sábado, 14 de julho de 2012

Descodificado o genoma da banana

ADN de variedade selvagem pode ajudar a melhorar o fruto comestível.
Base da alimentação e da economia para mais de 400 milhões de pessoas no mundo, a banana, que foi "domesticada" há 7000 anos a partir de espécies selvagens, acaba de revelar o seu genoma.
A descodificação da sua informação genética foi feita por um grupo internacional de investigadores, coordenado pela equipa francesa de Angélique D'Hont, do CIRAD, o centro de cooperação internacional em ainvestigação agronómica para o desenvolvimento, em Monpelier, França. E a informação, publicada hoje na revista Nature, pode ser essencial não só para melhorar a produção mundial desta fruta mas sobretudo para encontrar formas eficazes de combater os fungos que, volta, não volta, atacam as espécies comestíveis.
O genoma agora descodificado é o da variedade selvagem Musa acuminata, cujo ADN "entra na composição de todas as variedades comestíveis", explicam os investigadores. Ao todo, a equipa mapeou 36.500 genes nesta variedade selvagem, e a sua análise permitiu traçar a evolução genética desta fruta que desde há 7000 anos acompanha a espécie humana.
Uma das grandes utilidades desta informação, que a equipa disponibiliza a toda a comunidade científica, é que abre portas ao desenvolvimento de estratégias mais eficazes para combater as doenças que atacam esta fruta, que, por ser estéril, está muito indefesa contra elas.
Com efeito, a domesticação da bananeira teve como resultado um empobrecimento genético das variedades comestíveis, que se tornaram por isso mais vulneráveis aos agentes patogénicos. Por exemplo, a espécie maioritária hoje na alimentação, a Cavendish, está sob ataque cerrado de um fungo, o Mycosphaerella fijinesnsis, e de uma outra doença, designada a "doença do Panamá". Esta já dizimou nos anos de 1950 a banana Gros Michel, na altura a principal espécie comercial de banana. Foi aliás, depois disso, que a Cavendish tomou o seu lugar.
O conhecimento agora disponibilizado poderá, por isso, ser um contributo decisivo para a protecção desta fonte alimentar e de riqueza, uma vez que vai facilitar "consideravelmente a identificação dos genes responsáveis por características de resistência às doenças destes frutos", concluem os autores.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mutação genética protege contra a doença de Alzheimer

Uma mutação no gene que codifica a molécula precursora da proteína beta-amilóide confere protecção contra a doença de Alzheimer, revela um artigo na edição desta quinta-feira da revista Nature.
A Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que causa a progressiva perda de memória e incapacitação. Está associada à acumulação da beta-amilóide em placas à volta dos neurónios. Numa situação normal, a proteína beta-amilóide é degradada continuamente, mas certas variações genéticas podem alterar esta dinâmica, provocando a doença.
Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade da Islândia, liderada por Kari Stefansson, analisou, em 1795 islandeses, mutações no gene desta proteína que conferissem protecção. E descobriu que a mutação A673T tinha um efeito protector contra a doença.
A mutação é muito rara, mas diminui em 40% a produção de pequenas moléculas a partir da beta-amilóide e que se acumulam nas placas.
Até agora, a investigação feita sobre a doença de Alzheimer mostrava que variações no gene que comanda o fabrico desta proteína só tinham influência no aparecimento precoce da demência. Mas a identificação desta mutação altera esta ideia. A equipa comparou dois grupos de islandeses sem Alzheimer, com idades entre os 85 e os 100 anos. Apesar de nos dois grupos a capacidade cognitiva decrescer com os anos, no que tinha a mutação A673T, as funções cognitivas encontravam-se mais conservadas.
No artigo, os autores defendem que os dados suportam a hipótese de que o processo que causa o declínio cognitivo, associado à idade, e o processo que provoca a doença de Alzheimer podem, pelo menos em parte, serem o mesmo. E vão mais longe: “Propomos que a Alzheimer possa ser o extremo do declínio da função cognitiva relacionado com a idade.”

Fonte: Público

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Facebook e Twitter aumentam ansiedade dos utilizadores

