sábado, 11 de agosto de 2012

Sol brilha no meio de matéria escura

Poderia pensar-se num erro estatístico qualquer, mas o facto é que os astrofísicos não conseguem encontrá-lo e por isso afirmam - e publicaram agora na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society - que estão "99% seguros de que existe matéria escura em torno Sol". É assim que Silvia Garbari, a coordenadora da equipa que fez o estudo, na Universidade de Zurique, resume a questão, citada num comunicado da sua universidade.
A matéria escura é um verdadeiro mistério. Proposta pelo astrónomo suíço Fritz Zwicky, na década de 1930, para explicar o motivo por que as galáxias não se desagregam - ela seria essa massa agregadora - a matéria escura nunca foi vista por nenhum cientista, apesar de vários observatórios no mundo estarem há anos à sua procura.
Apesar de nunca ter sido encontrada, a matéria escura é um dado adquirido para os físicos. Para além das observações que levaram Fritz Zwicky a pensar nela, há quase 80 anos, um holandês chamado Jan Oort descobriu por volta da mesma época que a densidade da matéria em torno do Sol era praticamente o dobro da que era possível observar. A ideia de matéria escura vinha mesmo a calhar.
Os cientistas pensam atualmente que 23% do universo é feito de matéria escura, porque observam nas galáxias e estrelas distantes efeitos que sugerem a existência de uma maior densidade de matéria do que aquela que encontram.
Tem sido assim até agora, embora contas dos últimos anos aplicadas ao Sol tenham chegado sistematicamente a valores de matéria escura inferiores ao que se esperava. Ou seja, havia um duplo mistério: o universo estava cheio dela e o Sol nem por isso.
A equipa de Silvia Garbari diz ter dado um passo mais na determinação dessa misteriosa matéria que ninguém vê, ao conciliar as duas coisas: afinal não falta a tal matéria escura em torno do Sol.
Para chegar a esta conclusão, os astrofísicos de Zurique desenvolveram uma nova técnica de medição. Aplicaram as suas contas à Via Láctea, usando os dados mais recentes sobre ela, e depois voltaram-se para Sol e com as equações corrigidas, encontraram a matéria escura que faltava junto ao Sol segundo as contas das duas últimas décadas.
Resta agora o mistério da matéria escura, que está lá, mas que nunca ninguém viu. Uma ideia que anda agora no ar é que ela é constituída por partículas que interagem de forma muito fraca com a matéria "normal". A maior certeza é a de que os estudos vão prosseguir.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Descobertos os “fósforos” mais antigos, usados para fazer fogo por fricção

Os fósforos como os conhecemos agora são uma invenção do século XIX, mas desde a pré-história que o homem faz fogo. Para isso, os povos utilizavam uma parafernália de utensílios. Uma equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém analisou pequenos objectos de barro com 8000 anos, que antes se pensava serem formas fálicas de culto, e percebeu que serviam como “fósforos” para atear a chama. Estes “fósforos” são os mais antigos até agora encontrados, segundo o artigo publicado na revista PLoS One.
A equipa de Naama Goren-Ibar estudou mais de 80 destes objectos descobertos no sítio arqueológico de Sha’ar HaGolan, no Nordeste de Israel, onde há 8000 anos florescia a cultura neolítica Yarmukian. Os objectos estavam no Museu de Israel em Jerusalém classificados como objectos de culto.
Goren-Ibar em visita ao Museu viu naqueles objectos outro propósito. “Veio-me imediatamente à cabeça que estes objectos eram muito parecidos com todos os paus que se usam para fazer ‘fogo por fricção’”, explicou a investigadora, citada pela BBC News. “Temos provas da utilização de fogo feito pelos humanos modernos e pelos Neandertais, devido a [elementos arqueológicos como] madeira queimada, cinzas e lareiras. Mas nunca foi encontrado nada que se relacionasse com a forma de atear o fogo.”
O fogo por fricção pode ser feito com um arco de madeira com um cordão que prende uma broca – um pedaço de madeira cilíndrico. A ponta esférica deste pedaço de madeira ajusta-se a um buraco feito numa placa de madeira que fica no chão. Segurando a broca com uma pedra, pode-se utilizar o arco e a corda para girar a broca e fazer fricção na madeira ateando o fogo.
A equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém tentou perceber se os pequenos paus de barro cozido funcionavam como brocas. Estes paus, que tinham entre três e seis centímetros de comprimento e entre 1,2 e 1,4 centímetros de largura, eram cilíndricos com as pontas arredondadas, em forma de cone ou com uma forma irregular. Muitos estavam partidos, mas alguns permaneceram intactos ao longo de milénios.
A equipa identificou estrias e marcas lineares nas pontas dos paus e relacionou essas marcas com a fricção feita para atear o fogo. Além disso, encontrou partes chamuscadas nos “fósforos” e marcas na parte lateral que poderiam ter sido feitas pelas cordas do arco. “Propomos que estes objectos sejam o registo mais antigo de fósforos – brocas que serviam como componente de um mecanismo avançado para produzir fogo”, sugere o artigo.
Os autores não refutam o aspecto simbólico dos “fósforos”. A nível etnográfico, estas brocas e a placa de madeira “representavam o órgão sexual masculino e feminino”, defende o artigo.

