terça-feira, 10 de abril de 2012

Composto de óleo essencial pode tratar osteoartrose

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) identificou um composto natural, extraído do zimbro, com elevado potencial para o tratamento da osteoartrose, a principal causa de incapacidades motora e laboral a partir dos 50 anos.
O composto identificado é o afla-pineno, também presente no eucalipto e pinheiro, que, para a investigação em causa, iniciada em 2007, foi extraído do juniperus oxycedrus, vulgarmente conhecido por zimbro, cedro-de-espanha, oxicedro ou cade.
A osteoartrose, conhecida também por reumatismo ou artrose, é uma doença que atinge fundamentalmente a cartilagem das articulações - que funciona como amortecedor e lubrificante para garantir os movimentos - e provoca dor, rigidez, limitação de movimentos e, em fases mais avançadas, deformações.
"Não existe um medicamento eficaz para o tratamento da artrose, que afeta milhões de pessoas e cada vez mais, porque a população está a envelhecer", disse hoje à Lusa Alexandrina Mendes, coordenadora da avaliação farmacológica do estudo, que visa desenvolver um medicamento "capaz de travar a doença e promover a regeneração do tecido da cartilagem".
A investigadora sublinha que o composto identificado pela equipa demonstrou uma "forte seletividade para a cartilagem, não atuou num leque de outras células do organismo", o que é "um bom indicador de que não provoca efeitos colaterais".
"São resultados bastante promissores, mas são ainda necessários muitos passos até podermos chegar a um medicamento", disse, sublinhando a "importância da realização de ensaios com animais, para comprovação da eficácia e de que não há efeitos tóxicos".
Para o avanço para os ensaios pré-clínicos, com animais, é necessário financiamento que ainda não está assegurado, afirmou Alexandrina Mendes, referindo que o projeto foi submetido à Fundação para a Ciência e Tecnologia e estão em curso contactos com a indústria farmacêutica.
Além do alfa-pineno, a investigação permitiu ainda a identificação de um "conjunto de óleos essenciais de plantas da flora ibérica", mais concretamente de plantas endémicas de algumas regiões de Portugal (como Quiaios, na Figueira da Foz, e Serra da Estrela), "com moléculas bastante ativas sobre a doença articular crónica mais comum".
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a osteoartrose é "uma das 17 doenças prioritárias na área da prevenção e tratamento", refere a nota hoje divulgada pela UC.
"A evolução da doença é um processo longo com custos diretos (consultas, medicamentos, cirurgia) e indiretos (produtividade reduzida e absentismo laboral) muito elevados, tanto para o doente como para o Serviço Nacional de Saúde", conclui Alexandrina Mendes.
O estudo em curso tem a colaboração do Serviço de Ortopedia dos Hospitais da Universidade de Coimbra/Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e envolve sete investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular e da Faculdade de Farmácia da UC, com a vertente da obtenção dos óleos essenciais e sua caracterização química a ser liderada por Carlos Cavaleiro.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pais e investigadores dividem-se quanto à importância dos TPC

Em Portugal, pais, psicólogos e professores dividem-se: há os defensores dos trabalhos para casa (TPC) e há quem não veja vantagens em obrigar as crianças a fazê-los.
Uns consideram-nos fundamentais para incutir hábitos de trabalho e autonomia no estudo, outros acham-nos excessivos, contraproducentes e até potenciadores de desigualdades entre as crianças na medida em que umas podem beneficiar da ajuda dos pais e outras não.
O debate reacendeu-se com o recente boicote de uma associação de pais franceses aos TPC. Alegam estes pais que são cansativos e, se a criança já aprendeu a matéria na escola, então mais vale ler um livro em casa. Se não aprendeu, não vai ser em casa que o vai fazer. Vai daí declararam uma greve de duas semanas aos deveres para casa. Dias depois uma associação espanhola de pais subscreveu a posição. Os trabalhos para casa estão proibidos em ambos os países para as crianças com idades compreendidas entre os seis e os 11 anos. Apesar disso, os professores franceses e espanhóis continuam a insistir nessa prática.
Para o professor de Psicologia da Universidade do Minho e autor de livros sobre educação, Pedro Sales Rosário, os TPC têm uma função instrutiva e de promoção de autonomia: "As aulas são importantes, ensinar é importante, mas aprender é apropriarmo-nos dos conhecimentos. E essa apropriação é pessoal", sustenta, notando que tal acontece no estudo e nos TPC. E estes são um "termómetro": "Quando um aluno se empenha e não consegue fazer, leva as dúvidas para a aula. Existe um feedback do trabalho do aluno e do professor".
Pedro Santos, com uma filha de sete anos, questiona se ter os pais "à mão" não será "a pior das formas de promover a autonomia". Em casa vê o que a Mafalda sabe ou não fazer e ajuda "com dúvidas simples". "Não creio que caiba aos pais - não me cabe certamente a mim, que não tenho competências pedagógicas para tal - substituir o papel da professora".

