terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Fósseis recolhidos por Darwin redescobertos num armário britânico

Um “tesouro” incalculável de fósseis antigos - incluindo alguns recolhidos pelo naturalista britânico Charles Darwin - foi redescoberto num velho armário do Reino Unido.
Os fósseis, cuja importância passou despercebida durante 165 anos, foram encontrados por acaso nos cofres do quartel-general da British Geological Survey, perto de Keyworth (Reino Unido), relata a BBC.
Estes fósseis já foram fotografados e estão agora disponíveis numa exposição online .
John Ludden, director-executivo da British Geological Survey referiu à BBC que esta é uma descoberta “extraordinária”. “Isto faz-nos pensar o que é que poderá mais estar escondido nas nossas colecções”.
A descoberta destes fósseis foi feita pelo paleontólogo Howard Falcon-Lang, que nem queria acreditar no que os seus olhos viam, quando levantou uma lâmina de vidro com uma amostra à contraluz e leu o nome que figurava na etiqueta: “C. Darwin Esq.”.
“Demorou um bocado até me convencer que aquela era a assinatura de Darwin na lâmina”, disse o paleontólogo, acrescentando que rapidamente percebeu também que aquele era um “importante e esquecido” espécime.
“Dentro de um armário estavam centenas de amostras fossilizadas de plantas”, acrescentou Howard Falcon-Lang, que trabalha para o departamento de Ciências da Terra no instituto Royal Holloway da Universidade de Londres.
Veio a confirmar-se posteriormente que muitas das amostras redescobertas por Falcon-Lang foram recolhidas por Darwin durante a sua famosa expedição a bordo do HMS Beagle, em 1834. Esta foi a viagem na qual o naturalista britânico começou a desenvolver a sua teoria da evolução das espécies.
Muitas das amostras recolhidas na viagem foram despachadas para Inglaterra e era Joseph Hooker, um botânico e amigo de Darwin, que estava responsável por receber e catalogar as amostras enviadas, durante um breve período em que trabalhou para a British Geological Survey, em 1846.
Mas os fósseis entretanto “perderam-se” porque Hooker saiu em expedição para os Himalaias antes de poder concluir o trabalho.
Depois disso a exposição foi sendo mudada de sítio e acabou por ser esquecida.
“Reencontrar um tesouro de espécies recolhidas por Darwin da viagem do Beagle é simplesmente extraordinário. Há muitos fósseis muito importantes que nem sequer sabíamos que existiam”, disse ainda Falcon-Lang, acrescentando que uma das mais bizarras amostras agora redescobertas é a de um fungo de 400 milhões de anos que pode atingir o tamanho de uma árvore.

