quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Oásis dos animais em risco de extinção

A Coreia do Sul apresentou um pedido à Unesco para transformar uma parte da Zona Desmilitarizada (DMZ) entre a Coreia do Sul e a do Norte em “Reserva da Biosfera”, um sítio de conservação reconhecido internacionalmente pelo foco no desenvolvimento sustentável. Neste momento, existem 580 “Reservas da Biosfera”da Unesco em 114 países.
A DMZ estende-se por 250 km de costa a costa e mede cerca de 4 km de largura, 2 km em cada lado da fronteira entre os dois países. A aplicação da Unesco visa proteger os 425 km2 da DMZ mais próxima à Coreia do Sul, bem como um adicional de 2.554 km2 de território sul-coreano.
Embora a área esteja repleta de minas terrestres, tornou-se um refúgio para muitas espécies raras. Segundo um comunicado do Ministério do Meio Ambiente da República da Coreia, 2.716 espécies vivem dentro da DMZ, muitas delas ameaçadas de extinção. Uma pesquisa divulgada no início de 2010 revelou que muitas espécies encontradas na DMZ então quase extintas em outras partes da Coreia do Sul, e entre essas espécies está o leopardo-asiático (Prionailurus bengalensis euptilura), o Grus japonensis e o veado Moschus moschiferus. Alguns cientistas suspeitam que até pode haver alguns tigres-siberianos (Panthera tigris altaica) na DMZ, mas ainda não foi encontrada nenhuma evidência conclusiva.
Transformar o DMZ numa área protegida para a vida selvagem não é uma ideia nova. Foi proposta pela primeira vez na década de 1990, quando cientistas manifestaram receio de que qualquer eventual reunificação das Coreias pudesse levar a problemas para os animais na zona, que não conheceram a interferência humana durante décadas. Em 2005, o magnata dos media Ted Turner propôs transformar a DMZ num "parque da paz" e em Sítio do Património Mundial das Nações Unidas.
De acordo com a CIA, as questões ambientais na Coreia do Sul incluem chuva ácida, assim como a poluição do ar e da água de esgoto, pelas fábricas. (Uma grande parte da poluição do ar da Coreia do Sul é um problema originário da China.) Em 2003, um relatório da ONU sobre o meio ambiente da Coreia do Norte divulgou uma enorme desflorestação, rios poluídos e má qualidade do ar. No ano passado, a Coreia do Norte aceitou um embarque de animais em extinção do Zimbabue. A Unesco vai discutir sobre a DMZ da Coreia do Sul e a aplicação da reserva da biosfera numa reunião a ser realizada em junho de 2012.

Fonte: Scientific American

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Adolescentes com amigos que namoram tendem a ter hábitos mais corretos de consumo de álcool

