sexta-feira, 11 de maio de 2012

Descoberto o mais antigo calendário maia

O calendário maia mais antigo fica no n.º 54 da povoação de Xultún.
Xultún fica na Guatemala, na América Central. É um local arqueológico da antiga civilização maia, que foi descoberto em 1905, mas passados mais de cem anos continua muito pouco estudado, e por isso pronto a revelar surpresas. Desde 2010 que uma equipa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, está a estudar uma das casas do complexo, e encontrou pinturas da época clássica dos maias e o calendário mais antigo desta civilização, escrito nas paredes interiores da casa. A descoberta é publicada hoje na revista Science.
A casa está no meio de floresta tropical, e a envolvente que fica a poucos quilómetros da pirâmide de Tikal, no Norte da Guatemala, parece-se mais com uma habitação dos pequenos hobbits. Está um metro abaixo da superfície e nada tem que ver com as imponentes estruturas arquitectónicas desta civilização, que não sobreviveu à chegada dos europeus em 1492.
A povoação de Xultún estava habitada muito antes do derramamento de sangue que aconteceu com a vinda dos espanhóis. As pinturas desta casa, estudada por William Saturno e colegas, deverão ser do início do século IX d.C., mais precisamente do ano 813 ou 814, o que corresponde à época clássica dos maias, iniciada no ano 300 e que finda em 950.
Nesta altura, a povoação deveria ter dezenas de milhares de pessoas. A casa é mais uma de um complexo habitacional extenso. Tem o número 54, dado pelos investigadores da Universidade de Harvard que, na década de 1970, cartografaram parte do local. Numeraram apenas até à casa 56, há mais alguns milhares que ainda não têm número.
Mas o n.º 54 revelou mais do que o esperado. A estrutura já tinha sido saqueada, muito provavelmente por ladrões de túmulos. Por isso, parte do seu interior estava à mercê dos elementos da natureza e dos mosquitos. “Quando a vimos, pensámos: ‘Vamos entrar e ver o que resta e, se não houver nada, ao menos ficamos a saber o tamanho da divisão’”, disse William Saturno, da Universidade de Boston, numa entrevista num podcast da Science. Em 2010 e 2011, a equipa esteve primeiro a desenterrar a casa e depois a estudar as pinturas surpreendentes que encontrou.

Três paredes recheadas

A divisão tem 1,95 por 1,8 metros, e uma altura de três metros. O tecto é encurvado e, ao longo da divisão, há um banco de pedra que serviria de assento. “Pensamos que esta casa foi utilizada para a escrita. Está ligada a um complexo utilizado por escribas maias”, explica William Saturno.
A equipa chegou a estas conclusões depois de ver as pinturas. Quem entra na pequena casa encontra na parede à esquerda três figuras pretas sentadas, de tamanho natural, que olham para a parede mesmo à frente da porta de entrada. Nesta parede está um homem pintado de cor de laranja, com um estilete. Provavelmente, seria um escriba e tinha a mão esticada para outra figura mais imponente — devia ser o rei de Xultún —, o que mostra a relação entre quem vivia ali e a família real. As figura “estão envolvidas numa narrativa, em que o rei personifica uma divindade maia”, diz William Saturno.
Apesar de estes desenhos serem uma surpresa, não são uma novidade em relação ao que se conhece da época. O que é “fantástico”, nas palavras do arqueólogo, são os hieróglifos milimétricos escritos a preto e vermelho ao lado da pintura do rei e na parede à direita, que representam contagens de dias. Os famosos calendários maias já conhecidos, com os ciclos da Lua, de Marte e Vénus, como o códice de Dresden ¬— escrito em “papel” feito de casca de figueira —, são do período pós-clássico. O códice de Dresden é do século XI ou XII. Estas novas tabelas, do início do século IX, são assim mais antigas.
“Pela primeira vez, pudemos ver como eram os registos de um escriba”, disse Saturno. “Pareciam usar [as paredes] como um quadro de escola.” As tabelas, que não estão relacionadas com as pinturas, representam os calendários maias referentes aos ciclos de 260 dias das suas cerimónias, assim como os ciclos de 365 dias do Sol, 584 dias de Vénus e 780 dias de Marte destes astros no céu.
As tabelas têm colunas de números representados por pontos e travessões. O cientista refere que estes registos mais antigos não são tão correctos como os do códice de Dresden, que revela uma contagem aperfeiçoada dos dias até aos próximos eclipses lunares. Mas reflectem uma forma de olhar o mundo. “Os antigos maias previam que o mundo ia continuar e que daqui a 7000 anos as coisas iriam ser exactamente como agora”, diz William Saturno. “Continuamos sempre à procura de fins para as coisas. Mas os maias procuravam uma garantia de que nada iria mudar. Tinham uma forma de pensar completamente diferente.”

