quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Humanos preferem trabalhar em grupo na resolução de problemas, os chimpanzés não

Os chimpanzés podem ter muitos dos pré-requisitos necessários para a colaboração. Mas, segundo um estudo realizado pelo Instituto Max Planck, na Alemanha, não são as habilidades cognitivas apenas que poderiam mostrar as diferenças entre macacos e seres humanos. Ao realizar uma experiência com crianças e filhotes de chimpanzé, os pesquisadores observaram que os humanos tendem a preferir solucionar problemas em grupo. Os chimpanzés não.
As sociedades humanas são construídas em colaboração e, por isso, desde tenra idade as crianças reconhecem a necessidade de ajuda. Recrutam colaboradores ativamente, fazem acordos e reconhecem papéis para garantir o sucesso de uma empreitada. Os chimpanzés, embora sejam cooperativos (trabalham juntos na busca por alimento, por exemplo), não chegam ao mesmo grau de altruísmo.
“A preferência por fazer coisas em conjunto, em vez de sozinho, diferencia os humanos dos nossos intimamente relacionados primos primatas”, diz Daniel Haun, do departamento de Antropologia Evolucionária em Leipzig, do instituto. “Esperávamos encontrar diferenças entre a cooperação de humanos e chimpanzés porque os humanos cooperam em muitos contextos diferentes e de forma mais complexa”.
Para chegar aos resultados, a equipa submeteu crianças de três anos de idade e chimpanzés de um santuário na República do Congo a testes que poderiam ser realizados individualmente ou em grupo. As crianças colaboraram com as outras mais de 78% do tempo, em comparação com os 58% de tempo em grupo observados entre chimpanzés. “As nossas descobertas sugerem que as diferenças de comportamento entre humanos e outras espécies podem ter base em pequenas diferenças de motivação”, destaca Haun.

Fonte: Ciência Diária

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Paixão inconsequente

por Gary Stix

Um olhar sobre o motorista agressivo retratado em Psicologia e marketing mostra que “ele” (mais do que “ela”) tende a ver o veículo como uma extensão de si. "Considerar os carros como uma extensão de si mesmo pode levar as pessoas a interpretar qualquer ameaça aos seus carros como uma ameaça direta a si mesmas", explicam os autores.
Os estudos não abordam a questão óbvia sobre quais partes dessas pessoas foram “estendidas” aos carros. E talvez tudo isso pareça bastante óbvio para indivíduos cujos bens muitas vezes são até batizados por eles com nomes bastante singelos.
Tudo isso apenas reafirma o que já sabemos: alguns homens com carros são praticamente adolescentes com armas letais, e, certamente, quando estão atrasados para o trabalho, carregam fundo no acelerador. A razão principal de olhar para a questão novamente foi avaliar a posse do carro como uma "experiência de consumo". Estudos sobre condução agressiva têm sido realizados há algum tempo, mas poucos avaliaram o motorista agressivo a partir da perspectiva do comportamento do mercado consumidor.
Os dois novos estudos, chamados de "condução agressiva: uma experiência de consumo", de Ayalla A. Ruvio, da Temple University e Shoham Aviv, da University of Haifa, que consistem em centenas de questionários, ajudaram a descobrir que as pessoas que se identificam com seu carro tendem a ser aqueles que atormentam os mais lentos, correm, arranjam confusão no estacionamento, e, eventualmente, acabam com processos judiciais.
Numa secção chamada "implicações práticas", os autores sugerem uma campanha publicitária que alerte sobre os riscos da condução agressiva, anúncios que talvez enfatizem, nas palavras dos autores, os méritos do pensamento do carro como "uma ferramenta funcional para ir de um lugar para o outro".
Desde o momento em que a Madison Avenue deixou de ser uma rota de cavalos e buggies foram cooptadas as melhores mentes entre executivos de criação, geração após geração, para fazer os consumidores acreditarem que o automóvel é uma forma de exoesqueleto que é tanto uma parte de cada um de nós como o polegar direito ou o fémur esquerdo. Então, se a correlação é igual à causalidade, talvez devêssemos parar os anúncios de carros.
Como eu disse, no entanto, isso nunca vai acontecer. Tampouco pontos de condução defensiva serão abordados, principalmente durante os anúncios do futebol.