Romance adolescente, pântano febril de intensidade e angústia, vem agora com uma vantagem adicional. Novos amigos de adolescentes que namoram são influenciados fortemente no seu consumo de álcool, para melhor ou pior, indica um novo estudo.
Novos amigos de um parceiro romântico tendem a ter hábitos diferentes do que os de adolescentes que não namoram, dizem os sociólogos Derek Kreager da Pennsylvania State University, em University Park e Haynie Dana de Ohio State University. Os adolescentes querem ser como um amigo para o namorado ou namorada para fortalecer o relacionamento, por isso este novo conjunto de amigos modula o consumo de álcool, mais do que nos amigos pré-existentes ou mesmo no par romântico, publicou Kreager e Haynie na revista American Sociological Review.
"Os programas escolares interessados em reduzir o abuso do álcool na adolescência devem estender o seu foco para os novos grupos sociais que o namoro cria", diz Kreager.
Foram analisados dados de 449 casais de sexo oposto do 7º a 12º ano entre 1995 e 1996 no Estudo Nacional Longitudinal de Saúde do Adolescente. Anteriormente, num estudo inédito com mais de 11.000 adolescentes da Pennsylvania e Iowa, efetuado entre 2007 e 2010, os pesquisadores também descobriram que os amigos de parceiros românticos alteraram o seu consumo de álcool.
Neste novo projeto, os amigos de um namorado ou namorada também foram influenciados em relação ao comportamento delinquente, tanto quanto o consumo de álcool, mas não foram observados grandes efeitos sobre o consumo de cigarros. As taxas de uso de cigarros caíram drasticamente entre os adolescentes, com pequenos grupos de fumantes que tendem a sair juntos. O uso de álcool e delinquência variam substancialmente entre os adolescentes, bem como entre parceiros românticos, sendo que os amigos de um namorado ou namorada são mais prováveis de ser influenciados nesses comportamentos, Kreager diz.
As pressões para se tornar amigo de um parceiro ou o risco de perder a relação ampliam o poder de pressão dos pares, segundo o sociólogo Robert Crosnoe da Universidade do Texas em Austin. "Esse processo aplica-se a relacionamentos adultos também", sugere Crosnoe.
Descobertas prévias de um estudo com mais de 1.300 jovens de Ohio acompanhados desde a adolescência até à idade adulta na década passada também indicavam que parceiros românticos atuam como portais para os novos amigos, influenciando o uso de álcool e a delinquência. "Um novo conjunto de amigos pode passar a ser bebedor ou pode pertencer a um grupo de jovens da igreja, consoante as características do parceiro, portanto este efeito namoro pode funcionar em qualquer direção", diz a socióloga Peggy Giordano de Bowling Green State University, em Ohio.
Kreager e Haynie estudaram os parceiros de namoro e os seus amigos em 132 escolas de ensino médio e escolas secundárias a nível nacional. Na sua análise, os amigos dos parceiros influenciaram as bebedeiras de rapazes, mais do que influenciaram o comportamento das raparigas. Numa descoberta relacionada, a equipe de Giodano descobriu que os rapazes, mais do que as raparigas, relataram ter sido influenciados por parceiros de namoro.
Cerca de 70 por cento dos casais analisados eram compostas por uma pessoa que tinha maior investimento emocional no relacionamento do que o outro. A influência dos amigos sobre o consumo de álcool foi maior nos que investiam menos nessa relação.
Fonte: Science News

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Via Láctea está por um fio cósmico

Astrónomos Australianos identificaram a posição da nossa galáxia na estrutura em grande escala do cosmos. A equipa do dr. Stefan Keller da School of Astronomy and Astrophysics da Universidade Nacional Australiana fizeram essa descoberta ao estudar bolas antigas de estrelas empacotadas chamadas de aglomerados globulares.
Em vez de serem distribuídas aleatoriamente, os pesquisadores descobriram que estavam localizadas principalmente ao longo de um plano estreito em torno da Via Láctea.
"Foi uma descoberta agradável e de certa forma inesperada", diz Keller.
"Nós estávamos a discutir notícias sobre a descoberta de que galáxias anãs satélites existentes ao redor da Via Láctea estavam espalhadas ao longo de um único plano, e questionámo-nos se com os aglomerados globulares acontecia o mesmo. Então eu fiz alguns cálculos e descobri que eles realmente traçam o mesmo plano."

Juntando tudoKeller diz que existem como que filamentos que ligam os aglomerados globulares e as galáxias satélite.
"Em vez de serem coleções de estrelas da nossa própria galáxia, alguns aglomerados globulares poderiam ser os restos de outras galáxias que colidiram com e foram consumidas pela Via Láctea através do processo de canibalismo galáctico", diz Keller.
Os resultados, que foram pré-divulgados no blogue arXiv.org e submetidos para publicação no Astrophysical Journal, suportam a hipótese de que a estrutura em larga escala do cosmos consiste em longos filamentos compostos de galáxias e vazios vastos de milhões de anos-luz entre eles.
"Nós estamos como que ensanduichados entre dois vazios enormes que nos empurram para um filamento ligado numa extremidade ao grande aglomerado de galáxias Virgo, e na outra ao aglomerado de galáxias Fornax ", diz Keller.

