terça-feira, 12 de junho de 2012

Vacina contra a doença de Alzheimer com bons resultados em ensaio clínico

Pela primeira vez, uma vacina contra a doença de Alzheimer teve bons resultados num ensaio clínico. Liderada pelo Instituto Karolinska, na Suécia, uma equipa de cientistas testou a nova vacina durante um ensaio que envolveu 58 doentes de Alzheimer. Verificou-se, segundo o estudo publicado na revista The Lancet Neurology, que a vacina conseguiu desencadear a produção de anticorpos contra uma proteína que se acumula no cérebro destes doentes e o danifica – a beta-amilóide.
A doença de Alzheimer não tem cura e todos os tratamentos actualmente disponíveis limitam-se a tentar abrandar os sintomas. Neste momento, há cerca de 36 milhões de pessoas com Alzheimer em todo o mundo. Em 2050, pensa-se que serão 115 milhões.
A beta-amilóide vai-se acumulando no cérebro e formando placas, que destroem os neurónios e degradam progressivamente as funções corporais em geral. Não se conhecem as causas exactas da doença de Alzheimer, que inicialmente tem como sintomas a dificuldade em recordar as memórias recentes porque a acumulação das placas provoca as primeiras lesões nas regiões cerebrais envolvidas na formação de novas memórias. À medida que a doença progride, outras regiões do cérebro são afectadas pelos agregados de beta-amilóide. Só depois da morte do doente é que se comprova a doença, através da análise de amostras do cérebro, para verificar a presença das placas.
Já tinha havido um ensaio clínico para testar uma vacina, há cerca de uma década. Mas correu mal, recorda o Instituto Karolinska em comunicado, e o ensaio foi interrompido porque provocou muitas reacções adversas (a vacina activava certos linfócitos T, células do sistema imunitário, mas que depois começaram a atacar o próprio tecido cerebral).
Agora, a equipa de Bengt Winblad, que foi patrocinada pela empresa farmacêutica Novartis, testou a nova vacina – chamada CAD106 –, que procura induzir a produção de anticorpos contra a beta-amilóide. “Neste segundo ensaio clínico em humanos, a vacina foi modificada para afectar apenas a prejudicial beta-amilóide”, lê-se no comunicado.
Neste ensaio, de fase 1 (que testa a segurança e tolerância de um novo medicamento), 46 dos 58 participantes receberam a vacina e aos restantes 12 foi dado um placebo (uma substância sem acção biológica). “Os investigadores descobriram que 80% dos doentes envolvidos nos ensaios desenvolveram os seus próprios anticorpos contra a beta-amilóide sem efeitos secundários durante os três anos do estudo. Isto sugere que a CAD106 é um tratamento tolerável para os doentes com doença de Alzheimer ligeira a moderada”, lê-se ainda.
Para avaliar e confirmar a eficácia da vacina, terão agora de ser feitos ensaios clínicos com mais doentes, sublinha a equipa no artigo.

Fonte: Público

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Estudo revela comportamento depravado dos pinguins

Um século depois de George Murray Levick ter divulgado estudos sobre a vida sexual dos pinguins e terem sido ocultadas por serem consideradas demasiado chocantes, as conclusões foram agora finalmente mostradas ao público.
O médico e biólogo britânico estudou o comportamentos dos pinguins numa expedição ao Pólo Sul entre 1910 e 1913. Na altura falou de coerção sexual, necrofilia (tinham relações com fêmeas mortas) e comportamento homossexual, atos que foram considerados depravados e retirados dos relatos oficiais.
O Museu de História Natural de Londres guardou os documentos originais e optou por divulgá-los porque, entretanto, muitos dos comportamentos observados por Levick já foram cientificamente explicados por especialistas.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 10 de junho de 2012

China fará este mês o seu quarto voo espacial tripulado

A China anunciou que vai lançar neste mês um voo espacial com três astronautas, naquela que será a quarta missão espacial tripulada deste país e a primeira do género a fazer uma acoplagem a uma estação em órbita.
A data exacta não foi anunciada, mas, de acordo com a agência noticiosa oficial da China, a Xinhua, o voo terá lugar “em meados de Junho”.
Os astronautas seguirão a bordo do vaivém Shenzhou 9 e farão uma acoplagem ao módulo espacial Tiangong 1, que está a orbitar a Terra. No final do ano passado, a China já tinha feito com sucesso uma acoplagem a este módulo, mas numa missão não tripulada.
Um dos três astronautas permanecerá na nave, enquanto os outros dois entrarão no módulo e farão algumas experiências científicas. Não foi divulgada a duração da missão.
Segundo a Xinhua, que cita o número dois do programa chinês de astronautas, Niu Hongguang, a tripulação poderá incluir mulheres, mas a decisão final sobre a composição da equipa ainda não foi tomada.
A nave espacial, o foguetão e a plataforma de lançamento já seguiram para o Deserto de Gobi, no norte do país, onde o lançamento terá lugar. Ao longo dos próximos dias, serão feitos os últimos testes.
Em Dezembro, Pequim anunciou um ambicioso programa de cinco anos de exploração espacial. Entre os objectivos está o de lançar um laboratório para o espaço e o de recolher amostras da Lua em 2016. Em 2003, a China tornou-se no terceiro país a executar sozinho uma missão espacial tripulada, depois da Rússia e EUA. A última vez que enviou astronautas para o espaço foi em 2008.

