sábado, 10 de março de 2012

Coca e Pepsi alteram receita para evitar alerta cancerígeno

A Coca-Cola e a Pepsi vão alterar a receita dos seus refrigerantes para não terem de pôr avisos contra o cancro nos rótulos.
As autoridades californianas consideram que um dos corantes que dão o tom caramelo às bebidas é potencialmente cancerígeno. As marcas foram obrigadas a mudar a receita neste estado e, para diminuir custos, decidiram adotar a nova receita em toda a fabricação.
"Apesar de considerarmos que não há qualquer risco para a saúde pública que justifique esta alteração, pedimos aos nossos fornecedores de caramelo para alterarem a quantidade do corante 4-metilimidazol para que as nossas bebidas não tenham que exibir um aviso no rótulo que não tem qualquer fundamento", explicou à AP a porta-voz da Coca-Colca Diana Garza Ciarlante.
A relação entre este corante e a doença cancerígena não está provada. A autoridade norte-americana para a saúde (Food and Drug Administration) afirma que uma pessa teria de beber mais de mil latas de Coca ou Pepsi por dia para ingerir a mesma quantidade de químico que foi dada aos animais que se sujeitaram ao teste em laboratório.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 9 de março de 2012

Sequenciado o genoma de um gorila, um passo importante para o estudo da evolução humana

Chama-se Kamilah, é uma fêmea da subespécie Gorilla gorilla gorilla, conhecida como “Gorila-do-ocidente”, e em 15% do seu genoma está mais próxima dos humanos do que os chimpanzés. O projecto de sequenciação do genoma do gorila foi completado e uma parte dos resultados, importantes para o estudo da evolução da espécie humana, foi publicada nesta quarta-feira na edição online da revista Nature.
Foi a primeira vez que os cientistas compararam os genomas dos quatro grandes primatas: humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. “O genoma do gorila é importante, porque nos dá mais informação sobre o momento em que os nossos antecessores se diferenciaram dos nossos parentes mais próximos. Também nos permite explorar as semelhanças e diferenças entre os nossos genes e o gorila, o maior primata vivo”, explica Aylwyn Scally, do Wellcome Trust Sanger Institute, Hinxton, Reino Unido.
Estudos prévios mostraram que os humanos são mais próximos dos macacos africanos do que dos orangotangos e que somos mais próximos dos chimpanzés do que dos gorilas. O artigo publicado na Nature por cientistas do Wellcome Trust Sanger Institute e outros investigadores envolvidos no projecto internacional confirmam estas conclusões. No entanto, as autores revelam que em 15% do genoma do gorila as semelhanças com os humanos são maiores do que se nos compararmos aos chimpanzés. “Analisámos mais de 11 mil genes em humanos, chimpanzés e gorilas à procura de alterações importantes na evolução da espécie. Os humanos e chimpanzés são geneticamente mais próximos na generalidade do genoma, mas a equipa encontrou excepções a essa regra. Em 15% do genoma os humanos são mais próximos do gorila do que dos chimpanzés e em 15% do genoma os chimpanzés são mais próximos do gorila do que dos humanos”, acrescenta Scally, numa nota de imprensa divulgada sobre este trabalho.
O estudo revela ainda que há cerca de 500 genes que mostram uma evolução acelerada nas linhagens do gorila, humanos e chimpanzés e defendem que é possível afirmar que, em determinados aspectos, este processo de evolução aconteceu de forma muito semelhante, especialmente nos genes responsáveis pela audição. “Alguns estudos científicos sugerem que a rápida evolução nos genes responsáveis pela audição nos humanos está ligada à evolução da linguagem. Os nossos resultados colocam isso em causa, dado que os genes da audição evoluíram de uma forma muito semelhante nos gorilas e humanos.”
Os autores do artigo referem ainda que estes primatas se separaram dos humanos e chimpanzés há 10 milhões de anos. Já a separação do gorila nas duas subespécies (da ocidente e do oriente) terá ocorrido há apenas 1,75 milhões de anos. Além dos dados obtidos com a descodificação do genoma de Kamilah, os investigadores quiseram fazer comparações nesta espécie e também reuniram informação sobre outros três gorilas (dois da mesma subespécie – o macho Kwanza e a fêmea EB(JC) – e um da subespécie do oriente – o macho Mukisi).
“A nossa investigação consegue o retrato final que possibilita a comparação entre os grandes primatas”, resume Richard Durbin, outro dos autores do artigo. Os homens e os chimpanzés foram os primeiros primatas a terem a sua informação genética analisada letra a letra. O trabalho do genoma do macaco Rhesus, realizado por um consórcio internacional de cientistas e publicado na revista Science em 2007, revelou que os homens, os chimpanzés e os macacos partilham 97,5% dos seus genes. Uma nota da Universidade de Washington adiantava ainda nessa altura que, se confrontássemos o genoma humano com o do macaco Rhesus – um primata usado como modelo animal em diversas investigações –, podíamos constatar que as diferenças genéticas são da ordem dos 7%.
Nas conclusões do artigo publicado na Nature, os investigadores sublinham: “Além de nos ajudar a perceber a evolução humana, o estudo dos grandes primatas remete-nos para um tempo em que a nossa existência era mais frágil, e, fazendo isto, destaca a importância da protecção e conservação destas impressionantes espécies.”

