma outra espécie, de aspecto muito semelhante, classificada dentro do género Siphonophorida.
Esta semana, Paul Marek e colegas publicaram na revista ZooKeys uma descrição completa da Illacme plenipes, baseando-se em exemplares que foi recolhendo nos arredores do Silicon Valley, entre 2005 e 2007, e ainda nos poucos que existem em museus.
Apesar de o investigador ter procurado estes animais noutras regiões, só os encontrou em três localidades perto do Silicon Valley, num refúgio limitado a 4,5 quilómetros quadrados, o que faz deles animais raros. Vivem no subsolo, em locais húmidos.
Mesmo em museus de história natural, não são presença assídua: no mundo inteiro só se conhecem 17 exemplares, incluindo os primeiros sete descritos. “Esta espécie é uma relíquia, é o único representante da sua família no hemisfério ocidental. O seu parente mais próximo deve ser o Nematozonium filum, que vive na África do Sul e a relação entre eles existiu há mais de 200 milhões de anos, quando os continentes estavam todos juntos na Pangeia”, diz Paul Marek citado num comunicado do grupo editorial da revista.
Os milípedes, ou miriápodes, como também são conhecidos, são herbívoros do grupo dos artrópodes. Contrariamente à sua aparência, que é a de um animal bastante frágil e simples, a sua anatomia é complexa. Para além do número extraordinário de patas, estes animais, de alguns centímetros apenas, têm um exoesqueleto, o corpo coberto de pêlos que produzem seda e antenas, que usam para examinar o caminho, já que não têm olhos. A boca é muito rudimentar em comparação com a de outros milípedes, que desenvolveram estruturas para moer a comida. No seu caso, a boca tem apenas umas estruturas que, provavelmente, furam e sugam as plantas e tecidos dos fungos.
Quanto à cor, o milípede das 750 patas é branco, enquanto geralmente estes animais são acastanhados. Quando se sentem ameaçados, enrolam-se e fingem-se mortos, tal e qual as maria-cafés que podemos ver no campo.

Fonte: Público

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cancro colorrectal cria metástases com ajuda de células saudáveis à volta

Há muito tempo que se tenta descobrir como é que o cancro colorrectal, uma das principais causas de morte por cancro em todo o mundo, cria metástases e invade outros órgãos. Cientistas espanhóis identificaram agora as moléculas envolvidas na formação das metástases deste cancro - que em Portugal é o que mais mata, com cerca de três mil mortes por ano. Com este trabalho, a equipa espanhola confirmou uma suspeita antiga: as células saudáveis à volta das células do cancro são cúmplices involuntárias na instalação de focos da doença noutros órgãos.
A equipa de Eduard Batlle e Elena Sancho, do Instituto para Investigação Biomédica de Barcelona, estudou 345 casos de cancro colorrectal e ontem publicou os seus resultados na revista Cancer Cell.
Já há muito tempo que se suspeitava que o microambiente em redor do cancro - o estroma, o tecido conjuntivo que sustenta as células funcionais de um órgão - era crucial na metastização. Mas agora a equipa espanhola diz ter reunido provas disso. "Este é o primeiro estudo que observou células saudáveis do microambiente a desempenharem um papel fundamental na criação de metástases num tipo específico de cancro", anuncia a equipa, num comunicado do seu instituto.
Antes de mais, há que dizer que o fígado e os pulmões são os alvos comuns das metástases do cancro colorrectal. E que as células de um cancro não são todas iguais, há uma hierarquia. Muitas delas, explica-se no comunicado, só formam a massa do tumor e, no topo da pirâmide, num pequeno reservatório, estão as células estaminais cancerígenas.
Tal como as normais células estaminais dos embriões e dos adultos, que são capazes de originar diferentes tipos de tecidos no organismo, as células estaminais cancerígenas conseguem dividir-se vezes sem conta. Nesta hipótese, proposta há algumas décadas, elas são as sementes dos cancros: originam todas as células malignas, suportam o crescimento dos cancros e criam as metástases. Também resistem aos tratamentos, o que explica as recidivas. Esta hipótese tem sido reforçada com a identificação destas células em vários cancros.

