domingo, 10 de julho de 2011

Cientistas da UCLA conseguem prever com rigor a idade a partir de uma amostra de saliva

Está consciente da sua idade? Cuidado com as suas cuspidelas… Os geneticistas da UCLA podem agora utilizar a saliva para determinar a sua idade. Esta descoberta foi publicada na revisa PLoS One, e apresenta inúmeras potenciais aplicações. Um teste baseado nesta investigação pode, por exemplo, ser utilizado pelos investigadores criminais como uma nova ferramenta forense para determinar a idade de suspeitos.
“A nossa descoberta fornece uma resposta para a busca antiga de determinação de marcadores da nossa idade”, afirmou o investigador responsável Dr. Eric Vilain, professor de genética humana, pediatria e urologia na Escola de Medicina David Geffen da UCLA. “Com uma simples amostra de saliva nós conseguimos prever com rigor a idade de um indivíduo, sem ser necessário nenhum conhecimento prévio acerca do mesmo”.
Vilain e os seus colaboradores debruçaram-se sobre o processo de metilação de uma das bases azotadas do DNA. “Enquanto os genes determinam parcialmente a nossa idade corporal, o ambiente também influencia o nosso DNA, à medida que envelhecemos”, explica. “O padrão de metilação muda durante o crescimento e contribui para as doenças associadas ao envelhecimento”.
Utilizando amostras de saliva provenientes de 34 pares de gémeos verdadeiros do sexo masculino, com 21-55 anos de idade, os investigadores da UCLA analisaram o genoma associado e identificaram 88 locais no DNA que apresentavam uma elevada correlação entre a metilação e a idade. Os dados obtidos foram depois extrapolados para uma população geral de 31 homens e 29 mulhares, com idades compreendidas entre os 18 e os 70.
Seguidamente, os cientistas construíram um modelo predictivo utilizando dois dos três genes que apresentaram uma relação mais elevada entre a metilação e a idade. Quando utilizaram os dados recolhidos com os gémeos e com o outro grupo, foi-lhes possível prever correctamente a idade de uma pessoa dentro de um intervalo de 5 anos – um nível de exactidão sem precedentes.
“A relação da metilação com a idade é tão forte que é possível determinar quão velha uma pessoa é apenas examinando dois dos cerca de 3 biliões de blocos de construção que constituem o nosso genoma”, afirmou o primeiro autor Sven Bocklandr, um antigo geneticista da UCLA que trabalha neste momento na Bioline.
Vilain e a sua equipa prevêem que este teste se torne uma ferramenta forense muito útil. Analisando vestígios de saliva deixados numa dentada ou numa chávena de café será possível determinar a idade de um suspeito de um crime.
No entanto, numa minoria da população a metilação não se correlaciona com a sua idade cronológica. Utilizando estes dados, será possível um dia os cientistas calcularem a “bio-idade” de uma pessoa – uma medida que relaciona a idade biológica e a idade cronológica de um indivíduo.
Pode também ser utilizada por médicos para avaliarem o risco de doenças relacionadas com a idade em rastreios médicos de rotina, e intervenções específicas baseadas na bio-idade dos pacientes, em vez da sua idade cronológica. Por exemplo, em vez de ser aconselhado que toda a gente faça uma colonoscopia aos 50 anos, esse exame poderá ser efectuado em função da bio-idade dos indivíduos.
“Os médicos podem prever o risco para uma doença em particular e adaptar o tratamento em função da verdadeira idade biológica do DNA, em oposição com a idade da pessoa”, salientou Vilain. “Ao eliminar exames caros e desnecessários, os esforços poderão ser melhor canalizados para quem realmente precisa deles”.
A equipa da UCLA está actualmente a explorar se as pessoas com uma bio-idade inferior vivem mais tempo e padecem de menos doenças. Estão também a examinar se o contrário é verdadeiro, ou seja, se uma bio-idade elevada está associada a uma maior taxa de doenças e uma morte mais prematura.

