terça-feira, 26 de julho de 2011

Os narcisistas não têm problemas de percepção da realidade

Os narcisistas consideram-se seres supostamente incríveis, mas eles não vêem o mundo inteiramente através de “óculos cor de rosa”.
Estes sultões da auto-estima conseguem avaliar suas próprias personalidades e reputação com precisam, afirma a psicóloga Erika Carlson, da Universidade de Washington em St. Louis. A equipa de Carlson descobriu inesperadamente que os narcisistas reconhecem o seu próprio narcisismo e assumem que a sua atitude arrogante pode incomodar os outros.
Além disso, os narcisistas tendem a perceber que provocam boas primeiras impressões que rapidamente se degradam, relatam os pesquisadores na revista Journal of PErsonality ans Cosial Psychology (num artigo intitulado You probably think this paper’s about you).
Traços narcísicos incluem arrogância, sentimento de terem direito a tratamento especial, falta de preocupação com os sentimentos dos outros, exagerar a inteligência de alguém, e esperar ser reconhecido como superior em todas as situações. Casos extremos podem ser diagnosticados como transtorno narcisista de personalidade. Os narcisistas podem adoptar a atitude do arquitecto do século 20 Frank Lloyd Wright, que uma vez disse que escolheu "arrogância honesta" em vez de "humildade hipócrita" no início da vida.
"Os narcisistas parecem escolher a arrogância honesta ao descrever-se a si mesmo e às suas reputações", diz Carlson.
Em contraste, muitos pesquisadores acham que os narcisistas adoçam a forma como eles se consideram - realmente acreditam, por exemplo, que eles são jogadores humildes de equipa - e assumem que os outros têm alta consideração por eles.
Carlson mostra, no entanto, que os narcisistas "têm ideias exactas do seu carácter", observa o psicólogo W. Keith Campbell, da Universidade da Geórgia, em Athens. Mas auto-adoradores pode também enganar-se, acrescentou Campbell, como quando se consideram responsáveis exclusivos dos sucessos da sua equipa, ou quando culpam os outros por falhas pessoais e sobre-estimam a sua própria criatividade e atractividade física.
As ideias dos narcisistas sobre as suas próprias personalidades e reputações, combinadas com a exagerada auto-estima, sugerem que eles vêem a arrogância e características relacionadas como pontos positivos da personalidade digna de apreciação por parte dos outros, afirmou Mitja Back, psicólogo na Universidade Johannes Gutenberg de Mainz, na Alemanha.
É preciso um psicoterapeuta especializado para ajudar os pacientes a mudar as suas maneiras narcisistas sem despertar a ira defensiva, diz Campbell. "Um dos grandes problemas da terapia com os narcisistas é que eles normalmente desistem".
As novas descobertas sugerem uma estratégia alternativa para psicoterapeutas, diz Carlson. Narcisistas que sabem que os outros os vêem negativamente podem beneficiar de aprender como a bondade e abnegação podem melhorar na sua necessidade de status social.
A equipa de Carlson examinou as percepções de universitários de pares narcisistas, após uma primeira reunião, um exercício de aula e em reuniões semanais de grupo realizadas ao longo de um semestre. Outra experiência analisou a percepção de recrutas da Força Aérea dos EUA para pares narcisistas, no final de seis semanas de treino básico.
Os participantes classificaram a sua personalidade e a de outros, de modo que a medida em que cada pessoa conhecia sua reputação pode ser estimado.
Quase 2% dos voluntários foram identificados como narcisistas nos auto-relatos. Outros 4% revelaram vários traços narcisistas.