Cultura de trabalho

Pedro Sales Rosário concorda que "os pais não têm de ser professores": "Pode explicar-se coisas mínimas, mas é melhor dizer-lhes para perguntar ao professor no dia seguinte do que dar-lhes a solução".
Importante é perceber "por que é que a criança não sabe fazer aqueles trabalhos de casa". "Não apanhou a matéria? Esteve desatento? A pensar em quê? Por que é que não perguntou à professora? É tímido?"
Luís Marinho, coordenador do projecto "Estudar dá Futuro" - iniciativa da associação de pais do Externato de Penafirme que se organizou para apoiar voluntariamente alunos no estudo -, não vê "drama" nos TPC. Pelo contrário: "Se tiverem desde cedo uma cultura de esforço e de trabalho, mais preparados vão estar para enfrentar a realidade".
Marinho considera que as desigualdades no nível cultural e económico das famílias não acabam com o fim dos TPC e não vê razões para "embaraços". "O pai até pode nem saber ler nem escrever, mas sabe se o filho está no Facebook ou com um livro nas mãos. Há um sinal de disciplina que os pais têm de passar", defende este pai, que tem uma filha no ensino básico e outra no 8.º ano.
Também a presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, Maria José Viseu, entende que os TPC "obrigam as crianças a organizarem-se".

Ritmo de vida
Há porém a questão do tempo que as famílias têm para dedicar a estas tarefas. Pedro Sales Rosário admite que os pais chegam cansados a casa, mas insiste no esforço: "Também posso optar pela comida pré-feita, é mais rápida, estou sem tempo para cozinhar, mas depois os miúdos engordam. Também nos TPC há uma dieta de trabalho para que não tenham problemas depois".
Quem se revê na posição dos pais franceses é Eduardo Sá, professor universitário e psicólogo clínico especializado em psicologia infantil e juvenil: "É um levantamento muito bonito". Em 2005, Eduardo Sá foi um dos promotores do Sindicato das Crianças e uma das iniciativas foi precisamente uma greve aos TPC. Pretendia-se alertar para a importância do tempo para brincar.
Eduardo Sá frisa que "mais escola não é obrigatoriamente melhor escola". "As crianças têm blocos de aulas de 90 minutos, muitas actividades extracurriculares. É penoso chegarem a casa e, entre o banho e o jantar, fazerem TPC. Exaustos, não vão aprender, mas desenvolver um ódio de estimação à escola". O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida, também questiona: "Se na sala de aula não conseguem consolidar os conhecimentos, se no estudo acompanhado não fazem os TPC, vão fazer em casa?".
Apesar de não ter uma posição "fundamentalista", o coordenador do departamento de Psicologia Educacional do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, José Morgado, não simpatiza com os TPC. Sobretudo nas idades mais baixas, "o bom trabalho na escola" devia dispensá-los: "É uma questão de saúde e qualidade de vida", escreve no blogue Atenta Inquietude. Morgado distingue o Trabalho para Casa e o Trabalho em Casa: "O TPC é trabalho da escola feito em casa, o trabalho em casa será o que as crianças podem fazer em casa que, não sendo tarefas de natureza escolar, pode ser um bom contributo para as aprendizagens dos miúdos".
Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, garante que os professores são incentivados a não mandarem todos os TPC "em simultâneo" e a evitarem tarefas que os alunos "não consigam fazer sozinhos e que possam potenciar as desigualdades".

Fonte: Público

Comentário EvoluCiência: Em relação a este tema não resisto a dar a minha opinião... Atualmente penso que há algum exagero em relação aos TPC, pois os miúdos passam o dia inteiro na escola e ainda têm que vir para casa trabalhar (muitas vezes 1 hora ou mais!). No entanto, também reconheço que os TPC são importantes para consolidar o conhecimento adquirido, portanto não é um assunto de fácil resolução. Qual é a minha solução?... Só deveria haver TPC ao fim de semana e nas férias, e assim havia tempo para descansar a cabeça no final de cada dia de aulas e rever a matéria nas alturas em que os miúdos têm mais tempo livre. :)