O adubo e as sementes
Ora a equipa de Batlle e Sancho mostrou que, quando as células estaminais do cancro colorrectal chegam ao fígado, libertam uma molécula nesse microambiente. Trata-se do factor beta de transformação de crescimento (TGF-beta, na sigla inglesa), que controla, por exemplo, a proliferação das células. No cancro, essa proliferação é descontrolada.Em resposta à libertação do TGF-beta, as células na vizinhança - como macrófagos e fibroblastos, presentes no tecido conjuntivo, e células endoteliais, que revestem o interior dos vasos sanguíneos - libertam outras moléculas. Uma delas é a interleucina-11. Só que a interleucina-11, que funciona como um mensageiro químico para regular a proliferação de certas células, acaba por funcionar como mais adubo para o cancro: activa nas células estaminais cancerígenas uma série de genes que lhes permitem sobreviver noutros órgãos.
Sem a interleucina-11, diz a equipa, as células do cancro que viajaram para outros locais morreriam antes de formarem aí novos focos da doença. É preciso, em primeiro lugar, que as células libertadas pelo cancro na corrente sanguínea consigam sobreviver ao ambiente hostil dessa viagem, bem como ao do órgão distante para onde foram.
"Este estudo propõe uma mudança de paradigma", diz Batlle. "Até agora, se queríamos saber se um doente com cancro do cólon tinha probabilidades de desenvolver metástases, olhávamos para as células do tumor. Este estudo mostrou que, em vez de olharmos para a semente, temos de olhar para o solo. Podemos prever se uma planta vai crescer se o solo, ou substrato, onde se põe a semente é adubado. O TGF-beta é o adubo que modifica o solo onde as sementes do tumor vão crescer."
Portanto, neste jogo de moléculas, as células saudáveis acabam por ser usadas pelas células do cancro que foram colonizar outros tecidos.

Base para teste e terapia
Aliás, a equipa também observou que as células no cancro primário já conseguem mudar o microambiente à sua volta. Com esta informação, poderá criar-se um teste que avalie o risco de metástases e permita adaptar a terapia conforme os resultados.
Um passo seria ver se o TGF-beta e a interleucina-11 estão nos tecidos vizinhos das células do cancro. Em 15% dos casos do estudo não houve metástases, o que a equipa atribui à ausência de modificação do estroma pelo TGF-beta. "Se virmos que o estroma já está modificado no tumor primário no cólon, isso significa que as células tumorais serão capazes de mudar o microambiente do fígado quando se disseminarem para lá", diz outro autor, Alexandre Calon.
Para demonstrar o papel do TGF-beta como o primeiro adubo lançado sobre as células saudáveis, a equipa fez experiências em ratinhos com cancro colorrectal: tratou-os com um inibidor do TGF-beta e impediu a formação de metástases. "Esta experiência prova que o TGF-beta e o estroma do tumor têm de "falar um com o outro", para ocorrer a metastização", diz Batlle. "Os nossos resultados nos ratinhos também mostram que os doentes que tiverem o TGF-beta activado, e que estão nas fases iniciais da doença, podem beneficiar da toma do inibidor do TGF-beta.

Fonte: Público

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Nove tarântulas coloridas e peludas encontradas no Brasil