"Espuma na crista de uma onda"Keller diz que a estrutura dos filamentos foi provavelmente moldada por interações entre a matéria escura e a comum.
"Uma consequência do Big Bang e o domínio da matéria escura é que a matéria comum é dirigida, como a espuma na crista de uma onda, em vastas camadas interligadas e filamentos esticados sobre os vazios cósmicos enormes",
Keller diz: "A gravidade atrai o material sobre esses filamentos de interconexão para os maiores pedaços de matéria, e os nossos resultados mostram que aglomerados globulares e galáxias satélites da Via Láctea traçam um desses filamentos”.

Fonte: ABC Science

domingo, 16 de outubro de 2011

"Sexting" é motivado pela pressão dos pares

Ambos os jovens homens e mulheres são alvo da pressão dos colegas para compartilhar imagens sexuais através do novo fenómeno do "sexting", de acordo com as conclusões preliminares de um estudo da Universidade de Melbourne. "Sexting" é a prática do envio e recebimento de imagens sexuais num telefone móvel.
O estudo é uma das primeiras investigações académicas em 'sexting' do ponto de vista de um jovem na Austrália. Os resultados foram apresentados na 2011 Australasian Sexual Health Conference, em Canberra.
Ms Shelley Walker da Primary Care Research Unite do Department of General Practice da Universidade de Melbourne disse que o estudo não só destacou a pressão das pessoas jovens em envolverem-se em sexting, como também revelou a importância da compreensão e desenvolvimento de respostas para prevenir e lidar com o problema.
"O fenómeno tornou-se um foco de muitas reportagens; no entanto, pesquisas sobre a questão estão ainda no início, e a voz dos jovens está faltando a essa discussão e debate", disse ela.
O estudo qualitativo envolveu entrevistas individuais com 33 jovens (15 do sexo masculino e 18 feminino) com idades entre 15-20 anos. Os resultados preliminares revelaram que os jovens acreditavam que uma cultura de media altamente sexualizada bombardeia os jovens com imagens sexualizadas e cria pressão para participar no sexting.
Os jovens discutiram a pressão que os rapazes colocam uns sobre os outros para ter fotos de raparigas nos seus telefones e computadores. Eles disseram que se os rapazes se abstiverem de participar na atividade eram rotulados de 'gays' ou poderiam ser banidos do grupo.
Ambos os sexos falaram sobre a pressão que raparigas sofrem por parte de namorados experientes ou estranhos para retribuir a troca de imagens sexuais. Algumas mulheres jovens falaram sobre a expectativa (ou pressão mais subtil) de estar envolvido em sexting, simplesmente como resultado de ter visto imagens de raparigas que conhecem. Ambos os homens e mulheres jovens falaram sobre terem enviado ou mostrado imagens ou vídeos, às vezes de pessoas que eles conheciam ou de pornografia, sem realmente ter olhado para elas em primeiro lugar.
Ms Walker disse que o 'sexting' é um problema em rápida mudança, à medida que os jovens se mantêm a par das novas tecnologias, tais como a utilização de vídeos e internet nos telemóveis.
A Australian Communication & Media Authority relatou em 2010 que cerca de 90 por cento dos jovens entre 15-17 anos possuíam telemóveis. O Nosso estudo revela quão complexo e em constante mutação está o fenómeno do 'sexting', e que o diálogo contínuo e com significado é necessário para enfrentar e evitar as consequências negativas do sexting para os jovens", disse ela.

