quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sistema operativo Android continua a liderar mercado

O sistema operativo Android, que integra os telemóveis inteligentes como os da Samsung, continuou a liderar o segmento no segundo trimestre, com uma quota de 68,1 por cento, segundo dados da consultora IDC hoje divulgados.
Em segundo lugar está o iOS, sistema operativo dos telemóveis da Apple, os iPhone, com uma quota de 16,9 por cento, seguido do BlackBerry OS, com uma posição de 4,8 por cento.
O sistema operativo de um telemóvel é a base de funcionamento do dispositivo.
O Symbian tinha uma quota de 4,4 por cento, o Windows Phone 7/Windows Mobile uma posição de 3,5 por cento e o Linux 2,3 por cento.
De acordo com a IDC, o sucesso no mercado do sistema Android assenta "diretamente na Samsung, que representou 44 por cento das encomendas de todos os 'smartphones' com Android no segundo trimestre".
A BlackBerry, uma das pioneiras e líderes do mercado de telemóveis inteligentes a nível mundial, atingiu neste segundo trimestre níveis nunca vistos desde os primeiros três meses de 2009.
A BlackBerry perdeu "significante quota de mercado para os outros sistemas operativos", continuando vulnerável à concorrência, já que o lançamento do novo telemóvel foi adiado para 2013.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Há cada vez mais provas de que o cancro nasce de células estaminais

Três equipas de cientistas de vários países revelaram novas provas, em experiências em ratinhos, da existência das controversas células estaminais cancerígenas e dizem que elas são as sementes dos cancros: originam todas as células malignas, suportam o crescimento dos tumores, criam as metástases e, como se não bastasse, resistem aos tratamentos convencionais. Publicados esta semana para diferentes tipos de cancro, dois dos trabalhos surgem na revista Nature e o terceiro na Science.
Deu-se a estas células o nome de "células estaminais cancerígenas" porque - tal como as normais células estaminais dos embriões e dos adultos, capazes de dar origem a diferentes tipos de tecidos no organismo - conseguem dividir-se vezes sem conta. Mais: é delas que descendem todas as outras células de um cancro e que, ainda por cima, não são todas iguais. Também lhes chamam "células iniciadoras dos tumores".
Segundo a hipótese das estaminais cancerígenas, nos cancros há uma hierarquia - e no topo da pirâmide encontram-se estas células. "Estão em menor número, mas fazem muitos estragos", explica Célia Gomes, que estuda as estaminais cancerígenas no Instituto de Investigação da Luz e da Imagem da Faculdade de Medicina de Coimbra. "As estaminais cancerígenas são uma das explicações para a heterogeneidade das células dos tumores."
Proposta há algumas décadas, esta hipótese tem suscitado grande debate. Foi em 1994 que estas células foram identificadas pela primeira vez de forma conclusiva, na leucemia: quando transplantadas para ratinhos com o sistema imunitário enfraquecido, essas células formaram tumores com as mesmas características. "Segundo a teoria, só estas células têm capacidade de gerar um tumor. Qualquer outra desse tumor que não seja estaminal não tem essa capacidade", explica Célia Gomes.
Desde a década de 1990, a hipótese foi ganhando força com a identificação de células estaminais cancerígenas em cancros como o da mama, da próstata, do cérebro e pâncreas.
Mas o papel exacto que elas desempenham continua a suscitar debate. Será que, como propõe a hipótese, são realmente responsáveis pelo início dos cancros, pelo seu crescimento e pela sua disseminação a outros tecidos e órgãos? Também não é muito claro se resultam da transformação de células estaminais adultas, que deixaram de ser capazes de controlar a proliferação, ou de células já diferenciadas que ganharam características das estaminais.
"O tumor pode ter origem em mutações que ocorreram em células estaminais adultas. Todos nós as temos e, no caso de haver um dano no organismo, elas dividem-se e o tecido regenera-se", explica Célia Gomes. "Ou podem ocorrer mutações em células não-estaminais, que fazem com que elas adquiram o comportamento das estaminais", acrescenta a cientista, considerando que as duas origens são possíveis.
Como as estaminais cancerígenas diferem de cancro para cancro, como explica Célia Gomes, é preciso localizar esse reservatório de malignidade para cada um deles. As três equipas dizem agora ter identificado, de forma independente, as estaminais de diferentes cancros e lesões pré-malignas.
A de Arnout Schepers, do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda, confirmou as suas suspeitas para os adenomas intestinais, pólipos no cólon e recto. "Mediante estudos em ratinhos, apresentamos provas directas e funcionais da actividade das células estaminais nos adenomas intestinais primários, precursores do cancro intestinal", diz o grupo de Schepers na Science.
Já a equipa de Cédric Blanpain, da Universidade Livre de Bruxelas, seguiu a evolução de um grupo de células de um cancro da pele, o carcinoma de células escamosas, e apontou-as como as iniciadoras de tudo.
Por fim, a equipa de Luis Parada, da Universidade do Sudoeste do Texas, nos EUA, identificou as estaminais cancerígenas do glioblastoma - um cancro do cérebro agressivo e com mau prognóstico, porque resiste à terapêutica e reaparece após a cirurgia. Além disso, as suas experiências mostraram que, depois da quimioterapia, esse pequeno número de células foi a fonte que alimentou novamente o cancro.
Vários trabalhos têm concluído que estas células são muito resistentes aos tratamentos convencionais (quimio e radioterapia), pelo que têm de ser um alvo para novos medicamentos. Aliás, Célia Gomes fez estudos deste género para o osteossarcoma, cancro dos ossos que atinge sobretudo crianças e adolescentes, e em Abril deste ano o seu grupo publicou os resultados na revista BMC Cancer. "Isolámos e caracterizámos uma subpopulação de células com características de estaminais e estudámos os efeitos que a quimioterapia e a radioterapia têm nelas. Verificámos que resistem mais a estas terapias", diz."Elas podem ser responsáveis pelo aparecimento de recidivas nos doentes de osteossarcoma. A taxa de sobrevida anda à volta dos 70% em cinco anos. Mas, destes 70%, cerca de 30 a 40% têm recidivas", acrescenta. "Muitas vezes, a seguir aos tratamentos observa-se uma diminuição significativa da massa tumoral. Estas células não se vêem numa TAC ou PET - é como se tivessem hibernado e deixam se ser atingidas pelas terapias convencionais, que têm como alvo as células muito proliferativas. Não estando a dividir-se, não são atingidas, mas estão lá e podem voltar a dar origem a tumores."
Todos estes estudos mudam a forma de olhar para o cancro? "Mudam", responde Célia Gomes. As estaminais cancerígenas não podem ficar de fora dos tratamentos e esta nova visão é importante para se desenvolverem novos medicamentos que, usados em combinação com a quimio e a radioterapia, as atinjam.
Mas as terapias não poderão centrar-se só nas células estaminais, explica a cientista: "Porque, ao longo do desenvolvimento do tumor, uma subpopulação de células não-estaminais pode adquirir características estaminais. [O cancro] é um processo dinâmico."

