quarta-feira, 25 de julho de 2012

Investigadores fizeram medusa artificial com silicone e células de ratos

Movimenta-se e parece-se com uma medusa (ou uma alforreca, se preferirem) mas é artificial. É apenas uma imitação feita com recurso a silicone que, por sua vez, serviu de base para ali fazer crescer células musculares cardíacas de ratos. É um “mini-robô” orgânico e chama-se Medusoide que vem noticiado na mais recente edição da Nature Biotechnology. Para que serve? Para ajudar a saber mais sobre engenharia de tecidos e, especialmente, sobre o coração e outros músculos humanos.
A simples técnica de natação das medusas que consiste em usar um músculo para sucessivos impulsos na água – semelhante às batidas de um coração – terá sido o ponto de partida para que os investigadores classificassem este animal como um bom modelo de estudo no campo da engenharia de tecidos. Como muita coisa no mundo da ciência, este início fez-se de forma quase acidental quando um dos cientistas envolvidos no projecto estava a apreciar animais marinhos num grande aquário. “Comecei a pesquisar organismos marinhos e quando vi a medusa no New England Aquarium apercebi-me imediatamente das semelhanças e diferenças entre a forma como este animal move-se e o coração humano”, conta Kevin Kit Parker, professor de Bio-engenharia e Física Aplicada em Harvard. E assim foi criado um coração “bio-inspirado”.
Após alguns anos a investigar os mecanismos de propulsão usados pela medusa, analisando a forma como contrai e expande o seu corpo e como se serve da dinâmica da água para nadar, começou o projecto de criação da versão artificial. A forma foi conseguida com o recurso a uma fina membrana de silicone, desenhando-se aqui oito apêndices semelhantes aos seus “braços”. Depois recorreram a células do músculo cardíacos de ratos que foram colocadas e cultivadas no topo do animal e que cresceram de acordo com um padrão de proteínas previamente impresso no seu corpo (imitando a arquitectura muscular da medusa) e que permitiu que estas células se tornassem um músculo coerente para nadar.
Submersa num fluido capaz de conduzir electricidade, a Medusoide foi então submetida a choques eléctricos para promover as contracções próprias da sua forma de se movimentar na água. A imitação do desempenho biológico natural estava completa e resultou. Aliás, os investigadores referem que o robô começou a contrair-se ligeiramente mesmo antes da estimulação eléctrica. Agora, dizem, o futuro passa por aperfeiçoar a criação talvez ao ponto de fazer com que a Medusoide se movimente de forma autónoma. Por outro lado, a receita usada para a medusa artificial poderá ser melhorada ao ponto de possibilitar a criação de um estimulador cardíaco feito inteiramente com matéria-prima biológica.

Fonte: Público

domingo, 22 de julho de 2012

Investigadores tentam modificar o sexo aos robalos

Um grupo de investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) está a tentar modificar artificialmente o sexo aos robalos para inibir a formação de machos, revelou hoje à agência Lusa o diretor do Centro de Ciências do Mar (CCMAR).
Em declarações à Lusa, Adelino Canário explica que nas pisciculturas há muito mais machos do que fêmeas, fenómeno que pode dever-se ao efeito da temperatura nas primeiras fases de diferenciação sexual.
Segundo o biólogo, o facto de haver mais machos conduz a que estes se reproduzam mais cedo, usando a sua energia para se reproduzirem e não para crescerem.
"Os piscicultores querem peixes grandes para vender e a carne dos peixes não é tão boa quando entram em reprodução", sublinha, adiantando que o estudo visa encontrar uma forma de inibir a formação de machos.
Apesar de a investigação incidir sobre os robalos, as teorias que o grupo vai desenvolvendo são testadas em peixes-zebra, o equivalente ao "ratinho de laboratório" entre os peixes, que são mais facilmente mantidos em aquários, por serem menores.
A ideia é produzir peixes-zebra transgénicos, através da introdução de um gene que também existe nos humanos (DAX1) e que funciona para inibir a formação de linhagem masculina, acrescenta.
Os investigadores estão a tentar relacionar o aumento da temperatura com a proliferação de machos - que limita a capacidade de produção das pisciculturas -, para modificar as condições em que a cultura é feita.
Na natureza, o robalo reproduz-se a uma temperatura que oscila entre os 13 e os 15 graus, mas nas pisciculturas a água chega a atingir temperaturas entre os 18 e os 20 graus, refere.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 19 de julho de 2012

