quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O que faz Paris ser Paris e não Praga, Barcelona, Nova Iorque ou Londres

Fala-se de Paris como a mais romântica das cidades. Mas o que distingue a capital francesa — filmada rua a rua em Antes do Anoitecer e em tantos outros filmes com uma carga romântica tão forte como a interpretada por Ethan Hawke e Julie Delpy — podem afinal ser aspectos arquitectónicos e de design bem mais concretos: a forma e a cor das placas que assinalam as ruas, os tipos de candeeiros de pé distribuídos pela cidade ou as grades que delimitam as varandas das casas.
Cientistas da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, trabalharam dados visuais do Google Street View à procura de características distintivas de 12 cidades, entre as quais a capital francesa. E afinal, O que faz com que Paris se pareça com Paris?, questiona a equipa no título do artigo, publicado na revista ACM Transactions on Graphics. A resposta não é definitiva, mas o trabalho mostra que a análise de imagens pode ajudar a compreender a experiência estilística que se sente quando se está lá.
“O nosso laboratório tem estado interessado no problema da geolocalização, ou seja, em conseguir inferir onde é que uma fotografia foi tirada”, explica-nos Carl Doersch, um dos autores do artigo.
Há uma grande diferença em como as pessoas e os computadores identificam o local onde as imagens foram tiradas. “Se uma pessoa cataloga uma imagem como sendo de Paris, normalmente consegue apontar ‘elementos visuais’: placas com os nomes das ruas ou varandas. Mas, antes do nosso trabalho, os computadores tratavam as imagens como uma colecção de linhas e curvas: uma imagem seria de Paris se tivesse o número certo de linhas no local correcto”, explica Doersch. A equipa, liderada por Alexei Efros, quis mudar isso. Usando um programa informático que está sempre a aprender, os cientistas tentaram identificar os elementos visuais que caracterizam uma região, e que, depois, fazem sentido para as pessoas como elementos distintivos das cidades.
Para isso, utilizaram o Google Street View, um programa onde se podem ver fotografias de alta resolução de muitas regiões do mundo, permitindo fazer autênticas tours virtuais pelas avenidas das grandes metrópoles. Os cientistas escolheram cerca de 10.000 imagens do programa por cada cidade que analisaram: Paris, Londres, Praga, Barcelona, Milão, Nova Iorque, Boston, Filadélfia, São Francisco, São Paulo, Cidade do México e Tóquio.
Depois, procuraram padrões dentro das imagens que ocorressem frequentemente e fossem ao mesmo tempo discriminativos. A Torre Eiffel é uma construção única no mundo, mas nas fotografias de Paris aparece tão raramente que é inútil para identificar a cidade. Pelo contrário, os passeios de Paris são comuns, mas são iguais aos de tantas outras cidades. “O maior desafio é que a esmagadora maioria da informação [nas imagens] é desinteressante. Por isso, encontrar os raros elementos que interessam é como encontrar uma agulha no palheiro”, explica o artigo.
Primeiro, a equipa escolheu milhares de elementos que sobressaíam nas fotografias. Depois, verificou se estes elementos estavam limitados geograficamente ou existiam em todas as cidades. Finalmente, obrigou o programa informático a aprender a agrupar correctamente os elementos interessantes e distintivos de cada cidade. Deste modo, os cientistas determinaram que as placas das ruas eram diferenciadoras de Paris. Que o formato do candeeiro de pé de Londres era diferente do de Paris e que também era diferente do de Praga. Ou que os gradeamentos à frente dos edifícios londrinos eram únicos.
Uma das conclusões é que as cidades europeias têm muito mais características distintivas do que as dos Estados Unidos. Carl Doersch justifica esta diferença devido à mistura cultural na América e, por outro lado, porque os norte-americanos têm aversão a regulamentos que interfiram na liberdade privada. “Cada cidade dos EUA tem muitas diferenças e não há um estilo único dominante.”

