quarta-feira, 18 de abril de 2012

As camas dos orangotangos são obras de engenharia

Os orangotangos ganham aos chimpanzés e gorilas, pelo menos na questão das camas. Entre os grandes símios, os orangotangos são aqueles que fabricam as camas mais elaborados e que duram mais tempo. Mas nunca se tinha estudado aprofundadamente as suas camas, ou ninhos, que permanecem nas árvores da floresta tropical, no arquipélago da Indonésia, depois de os seus donos terem continuado viagem. Agora, uma equipa de cientistas britânicos descobriu que estas estruturas são uma obra de engenharia complexa, a começar na forma como os orangotangos utilizam os galhos das árvores na sua construção.
O estudo, publicado nesta semana na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Science, é da equipa de Roland Ennos, da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
Aparentemente há uma tradição nos grandes símios – chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos –, para construírem ninhos complexos. “Assim que deixam de mamar, todos os grandes símios constroem ninhos quase diariamente”, explica a equipa no artigo. É um processo inato, cujo desempenho melhora quando os indivíduos têm a oportunidade de observar um adulto a fazê-lo. Normalmente, os ninhos são feitos nas árvores, onde o sono é mais descansado, há uma protecção acrescida contra os predadores e menos insectos parasitas.

Particularidades dos primos ruivos
Os orangotangos têm algumas idiossincrasias acrescidas. Evitam construir os ninhos em árvores de fruto, o que pode ser uma táctica para não terem de lidar com bichos que se alimentam destes frutos durante o sono, e têm preferências por certas árvores, talvez devido à sua forma.
Diariamente, sobem a árvores com alturas entre os 11 e 20 metros e em cerca de 15 minutos deixam a sua cama pronta, às vezes com uma versão símia de almofadas e lençóis. “Vimos orangotangos a construir ninhos seguros e confortáveis dobrando, mas não partindo totalmente, ramos grossos que entrelaçavam e a torcer e arrancar ramos mais pequenos para fazer uma espécie de colchão”, explica Roland Ennos, num comunicado. “Parece que aprenderam sobre as propriedades mecânicas da madeira e usam este conhecimento de forma hábil.”
A equipa passou um ano a observar e a filmar orangotangos-de-samatra no centro de investigação de Ketambe, no Parque Nacional de Gunung Leuser, que fica no Noroeste da ilha de Samatra, na região onde restam os últimos 6600 indivíduos da espécie Pongo abelii, criticamente em perigo de extinção.
Os cientistas mediram os ninhos enquanto ainda estavam intactos e observaram as suas formas. São ovais, côncavos e têm, em média, um metro de comprimento e 80 centímetros de largura. A equipa descobriu que, por exemplo, uma fêmea de 38,5 quilos, em média, dormiria uma noite confortável e segura, graças às escolhas criteriosas durante a construção do ninho.
“Os orangotangos escolhem ramos fortes e rígidos para as partes do ninho que suportam o peso, e ramos mais fracos e flexíveis para o revestimento – o que sugere que a escolha dos ramos para diferentes partes do ninho é baseada no diâmetro e na rigidez dos ramos”, defende Ennos. Além disso, a forma como os orangotangos partem os ramos depende também da sua finalidade. Os maiores ficam meio partidos e continuam agarrados às árvores, enquanto os mais pequenos são completamente arrancados.
Os resultados destas escolhas e a forma como os ramos são entrelaçados na estrutura do ninho resulta num centro que é mais flexível e numa região lateral mais rígida. Ou seja, eles dormem numa cama que é simultaneamente confortável e segura. “Isto demonstra que têm algum conhecimento de engenharia”, diz Ennos.
Para o cientista, esta descoberta nos também nossos parentes de pêlo ruivo tem implicações no aparecimento da inteligência, da cognição e no fabrico de ferramentas durante a evolução humana. “O nosso estudo é uma prova que o desenvolvimento destas características começaram nos símios, porque eles precisavam de compreender o ambiente mecânico e não só o ambiente social.”