domingo, 8 de abril de 2012

Plataforma Larsen na Antártida diminui de tamanho

Satélite Envisat, da ESA, acompanha o fenómeno há 10 anos.
Quando a secção principal da plataforma Larsen B, na Antártida, se quebrou no dia 1 de Março de 2002 e depois se desfez em pedaços de gelo, em poucos dias, o satélite Envisat, da ESA, a agência espacial europeia, tinha acabado de ser lançado para órbita, e aquele foi um dos fenómenos resultantes do aquecimento do planeta que ele captou em direto, enviando as imagens para a Terra.
Desde então, cumprem-se agora 10 anos, o Envisat tem acompanhado de perto o recuo sistemático daquela plataforma de gelo, um fenómeno que os cientistas atribuem às alterações climáticas. Com o aquecimento da atmosfera, as massas de gelo enfraquecem e são afetadas por instabilidades mecânicas que ditam a sua desintegração.
A plataforma de gelo Larsen é uma série de três plataformas que se estendem de norte para sul, ao longo da zona leste da Península da Antártida. A plataforma A desintegrou-se em Janeiro de 1995. A Larsen B (3200 quilómetros quadrados de área) foi-se em 2002 e a Larsen C, a maior de todas, que se tem mantido estável, revela agora uma diminuição na espessura do seu gelo, de acordo com as medições feitas.
A península Antártica registou na sua zona norte um aumento de 2,5 graus Celsius no último meio século e é isso que explica a evolução negativa da plataforma Larsen. "As plataformas de gelo são muito sensíveis ao aquecimento atmosférico e às alterações nas correntes e na temperatura dos oceanos", afirma Helmut Rott da Universidade de Innsbruck, na Áustria, que tem acompanhado o problema.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 7 de abril de 2012

Resistência ao último fármaco eficaz contra a malária está a alastrar

O Sudeste asiático tem sido o melhor berço para o aparecimento de parasitas resistentes aos medicamentos contra a malária. Quando foram relatados casos de resistência à artemisinina no Camboja, em 2008, as organizações internacionais de saúde esforçaram-se para matar o parasita no país. Agora, uma investigação revela os primeiros sinais do mesmo fenómeno na Tailândia. O trabalho desta equipa — que resultou em dois artigos diferentes publicados nesta quinta-feira, um na revista The Lancet e outro na Science — associou a resistência a regiões do ADN do parasita.
A artemisinina é a última bóia de salvação contra a malária, que, em 2010, matou 655 mil pessoas. A doença é causada por várias espécies do Plasmodium, sendo o Plasmodium falciparum a mais violenta. O parasita é injectado no sangue pelo mosquito anófeles, reproduz-se primeiro no fígado e depois passa para o sangue, onde infecta os glóbulos vermelhos e se multiplica, causando febres altas, dores de cabeça e mal-estar.
O Sudeste asiático, a África Subsariana e América do Sul são as regiões mais atingidas pela malária. A mortalidade recai nas crianças até aos cinco anos, mas a doença ataca toda a população e é um dos responsáveis pela improdutividade em África, em conjunto com a sida e a tuberculose. Devido à complexidade do parasita, tem sido difícil produzirem-se novos medicamentos e não há uma vacina eficaz. A artemisinina, identificada na China na década de 1960, é administrada com outros fármacos e tem evitado muitas mortes até agora.
Liderada por François Nosten, da Unidade de Investigação da Malária de Shoklo, na Tailândia, e Timothy Anderson, do Instituto de Investigação Biomédica do Texas (EUA), a equipa analisou 3202 pacientes no Noroeste da Tailândia com malária, entre 2001 e 2010, que foram tratados com um derivado da artemisinina. Nestes anos, o tempo médio de vida dos parasitas no sangue aumentou de 2,6 para 3,7 horas. No foco do Camboja, o primeiro, a 800 quilómetros da região agora analisada, este período é de 5,5 horas. Os dados, consideram os especialistas, obrigam a que o esforço de luta contra a doença no Camboja se intensifique.
“A resistência à artemisinina apareceu na fronteira da Tailândia com a Birmânia há pelo menos oito anos e, desde aí, tem aumentado substancialmente. A este ritmo, em dois a seis anos vai alcançar os níveis do Oeste do Camboja”, conclui o artigo na The Lancet.
Esta resistência não é total, por enquanto só atrasa a letalidade do fármaco. Mas os cientistas temem que se repita o que aconteceu com a cloroquina e o fansidar, dois antimaláricos a que os parasitas ganharam resistência na Ásia e que se alastraram para África. Embora a resistência à artemisinina tenha sido detectada numa fase inicial, um cenário semelhante no futuro “seria uma tragédia sanitária que resultaria em milhões de mortos”, resume Standwell Nkhoma, da equipa do Texas.
Por que é que as mutações que dão ao parasita resistência contra os antimaláricos aparecem no Sudeste asiático? “Pensa-se que os parasitas desta região possam ter uma constituição genética que lhes confere uma maior predisposição para adquirir resistência”, responde Pedro Cravo ao PÚBLICO. O português, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical de Lisboa, está agora a trabalhar no Brasil, na resistência da malária à artemisinina. Não se sabe se a população de parasitas da Tailândia emergiu independentemente da do Camboja. Mas a equipa conseguiu agora associar as resistências a várias regiões do genoma do parasita, em especial a dez genes no cromossoma 13. De seguida, a equipa quer perceber melhor como surgem estas mutações, para evitar o aparecimento de novos focos de resistência.

