domingo, 15 de abril de 2012

Cientistas contam milhares de pinguins a partir do espaço

Um novo estudo usou satélites para descobrir que existem 595.000 pinguins-imperador na Antárctida, ou seja, duas vezes mais do que se pensava. As conclusões da investigação sobre o impacto das alterações do Ambiente nas populações desta ave icónica foram publicadas na revista PLoS ONE.
“Ficámos encantados por sermos capazes de localizar e identificar tantos pinguins-imperador”, disse o principal autor do estudo, Peter Fretwell, e membro do British Antarctic Survey (BAS). “Contámos 595.000 aves, quase o dobro das estimativas anteriores, entre 270.000 e 350.000 animais. Este é o primeiro censo completo de uma espécie, feito a partir do espaço”, acrescentou.
Uma equipa internacional de cientistas utilizou imagens de satélite de muito alta resolução para estimar o número de pinguins em cada colónia em redor da zona costeira da Antárctida. Com uma nova tecnologia que permite aumentar a resolução das imagens de satélite, a equipa conseguiu diferenciar aves, gelo, sombras e fezes de pinguins (chamado guano). Para calibrar a análise das populações, os cientistas fizeram contagens no terreno e tiraram fotografias aéreas.
O pinguim-imperador nidifica em áreas que são muito difíceis de estudar porque são muito remotas e muitas vezes inacessíveis, com temperaturas que podem descer até aos 50ºC negativos.
“Os métodos que usámos são um enorme avanço na ecologia da Antárctida, porque podemos fazer investigação de forma segura e eficiente, com poucos impactos ambientais”, disse Michelle LaRue, co-autora do trabalho e investigadora da Universidade do Minnesota.
No gelo, estes pinguins com a sua plumagem branca e preta destacam-se no branco da neve e as colónias são claramente visíveis nas imagens de satélite. Isto permitiu à equipa analisar 44 colónias de pinguim-imperador em torno da costa da Antárctida, descobrindo sete até agora desconhecidas.
Os cientistas estão preocupados que, em algumas regiões da Antárctida, Primaveras que chegam mais cedo estejam a fazer desaparecer o gelo no mar, habitat dos pinguins. “As investigações científicas actuais sugerem que as colónias de pinguim-imperador serão gravemente afectadas pelas alterações climáticas”, acrescentou o biólogo Phil Trathan, do BAS, e outro co-autor do estudo. “Um censo rigoroso à escala do continente pode ser facilmente repetido regularmente para nos ajudar a monitorizar os impactos das mudanças futuras nesta espécie icónica.”
A investigação resultou da colaboração do BAS, da Universidade do Minnesota/National Science Foundation, do Instituto de Oceanografia Scripps e da Divisão Antárctida Australiana.

Fonte: Público

sábado, 14 de abril de 2012

Cães são contagiados pelo bocejo dos humanos

Os cães também são contagiados pelo bocejo dos humanos e reagem mais se for o seu dono, uma característica que pode refletir empatia e ser útil na seleção dos animais para ajudar em determinadas situações.
A investigadora Joana Bessa, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, partiu de estudos já realizados sobre o bocejar contagiante, mas que tinham obtido resultados divergentes, e tentou encontrar provas de que estes animais podiam "apanhar" os bocejos humanos.
Com a colaboração de Karine Silva e Liliana de Sousa, a cientista conseguiu "resultados positivos" e concluiu que "havia contágio por parte dos cães mas também havia uma modelação social".
"Tentámos replicar os estudos para perceber se encontrávamos provas de que os cães podiam apanhar os bocejares dos humanos, mas tentámos também perceber se havia influência da empatia", explicou Joana Bessa à agência Lusa.
"Os cães bocejavam mais quando ouviam o bocejar de pessoas conhecidas, dos donos, face a pessoas desconhecidas, e surge a hipótese de que os cães poderão ter alguma empatia relativamente aos humanos", referiu Joana Bessa.
Participaram no estudo 29 cães que foram expostos a sons de bocejos. A opção por evitar o contacto visual teve como objetivo afastar a hipótese de ser uma simples imitação do gesto que viam na pessoa.
Os cães ouviram sons de pessoas diferentes, dos donos e de pessoa desconhecida, e um som de controlo (artificial), distribuídos por sessões separadas por sete dias.
A provar-se em futuros estudos determinadas características dos cães, como a personalidade ou a existência de relação com a empatia, será possível tentar utilizar essas formas para escolher animais mais adaptados a certas situações, como os cães de ajuda, avançou a investigadora.
Os cães ou os cavalos ajudam, por vezes, nos tratamentos de crianças ou adultos com deficiências criando uma relação de confiança, sendo os mais conhecidos os casos de cegueira.
Joana Bessa acrescentou que, se for provado que a empatia está relacionada com o bocejar contagiante, essa informação "pode ser aplicada a várias espécies".
O longo processo de domesticação dos cães poderá fazer com que tenham uma ligação mais próxima com os humanos, tendo igualmente influência nesta capacidade empática, admitiu.
Este trabalho será publicado na revista Animal Cognition e é uma das comunicações previstas para o 9ºCongresso Nacional de Etologia, que hoje se inicia em Lisboa e conta com a participação de vários especialistas em comportamento animal.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 13 de abril de 2012

