quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Homem quase morre atingido por um fragmento de satélite

Andrei Krivorukov recebeu um ótimo presente de Natal: a própria vida. Ele salvou-se após uma bola de titânio de um satélite de comunicações russo atingir a sua casa, passando a poucos centímetros dele.
O satélite era um Meridiano, usado para comunicação civil e militar. Ele foi destruído quando o foguetão Soyuz-2 explodiu no ar, poucos minutos após ter sido lançado de uma estação de lançamento russa, a 800 quilómetros de Moscovo. A catástrofe lançou vários pedaços do objeto pela região da Sibéria. Um deles foi a bola de 6 kg que acertou no teto de Krivorukov, caindo no local onde ele estava poucos minutos antes. Esse foi o momento em que ele foi para o seu jardim buscar lenha.
Ele também conseguiu outro presente: a prefeitura local afirmou que vai pagar os reparos necessários. Acho que ainda estar vivo já seria motivo de felicidade suficiente para o homem. O acidente é estranho não só porque parece um milagre natalício: o Soyuz tem um passado excelente. É um foguete com várias missões de sucesso, desde a década de 60, quando foi criado. O seu primeiro voo foi em 1966. Até hoje, ele só passou por uma falha (e outra parcial), por isso era meio difícil imaginar que um artefacto desses poderia cair na sua casa.

Fonte: HypeScience

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Descoberta hormona do intestino que ajuda a reduzir o apetite e a perder peso

De acordo com o estudo publicado hoje no British Medical Journal, esta hormona, conhecida como GLP-1 (peptídeo-1 similar ao glucagon), quando dada a pessoas com excesso de peso ou obesas, mostrou-se capaz de inibir o apetite, com uma consequente perda de peso, e de ao mesmo tempo regular a pressão arterial e os níveis de colesterol.
A GLP-1 é uma hormona segregada pelo intestino quando comemos e que potencia a acção da insulina. Recentemente, as terapêuticas com esta hormona começaram a ser utilizadas em doentes com diabetes tipo II, devido à sua capacidade de regular os níveis de açúcar no sangue. Porém, os cientistas notaram que os doentes também ficavam com menos apetite, o que abriu caminho a novos estudos no sentido de utilizar a GLP-1 a favor de uma perda de peso.
Assim, os investigadores da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, decidiram analisar os resultados de 25 ensaios clínicos, que envolveram mais de 6000 doentes e a quem foi dada esta hormona. A equipa teve a preocupação de, na análise, ter em consideração os diferentes desenhos dos estudos para minimizar os possíveis erros de viés – um dos muitos tipos de erro que se pode verificar quando se realiza um estudo.
Após a análise, a equipa descobriu que os doentes a quem foi proporcionado um aumento relevante da GLP-1 durante pelo menos 20 semanas conseguiram perdas de peso superiores às dos grupos que serviram de controlo. O benefício foi sobretudo notado nos doentes sem diabetes, mas os participantes com esta patologia também perderam peso. Registaram-se, ainda, melhorias estatisticamente significativas ao nível da pressão arterial, do colesterol e da glicemia. Em relação às enzimas hepáticas não foram registadas diferenças significativas.
No que diz respeito a efeitos secundários como náuseas, vómitos e diarreia, foram registados alguns casos, mas uma larga maioria dos participantes mostrou-se satisfeito com o tratamento.
Os autores afirmam, por isso, que a análise “fornece provas convincentes de que a GLP-1, quando dada a doentes obesos, com ou sem diabetes, resulta em benefícios clínicos relevantes, nomeadamente em termos do peso corporal. Também podem ser conseguidos benefícios adicionais ao nível da pressão arterial e do colesterol”.
O grupo acredita que este tipo de intervenção deve ser “considerada em pacientes com diabetes que tenham obesidade ou excesso de peso”, ainda que digam ser necessários mais estudos para perceber o comportamento desta hormona em doentes sem diabetes e também a longo prazo.