As redes sociais na Internet como o Facebook ou o Twitter aumentam a ansiedade dos utilizadores, segundo um estudo da Salforfor Business School, hoje divulgado pelo 'Telegraph'.
Segundo o estudo, cujo universo são os utilizadores de Internet, mais de metade dos inquiridos considerou que as redes sociais mudaram o seu comportamento e metade apontou que as suas vidas foram alteradas para pior.
Dois em cada três inquiridos adiantaram que era difícil relaxar e até dormir após passarem algum tempo a navegar nas redes sociais e um quarto admitiu enfrentar dificuldades nos seus relacionamentos e no trabalho.
No total, 298 pessoas responderam ao inquérito da Salford Business School, na Universidade Salford, realizado para a Anxiety UK.
Deste universo, 53 por cento disse que o lançamento das redes sociais mudou as suas vidas, sendo que a maioria considerou que a mudança teve um impacto negativo.
O estudo também demonstrou o vício em relação à Internet, com 55 por cento a afirmar que se sentiu "preocupado ou desconfortável" quando não conseguiu aceder ao Facebook ou às contas de correio eletrónico.
Na sua maioria, os inquiridos sentiram necessidade de desligar os seus aparelhos eletrónicos para fazer um 'intervalo' na Internet.
A diretora executiva da Anxiety UK, Nicky Lidbetter, considerou que os resultados do estudo foram uma surpresa pelo elevado número de pessoas a afirmar que a única forma de interromper a ligação à Internet era desligar telemóveis, BlackBerries ou computadores, uma vez que são incapazes de pura e simplesmente ignorar os dispositivos.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 8 de julho de 2012

Há um prémio para quem explicar por que a água quente congela mais depressa do que a fria

A Royal Society de Química está a oferecer um prémio de 1000 libras para quem souber explicar por que é que a água quente congela mais depressa do que a água fria.
O fenómeno é observado e conhecido há muito tempo. No século IV a.C., Aristóteles questionava-se sobre este problema, morrendo sem o solucionar. O filósofo franciscano Roger Bacon também analisou o problema no século XIII d.C., mas não encontrou nenhuma resposta, assim como Francis Bacon e René Descartes no século XVII.
O fenómeno é utilizado como técnica para fazer gelados: são congelados depois de o líquido ser aquecido, por ser mais rápido.
Hoje, chama-se Efeito de Mpemba a este fenómeno, por ter sido redescoberto em 1968 por Erasto Mpeba, um estudante da Tanzânia, durante uma aula de laboratório. “Erasto perguntou ao professor por que é que os gelados congelavam mais rapidamente quando eram fervidos e o professor disse imediatamente que ele estava errado e que provavelmente tinha imaginado aquilo. Só quando o professor testou a experiência é que notou o fenómeno”, conta David Philips, presidente da sociedade britânica.
Depois desta redescoberta, vários investigadores tentaram, sem sucesso, encontrar a explicação para o “congelamento mágico”. No ano em que os Jogos Olímpicos vão a Londres, a instituição resolveu dar cerca de 1244 euros a quem conseguir resolver até 30 de Julho este mistério.

Fonte: Público

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Cientistas espanhóis investigam gel que pode evitar contágio com HIV

Cientistas espanhóis estão a desenvolver o primeiro gel que poderá prevenir o contágio de HIV durante o ato sexual e que já superou as primeiras experiências 'in vitro' com uma eficácia de 90 por cento.
Os resultados do estudo - levado a cabo por investigadores do Laboratório de Imunologia Molecular do Hospital Gregorio Marañón e da Universidade de Alcalá de Henares -, que acabam de ser publicados na revista científica Journal Of Controlled Release, foram hoje apresentados em conferência de imprensa.
Trata-se de um gel ou microbicida de uso tópico para mulheres e homens, de aplicação vaginal ou rectal, que oferece um método de proteção contra o contágio do vírus da SIDA.
O gel não produz irritação vaginal nem impede a motilidade dos espermatozóides, como explicou María Anjos Muñoz, do Hospital Gregorio Marañón e responsável pelo projeto, que já tem patente registada.
Além disso o gel atua também como um anti-inflamatório que impede a chegada de células suscetíveis de serem infetadas.
Muñoz explicou que o gel não é tóxico e, depois da sua aplicação, poderia ter uma eficácia na proteção de entre 18 e 24 horas posteriores às relações sexuais.
Javier de la Mata, da Universidade de Alcalá de Henares, explicou que a investigação, que começou em 2003, se baseia na aplicação de um dendímetro (um tipo de molécula de tamanho nanoscópico) que bloqueia a infeção de células epiteliais e do sistema imunológico ao HIV.
Nas experiências realizadas 'in vitro' comprovou-se que esta partícula se une diretamente ao vírus e impede que infete as células, conseguindo uma eficácia de 90 por cento.
Atualmente estão em curso ensaios em "ratos humanizados", isto é, aqueles que não têm problemas no sistema imunológico e que são injetados com células humanas.
Muñoz explicou que ainda é cedo para saber se vai funcionar em humanos, o que só deverá poder comprovar-se dentro de três a cinco anos.
"Achamos que vai funcionar, ainda que teremos de o demonstrar", disse.
Não existe nenhum gel similar no mercado e o mais parecido é um microbicida que se está a pesquisar na Austrália e que se encontra numa fase de desenvolvimento mais avançada que o espanhol.
Esta especialista referiu que estudos de diferentes organizações estimam que se 30 por cento das mulheres usasse um microbicida dessas características evitar-se-iam até 3,7 milhões de novas infeções por HIV no mundo.

Fonte: Diário de Notícias