Fonte: Scientific American

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A herança da vida longa: os genes não estão sós no processo

Embora a vida longa possa ser herdada, não acontece necessariamente através dos genes.
Um novo estudo mostra que os netos e bisnetos de lombrigas de vida longa vivem mais 5-6 dias do que o habitual, apesar de já não possuírem as mutações genéticas que causaram a longevidade dos seus avós. Em vez disso, a longevidade dos descendentes pode ser devida ao facto de eles terem herdado marcas epigenéticas - tags químicas no seu DNA ou nas proteínas associadas ao DNA chamadas histonas - que modulam a atividade do gene sem mudar o próprio gene, de acordo com pesquisadores da Universidade de Stanford e Harvard, que publicaram os resultados na revista Nature.
O estudo é o primeiro a demonstrar que a longevidade pode ser passada de geração em geração através destas tags conhecidas como modificações das histonas e não por variações no DNA. Poucos estudos têm sugerido que qualquer modificação das histonas pode ser herdado ", mas esta é uma demonstração bastante definitiva", diz Tony Kouzarides, um biólogo molecular da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
Trabalhando com a lombriga Caenorhabditis elegans, os pesquisadores liderados por Eric Greer e Anne Brunet em Stanford encontraram anteriormente espécimes que viviam 20 a 30 por cento mais do que o normal. Esses vermes de vida longa tinham mutações que interromperam a sua capacidade de fazer uma marca epigenética em particular, numa proteína chamada histona H3. As histonas são proteínas nas quais o DNA se enrola para que caiba numa célula, e ajudam à atividade de controlo dos genes.
Greer e Brunet descobriu que esses vermes têm problemas na adição de três grupos metil a um lisina específica na cadeia de aminoácidos que compõem a H3. Esta marca é quase sempre encontrada em histonas localizadas perto do início de genes ativos. Vermes que não pode efectuar essa marca podem ter genes menos ativos ou podem desligar alguns genes inteiramente.
Mas o verdadeiro teste para se saber se uma marca particular de DNA ou de histonas é epigenética é se o efeito pode ou não ser herdado. Então Greer desenhou uma nova experiência para descobrir se as lombrigas que não apresentam mutações nos genes de marcação das histonas poderiam herdar vidas longas.
"Eu realmente não esperava que fosse hereditária", porque normalmente as marcas nas histona são apagadas entre as gerações, diz Greer, que agora está a trabalhar em Harvard.
Mas vidas mais longas foram herdadas por pelo menos três gerações, embora os descendentes dos vermes mutantes não carregassem mais a mutação do DNA que originalmente causou a extensão do tempo de vida, descobriram os pesquisadores. As marcas nas histonas na prole de longa vida parecia normal, mas a atividade de certos genes nos descendentes é equivalente à verificada no ancestral mutante.
O prolongamento da vida terminou abruptamente entre as terceira e quarta geração, segundo o estudo. O motivo é desconhecido, mas especula Brunet que cada geração pode gradualmente restabelecer algumas das marcas até que um limite é atingido e a extensão da vida é eliminada.
Ninguém sabe se a descoberta efetuada em C. elegans será aplicável noutros animais ou pessoas, mas muitos processos de envelhecimento encontradas em lombrigas também existem em outros organismos, incluindo seres humanos.
"Pensa-se sempre que é a genética – mutações reais no genoma – que permite às pessoas viver mais tempo, mas certamente podem haver fatores epigenéticos envolvidos no processo", diz Brian Kennedy, diretor executivo do Instituto Buck de Pesquisa sobre o Envelhecimento em Navato, na Califórnia
A equipa ainda não descobriu exatamente como a vida longa é passada de geração em geração. "É muito misterioso, e é sempre ótimo ter um novo mistério", diz Cynthia Kenyon, uma geneticista molecular da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Fonte: Science News

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Por que é que algumas praias têm areia mais dourada do que outras?

As pessoas vêm de todo o mundo visitar as belas e longas praias desertas da Austrália.
Algumas praias australianas são douradas como o sol, outras vermelhas como fogo, e algumas tão brancas que quase se parecem com nuvens no chão. Algumas praias até contêm areia preta. Noutras partes do mundo, em lugares como o Hawaii, a praia inteira pode ser preta ou verde.
O que faz com que exista esta variação de cores?
A resposta está na geologia da hinterlândia que está por trás do litoral, diz o geólogo sedimentar, o Dr. Richard Daniel, da Universidade de Adelaide.
A areia são fragmentos de rochas e minerais como o quartzo e ferro, que variam em tamanho de 63 mícrons (um milésimo de um milímetro) a dois milímetros.
"A geologia da hinterlândia desempenha um grande papel no tipo e cor de areia que vemos nas nossas praias", diz Daniel.
Se olharmos para a geologia da costa leste e da costa oeste da Austrália, vemos rochas muito diferentes. A costa leste é principalmente composta de rocha produzida a partir de atividades ígneas em larga escala, como granitos. Grande parte da costa oeste é essencialmente derivada de rochas metamórficas que sofreram dobras e se misturaram com outras rochas. Isto aumenta a quantidade de óxidos presentes nas rochas, tais como o de ferro, explica Daniel.
"As areias derivadas de granitos são mais brancas, enquanto as areias provenientes do terreno metamórfico assumem a cor do óxido na rocha", diz ele.
Quando essas rochas se decompõem nos grãos que formam a areia das nossas praias, a sua cor é principalmente determinada pela presença ou ausência de ferro.
"O ferro é um mineral muito comum sobre e dentro da Terra".
Quando os minerais de ferro são expostos ao ar, começam a oxidar-se, e esta oxidação do ferro "é o que confere principalmente à areia a coloração amarela", diz Daniel.
Daniel diz que as rochas metamórficas da Austrália Ocidental contêm mais ferro do que as rochas ígneas, na costa leste, fazendo com que algumas das praias apresentem mais uma cor vermelho-alaranjado.