O mais pequeno planeta extra-solar será uma bola de fogo

Se um dia teve atmosfera, já a perdeu e a sua superfície será agora um tição. Outra possibilidade é ser uma bola de fogo, com a superfície derretida, por estar muito perto da estrela que orbita. Este é o novo planeta que acaba de ser descoberto noutro sistema solar: só tem dois terços do tamanho da Terra e encontra-se apenas a 33 anos-luz de nós.
Os planetas extra-solares orbitam outras estrelas que não o Sol. O primeiro foi descoberto em 1995, por uma equipa suíça, e desde então o número de planetas extra-solares detectados já anda perto dos 800. Inicialmente, os instrumentos só conseguiam detectar grandes monstros gasosos, como os “nossos” Júpiter e Neptuno. Mais tarde, encontraram-se planetas rochosos como a Terra, e cada vez mais o seu tamanho se aproxima do da Terra. Até agora, refere um comunicado de imprensa da agência espacial norte-americana NASA, somente se encontraram “uma mão cheia” de planetas mais pequenos do que o nosso.
Este, cuja descoberta foi anunciada nesta quarta-feira, foi apanhado por um telescópio espacial da NASA. Kevin Stevenson, da Universidade da Florida Central, nos EUA, e a sua equipa estavam a estudar um outro planeta que, além de gigante e gasoso como Neptuno também é quente por se encontrar muito perto da estrela, a GJ 436, quando se depararem com indícios de outra presença nesse sistema solar. A desconfiança de que havia outro planeta em órbita da GJ 436 deveu-se à detecção de uma pequena diminuição do brilho da luz da estrela. Ao olhar para os dados já recolhidos pelo telescópio Spitzer, guardados em arquivo, a equipa verificou que essa diminuição de luz era periódica. Alguma coisa andava mesmo em redor da estrela.
Os cientistas vasculharam ainda centenas de horas de observações não só do Spitzer, mas de sondas e telescópios em terra, e lá estavam as provas do planeta.
Tem um diâmetro de 8400 quilómetros – ou seja, dois terços do tamanho da Terra –, o que o torna o mais pequeno alguma vez descoberto, sublinha um comunicado da Universidade da Florida Central.
Mas ainda não é uma autêntica Terra que os cientistas tanto têm procurado, que, além de rochosa, estaria situada a uma distância da estrela que possibilitaria temperaturas propícias à existência de água líquida. Está tão próximo da estrela que demora apenas 1,4 dias a orbitá-la. Portanto, um ano neste planeta resume-se a 1,4 dias.
Tanta proximidade torna-o também abrasador, com as temperaturas à superfície a atingirem 600 graus Celsius, e por isso qualquer atmosfera que possa ter tido já se evaporou. Para Joseph Harrington, outro autor do trabalho, a publicar esta quinta-feira na revista The Astrophysical Journal, a superfície pode apresentar-se derretida. “O planeta pode até estar coberto de magma.”

Fonte: Público

terça-feira, 17 de julho de 2012

EUA aprovam Truvada para tratamento preventivo da sida

A agência norte-americana dos medicamentos (FDA) aprovou o antiretroviral "Truvada" como o primeiro tratamento de prevenção contra a sida destinado aos grupos de risco e que deverá contribuir, segundo as autoridades, para reduzir novas infeções.
Na sequência de uma recomendação de uma comissão de especialistas, a FDA aprovou o "Truvada", do laboratório norte-americano Gilead Sciences, "para reduzir a possibilidade de transmissão do vírus da sida (VIH) nas pessoas saudáveis com alto risco de serem contaminadas", precisou a agência em comunicado.
O Truvada, tomado diariamente, destina-se a "ser utilizado a título profilático antes de um contacto com o VIH, em combinação com práticas sexuais seguras como o uso de preservativo e outros meios de proteção - despistagem regular e tratamento de outras doenças venérias - para impedir a transmissão do vírus nos adultos de alto risco", sublinhou a agência.
"O Truvada não pode substituir práticas sexuais seguras", insiste a FDA.
O custo do tratamento varia de 12 mil a 14 mil dólares por ano.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Fóssil de australopiteco achado no laboratório

Não foi necessário voltar ao terreno para aparecer o terceiro fóssil do australopiteco que se conhece há menos tempo. Há três anos que o esqueleto de um indivíduo da espécie Australopithecus sediba estava num laboratório na África do Sul, mas passou despercebido por estar preso numa rocha de um metro de diâmetro. Só recentemente é que os investigadores do Instituto Wits para a Evolução Humana, em Joanesburgo, o encontraram e ontem divulgaram a sua existência.
"Descobrimos partes de uma mandíbula e o que parece ser um fémur completo, costelas, vértebras e outros elementos dos membros, alguns que nunca foram vistos de uma forma tão completa em fósseis [de hominídeos]", disse Lee Berger, paleoantropólogo do instituto, citado num comunicado.
O cientista foi um dos responsáveis pela investigação dos dois primeiros fósseis de Australopithecus sediba, encontrados no local arqueológico de Malapa, na África do Sul, em 2008, e cujos resultados foram publicados em 2010. A nova rocha é proveniente do mesmo local. Este australopiteco viveu há dois milhões de anos. Por ter características comuns ao australopiteco e ao género a que pertence o homem, veio baralhar os cientistas em relação à sua importância e lugar na árvore da evolução humana.
As ossadas novas podem fazer com que a espécie passe a ter o registo fóssil mais completo de sempre de um antepassado humano. A preparação do fóssil, retirando-o da rocha, vai ser transmitida na Internet. E quem quiser vai poder visitar o laboratório e ver a investigação ao vivo.

Fonte: Público