Da Grécia a Portugal
Mas o investigador diz que este programa pode vir a influenciar a urbanização. “Um software que for construído a partir do nosso pode ajudar os arquitectos a compreender o estilo das cidades para onde desenham edifícios e levar o público a apreciar o estilo e a história da sua própria região. Nesse caso, os construtores passariam a dar mais atenção ao estilo de uma cidade e a mantê-lo.”
Há também um contexto histórico que os autores defendem que estes resultados podem elucidar. Muitos elementos arquitectónicos que o programa identifica são partilhados entre algumas cidades. De certa forma, este padrão responde à questão de como um lugar acabou por ser como é. “Há uma narrativa estilística que começa na Grécia antiga e que se move tanto no espaço como no tempo, primeiro para Roma, depois para França, Espanha e Portugal, e finalmente para o Novo Mundo”, explica Alexei Efros. Ao identificar esses elementos arquitectónicos partilhados, poderá descobrir-se até a“história de outras influências, subjectivas e difíceis de quantificar, entre estes locais”. E a capital portuguesa, o que a tornará única? “Infelizmente, não estudei Lisboa. Por isso, não consigo adivinhar o que encontraria”, responde Carl Doersch.

Fonte: Público

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Google Earth pode ter descoberto pirâmide gigantesca

Arqueóloga usou o Google Earth para fazer a sensacional descoberta daquilo que parece ser uma pirâmide três vezes maior que a grande pirâmide de Gizé.
A arqueóloga Angela Micol passou dez anos a investigar a bacia hidrográfica do Nilo, no Egito, e agora assinalou dois locais que apresentam inequivocamente a forma de pirâmides.
Segundo avança o jornal "The Sun", um dos locais assinalados revela o que parece ser a base de uma pirâmide, quase três vezes maior que a grande pirâmide de Gizé. Falta ainda confirmar se se trata efetivamente de uma pirâmide genuína o que, a confirmar-se, poderá ser uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos.
A arqueóloga norte-americana prepara agora uma expedição ao local para perceber exatamente o que é o misterioso local revelado pelo Google Earth. "Numa observação mais atenta, esta formação parece ter uma superfície lisa e numa curiosa forma triangular", diz, "as imagens falam por si próprias e é óbvio que os locais assinalados têm qualquer coisa, mas são necessárias pesquisas no local para perceber melhor do que se trata".

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 14 de agosto de 2012

E se um líder terrorista fosse preso com a ajuda de um algoritmo?

Um falso rumor na Internet tem uma fonte primordial, assim como uma epidemia tem início num surto localizado ou uma rede de terroristas tem um líder que comanda actos como o ataque de 11 de Setembro de 2001. O que costuma ser difícil, mas determinante para combater estas situações, é encontrar a origem destes fenómenos que acontecem através de redes de comunicação. Mas um algoritmo desenvolvido por um português, com outros colegas, pode ajudar a determinar a origem de fenómenos deste tipo, com poucos pontos de monitorização destas redes. O estudo foi agora publicado na revista Physical Review Letters.
Osama bin Laden, o líder da Al-Qaeda morto em 2011, foi o responsável último pelos ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono e pela tentativa falhada à Casa Branca, a 11 de Setembro de 2001. Mas foi Mohamed Atta, o piloto do avião que embateu contra a torre Norte, que organizou o esquema terrorista. Poucos dias depois dos ataques, os Estados Unidos conseguiram unir as ligações da rede terrorista e Atta foi identificado como o responsável pelo esquema.
Pedro Pinto, cientista português a trabalhar na Escola Politécnica Federal de Lausana, Suíça, chegou quase à mesma conclusão, quando utilizou um modelo algorítmico que desenvolveu com Patrick Thiran e Martin Vetterli, ambos da mesma instituição. "Para o modelo funcionar, é preciso perceber a rede", disse Pedro Pinto.
Um exemplo muito actual é o Facebook, uma rede social onde as pessoas têm amigos, que por sua vez têm mais amigos, alguns comuns, outros não, e assim sucessivamente. Cada pessoa é um nó nesta rede e quando um rumor é lançado por alguém propaga-se. A altura em que esse rumor chega a um dado utilizador depende do número de nós que há entre essa pessoa e a fonte do rumor, e o tempo que a informação demora a ser transmitida de nó em nó.
Segundo Pedro Pinto, que fez Engenharia Informática na Universidade do Porto antes do doutoramento no Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, e de ir para a Suíça, o estudo dos vírus informáticos ajudou muito a prever como se propaga a informação na Internet. Mas o inverso, detectar a origem dos vírus quando eles já estão espalhados, não era nada fácil.
Para resolver esse problema, a equipa partiu de uma investigação sobre um surto de cólera na África do Sul. "Tínhamos os dados, formulámos o modelo de como o vírus se propagou [nas redes de água, de transportes e nos rios] e desenvolvemos os métodos para determinar a origem [do surto]", explicou o cientista. Depois, a equipa testou o algoritmo noutro tipo de redes.
Um desafio complicado é o das redes terroristas: estão escondidas, a informação passa de várias formas entre os seus membros e com frequência muito variável. O grupo responsável pelos ataques do 11 de Setembro foi alvo de testes deste algoritmo, chamado SparseInf. Para tornar o teste realista, a equipa partiu do princípio de que só conseguia espiar a informação que passava por dois elementos da rede.
Os cientistas utilizaram a informação que foi publicada nos jornais sobre as ligações entre os 62 elementos conhecidos da rede. Fizeram vários testes à procura do seu líder, em que um dos membros espiado era sempre o mesmo e o outro variava. Num dos pares, o algoritmo conseguiu reduzir os potenciais cabecilhas dos ataques do 11 de Setembro a três terroristas - e um deles era Mohamed Atta.
Apesar dos aperfeiçoamentos que ainda são necessários, o algoritmo mostra que "um pequeno número de observadores pode ser uma alternativa eficiente à monitorização de cada um dos nós numa rede", conclui o artigo. E pode ser pensado para situações tão diversas como a monitorização de uma substância tóxica introduzida numa estação de metro ou o alastrar de uma pandemia global de aeroporto em aeroporto. "Quase todos os sistemas podem ser modelados por redes", diz Pedro Pinto, que vai disponibilizar o programa no seu site para "quem quiser brincar com ele".
Agora, o cientista está interessado em estudar os nós mais influentes na Internet, como blogues, que podem, por exemplo, permitir às agências publicitárias escolher um público-alvo para um produto.