Fonte: Público

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sistema operativo Android continua a liderar mercado

O sistema operativo Android, que integra os telemóveis inteligentes como os da Samsung, continuou a liderar o segmento no segundo trimestre, com uma quota de 68,1 por cento, segundo dados da consultora IDC hoje divulgados.
Em segundo lugar está o iOS, sistema operativo dos telemóveis da Apple, os iPhone, com uma quota de 16,9 por cento, seguido do BlackBerry OS, com uma posição de 4,8 por cento.
O sistema operativo de um telemóvel é a base de funcionamento do dispositivo.
O Symbian tinha uma quota de 4,4 por cento, o Windows Phone 7/Windows Mobile uma posição de 3,5 por cento e o Linux 2,3 por cento.
De acordo com a IDC, o sucesso no mercado do sistema Android assenta "diretamente na Samsung, que representou 44 por cento das encomendas de todos os 'smartphones' com Android no segundo trimestre".
A BlackBerry, uma das pioneiras e líderes do mercado de telemóveis inteligentes a nível mundial, atingiu neste segundo trimestre níveis nunca vistos desde os primeiros três meses de 2009.
A BlackBerry perdeu "significante quota de mercado para os outros sistemas operativos", continuando vulnerável à concorrência, já que o lançamento do novo telemóvel foi adiado para 2013.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Há cada vez mais provas de que o cancro nasce de células estaminais

Três equipas de cientistas de vários países revelaram novas provas, em experiências em ratinhos, da existência das controversas células estaminais cancerígenas e dizem que elas são as sementes dos cancros: originam todas as células malignas, suportam o crescimento dos tumores, criam as metástases e, como se não bastasse, resistem aos tratamentos convencionais. Publicados esta semana para diferentes tipos de cancro, dois dos trabalhos surgem na revista Nature e o terceiro na Science.
Deu-se a estas células o nome de "células estaminais cancerígenas" porque - tal como as normais células estaminais dos embriões e dos adultos, capazes de dar origem a diferentes tipos de tecidos no organismo - conseguem dividir-se vezes sem conta. Mais: é delas que descendem todas as outras células de um cancro e que, ainda por cima, não são todas iguais. Também lhes chamam "células iniciadoras dos tumores".
Segundo a hipótese das estaminais cancerígenas, nos cancros há uma hierarquia - e no topo da pirâmide encontram-se estas células. "Estão em menor número, mas fazem muitos estragos", explica Célia Gomes, que estuda as estaminais cancerígenas no Instituto de Investigação da Luz e da Imagem da Faculdade de Medicina de Coimbra. "As estaminais cancerígenas são uma das explicações para a heterogeneidade das células dos tumores."
Proposta há algumas décadas, esta hipótese tem suscitado grande debate. Foi em 1994 que estas células foram identificadas pela primeira vez de forma conclusiva, na leucemia: quando transplantadas para ratinhos com o sistema imunitário enfraquecido, essas células formaram tumores com as mesmas características. "Segundo a teoria, só estas células têm capacidade de gerar um tumor. Qualquer outra desse tumor que não seja estaminal não tem essa capacidade", explica Célia Gomes.
Desde a década de 1990, a hipótese foi ganhando força com a identificação de células estaminais cancerígenas em cancros como o da mama, da próstata, do cérebro e pâncreas.
Mas o papel exacto que elas desempenham continua a suscitar debate. Será que, como propõe a hipótese, são realmente responsáveis pelo início dos cancros, pelo seu crescimento e pela sua disseminação a outros tecidos e órgãos? Também não é muito claro se resultam da transformação de células estaminais adultas, que deixaram de ser capazes de controlar a proliferação, ou de células já diferenciadas que ganharam características das estaminais.
"O tumor pode ter origem em mutações que ocorreram em células estaminais adultas. Todos nós as temos e, no caso de haver um dano no organismo, elas dividem-se e o tecido regenera-se", explica Célia Gomes. "Ou podem ocorrer mutações em células não-estaminais, que fazem com que elas adquiram o comportamento das estaminais", acrescenta a cientista, considerando que as duas origens são possíveis.
Como as estaminais cancerígenas diferem de cancro para cancro, como explica Célia Gomes, é preciso localizar esse reservatório de malignidade para cada um deles. As três equipas dizem agora ter identificado, de forma independente, as estaminais de diferentes cancros e lesões pré-malignas.
A de Arnout Schepers, do Centro Médico da Universidade de Utrecht, na Holanda, confirmou as suas suspeitas para os adenomas intestinais, pólipos no cólon e recto. "Mediante estudos em ratinhos, apresentamos provas directas e funcionais da actividade das células estaminais nos adenomas intestinais primários, precursores do cancro intestinal", diz o grupo de Schepers na Science.
Já a equipa de Cédric Blanpain, da Universidade Livre de Bruxelas, seguiu a evolução de um grupo de células de um cancro da pele, o carcinoma de células escamosas, e apontou-as como as iniciadoras de tudo.
Por fim, a equipa de Luis Parada, da Universidade do Sudoeste do Texas, nos EUA, identificou as estaminais cancerígenas do glioblastoma - um cancro do cérebro agressivo e com mau prognóstico, porque resiste à terapêutica e reaparece após a cirurgia. Além disso, as suas experiências mostraram que, depois da quimioterapia, esse pequeno número de células foi a fonte que alimentou novamente o cancro.
Vários trabalhos têm concluído que estas células são muito resistentes aos tratamentos convencionais (quimio e radioterapia), pelo que têm de ser um alvo para novos medicamentos. Aliás, Célia Gomes fez estudos deste género para o osteossarcoma, cancro dos ossos que atinge sobretudo crianças e adolescentes, e em Abril deste ano o seu grupo publicou os resultados na revista BMC Cancer. "Isolámos e caracterizámos uma subpopulação de células com características de estaminais e estudámos os efeitos que a quimioterapia e a radioterapia têm nelas. Verificámos que resistem mais a estas terapias", diz."Elas podem ser responsáveis pelo aparecimento de recidivas nos doentes de osteossarcoma. A taxa de sobrevida anda à volta dos 70% em cinco anos. Mas, destes 70%, cerca de 30 a 40% têm recidivas", acrescenta. "Muitas vezes, a seguir aos tratamentos observa-se uma diminuição significativa da massa tumoral. Estas células não se vêem numa TAC ou PET - é como se tivessem hibernado e deixam se ser atingidas pelas terapias convencionais, que têm como alvo as células muito proliferativas. Não estando a dividir-se, não são atingidas, mas estão lá e podem voltar a dar origem a tumores."
Todos estes estudos mudam a forma de olhar para o cancro? "Mudam", responde Célia Gomes. As estaminais cancerígenas não podem ficar de fora dos tratamentos e esta nova visão é importante para se desenvolverem novos medicamentos que, usados em combinação com a quimio e a radioterapia, as atinjam.
Mas as terapias não poderão centrar-se só nas células estaminais, explica a cientista: "Porque, ao longo do desenvolvimento do tumor, uma subpopulação de células não-estaminais pode adquirir características estaminais. [O cancro] é um processo dinâmico."