Fonte: Público

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Resistência à quimioterapia é provocada pelo tratamento

A resistência à quimioterapia, que afeta nove em cada dez pessoas com um tumor sólido metastizado, é afinal causada pelo próprio tratamento anticancerígeno, revela um estudo publicado hoje na revista científica Nature Medicine.
Cientistas do centro de investigação oncológica "Fred Hutchinson", em Seatle, EUA, escrevem que a quimioterapia leva as células cicatrizantes que rodeiam o tumor a produzir uma proteína que acaba por ajudar o cancro a resistir ao tratamento.
O próximo passo, dizem os investigadores, será encontrar uma forma de bloquear este efeito.
Segundo o estudo, cerca de 90% dos doentes com cancros sólidos - como o da mama, da próstata, do pulmão ou do cólon - que se espalharam pelo corpo (metastizados) desenvolvem resistências à quimioterapia.
Este tratamento é normalmente dado a intervalos para que o corpo do doente não seja prejudicado pela sua toxicidade, mas estes períodos permitem que as células tumorais recuperem e desenvolvam resistências.
A investigação centrou-se na reação que a quimioterapia provoca nos fibroblastos, células que desempenham um papel importante na cicatrização e na produção de colagénio.
Segundo os investigadores, a quimioterapia danifica o ADN e leva os fibroblastos a produzirem até 30 vezes mais do que deviam de uma proteína chamada WNT16B.
Esta proteína estimula o crescimento das células tumorais e ajuda-as a invadir os tecidos que as rodeiam e a resistir ao tratamento.
As funções desta proteína no desenvolvimento do cancro já eram conhecidas, mas é a primeira vez que os cientistas a relacionam com a resistência à quimioterapia.
Os investigadores esperam que a sua descoberta ajude a descobrir uma forma de travar esta resposta e aumentar a eficácia do tratamento.
"Os tratamentos contra o cancro estão a tornar-se cada vez mais específicos (...). A nossa descoberta indica que o microambiente que rodeia o tumor também pode influenciar o êxito ou o fracasso destas terapias", explicou Peter Nelson, autor principal do estudo, citado pela cadeia britânica BBC.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Investigadores fizeram medusa artificial com silicone e células de ratos

