domingo, 22 de abril de 2012

Abelhas também são "intelectuais"

Investigadores franceses ficaram surpreendidos com as habilidades destes insetos.
Ainda que de uma dimensão minúscula, o cérebro das abelhas é capaz de grandes e inesperadas proezas, como verificou um grupo de investigadores franceses do Centre National de Recherche Scientifique (CNRS), que descobriu que estes insetos conseguem estabelecer relações entre objetos, o primeiro passo para a elaboração de conceitos abstratos.
Num artigo publicado ontem na revista PNAS, o grupo coordenado por Martin Giurfa, da universidade Toulouse III Paul Sabater, afirma que as abelhas têm em conta as relações entre objetos, como a sua localização espacial - por exemplo, em cima, em baixo, ao lado -, uma capacidade que se pensava ser apenas possível para os cérebros maiores como são os dos mamíferos.
A descoberta, que é "totalmente inesperada", como a própria equipa a descreve, vem pôr em questão a ideia de que "a elaboração do conhecimento conceptual" implica necessariamente um cérebro tão elaborado como o cérebro humano.
"O que é notável", afirmou o coordenador do estudo à AFP, "é que elas [as abelhas] conseguem mesmo utilizar dois conceitos diferentes para tomar uma decisão perante uma situação nova".
Para chegar a esta conclusão surpreendente, os investigadores testaram abelhas que deviam chegar até um líquido doce ou amargo (este a evitar) através de orifícios colocados entre imagens, cuja posição variava, mantendo no entanto a relação "em cima" ou "ao lado", relativamente aos orifícios associados à recompensa, ou à punição.
"Depois de 30 ensaios, as abelhas reconheciam sem problema a relação espacial que as guiava para o orifício certo, mesmo quando as imagens mudavam", afirmou Martin Giurfa, sublinhando que "esta manipulação de conceitos é afinal possível na ausência de linguagem, e apesar de estarmos perante uma arquitetura neuronal miniaturizada".
Estes resultados, escrevem os autores no artigo, "colocam assim em causa numerosas teorias em domínios como a cognição animal, a psicologia humana ou as neurociências e a inteligência artificial", já que a exigência de um cérebro muito complexo para produzir esses conceitos muito elaborados cai por terra.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 21 de abril de 2012

Cientistas conseguem fazer crescer pêlos em ratinhos carecas

O elixir da eterna juventude vem aos pedaços. Agora, uma equipa japonesa conseguiu fazer crescer pêlos em ratinhos carecas, com todas as funções. Este desenvolvimento foi feito usando células estaminais adultas da pele, que têm capacidade de originar vários tipos de células. Publicado na última edição da revista Nature Communications, o trabalho é um passo para o fim da calvície.
O segredo foi apostar nas estruturas que dão origem aos folículos capilares - os pequenos invólucros, que existem na pele, de onde nascem os pêlos do corpo e da cabeça.
A formação dos folículos só ocorre durante o desenvolvimento do feto e, quando esta estrutura desaparece, a sua substituição não é possível e os pêlos deixam de crescer.
Mas, até lá, existem células que envolvem o folículo e que durante toda a vida vão produzindo pêlos ciclicamente. A equipa de cientistas, liderada por Takashi Tsuji, da Universidade de Ciências de Tóquio, utilizou as células dos folículos para fazer crescer pêlos. Os cientistas trabalharam com dois tipos de células estaminais dos folículos, umas que estão por baixo da raiz do pêlo e outras mais acima, ao lado do pêlo.
No laboratório, os cientistas juntaram as duas populações de células de ratinho e criaram uma bolinha de células que implantaram na pele de ratinhos carecas. Passados 14 dias, 74% dos 62 animais tratados tinham um tufo de pêlos a crescer saudavelmente no dorso.