Fonte: Science News

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vida e morte de estrelas em superbolha cósmica

Uma imagem espectacular de uma nova superbolha cósmica numa galáxia vizinha está a fornecer pistas aos cientistas sobre o nascimento e morte de estrelas jovens e sistemas solares.
A imagem, capturada pelo Very Large Telescope do European Southern Observatory no Chile, mostra uma nebulosa gigante em torno de um aglomerado de estrelas chamado NGC-1929, localizado na Grande Nuvem Magellanic. A nebulosa, oficialmente conhecida como 44-LHA-120-N, mede 325 por 250 anos-luz.
A imagem é composta por três fotografias tiradas em diferentes comprimentos de onda. Isto permite aos cientistas estudar os efeitos dos elementos individuais emissores de luz no interior da nebulosa e ver estruturas que de outra forma não seriam visíveis.
O Dr. Watson do Observatório Astronómico Australiano diz que se está a assistir ao nascimento e à morte de estrelas e sistemas solares num único instante.
"Estrelas jovens muito quentes emitem luz ultravioleta intensa, o que faz com que o gás em volta comece brilhar", diz Watson. "O vermelho vem da emissão de hidrogénio, enquanto o rosa e roxo são de hélio e oxigénio." Watson diz que a bolha é formada por duas forças. "Primeiro, há poderosos ventos estelares gerados pelo nascimento de estrelas jovens agrupadas perto do centro da estrutura. Estes ventos sopram afastando gás e poeira esculpindo uma cavidade no meio interestelar", diz ele. "Em segundo lugar, algumas dessas estrelas jovens têm uma vida muito curta, morrendo em explosões de supernovas espectaculares que empurram ainda mais para fora as paredes da bolha."
Watson diz que as regiões mais escuras são provavelmente poeira. "Existem áreas em torno da borda da bolha onde a formação estelar está a ocorrer. Na verdade há uma parte da bolha onde se pode ver um nó de estrelas jovens brilhantes e, possivelmente, novos sistemas solares a nascer."
"Todas estas informações vêm do que, à primeira vista, parece apenas uma imagem bonita".

Fonte: ABC Science

domingo, 24 de julho de 2011

Nova técnica aumenta a eficiência de produção de células sanguíneas a partir de células estaminais humanas


Cientistas do Instituto Salk para Estudos Biológicos, desenvolveram uma técnica para originar um grande número de células sanguíneas a partir de células do próprio paciente. A nova técnica será imediatamente útil em estudos com células estaminais e, mais ainda, quando aperfeiçoada poderá vir a ser usada em terapias com células estaminais numa ampla variedade de condições, incluindo cancro e doenças imunológicas. "Existem outras melhorias que precisamos fazer, mas isto é um passo importante para o objectivo final, que é a capacidade de recolher células normais de um paciente, induzi-las a transformarem-se em células estaminais, e, posteriormente, utilizar essas células estaminais para reconstruir os tecidos perdidos ou doentes, por exemplo, da medula óssea do paciente ", diz M. Inder Verma, PhD, professor de Biologia Molecular do Salk Institute Laboratory of Genetics. Verma é o autor responsável pelo estudo, publicado na revista Stem Cells.
Os investigadores de células estaminais andavam na corrida por este objectivo desde 2006, quando as técnicas para transformar células de pele comuns em células estaminais pluripotenciais induzidas (iPSCs) foram divulgadas. As iPSCs imitam as células estaminais embrionárias (CES) a partir do qual os organismos se desenvolvem. Os investigadores querem agora descobrir as quais os factores necessários para induzdir as iPSCs a amadurecer em células estaminais específicas para um determinado tecido. Estas últimas são auto-renováveis, podendo ser transplantadas, multiplicando-se localmente e produzindo células do tecido maduro.
No entanto, os investigadores ainda não sabem como induzir as iPSCs para se tornarem células estaminais de tecidos específicos ou células de tecidos maduros, com alta eficiência. "Temos vindo a produzir essas células em quantidades que são muito baixas para que possam ser estudadas com facilidade, muito menos usadas para terapias", diz Aaron Parker, um investigador no laboratório de Verma, que é co-autor do artigo.
Como muitos outros laboratórios de pesquisa de células estaminais, o laboratório de Verma vem tentado encontrar formas mais eficientes para transformar as iPSCs em células estaminais hematopoiéticas (HSCs). Estas podem ser mais valiosas do que quaisquer outras células estaminais de tecidos específicos, pois podem providenciar não só o transporte de oxigénio (pois originam glóbulos vermelhos) mas também todos os glóbulos brancos do sistema imunológico. "Haveria um número quase ilimitado de aplicações para as HSCs", disse Verma.
Para o presente estudo, a equipa de pesquisa procurou criar um ambiente que melhor imita as condições que naturalmente promovem a mudança de CES para HSCs. "Pegamos em sete linhas de CES humanos e iPSCs, e experimentamos diferentes combinações e sequências de factores de crescimento e outros compostos químicos que são conhecidos por estar envolvidos na passagem das CES para HSC num ser humano em desenvolvimento", diz Parker.
Aplicando cocktails desses factores, Parker, Woods e os seus colegas induziram as iPSCs e CES a formar colónias de células, que apresentavam os marcadores moleculares característicos das células sanguíneas. Com a melhor combinação dos factores, foi possível detectar marcadores específicos do sangue em 84% das células, após três semanas. "Isto é um grande salto em eficiência em comparação com o que se obtinha há uns anos atrás", diz Parker.
A técnica ainda tem margem para melhorias. Os investgadores detectaram células progenitoras e células maduras de apenas uma categoria ou linhagem: células mielóides, que incluem as células vermelhas do sangue e células do sistema imunológico primitivo como os macrófagos. "Nós não vimos quaisquer células da linhagem linfóide, ou seja, as células T e células B", diz Parker.
Outra desvantagem é que a população de células do sangue produzida a partir de CES e iPSCs continha progenitores e células sanguíneas maduras com vida curta mas não HSCs transplantáveis e com capacidade de renovação indefinida. Segundo acreditam os investigadores, o cocktail de factores de crescimento poderá ter levado a uma passagem demasiado rápida do estado de HSC para o estado de progenitores hematopoiéticos, ou então promovido uma maturação que passou por cima de algumas fases do estado HSC.
A partir dos resultados deste e de outros laboratórios, a equipa levantou a hipótese da existência de um estado intermediário, do género de células estaminais pré-hematopoiéticas, produzido pelas CES e iPSCs, produzindo HSCs. "Sabemos que as HSCs aparecem numa determinada região de mamíferos durante o desenvolvimento embrionário, e a nossa ideia é que essas células estaminais pré-hematopoiéticas estão lá e são de alguma forma levadas a maturar em HSCs", diz Parker. "Assim, o nosso laboratório está actualmente a investigar quais os sinais de maturação que são precisos para a produção dessas HSCs maduras e transplantáveis."
Uma vez conseguido isso, os investigadores terão de fazer uma série de aperfeiçoamentos para melhorar a segurança das HSCs destinado a pacientes humanos. "Mas estamos agora mais perto de nosso objectivo final", diz Verma.

