terça-feira, 14 de agosto de 2012

E se um líder terrorista fosse preso com a ajuda de um algoritmo?

Um falso rumor na Internet tem uma fonte primordial, assim como uma epidemia tem início num surto localizado ou uma rede de terroristas tem um líder que comanda actos como o ataque de 11 de Setembro de 2001. O que costuma ser difícil, mas determinante para combater estas situações, é encontrar a origem destes fenómenos que acontecem através de redes de comunicação. Mas um algoritmo desenvolvido por um português, com outros colegas, pode ajudar a determinar a origem de fenómenos deste tipo, com poucos pontos de monitorização destas redes. O estudo foi agora publicado na revista Physical Review Letters.
Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda morto em 2011, foi o responsável último pelos ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono e pela tentativa falhada à Casa Branca, a 11 de Setembro de 2001. Mas foi Mohamed Atta, o piloto do avião que embateu contra a torre Norte, que organizou o esquema terrorista. Poucos dias depois dos ataques, os Estados Unidos conseguiram unir as ligações da rede terrorista e Atta foi identificado como o responsável pelo esquema.
Pedro Pinto, cientista português a trabalhar na Escola Politécnica Federal de Lausana, Suíça, chegou quase à mesma conclusão, quando utilizou um modelo algorítmico que desenvolveu com Patrick Thiran e Martin Vetterli, ambos da mesma instituição. "Para o modelo funcionar, é preciso perceber a rede", disse Pedro Pinto.
Um exemplo muito actual é o Facebook, uma rede social onde as pessoas têm amigos, que por sua vez têm mais amigos, alguns comuns, outros não, e assim sucessivamente. Cada pessoa é um nó nesta rede e quando um rumor é lançado por alguém propaga-se. A altura em que esse rumor chega a um dado utilizador depende do número de nós que há entre essa pessoa e a fonte do rumor, e o tempo que a informação demora a ser transmitida de nó em nó.
Segundo Pedro Pinto, que fez Engenharia Informática na Universidade do Porto antes do doutoramento no Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e de ir para a Suíça, o estudo dos vírus informáticos ajudou muito a prever como se propaga a informação na Internet. Mas o inverso, detectar a origem dos vírus quando eles já estão espalhados, não era nada fácil.
Para resolver esse problema, a equipa partiu de uma investigação sobre um surto de cólera na África do Sul. "Tínhamos os dados, formulámos o modelo de como o vírus se propagou [nas redes de água, de transportes e nos rios] e desenvolvemos os métodos para determinar a origem [do surto]", explicou o cientista. Depois, a equipa testou o algoritmo noutro tipo de redes.
Um desafio complicado é o das redes terroristas: estão escondidas, a informação passa de várias formas entre os seus membros e com frequência muito variável. O grupo responsável pelos ataques do 11 de Setembro foi alvo de testes deste algoritmo, chamado SparseInf. Para tornar o teste realista, a equipa partiu do princípio de que só conseguia espiar a informação que passava por dois elementos da rede.
Os cientistas utilizaram a informação que foi publicada nos jornais sobre as ligações entre os 62 elementos conhecidos da rede. Fizeram vários testes à procura do seu líder, em que um dos membros espiado era sempre o mesmo e o outro variava. Num dos pares, o algoritmo conseguiu reduzir os potenciais cabecilhas dos ataques do 11 de Setembro a três terroristas - e um deles era Mohamed Atta.
Apesar dos aperfeiçoamentos que ainda são necessários, o algoritmo mostra que "um pequeno número de observadores pode ser uma alternativa eficiente à monitorização de cada um dos nós numa rede", conclui o artigo. E pode ser pensado para situações tão diversas como a monitorização de uma substância tóxica introduzida numa estação de metro ou o alastrar de uma pandemia global de aeroporto em aeroporto. "Quase todos os sistemas podem ser modelados por redes", diz Pedro Pinto, que vai disponibilizar o programa no seu site para "quem quiser brincar com ele".
Agora, o cientista está interessado em estudar os nós mais influentes na Internet, como blogues, que podem, por exemplo, permitir às agências publicitárias escolher um público-alvo para um produto.