Fonte: Público

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Estranha criatura ou placenta de baleia?

Foi capturado um vídeo com uma estranha criatura subaquática. As opiniões dos cientistas divergem e enquanto uns dizem que pode apenas tratar-se de placenta de baleia, outros afirmam que se trata de um exemplar de uma espécie de medusa.
Circula na Internet um vídeo do que pode ser uma estranha criatura, não se sabendo ao certo a sua origem. Meio milhão de pessoas já viram o vídeo e os rumores dispararam em flecha.
Alguns cientistas afirmam que se trata de uma Deepstaria Enigmatica, uma espécie de medusa com cerca de 60 cm de diâmetro, que vive nas profundezas marítimas e já tinha sido descrita em 1967 por F.S. Russell, o falecido biólogo marinho.
Rapidamente surgiram outras teorias, um pouco mais mirabolantes, que garantem tratar-se de um Cthulhu, uma criatura fictícia, inventada pelo escritor Howard Phillips Lovecraft.
Ainda que possa tratar-se de uma Deepstaria Enigmatica, outros investigadores são da opinião de que poderá ser ainda uma Gigantea Stygiomedusa, uma espécie que poderá medir quase seis metros.
Alguns cientistas afirmam tratar-se apenas de placenta de baleia ou até de redes de pescadores.
Por enquanto, permanece o mistério em relação à origem deste objeto ou ser não identificado.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Aberta porta para uma vacina universal contra a gripe

Todos os anos, é preciso tomar uma nova vacina para o vírus da gripe sazonal, porque ele sofreu entretanto modificações, que levam as vacinas anteriores a deixarem de funcionar. Uma equipa canadiana descobriu agora que a vacina de 2009 para o vírus H1N1, ou vírus da gripe suína, conseguiu desencadear a produção pelo sistema imunitário de anticorpos contra uma série de estirpes do vírus da gripe – incluindo o letal vírus da gripe das aves, ou H5N1.
Em 2009, a pandemia do vírus da gripe suína matou mais de 14 mil pessoas em todo o mundo. Foi uma pandemia diferente, porque os seres humanos nunca tinham sido antes expostos a um vírus semelhante a esse. Foi também a vacina produzida contra esta infecção que permitiu a descoberta anunciada esta terça-feira, na revista Immunology pela equipa de John Schrader, da Universidade da Colúmbia Britânica.
O vírus da gripe contém à superfície uma proteína, a hemaglutinina (HA), que é como se tivesse uma cabeça e uma cauda. “O vírus da gripe liga-se às células humanas através da cabeça da HA, como uma ficha a uma tomada eléctrica”, explica Schrader, citado num comunicado da sua universidade. “As vacinas da gripe actuais têm como alvo a cabeça da HA para evitar a infecção. Mas como o vírus da gripe sofre mutações muito rápidas, esta parte da HA muda constantemente, daí a necessidade de diferentes vacinas a cada estação da gripe.”
Ora, a equipa percebeu que a vacina para o vírus H1N1 induzia o sistema imunitário a produzir anticorpos capazes de combater diferentes estirpes, o que conferiu uma protecção alargada (as vacinas têm partes dos agentes infecciosos, para forçar o organismo a produzir anticorpos específicos contra eles). “Isto aconteceu porque, em vez de atacarem a cabeça mutável da HA, os anticorpos ligaram-se à sua cauda, neutralizando o vírus da gripe”, explicou Schrader. “A cauda desempenha um papel essencial na penetração do vírus na célula e não muda entre as diferentes estirpes do vírus.”
Embora diga que nesta descoberta pode estar o início do desenvolvimento de uma vacina universal, o investigador é cauteloso: diz que o sistema imunitário torna difícil a produção dessa vacina, lembrando que foi pelo vírus de 2009 ser diferente que essa protecção alargada se verificou. Se uma futura vacina misturar vírus que não circulem entre os humanos, mas nos animais, talvez se consiga esse efeito protector de largo espectro. Nesse dia, a gripe que todos os Invernos nos leva à cama poderá tornar-se apenas uma lembrança do passado.