Fonte: Público

Nível das águas subterrâneas está a diminuir globalmente

O nível das águas subterrâneas caiu em muitos lugares em todo o mundo ao longo dos últimos nove anos, de acordo com o que foi descoberto por dois satélites de monitorização. Esta tendência aumenta a preocupação de que os agricultores estão a bombear demasiada água para fora do solo em regiões secas.
A água tem desaparecido debaixo do sul da Argentina, Austrália ocidental e em partes dos Estados Unidos. A queda é especialmente pronunciado na Califórnia, Índia, Médio Oriente e China, onde a agricultura em expansão aumentou a procura de água.
"As águas subterrâneas estão a ser consumidas a um ritmo veloz em praticamente todos os principais aquíferos das regiões áridas e semiáridas do mundo", diz Jay Famiglietti, hidrólogo da Universidade da Califórnia em Irvine, cuja equipa apresentou as novas descobertas na reunião da União Geofísica Americana.
Famiglietti e seus colegas detetaram a água abaixo da superfície usando o equivalente moderno de uma haste dowsing: um par de satélites do tamanho de carros, apelidados de Tom e Jerry, que são especialmente sensíveis à força da gravidade a partir de baixo.
Como os dispositivos espaciais se perseguem ao redor do planeta como os seus homónimos gato e rato, eles são afastadas e juntas por áreas de maior ou menor gravidade. Montanhas e outras grandes concentrações de massa têm um efeito grande e consistente de mês para mês. Mas a água move-se ao longo do tempo, criando pequenas flutuações de gravidade às quais os movimentos orbitais dos satélites respondem.
É necessário um grande fluxo para alterar significativamente a distância entre os satélites. Depois de subtrair as contribuições da neve, rios, lagos e humidade do solo, os cientistas podem detetar alterações nas águas subterrâneas maiores do que um centímetro sobre uma área do tamanho de Illinois.
Esta missão conjunta entre da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão - chamada de Gravity Recovery and Climate Experiment, ou GRACE - tem vindo a criar imagens instantâneas mensais da água subterrânea global desde 2002. As tendências já identificadas nesses dados ajudam a preencher lacunas na monitorização e confirmam problemas em locais onde a informação oficial da água subterrânea não é confiável ou é mesmo inexistente.
"A GRACE é muito útil para as áreas do mundo onde não temos boas observações da terra", diz Marc Bierkens, hidrólogo que estuda as águas subterrâneas na Universidade de Utrecht, na Holanda.
A China, por exemplo, tem subestimado o uso das águas subterrâneas. O país não possui a rede nacional de poços de monitorização que existe, por exemplo, nos Estados Unidos. As medições da GRACE sugerem que os níveis de água têm caído seis ou sete centímetros por ano sob as planícies do Nordeste.
Em algumas áreas, a variação climática pode ser a culpada a curto prazo. Por exemplo, nas planícies da Patagónia, na Argentina e nas áreas em todo o sudeste dos Estados Unidos - áreas que têm sido duramente atingidas pela seca – existe menos água subterrânea hoje do que em 2002.
Mas há pouca dúvida quanto ao que está por trás das maiores quedas: a agricultura. Um boom agrícola no norte da Índia ajudou a consumir quase 18 km3 de água do solo a cada ano. Isto é água suficiente para encher mais de sete milhões de piscinas olímpicas. E em Central Valley, na Califórnia, que suporta cerca de um sexto das terras irrigadas do país, a terra tem afundando há décadas, com os proprietários a perfurarem mais poços e retirar quase 4 km3 de água por ano.
"As pessoas estão a usar a águas subterrânea mais rapidamente do que esta pode ser reposta naturalmente", diz Matthew Rodell, um hidrólogo e membro da equipa GRACE no Centro da NASA Goddard Space Flight, em Greenbelt, Md.
As pressões agrícolas são particularmente preocupantes em lugares como o Médio Oriente, outro hotspot no novo mapa feito pela GRACE. A água bombeada do aquífero Arabian sob a Arábia Saudita e países vizinhos cai atualmente como a chuva há milhares de anos atrás. À medida que esta água fóssil desaparece, há poucas novas chuvas para reabastecê-la.
A mudança climática só vai piorar o problema, diz Famiglietti. Os padrões de precipitação estão a tornar-se mais extremos, aumentando a severidade das secas. As áreas molhadas também estão a torna-se mais húmidas e as secas mais secas, o que pode acelerar o declínio das águas subterrâneas em alguns lugares ao longo dos próximos anos.
Mas mesmo que os pesquisadores soem o alarme, eles não sabem o que fazer para aumentar o seu volume. GRACE revela apenas alterações nas águas subterrâneas, mas não fornece informações acerca da quantidade de água que resta.
"Nós realmente não sabemos o quão consumidos estão os maiores aquíferos do mundo ", diz Sasha Richey, da Universidade da Califórnia.
Alguns reservatórios, como o aquífero gigante Nubian que subjaz no Norte de África, pode ser grande o suficiente para atender à procura por séculos. Mas existem poucas estimativas fiáveis da quantidade de água subterrânea armazenada nos aquíferos do mundo.
Apesar das incertezas, Leonard Konikow, um hidrogeólogo no Serviço Geológico dos EUA, em Reston, Virgínia, diz que o uso da água se tornou insustentável em muitos lugares. Melhores sistemas de irrigação que utilizam menos água podem ajudar a conter o problema, diz ele. Assim como canalizar a água dos aquíferos durante os períodos húmidos, em vez de deixá-la “fugir” para o oceano.
"Há muitas áreas do mundo onde o consumo de águas subterrâneas excede em muito um nível sustentável", diz Konikow. "Algo terá que mudar."

Fonte: Science News

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Wikipedia encerra 24 horas em protesto contra lei antipirataria nos EUA

O fundador da Wikipedia, Jimmy Wales, confirmou hoje que a versão inglesa da enciclopédia digital vai juntar-se ao protesto contra uma proposta de lei antipirataria nos EUA, suspendendo o funcionamento por 24 horas na quarta-feira.
Das 05:00 da manhã de quarta-feira às 05:00 da manhã de quinta (horas de Lisboa), a Wikipedia vai encerrar, à semelhança de outros serviços, como o reddit, depois de Jimmy Wales o ter anunciado na sua conta de Twitter: "Espero que a Wikipedia derreta os sistemas telefónicos em Washington na quarta-feira. Digam a toda a gente que conhecerem!"
De acordo com o fundador da Wikipedia, mais de 100 milhões de pessoas serão afetadas pelo corte, com a suspensão do serviço nas outras línguas a ser deixada à escolha das respetivas comunidades.
"Alerta aos estudantes! Façam o vosso trabalho de casa cedo. A Wikipedia vai protestar contra a lei má na quarta-feira!", escreveu Jimmy Wales no Twitter hoje à tarde.
A proposta de lei "Parem a pirataria online" ("Stop Online Piracy Act", ou SOPA, no acrónimo original) tem sido fortemente contestada nos Estados Unidos, desde ativistas a empresas de Silicon Valley, tendo a Casa Branca mostrado a sua oposição na semana passada.
Enquanto várias empresas de conteúdos encaram a lei como importante para a proteção dos direitos de autor, as tecnológicas opõem-se ao documento pelo que alegam ser uma intrusão no seu trabalho.
Uma página intitulada "Luta pelo futuro", com 116 mil seguidores no Facebook, acusa a lei proposta de poder "quebrar a Internet" por causa das "imensas maneiras de como vai refrear a liberdade de expressão e inovação", segundo o modelo da carta que têm enviado aos membros do Congresso.