Parasita entra em dormência
A forma como o Plasmodium adquire resistência à artemisinina ainda é desconhecida, mas pensa-se que os parasitas (na imagem ao lado, dentro de glóbulos vermelhos) podem alterar o seu metabolismo.
“Uma das hipóteses é que os parasitas resistentes entram numa fase dormente durante o tratamento da artemisinina, param de crescer e esperam que o fármaco seja degradado pelo organismo, antes de continuarem a infecção”, diz num podcast da Science Ian Cheeseman, um dos autores do artigo na mesma revista. Um dos dez genes do cromossoma 13, agora associados à resistência, é de uma família activada em caso de stress térmico ou químico e pode ter um papel neste processo.

Fonte: Público

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cancro da mama mortal revela ser, já de início, um ecossistema em evolução

Por que é que um mesmo tipo de cancro da mama pode reagir de forma tão diferente aos tratamentos? Por que é que alguns tumores são sensíveis às terapias, enquanto outros teimam em lhes resistir? Os resultados de uma equipa internacional liderada por dois portugueses, que são publicados esta quarta-feira online na revista Nature, desvendam o enigma.
Recorrendo a avançadas técnicas de sequenciação do ADN, mostram, pela primeira vez, que na altura do primeiro diagnóstico do cancro da mama dito “triplo negativo”, o tumor de cada doente já possui uma história “pessoal”, porque já sofreu, mesmo nesta fase muito inicial, uma evolução genética individualizada.
“A possibilidade de estudar e descodificar a diversidade [genética] de uma forma sistemática, em tumores nos doentes, está a revolucionar a capacidade de entender os tumores como miniecossistemas”, diz ao PÚBLICO Samuel Aparício, cientista português radicado no Canadá, onde trabalha na Agência do Cancro da Columbia Britânica em Vancôver — e co-autor principal, com Carlos Caldas, da Universidade de Cambridge, Reino Unido, dos resultados agora publicados.
Os cancros da mama triplo negativos são assim chamados porque as suas células não apresentam, à superfície, nenhum de três receptores habituais: o dos estrogénios e o da progesterona (as hormonas sexuais femininas) e o da herceptina, uma proteína também associada aos cancros da mama. Este tipo de cancro representa 16% dos casos, afecta sobretudo mulheres com menos de 40 anos e é particularmente agressivo. Para mais, os próprios cancros triplo negativos demonstram uma grande variabilidade, de doente para doente, na sua resposta aos tratamentos — cirurgia, quimioterapia, radioterapia — que lhes são aplicados.
Os cientistas sequenciaram agora o ADN de 104 tumores primários de cancro da mama triplo negativo e descobriram que eram todos diferentes. “No nosso estudo”, diz-nos Samuel Aparício, “a evolução presente em cada tumor, no momento do primeiro diagnóstico, revela uma grande variação entre doentes, embora do ponto vista clínico os tumores sejam considerados a mesma doença.” Isto permite explicar, segundo ele, por que é que a resposta dos cancros triplo negativos aos tratamentos é tão variável.
O futuro do tratamento do cancro passa portanto pela personalização das terapias? “Esperamos que sim e a possibilidade de perceber, eventualmente ao nível das células individuais, quais são os ‘clones’ [grupos de células descendentes de uma única célula] e as mutações que respondem [às terapias] em cada ecossistema será uma arma potente para estudar o impacto dessas terapias. Já estamos a trabalhar nessa direcção”, responde Samuel Aparício.
“Estamos a construir o mapa do cancro da mama”, diz-nos por seu lado Carlos Caldas, colega e amigo de longa data de Samuel Aparício, com quem trabalhou quando este último ainda estava em Cambridge — e com quem continua a colaborar estreitamente, apesar de haver hoje um oceano entre eles. “O facto de caracterizarmos todos os genes mutados num tumor é o primeiro passo na determinação dos padrões de mutações e das melhores terapias para combater a doença”, explica Carlos Caldas. “É como um código de barras do tumor, que também poderá servir para monitorizar a resposta do tumor à terapêutica”, através de análises ao sangue que detectem a quantidade de ADN mutado na circulação das doentes.

Fonte: Público