Fonte: Público

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Demência afeta 35,6 milhões e triplicará até 2050

Mais de 35 milhões de pessoas são afetadas por demência em todo o mundo, número que pode duplicar em 2030 e mais do que triplicar em 2050, mas há falta de informação sobre o problema, alertou hoje a Organização Mundial de Saúde.
Esta doença atinge toda a população, porém, mais de metade (58%) das pessoas com demência vive em países com baixo ou médio rendimento e em 2050 esta percentagem deverá subir aos 70%.
Os custos de tratar e cuidar dos dementes estão estimados em 604 mil milhões de dólares (cerca de 460 mil milhões de euros) por ano, montante que inclui cuidados de saúde e sociais e o apoio aos cuidadores.
No entanto, somente oito países estão a desenvolver programas dedicados à demência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Atualmente, são 35,6 milhões os dementes em todo o mundo, estimando-se que subam aos 65,7 milhões em 2030 e atinjam 115,4 milhões em 2050.
Um relatório publicado pela OMS e pela entidade internacional do Alzheimer denominado "Demência: uma prioridade de saúde pública" recomenda o diagnóstico preventivo tal como a sensibilização pública para a doença e a melhoria dos cuidados e do apoio aos cuidadores.
A OMS realça a falta de diagnóstico como o problema mais relevante mesmo para os países desenvolvidos nos quais somente entre um quinto e metade dos casos de demência estão reconhecidos e controlados.
E quando é feito o diagnóstico, muitas vezes é numa fase avançada da doença.
O relatório aponta ainda a falta de informação e de compreensão da demência, o que cria um estigma na sociedade e leva ao isolamento tanto dos doentes como de quem cuida deles.
"O cuidado público face à demência, os seus sintomas, a importância de ter um diagnóstico e a ajuda disponível para os doentes são muito limitados", uma situação que é necessário alterar, defende o diretor executivo da entidade internacional da doença de Alzheimer, Marc Wortmann, citado num comunicado da OMS.
A demência é normalmente uma doença crónica causada por várias patologias do cérebro que afetam a memória, o pensamento, o comportamento e a capacidade para desempenhar as atividades quotidianas.
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência e as estimativas apontam para que seja responsável por cerca de 70% dos casos.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 15 de abril de 2012

Cientistas contam milhares de pinguins a partir do espaço

Um novo estudo usou satélites para descobrir que existem 595.000 pinguins-imperador na Antárctida, ou seja, duas vezes mais do que se pensava. As conclusões da investigação sobre o impacto das alterações do Ambiente nas populações desta ave icónica foram publicadas na revista PLoS ONE.
“Ficámos encantados por sermos capazes de localizar e identificar tantos pinguins-imperador”, disse o principal autor do estudo, Peter Fretwell, e membro do British Antarctic Survey (BAS). “Contámos 595.000 aves, quase o dobro das estimativas anteriores, entre 270.000 e 350.000 animais. Este é o primeiro censo completo de uma espécie, feito a partir do espaço”, acrescentou.
Uma equipa internacional de cientistas utilizou imagens de satélite de muito alta resolução para estimar o número de pinguins em cada colónia em redor da zona costeira da Antárctida. Com uma nova tecnologia que permite aumentar a resolução das imagens de satélite, a equipa conseguiu diferenciar aves, gelo, sombras e fezes de pinguins (chamado guano). Para calibrar a análise das populações, os cientistas fizeram contagens no terreno e tiraram fotografias aéreas.
O pinguim-imperador nidifica em áreas que são muito difíceis de estudar porque são muito remotas e muitas vezes inacessíveis, com temperaturas que podem descer até aos 50ºC negativos.
“Os métodos que usámos são um enorme avanço na ecologia da Antárctida, porque podemos fazer investigação de forma segura e eficiente, com poucos impactos ambientais”, disse Michelle LaRue, co-autora do trabalho e investigadora da Universidade do Minnesota.
No gelo, estes pinguins com a sua plumagem branca e preta destacam-se no branco da neve e as colónias são claramente visíveis nas imagens de satélite. Isto permitiu à equipa analisar 44 colónias de pinguim-imperador em torno da costa da Antárctida, descobrindo sete até agora desconhecidas.
Os cientistas estão preocupados que, em algumas regiões da Antárctida, Primaveras que chegam mais cedo estejam a fazer desaparecer o gelo no mar, habitat dos pinguins. “As investigações científicas actuais sugerem que as colónias de pinguim-imperador serão gravemente afectadas pelas alterações climáticas”, acrescentou o biólogo Phil Trathan, do BAS, e outro co-autor do estudo. “Um censo rigoroso à escala do continente pode ser facilmente repetido regularmente para nos ajudar a monitorizar os impactos das mudanças futuras nesta espécie icónica.”
A investigação resultou da colaboração do BAS, da Universidade do Minnesota/National Science Foundation, do Instituto de Oceanografia Scripps e da Divisão Antárctida Australiana.