China promete curas com células estaminais apesar do cerco das autoridades

A China tornou-se num imenso mercado para as empresas que prometem curas com células estaminais para doenças como Alzheimer, Parkinson, diabetes, esclerose múltipla ou autismo. Apesar da inexistência de provas sobre a eficácia destas terapias, milhares de pessoas arriscam a sua sorte. Pequim está a tentar pôr cobro a esta farsa, mas até agora sem sucesso.
Três meses depois de o Ministério da Saúde chinês ter aumentado os seus esforços para erradicar o uso clínico de tratamentos não eficazes com células estaminais, uma investigação da revista “Nature” revela que múltiplas empresas e clínicas em vários pontos do país continuam a ficar com o dinheiro de doentes em troca de terapias cuja eficácia ainda está por provar.
Estas clínicas publicitam casos de doentes que dizem ter experimentado benefícios dos tratamentos e alguns destes centros até têm instalações associadas a complexos hospitalares, dando-lhes uma aparência de legitimidade que, de acordo com a Nature, é falsa. “Peritos em células estaminais contactados pela revista insistem que este estas terapias não estão em fase de poder ser usadas clinicamente e que algumas terapias poderão até pôr em risco a saúde dos doentes”, escreve a revista, sublinhando, porém, que o Governo chinês está a lutar contra este tipo de práticas.
As células estaminais têm a capacidade de originar vários tipos de células do organismo, o que as torna promissoras na regeneração de tecidos, nomeadamente em doenças neurodegenerativas. Mas até esses tratamentos serem uma realidade, ainda há muita investigação científica de base pela frente.
A partir de Janeiro deste ano, reconhecendo que esta situação estava a perder o controlo - apesar de, em 2009, já ter classificado estes tratamentos de “alto risco” -, Pequim anunciou um pacote de medidas para este tipo de actividade, obrigando as empresas e clínicas a registarem-se junto das autoridades para poderem levar a cabo as suas práticas. Paralelamente, o Ministério da Saúde pediu às autoridades sanitárias locais que pusessem cobro, nas respectivas regiões, a qualquer actividade não aprovada envolvendo células estaminais. O Governo lançou ainda uma moratória para novos ensaios clínicos e argumentou que os doentes já envolvidos em terapias não deveriam pagar esses tratamentos.
Até agora, porém, toda esta repressão por parte das autoridades tem-se revelado ineficaz, revela a Nature.
De acordo com um porta-voz do Ministério da Saúde, nem uma clínica se registou junto das autoridades da forma correcta e a Nature descobriu que muitas continuam no mercado, a oferecer este tipo de tratamentos.
A WA Optimum Health Care é uma destas clínicas. Está instalada numa das zonas mais prósperas de Xangai e oferece um tratamento entre quatro e oito injecções de células estaminais (o preço de cada injecção varia entre os 3600 e os 6000 euros) para tratar a doença de Alzheimer. A terapia contra o autismo pode ser ainda mais cara, revela David Cyranski, autor da investigação.
Outra clínica (Tong Yuan Stem Cell) assegura ter já tratado mais de 10 mil doentes que padeciam de diversas enfermidades e indica que a sua terapia para o autismo, por exemplo, dura um ano e tem por base quatro injecções de células estaminais de fetos abortados.
“Essas clínicas afirmam ter êxito, mas até agora nenhuma publicou dados com grupos de controlo”, frisou Cyranski.
O problema é tão grave que a Nature dedica um editorial ao assunto, chegando a comparar esta situação à prática da lobotomia, há quase um século.
Diversos peritos internacionais frisam que estes tratamentos poderão provocar doenças auto-imunes e até alguns tipos de cancros.
Precisamente porque as doenças que este tipo de tratamentos prometem resolver são muito graves, estas empresas e clínicas - que se anunciam livremente online - atraem milhares de pessoas de todo o mundo. Algumas delas até afirmam ter parcerias com centros de investigação norte-americanos, como a Universidade de Harvard ou a Universidade da Califórnia, que negam rotundamente semelhantes relações.

