quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Casa de Lego" para adultos disponível em setembro

A empresa portuguesa Cool Haven, em parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, criou uma habitação modular que pode ser mudada de lugar. Segundo a empresa o novo modelo não é comparável a uma casa pré-fabricada.
O site CiênciaHoje dá conta da novidade que chega de Coimbra. Uma casa que é como se fosse feita de Lego só que é mais "resistente, económica e ecológica", garante a Cool Haven.
Trata-se de uma casa de construção rápida, que pode ter várias dimensões, ser desconstruída e até mudada de local.
De acordo com Joaquim Rodrigues, co-fundador e administrador da empresa, "o novo modelo não é comparável a uma casa pré-fabricada", pois além da resistência e longevidade, "tem uma versatilidade muito maior", podendo a sua dimensão variar com o acréscimo ou a redução de módulos.
Explicou ao site CiênciaHoje que "a ideia é responder por exemplo ao aparecimento de um filho, com o acréscimo de divisões, com a mesma facilidade com que pode ser dividida ao meio, perante uma situação de divórcio".
Garante a Cool Haven que apesar da "desconstrução ser tão fácil como a construção" a casa é "segura" mesmo, perante "actividade sísmica ou tempestades ciclónicas".
O preço do metro quadrado custa a partir de 700 euros, variando em função das suas dimensões, equipamentos e acabamentos. O tempo estimado de construção de um edifício com 150 metros quadrados é inferior a um mês.
A construção da primeira moradia unifamiliar deverá estar concluída em setembro, em exposição no Parque Tecnológico de Coimbra (iparque).

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Investigadores holandeses produzem em laboratório carne com células estaminais

Investigadores holandeses utilizaram células estaminais bovinas para produzir carne e prevêem que em Outubro terão o primeiro hambúrguer em laboratório, orçado em 250.000 euros. Este feito, dizem os cientistas, pode vir a reduzir o número de gado abatido para alimentação e as emissões de gases com efeito de estufa.
A equipa de Mark Post, director do departamento de fisiologia da Universidade de Maastricht, produziu pequenos pedaços de músculo, com cerca de dois centímetros de comprimento por um centímetro de largura e meio milímetro de espessura. Estas pequenas tiras de músculo, produzidas a partir de células estaminais de bovino, serão misturadas com sangue e gorduras produzidas artificialmente e depois prensadas para, em Outubro, produzir um primeiro hambúrguer, orçado em 250.000 euros, disse aos jornalistas Mark Post, à margem da conferência anual da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), que se reuniu neste fim-de-semana em Vancouver. Mas com a melhoria nas técnicas de produção, os preços irão baixar.
“O meu projecto visa criar carne a partir de células estaminais com uma tecnologia desenvolvida pela medicina há mais de 20 anos e que já atingiu a maturidade”, acrescentou Mark Post. “Os tecidos produzidos [em laboratório] têm exactamente a mesma estrutura dos originais”, garantiu. Além disso, a carne produzida em laboratório poderá ser controlada para apresentar certas qualidades, como por exemplo conter níveis elevados de ácidos gordos (Ómega 3), benéficos para a saúde. Esta técnica permite também produzir a carne de qualquer animal. “Poderíamos fazer carne de panda, tenho a certeza que sim”, disse Mark Post citado pelo jornal The Guardian.
Tornar produção de carne mais eficaz
Este projecto de investigação, que começou há seis anos, foi financiado por um doador que quer manter o anonimato e cujo desejo é “ver diminuir o número de animais abatidos pela sua carne e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, resultante da produção de gado”, acrescentou Mark Post.
“A produção de carne deverá duplicar até 2050 para responder à procura. Actualmente já mobiliza 70% das nossas terras agrícolas”, estimou o investigador holandês. A criação de gado contribui ainda para as alterações climáticas através das emissões de metano, gás com efeito de estufa.
“Vamos apresentar as provas de que isto é possível, o que abrirá a porta ao início do desenvolvimento deste produto e a todos os processos para tornar a produção mais eficaz, o que é essencial”, continuou. Mark Post espera ver esta carne produzida a grande escala nos próximos 10 a 20 anos.
Patrick Brown, professor de bioquímica da Universidade de Stanford, na Califórnia, salientou durante a mesma conferência de imprensa que a importância deste avanço é “denunciar a agricultura actual – e sobretudo a criação de gado – como a maior catástrofe mundial em curso”.
“Tudo o que travar a conversão de terras para a agricultura é algo de positivo”, disse Sean Smukler, investigador da Universidade da Colúmbia Britânica, à BBC. “Neste momento já estamos a atingir um ponto crítico em termos de terra arável disponível.”