Peludas e coloridas, assim são as nove tarântulas agora identificadas no Brasil. Vivem nas árvores e, apesar de poder haver quem pense que têm um aspecto pouco simpático, são inofensivas.
Das nove espécies, classificadas em três géneros diferentes, a que mais chama à atenção é a Typhochlaena costae. Tem o corpo pintalgado de cor-de-rosa, amarelo e azul e é das tarântulas arborícolas mais pequenas que se conhecem, com apenas dois ou três centímetros de comprimento.
Mas no conjunto agora descrito há tarântulas de outras cores e tamanhos, todas elas com um certo ar de peluche, devido aos pêlos no corpo.
As das espécies Iridopelma katiae e Pachistopelma bromelicola, cujos representantes podem chegar aos 13 centímetros de comprimento, têm o corpo de um vermelho quase castanho.
Todos os exemplares descritos são coloridos, ao contrário do que seria de esperar em tarântulas adultas, que normalmente não têm cores, diz ao PÚBLICO Rogério Bertani, aracnólogo do Instituto Butantan de São Paulo e responsável pelo projecto de identificação destas espécies. “Os jovens de tarântulas arborícolas são normalmente coloridos, mas os adultos costumam perder as cores exuberantes. Alguns padrões encontrados nestas espécies são únicos e não aparecem em nenhuma outra espécie conhecida.”
Por que razão o corpo é tão colorido é uma pergunta ainda sem resposta. “Esse colorido deve ter alguma função protetora contra predadores. Porém, até o momento, não conheço nenhum trabalho que tenha sido feito para demonstrar a real função dessas cores”, responde o aracnólogo.
As tarântulas arborícolas são conhecidas nalguns locais tropicais da Ásia, África, América do Sul, América Central e nas Caraíbas. No Brasil, é na Amazónia que vive a maior parte das espécies. Porém, estas nove são do Brasil central e oriental, uma descoberta inesperada e que, para Rogério Bertani, mostra o quão pouco se sabe sobre a fauna do planeta.
Estas tarântulas (que são aranhas) chegaram até ao aracnólogo de diversas maneiras. “Algumas espécies foram recolhidas em expedições, outras tinham sido recolhidas há muito tempo e estavam guardadas em colecções científicas e outras foram encontradas por outros aracnólogos que sabiam que eu estava a trabalhar com esse grupo de aranhas e me enviaram os exemplares.”
As tarântulas arborícolas têm o corpo fino e leve para serem ágeis e as pernas compridas e ligeiramente mais largas nas extremidades, para poderem trepar com mais facilidade. Em relação à alimentação das novas tarântulas, também ainda não há certezas. “Provavelmente alimentam-se de insectos, outras aranhas e, esporadicamente, de pequenos vertebrados, como sapinhos”, diz Rogério Bertani.
Além de serem coloridas, outro aspecto curioso destes animais, cuja descrição pormenorizada foi publicada na revista ZooKeys, é que algumas das nove espécies vivem dentro de plantas da família das bromélias. “Apenas conhecíamos uma espécie que vivia exclusivamente dentro dessas plantas, e agora temos outra espécie especializada em bromélias”, diz o aracnólogo brasileiro. “Nos locais onde vivem tarântulas arborícolas, esse é dos poucos com água e um refúgio para a luz solar intensa”, acrescenta o investigador, citado num comunicado do grupo editorial da revista.
A intensa actividade humana, com a destruição do seu habitat, pode ter efeitos perversos na preservação destas espécies, que são dependentes da vegetação. Apesar de não haver estudos que mostrem que estão ameaçadas, o cientista sugere mais investigações, para garantir a conservação das espécies. Além disso, é preciso ter cuidado com outra ameaça: como são espécies coloridas, podem atrair o interesse do comércio de animais de estimação.

Fonte: Público

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Criada Pepsi que "ajuda a emagrecer"

A empresa não revelou ainda dados específicos sobre a nova bebida, mas será colocada à venda com a "fama" que tem um ingrediente que bloqueia a gordura.
Chama-se Pepsi Special e estará à venda a partir de amanhã no Japão (não se sabe quando irá ser exportada para outros países). A nova bebida da conhecida marca de refrigerantes promete ser uma ajuda para quem quer emagrecer.
Supostamente, a bebida contém dextrina, um ingrediente que funciona como dietético, isto é, que reduze a absorção de gordura, ajudando a pessoa a sentir-se durante mais tempo "cheia". Alguns estudos indicam ainda que poderá ajudar a baixar o colesterol. Por saber está a quantidade, por exemplo, de açucar que a bebida contém e os restantes ingredientes.
Segundo o Daily Mail a bebida custará dois dólares (cerca de euro e meio).