Alterações locais
Mas em Cottesloe Beach, em Perth, a areia é de uma cor amarelo-claro/branco em contraste com a areia laranja/vernelha rica em ferro de outras partes da Austrália Ocidental.
Daniel diz que as variações ao longo das costas dependem não só o tipo de rocha no interior imediato, mas também se a areia é transportada ao longo da costa.
A areia ao longo da costa nordeste da Austrália é muito similar na cor por causa do que é conhecido como o "rio de areia" - o ponto de despejo de areia para todos os rios a sul e a NSW de Queensland. Toda essa areia é eventualmente empurrada para Queensland e para a parte nordeste da Fraser Island, sendo finalmente sugada para um canyon submarino a cerca de 1000 metros de profundidade.
No entanto, a costa ocidental não tem um sistema semelhante de transporte e há mais de um tipo de rocha que compõe o interior da costa oeste.
Isto significa que a areia em qualquer praia particular é "muito localmente orientada". Por exemplo, a areia branca da praia Cottesloe é derivado de granito.

Areias de coral Às vezes, a cor de uma praia não é apenas dependente da geologia da hinterlândia, mas também dos organismos vivos na água, diz Daniel. Algumas praias australianas são compostas de fragmentos minúsculos de corais quebrados e os restos de esqueletos de criaturas marinhas.
"Sedimentos de terra, como fragmentos de quartzo e rocha são, invariavelmente, uma porção menor, sendo ultrapassados por muito pela areia calcária produzida pelos animais que existem dentro e ao redor dos recifes de coral", diz Daniel.
Estes restos de esqueletos de criaturas como moluscos, crustáceos e foraminíferos criam uma praia de areia branca perolada.

Fonte: ABC Science

domingo, 20 de novembro de 2011

Pessoas obesas recuperam o excesso de peso após a dieta: a culpa é das hormonas

Em todo o mundo existem mais de 1,5 biliões de adultos com excesso de peso, incluindo 400 milhões que são obesos. Na Austrália, estima-se que mais de 50% das mulheres e 60% dos homens estão com excesso de peso ou obesos. Embora a restrição da dieta geralmente resulte em perda de peso inicial, mais de 80% de indivíduos obesos que fazem dieta não conseguem manter o seu peso reduzido. As pessoas obesas podem recuperar o peso após a dieta devido a alterações hormonais, de acordo com um novo estudo.
O estudo envolveu 50 adultos com excesso de peso ou obesos, com um índice de massa corporal (IMC) entre 27 e 40, e um peso médio de 95 kg, que se inscreveram num programa de perda de peso de 10 semanas com uma dieta de muito baixa energia. Os níveis das hormonas reguladoras do apetite foram medidos no início do estudo, no final do programa e um ano após a perda de peso inicial.
Os resultados mostraram que após a perda de peso inicial de cerca de 13 kg, os níveis de hormonas que influenciam a fome mudaram de uma forma que seria esperada para aumentar o apetite. Essas mudanças foram sustentadas por pelo menos um ano. Os participantes recuperaram cerca de 5kgs durante o período de um ano de estudo.
O professor Joseph Proietto da Universidade de Melbourne, disse que o estudo revelou o papel importante que as hormonas desempenham na regulação do peso corporal, a mudança na dieta e comportamento menos propensos a funcionar no longo prazo.
"O nosso estudo forneceu pistas sobre o porquê das pessoas obesas que perderam peso, terem muitas vezes recaídas. A recaída tem uma forte base fisiológica e não é simplesmente o resultado da retoma voluntária de velhos hábitos", disse ele.
O dr Proietto disse que apesar das campanhas de promoção de saúde recomendarem que as pessoas obesas adotem mudanças de estilo de vida, tais como ser mais ativas, não é provável que estas levem a reversão da epidemia de obesidade.
"Em última análise, seria mais eficaz concentrar os esforços de saúde pública na prevenção das crianças se tornarem obesas."
"O estudo também sugere que a fome seguida à perda de peso precisa de ser tratada. Isso pode ser possível a longo prazo através de farmacoterapia ou manipulação hormonal, mas estas opções precisam de ser investigadas", disse ele.
O estudo foi feito em colaboração com a La Trobe University e foi publicado no New England Journal of Medicine.

Fonte: E! Science News