Fonte: Público

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Bactérias propagam-se em tratamento de águas

Águas residuais urbanas tratadas nas respetivas estações podem disseminar bactérias multirresistentes a antibióticos que não são eliminadas no tratamento secundário que é feito, alerta uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA).
Segundo explicou Alexandra Moura, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro, em Portugal só uma minoria das estações faz o tratamento terciário.
É o caso da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Freixo, no Porto, que já tem processos de ozonação e aplicação de lâmpadas de raios ultra-violeta. Mas a generalidade das estações de tratamento de águas residuais do País apenas faz o tratamento secundário, devido aos custos.
A equipa de investigadores do CESAM, de que Alexandra Moura faz parte, em artigo científico publicado no "Research in Microbiology" e considerado de 'especial interesse' pelo portal Global Medical Discovery, sublinha a necessidade da aplicação de normas em Portugal e na Europa que obriguem à quantificação de genes e bactérias multirresistentes a antibióticos após tratamento de águas residuais, contribuindo assim para evitar a sua proliferação no ambiente.
O artigo destaca o papel das águas residuais urbanas como veículo de disseminação de bactérias multirresistentes a antibióticos e sublinha a necessidade de aplicar métodos de eliminação destes agentes, que subsistem mesmo após o tratamento secundário.
A solução passaria pela aplicação do tratamento terciário que, na versão plena, envolve remoção de nutrientes e eliminação de bactérias, mas são tecnologias dispendiosas, reconhece a investigadora.
"Há poucas estações que façam o tratamento terciário, mesmo na Europa. Na impossibilidade de o fazer, a alternativa passa por otimizar os parâmetros de tratamento naquelas que só têm tratamento secundário, aumentando os tempos de retenção e diminuindo a concentração de oxigénio", explicou à Lusa.
Apesar de haver estudos que provam que essa alternativa "tem algum efeito na diminuição dos genes de resistência a antibióticos", Alexandra Moura adverte que tal solução nem sempre é fácil porque depende da dimensão do caudal que a ETAR recebe. "Se forem caudais muito grandes, tempos de retenção muito longos também afetam depois a capacidade tratamento da ETAR, pelo que é complicado", esclarece.
Mesmo em sistemas que lançam o efluente tratado no mar, a presença dessas bactérias não é eliminada, mas apenas dispersa, mas é nas estações de tratamento que descarregam para os rios que o risco é maior, até pela possível utilização posterior dessas águas para rega agrícola.
"O que influencia mais é o tipo de efluente que a ETAR recebe. Nos domésticos e de origem animal há maior prevalência", diz a investigadora, salientando que é urgente haver monitorização e controlo das águas residuais pós-tratamento em ETAR.
O estudo coordenado por António Correia, professor do Departamento de Biologia da UA e investigador do CESAM, identificou ainda novas sequências de genes envolvidos na resistência a antibióticos e virulência bacteriana.
As bactérias multirresistentes são bactérias que simultaneamente resistem a antibióticos de vários grupos químicos e algumas persistem após o habitual tratamento secundário nas estações de tratamento, pelo que a presença de genes e bactérias multirresistentes em efluentes tratados pode levar à sua dispersão noutros ambientes aquáticos e eventualmente meios agrícolas.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Investigadores descobrem que cabras têm sotaques diferentes