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A baleia mais rara do mundo deu à costa e foi vista pela primeira vez

Ao fim de quase um século e meio em que os seus vestígios se limitavam a alguns ossos – uma mandíbula encontrada em 1872 e dois crânios em 1950 e 1986 –, dois exemplares da espécie de baleia mais misteriosa deram à costa. E que baleia é esta? É a baleia-bicuda da espécie Mesoplodon traversii.
Ainda não foram divulgadas imagens dos dois exemplares, uma baleia adulta, com 5,3 metros de comprimento, e a sua cria, um macho de 3,5 metros. Ao início, quando os encontraram numa praia da Nova Zelândia em Dezembro de 2010, foram identificados erradamente como Mesoplodon grayi, uma espécie bastante mais comum de baleias, pelos técnicos do Departamento de Conservação da Nova Zelândia, através de medições e fotografias. Os técnicos recolheram ainda tecidos e só aí, depois de o ADN das amostras ter sido submetido a análises, ficou revelado que os dois exemplares completos que ficaram presos na praia de Opape pertenciam à espécie Mesoplodon traversii.
Mãe e cria acabaram por morrer, mas os investigadores conseguiram fazer a primeira descrição completa desta espécie, num estudo coordenado por Kirsten Thompson, da Universidade de Auckland, e que foi publicado na revista Current Biology. “Pela primeira vez, fazemos a descrição morfológica e fornecemos imagens desta espécie enigmática”, dizem os cientistas no artigo.
Como se lê ainda no artigo, é difícil identificar a espécie apenas pela sua morfologia, por isso este estudo destaca a importância da recolha de ADN como ferramenta de classificação de espécies raras.
Esta baleia-bicuda habita as águas do Pacífico Sul e passa a maior parte do tempo submersa. Além disso, tendo em conta que o Pacífico Sul se estende por cerca de 85 milhões de quilómetros quadrados, cobrindo aproximadamente 14% da superfície terrestre, tudo isso torna muito difícil avistar estes animais. Repleto de zonas muito profundas, o Pacífico esconde numerosas espécies raras. A Nova Zelândia está entre os países com maior biodiversidade. Com uma zona litoral extensa, muitas baleias dão às costas neozelandesas, havendo aí uma das maiores taxas de diversidade de cetáceos.
Excelente mergulhadora, a Mesoplodon traversii alimenta-se de lulas e peixes pequenos, tem dentes e um focinho semelhante ao dos golfinhos, daí o seu nome comum. Os escassos ossos que se conheciam dela tinham sido descobertos sobretudo na Nova Zelândia: a mandíbula no arquipélago das Chatham e um dos crânios na ilha Branca. No Chile, na ilha Robinson Crusoe, encontrou-se o segundo crânio em 1986.
Os esqueletos dos dois animais agora descobertos foram levados para o Museu de Nova Zelândia Te Papa Tongarewa, em Wellington, para mais estudos morfológicos. Esta descoberta lembra que ainda há muito que desconhecemos sobre a vida no oceano.

Fonte: Público

sábado, 10 de novembro de 2012

Como é que o peixe-arqueiro lança jactos seis vezes superiores à sua força muscular?

