segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pelos nas asas dos morcegos são importantes nos seus voos

O morcego é o único mamífero realmente capaz de voar. As suas asas são membranas flexíveis, espalhas entre os seus braços e patas.
Após se terem tratado morcegos com cremes depilatórios, verificou-se que os pelos microscópicos presentes nas asas destes animais são cruciais para a sua capacidade de voar.
Os autores deste estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revela que os minúsculos pelos existentes nas superfícies dorsal e ventral das asas dos morcegos funcionam como uma espécie de tubos de Pitot das asas dos aviões, que são fundamentais para o controlo da velocidade e do próprio voo.
A Dra. Susanne Sterbing-D’Angelo, do Institute for Systems Research da Universidade de Maryland, efectuou uma análise por microscopia electrónica de varrimento de forma a mapear a distribuição dos pelos em duas espécies de morcegos diferentes. Observou que a distribuição dos pelos era idêntica em ambas as espécies, com apenas algumas diferenças pontuais entre eles. Observaram também que a estimulação dos pelos das asas com ar proveniente de diferentes direcções levou a uma estimulação do nervo sensorial localizado na base desses pelos. Quando as asas foram tratadas com o creme depilatório, a resposta neuronal deixou de ser observada.
Corrida (voo) de obstáculos…
De forma a avaliar o efeito da remoção dos pelos na capacidade de voo, os morcegos foram treinados para voar através de um percurso de obstáculos e o seu desempenho vou avaliado antes e depois da remoção de diferentes secções dos pelos das asas.
Os autores observaram que os morcegos que deixaram de ter pelos nas asas voavam mais rápido e efectuavam curvas mais largas. Isto sugere que as células nervosas existentes na base dos pelos podem estar envolvidas na deteção da turbulência do ar, ajudando a estabilizar o voo.

Fonte: ABC Science

domingo, 3 de julho de 2011

Os olhos dos pássaros detectam mais cores do que os nossos

As cores vivas dos pássaros têm inspirado poetas e amantes da natureza, mas investigadores da Universidade de Yale e da Universidade de Cambridge afirmam que essas cores representam apenas uma fracção daquilo que os pássaros são capazes de ver. Esta afirmação baseia-se num estudo do sistema visual das aves, publicado no jornal Behavioral Ecology, que revelou que há milhões de anos a evolução de plumagens coloridas permitiu passar de poucas cores para um leque variadíssimo de cores, à medida que os pássaros adquiriram gradualmente a capacidade de criar novos pigmentos.
“As nossas roupas eram muito monótonas antes da invenção das anilinas, mas depois a cor começou a ser mais barata e houve uma explosão de cores coloridas, tais como as que usamos actualmente”, afirmou Richard Prumchefe do Departamento de Ornitologia, Ecologia e Biologia Evolutiva e co-autor do estudo. “O mesmo tipo de situação ocorreu com os pássaros.”
Os cientistas especularam durante anos acerca da forma como os pássaros obtêm as suas cores, mas o estudo de Yale/Cambridge foi o primeiro a abordar como os mesmos vêm as suas cores. Ironicamente, a resposta é que os pássaros vêem mais cores do que os humanos, sendo que podem inclusive ver mais cores do que aquelas que apresentam nas suas penas. Os pássaros possuem cones adicionais na sua retina que são sensíveis a radiação ultra-violeta, portanto, conseguem observar cores invisíveis aos humanos.
Com o passar do tempo, os pássaros apresentaram uma evolução complexa de combinações de cores que incluem vários pigmentos de melanina, responsáveis pela coloração da pele em humanos, carotenóides, que obtêm a partir da dieta, e cores estruturais, tais como as responsáveis pela cor dos olhos no ser humano.
A co-autora Mary Caswell Stoddard, de Cambridge, que começou a investigar o sistema visual das aves enquanto aluno pré-graduada em Yale, procura saber porque é que os pássaros ainda não desenvolveram a capacidade de apresentar nas suas penas, por exemplo, a cor amarela e vermelha ultravioleta, que são cores invisíveis para os humanos mas visíveis para os pássaros.
“Não sabemos porque é que as cores das penas estão confinadas apenas a algumas opções”, afirmou Stoddard. “As restantes cores podem ser impossíveis de produzir através dos mecanismos disponíveis, ou então podem ser desvantajosas”.
“Isto não significa que a palete de cores produzida pelos pássaros não possa ainda evoluir, de forma a abarcar novas cores”, afirmou Prum. “Os pássaros podem produzir apenas cerca de 26-30% das cores que são capazes de ver, mas têm trabalhado nos últimos milhões de anos para ultrapassar essas limitações. É importante ter a consciência de que apesar dos pássaros nos parecerem tão coloridos, nós somos como que cegos para cores, comparando com os pássaros”.
Fonte: E! Science News