Fonte: Público

A verdadeira ciência por trás da cientologia

por Michael Shermer

Nos anos 1990, tive a oportunidade de jantar com o músico Isaac Hayes, cuja carreira tinha acabado de dar um salto incrível – e ele atribuía isso à cientologia. Foi um testemunho entusiasmado de um seguidor sincero daquela Igreja. Mas, seria uma evidência de que a cientologia funciona? Dois livros recentemente publicados argumentam que não há ciência na cientologia, apenas doutrinas sagradas embrulhadas num enredo de Nova Era que simula ciência. The church of scientology (A igreja da cientologia), de Hugh B. Urban, professor de estudos religiosos da Universidade Estadual de Ohio, traz o tratamento mais crítico da organização até o momento; Inside scientology (Por dentro da cientologia), da jornalista investigativa Janet Reitman, é uma leitura eletrizante que inclui histórias impressionantes e bem documentadas de contratos de biliões de anos, programas agressivos de recrutamento e abuso de empregados.
O problema dos testemunhos é que eles não constituem evidência na ciência. "Toda a terapia produz testemunhos animados por causa do efeito 'justificativa do esforço'", disse-me a psicóloga social Carol Tavris. Qualquer pessoa que invista tempo, dinheiro e esforço numa terapia dirá que ela ajudou. A cientologia pode ter ajudado Isaac Hayes, assim como a psicanálise e o bungee jumping podem ter ajudado outros, mas isso não significa que a intervenção foi a razão. Para saber se há algo de especial sobre a cientologia, é preciso fazer estudos controlados – mandar um grupo de pessoas escolhido ao acaso e um de controlo, que apresentem o mesmo problema, para a cientologia ou para uma terapia diferente. Até onde eu sei, nenhum estudo deste tipo foi feito. A ciência real por trás da cientologia parece ser um entendimento da necessidade humana de ser parte de um grupo de suporte e do desejo das pessoas de pagarem generosamente por isso.
Se a cientologia não é ciência, será que é pelo menos religião? Bem, ela tem o seu próprio mito de criação: há cerca de 75 milhões de anos atrás, Xenu, o comandante de uma Confederação Galática de 76 planetas, transportou biliões de seres em aeronaves parecidas com jatos DC-8 para um planeta chamado Teegeeack (Terra) e colocou-os perto de vulcões, onde bombas de hidrogénio explodiam. Tudo que restou dessa tragédia foram os “thetans” (almas), que passaram a habitar os corpos dos humanos e a trazer diversos problemas espirituais e infelicidade às pessoas. A única maneira de remediar esses males seria por meio de técnicas especiais envolvendo um eletropsicómetro (E-meter), num processo chamado auditoria.
Graças à Internet essa história, que antes era revelada apenas a quem investisse milhares de dólares em cursos para atingir o Nível Operacional Thetan III (OT III) da cientologia, é agora tão conhecida – tanto que foi retratada, em 2005, num episódio da série de TV South Park. De acordo com textos virtuais, documentos jurídicos, livros e artigos de seguidores que chegaram ao OT III e de ex-membros que ouviram a história diretamente, esse é o Génesis da cientologia. Então, como diz a lenda, o fundador e escritor L. Ron Hubbard teria inventado tudo, apenas para criar uma religião que era mais lucrativa do que produzir ficção científica?
Em vez de dar a história como verdadeira, eu recentemente entrevistei o autor de ficção científica Harlan Ellison, que afirmou estar presente no nascimento da cientologia. No Hydra Club, um encontro de escritores de ficção, em Nova York, Hubbard estava a questionar a L. Sprague de Camp e outros presentes sobre ganhar dez centavos por palavra. Lester del Rey então falou, em tom de brincadeira: “Você devia criar uma religião, porque assim não pagaria impostos”. Em seguida todos na sala começaram a dar ideias para a nova doutrina. Então Ron pegou nalgumas sugestões, acrescentou detalhes, escreveu Dianética: Uma nova ciência da mente e vendeu o texto para John W. Campbell Jr, que o publicou na revista de ficção científica Astounding Science Fiction, em 1950.
Para ser justo, a história de Xenu não é mais cientificamente insustentável que outros mitos que têm a fé como origem. Se não há maneiras de determinar por meio de testes qual hipótese de criação é correta, talvez todas elas sejam ficções impressionantes.

Fonte: Scientific American

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Espécie rara de tartaruga julgada extinta reapareceu