Fonte: Público

quinta-feira, 8 de março de 2012

A última refeição do Velociraptor

Um osso de um réptil voador de grandes dimensões foi encontrado na garganta de um Velociraptor, relançando o debate em torno do que comiam estes animais entre os paleontólogos.
Os Velociraptors já foram descritos como "hiper predadores", escreve a VBBC News. Mas agora os cientistas vêm dizer que o osso encontrado era demasiado grande para um animal deste porte, do tamanho de um peru ainda que com um apetite voraz. Os especialistas inclinam-se para a tese de que o osso pode ter sido encontrado.
As descobertas estão publicadas no jornal "Palaeogeography, Palaeoclimatology, and Palaeoecology". Um grupo de cientistas explica o drama vivido há 75 milhões de anos, a partir da análise detalhada de um esqueleto encontrado no deserto de Gobi (Mongólia).
David Hone, professor da Universidade de Dublin (Irlanda) e co-autor do estudo explicou à BBC que "seria difícil e possivelmente perigoso para um pequeno dinossauro bípede apanhar um dinossauro com dois metros, ou mais, a não ser que ele já estivesse doente ou ferido", sustenta.
Os cientistas defendem que o osso identificado deverá ter sido encontrado pelo Velociraptor numa carcaça. 
Hone explicou que é muito raro encontrar comida nos estômagos e gargantas dos dinossauros e os ossos de Pterossauro encontrado no Velociraptor são frágeis e não se conservam bem. 
O estudo pretende demonstrar que estes animais se aproveitavam de outros e revela ainda que pequenos dinossauros comiam grandes ossos.
"Quase todos os carnívoros são ao mesmo tempo carnívoros e necrófagos, segundo dita a situação - encontrar provas disso de um fóssil é no entanto difícil", notou David Hone.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 7 de março de 2012

Suspeitas de erro na escolha do Nobel da Medicina

Há suspeitas de que a academia sueca cometeu um erro na escolha de um dos vencedores do Nobel da Medicina em 2011. Jules Hoffman foi distinguido pelas suas descobertas relacionadas com a imunidade inata. Agora, surgiu agora um investigador, do mesmo laboratório, a reclamar a autoria da descoberta.
Tudo aponta para que a academia sueca tenha cometido um erro, escreve o site do jornal espanhol "El País", que indica que ao distinguir apenas Jules Hoffmann, imunologista e antigo presidente da Academia Francesa de Ciências, a comissão responsável ignorou os trabalhos de Bruno Lemaitre, optando por premiar o chefe do laboratório.
O Nobel foi atribuído pelas descobertas sobre o funcionamento da imunidade inata, a primeira linha de defesa contra bactérias ou outros microorganismos.
No entanto, terá sido Bruno Lemaitre, o queixoso, a realizar a maior parte das experiencias em laboratório, apoiado na genética da mosca drosófila, mais conhecida como a mosca da fruta e que terá permitido abrir a investigação à espécie humana.
O investigador diz mesmo que todos os trabalhos estão documentados e disponíveis na Internet, uma informação que até agora não foi desmentida por Hoffman e pelo resto da equipa de investigadores.
Lemaitre acrescenta ainda que Jules Hoffman, premiado em outubro, nunca terá mostrado qualquer interesse no trabalho, até à hora de assinar um artigo para a revista científica Cell.
Contactado pelo "El País", o vencedor do Nobel reconheceu o trabalho laboratorial de Lemaitre, mas mostrou-se desapontado com as acusações, sublinhando que nas investigações em causa estiveram envolvidas várias pessoas.