Boa densidade capilar

Apesar da "plantação" ter resultado, quase todos os pêlos não tinham pigmentação. Ou seja, nasceram brancos. Mas a equipa conseguiu obter pêlos escuros, adicionando à bolinha células que produziam pigmentos.
Mais: os folículos capilares que se desenvolveram tinham ligações nervosas, glândulas sebáceas e fibras musculares associadas, o que permite que os pêlos se ericem, como acontece quando temos frio.
Tal como os folículos naturais, a equipa de Takashi Tsuji verificou ainda que os novos folículos originavam ciclos de crescimento e de morte dos pêlos. Estes ciclos, refere Tsuji num comunicado, mantiveram-se durante quase um ano.
"Pensamos que os folículos capilares construídos por bioengenharia podem funcionar durante o tempo médio de vida", diz. É assim uma plantação duradoura.
Numa outra experiência, os cientistas testaram o que aconteceria se construíssem bolinhas com células de folículos capilares de um homem com alopécia, o nome técnico da calvície, comum no sexo masculino.
Implantaram essas células nos ratinhos e, em 21 dias, cresceu cabelo escuro. Um resultado que é animador para o tratamento deste problema.
Para testar se seria possível ter uma densidade capilar boa, o que significa entre 60 a 100 pêlos por centímetro quadrado, a equipa fez ainda outra experiência: implantou 28 bolinhas de células de ratinho num centímetro quadrado da pele de três animais. E obteve bons números: em média, nasceram 124 pêlos.
"Estes resultados indicam que o transplante de folículos capilares feitos através da bioengenharia podem ser aplicados no tratamento da alopécia", conclui o artigo.
Num comentário feito na revista Nature, Mayumi Ito, dermatologista de Nova Iorque, sublinha que este é o primeiro relato da reconstituição de folículos capilares com células humanas. Para Mayumi Ito, falta agora a equipa mostrar que consegue disseminar os folículos capilares numa região maior.

Fonte: Público

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Falar sozinho não tem de ser mau sinal

Psicólogos verificaram que isso às vezes ajuda a encontrar o que se procura.
Falar sozinho não é necessariamente um sinal de que se está a ficar lunático. Quem o diz são psicólogos que estudaram este comportamento em crianças e adultos e verificaram que, em determinadas situações, como procurar um objeto em casa, ou um produto no supermercado, isso ajuda a encontrar mais rapidamente o que se procura, segundo um artigo publicado no Quarterly Journal of Experimental Psychology.
É claro que falar sozinho parece de repente um pouco bizarro. Então porque é as pessoas o fazem com tanta frequência?
Foi esta a pergunta que os psicólogos norte-americanos Gary Lupyan e Daniel Swingley, respetivamente das universidades de Wisconsin-Madison e da Pensilvânia, se propuseram responder e os resultados das suas investigações acabam por ser um alívio para quem às vezes se surpreende a si próprio nesses preparos.
Nas experiências realizadas pelos dois investigadoress, os participantes tinham de procurar determinados produtos num supermercado e numa das situações, deviam dizer alto os nomes desses produtos. Em resultado disso, verificaram os psicólogis, as pessoas conseguiam encontrar mais depressa o que procuravam.
Este comportamento é habitual nas crianças, por exemplo quando têm de desempenhar uma tarefa, e os psicólogos pensam que isso lhes serve para se concentrarem e poderem ser mais eficazes na realização da tarefa. Porvavelçmente, nos adultos, o princípio é o mesmo.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 18 de abril de 2012

As camas dos orangotangos são obras de engenharia

Os orangotangos ganham aos chimpanzés e gorilas, pelo menos na questão das camas. Entre os grandes símios, os orangotangos são aqueles que fabricam as camas mais elaborados e que duram mais tempo. Mas nunca se tinha estudado aprofundadamente as suas camas, ou ninhos, que permanecem nas árvores da floresta tropical, no arquipélago da Indonésia, depois de os seus donos terem continuado viagem. Agora, uma equipa de cientistas britânicos descobriu que estas estruturas são uma obra de engenharia complexa, a começar na forma como os orangotangos utilizam os galhos das árvores na sua construção.
O estudo, publicado nesta semana na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Science, é da equipa de Roland Ennos, da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
Aparentemente há uma tradição nos grandes símios – chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos –, para construírem ninhos complexos. “Assim que deixam de mamar, todos os grandes símios constroem ninhos quase diariamente”, explica a equipa no artigo. É um processo inato, cujo desempenho melhora quando os indivíduos têm a oportunidade de observar um adulto a fazê-lo. Normalmente, os ninhos são feitos nas árvores, onde o sono é mais descansado, há uma protecção acrescida contra os predadores e menos insectos parasitas.

