quinta-feira, 19 de julho de 2012

O mais pequeno planeta extra-solar será uma bola de fogo

Se um dia teve atmosfera, já a perdeu e a sua superfície será agora um tição. Outra possibilidade é ser uma bola de fogo, com a superfície derretida, por estar muito perto da estrela que orbita. Este é o novo planeta que acaba de ser descoberto noutro sistema solar: só tem dois terços do tamanho da Terra e encontra-se apenas a 33 anos-luz de nós.
Os planetas extra-solares orbitam outras estrelas que não o Sol. O primeiro foi descoberto em 1995, por uma equipa suíça, e desde então o número de planetas extra-solares detectados já anda perto dos 800. Inicialmente, os instrumentos só conseguiam detectar grandes monstros gasosos, como os “nossos” Júpiter e Neptuno. Mais tarde, encontraram-se planetas rochosos como a Terra, e cada vez mais o seu tamanho se aproxima do da Terra. Até agora, refere um comunicado de imprensa da agência espacial norte-americana NASA, somente se encontraram “uma mão cheia” de planetas mais pequenos do que o nosso.
Este, cuja descoberta foi anunciada nesta quarta-feira, foi apanhado por um telescópio espacial da NASA. Kevin Stevenson, da Universidade da Florida Central, nos EUA, e a sua equipa estavam a estudar um outro planeta que, além de gigante e gasoso como Neptuno também é quente por se encontrar muito perto da estrela, a GJ 436, quando se depararem com indícios de outra presença nesse sistema solar. A desconfiança de que havia outro planeta em órbita da GJ 436 deveu-se à detecção de uma pequena diminuição do brilho da luz da estrela. Ao olhar para os dados já recolhidos pelo telescópio Spitzer, guardados em arquivo, a equipa verificou que essa diminuição de luz era periódica. Alguma coisa andava mesmo em redor da estrela.
Os cientistas vasculharam ainda centenas de horas de observações não só do Spitzer, mas de sondas e telescópios em terra, e lá estavam as provas do planeta.
Tem um diâmetro de 8400 quilómetros – ou seja, dois terços do tamanho da Terra –, o que o torna o mais pequeno alguma vez descoberto, sublinha um comunicado da Universidade da Florida Central.
Mas ainda não é uma autêntica Terra que os cientistas tanto têm procurado, que, além de rochosa, estaria situada a uma distância da estrela que possibilitaria temperaturas propícias à existência de água líquida. Está tão próximo da estrela que demora apenas 1,4 dias a orbitá-la. Portanto, um ano neste planeta resume-se a 1,4 dias.
Tanta proximidade torna-o também abrasador, com as temperaturas à superfície a atingirem 600 graus Celsius, e por isso qualquer atmosfera que possa ter tido já se evaporou. Para Joseph Harrington, outro autor do trabalho, a publicar esta quinta-feira na revista The Astrophysical Journal, a superfície pode apresentar-se derretida. “O planeta pode até estar coberto de magma.”

Fonte: Público

terça-feira, 17 de julho de 2012

EUA aprovam Truvada para tratamento preventivo da sida

A agência norte-americana dos medicamentos (FDA) aprovou o antiretroviral "Truvada" como o primeiro tratamento de prevenção contra a sida destinado aos grupos de risco e que deverá contribuir, segundo as autoridades, para reduzir novas infeções.
Na sequência de uma recomendação de uma comissão de especialistas, a FDA aprovou o "Truvada", do laboratório norte-americano Gilead Sciences, "para reduzir a possibilidade de transmissão do vírus da sida (VIH) nas pessoas saudáveis com alto risco de serem contaminadas", precisou a agência em comunicado.
O Truvada, tomado diariamente, destina-se a "ser utilizado a título profilático antes de um contacto com o VIH, em combinação com práticas sexuais seguras como o uso de preservativo e outros meios de proteção - despistagem regular e tratamento de outras doenças venérias - para impedir a transmissão do vírus nos adultos de alto risco", sublinhou a agência.
"O Truvada não pode substituir práticas sexuais seguras", insiste a FDA.
O custo do tratamento varia de 12 mil a 14 mil dólares por ano.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fóssil de australopiteco achado no laboratório

