domingo, 31 de julho de 2011

Nova função da vitamina C no olho e no cérebro

As células nervosas do olho precisam de vitamina C, de forma a funcionarem correctamente - uma descoberta surpreendente que pode significar que a vitamina C é necessária em outras partes do cérebro para o seu funcionamento, de acordo com um estudo realizado por cientistas da Oregon Health & Science University, recentemente publicado no Journal of Neuroscience. "Descobrimos que as células da retina precisam de doses relativamente altas de vitamina C, dentro e fora das mesmas, para funcionar adequadamente", disse Henrique von Gersdorff, cientista sénior do OHSU’s Vollum Institute e co-autor do estudo. "Como a retina é parte do sistema nervoso central, isto sugere que é provável um papel importante para a vitamina C em todo o nosso cérebro, num grau que ainda não se tinha percebido antes."
O cérebro tem receptores especiais, chamados de receptores tipo-GABA, que ajudam a modular a comunicação rápida entre as células no cérebro. Os receptores do GABA no cérebro funcionam como um "travão" para os neurónios excitatórios no cérebro. Os investigadores descobriram que esses receptores tipo-GABA nas células da retina deixam de funcionar correctamente quando a vitamina C é removida.
“Uma vez que as células da retina são uma espécie de célula cerebral muito acessível, é provável que os receptores tipo-GABA noutras partes do cérebro também precisem de vitamina C para funcionar correctamente”, afirmou von Gersdorff. “E porque a vitamina C é um antioxidante natural de grandes proporções, é possível que ele preserve os receptores e as células de alterações prematuras”.
A função da vitamina C no cérebro ainda não é bem compreendida. Na verdade, quando o corpo humano fica privado de vitamina C, a vitamina permanece no cérebro mais do que em qualquer outro lugar no corpo. "Talvez o cérebro seja o último lugar que você quer perder a vitamina C," disse von Gersdorff. “As descobertas também podem oferecer uma pista sobre o porquê de o escorbuto - que é uma consequência de uma grave falta de vitamina C – apresenta determinadas consequências”. Um dos sintomas comuns do escorbuto é a depressão, que pode advir da falta de vitamina C no cérebro.
As descobertas podem ter implicações para outras doenças, como o glaucoma e a epilepsia. Ambas as condições são causadas pela disfunção das células nervosas da retina e do cérebro que se tornam mais activas em parte porque os receptores GABA poderão não estar a funcionar correctamente.
"Por exemplo, talvez uma dieta rica em vitamina C possa ser neuroprotectora para a retina - para pessoas que são especialmente propensas ao desenvolvimento de glaucoma", disse von Gersdorff. "Isto é especulativo e ainda há muito o que aprender. Mas esta pesquisa fornece algumas pistas importantes e poderá levar à criação de novas hipóteses e potenciais estratégias de tratamento".
Este trabalho com a vitamina C foi efectuado em células de retinas de peixinhos dourados, pois apresentam a mesma estrutura biológica geral que as retinas humanas.

Fonte: E! Science News

sábado, 30 de julho de 2011

A recompensa do sal ou da cocaína

Instintos primordiais que levam os animais a procurar o sal podem ser regidos pelo mesmo mecanismo que leva os viciados em drogas a procurar as mesmas.
Investigadores privaram murganhos e ratos de sal, e de seguida ofereceram-lhes água salgada para beber. Depois de matarem os animais, examinaram a actividade genética no hipotálamo, o centre de “recompensa” do cérebro. Descobriram que os genes de gratificação tinham sido activados - os mesmos genes que são activados em dependentes de cocaína e heroína quando o seu desejo é satisfeito. Quando a equipa de investigação utilizou uma droga para bloquear os efeitos da dopamina, o neurotransmissor associado a sensações de prazer, os animais não beberam a água salgada. Isto sugere que o desejo de procurar o sal está de facto ligado ao mecanismo de recompensa. Este estudo foi publicado na revista PNAS.
A descoberta pode abrir novos caminhos para tratar as dependências. "Não estamos a dizer que os novos dados nos dizem como curar as dependências, mas que aponta para novos caminhos de investigação", diz o membro da equipa Derek Denton, da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Fonte: New Scientist

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Descoberta gravação de boneca falante antiga

Na gravação, uma mulher não identificada recita um verso da canção de embalar "Twinkle, twinkle, little star". A gravação, com 123 anos, não era ouvida desde o tempo de Edison. A gravação representa um marco significativo na história inicial da tecnologia do som gravado.