Uma equipa de cientistas italianos diz ter desvendado o mistério do peixe-arqueiro, que cospe um jacto de água seis vezes superior à sua força muscular para caçar. Ele aproveita movimento da água, pelo que a força dos jactos deve-se à dinâmica da água e não só aos órgãos do peixe.
Este mistério dá que falar há quase 250 anos, desde o primeiro relato deste comportamento, em 1764 . Agora o grande poder dos jactos do peixe-arqueiro foi desvendado Alberto Vailati e pelos colegas da Universidade de Milão. O peixe fecha as guelras para forçar a produção do jacto, que é projectado pelo ar, como uma única grande gota de água, que atinge a presa de uma tal maneira que ela se torna refeição.
A dinâmica da água serve assim de “alavanca”, como lhe chama Vailati no estudo, para o peixe-arqueiro, assim como um arqueiro faz com o seu arco, para impulsionador da flecha. Aliás, é a precisão do disparo dos jactos que justifica o nome da espécie, com o nome científico Toxotes jaculatrix. “O mecanismo observado representa um exemplo extraordinário de uma alavanca hidrodinâmica externa que não implica um elevado custo do ponto de vista evolutivo para o desenvolvimento de estruturas internas altamente especializadas dedicadas ao armazenamento de energia mecânica”, refere o artigo.
O peixe consegue arrancar insectos firmemente presos à vegetação fora da água. Assim que os insectos são derrubados pelo jacto, e caem na água, são devorados imediatamente pelo peixe. Esta técnica permite-lhe atingir certeiramente um insecto numa fracção de segundo, mesmo se estiver a dois metros de distância. Peixe típico dos mangais, que por vezes entra pelos em rios e ribeiras adentro, encontra-se na Ásia e na Oceânia, em países como a Indonésia, a Papuásia-Nova Guiné e na Austrália.
Estudos anteriores já tinham demonstrado que não são os órgãos internos do peixe os responsáveis pela técnica mortal de caça. Isso acontece, por exemplo, com os camaleões, que armazenam energia nos próprios corpos, em fibras que actuam como uma mola que lhes permitem disparar as suas línguas repentinamente para capturar as presas. A aceleração do disparo pode atingir os 500 metros por segundo ao quadrado.
O estudo, publicado na revista PLos ONE, foi possível graças à utilização de câmaras de alta velocidade, que permitiram visualizar jactos em fracções de segundo. Os cientistas puderam assim descrever os movimentos do jacto mortal do peixe.
A proposta apresentada pelos cientistas italianos para desvendar o mistério é a primeira a sugerir que os jactos de água disparados pelo peixe-arqueiro, tal e qual uma bisnaga de água, como compara Alberto Vailati, se devem a forças externas, em vez de terem unicamente causas biológicas internas.

Fonte: Público

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"Cheiro a rosas" é promessa de desodorizante comestível

O 'Deo Perfume Candy' prova o velho ditado de que cada um é aquilo que come.
A empresa búlgara Alpi conseguiu fabricar um produto que muda o cheiro exalado por quem o experimenta. O novo desodorizante, que surge na forma de pastilhas comestíveis é feito de rosas damascenas (uma mistura das espécies de rosa 'gallica' e 'moschata') da Bulgária e foi desenvolvido por cientistas japoneses.
O web-site do produto, apelidado de "perfume doce", explica que a descoberta surgiu através de uma serie de estudos que demonstraram que depois de ser ingerido, o óleo de rosas liberta componentes aromáticos para a pele. Assim, quando evapora pelos poros, passa o cheiro da flor para o corpo. É ainda explicado que o mecanismo funciona de forma semelhante ao que acontece quando é ingerido alho.
De acordo com o fabricante, uma porção de quatro pedaços de doce é suficiente para que uma pessoa com aproximadamente 65 quilos fique "cheirosa" durante mais de seis horas. A quantidade padrão conta com 12 miligramas de geraniol, um óleo de rosas. Para ser gerara uma gota deste óleo são necessárias 2 mil pétalas de rosa.
O 'Deo Perfume Candy' tem ainda várias versões. Pode escolher com ou sem açúcar ou ainda com sabor natural a tangerina. Países como os Estados Unidos, França, Espanha, Alemanha e China já contam com a inovação nas prateleiras. O produto está ainda disponível para encomendas para todo o mundo no site oficial, por apenas sete euros.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Opilião das patas longas bate recorde de comprimento