Fonte: E! Science News

sábado, 9 de julho de 2011

Sexo e assimetria

As aranhas são dos animais mais perfeitamente simétricos que existem. Normalmente, criaturas com uma aparência exterior simétrica são  muito menos organizadas no seu interior. Basta pensar, por exemplo, no ser humano, com os seus intestinos desorganizados, o coração no lado esquerdo e o fígado no lado direito. Isso não acontece com a aranha. De facto, a sua metade esquerda é considerada uma imagem de espelho da direita. Por isso, a surpresa foi grande quando foi descoberta a aranha M. mariguitarensis que apresenta um dos seus pedipalpos (que são o par de órgãos sexuais das aranhas macho), mais concretamente o da direita, com um tamanho que é de cerca do dobro do da direita. Por muitos anos pensava-se que este caso era único na Natureza.
Assimetria estranha…
Apesar da assimetria genital ser extremamente rara nas aranhas, quando Bernhard Huber, do Musei Koenig, em Bohn na Alemanha, começou a estudar o assunto, cedo se tornou claro que o resto do mundo natural se encontra repleto com pénis encurvados e vulvas assimétricas. Uma vez que a simetria é considerada bela, porque é que existe esta assimetria a nível sexual em muitas espécies?
A assimetria sexual é encontrada, por exemplo, nos insectos, em baratas, besouros ou borboletas, por exemplo. Entre os vertebrados, há 4 espécies de peixes que as apresentam. Os patos macho, por exemplo, possuem um pénis helicoidal e as fêmeas uma vagina helicoidal mas com enrolamento oposto (possivelmente para dificultar a vida aos machos que tentem penetrá-la contra a sua vontade). Finalmente, nos mamíferos existem também muitas espécies com assimetria nos órgãos genitais, tais como o esquilo gigante, as lamas e os camelos. Mas não é só o Reino Animal que apresenta esta característica. De facto, existem também várias espécies de plantas que a apresentam.
Se de uma maneira geral os indivíduos simétricos são preferidos como parceiros(as), torna-se difícil perceber como é que evoluiu a assimetria observada. Quais são as razões por detrás deste facto?
Uma razão aparenta estar simplesmente relacionada com o processo de interacção entre os órgãos genitais. Por exemplo, no caso da aranha M. mariguitarensis, verificou-se que a fêmea apresenta muito pouco espaço entre o útero e o revestimento do corpo, pelo que o seu sistema reprodutor é assimétrico, apresentando um enrolamento para a direita. Por isso é que no caso dos machos o pedipalpo da direita se encontra mais desenvolvido, permitindo colocar mais esperma no lado onde existe uma maior probabilidade de fertilizar um ovo.
Adicionalmente, outras teorias para outras espécies têm sido sugeridas, tais como provocar uma maior estimulação da fêmea, de forma a garantir uma cópula mais prolongada, e, consequentemente utilizando mais esperma. Esta situação parece aplicar-se, por exemplo, aos porcos e a algumas espécies de moscas.
Outra ideia sugere que nalguns casos pode ser vantajoso para facilitar a posição de cópula que ocorre em determinadas espécies, tais como algumas moscas e besouros.
Até as flores o fazem…
No caso das flores, as explicações anteriores não se aplicam. No entanto, pensa-se que a assimetria encontrada é uma consequência do facto de existir um lado preferencial para alguns insectos polinizadores espalharem o pólen. No entanto, se tal fosse assim tão vantajoso, seria de esperar que mais plantas exibissem a tal assimetria. São necessários mais estudos para perceber a relevância desta assimetria no Reino Vegetal…
Curiosidade histórica…
Esta ideia da assimetria sexual era um tema abordado também na Grécia Antiga. Chris McManus, da Universidade de Londres, estudou a assimetria no escroto de 107 esculturas antigas. De uma maneira geral, observou que os artistas tinham tendência a colocar o testículo esquerdo maior e mais em baixo do que o direito. Curiosamente, nesse tempo acreditava-se que o testículo direito produzia rapazes e o esquerdo raparigas.

Fonte: New Scientist

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Defesa natural anti-Alzheimer

Não é novidade que a chaperone HspB1 se encontra presente nas placas amilóides encontradas nos pacientes com doença de Alzheimer, mas a sua função permanecia um mistério.
“Descobrimos que a HspB1 aparece como um mecanismo protetor que tenta ajudar a eliminar os agregados tóxicos de beta-amilóide que aparecem na doença de Alzheimer”, afirmou o Dr. Anil G. Cashikar, investigador na Universidade da Georgia. Os resultados deste estudo foram publicados na revista Molecular and Cellular Biology.
Pensa-se que os péptidos de beta-amilóide iniciam uma cascata de eventos que leva a danos e eventualmente morte das células do cérebro. De facto, a quantificação dos níveis desse péptido no fluído espinal é utilizada como uma ferramenta de diagnóstico da doença. As chaperones são conhecidas pela sua propensão para responder a doenças relacionadas com o mau enrolamento de proteínas, que é o que se passa com a beta-amilóide.
Tendo consciência que ainda permanece muito trabalho para fazer, o cientista acredita que esta descoberta poderá abrir novas perspectivas para potenciais tratamentos da doença de Alzheimer. “A HspB1 está presente nas placas porque a sua função é proteger as células. Se conseguirmos elevar os níveis desta chaperone, provavelmente conseguiremos lidar com a doença melhor.”
O passo seguinte será explorar melhor este sistema natural, de forma a desenvolver uma versão mais pequena da chaperone, que possa ser administrada na corrente sanguínea, de forma a ajudar a remover o excesso de beta-amilóide do cérebro. Simultaneamente, também estão a ser estudadas formas de aumentar os níveis de produção da chaperone no cérebro.