Segundo a agência AFP, cientistas norte-americanos chegaram a esta conclusão depois de terem redescoberto a marca genética da tartaruga Chelonoidis elephantopus no ADN dos seus descendentes híbridos.Um grupo de investigadores da Universidade de Yale detetou os traços genéticos desta espécie no ADN de onze tartarugas de outra espécie, a Chelonoidis becki, que habitam na ilha de Isabela, a maior do arquipélago das Galápagos.Originalmente, a Chelonoidis elephantopus encontrava-se apenas numa outra ilha das Galápagos, a Floreana, tendo sido dada como extinta pouco depois da viagem do naturalista britânico Charles Darwin ao arquipélago, em 1835.
"Pelo que sabemos, é a primeira vez que se redescobre uma espécie animal extinta", afirmou Ryan Garrick, da Universidade de Yale, e um dos coautores do estudo publicado na revista "Current Biology".
As tartarugas das Galápagos ficaram célebres por terem inspirado Charles Darwin na teoria da evolução das espécies pela seleção natural.
Os répteis podem pesar perto de 400 quilos, medir mais de 1,80 metros de comprimento e viver mais de cem anos. Atualmente, alguns exemplares das 13 espécies de tartarugas das Galápagos estão em risco de extinção.
De acordo com os investigadores norte-americanos, o transporte de tartarugas de uma ilha para outra das Galápagos, por parte de piratas e baleeiros, não era raro no século XIX.


Fonte: Diário de Notícias

Estrela vomita planetas?

É má educação brincar com a comida, mesmo se se tratar de uma estrela.
Uma das estrelas na mira do telescópio espacial Kepler aparentemente regurgitou os restos do tamanho da Terra de dois planetas ingeridos quando a estrela temporariamente cresceu, tornando-se numa gigante vermelha. Agora, os sobreviventes rochosos estão a pairar ao redor do pequeno coração pulsante da estrela, completando a sua órbita em menos de 10 horas.
Pelo menos, essa é a interpretação feita por uma equipa internacional que publicou estas observações na revista Nature. Enquanto alguns astrónomos estão céticos em relação à explicação, se a história se mantiver poderia explicar como é que um tipo raro de estrelas forma e determina o destino de planetas enormes engolidos pelos seus anfitriões.
"A ideia de que um planeta poderia sobreviver quando está imerso numa estrela é espetacular", diz Eliza Kempton, uma astrónoma da Universidade da Califórnia, Santa Cruz. "É uma descoberta realmente interessante."
A estrela é um animal raro, uma subanã B quente, e os dois planetas - KOI 55,01 e 55,02 - são os núcleos dos planetas supostamente parcialmente digeridos que começaram maiores do que Júpiter e agora são apenas como que batatas fritas tostadas um pouco menores do que a Terra. Eles estão esborrachados ao lado da estrela, e orbitam-na a uma distância de menos de 1% da distância entre a Terra e o sol.
Normalmente, uma estrela como o sol transforma-se numa gigante vermelha, e em seguida origina uma anã branca. Mas, às vezes, a gigante muda de pele estelar antes de contrair, deixando para trás um coração brilhante a bater – uma subanã B quente. Os cientistas não sabem o que provoca que algumas gigantes vermelhas tenham este destino, mas a hipótese mais aceite é de que um companheiro - uma segunda estrela ou um planeta - pode instigar a transformação. Um planeta culpado terá de ser, pelo menos, várias vezes tão grande como Júpiter, grande o suficiente para deixar para trás os restos sobreviventes, diz o astrofísico e co-autor do estudo Stephane Charpinet da Universidade de Toulouse, na França.
Para observar estes viajantes tenazes, os cientistas monitorizaram os sinais enigmáticos que surgiam no meio das pulsações normais da estrela. Tal como os sinos, as estrelas vibram e tocam em certos tons. Esta, chamado KIC 05807616, teve vários tons subtis que não poderiam ser explicados pela estrela sozinha, Charpinet diz. Ele e a equipe descartaram outras explicações, como manchas na estrela ou a presença de uma companheira estelar antes de decidir que os planetas eram os mais prováveis culpados destes jingles anormais da estrela.
Mas alguns cientistas estão céticos sobre a interpretação da equipa, apontando para uma série de suposições que a equipa usou para calcular o tamanho e as propriedades dos planetas propostos e a necessidade de observações adicionais de outras estrelas semelhantes.
"Eu não estou convencido", diz o astrónomo John Johnson da Caltech. "Isto não tem que estar errado, mas eu tenho as minhas dúvidas."
Alguns planetas foram descobertos em locais inóspitos antes. O primeiro planeta extrassolar a ser descoberto foi encontrado a orbitar uma pulsar, o denso remanescente de uma de uma estrela que passou a supernova. Os restos de planetas também foram encontrados nas atmosferas de estrelas anãs brancas. E em 19 de dezembro, disseram cientistas na arXiv.org foi efetuada a descoberta de um planeta do tamanho de Júpiter a orbitar um sistema binário de estrelas que incluía o mesmo tipo de subanãs B quentes.

Fonte: Science News