terça-feira, 15 de maio de 2012

Desenvolvido implante sem fios para a retina

Cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, desenvolveram um implante para a retina que não necessita nem de cabos de ligação, nem de uma bateria que lhe forneça energia. Funciona com infravermelhos – como o comando de controlo remoto de um televisor –, só que, neste caso, a radiação transmite tanto a informação visual como a energia ao dispositivo colocado na parte de trás do olho.
Revelado na revista Nature Photonics, pela equipa de James Loudin, o dispositivo apenas foi aplicado em ratos, para mostrar que funciona com radiação infravermelha. Mas este implante sem fios é considerado mais um passo para restaurar a visão em pessoas com doenças que danificam a retina.
Este “olho biónico” é constituído por várias partes: um dispositivo implantado na retina dos ratos; por uma câmara minúscula nuns óculos especiais; um computador de bolso que processa as imagens captadas; e, por fim, por um sistema que projecta as imagens no implante, através de flashes de infravermelhos. Ao receber estes impulsos, o dispositivo estimula a retina, explica uma notícia no site da revista Nature.
Desta forma, escreve a revista, simplifica-se o que é necessário pôr dentro do olho, incluindo os cabos, que ligam uma bateria atrás da orelha ao próprio implante. Até ao momento, 66 pessoas na Europa e nos Estados Unidos receberam os implantes actualmente existentes para a retina, ainda com muitas limitações. “Os cirurgiões vão ficar contentes connosco. Temos um único implante. As outras abordagens requerem que grandes peças de equipamento sejam enfiadas no corpo, com um a dois centímetros”, diz James Loudin, citado pela Nature.

Fonte: Público

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lince ibérico pode ser solução para áreas desertificadas

A ministra do Ambiente defendeu hoje que a reintrodução do lince ibérico em território nacional pode atrair pessoas para zonas desertificadas, mas alertou para a necessidade da coexistência equilibrada da espécie com a caça e a agricultura.
"O grande desafio é conseguir uma compatibilização dos usos no mesmo território de forma equilibrada", referiu Assunção Cristas, sublinhando que as regiões para aonde está prevista a introdução do lince serão valorizadas economicamente.
Segundo a governante, a coexistência da espécie com a caça, a agricultura e outras atividades permitirá a existência de um território mais "rico", "ordenado" e "com capacidade para atrair gente".
A ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, falava hoje à margem da apresentação da implementação do Plano de Ação do Lince Ibérico, no centro nacional de reprodução daquele animal, em Silves.
O projeto que está a ser desenvolvido em cooperação com Espanha consiste na reprodução em cativeiro daquela espécie, com o intuito de inverter o seu processo de declínio e recuperar os núcleos que antes existiam.
Só este ano nasceram no centro de Silves 21 crias de lince ibérico (quatro não sobreviveram), uma taxa de sucesso, já que na anterior época reprodutiva, que decorre entre dezembro e março, nenhuma das crias sobreviveu.
Em menos de um ano alguns deste animais poderão ser reintroduzidos no seu habitat natural, em algumas zonas do país que, de acordo com Assunção Cristas, já estão a ser preparadas para tal, como Moura, no Alentejo.
"Se daqui a uns anos, tivermos na nossa terra o lince ibérico com uma convivência sustentável com as atividades que aqui há, vamos ter zonas muito interessantes para serem visitadas por portugueses e estrangeiros", observou Assunção Cristas.
O Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico (Lynx pardinus) em Portugal foi aprovado em 2008, mas só agora, quatro anos depois, deverá ser implementado.
O Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI)foi inaugurado em 2009 com o objetivo de reintroduzir a espécie em território nacional.