Fonte: Science Daily

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A última refeição do Homem do Gelo

O Homem do Gelo, descoberto nos Alpes Italianos em 1991, tem sido uma mina de ouro de informações acerca da vida no período Neolítico, mesmo após 5200 anos da sua morte! Estudos prévios acerca da última refeição do Homem do Gelo, baseados em material fecal recolhido do seu intestino, revelaram que o seu jantar teria sido carne de rena e, possivelmente, cereais, cerca de 4 horas antes da sua morte.
No entanto, uma equipa de investigação liderada pelo microbiólogo Frank Maixner, do Institute fo Mummies and the Iceman de Bolzano, Itália, reexaminou imagens de tomografia computorizada tirada em 2005 e descobriu, pela primeira, vez, o estômago do Homem do Gelo. O órgão ter-se-à movido para cima, para uma posição não usual, e parecia cheio. Quando retiraram uma amostra do conteúdo gástrico e sequenciaram o DNA das fibras animais que encontraram, descobriram que, cerca de 30-120 minutos antes da sua morte, o Homem do Gelo ingeriu carne de íbex-dos-Alpes.
Estas novas descobertas são muito importantes, afirmou Niels Lynnerup, um especialista em medicina forense da Universidade de Copenhaga. “Estamos a aproximar-nos dos últimos minutos de vida do Homem do Gelo”.
Num outro trabalho, o dentista Roger Seilei e o anatomista Frank Ruhli, da Universidade de Zurique, examinaram a saúde oral do Homem do Gelo, que provavelmente morreu com cerca de 35-40 anos. Nesse estudo, verificaram que o Homem do Gelo apresentava várias cavidades dentárias, o que sugere que o mesmo tinha uma dieta abundante em alimentos ricos em hidratos de carbono, tais como pão e cereais, e revelaram que apresentava uma “elevada dose bacteriana nos dentes”.

Fonte: Science/AAAS

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Os órix-da-arábia já não se encontram em risco de extinção

A última actualização da Lista Vermelha da IUCN sobre espécies ameaçadas inclui uma informação muito positiva: O órix-da-arábia (Oryx leucoryx) deixou de ser considerado uma espécie “ameaçada de extinção” passando para “espécie vulnerável”. Tendo em conta que a espécie foi extinta do estado selvagem há apenas algumas décadas, esta informação é muito gratificante. O último órix-da-arábia selvagem morreu em 1972. Desde essa época têm sido efectuados esforços intensos de conservação e de reintrodução da espécie, fazendo com que actualmente a sua população selvagem supere já os 1.000 animais.
Esta é a primeira vez que uma espécie, após ser considerada extinta, foi passada da categoria em perigo (onde se encontrava desde 1986) para uma espécie vulnerável (sem muitos riscos).
Os órixs-da-arábia foram a espécie mais caçada no Médio Oriente nos séculos 19 e 20. Os únicos animais que permaneceram vivos estavam em jardins zoológicos. Após o estabelecimento de criações em cativeiro, as reintroduções no seu habitat selvagem começaram em 1982. A espécie foi reintroduzida na Arábia Saudita, Israel e Emirados Árabes.
"Ter conseguido recuperar o órix-da-arábia de volta da sua quase extinção total é um grande feito e uma verdadeira história de sucesso de conservação da Natureza. Esperamos que este facto seja repetido muitas vezes com outras espécies ameaçadas", afirmou Razan Khalifa Al Mubarak, director geral da Agência de Meio Ambiente de Abu Dhabi. "É um exemplo clássico de como os dados da Lista Vermelha da IUCN podem alimentar acções de conservação de espécies e produzir resultados concretos e bem sucedidos."
"É extremamente importante que continuemos a avançar nas pesquisas de espécies pouco conhecidas, pois sem dados suficientes, não podemos determinar o risco de extinção e, portanto, não podemos desenvolver ou implementar acções efectivas de conservação que possam impedir que a espécie desapareça por completo", alerta Jane Smart, directora do Programa Global de Espécies da IUCN.

Fonte: Scientific American