quarta-feira, 27 de junho de 2012

Google cria 'cérebro artificial' capaz de aprender

A Google anunciou ontem a criação de um 'cérebro artificial', com capacidade para aprender sozinho. Trata-se de uma rede de 16 mil processadores cuja primeira descoberta foi identificar... um gato.
A equipa liderada pelo investigador Jeff Dean criou uma 'rede neuronal' composta por mais de mil milhões de ligações e mandou-o ir à caça de gatos. Só que nunca lhe disse como é o aspecto de um felino.
Os investigadores 'alimentaram' o sistema com imagens aleatórias retiradas de mais de 10 milhões de vídeos do YouTube, e deixaram-o 'aprender'. Ao fim de algum tempo, e sem que houvesse qualquer intervenção humana, o 'cérebro' começou a identificar os gatos que surgiam nas imagens.
"Nunca lhe dissemos, durante a aprendizagem, 'isto é um gato'. Ele basicamente inventou o conceito de gato", afirma Jeff Dean num artigo publicado esta semana. "Ao contrário do que intuitivamente acreditamos, esta experiência revela que é possível criar um detector facial sem etiquetar as imagens como contendo rostos ou não".
Esta rede informática foi também capaz de identificar 20 mil categorias de objetos retirados da base de dados ImageNet. A identificação ficou-se pelos "15,8% de precisão", o que não parece muito, mas é "um salto de 70% relativamente aos resultados conseguidos com a tecnologia mais avançada existente", segundo o mesmo artigo.
O sistema é mais uma criação do laboratório Google X, em Mountain View, na Califórnia, onde engenheiros e cientistas têm liberdade para se dedicarem a investigações tão radicais como elevadores espaciais.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 26 de junho de 2012