Fonte: Ecologia

domingo, 13 de maio de 2012

O cérebro dos psicopatas tem menos massa cinzenta

Cientistas britânicos e canadianos afirmam ter confirmado, pela primeira vez, que a psicopatia está associada a anomalias distintivas do desenvolvimento cerebral. Num artigo na revista Archives of General Psychiatry, Nigel Blackwood, do King"s College de Londres, e colegas apresentam o primeiro estudo que examina as diferenças cerebrais entre criminosos violentos com e sem manifestações de psicopatia. Até agora, tinha-se comparado os cérebros de criminosos violentos em geral com os de pessoas que nunca cometeram crimes.
Sabe-se que a maior parte dos crimes violentos é cometida por um pequeno grupo de homens reincidentes com perturbações anti-sociais da personalidade. Mas nem todos são psicopatas e, embora ninguém saiba o que causa a psicopatia em personagens reais como o norueguês Anders Breivik ou ficcionais como Patrick Bateman, protagonista de American Psycho, as diferenças comportamentais entre anti-sociais psicopatas e não psicopatas são claras. Ao passo que os anti-sociais não psicopatas se tornam agressivos em reacção a uma suposta ameaça ou a sentimentos de frustração e têm níveis de ansiedade e uma instabilidade do humor elevados, os psicopatas têm um défice patente de empatia e de remorsos e usam friamente a agressividade para atingir os seus fins. Não distinguem o bem do mal, não se arrependem dos seus actos, gostam de magoar os outros. "Costumamos descrever os não psicopatas como impulsivos (hot-headed) e os psicopatas como frios e calculistas (cold-hearted)", diz Blackwood em comunicado.
Os cientistas utilizaram a ressonância magnética para obter imagens do cérebro de 44 homens adultos que tinham cometido homicídios, violações, tentativas de homicídio ou causado ferimentos corporais graves a terceiros. Desses, 17 correspondiam ao perfil do psicopata, mas não os restantes 27. Também estudaram os cérebros de 22 pessoas não criminosas. E quando compararam as imagens, viram que os psicopatas, e só eles, apresentavam volumes de matéria cinzenta significativamente reduzidos em duas áreas: na região anterior rostral do córtex pré-frontal e nos pólos temporais. Estas duas áreas são importantes na percepção das emoções e das intenções alheias e são activadas quando pensamos em comportamentos morais, explica o mesmo comunicado. E as lesões nessas áreas têm sido associadas à falta de empatia, de medo, de angústia e de sentimentos de culpa e de vergonha.

Responsabilidade penal

Os novos resultados vêm juntar-se a uma série de outros estudos de visualização cerebral que, nos últimos anos, têm vindo a apontar fortemente para uma base neurobiológica da psicopatia, com alterações estruturais assimiláveis a lesões cerebrais. Coloca-se então a questão de saber se os psicopatas podem ou não ser tidos como moral e legalmente responsáveis pelos seus actos. Mais: será que no futuro as neurociências vão permitir responder a esta pergunta melhor do que hoje?
Marta Farah, da Universidade da Pensilvânia, não acredita que as imagens do cérebro possam um dia ser mais informativas do que as avaliações psicológicas no que respeita à intencionalidade dos criminosos psicopatas. "Diz-se amiúde que não é o cérebro que comete os crimes, mas as pessoas", explica, citada num artigo publicado no site da DANA Foundation (organismo filantrópico que promove a investigação do cérebro). "E mesmo que uma imagem cerebral confirme uma dada perturbação, é pouco provável que possa fornecer uma resposta claramente afirmativa ou negativa à questão de saber se o arguido foi ou não responsável por um acto."
Também para Michael Gazzaniga, não é possível, pelos menos por enquanto, "reconstituir, num dado instante, as intenções de uma pessoa com base nos seus mecanismos neurais". Mas este conhecido neurocientista norte-americano acredita que este tipo de provas acabará por entrar nos tribunais e diz que temos "de nos preparar". Marta Farah, que concorda com essa inevitabilidade, diz que vai ser preciso garantir que os cientistas percebem a relevância legal do seu trabalho e os advogados as vantagens e limitações da ciência.

Fonte: Público

sábado, 12 de maio de 2012

Peritos querem aprovado 1º fármaco para prevenir sida

Um painel de peritos da Administração de Fármacos e Alimentos (FDA, na sigla inglesa) dos Estados Unidos recomendou hoje a aprovação do primeiro fármaco para prevenir a infeção pelo vírus de imunodeficiência humana (HIV), que causa a sida.
Os peritos recomendaram a aprovação do fármaco "Truvada" e agora a FDA, que só segue os conselhos dos seus comités assessores, se pronunciará sobre o assunto previsivelmente em junho.
Segundo os especialistas, o consumo de "Truvada" ajudaria a prevenir as infeções e pessoas saudáveis com alto risco de contrair o vírus, incluindo os homens homossexuais e bisexuais, e os casais heterossexuais em que dos elementos seja HIV positivo.
Segundo o painel, não está tão clara a efetividade do medicamento entre as mulheres.
O medicamento "Truvada" já está aprovado pela FDA para o tratamento das infeções por HIV.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Descoberto o mais antigo calendário maia

