quinta-feira, 31 de maio de 2012

Genoma mais antigo de sempre de um vírus extraído de uma múmia coreana do século XVI

Tinha quatro a seis anos de idade, quando morreu no século XVI, e tinham-na descoberto num túmulo na cidade de Yangju, perto de Seul, na Coreia do Sul. Os seus restos mortais, que chegaram até nós mumificados de forma natural, têm sido submetidos a vários estudos — num deles, procurou-se ver como estavam os seus órgãos internos através de pequenos furos, por onde também se extraíram amostras de tecidos. Agora, uma equipa internacional anuncia que as amostras do fígado retiradas revelam que a criança estava infectada com o vírus da hepatite B.
Mas não foi fácil detectar a presença de ADN do vírus, uma vez que se encontrava degradado por ser tão antigo: só depois de isso ter sido conseguido em laboratórios de três países (Coreia do Sul, Reino Unido e Israel) a equipa avançou para a sequenciação do genoma completo deste vírus antigo da hepatite B. Nisto tudo, e na comparação do genoma entretanto obtido com sequências genéticas de vírus que infectaram ocidentais nos últimos 60 anos, a equipa levou três anos.
Resultado: este genoma é o mais antigo alguma vez obtido de um vírus, sublinha a equipa, composta por investigadores de Israel e da Coreia do Sul, entre outros, que publicou as conclusões do trabalho na revista Hepathology, da Associação Americana para o Estudo das Doenças do Fígado.
“Apesar dos grandes progressos na área do ADN, até agora só tinha sido descrito na íntegra um genoma viral antigo, o da gripe espanhola de 1918”, diz o artigo de Gila Kahila Bar-Gal, da Universidade Hebraica de Jerusalém, e colegas.
Este genoma permite contar mais pormenorizadamente a história de um vírus que infecta hoje, segundo a Organização Mundial de Saúde, 400 milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo em África, na China e Coreia do Sul, apesar de existir uma vacina que permite evitar a infecção. Transmitido pelo sangue e outros fluidos corporais, como saliva e esperma, nomeadamente por material não esterilizado como seringas, o vírus da hepatite B está na origem da cirrose e do cancro do fígado, doenças que matam cerca de 700 mil pessoas por ano.
A comparação entre partes do genoma do vírus antigo e dos vírus modernos da hepatite B permitiu calcular o ritmo das suas mutações, ocorridas ao longo dos últimos quatro séculos. Uma vez na posse dessa informação, os cientistas puderam então andar para trás no tempo, para tentar descobrir quando surgiu o antepassado da estirpe do vírus que infectou a criança (a estirpe é a C2).
“Pensa-se que as mudanças genéticas resultaram de mutações espontâneas e, possivelmente, de pressões ambientais ocorridas durante o processo evolutivo do vírus. Tendo em conta a taxa de mutações observadas, a análise do ADN do vírus da múmia sugere que ele teve origem há pelo menos 3000 e talvez até há 100 mil anos”, refere um comunicado da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Migrações de uma doença
A idade da múmia, que mantém os órgãos internos relativamente bem preservados, foi confirmada por datação por carbono 14 quer das suas roupas, quer dos pedaços de fígado. Por isso, a sua idade e, por conseguinte, a do vírus da hepatite B que transportava dão ainda pistas sobre a forma como a doença se disseminou pelo planeta.
Supõe-se que viajou de África para o Sudeste asiático, refere o comunicado. “Pode-se ainda clarificar as vias migratórias da hepatite B no extremo asiático, desde a China e Japão até à Coreia, bem como para outras regiões na Ásia e na Austrália”, explica-se no comunicado.
No artigo científico, os cientistas consideram mesmo que os vestígios do vírus encontrados na múmia constituem um dos primeiros exemplos da sua chegada ao Sudeste da Ásia através de migração humana.
O genoma antigo agora obtido também pode servir como modelo no estudo de como vai evoluir a infecção crónica da hepatite B, explicou ao jornal Haaretz um dos elementos da equipa, Daniel Shouval, também da Universidade Hebraica: “Este resultado vai permitir-nos determinar o ritmo das mutações do vírus no futuro.”