Peter Jäger, aracnólogo do Instituto de Investigação de Senckenberg, em Frankfurt, viajou até ao Laos para participar nas gravações de um programa televisivo, em Abril deste ano. A história acabaria aqui, se o cientista não tivesse ido apanhar aranhas e se, entre os exemplares, não estivesse um certo opilião, que já bateu o recorde das patas mais compridas para estes animais.
Confundidos muitas vezes com aranhas, os opiliões não segregam seda, não fazem teias, nem produzem veneno. São conhecidos por terem pernas muito grandes em comparação com o resto do corpo. Chamam-se vulgarmente "cavaleiros", porque parecem cavalgar quando são perturbados. Este andar bamboleante pode ser uma maneira de confundirem os predadores, que assim não percebem exactamente onde está a parte central do corpo.
Apesar de haver opiliões com patas curtas e robustas, aquele que foi descoberto no Laos é dos pernilongos. "Entre filmagens, apanhei aranhas em grutas no Sul da província de Khammouan", conta Peter Jäger, num comunicado do seu instituto. "Numa das grutas descobri um opilião absolutamente gigante."
Até agora, o maior opilião conhecido, o Mitobates triangulus, foi encontrado na Mata Atlântica brasileira. As suas pernas medem 34,2 centímetros. O "novo" opilião bate esse recorde, como mostra a fotografia dele esticado por cima de uma régua. A sua espécie ainda não está identificada, mas o género sim, é o Gagrella.
No Laos, têm sido encontrados, aliás, vários artrópodes gigantes: há uma aranha caçadora com patas que chegam aos 30 centímetros (Heteropoda máxima); um escorpião com um corpo de 26 centímetros (Typopeltis magnificus); e uma centopeia com quase 40 (Thereuopoda longicornis). O opilião pernilongo junta-se ao grupo, fazendo do Laos um mundo de artrópodes gigantes.
Para tentar descobrir a sua espécie, Peter Jäger procurou a ajuda da investigadora brasileira Ana Lúcia Tourinho, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia e que se encontra agora no Instituto de Senckenberg. Ao PÚBLICO, Ana Lúcia Tourinho conta que os opiliões, além de viverem em grutas, são animais nocturnos e preferem refúgios húmidos. O seu corpo perde água com muita facilidade, o que os torna dependentes dos habitats húmidos.
Geralmente, os opiliões são predadores e, enquanto as aranhas só ingerem alimentos líquidos, eles conseguem comer pequenos pedaços sólidos. Chegam a alimentar-se de outros opiliões, já mortos. "Possuem hábitos alimentares muito variados", refere Ana Lúcia Tourinho. Outra característica que os distingue das aranhas é a fecundação ser interna. Os opiliões são o único grupo de aracnídeos com um verdadeiro pénis.
Para se defenderem, produzem um líquido que é tóxico para insectos mais pequenos, mas que nos humanos, se forem picados, causa apenas uma ligeira comichão. Quando se sentem ameaçados, podem picar o inimigo ou perder uma das patas. Mesmo depois de já não estar presa ao corpo, essa pata continua com movimento. Assim, esperam distrair os predadores, que incluem sapos, grilos e outros aracnídeos.
As suas longas patas têm várias funções. Com quatro pares, o primeiro e o segundo, normalmente maior do que os outros, têm uma função sensorial, funcionando mais ou menos como uma antena. É com elas que os opiliões identificam o espaço à volta, captando os sinais físicos e químicos do ambiente. O terceiro e o quarto pares de patas têm apenas a função de locomoção.
Mas, durante os rituais de acasalamento, as patas servem para mostrar à fêmea as suas habilidades e tentar assim conquistá-la. "Nalgumas espécies, o macho oferece alimento à fêmea, que o deverá aceitar para poderem acasalar", explica o biólogo Pedro Sousa, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, no Porto.