Fonte: Público

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Empresa holandesa quer filmar "reality show" em Marte

Uma empresa holandesa disse que ia oferecer viagens para Marte e filmar a experiência como um "reality show", noticiou a agência France Press (AFP).
A ideia da empresa designada "Mars One" (Marte 1) é fazer aterrar quatro astronautas em Marte em 2023, sete anos antes do objetivo da agência espacial norte-americana NASA, e iniciar o recrutamento de voluntários no próximo ano.
O programa contempla apenas bilhetes de ida para o planeta Marte.
Apesar do ceticismo de especialistas, a empresa "Mars One" ganhou o apoio do Prémio Nobel Gerard Hooft, galardoado com o prémio da Física em 1999.
"A minha primeira reação foi: 'isto nunca vai funcionar'. Mas um olhar mais atento ao projeto convenceu-me. Eu penso que vai ser mesmo possível", disse Hooft à AFP.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 12 de agosto de 2012

Maias já tinham perus domésticos há 2000 anos

Ossos de perus encontrados na década de 1980 em El Mirador, uma cidade da antiga civilização maia, na Guatemala, deixaram pasmados uma equipa de cientistas. As aves pertenciam à espécie domesticada e terão sido transportadas ao longo de centenas de quilómetros. Nada disto seria uma surpresa se a datação dos ossos não obrigasse a recuar em mil anos a data do uso mais antigo de perus domésticos pelos maias, diz agora um artigo na revista Public Library of Science One (PLoS One).
A carne de peru está à venda em qualquer supermercado. Mas, ao contrário da galinha ou do coelho, que foram domesticados deste lado do Atlântico, aquela espécie foi trazida do Novo Mundo. Original do México, era das poucas espécies domesticadas pelos povos mesoamericanos, onde há vestígios arqueológicos seus entre 800 e 100 anos a.C.
Mas pensava-se que os maias só tinham começado a criar o peru muito depois - trazido da região do México -, entre 1000 e 1500 d.C. Até lá, os perus usados para comer ou sacrificar seriam de uma espécie selvagem da península de Iucatão.
Os vestígios dos fósseis de sete indivíduos estavam num museu em Brigham, no Utah, EUA, até serem enviados para Erin Thornton, do Museu de História Natural da Florida para serem estudados. "Estes ossos vieram do recinto de cerimónias, por isso provavelmente são restos de algum tipo de sacrifício feito por elites, ou de uma refeição ou festim", disse Thornton, co-autora do artigo.
Os ossos datam de 300 a.C. a 100 d.C., durante o período pré-clássico maia em que El Mirador era uma potência. Pela morfologia e genética, concluiu-se que os ossos eram da espécie domesticada. Por isso, os perus tiveram de ser transportados ao longo de 650 quilómetros. Os ossos eram de fêmeas, machos e crias, o que permite fazer criação, e os indivíduos tinham asas subdesenvolvidas, um sinal de domesticação. Não se sabe se estes perus foram criados ali ou transportados, mas a descoberta obriga a repensar a alimentação e o comércio dos maias.