sábado, 2 de julho de 2011

O chamamento do esquisito: homenagem aos criptobiólogos

Em Dezembro de 2010 um vídeo amador com 8 segundos de duração provocou um turbilhão de reacções no mundo científico. A filmagem foi efectuada na região norte da Tasmânia, e mostrava (de uma forma pouco focada) um mamífero de cauda longa a correr. De acordo com o autor do filme, Murray McAllister, o animal era um tigre da Tasmânia.
O tigre da Tasmânia, ou tilacino, é um predador marsupial do tamanho de um lobo, e encontra-se presumivelmente extinto desde que o último espécimen morreu no zoo de Hobart, em 1936. No entanto, desde essa altura têm aparecido centenas de avistamentos do tilacino.
O animal que aparecia na filmagem assimilava-se a uma raposa vermelha. Na altura, McAllister recolheu uma amostra fecal, que após ter sido analisada revelou que realmente se tratava de uma raposa e não de um tigre da Tasmânia.
McAllister tem procurado o tigre da Tasmânia desde 1998. Apesar de não se considerar como tal, é um criptobiólogo, um caçador de mitos, mistérios ou espécies supostamente extintas. Os criptobiólogos são uma classe muito heterogénea, que vai desde cientistas convencionais até indivíduos mais excêntricos, afastados das principais correntes da Biologia. No entanto, todos eles partilham o sonho de descobrirem criaturas desconhecidas ou extintas.
Toda a gente já ouviu falar de criaturas míticas, tais como o monstro Nessie ou o Bigfoot, mas os criptobiólogos procuram, na realidade, um conjunto bem mais amplo de criaturas exóticas, colectivamente designadas por criptidos. Alguns, tal como o tigre da Tasmânia, tiveram uma existência real. Outros, tais como gigantes ou vampiros, apresentam uma existência no mínimo duvidosa.
No entanto, a criptobiologia apresenta também um lado de sucesso. Alguns criptobiólogos, tais como o ecologista tropical David Bickford, da Universidade de Singapura, e Aaron Bauer, da Universidade da Pensilvania, são cientistas respeitados. Por exemplo, Bickford já descobriu várias espécies previamente desconhecidas, incluindo o bizarro sapo sem pulmões que vive nas quedas de água de Borneo.
“A procura do desconhecido e estranho cativa muita gente”, afirma Mike Trenerry, um biólogo do Queensland Department of Environmen and Resource Management, que utiliza câmaras automáticas para procurar animais diferentes. “Queremos acreditar que existe mais lá fora do que é actualmente conhecido”.
A verdade é que, como é óbvio, apesar de estarmos no século 21, o mundo natural está repleto de mistérios. Muitas vezes mais de 50% das espécies de insectos capturadas pelos biólogos tropicais são novas. Peixes desconhecidos e outras espécies marinhas são vulgarmente identificados em águas profundas. Cerca de metade das plantas da Amazónia estão ainda por identificar.
Convém referir também que nem todas as novas espécies descobertas são pequenas e obscuras. Por exemplo, o morcego Mindoro, descoberto em 2007 nas Filipinas, tem cerca de 1m de comprimento com as asas abertas. No mesmo ano, uma nova cobra venenosa foi descoberta na Austrália, e uma raia eléctrica grande foi identificada pela primeira vez na África do Sul.
Portanto, globalmente o trabalho dos criptobiólogos tem um papel importante na ciência. Sim, eles procuram criaturas bizarras, mas têm contribuído significativamente para o desenvolvimento da Biologia.