Fonte: RTP

Mosca batizada em honra de Beyoncé

A sensualidade de Beyoncé adquiriu uma inesperada relevância científica. Segundo a agência AFP um entomologista australiano decidiu prestar homenagem à diva da música pop ao batizar um tipo de mosca como "Scaptia (Plinthina) beyonceae" devido à semelhança entre a cor dourada do inseto e a roupa da cantora no vídeo da música "Bootylicious".
O fundo do abdómen da mosca, que habita no norte do estado australiano de Queensland, é dourado, a mesma cor da roupa que Beyoncé usou na gravação de "Bootylicious" em 2001, quando ainda fazia parte da banda Destiny's Child, antes de iniciar a sua carreira a solo.
A cor brilhante e as longas pernas fazem com que o raro inseto se possa tornar "a diva das moscas", disse Bryan Lessard, entomologista da Organização para a Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth da Austrália (CSIRO).
O cientista explicou ainda que ao batizar assim a mosca terá oportunidade de demonstrar "o lado engraçado da taxonomia [nomenclatura das classificações científicas]", divulgou a CSIRO em comunicado.
A mosca foi encontrada a oeste de Cairns, no nordeste da Austrália, em 1981, ano em que Beyoncé nasceu.
Esta não é a primeira vez que um animal é batizado em honra de um artista, uma aranha recebeu o nome do cantor Neil Young, um escaravelho o nome de um dos pioneiros do rock Roy Orbison e outros animais extintos do grupo de punk The Ramones.

Fonte: Diário de Notícias

Estudo associa ciclones a tremores de terra

Pesquisadores dos EUA dizem ter encontrado evidências de que os ciclones tropicais no Haiti e Taiwan foram seguidos por terramotos, sugerindo que as fortes chuvas e deslizamentos de terra podem desencadear tremores de terra.
"Eventos de chuva forte são o gatilho", diz dr. Shimon Wdowinski, um professor associado de geologia marinha e geofísica, da Universidade de Miami.
"A forte chuva induz milhares de deslizamentos de terra e erosão, que remove o material do solo da superfície da Terra, libertando o stress de carga e encorajando o movimento ao longo de falhas."
Wdowinski e um colega da Florida International University analisaram dados de grandes terremotos – com magnitude seis e superior - em Taiwan e no Haiti nos últimos 50 anos, e descobriram que grandes terramotos tendem a aparecer dentro de quatro anos após uma temporada de ciclones tropicais muito fortes.
Em alguns casos recentes, os terramotos aconteceram mais cedo, como em 2009, quando o tufão Morakot em Taiwan foi seguido no mesmo ano por um terramoto de magnitude 6,2 e um outro de magnitude 6,4 em 2010.
O Morakot matou 614 pessoas e deixou 75 desaparecidos, enterrando vilas inteiras e deixando um registo de três metros de chuva no que é considerado um dos piores desastres naturais da ilha.
O tufão Herb ocorreu em 1996, matando centenas de pessoas na China e Taiwan, e foi seguido, dois anos mais tarde, por um terramoto de 6.2 e, em seguida, um terramoto de 7,6 em 1999.
Em 1969, o tufão Flossie foi seguido três anos mais tarde por um terramoto de magnitude 6,2 em 1972, escrevem os pesquisadores.
A equipa também analisou o terremoto de magnitude 7 que ocorrem em 2010 no Haiti, e constatou que surgiu um ano e meio depois de dois furacões e duas tempestades tropicais que inundaram a ilha durante 25 dias.
O tremor ocorreu em janeiro do ano passado e destruiu a capital Port-au-Prince, matando mais de 225 mil pessoas e deixando uma em cada sete sem casa. Uma epidemia de cólera que se seguiu matou mais de 5 mil pessoas.

Deslocando cargas de superfície…
Os pesquisadores dizem que a sua teoria é que as fortes chuvas e deslizamentos provocam uma mudança de peso muito grande na superfície da falha, podendo desencadear terramotos. "A carga reduzida altera as falhas, o que pode promover um terramoto", diz Wdowinski.
A hipótese só se encaixa áreas onde há falhas com declive, como regiões montanhosas, onde as águas levam a terra significativamente para longe de falhas profundas no leito rochoso da Terra. Os pesquisadores planeiam um estudo mais aprofundado das condições climáticas nas Filipinas e Japão para ver se a mesma associação podem ser observada nessas regiões.
Os resultados foram apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Geofísica, em San Francisco.

Fonte: ABC Science