Fonte: Público

sábado, 11 de agosto de 2012

Sol brilha no meio de matéria escura

Poderia pensar-se num erro estatístico qualquer, mas o facto é que os astrofísicos não conseguem encontrá-lo e por isso afirmam - e publicaram agora na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society - que estão "99% seguros de que existe matéria escura em torno Sol". É assim que Silvia Garbari, a coordenadora da equipa que fez o estudo, na Universidade de Zurique, resume a questão, citada num comunicado da sua universidade.
A matéria escura é um verdadeiro mistério. Proposta pelo astrónomo suíço Fritz Zwicky, na década de 1930, para explicar o motivo por que as galáxias não se desagregam - ela seria essa massa agregadora - a matéria escura nunca foi vista por nenhum cientista, apesar de vários observatórios no mundo estarem há anos à sua procura.
Apesar de nunca ter sido encontrada, a matéria escura é um dado adquirido para os físicos. Para além das observações que levaram Fritz Zwicky a pensar nela, há quase 80 anos, um holandês chamado Jan Oort descobriu por volta da mesma época que a densidade da matéria em torno do Sol era praticamente o dobro da que era possível observar. A ideia de matéria escura vinha mesmo a calhar.
Os cientistas pensam atualmente que 23% do universo é feito de matéria escura, porque observam nas galáxias e estrelas distantes efeitos que sugerem a existência de uma maior densidade de matéria do que aquela que encontram.
Tem sido assim até agora, embora contas dos últimos anos aplicadas ao Sol tenham chegado sistematicamente a valores de matéria escura inferiores ao que se esperava. Ou seja, havia um duplo mistério: o universo estava cheio dela e o Sol nem por isso.
A equipa de Silvia Garbari diz ter dado um passo mais na determinação dessa misteriosa matéria que ninguém vê, ao conciliar as duas coisas: afinal não falta a tal matéria escura em torno do Sol.
Para chegar a esta conclusão, os astrofísicos de Zurique desenvolveram uma nova técnica de medição. Aplicaram as suas contas à Via Láctea, usando os dados mais recentes sobre ela, e depois voltaram-se para Sol e com as equações corrigidas, encontraram a matéria escura que faltava junto ao Sol segundo as contas das duas últimas décadas.
Resta agora o mistério da matéria escura, que está lá, mas que nunca ninguém viu. Uma ideia que anda agora no ar é que ela é constituída por partículas que interagem de forma muito fraca com a matéria "normal". A maior certeza é a de que os estudos vão prosseguir.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Descobertos os “fósforos” mais antigos, usados para fazer fogo por fricção

Os fósforos como os conhecemos agora são uma invenção do século XIX, mas desde a pré-história que o homem faz fogo. Para isso, os povos utilizavam uma parafernália de utensílios. Uma equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém analisou pequenos objectos de barro com 8000 anos, que antes se pensava serem formas fálicas de culto, e percebeu que serviam como “fósforos” para atear a chama. Estes “fósforos” são os mais antigos até agora encontrados, segundo o artigo publicado na revista PLoS One.
A equipa de Naama Goren-Ibar estudou mais de 80 destes objectos descobertos no sítio arqueológico de Sha’ar HaGolan, no Nordeste de Israel, onde há 8000 anos florescia a cultura neolítica Yarmukian. Os objectos estavam no Museu de Israel em Jerusalém classificados como objectos de culto.
Goren-Ibar em visita ao Museu viu naqueles objectos outro propósito. “Veio-me imediatamente à cabeça que estes objectos eram muito parecidos com todos os paus que se usam para fazer ‘fogo por fricção’”, explicou a investigadora, citada pela BBC News. “Temos provas da utilização de fogo feito pelos humanos modernos e pelos Neandertais, devido a [elementos arqueológicos como] madeira queimada, cinzas e lareiras. Mas nunca foi encontrado nada que se relacionasse com a forma de atear o fogo.”
O fogo por fricção pode ser feito com um arco de madeira com um cordão que prende uma broca – um pedaço de madeira cilíndrico. A ponta esférica deste pedaço de madeira ajusta-se a um buraco feito numa placa de madeira que fica no chão. Segurando a broca com uma pedra, pode-se utilizar o arco e a corda para girar a broca e fazer fricção na madeira ateando o fogo.
A equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém tentou perceber se os pequenos paus de barro cozido funcionavam como brocas. Estes paus, que tinham entre três e seis centímetros de comprimento e entre 1,2 e 1,4 centímetros de largura, eram cilíndricos com as pontas arredondadas, em forma de cone ou com uma forma irregular. Muitos estavam partidos, mas alguns permaneceram intactos ao longo de milénios.
A equipa identificou estrias e marcas lineares nas pontas dos paus e relacionou essas marcas com a fricção feita para atear o fogo. Além disso, encontrou partes chamuscadas nos “fósforos” e marcas na parte lateral que poderiam ter sido feitas pelas cordas do arco. “Propomos que estes objectos sejam o registo mais antigo de fósforos – brocas que serviam como componente de um mecanismo avançado para produzir fogo”, sugere o artigo.
Os autores não refutam o aspecto simbólico dos “fósforos”. A nível etnográfico, estas brocas e a placa de madeira “representavam o órgão sexual masculino e feminino”, defende o artigo.

Fonte: Público