Movimenta-se e parece-se com uma medusa (ou uma alforreca, se preferirem) mas é artificial. É apenas uma imitação feita com recurso a silicone que, por sua vez, serviu de base para ali fazer crescer células musculares cardíacas de ratos. É um “mini-robô” orgânico e chama-se Medusoide que vem noticiado na mais recente edição da Nature Biotechnology. Para que serve? Para ajudar a saber mais sobre engenharia de tecidos e, especialmente, sobre o coração e outros músculos humanos.
A simples técnica de natação das medusas que consiste em usar um músculo para sucessivos impulsos na água – semelhante às batidas de um coração – terá sido o ponto de partida para que os investigadores classificassem este animal como um bom modelo de estudo no campo da engenharia de tecidos. Como muita coisa no mundo da ciência, este início fez-se de forma quase acidental quando um dos cientistas envolvidos no projecto estava a apreciar animais marinhos num grande aquário. “Comecei a pesquisar organismos marinhos e quando vi a medusa no New England Aquarium apercebi-me imediatamente das semelhanças e diferenças entre a forma como este animal move-se e o coração humano”, conta Kevin Kit Parker, professor de Bio-engenharia e Física Aplicada em Harvard. E assim foi criado um coração “bio-inspirado”.
Após alguns anos a investigar os mecanismos de propulsão usados pela medusa, analisando a forma como contrai e expande o seu corpo e como se serve da dinâmica da água para nadar, começou o projecto de criação da versão artificial. A forma foi conseguida com o recurso a uma fina membrana de silicone, desenhando-se aqui oito apêndices semelhantes aos seus “braços”. Depois recorreram a células do músculo cardíacos de ratos que foram colocadas e cultivadas no topo do animal e que cresceram de acordo com um padrão de proteínas previamente impresso no seu corpo (imitando a arquitectura muscular da medusa) e que permitiu que estas células se tornassem um músculo coerente para nadar.
Submersa num fluido capaz de conduzir electricidade, a Medusoide foi então submetida a choques eléctricos para promover as contracções próprias da sua forma de se movimentar na água. A imitação do desempenho biológico natural estava completa e resultou. Aliás, os investigadores referem que o robô começou a contrair-se ligeiramente mesmo antes da estimulação eléctrica. Agora, dizem, o futuro passa por aperfeiçoar a criação talvez ao ponto de fazer com que a Medusoide se movimente de forma autónoma. Por outro lado, a receita usada para a medusa artificial poderá ser melhorada ao ponto de possibilitar a criação de um estimulador cardíaco feito inteiramente com matéria-prima biológica.

Fonte: Público

domingo, 22 de julho de 2012

Investigadores tentam modificar o sexo aos robalos

Um grupo de investigadores da Universidade do Algarve (UAlg) está a tentar modificar artificialmente o sexo aos robalos para inibir a formação de machos, revelou hoje à agência Lusa o diretor do Centro de Ciências do Mar (CCMAR).
Em declarações à Lusa, Adelino Canário explica que nas pisciculturas há muito mais machos do que fêmeas, fenómeno que pode dever-se ao efeito da temperatura nas primeiras fases de diferenciação sexual.
Segundo o biólogo, o facto de haver mais machos conduz a que estes se reproduzam mais cedo, usando a sua energia para se reproduzirem e não para crescerem.
"Os piscicultores querem peixes grandes para vender e a carne dos peixes não é tão boa quando entram em reprodução", sublinha, adiantando que o estudo visa encontrar uma forma de inibir a formação de machos.
Apesar de a investigação incidir sobre os robalos, as teorias que o grupo vai desenvolvendo são testadas em peixes-zebra, o equivalente ao "ratinho de laboratório" entre os peixes, que são mais facilmente mantidos em aquários, por serem menores.
A ideia é produzir peixes-zebra transgénicos, através da introdução de um gene que também existe nos humanos (DAX1) e que funciona para inibir a formação de linhagem masculina, acrescenta.
Os investigadores estão a tentar relacionar o aumento da temperatura com a proliferação de machos - que limita a capacidade de produção das pisciculturas -, para modificar as condições em que a cultura é feita.
Na natureza, o robalo reproduz-se a uma temperatura que oscila entre os 13 e os 15 graus, mas nas pisciculturas a água chega a atingir temperaturas entre os 18 e os 20 graus, refere.

Fonte: Diário de Notícias