Fonte: Público

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Empresa holandesa quer filmar "reality show" em Marte

Uma empresa holandesa disse que ia oferecer viagens para Marte e filmar a experiência como um "reality show", noticiou a agência France Press (AFP).
A ideia da empresa designada "Mars One" (Marte 1) é fazer aterrar quatro astronautas em Marte em 2023, sete anos antes do objetivo da agência espacial norte-americana NASA, e iniciar o recrutamento de voluntários no próximo ano.
O programa contempla apenas bilhetes de ida para o planeta Marte.
Apesar do ceticismo de especialistas, a empresa "Mars One" ganhou o apoio do Prémio Nobel Gerard Hooft, galardoado com o prémio da Física em 1999.
"A minha primeira reação foi: 'isto nunca vai funcionar'. Mas um olhar mais atento ao projeto convenceu-me. Eu penso que vai ser mesmo possível", disse Hooft à AFP.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 12 de agosto de 2012

Maias já tinham perus domésticos há 2000 anos

Ossos de perus encontrados na década de 1980 em El Mirador, uma cidade da antiga civilização maia, na Guatemala, deixaram pasmados uma equipa de cientistas. As aves pertenciam à espécie domesticada e terão sido transportadas ao longo de centenas de quilómetros. Nada disto seria uma surpresa se a datação dos ossos não obrigasse a recuar em mil anos a data do uso mais antigo de perus domésticos pelos maias, diz agora um artigo na revista Public Library of Science One (PLoS One).
A carne de peru está à venda em qualquer supermercado. Mas, ao contrário da galinha ou do coelho, que foram domesticados deste lado do Atlântico, aquela espécie foi trazida do Novo Mundo. Original do México, era das poucas espécies domesticadas pelos povos mesoamericanos, onde há vestígios arqueológicos seus entre 800 e 100 anos a.C.
Mas pensava-se que os maias só tinham começado a criar o peru muito depois - trazido da região do México -, entre 1000 e 1500 d.C. Até lá, os perus usados para comer ou sacrificar seriam de uma espécie selvagem da península de Iucatão.
Os vestígios dos fósseis de sete indivíduos estavam num museu em Brigham, no Utah, EUA, até serem enviados para Erin Thornton, do Museu de História Natural da Florida para serem estudados. "Estes ossos vieram do recinto de cerimónias, por isso provavelmente são restos de algum tipo de sacrifício feito por elites, ou de uma refeição ou festim", disse Thornton, co-autora do artigo.
Os ossos datam de 300 a.C. a 100 d.C., durante o período pré-clássico maia em que El Mirador era uma potência. Pela morfologia e genética, concluiu-se que os ossos eram da espécie domesticada. Por isso, os perus tiveram de ser transportados ao longo de 650 quilómetros. Os ossos eram de fêmeas, machos e crias, o que permite fazer criação, e os indivíduos tinham asas subdesenvolvidas, um sinal de domesticação. Não se sabe se estes perus foram criados ali ou transportados, mas a descoberta obriga a repensar a alimentação e o comércio dos maias.

Fonte: Público