Fonte: E! Science News

sábado, 23 de julho de 2011

Microsoft revela acidentalmente planos para rede social

Ao que parece a Microsoft está a planear entrar nas redes sociais. Após o recente lançamento do Google +, a Microsoft disponibilizou acidentalmente um site chamado Tulalip. O site já foi retirado, mas o site de tecnologia Fusible conseguiu captar alguns detalhes.
A página inicial revela aos visitantes de que se trata o site: "Com Tulalip pode encontrar o que precisa e compartilhar o que sabe de uma forma mais fácil do que nunca". Os usuários podem entrar com a sua conta do Facebook ou Twitter - perfis Microsoft não parecem ser uma opção.
Visitando agora o site no domínio socl.com revela que o site não estava pronto para exibição pública. No site é apresentada a seguinte mensagem "Obrigado pela visita. Socl.com é um projecto de design interno de uma equipa na Microsoft Research, que foi erroneamente publicado na web. Nós não o quisemos divulgar."
Não está claro quando ou se o Tulalip ressurgirá, mas é possível que o site seja renomeado para o lançamento oficial. O nome vem de um grupo de tribos nativas americanas localizado perto da sede da Microsoft em Redmond, Washington, mas não tem o impacto de outras marcas da Microsoft existentes on-line, como Bing ou Live - SOCl, o nome de domínio, parece muito mais provável.