Fonte: Público

terça-feira, 8 de maio de 2012

Meningite: Investigadores mais perto de descobrir vacina

Um grupo de investigadores de uma universidade australiana afirma estar mais perto de desenvolver uma vacina contra um tipo de meningite, que ataca maioritariamente na Europa e na América do Norte e mata anualmente centenas de pessoas.
Testes feitos em adolescentes na Austrália, Polónia e Espanha demonstraram que estes desenvolviam imunidade sem grandes efeitos secundários, de acordo com um estudo publicado na revista médica "The Lancet Infectious Diseases".
Depois de lhes ser administrada a vacina, os membros do grupo de teste geraram anticorpos que são ativos contra 90 por cento das estirpes de meningite do grupo B, que afetam os Estados Unidos e a Europa.
"Os dados sugerem que esta vacina é uma promissora e amplamente protetora da doença meningocócica do subgrupo B", afirmou o primeiro autor do estudo, Peter Richmond, da Escola de Pediatria e Saúde da Criança da Universidade do Oeste da Austrália.
A meningite, uma inflamação das películas que envolvem o cérebro e a espinal medula, atinge sobretudo adolescentes e tem uma taxa de mortalidade entre os cinco e os 14 por cento.
Muitos dos que sobrevivem à doença ficam com danos neurológicos permanentes e perda de audição.
Há vacinas contra os tipos A e C de meningite, mas nenhuma delas é eficaz contra as estirpes do subgrupo B, prevalentes maioritariamente em países industrializados.
"Os resultados demonstraram que três doses produziram uma resposta imunitária, o que indica proteção, em 80 a 100 por cento dos adolescentes", refere um comunicado.
Os autores da investigação referiram que irão realizar mais testes para determinar a duração da proteção dada pela vacina.
"Se testes adicionais mostrarem imunogenicidade (a capacidade de produzir uma resposta imunitária) e tolerabilidade, esta vacina pode ajudar a reduzir a carga global da doença meningocócica invasiva".

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cabelo loiro dos habitantes das Ilhas Salomão deve-se a um gene nativo