Investigadores da Universidade de Londres descobriram que nem todos os balidos são iguais e que os cabritos adoptam sotaques diferentes assim que começam a socializar com outros animais. O estudo foi publicado na revista Animal Behaviour.
A descoberta surpreendeu os cientistas porque até agora se pensava que os sons da maioria dos mamíferos eram demasiado primitivos para permitir variações subtis. As únicas excepções conhecidas eram os humanos, morcegos e cetáceos, apesar de muitas aves terem a capacidade de imitar sons.
Agora, as cabras (Capra hircus) juntaram-se ao clube, segundo Alan McElligott, da Universidade de Londres.
Allan McElligot e o seu colega Elodie Briefer estudaram 23 crias de cabras recém-nascidas. Para reduzir o efeito da genética, todos os animais nasceram do mesmo pai, mas de mães diferentes.
Os investigadores deixaram os cabritos com as suas mães e registaram os seus balidos com uma semana de idade. Depois, os 23 animais foram distribuídos ao acaso em quatro grupos separados, entre os cinco e os sete animais.
Quando chegaram às cinco semanas de idade, os seus balidos foram novamente gravados. “Tínhamos para analisar 10 a 15 tipos de balidos por cabrito para analisar”, disse McElligott, ao site New Scientist. Alguns dos balidos eram claramente diferentes mas análises mais detalhadas, baseadas em 23 parâmetros acústicos, conseguiram identificar variações mais subtis. Segundo os investigadores, cada grupo de cabritos tinha desenvolvido um sotaque distintivo. “Provavelmente é algo que ajuda à coesão do grupo”, acrescentou McElligott.
Em Maio do ano passado, a investigadora Elodie Briefer publicou um estudo na revista Animal Cognition onde concluiu que as cabras são capazes de reconhecer os balidos das suas crias.
As capacidades vocais não se limitam às cabras. Em 2006, um cientista da mesma Universidade de Londres e especialista em fonética, John Wells, realizou um estudo onde concluiu que as vacas aprendem sotaques regionais diferentes ao mugir.

Fonte: Público

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Documentos revelam plano para desacreditar ciência climática em escolas dos EUA

Documentos divulgados esta semana na Internet revelam alegados detalhes da estratégia de uma organização norte-americana que contesta a visão dominante na ciência sobre as alterações climáticas, incluindo um plano para levar as suas teses às escolas.
Os documentos – na maior parte relacionados com uma reunião realizada em Janeiro – supostamente pertencem ao Instituto Heartland, uma das organizações mais activas nos EUA na contestação às evidências da influência humana sobre o aquecimento global verificado no século XX.
O instituto confirmou num comunicado, ontem, que alguns dos documentos “foram roubados” e “pelo menos um é falso e alguns podem ter sido alterados”.
“Os documentos roubados foram obtidos por uma pessoa desconhecida que fraudulentamente assumiu a identidade de um membro da direcção do [Instituto] Heartland e convenceu um funcionário a ‘reenviar’ materiais da direcção para uma nova morada de email”, refere o comunicado, divulgado ontem à noite. “Nós queremos identificar esta pessoa e vê-la na prisão por esses crimes”, acrescenta o comunicado.
Um caso semelhante – conhecido como Climategate – ocorreu no final de 2009, quando emails de vários climatologistas obtidos ilegalmente dos servidores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, foram publicados na Internet. O conteúdo de alguns emails foi interpretado como revelador de que alguns cientistas manipularam ou ocultaram dados que poderiam enfraquecer a conclusão de que a Terra está a aquecer e que a culpa principal é humana. Três inquéritos posteriores refutaram que tenha havido qualquer fraude ou má-conduta científica, embora tenham apontado falhas na disponibilização pública de dados.