Fonte: Público

sábado, 14 de abril de 2012

Cães são contagiados pelo bocejo dos humanos

Os cães também são contagiados pelo bocejo dos humanos e reagem mais se for o seu dono, uma característica que pode refletir empatia e ser útil na seleção dos animais para ajudar em determinadas situações.
A investigadora Joana Bessa, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto, partiu de estudos já realizados sobre o bocejar contagiante, mas que tinham obtido resultados divergentes, e tentou encontrar provas de que estes animais podiam "apanhar" os bocejos humanos.
Com a colaboração de Karine Silva e Liliana de Sousa, a cientista conseguiu "resultados positivos" e concluiu que "havia contágio por parte dos cães mas também havia uma modelação social".
"Tentámos replicar os estudos para perceber se encontrávamos provas de que os cães podiam apanhar os bocejares dos humanos, mas tentámos também perceber se havia influência da empatia", explicou Joana Bessa à agência Lusa.
"Os cães bocejavam mais quando ouviam o bocejar de pessoas conhecidas, dos donos, face a pessoas desconhecidas, e surge a hipótese de que os cães poderão ter alguma empatia relativamente aos humanos", referiu Joana Bessa.
Participaram no estudo 29 cães que foram expostos a sons de bocejos. A opção por evitar o contacto visual teve como objetivo afastar a hipótese de ser uma simples imitação do gesto que viam na pessoa.
Os cães ouviram sons de pessoas diferentes, dos donos e de pessoa desconhecida, e um som de controlo (artificial), distribuídos por sessões separadas por sete dias.
A provar-se em futuros estudos determinadas características dos cães, como a personalidade ou a existência de relação com a empatia, será possível tentar utilizar essas formas para escolher animais mais adaptados a certas situações, como os cães de ajuda, avançou a investigadora.
Os cães ou os cavalos ajudam, por vezes, nos tratamentos de crianças ou adultos com deficiências criando uma relação de confiança, sendo os mais conhecidos os casos de cegueira.
Joana Bessa acrescentou que, se for provado que a empatia está relacionada com o bocejar contagiante, essa informação "pode ser aplicada a várias espécies".
O longo processo de domesticação dos cães poderá fazer com que tenham uma ligação mais próxima com os humanos, tendo igualmente influência nesta capacidade empática, admitiu.
Este trabalho será publicado na revista Animal Cognition e é uma das comunicações previstas para o 9ºCongresso Nacional de Etologia, que hoje se inicia em Lisboa e conta com a participação de vários especialistas em comportamento animal.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 13 de abril de 2012