O que é que faz um geneticista, deitado na praia numa ilha paradisíaca do Pacífico a ver crianças a brincar, quando repara na profusão de pequenas cabeças loiras à sua volta? "Calcula a frequência das crianças com essa cor de cabelo e pensa: "Uau! É de 5 a 10%!"", diz Sean Myles, que ficou fascinado com a questão em 2004, durante uma viagem às Ilhas Salomão, situadas a leste da Papuásia-Nova Guiné. Agora, anos mais tarde, Myles e a sua equipa da Universidade de Stanford (Estados Unidos), juntamente com colegas da Universidade de Bristol (Reino Unido), conseguiram explicar por que é que há tantos loiros naquele país da Melanésia.
A explicação não podia ser mais simples - e não se trata, ao que tudo indica, nem de uma resposta à exposição solar nem de um efeito da dieta local, rica em peixe, como os próprios habitantes dessas ilhas especulam. Esta característica física, tanto mais invulgar quanto os habitantes das Ilhas Salomão são a população não africana com a pele mais escura do planeta, deve-se a uma variação genética num único gene.
Mais: essa variante é nativa daquela região e é portanto diferente da variante genética responsável pelo cabelo loiro dos europeus do Norte - a outra região do mundo com a maior percentagem de loiros naturais.
Os resultados, publicados hoje na revista Science, constituem "um dos mais belos exemplos até à data do mapeamento de um traço genético simples nos seres humanos", comenta David Reich, um especialista da Universidade de Harvard que não participou no estudo, citado por um comunicado de Stanford.
O fascínio de Myles perdurou e, em 2009, o investigador voltou às Ilhas Salomão com Nicholas Timpson (de Bristol) para estudar as bases genéticas dessa singularidade capilar da população. Juntos, relata o mesmo comunicado, os dois cientistas "andaram de aldeia em aldeia, explicando o que queriam fazer e pedindo autorização para recolher dados, com Myles a falar o pidgin [um crioulo primitivo] das Ilhas Salomão". Falam-se lá dezenas de línguas diferentes (o que faz desta nação uma das mais diversas do mundo em termos linguísticos) e o pidgin é a mais compreendida por todos.
Quando o chefe local dava a luz verde, os cientistas recrutavam os participantes, avaliavam a cor da pele e do cabelo com a ajuda de um instrumento óptico, mediam a pressão arterial, a altura e o peso de cada um e pediam-lhes para cuspir dentro de um tubinho para depois poderem extrair e analisar o ADN da saliva. Num mês, recolheram assim mais de 1200 amostras.

Como na Irlanda
Já em 2010, em Stanford, juntamente com Carlos Bustamante e Eimear Kenny, a equipa seleccionou as amostras de saliva de 43 loiros e de 42 dos voluntários mais morenos e Kenny realizou uma análise de associação genética à escala do genoma (genome-wide association study).
Como a maior parte dos traços físicos humanos costumam ser o resultado de uma combinação de factores genéticos e ambientais, não esperavam ver nada de muito conclusivo. Em vez disso, Eimear Kenny deu de caras com "um único sinal, muito forte" no cromossoma 9, que permitia explicar 50% da variabilidade da cor do cabelo dos nativos das Ilhas Salomão. O gene em causa chama-se TYRP1, comanda o fabrico de uma enzima que se sabe influir na pigmentação no ratinho e no ser humano - e a variante agora descoberta neste gene na população das Ilhas Salomão não está presente nos genomas dos europeus. "Portanto, esta característica do cabelo loiro surgiu independentemente na Oceânia equatorial, o que é bastante inesperado e fascinante", diz a cientista, salientando ainda que "a frequência [de loiros nas Ilhas Salomão] é mais ou menos igual à do sítio onde nasci" - a Irlanda.
"O cabelo naturalmente loiro é um traço surpreendentemente invulgar nos humanos e está tipicamente associado às populações dos países escandinavos e do Norte da Europa", diz por seu lado Timpson, citado por um comunicado da Universidade de Bristol. Este cientista não é tão afirmativo como a sua colega, salientando que "a questão de sabermos se esta variação genética se deveu à evolução ou a uma hibridação recente requer estudos mais aprofundados".
Seja como for, hoje em dia, a maior parte dos estudos de associação genética é feita em populações de origem europeia. Daí que estes resultados ponham em evidência, segundo Bustamante, a importância de realizar também estudos genéticos em populações isoladas. "Se queremos desenvolver a próxima geração de tratamentos médicos com base na informação genética e não incluímos um leque suficientemente amplo de populações, poderíamos acabar por beneficiar desproporcionadamente algumas e prejudicar outras."

Fonte: Público