Não foi necessário voltar ao terreno para aparecer o terceiro fóssil do australopiteco que se conhece há menos tempo. Há três anos que o esqueleto de um indivíduo da espécie Australopithecus sediba estava num laboratório na África do Sul, mas passou despercebido por estar preso numa rocha de um metro de diâmetro. Só recentemente é que os investigadores do Instituto Wits para a Evolução Humana, em Joanesburgo, o encontraram e ontem divulgaram a sua existência.
"Descobrimos partes de uma mandíbula e o que parece ser um fémur completo, costelas, vértebras e outros elementos dos membros, alguns que nunca foram vistos de uma forma tão completa em fósseis [de hominídeos]", disse Lee Berger, paleoantropólogo do instituto, citado num comunicado.
O cientista foi um dos responsáveis pela investigação dos dois primeiros fósseis de Australopithecus sediba, encontrados no local arqueológico de Malapa, na África do Sul, em 2008, e cujos resultados foram publicados em 2010. A nova rocha é proveniente do mesmo local. Este australopiteco viveu há dois milhões de anos. Por ter características comuns ao australopiteco e ao género a que pertence o homem, veio baralhar os cientistas em relação à sua importância e lugar na árvore da evolução humana.
As ossadas novas podem fazer com que a espécie passe a ter o registo fóssil mais completo de sempre de um antepassado humano. A preparação do fóssil, retirando-o da rocha, vai ser transmitida na Internet. E quem quiser vai poder visitar o laboratório e ver a investigação ao vivo.

Fonte: Público

sábado, 14 de julho de 2012

Descodificado o genoma da banana

ADN de variedade selvagem pode ajudar a melhorar o fruto comestível.
Base da alimentação e da economia para mais de 400 milhões de pessoas no mundo, a banana, que foi "domesticada" há 7000 anos a partir de espécies selvagens, acaba de revelar o seu genoma.
A descodificação da sua informação genética foi feita por um grupo internacional de investigadores, coordenado pela equipa francesa de Angélique D'Hont, do CIRAD, o centro de cooperação internacional em ainvestigação agronómica para o desenvolvimento, em Monpelier, França. E a informação, publicada hoje na revista Nature, pode ser essencial não só para melhorar a produção mundial desta fruta mas sobretudo para encontrar formas eficazes de combater os fungos que, volta, não volta, atacam as espécies comestíveis.
O genoma agora descodificado é o da variedade selvagem Musa acuminata, cujo ADN "entra na composição de todas as variedades comestíveis", explicam os investigadores. Ao todo, a equipa mapeou 36.500 genes nesta variedade selvagem, e a sua análise permitiu traçar a evolução genética desta fruta que desde há 7000 anos acompanha a espécie humana.
Uma das grandes utilidades desta informação, que a equipa disponibiliza a toda a comunidade científica, é que abre portas ao desenvolvimento de estratégias mais eficazes para combater as doenças que atacam esta fruta, que, por ser estéril, está muito indefesa contra elas.
Com efeito, a domesticação da bananeira teve como resultado um empobrecimento genético das variedades comestíveis, que se tornaram por isso mais vulneráveis aos agentes patogénicos. Por exemplo, a espécie maioritária hoje na alimentação, a Cavendish, está sob ataque cerrado de um fungo, o Mycosphaerella fijinesnsis, e de uma outra doença, designada a "doença do Panamá". Esta já dizimou nos anos de 1950 a banana Gros Michel, na altura a principal espécie comercial de banana. Foi aliás, depois disso, que a Cavendish tomou o seu lugar.
O conhecimento agora disponibilizado poderá, por isso, ser um contributo decisivo para a protecção desta fonte alimentar e de riqueza, uma vez que vai facilitar "consideravelmente a identificação dos genes responsáveis por características de resistência às doenças destes frutos", concluem os autores.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Mutação genética protege contra a doença de Alzheimer

Uma mutação no gene que codifica a molécula precursora da proteína beta-amilóide confere protecção contra a doença de Alzheimer, revela um artigo na edição desta quinta-feira da revista Nature.
A Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que causa a progressiva perda de memória e incapacitação. Está associada à acumulação da beta-amilóide em placas à volta dos neurónios. Numa situação normal, a proteína beta-amilóide é degradada continuamente, mas certas variações genéticas podem alterar esta dinâmica, provocando a doença.
Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade da Islândia, liderada por Kari Stefansson, analisou, em 1795 islandeses, mutações no gene desta proteína que conferissem protecção. E descobriu que a mutação A673T tinha um efeito protector contra a doença.
A mutação é muito rara, mas diminui em 40% a produção de pequenas moléculas a partir da beta-amilóide e que se acumulam nas placas.
Até agora, a investigação feita sobre a doença de Alzheimer mostrava que variações no gene que comanda o fabrico desta proteína só tinham influência no aparecimento precoce da demência. Mas a identificação desta mutação altera esta ideia. A equipa comparou dois grupos de islandeses sem Alzheimer, com idades entre os 85 e os 100 anos. Apesar de nos dois grupos a capacidade cognitiva decrescer com os anos, no que tinha a mutação A673T, as funções cognitivas encontravam-se mais conservadas.
No artigo, os autores defendem que os dados suportam a hipótese de que o processo que causa o declínio cognitivo, associado à idade, e o processo que provoca a doença de Alzheimer podem, pelo menos em parte, serem o mesmo. E vão mais longe: “Propomos que a Alzheimer possa ser o extremo do declínio da função cognitiva relacionado com a idade.”

Fonte: Público