Fonte: Público

terça-feira, 29 de maio de 2012

Agora já se pode ouvir música debaixo de água

Para quem não vive sem o seu som ambiente preferido, agora já não é preciso deixar o mp3 em terra. Mar, rio, piscina, seja onde for, o Dolphin Touch garante que se pode mergulhar sempre a ouvir música.
Este novo equipamento foi pensado ao pormenor para quem não abdica da sua música. Agora que o bom tempo convida a uns mergulhos, eis que se pode estar debaixo de água a ouvir as bandas preferidas.
O Dolphin Touch tem a forma de cilindro para assim facilitar quando se mexe nele. Tem capacidade de 4GB e suporta os ficheiros em mp3 e WMA. A bateria dura oito horas e carrega em duas. Esta inovação está à venda por 102,54 euros no site naical.es.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 27 de maio de 2012

O mais pequeno coração artificial salvou a vida a um bebé de 16 meses

Onze gramas de titânio salvaram a vida de um bebé do sexo masculino, na Itália. O implante do coração artificial no rapaz de 16 meses foi feito há três meses, no hospital Bambino Gesù, em Roma, mas só foi noticiado nesta semana.
O bebé tinha desde nascença, uma doença de coração chamada miocardiopatia. O problema faz com que as fibras musculares se alonguem. Passado um certo tempo, o músculo deixa de ter força para bombear o sangue.
“Isto foi um marco”, diz o cirurgião Antonio Amodeo à agência Reuters. Por enquanto, o dispositivo de titânio é uma solução de transição, enquanto os médicos esperam por um transplante de coração. No futuro, o médico acredita que possa ser utilizado como uma solução definitiva.
A pequena bomba metálica é capaz de bombear 1,5 litros de sangue num minuto. Um coração artificial de um adulto pesa 900 gramas.
O bebé estava no hospital desde o primeiro mês de vida. Nos últimos 13 dias foi mantido vivo antes de se colocar o implante, tinha sofrido uma infecção à volta do primeiro implante que foi colocado para manter as funções cardíacas. “Do ponto de vista de cirúrgico, isto não foi realmente difícil. A única dificuldade que encontrámos foi a criança já ter sido operada várias vezes”, explica o médico.
A nova bomba foi inventada por um médico norte-americano, Robert Jarvik, que tinha testado o dispositivo em animais. O hospital teve de obter uma permissão especial do médico e do ministro da Saúde da Itália para poder utilizar o novo coração artificial.
Além do sucesso médico, a cirurgia também trouxe alegria. “O paciente está ao nosso cuidado desde o primeiro mês de vida. Era uma mascote para nós, era um de nós”, confessa Antonio Amodeo. “Todos os dia, todas as horas, durante mais de um ano esteve connosco. Por isso, quando havia algum problema, não podíamos dar menos do que nosso melhor.”

Fonte: Saúde

sábado, 26 de maio de 2012

Primeiro avião a energia solar aterrou hoje em Madrid

O Solar Impulse, o primeiro avião a energia solar da história capaz de voar durante 24 horas, fez hoje um voo entre o sudoeste da Suíça e Madrid, onde fará uma escala de vários dias antes de partir para o seu destino final - Rabat.Foi o primeiro voo de longa duração deste avião desenhado pelo engenheiro suíço Bertrand Piccard - um investimento de mais de 70 milhões de euros.
O voo realizou-se com cerca de duas horas de atraso devido à neblina. O Solar Impulse tem mais de 60 metros e pesa aproximadamente 1,600 quilos. A aeronave desloca-se com o impulso de quatro motores alimentados por 1200 células fotovoltaicas, montadas sobre as suas asas.
A intenção de Piccard, com este projeto, era demonstrar a eficiência e as potencialidades das energias renováveis e mostrar que não é preciso dos combustiveis fósseis.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Primeiro ciborgue conta a sua história esta quinta-feira à noite na Fundação Champalimaud

Neil Harbisson é o primeiro ciborgue oficial da história, reconhecido como tal por um país – o Reino Unido –, em 2004. Esta quinta-feira à noite, às 21h, Neil Harbisson vai estar na Fundação Champalimaud, em Lisboa, para contar a sua história. A entrada é livre.
Natural da Irlanda do Norte, Neil Harbisson nasceu a ver o mundo apenas a preto e branco. Mas o Reino Unido reconheceu que o olho electrónico que está instalado em Neil Harbisson, que parece um pequeno candeeiro na cabeça, faz parte do seu corpo. Esse dispositivo permite-lhe “ver” as cores através de sons, ele que é um artista e faz do som e da cor o centro do seu trabalho.
Além dele, na conferência Humanos 2.0 – O futuro tal como acontece participam dois cientistas, para falar como a ciência e a tecnologia permite que aos seres humanos superarem-se. Um deles é o português Domingos Henrique, investigador do Programa Champalimaud de Neurociências e especialista em células estaminais, que tantas expectativas têm suscitado por terem capacidade de originar vários tipos de tecidos e poderem vir a ser utilizadas em terapias e medicina regenerativa. O outro é o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, que trabalha em interfaces cérebro-máquina.

Fonte: Público