China promete curas com células estaminais apesar do cerco das autoridades

A China tornou-se num imenso mercado para as empresas que prometem curas com células estaminais para doenças como Alzheimer, Parkinson, diabetes, esclerose múltipla ou autismo. Apesar da inexistência de provas sobre a eficácia destas terapias, milhares de pessoas arriscam a sua sorte. Pequim está a tentar pôr cobro a esta farsa, mas até agora sem sucesso.
Três meses depois de o Ministério da Saúde chinês ter aumentado os seus esforços para erradicar o uso clínico de tratamentos não eficazes com células estaminais, uma investigação da revista “Nature” revela que múltiplas empresas e clínicas em vários pontos do país continuam a ficar com o dinheiro de doentes em troca de terapias cuja eficácia ainda está por provar.
Estas clínicas publicitam casos de doentes que dizem ter experimentado benefícios dos tratamentos e alguns destes centros até têm instalações associadas a complexos hospitalares, dando-lhes uma aparência de legitimidade que, de acordo com a Nature, é falsa. “Peritos em células estaminais contactados pela revista insistem que este estas terapias não estão em fase de poder ser usadas clinicamente e que algumas terapias poderão até pôr em risco a saúde dos doentes”, escreve a revista, sublinhando, porém, que o Governo chinês está a lutar contra este tipo de práticas.
As células estaminais têm a capacidade de originar vários tipos de células do organismo, o que as torna promissoras na regeneração de tecidos, nomeadamente em doenças neurodegenerativas. Mas até esses tratamentos serem uma realidade, ainda há muita investigação científica de base pela frente.
A partir de Janeiro deste ano, reconhecendo que esta situação estava a perder o controlo - apesar de, em 2009, já ter classificado estes tratamentos de “alto risco” -, Pequim anunciou um pacote de medidas para este tipo de actividade, obrigando as empresas e clínicas a registarem-se junto das autoridades para poderem levar a cabo as suas práticas. Paralelamente, o Ministério da Saúde pediu às autoridades sanitárias locais que pusessem cobro, nas respectivas regiões, a qualquer actividade não aprovada envolvendo células estaminais. O Governo lançou ainda uma moratória para novos ensaios clínicos e argumentou que os doentes já envolvidos em terapias não deveriam pagar esses tratamentos.
Até agora, porém, toda esta repressão por parte das autoridades tem-se revelado ineficaz, revela a Nature.
De acordo com um porta-voz do Ministério da Saúde, nem uma clínica se registou junto das autoridades da forma correcta e a Nature descobriu que muitas continuam no mercado, a oferecer este tipo de tratamentos.
A WA Optimum Health Care é uma destas clínicas. Está instalada numa das zonas mais prósperas de Xangai e oferece um tratamento entre quatro e oito injecções de células estaminais (o preço de cada injecção varia entre os 3600 e os 6000 euros) para tratar a doença de Alzheimer. A terapia contra o autismo pode ser ainda mais cara, revela David Cyranski, autor da investigação.
Outra clínica (Tong Yuan Stem Cell) assegura ter já tratado mais de 10 mil doentes que padeciam de diversas enfermidades e indica que a sua terapia para o autismo, por exemplo, dura um ano e tem por base quatro injecções de células estaminais de fetos abortados.
“Essas clínicas afirmam ter êxito, mas até agora nenhuma publicou dados com grupos de controlo”, frisou Cyranski.
O problema é tão grave que a Nature dedica um editorial ao assunto, chegando a comparar esta situação à prática da lobotomia, há quase um século.
Diversos peritos internacionais frisam que estes tratamentos poderão provocar doenças auto-imunes e até alguns tipos de cancros.
Precisamente porque as doenças que este tipo de tratamentos prometem resolver são muito graves, estas empresas e clínicas - que se anunciam livremente online - atraem milhares de pessoas de todo o mundo. Algumas delas até afirmam ter parcerias com centros de investigação norte-americanos, como a Universidade de Harvard ou a Universidade da Califórnia, que negam rotundamente semelhantes relações.

Fonte: Público