Fonte: Público

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Simpatia pode estar nos genes

Investigadores identificaram uma forte relação entre atitudes sociais e receptores das células.
Uma equipa de investigadores realizou uma experiência cujos resultados sugerem exitir uma ligação entre a simpatia das pessoas e a sua genética. Os cientistas têm o cuidado de avisar que não descobriram "um gene da simpatia", mas que o ADN ajuda a explicar os comportamentos ligados à generosidade, a preocupação pelos outros e a participação cívica.
A investigação teve como ponto de partida o conhecimento de que há hormonas (como a oxitocina ou vasopressina) a funcionar nestes comportamentos sociais e que estas moléculas funcionam ligando-se às células através de receptores, que têm várias formas, ditadas pela genética do indivíduo. Por exemplo, a exposição a oxitocina, presente nos comportamentos maternais, aumenta a sociabilidade.
Os cientistas recolheram a saliva de 711 voluntários e analisaram a forma dos receptores de oxitocina e vasopressina, associando esta informação a um questionário sobre se as pessoas consideravam o mundo ameaçador, mas também à sua participação comunitária e grau de envolvimento cívico.
A conclusão foi de que as pessoas que consideravam o mundo ameaçador eram menos solidárias, excepto se tivessem versões dos receptores que se sabe estarem associados à simpatia. Ou seja, certas versões dos receptores ajudavam a vencer a percepção do mundo ameaçador, levando as pessoas a ajudar mais os outros.
Chefiada por Michel Poulin, a equipa reuniu cientistas das universidades de Buffalo e da Califórnia, Irvine, nos EUA. O trabalho, "Neurogenética da Simpatia" foi publicado na revista especializada Psychological Science.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Cientistas identificaram genes associados ao risco de obesidade infantil

Não é novidade: há cada vez mais crianças com excesso de gordura corporal - "pneus" na cintura e rosto, braços e pernas demasiado acolchoados. Embora o estilo de vida sedentário e os maus hábitos alimentares, que começam cada vez mais cedo, contribuam para esta epidemia, pensa-se que, tal como no adulto, também aqui existe uma forte componente hereditária. Mas quais são os factores genéticos que predispõem uma criança, à partida saudável, a tornar-se obesa ainda na infância?
Tirando os casos de obesidade infantil devida a doenças raras, a genética da esmagadora maioria dos casos - ditos de obesidade infantil "comum" - ainda está por desvendar. Struan Grant, do Hospital Pediátrico de Filadélfia, e colegas do consórcio internacional EGG (Early Growth Genetics) descobriram agora dois genes e publicaram ontem os resultados na revista Nature Genetics.
Diga-se, antes de mais, que as bases genéticas da obesidade do adulto também têm sido esquivas. Estima-se que, no adulto, entre 40% e 70% da variabilidade do IMC (índice de massa corporal) depende de factores genéticos. Mas, até agora, apesar de ter sido identificada uma série de variantes genéticas associadas ao IMC nos adultos obesos, isso não chega sequer para explicar 2% da variabilidade do IMC. Ainda tem de haver uma multidão de factores genéticos desconhecidos.
Voltando à genética da obesidade infantil, até aqui, diz Grant num comunicado do seu hospital, "os estudos centravam-se nas formas mais extremas de obesidade, sobretudo associadas a síndromes raras". Mas, com base no novo estudo, "o maior de sempre ao nível de todo o genoma (...), conseguimos identificar claramente e caracterizar uma predisposição genética para a obesidade infantil comum".
Os cientistas reuniram 14 estudos anteriores - totalizando 5530 casos de obesidade infantil e 8300 crianças não obesas, todos de origem europeia. "Para termos dados suficientes, que fornecessem a potência estatística necessária para revelar novos sinais genéticos", explica ainda Grant, "foi preciso (...) combinar os resultados de estudos semelhantes vindos do mundo inteiro".
Conseguiram assim identificar duas variantes genéticas claramente associadas à obesidade infantil: uma situada na proximidade de um gene chamado OLFM4, no cromossoma 13, e outra num gene chamado HOXB5, no cromossoma 17. E também duas outras, embora menos claramente associadas.
O papel que estes genes desempenham no organismo poderá dar novas pistas para a compreensão da doença. "O que sabemos da biologia de três dos genes sugere que o intestino poderá estar envolvido [na genética da doença]", salienta Grant, "embora ainda se desconheça o papel funcional preciso desses genes na obesidade". Para ele, "ainda é preciso muito trabalho, mas estes resultados poderão um dia ajudar a desenvolver futuras intervenções preventivas e tratamentos para as crianças com base no seu genoma individual".
Para Pedro Teixeira, da Faculdade de Motricidade Humana, perto de Lisboa, "um longo caminho ainda resta percorrer até podermos aplicar este conhecimento ao diagnóstico de risco em indivíduos". "Estou certo que esse dia ficará cada vez mais próximo e há muitas linhas promissoras, nomeadamente na interacção entre genes, ambiente e estilo de vida", diz ao PÚBLICO. Contudo, "a prudência nesta matéria deve ser a norma neste momento", acrescenta. "Não na investigação, mas nas expectativas que podem ser criadas."

Fonte: Público