Recuperação e identificação do som
O registo de metal está significativamente distorcido da sua forma original cilíndrica. Por esta razão, curadores do Thomas Edison National Historical Park foram incapazes de reproduzir a gravação usando métodos convencionais. No Lawrence Berkeley National Laboratory, o cientista sénior Carl Haber e o engenheiro de sistemas Earl Cornell usaram uma tecnologia de scan óptico 3D, desenvolvida durante 2007-2009, em colaboração com a Biblioteca do Congresso, para criar um modelo digital da superfície da gravação. Com este modelo digital, usaram métodos modernos de análise de imagem para reproduzir o áudio armazenado na gravação, salvando-o como um arquivo de áudio WAV em formato digital. Foram capazes de recuperar tudo, menos a primeira sílaba da primeira palavra da gravação. Quando foi possível ouvir a a gravação, o historiador Patrick Feaster da Universidade de Indiana desempenhou um papel fundamental na identificação e na datação da gravação através de referências relevantes entre os documentos de arquivo. O investigador René Rondeau da Corte Madera, Califórnia, providenciou uma assistência de verificação de factos adicional.

Gravações em bonecas falantes feitas de estanho

Em busca de um mercado para a sua invenção, o fonógrafo, Edison tentou primeiramente criar bonecas falantes, durante 1888. O modelo protótipo descrito em notas de laboratório e artigos de jornais, publicados entre Setembro e Dezembro daquele ano, era diferente por usar um registo feito de estanho sólido. Em Novembro de 1888, o New York Evening Sun anunciou que as bonecas falantes de Edison tinha sido "aperfeiçoadas" e que "não resta mais nada senão fabricá-las em grandes quantidades." Nenhum método comercialmente viável de duplicação de gravações de som tinha ainda sido desenvolvido, de modo que Edison contratou mulheres com vozes adequadas para fazer tantos registos quantos os que ele pensou que seriam necessários assim que as bonecas fossem colocadas à venda: "Havia duas senhoras jovens na sala... que estavam sempre a falar com as máquinas minúsculas falantes, que um operário qualificado foi transformando em grande número. "
Importância da Gravação
De acordo com Feaster, este relatório do New York Evening Sun assinala a primeira vez que alguém foi contratado especificamente para actuar para o fonógrafo, portanto, essas mulheres foram as primeiras artistas do mundo da gravação profissional. Se o objectivo era o de armazenar esses registos de estanho "em grandes quantidades" para suprir a eventual necessidade para as bonecas falantes, como o New York Evening Sun, então elas podem também ter sido as primeiras gravações fonográficas fabricadas para venda ao público, apesar de nunca terem sido realmente vendidas.

Mais de um ano depois, em Abril de 1890, Edison colocou a primeira boneca falante à venda. Nessa altura, porém, ele tinha mudado o projecto, de forma a usar registos feitos de cera, em vez de estanho. As bonecas não conseguiram vender-se porque se quebraravam muito facilmente - em parte devido à fragilidade dos registos. Não é conhecido porque é que Edison mudou os registos de estanho para cera.

Proveniência do Artefacto
Os curadores do National Park Service catalogaram o objecto pela primeira vez em 1967, quando foi descoberto entre os objectos deixados na mesa do secretário de Edison, William H. Meadowcroft, localizado na biblioteca do Laboratório de Edison em West Orange, New Jersey. Na etiqueta de papel encontrada amarrado ao cilindro lia-se: "Fonógrafo cilíndrico de estanho [...] Gravar.". O artefacto é o único exemplo de uma gravação de uma boneca falante de 1888.
Para ouvir a gravação:

www.nps.gov/EDIS/photosmultimedia/falando-boneca-record-ouvir-the-recording.htm

Fonte: Science Daily

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Água oxigenada no espaço

Um grupo de astrónomos encontrou moléculas de peróxido de hidrogénio (H2O2), ou água oxigenada, no espaço. A descoberta pode permitir um salto quantitativo para o conhecimento acerca da formação da água (H2O), vital para a vida, no universo. O artigo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics recentemente.
A equipa, formada por astrónomos do Observatório Espacial Onsala e das universidades de Estocolmo e Tecnológica de Chalmers, todos na Suécia, e do Instituto Max-Planck na Alemanha, fez a descoberta utilizando o telescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX) do Observatório Sul-Europeu (ESO), localizado a cinco mil metros de altura nos Andes chilenos.
O local da descoberta situa-se próximo da estrela Rho Ophiuchi na nossa galáxia Via Láctea, a cerca de 400 anos luz de distância. Esta região contém densas nuvens muito frias (por volta de -250ºC) de gás e poeira, onde novas estrelas nascem. A maior parte destas nuvens é o principal alvo de investigação de astrónomos por ser composta por hidrogénio e traços de outros elementos químicos. Telescópios como o APEX, o qual faz observações de comprimento de luz em milímetros – e submilímetros – são ideais para detectar os sinais que vêm destas moléculas. Devido às qualidades do APEX, a assinatura característica de luz emitida por moléculas de peróxido de hidrogênio pode ser captada.
Segundo o astrónomo do Observatório Espacial de Onsala, Per Bergman, “os investigadores sabiam, por experiências laboratoriais, quais os comprimentos de onda a procurar, mas a proporção de peróxido de hidrogénio na nuvem é de apenas uma molécula para cada 10 biliões de moléculas de hidrogénio. Isto requer observações muito cuidadosas”.
O peróxido de hidrogénio (H2O2) é uma molécula chave porque a sua formação é muito parecida com a de outras duas moléculas familiares, oxigénio e água, indispensáveis para a vida. Acredita-se que a grande parte da água no nosso planeta tenha sido formada originalmente no espaço. Em virtude desta suposição, os cientistas interessam-se muito em compreender como é que ela é criada.
Supõe-se que o peróxido de hidrogénio seja formado no espaço nas superfícies de grãos de poeira cósmica — partículas muito finas semelhantes à areia e à cinza — quando o hidrogénio (H) é adicionado às moléculas de oxigénio (O2). Uma reacção mais intensa do peróxido de hidrogénio com hidrogénio é uma forma de produzir água (H2O). Portanto, esta nova detecção de peróxido de hidrogénio, poderá ajudar os astrónomos a entender melhor a formação da água no universo.
O astroquímico Bérengère Parise, do Instituto Max-Planck e co-autor do artigo, explica que “ainda não se sabe como a maioria das moléculas na Terra são criadas no espaço. Mas a descoberta do peróxido de hidrogénio, utilizando o telescópio APEX, parece mostrar que a poeira cósmica é o ingrediente que estava a faltar no processo”.
A nova descoberta de peróxido de hidrogénio pode também ajudar os astrónomos a entender outro mistério interestelar: por que é que moléculas de oxigénio são tão difíceis de ser encontradas no espaço?

Fonte: Ciência Diária

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fungos: inquilinos indesejados

Um grupo de investigadores de instituições da Eslovénia, Holanda e China colheu amostras de vedações de borracha dentro de 189 lava-louças em 18 países e descobriu que 62% dos aparelhos continham fungos. O relatório será publicado na revista Fungal Biology.
Os autores do estudo observaram que não foi constatada nenhuma infecção causada por lava-louças nos lares estudados, mas os fungos não são inteiramente benignos. Os do género Exophiala, encontrados em 35% dos lava-louças testados, podem formar colónias nas vias aéreas de pacientes com fibrose cística. Outros fungos foram encontrados, menos predominantes mas capazes de causar infecções em indivíduos com enfraquecimentos no sistema imunológico. “Deve-se dar atenção especial a esse habitat sobretudo em alas de hospitais com pacientes imunocomprometidos”, explicam os pesquisadores.
O lava-louça é um bom lugar para os fungos se instalarem: húmido e quente – e tem matéria orgânica abundante para alimentá-los, na forma de restos de comida. Mas esses microrganismos precisam ter muita resistência para aguentar os picos ocasionais de calor extremo, assim como a alcalinidade e o conteúdo de sal dos detergentes. Em testes de laboratório, os investigadores descobriram que o Exophiala dermatitidis e o Exophiala phaeomuriformis toleram uma ampla gama de temperaturas, níveis de pH e concentrações de sal. Ou seja, têm um grau da chamada poliextremotolerância nunca antes detectado em fungos. Nesse sentido, os fungos de lava-louça são algo como “extremófilos domésticos”, formas de vida que ocupam nichos aparentemente inóspitos ao redor do globo, de cáusticos respiradouros hidrotermais nas profundezas dos oceanos a desertos frígidos. Os extremófilos são um tema constante de estudos: demonstram o quanto a vida é adaptável e oferecem esperança de que outros planetas, mesmo diferentes da Terra, sejam habitáveis.
A predominância de fungos em lava-louças varia amplamente de lugar para lugar, e o fornecimento de água pareceu desempenhar um papel relevante no que concerne à formação de colónias. Os fungos Exophiala, por exemplo, foram encontrados, na maioria dos casos, em lugares com água dura ou de dureza média – ou seja, água com altos índices de minerais dissolvidos, como cálcio e magnésio.
Nos Estados Unidos, os fungos estavam presentes nos seis aparelhos testados; no Canadá, também em seis, dos sete testados. A Europa mostrou-se menos “hospitaleira”: apenas um dos dez lava-louças italianos estava infectado, e todos os cinco espanhóis não apresentaram a presença dos fungos.

Fonte: Scientific American