Fonte: TSF

terça-feira, 6 de março de 2012

Cientistas ensinaram animais a pedir açúcar usando só a força da mente

Em apenas dez dias, os ratos e ratinhos usados na experiência conduzida por neurocientistas - da Fundação Champalimaud (Portugal) e da Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA) - aprenderam a "pedir" açúcar sem mover um músculo do corpo. Para isso, recorreram apenas a impulsos eléctricos do cérebro que tinham como feedback um determinado som.
Os resultados da experiência, publicados na revista Nature, revelam um cérebro mais flexível do que se pensava e podem ser um importante contributo para o desenvolvimento de próteses movidas com "a força da mente" para pessoas com lesões na medula, amputações ou outras limitações na mobilidade.
O trabalho em laboratório permitiu demonstrar não só que o cérebro é capaz de aprender rapidamente regras arbitrárias, mas também que a plasticidade [a capacidade de adaptação do cérebro] presente neste processo intencional é idêntica à que encontramos quando resolvemos uma tarefa física como andar de bicicleta.
Até agora, a chamada interface cérebro-máquina (IMC) procurou provocar um movimento numa prótese imitando os circuitos eléctricos que são normalmente usados no gesto que se quer reproduzir, seja ele mover um braço ou uma perna. As experiências realizadas mostraram o sucesso desta tecnologia, mas também revelaram algumas limitações.
Já está provado que é possível "imitar" os impulsos neuronais e conseguir movimento numa prótese. Para isso, a actividade do cérebro é medida através da introdução de eléctrodos (fios da espessura de um cabelo) no cérebro, usando-se um chip que pode estar ligado a um computador ou a uma prótese (um braço, por exemplo) que "decifra" a ordem que está a ser dada.
Esta imitação da actividade neuronal, contudo, tem de ser feita caso a caso (cada um de nós tem impulsos neuronais diferentes para mexer o braço) e, no processo, perde-se alguma eficácia no movimento. Quando usamos uma prótese que tenta imitar o que o cérebro normalmente faz para ordenar esse movimento, a performance de uma tarefa normal cai para 60 ou 70%.
Rui Costa, investigador principal do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, e José Carmena, co-director do centro de engenharia neural e próteses da Universidade de Berkeley, admitem que o que foi conseguido até agora já é muito bom, mas acreditam ter encontrado outro caminho no cérebro para conseguir mover uma prótese com 95% de acuidade. Como? "Mudámos as regras do jogo e, em vez de tentarmos imitar o que se passa normalmente, ensinámos o cérebro a fazer algo como se fosse uma coisa nova, arbitrária".
Na verdade, a experiência (ainda) não se fez com uma pessoa e uma prótese. O que os cientistas para já demonstraram, e que descrevem no artigo publicado ontem online na Nature, foi que os ratos e ratinhos usados na experiência aprenderam rapidamente uma regra arbitrária para obter o que queriam sem se mexerem, só com "a força da mente".
"Usámos ratos e ratinhos que estavam a controlar um computador que produzia um som. Criámos uma regra arbitrária: a actividade destes neurónios significa um som agudo e a destes um som grave. Se conseguissem a actividade cerebral capaz de dar um feedback de um som agudo, tinham como recompensa uma solução com açúcar, e se conseguissem um som grave tinham comida calórica", explica Rui Costa, entusiasmado com os resultados porque "rapidamente os animais aprenderam a regra".

As contas e o ciclismo
"Logo no primeiro dia, os ratos começaram a perceber. Em três, quatro dias, estavam bons na tarefa. E em dez dias, estavam com 100% de performance", nota Rui Costa. "O que foi mais maravilhoso foi ver que o animal começou a aprender a controlar aquele som só com a mente. E, ao fim de dez dias, não só está excelente na tarefa como deixou de se mexer e controla só com a actividade cerebral o computador", conta o cientista.
A experiência permitiu perceber que "as áreas do cérebro [o córtex motor] e o tipo de plasticidade [presente nos gânglios da base, na região do estriado] envolvidas na aprendizagem desta regra abstracta são as mesmas que usamos para a aprendizagem motora, física. Ou seja, usamos os mesmos circuitos e mecanismos no cérebro para andar de bicicleta e para aprender algo abstracto e mental, como fazer contas.
"Mas será que ratos percebem mesmo que aquela actividade cerebral produz aquele som e aquela recompensa?", era a próxima pergunta dos investigadores. Para a resposta, nova experiência. "Fizemos mais testes que queriam demonstrar o conhecimento e intencionalidade da acção. Por exemplo, demos aos animais muito açúcar (que era a recompensa do feedback com som agudo) antes de realizar a experiência, e o resultado foi que quando começaram a sessão eles só faziam o som grave (que tinha como recompensa comida calórica). Fizemos ao contrário e eles só pediam o açúcar. Mais ainda, decidimos que para terem a bebida tinham de parar a actividade cerebral que produzia estes sons. E eles paravam".
Conclusão: "Os animais tinham conhecimento de que o controlo do som agudo servia para obter sacarose e o som grave para comida. Como se estivesse num restaurante e mandasse vir a comida que lhe apetecesse só com a actividade cerebral. O que é incrível".
Há, no entanto, uma nota importante a lembrar dos resultados desta experiência: parece ser essencial dar feedback da actividade neuronal. "Quando nós cortávamos o feedback, os sons, eles não conseguiam aprender".
Transferir este conhecimento para uma possível solução de uma limitação física de uma pessoa é a grande porta que se abre agora. "Na limitação física, uma pessoa que está paralisada pode utilizar a actividade neuronal para escrever directamente no computador desde que se definam as regras: a actividade nesta área é a letra A, nesta outra área é a letra B... e a pessoa rapidamente aprende", acredita Rui Costa.
O investigador admite também ser possível usar este caminho para outro tipo de tarefas que não são motoras. Por exemplo, para fazer uma chamada telefónica.

Fonte: Público