O maior de Portugal
Vivem muitas espécies de opiliões em Portugal, com grande diversidade de formas, tamanhos e cores do corpo. "Existe em Portugal o maior opilião europeu, a espécie Gyas titanus", diz Pedro Sousa.
Este opilião, que se encontra principalmente no Norte do país, tem o corpo negro com linhas prateadas transversais, os olhos escuros com uma linha branca ao centro e faz parte do grupo dos que têm as pernas compridas. O corpo atinge, no máximo, 12 milímetros de comprimento e é uma espécie adaptada para viver num ambiente com muita água. E um dos opiliões mais pequenos de Portugal, cuja identificação está por fazer, vive no parque de Monsanto, paredes meias com a cidade de Lisboa, conta Sérgio Henriques, conservador no Museu de História Natural de Londres. "Além de ser endémica, esta pequena espécie cor de laranja é uma relíquia. Conseguiu sobreviver às alterações climáticas que Portugal sofreu nos últimos milhões de anos", diz Sérgio Henriques. "Este endemismo ainda não tem nome e faz parte de uma parceria internacional para ser descrito."
Para Pedro Cardoso, outro biólogo português, conservador do Museu de História Natural da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, o opilião mais especial em Portugal é o Iberosiro distylos: é cavernícola e conhecido numa única gruta da serra de Montejunto. Foi descoberto em 1941, pelo aracnólogo português António de Barros Machado, que não o conseguiu identificar e permaneceu assim esquecido. "Só foi descrito em 2004, por uma equipa da Universidade de Harvard, o que demonstra o pouco que em Portugal se faz neste campo da ciência", diz Pedro Cardoso.

Fonte: Público

sábado, 3 de novembro de 2012

Elefante imita voz humana e fala coreano

O elefante asiático, chamado Koshik, é capaz de imitar a voz humana e até mesmo de pronunciar palavras em coreano.
Quem já visitou o Jardim Zoológico de Lisboa lembra-se com certeza do elefante que tocava o sino em troca de uma moeda. No 'Everland Zoo', na Coreia do Sul, as capacidades do elefante local vão ainda mais longe.
Koshik é um elefante singular. Aprendeu a imitar a voz humana e o seu vocabulário inclui, pelo menos, cinco palavras em coreano: "olá", "não", "senta-te", "deita-te" e "bom". O animal, que está no zoológico 'Everland Zoo', na Coreia do Sul, utiliza a tromba, que coloca na boca, para transformar o seu bramido natural numa imitação da voz humana, conseguindo, assim, formar palavras, notícia o site da BBC.
Koshik entra assim para a lista dos animais que conseguem reproduzir o som humano quase na perfeição. À semelhança da beluga, também conhecida por baleia branca, que cativou fãs por todo o mundo depois de ter captado o som da voz humana e de o ter conseguido imitar, o elefante Koshik foi ainda mais longe, pois além de imitar a voz dos seres humanos consegue também pronunciar algumas palavras, diz a BBC.
Angela Stoeger, da Universidade de Viena, explicou que a voz humana se baseia essencialmente em dois aspetos: o tom e o timbre. "Surpreendentemente, Koshik é capaz de desenvolver tanto um como outro. Pode imitar os seus treinadores, algo que é notável num animal com tantas diferenças do homem", afirmou ao jornal espanhol 'El Mundo'.
Não está totalmente claro o motivo pelo qual Koshik adotou este mecanismo vocal, no entanto os investigadores sugerem que o facto de ser o único elefante no zoológico da Coreia do Sul, desde há cinco anos, e o facto de o seu único contacto ser com seres humanos, tenha ajudado a desenvolver essa aptidão, diz o site do jornal espanhol 'El Mundo'.
"Acreditamos que Koshik começou a adaptar a sua vocalização aos seres humanos com que convivia para fortalecer a sua socialização, algo que já se observou noutras espécies", disse Angela Stoeger, também ao 'El Mundo'.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Descoberta uma nova espécie de lagartixa

Cientistas australianos descobriram uma nova espécie de lagartixa no sudoeste da Austrália que se acredita estar em perigo de extinção devido ao desenvolvimento urbano, informaram hoje académicos.
A Ctenotus ora tem seis centímetros de comprimento e habita nas dunas existentes a sul da cidade de Perth, na Austrália Ocidental, informou a Universidade Nacional Australiana em comunicado.
"Esta lagartixa enfrenta um sério risco de desaparecer", alertou um dos cientistas envolvidos na descoberta, Geoffrey Kay.
Os cientistas australianos conseguiram observar apenas poucos exemplares da nova espécie pelo facto de o seu habitat natural estar a ser ameaçado com a urbanização derivada do crescimento de Perth.
A descoberta foi feita durante uma pesquisa a sul de Perth para determinar o nível de biodiversidade no sudoeste da Austrália.
O sudoeste da Austrália é considerado como um dos 25 lugares do mundo com maior biodiversidade, a par de Madagáscar, das selvas tropicais da África Ocidental e do Cerrado no Brasil, refere a nota da Universidade Nacional Australiana.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Escaravelho usa a bola de estrume como aparelho de ar condicionado, com sauna incluída