Fonte: New Scientist

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Extinção marinha global é um problema real

Foi realizado o primeiro workshop internacional interdisciplinar acerca do impacto de todos os agentes indutores de stress que afectam o oceano, que examinou os efeitos combinados da poluição, acidificação, aquecimento, pesca excessiva e hipoxia do oceano. O painel científico concluiu que a cominação destes agentes causadores de stress no oceano está a criar condições para se observar a maior extinção de espécies da história da Terra. A velocidade de degradação do oceano e claramente superior às previsões de qualquer um, e o impacto actual dessa degradação é significativamente superior aos piores cenários previstos anteriormente. Apesar de ser difícil de avaliar em concreto, devido à velocidade sem precedentes que a mudança está a ocorrer, os primeiros passos para esta potencial extinção global podem já ter começado, com o aumento do risco de extinção dos corais formadores de recifes.
O Dr. Alex Rogers, Director Científico do IPSO – Internatinsl Programme on the State of the Ocean afirmou que: “As descobertas são chocantes. Esta situação é muito séria e exige uma ação inequívoca a todos os níveis. Estamos a falar em consequências para os seres humanos que vão ter um impacto na nossa esperança média de vida, e pior, na dos nossos filhos e gerações futuras.”
O aumento da hipoxia (níveis baixos de oxigénio) e anoxia (ausência de oxigénio) combinado com o aquecimento dos oceanos e a acidificação são os três factores que estiveram presentes em todas as extinções em massa verificadas ao longo da história da Terra. Existem evidências científicas fortes de que esses três factores estão novamente a combinar-se no oceano, sendo que esses efeitos se encontram potenciados por muitos outros agentes indutores de stress. O painel científico concluiu que um novo evento de extinções será inevitável se os danos causados continuarem.
Por exemplo, a taxa de absorção de carbono pelo oceano é actualmente muito superior do que na altura da última extinção global significativa de espécies marinhas, que ocorreu há cerca de 55 milhões de anos, e que levou ao desaparecimento de mais de 50% das espécies de animais de mar profundo. Além disso, um único evento de destruição de coral que ocorreu em 1998 matou cerca de 16% dos recifes de coral tropicais de todo o mundo.
Segundo Dan Laffoley, co-autor do relatório elaborado no final do workshop: “Os maiores especialistas mundiais em oceanos estão surpreendidos pela velocidade e magnitude das alterações que estão a ocorrer. Os desafios para o futuro do oceano são vastos, mas ao contrário das gerações anteriores, nós sabemos o que tem que ser feito. O tempo para protegermos o coração azul do planeta é agora e é urgente.”

Fonte: Science Daily

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Joaninhas como guarda-costas

A vespa parasita Dinocampus coccinellae é conhecida por depositar os seus ovos no sistema circulatório das joaninhas, onde as larvas se alimentam dos tecidos da mesma antes de saírem pelo seu abdómen. Depois, o parasita em desenvolvimento produz um casulo entre as patas da joaninha, enquanto se encontra na forma de pupa.
Num estudo recente, publicado no Journal of the Royal Society Biology Letters, é explicado o porquê do parasite não matar a joaninha durante todo este processo. Quando os cientistas criaram um ecossistema artifical no laboratório, com joaninhas, parasitas, e outros insectos que se alimentam de pupas de vespa, verificaram que quando os casulos se encontravam entre as patas das joaninhas, apenas 35% das pupas eram mortas pelos predadores, comparando com os 85% registados quando os casulos se encontravam associados a joaninhas mortas. Na ausência de joaninhas, quase 100% das pupas morria.
Portanto, protegendo a descendência das vespas as joaninhas acabam por se proteger a elas próprias!

Fonte: Science/AAAS