Fonte: Público

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Resistência à quimioterapia é provocada pelo tratamento

A resistência à quimioterapia, que afeta nove em cada dez pessoas com um tumor sólido metastizado, é afinal causada pelo próprio tratamento anticancerígeno, revela um estudo publicado hoje na revista científica Nature Medicine.
Cientistas do centro de investigação oncológica "Fred Hutchinson", em Seatle, EUA, escrevem que a quimioterapia leva as células cicatrizantes que rodeiam o tumor a produzir uma proteína que acaba por ajudar o cancro a resistir ao tratamento.
O próximo passo, dizem os investigadores, será encontrar uma forma de bloquear este efeito.
Segundo o estudo, cerca de 90% dos doentes com cancros sólidos - como o da mama, da próstata, do pulmão ou do cólon - que se espalharam pelo corpo (metastizados) desenvolvem resistências à quimioterapia.
Este tratamento é normalmente dado a intervalos para que o corpo do doente não seja prejudicado pela sua toxicidade, mas estes períodos permitem que as células tumorais recuperem e desenvolvam resistências.
A investigação centrou-se na reação que a quimioterapia provoca nos fibroblastos, células que desempenham um papel importante na cicatrização e na produção de colagénio.
Segundo os investigadores, a quimioterapia danifica o ADN e leva os fibroblastos a produzirem até 30 vezes mais do que deviam de uma proteína chamada WNT16B.
Esta proteína estimula o crescimento das células tumorais e ajuda-as a invadir os tecidos que as rodeiam e a resistir ao tratamento.
As funções desta proteína no desenvolvimento do cancro já eram conhecidas, mas é a primeira vez que os cientistas a relacionam com a resistência à quimioterapia.
Os investigadores esperam que a sua descoberta ajude a descobrir uma forma de travar esta resposta e aumentar a eficácia do tratamento.
"Os tratamentos contra o cancro estão a tornar-se cada vez mais específicos (...). A nossa descoberta indica que o microambiente que rodeia o tumor também pode influenciar o êxito ou o fracasso destas terapias", explicou Peter Nelson, autor principal do estudo, citado pela cadeia britânica BBC.

Fonte: Diário de Notícias