Há um segundo genoma humano e é o dos micróbios que nos habitam

Se pensa que é dono do seu corpo, desengane-se. O corpo humano é feito de milhões de milhões de células, mas o número de microrganismos a viver nele, principalmente bactérias - o "microbiota" humano, a "flora", por oposição à "fauna" das nossas próprias células - é dez vezes maior e estima-se que contenha milhares de espécies diferentes.
A importância deste "jardim botânico" interno, deste "órgão" invisível que pesa cerca de dois quilos (mais do que o nosso cérebro!) e que vive sobretudo nos intestinos, começa apenas a emergir. Sabe-se que as bactérias intestinais participam na digestão e até produzem vitaminas, mas a ideia de que o seu papel extravasa ainda mais o foro digestivo é recente.
Graças aos espectaculares avanços das técnicas de sequenciação genética, que há 12 anos permitiram ler o genoma humano, os cientistas estão agora a estudar o que alguns já chamam o "segundo genoma humano" - o genoma colectivo dos micróbios com os quais convivemos - e a tentar perceber o seu impacto na saúde.
Existem dois grandes projectos de sequenciação do "microbioma" (abreviação de genoma do microbiota) humano: o Projecto Microbioma Humano (HMP), lançado em 2007 pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA; e o projecto Metagenómica do Tracto Intestinal Humano (MetaHIT), lançado em 2008 pela Comissão Europeia e a China.
Há pouco mais de uma semana, o HMP publicou 17 artigos (dois na revista Nature e 15 na PLoS Biology) apresentando o primeiro "rascunho" genético desse ecossistema - incluindo um catálogo de cinco milhões de genes de bactérias, vírus, fungos e outros bichinhos -, bem como os primeiros estudos das suas características e das suas relações com doenças humanas. As sequências genéticas foram obtidas a partir de amostras colhidas em vários locais anatómicos - como intestino, pele, nariz, boca, garganta, vagina, fezes - de 242 pessoas saudáveis. Os cientistas afirmam ter assim identificado a maior parte das espécies microbianas comuns que habitam o corpo humano.
Num comentário na Nature a acompanhar as publicações, David Relman, da Universidade de Stanford, EUA, fazia, no entanto, notar que o estudo do microbioma humano tem sido "uma lição de humildade" e que "as funções de todas estas comunidades microbianas permanecem em grande parte desconhecidas". E salientava que a diversidade individual e geográfica do microbioma humano ainda não pode ser avaliada, dado o reduzido número de pessoas estudadas e o facto de elas residirem todas em países desenvolvidos, com estilos de vida semelhantes.
O que se tem tornado cada vez mais claro é que o saudável desenvolvimento do nosso sistema imunitário depende intimamente do microbiota intestinal, sobretudo bacteriano. Só que, até aqui, pensava-se que essas bactérias benéficas eram as mesmas para todos os mamíferos. Mas agora, na última edição da revista Cell, Dennis Kasper e colegas da Universidade de Harvard, EUA, mostram, pela primeira vez, que as bactérias do intestino humano são específicas da nossa espécie e... não funcionam no ratinho.
Os cientistas criaram animais sem flora microbiana própria. A seguir introduziram, num grupo destes roedores, micróbios intestinais habituais dos ratinhos, enquanto noutro grupo colocaram micróbios do intestino humano. Nos dois grupos, as floras intestinais desenvolveram-se de forma aparentemente normal. Porém, essa proliferação não teve efeitos equivalentes: os ratinhos que tinham o intestino colonizado por bactérias humanas apresentavam níveis muito reduzidos de células imunitárias. "Apesar da abundância e da complexidade da comunidade bacteriana", explica Hachung Chung, uma das co-autoras, "era como se os ratinhos não reconhecessem as bactérias humanas - como se, de facto, não tivessem bactérias nenhumas."
Quando repetiram a experiência introduzindo nos ratinhos a flora intestinal habitual dos ratos, o mesmo ocorreu - o que é ainda mais surpreendente porque são duas espécies próximas. E quando infectaram os animais com salmonelas, os ratinhos com flora intestinal humana foram incapazes de lidar com o agressor.
Para os cientistas, os resultados mostram que a as nossas bactérias intestinais evoluíram juntamente connosco e confirmam os potenciais perigos que a sua perda poderia acarretar, dada a nossa utilização intensiva de antibióticos e os nossos ambientes de vida ultra-higiénicos. Para Kasper, "a prevalência actual de doenças auto-imunes - tais como a asma, a esclerose múltipla e as doenças inflamatórias do intestino - poderão ser, pelo menos em parte, a consequência da crescente vulnerabilidade da relação entre humanos e micróbios, fruto da evolução".O terceiro genoma?
As surpresas não acabam aqui. Num artigo ontem publicado online na revista Genome Research, Rotem Sorek e colegas, do Instituto Weizmann de Ciência em Rehovot, Israel, apresentam uma análise daquilo a que se poderia talvez chamar o "terceiro genoma humano": a população de vírus que está constantemente a atacar a nossa comunidade de bactérias benéficas.
Os cientistas utilizaram o facto de as bactérias, para se protegerem desses predadores (um tipo de vírus chamados fagos), serem capazes de lhes "roubar" bocadinhos de ADN e de os integrar em locais específicos do seu próprio genoma.
"No nosso estudo, procurámos esses bocados de ADN de fagos roubados no material genético das bactérias que vivem no intestino humano", diz Sorek. "A seguir, utilizámos essas peças para identificar os fagos que coexistem com as bactérias no intestino humano."
Os resultados mostram que centenas de tipos de vírus infectam repetidamente o nosso microbiota intestinal. "Estes vírus podem matar algumas das nossas bactérias intestinais e é portanto provável que tenham impacto na saúde humana", diz Sorek. Torna-se assim essencial perceber as pressões que os fagos exercem sobre essas bactérias.