Fonte: Público

sábado, 9 de junho de 2012

Descoberta a pérola mais antiga do mundo

No Golfo Pérsico, em tempos pré-históricos, estes objetos eram apreciados e faziam parte de rituais funerários
Arqueólogos franceses descobriram a pérola fina mais antiga de que há conhecimento, 7500 anos, fazendo recuar em 2500 anos a antiguidade deste tipo de objeto. A descoberta foi efetuada a escavação de uma povoação neolítica, nos atuais Emirados Árabes Unidos, em Umm al-Quwain, na costa do Golfo Pérsico.
A demonstração da antiguidade foi feita através de datação por Carbono 14. A pérola mais antiga do mundo, até agora, datava de 3000 anos antes da nossa Era e fora encontrada numa povoação pré-histórica no Japão. Os arqueólogos afirmam que a pérola de Umm al-Quwain estava na sepultura de um indivíduo e tinha clara ligação a ritos funerários.
Segundo os cientistas, a prática de pesca das ostras produtoras de pérolas é pré-histórica no Golfo Pérsico e Oceano Índico e fazia parte da identidade cultural da região. Em outros locais, foram encontradas pérolas colocadas sobre o rosto dos defuntos, nomeadamente sobre o lábio superior.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cientistas explicam como fazem os mosquitos para sobreviver à chuva

Coloque-se uns quantos mosquitos à chuva. O que acontece? Algumas gotas, verdadeiras bombas de água para estes insectos, acertam em cheio no seu pequeno corpo; outras passam-lhes de raspão.
Mas, mesmo que o choque os faça perder altitude ou ficar de patas para o ar, quase sempre recuperam. Porquê? Porque são extremamente leves em comparação com as gotas de chuva. Foi esta a conclusão a que chegou agora uma equipa de biólogos e engenheiros, num estudo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences.
Sabe-se que o voo dos aviões pode ser gravemente perturbado pela chuva intensa. Mas até aqui, a maneira como essas máquinas voadoras naturais que são os insectos lidam –com sucesso – com o mesmo problema tinha sido pouco estudada. E como os mosquitos pululam justamente em locais onde costuma chover muito, David Hu e colegas, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, EUA, acharam que eram um bom modelo experimental.
Filmaram com câmaras de vídeo de alta velocidade dezenas de mosquitos anófeles (que transmitem a malária) a serem apanhados, dentro de uma "gaiola" de acrílico transparente com 20 centímetros de altura, por "simulacros" de chuva – desde gotas a cair lentamente até autênticos jorros de água. A parte superior da gaiola fora vedada por uma rede, permitindo a entrada da água mas não a fuga dos mosquitos.

Bombas de água
É preciso salientar que cada gota de chuva pesa cerca de 50 vezes mais do que um mosquito. E que, quando uma gota colide com o insecto, fá-lo com uma aceleração que pode chegar a ser 300 vezes superior à aceleração da gravidade. A título comparativo, o corpo humano não resiste a acelerações superiores a 25 vezes a da gravidade, ou 25 g – e, mesmo durante as descolagens dos vaivéns da NASA, os "3 g" sentidos pelos astronautas já eram bastante desagradáveis. Dito de outra forma, o impacto da gota de chuva sobre o mosquito é equivalente ao de um autocarro a esmagar uma pessoa.
E no entanto, o mosquito parece quase imune aos embates. Quando uma gota o atinge (a maior parte das vezes nas patas ou nas asas), dá por vezes umas cambalhotas no ar ou fica desequilibrado por uns instantes. Pode mesmo perder altitude ou ser arrastado até se libertar do bólide líquido. Mas desde que não esteja a voar muito baixo aquando do choque, situação altamente desfavorável que o pode levar a esmagar-se contra o chão ou a morrer afogado numa poça de água, acaba sempre por fazer uma manobra de recuperação.
Os autores explicam que, como os mosquitos são tão leves (pesam dois miligramas), o acontece é que as gotas de água que colidem com eles, e que pesam em média 100 miligramas, quase não "sentem" o choque. E como perdem, portanto, pouca velocidade na colisão (entre 2% e 17%, segundo os seus cálculos), as gotas quase não transmitem força de impacto aos mosquito. Mesmo quando os apanham em cheio. A seguir às experiências com mosquitos, a equipa confirmou esses resultados com bolinhas de esferovite de vários pesos e tamanhos.

Casca dura
Numa outra experiência, os cientistas mostraram que a flexibilidade do exoesqueleto destes insectos (a "casca" que cobre o seu corpo) reforça a sua protecção: depois de terem sido submetidos a forças de compressão equivalentes a 20 vezes o impacto da chuva, os mosquitos não só sobreviviam como, uma vez libertados, conseguiam voar.
Os cientistas pensam que resultados como estes podem permitir melhorar a concepção dos robôs voadores do tamanho de insectos que os militares já utilizam para missões de reconhecimento e resgate. Mas Christian Voight, do Instituto de Estudo dos Zoos e da Vida Selvagem de Berlim, mostra-se céptico. "Estamos longe de conseguir fabricar robôs voadores do tamanho de um mosquito", diz este especialista, autor de um estudo semelhante sobre morcegos, citado pela revista Science.
Seja como for, ficamos a saber de vez que não é por estar a chover a potes lá fora que podemos deixar a janela aberta à noite e pensar que os mosquitos não vão atacar...

Fonte: Público