Particularidades dos primos ruivos
Os orangotangos têm algumas idiossincrasias acrescidas. Evitam construir os ninhos em árvores de fruto, o que pode ser uma táctica para não terem de lidar com bichos que se alimentam destes frutos durante o sono, e têm preferências por certas árvores, talvez devido à sua forma.
Diariamente, sobem a árvores com alturas entre os 11 e 20 metros e em cerca de 15 minutos deixam a sua cama pronta, às vezes com uma versão símia de almofadas e lençóis. “Vimos orangotangos a construir ninhos seguros e confortáveis dobrando, mas não partindo totalmente, ramos grossos que entrelaçavam e a torcer e arrancar ramos mais pequenos para fazer uma espécie de colchão”, explica Roland Ennos, num comunicado. “Parece que aprenderam sobre as propriedades mecânicas da madeira e usam este conhecimento de forma hábil.”
A equipa passou um ano a observar e a filmar orangotangos-de-samatra no centro de investigação de Ketambe, no Parque Nacional de Gunung Leuser, que fica no Noroeste da ilha de Samatra, na região onde restam os últimos 6600 indivíduos da espécie Pongo abelii, criticamente em perigo de extinção.
Os cientistas mediram os ninhos enquanto ainda estavam intactos e observaram as suas formas. São ovais, côncavos e têm, em média, um metro de comprimento e 80 centímetros de largura. A equipa descobriu que, por exemplo, uma fêmea de 38,5 quilos, em média, dormiria uma noite confortável e segura, graças às escolhas criteriosas durante a construção do ninho.
“Os orangotangos escolhem ramos fortes e rígidos para as partes do ninho que suportam o peso, e ramos mais fracos e flexíveis para o revestimento – o que sugere que a escolha dos ramos para diferentes partes do ninho é baseada no diâmetro e na rigidez dos ramos”, defende Ennos. Além disso, a forma como os orangotangos partem os ramos depende também da sua finalidade. Os maiores ficam meio partidos e continuam agarrados às árvores, enquanto os mais pequenos são completamente arrancados.
Os resultados destas escolhas e a forma como os ramos são entrelaçados na estrutura do ninho resulta num centro que é mais flexível e numa região lateral mais rígida. Ou seja, eles dormem numa cama que é simultaneamente confortável e segura. “Isto demonstra que têm algum conhecimento de engenharia”, diz Ennos.
Para o cientista, esta descoberta nos também nossos parentes de pêlo ruivo tem implicações no aparecimento da inteligência, da cognição e no fabrico de ferramentas durante a evolução humana. “O nosso estudo é uma prova que o desenvolvimento destas características começaram nos símios, porque eles precisavam de compreender o ambiente mecânico e não só o ambiente social.”

Fonte: Público

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Demência afeta 35,6 milhões e triplicará até 2050

Mais de 35 milhões de pessoas são afetadas por demência em todo o mundo, número que pode duplicar em 2030 e mais do que triplicar em 2050, mas há falta de informação sobre o problema, alertou hoje a Organização Mundial de Saúde.
Esta doença atinge toda a população, porém, mais de metade (58%) das pessoas com demência vive em países com baixo ou médio rendimento e em 2050 esta percentagem deverá subir aos 70%.
Os custos de tratar e cuidar dos dementes estão estimados em 604 mil milhões de dólares (cerca de 460 mil milhões de euros) por ano, montante que inclui cuidados de saúde e sociais e o apoio aos cuidadores.
No entanto, somente oito países estão a desenvolver programas dedicados à demência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Atualmente, são 35,6 milhões os dementes em todo o mundo, estimando-se que subam aos 65,7 milhões em 2030 e atinjam 115,4 milhões em 2050.
Um relatório publicado pela OMS e pela entidade internacional do Alzheimer denominado "Demência: uma prioridade de saúde pública" recomenda o diagnóstico preventivo tal como a sensibilização pública para a doença e a melhoria dos cuidados e do apoio aos cuidadores.
A OMS realça a falta de diagnóstico como o problema mais relevante mesmo para os países desenvolvidos nos quais somente entre um quinto e metade dos casos de demência estão reconhecidos e controlados.
E quando é feito o diagnóstico, muitas vezes é numa fase avançada da doença.
O relatório aponta ainda a falta de informação e de compreensão da demência, o que cria um estigma na sociedade e leva ao isolamento tanto dos doentes como de quem cuida deles.
"O cuidado público face à demência, os seus sintomas, a importância de ter um diagnóstico e a ajuda disponível para os doentes são muito limitados", uma situação que é necessário alterar, defende o diretor executivo da entidade internacional da doença de Alzheimer, Marc Wortmann, citado num comunicado da OMS.
A demência é normalmente uma doença crónica causada por várias patologias do cérebro que afetam a memória, o pensamento, o comportamento e a capacidade para desempenhar as atividades quotidianas.
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência e as estimativas apontam para que seja responsável por cerca de 70% dos casos.

Fonte: Diário de Notícias