Já se sabia que as bolas de estrume transportadas pelos escaravelhos são usadas como alimento, fertilizante e incubadora de ovos. O que não se sabia, e um grupo de cientistas descobriu agora, é que os escaravelhos do estrume também usam as bolas para se refrescarem, como um aparelho de ar condicionado portátil.
Oriundos de regiões onde as temperaturas atingem os 50 graus Celsius, como o Senegal, Moçambique ou Zimbabwe, estes animais desenvolveram técnicas para se manterem frescos e suportarem o calor.
O transporte das bolas de estrume é feito quase sempre pelos machos, que as encaminham até à toca escavada pela fêmea. Ela é importante para a sua sobrevivência, mas a caminhada não deixa de ser uma tarefa difícil, se pensarmos no esforço que têm de fazer para transportar uma bola maior do que eles, de cabeça para baixo e com as patas da frente a tocar o chão, que está muito quente. As bolas chegam a atingir quatro centímetros de diâmetro, enquanto este escaravelho tem três, no máximo.
Usando a técnica de termografia infravermelha, que permite determinar a temperatura de um corpo sem ser necessário tocar-lhe, o grupo de cientistas liderado por Jochen Smolka, da Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que os escaravelhos do estrume também usam a sua bola como refugio térmico portátil, subindo para ela quando a temperatura do solo é muito alta.
Feito com escaravelhos da espécie Scarabaeus Lamarcki, o estudo foi dividido em três partes. Na primeira, os cientistas analisaram o comportamento dos escaravelhos a empurrar a bola pelo chão, que atingia primeiro 51,3 graus Celsius e depois 57 graus. Na segunda parte, repetiram a experiência no chão mais quente (com os 57 graus), mas calçaram aos escaravelhos umas botas de silicone, para não sentirem o calor. Na última parte, os escaravelhos foram convidados a empurrar primeiro uma bola de estrume que tinha estado no frigorífico e depois outra que tinha sido aquecida.
No primeiro caso, quando o chão estava menos quente (51,3 graus), os escaravelhos empurraram a bola sem parar, mas quando estava mais quente paravam frequentemente e iam para cima dela. No segundo teste, apesar de a temperatura do chão ser elevada, como os escaravelhos tinham as botas calçadas não sentiam o calor do chão e, por isso, subiram menos vezes para a bola do que quando estavam descalços. Já no terceiro teste, subiam menos para as bolas arrefecidas no frigorífico do que para as que tinham sido aquecidas, porque a evaporação ocorrida nestas bolas ajudava-os a refrescarem-se. Tinham assim uma sauna privada.
Publicado na revista Current Biology, este estudo permitiu concluir que os escaravelhos sobem mais para as bolas, quando o calor aperta, e fazem-no sete vezes mais depressa, quando chão está mais quente. “Os escaravelhos usam a bola para se refrescar, porque aquecem com facilidade a empurrar uma enorme bola de estrume sobre a areia ardente de África”, diz Smolka, num comunicado.
Registadas em vídeo, as imagens do transporte do estrume permitiram ainda ver que os escaravelhos ficam algum tempo a passar as patas pela cara quando sobem para bola, como se estivessem a lavá-la. Para a equipa, este comportamento é semelhante ao das formigas do deserto, que regurgitam um líquido para as patas para as refrescarem.
O caso dos escaravelhos e das suas bolas de estrume mostra, no final, como os seres vivos são versáteis. “Através da evolução, estruturas já existentes adaptam-se a novas finalidades — neste caso, é o uso de uma fonte de alimento para termorregulação”, remata o cientista.

Fonte: Público