Materiais escolares alternativos
Agora, a situação é a inversa. Os documentos alegadamente revelam a estratégia interna de uma organização cuja posição contra a ciência climática vigente é publicamente conhecida. “Não tivemos até agora nenhuma prova a indicar que os documentos não são reais”, disse ao PÚBLICO Branden DeMelle, editor do blogue DeSmogBlog, que divulgou os documentos do Instituto Heartland.
Pelo menos um dos documentos – um memorando “confidencial” sobre a estratégia climática do Instituto Heartland – é refutado pela organização como “totalmente falso, aparentemente com a intenção de difamar e desacreditar” o instituto, segundo o comunicado. Parte do seu conteúdo, no entanto, está reproduzida noutro documento, cuja autenticidade o instituto não desmentiu no comunicado – embora tenha dito que ainda está a verificar a autenticidade de todo o material.
Neste documento – um plano para obtenção de fundos em 2012 – há uma menção a uma proposta para a produção de materiais escolares que apresentem a questão das alterações climáticas como controversa em vários aspectos, desde os modelos climáticos até à influência humana – o que coincide com as posições que o Instituto Heartland assume publicamente. O argumento invocado no documento é o de que não há livros escolares que não sejam "alarmistas ou abertamente políticos".
O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar por email o autor desta proposta, David Wojick, descrito no site do instituto como consultor do Departamento de Energia do Governo norte-americano.

Informações sobre doadores
O documento detalha o financiamento deste e de outros projectos – incluindo o apoio ao Nongovernamental International Panel on Climate Change (NIPCC), uma rede de especialistas com visões alternativas às do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Também figura no documento o apoio à criação de um site com interpretações gráficas dos dados de uma nova rede de estações meteorológicas da NOAA, a agência norte-americana para a atmosfera e os oceanos – uma ideia do meteorologista e blogger norte-americano Anthony Watts, que defende que a tese humana do aquecimento global baseia-se em dados imprecisos.
Há menções a apoios a outros nomes conhecidos entre os chamados “cépticos” das alterações climáticas, e que já figuravam como colaboradores do Heartland Institute.
Embora muita da informação apenas detalhe ligações que já se conheciam, os documentos revelam dados que o instituto não divulga publicamente, em especial sobre os seus financiadores. O seu último relatório anual, divulgado no site do instituto, refere apenas que, em 2010, foram recebidos 6,1 milhões de dólares (4,7 milhões de euros), dos quais 48% vieram de fundações, 34% de empresas, 14% de pessoas individuais e 4% de outras fontes.
Nos documentos agora divulgados surge a menção a um doador em particular – descrito como “o doador anónimo” –, que terá sido responsável, individualmente, por uma expressiva fatia das receitas do instituto. Em 2010, terá contribuído com o equivalente a 1,3 milhões de euros (27% do total) e em 2011 este valor terá caído para cerca de 770 mil euros (21%). Em 2007, 63% das receitas terão vindo deste doador, com uma contribuição de 2,5 milhões de euros. A maior parte destes valores foi aplicada nas actividades relacionadas com as alterações climáticas – uma das principais, mas não a única, do Instituto Heartland.
Os documentos revelam uma extensa lista com dezenas de apoiantes do instituto. Na lista não aparecem referências directas a empresas petrolíferas – sendo que, pelo menos, a ExxonMobil terá, no passado, financiado organizações e pessoas contra a visão consensual da ciência sobre as alterações climáticas. Consta da lista a fundação Charles G.Koch, ligada à indústria do petróleo, com uma contribuição marginal em 2011 (0,5% das receitas do instituto) e que no orçamento para 2012 se espera ampliar para 2,5%.
Indirectamente, o Instituto Heartland reconheceu a veracidade da lista de doadores, a quem pediu desculpas, no seu comunicado, pelas suas identidades “terem sido reveladas por este roubo”.

Fonte: Público