O calendário maia mais antigo fica no n.º 54 da povoação de Xultún.
Xultún fica na Guatemala, na América Central. É um local arqueológico da antiga civilização maia, que foi descoberto em 1905, mas passados mais de cem anos continua muito pouco estudado, e por isso pronto a revelar surpresas. Desde 2010 que uma equipa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, está a estudar uma das casas do complexo, e encontrou pinturas da época clássica dos maias e o calendário mais antigo desta civilização, escrito nas paredes interiores da casa. A descoberta é publicada hoje na revista Science.
A casa está no meio de floresta tropical, e a envolvente que fica a poucos quilómetros da pirâmide de Tikal, no Norte da Guatemala, parece-se mais com uma habitação dos pequenos hobbits. Está um metro abaixo da superfície e nada tem que ver com as imponentes estruturas arquitectónicas desta civilização, que não sobreviveu à chegada dos europeus em 1492.
A povoação de Xultún estava habitada muito antes do derramamento de sangue que aconteceu com a vinda dos espanhóis. As pinturas desta casa, estudada por William Saturno e colegas, deverão ser do início do século IX d.C., mais precisamente do ano 813 ou 814, o que corresponde à época clássica dos maias, iniciada no ano 300 e que finda em 950.
Nesta altura, a povoação deveria ter dezenas de milhares de pessoas. A casa é mais uma de um complexo habitacional extenso. Tem o número 54, dado pelos investigadores da Universidade de Harvard que, na década de 1970, cartografaram parte do local. Numeraram apenas até à casa 56, há mais alguns milhares que ainda não têm número.
Mas o n.º 54 revelou mais do que o esperado. A estrutura já tinha sido saqueada, muito provavelmente por ladrões de túmulos. Por isso, parte do seu interior estava à mercê dos elementos da natureza e dos mosquitos. “Quando a vimos, pensámos: ‘Vamos entrar e ver o que resta e, se não houver nada, ao menos ficamos a saber o tamanho da divisão’”, disse William Saturno, da Universidade de Boston, numa entrevista num podcast da Science. Em 2010 e 2011, a equipa esteve primeiro a desenterrar a casa e depois a estudar as pinturas surpreendentes que encontrou.

Três paredes recheadas

A divisão tem 1,95 por 1,8 metros, e uma altura de três metros. O tecto é encurvado e, ao longo da divisão, há um banco de pedra que serviria de assento. “Pensamos que esta casa foi utilizada para a escrita. Está ligada a um complexo utilizado por escribas maias”, explica William Saturno.
A equipa chegou a estas conclusões depois de ver as pinturas. Quem entra na pequena casa encontra na parede à esquerda três figuras pretas sentadas, de tamanho natural, que olham para a parede mesmo à frente da porta de entrada. Nesta parede está um homem pintado de cor de laranja, com um estilete. Provavelmente, seria um escriba e tinha a mão esticada para outra figura mais imponente — devia ser o rei de Xultún —, o que mostra a relação entre quem vivia ali e a família real. As figura “estão envolvidas numa narrativa, em que o rei personifica uma divindade maia”, diz William Saturno.
Apesar de estes desenhos serem uma surpresa, não são uma novidade em relação ao que se conhece da época. O que é “fantástico”, nas palavras do arqueólogo, são os hieróglifos milimétricos escritos a preto e vermelho ao lado da pintura do rei e na parede à direita, que representam contagens de dias. Os famosos calendários maias já conhecidos, com os ciclos da Lua, de Marte e Vénus, como o códice de Dresden ¬— escrito em “papel” feito de casca de figueira —, são do período pós-clássico. O códice de Dresden é do século XI ou XII. Estas novas tabelas, do início do século IX, são assim mais antigas.
“Pela primeira vez, pudemos ver como eram os registos de um escriba”, disse Saturno. “Pareciam usar [as paredes] como um quadro de escola.” As tabelas, que não estão relacionadas com as pinturas, representam os calendários maias referentes aos ciclos de 260 dias das suas cerimónias, assim como os ciclos de 365 dias do Sol, 584 dias de Vénus e 780 dias de Marte destes astros no céu.
As tabelas têm colunas de números representados por pontos e travessões. O cientista refere que estes registos mais antigos não são tão correctos como os do códice de Dresden, que revela uma contagem aperfeiçoada dos dias até aos próximos eclipses lunares. Mas reflectem uma forma de olhar o mundo. “Os antigos maias previam que o mundo ia continuar e que daqui a 7000 anos as coisas iriam ser exactamente como agora”, diz William Saturno. “Continuamos sempre à procura de fins para as coisas. Mas os maias procuravam uma garantia de que nada iria mudar. Tinham uma forma de pensar completamente diferente.”

Fonte: Público