Fonte: Público

domingo, 24 de junho de 2012

Novo iPhone irá tornar acessórios antigos inúteis

A Apple está a deixar muitos dos seus fãs indignados porque se prepara para mudar, no próximo iPhone 5, o conetor que tem utilizado em todos os seus aparelhos do género. A confirmar-se, isto fará com que todos os acessórios criados para os iPhones, iPods e iPads se tornam obsoletos.
Em causa estão os rumores de que a nova versão do smartphone da Aplle vir com um conector de 19 pinos, substituindo o de 30 pinos atual.
O suposto novo conector pode ser visto num post do MobileFun num vídeo no YouTube da ETradeSupply, que trabalha com peças.
Os utilizadores indignados juntaram-se já online para se manifestar contra esta decisão, que alterará radicalmente o tamanho do conector do iPhone que deverá ser lançado em outubro. Ao fazê-lo, todos os acessórios atuais, como 'docking stations' ou carregadores, terão de ser substituídos.
Segundo o Daily Mail, que avança com a notícia, esta possibilidade está também a deixar os fabricantes de acessórios irritados.
O blogue especializado em tecnologia TechCrunch afirma que esta informação foi confirmada por três fabricantes diferentes. A Apple, por seu lado, não o confirmou, mas também não o desmentiu.
O tradicional conector de 30 pinos é utilizado pela Apple desde que foi lançado o iPod de terceira geração. Diversos docks e cabos - até mesmo acessórios mais simples como capas de silicone - foram fabricados tendo em conta o tamanho e o padrão daquele conector. O novo conetor permite que o telefone seja mais fino e que utilize cabo magnético.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Descobertos dois planetas quase "colados"

Foram detetados pelo telescópio Kepler e estão a 1200 anos-luz da Terra. Orbitam a mesma estrela 20 a 30 vezes mais próximos um do outro do que qualquer planeta do sistema solar.
Estão muito próximos um do outro, mas não chocam. A descoberta foi feita por investigadores das universidades de Washington e de Harvard. "Estes dois planetas estão mais perto um do outro do que em qualquer outro sistema que tenhamos encontrado", refere Eric Agol citado pelo ABC, cientista da Universidade de Washington e um dos autores do artigo publicado na Science.
Estes dois mundos estão cinco vezes mais perto do que a Lua da Terra (menos de dois milhões de quilómetros), mas nunca colidiram. Os investigadores tentam agora compreender como é possível que dois planetas tão diferentes têm órbitas tão próximas.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 20 de junho de 2012

E a humanidade pesa... quase 300 milhões de toneladas

Em 2005, a massa corporal total da população adulta mundial era de 287 milhões de toneladas, segundo cientistas britânicos que acabam de publicar a sua estimativa na revista BMC Public Health.
Ian Roberts e colegas, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, escrevem que, para obter os seus resultados, utilizaram dados disponíveis sobre o índice de massa corporal de cada país (IMC, que quando superior a 25 indica excesso de peso e a partir de 30 obesidade), bem como a distribuição da altura nas populações correspondentes.
Do total dessa biomassa, explicam ainda, 15 milhões de toneladas representam o excesso de peso e 3,5 milhões a obesidade. E um terço desses 3,5 milhões de toneladas vivem na América do Norte, embora aquela região só represente, em termos demográficos, 6% da população global! A título de comparação, a Ásia, onde vive 61% da população mundial, só contribui para 13% da biomassa humana devida à obesidade. E já agora, os dez países mais “pesados” são, para além dos EUA, o Kuwait , Croácia, Qatar, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Trinidade e Tobago, Argentina, Grécia e Bahrein e os dez mais “leves” a Coreia do Norte, Camboja, Burundi, Nepal, República Democrática do Congo, Bangladesh, Sri Lanka, Etiópia, Vietname e Eritreia.
“Uma tonelada de biomassa corresponde a perto de 12 adultos na América do Norte e a 17 na Ásia”, precisam os autores. “E se todos os países tivessem a distribuição do índice de massa corporal dos EUA, o aumento de biomassa humana seria de 58 milhões de toneladas, correspondendo às necessidade energéticas de 473 milhões de adultos.”
Ou seja, não basta reduzir o crescimento populacional. Também é preciso travar o consumo excessivo de alimentos. "[No futuro], o aumento do excesso de peso da população poderia ter o mesmo impacto nas necessidades alimentares globais do que um aumento populacional de quase meio milhão de pessoas", concluem.

Fonte: Público