Fonte: New Scientist

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Reescrevendo o código genético…

"A recompensa não vem realmente de fazer uma cópia de algo que já existe", disse George Church, professor de genética na Escola Médica de Harvard, que liderou o trabalho de investigação em colaboração com Joe Jacobson, professor associado do Laboratório de Media do Institute of Technology de Massachusetts. "É preciso mudá-lo… Funcionalmente e radicalmente".
Tal mudança, segundo Church, serve três objectivos. O primeiro é para adicionar funcionalidades a uma célula, de codificação de novos aminoácidos. O segundo é a introdução de salvaguardas que impeçam a contaminação cruzada entre organismos geneticamente modificados e os selvagens. O terceiro objectivo, é estabelecer multi-resistência viral através da reescrita de sequências de vírus. Em indústrias que efectuam culturas de bactérias, incluindo as de produtos farmacêuticos e energia, tais vírus afectam até 20 por cento das culturas. Um exemplo notável atingiu a empresa de biotecnologia Genzyme, onde as estimativas de perdas devido a contaminação viral passaram de algumas centenas de milhões de dólares para mais de 1 bilião.
Num estudo publicado na revista Science, os investigadores descrevem como conseguiram alterar um codão – uma "palavra" do DNA com três letras de nucleótidos - em 32 estirpes de E. coli, e depois induziram essas estirpes parcialmente editadas a percorrerem um longo caminho evolutivo em direcção a uma linha celular única na qual todas 314 ocorrências desse codão tinham sido substituídos. “Estas sucessivas edições ultrapassam os métodos actuais por duas ordens de grandeza”, disse Harris Wang, pesquisador no laboratório de Church no Instituto Wyss que compartilha o papel de autor com Farren Isaacs, professor assistente de biologia molecular, celular e biologia do desenvolvimento na Universidade de Yale e ex-pesquisador de Harvard, e Peter Carr, um cientista da pesquisa no MIT Media Lab.
No código genético, a maioria dos codões especificam um aminoácido, um bloco de construção de proteínas. Mas alguns codões dizem à célula quando parar de acrescentar aminoácidos a uma sequência proteica, e foi um desses codões stop que os pesquisadores de Harvard alteraram. Com apenas 314 ocorrências, o codão stop TAG é a “palavra” mais rara do genoma da E. coli, tornando-se um alvo principal para a substituição. Usando uma plataforma denominada multiplex automated genome engineering, ou MAGE, a equipa substituiu as ocorrências do codão TAG por outro codão stop, TAA, em células vivas de E. coli. (Revelado pela equipa em 2009, o processo MAGE tem sido apelidado de máquina de evolução, devido à sua capacidade de acelerar a alteração genética em células vivas.)
Enquanto o MAGE, um processo de engenharia de pequena escala, originou células em que os codões TAA substituiram alguns mas não todos os codões TAG, a equipa construiu 32 estirpes que, em conjunto, incluiram todas as substituições TAA possíveis. Então, usando a capacidade inata das bactérias “comercializarem” genes através de um processo chamado conjugação, os investigadores induziram as células a transferirem os genes contendo codões TAA em escalas cada vez maiores. O novo método, chamado de conjugative assembly genome engineering ou CAGE, assemelha-se a um playoff - uma hierarquia que vai reduzir a 16 pares, a 8, a 4, a 2 e, finalmente a 1 - com o vencedor de cada ronda possuindo mais codões TAA e menos TAG, explica Isaacs.

"Estamos a testar décadas de teorias sobre a conservação do código genético", disse Isaacs. "E nós estamos a mostrar à escala do genoma que somos capazes de fazer essas alterações."
Ansiosos por partilhar a sua tecnologia, publicaram os seus resultados quando a CAGE chegou à fase de semifinal. Os resultados sugerem que no final quatro estirpes eram saudáveis, apesar de a equipa ter montado quatro grupos de 80 alterações em segmentos de cromossoma que ultrapassam um milhão de pares de bases do DNA. "Encontramos uma grande dose de cepticismo no início, duvidando que poderíamos fazer tantas mudanças e preservar a saúde destas células", disse Carr. "Mas isso é o que temos visto."
Os investigadores estão confiantes de que se irá criar uma única estirpe em que os codões TAG são completamente eliminados. O próximo passo, dizem eles, é excluir a maquinaria da célula que lê o codão TAG - libertando o codão para um fim completamente novo, como a codificação de um ácido amino novo.
"Nós estamos a tentar desafiar as pessoas", disse Wang, "a pensar no genoma como algo que é altamente maleável, altamente editável."
Fonte: Science Daily