Fonte : E! Science News

sábado, 15 de outubro de 2011

Rato cyborg com cerebelo digital

Um cerebelo artificial tem restaurado a função cerebral perdida em ratos, trazendo a perspectiva de implantes cerebrais estilo cyborg mais perto da realidade. Tais implantes poderiam eventualmente ser usados para substituir as áreas de tecido cerebral danificados em acidentes vasculares cerebrais e outras condições, ou mesmo para melhorar a função saudável do cérebro e restaurar os processos de aprendizagem que diminuem com a idade.
Implantes cocleares e próteses já provaram que é possível ligar dispositivos elétricos ao cérebro e dar utilização aos mesmos, mas tais dispositivos envolvem apenas uma comunicação de via única, a partir do dispositivo para o cérebro ou vice-versa.
Agora, Matti Mintz da Universidade de Tel Aviv, em Israel, e os seus colegas, criaram um cerebelo sintético que pode receber entradas sensoriais do tronco cerebral - região que atua como um canal de informação neuronal do resto do corpo. O dispositivo pode interpretar estas entradas, e enviar um sinal para uma região diferente do tronco cerebral que leva os neurónios motores a executar o movimento apropriado.
"É uma prova de que podemos registar as informações do cérebro, analisá-las de uma forma semelhante à rede biológica, e devolvê-las para o cérebro", diz Mintz, que apresentou o trabalho no Strategies for Engineered Negligible Senescence Meeting, que decorreu em Cambridge, UK.
Uma das funções do cerebelo é ajudar a coordenar os movimentos. Isto, aliado ao facto de que apresenta uma arquitetura neuronal relativamente simples, torna-o uma boa região do cérebro a sintetizar. "Nós conhecemos quase perfeitamente a sua anatomia e alguns dos seus comportamentos ", diz Mintz. A equipa analisou os sinais do tronco cerebral que chegavam a um cerebelo real e a resposta gerada em resposta. Depois, usaram essa informação para criar uma versão sintética de um chip que fica fora do crânio e é ligado ao cérebro através de elétrodos.
Para testar o chip, anestesiaram um rato e “desligaram” o seu cerebelo antes de ligarem a sua versão sintética. Então, tentaram ensinar ao animal anestesiado um reflexo motor condicionado - um piscar de olhos - pela combinação de um som com um sopro de ar sobre os olhos, até que o animal piscou os olhos sozinho ao ouvir o som. Eles primeiro tentaram fazer isso sem o chip ligado, e verificaram que o rato foi incapaz de aprender o reflexo motor. Mas uma vez com o cerebelo artificial ligado, o rato comportou-se como um animal normal, aprendendo a associar o som com a necessidade de piscar os olhos.
"Isso demonstra o quão longe nós chegamos na criação de circuitos que podem um dia substituir áreas do cérebro danificadas e até mesmo aumentar o poder do cérebro saudável", diz Francesco Sepulveda da Universidade de Essex, em Colchester, Reino Unido, que não esteva envolvido na pesquisa . "O circuito imita uma funcionalidade que é muito básica. No entanto, este é um passo interessante com enormes potencialidades."
O próximo passo é modelar áreas maiores do cerebelo, que podem permitir aprender uma sequência de movimentos e testar o chip num animal consciente - um desafio muito maior. "Isso é muito exigente por causa da diminuição da qualidade do sinal [neural] devido a artefatos causados por movimentos", diz Robert Prueckl de Guger Technologies em Graz, na Áustria, que está a trabalhar com Mintz. Ele acha que isso pode ser alcançado, porém, através do desenvolvimento de software para sintonizar melhor o ruído e melhores técnicas para a implantação dos elétrodos. Finalmente, o objetivo é a construção de chips que podem replicar áreas complexas do cérebro.
Tais implantes serão muito mais complexos, mas Sepulveda diz que os desafios não são insuperáveis. "Ainda vão demorar provavelmente décadas para chegarmos lá, mas a minha aposta é que regiões específicas e bem organizadas do cérebro, como o hipocampo ou o córtex visual terão análogos sintéticos antes do final do século."

Memórias elétrodo
Theodore Berger, da Universidade de Southern California, Los Angeles, e os seus colegas anunciaram em junho que foram capazes de restaurar uma memória perdida em ratos (New Scientist, 25 de Junho, p 14). Isso foi feito através da gravação da assinatura neural da memória, e, em seguida, efectuaram o bloqueio da comunicação neural e usaram um elétrodo para repetir o código.
Próteses com base nesse princípio podem um dia ser usadAs para melhorar a função cerebral de pessoas saudáveis - para acelerar a aprendizagem ou aumentar a memória. Por exemplo, à medida que as pessoas envelhecem, a sua capacidade de aprender pode diminuir. "Pode imaginar que poderia acelerar a aprendizagem, adicionando uma rede artificial em paralelo com a biológica", diz Mintz.

Fonte: New Scientist