segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Brasileiros criam plantas resistentes à seca

Investigadores brasileiros estão a testar em laboratório plantas transgénicas capazes de resistir a longos períodos de seca, numa resposta às preocupações suscitadas pelas alterações climáticas.
"O projeto começou a partir da pesquisa do genoma da planta do café. Nesse estudo, que contou com mais de 100 investigadores, identificámos os 30 mil genes do café e, a partir daí, cada grupo passou a pesquisar uma característica específica", afirmou à Lusa o investigador Eduardo Romano, ao explicar que o seu grupo ficou com a missão de estudar os genes associados à resistência à seca.
Após ser identificado, esse gene foi isolado e testado numa planta-modelo, de uma espécie semelhante à mostarda, com o nome científico Arabidopsis thaliana.
"As plantas que receberam o gene sobreviveram 40 dias sem água, enquanto as que não o receberam morreram após 15 dias sem água", disse Eduardo Romano, que integra a equipa científica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola (Embrapa), onde o projeto é levado a cabo.
Graças aos resultados animadores obtidos nas primeiras experiências, a descoberta será testada agora em cinco culturas comerciais, entre elas alguns dos principais produtos de exportação brasileira: cana-de-açúcar, soja, arroz, trigo e algodão.
De acordo com o investigador, exemplares dessas cinco espécies já receberam o gene especial e estão a ser observadas em laboratório. Após o nascimento das primeiras plantas transgénicas, as sementes serão novamente testadas em laboratório para, só então, a partir de uma seleção das melhores amostras, serem iniciados testes de campo.
"Acreditamos que num ano e meio já teremos os resultados da experiência em todas as culturas", avança.
Em paralelo com os estudos de viabilidade do gene da resistência à seca, a equipa está também a realizar testes toxicológicos para garantir que os produtos resultantes das culturas transgénicas serão seguros para consumo.
De acordo com o investigador, já foi possível comprovar que as variedades geneticamente modificadas em estudo não serão propensas a causar alergias.
"Ao longo do desenvolvimento do produto vamos fazendo vários testes. Por exemplo, já vimos que essa proteína não é propensa a causar alergia. Fazemos isso comparando com um banco de dados que a FAO possui", explica.
Segundo Romano, a legislação brasileira atual é bastante rigorosa no controlo de produtos transgénicos e o investimento em testes de biossegurança chega a ser até dez vezes superior ao investimento na pesquisa em si.
A seca figura entre os maiores problemas da agricultura em todo o mundo. A atual estiagem que ameaça a produção de milho nos Estados Unidos levou recentemente a um pedido oficial da Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO) para que o país abandone temporariamente sua produção de biocombustível a partir do milho.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 19 de agosto de 2012

Curiosity testa laser numa rocha de Marte

O rover Curiosity está a preparar-se para pulverizar a sua primeira rocha marciana. O alvo do ChemCam, o laser do robô da NASA, é uma pequena rocha que se encontra ao lado do local onde o Curiosity posou, na cratera Gale.
O breve mas poderoso raio laser do Curiosity vai pulverizar a superfície da rocha, revelando detalhes da sua composição química, explica a BBC.
Chamada N165, a rocha não deverá ter qualquer valor científico, servindo apenas para testar o laser do Curiosity. O robô, cuja missão em Marte passa por analisar as rochas do Planeta Vermelho em busca de vida passada.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 18 de agosto de 2012

"Super-idosos" têm cérebros muito menos envelhecidos do que as pessoas da sua idade

O cérebro encolhe. É um facto normal do envelhecimento. O córtex cerebral diminui de volume ao longo da vida, tal como as nossas memórias se vão perdendo. Há muito que os cientistas estudam a demência ou doenças como a Alzheimer, com o objectivo de aprender algo que possa ajudar a combater tudo o que ponha em risco a consciência, o nosso precioso "eu". Mas as respostas podem vir de onde menos se espera: de pessoas com excelente memória.
A equipa de Emily Rogaslki, da Universidade de Northwestern, em Chicago, nos Estados Unidos, enveredou pelo caminho inverso para tentar atingir esse objectivo. Foi à procura de algo que roça o mito urbano: idosos com um cérebro tão jovem como uma pessoa de meia-idade. E, surpreendentemente, encontrou-os. Os resultados publicados nesta sexta-feira na revista Journal of the International Neuropsychological Society, mostram que pode haver uma alternativa à desmemória inexorável trazida pelos anos.
"Esta descoberta é excepcional, já que a matéria cinzenta ou a perda de células cerebrais é um aspecto do envelhecimento normal", disse Emily Rogaslki, em comunicado.
Esta normalidade está estudada na literatura. Uma pessoa saudável de 80 anos tem uma memória pior do que alguém com 50, que por sua vez terá mais dificuldade em recordar um determinado acontecimento do que um jovem. O fenómeno reflecte-se em testes básicos, mas também é revelado quando se observa a anatomia humana. O córtex - a parte mais externa do cérebro, responsável pelas memórias, atenção, pensamento ou linguagem - diminui de espessura à medida que a idade avança.
"Mas há relatos de indivíduos que parecem imunes à perda da memória", diz o artigo científico. A equipa foi à procura destes casos para ver se esta perda seria inevitável ou se haveria uma "trajectória alternativa que resiste às mudanças anatómicas e cognitivas, características do envelhecimento normal".
Para isso, os cientistas estudaram 12 "super-idosos" com uma média de idades de 83,5 anos, depois de terem feito um teste que mostrava terem uma memória equivalente a pessoas na casa dos 50 e dos 60 anos. A equipa comparou estes "super-idosos" com dois grupos: o primeiro de dez idosos saudáveis com uma média de idades de 83,1 anos, o segundo tinha 14 pessoas com cerca de 57,9 anos. Os três grupos passaram por vários testes cognitivos e, depois, fizeram-lhes imagens de ressonância magnética ao cérebro.
Os resultados foram expressivos: os "super-idosos" tinham uma espessura do córtex cerebral maior do que o grupo de pessoas da mesma idade. Essa espessura era equivalente à do grupo com idades entre os 50 e os 65 anos. "A espessura do córtex dá uma medida indirecta da saúde do cérebro", disse a investigadora. "Um córtex mais espesso sugere um maior número de neurónios."
Uma região que sobressaiu nas imagens e nas medições foi o córtex cingular anterior, responsável pela capacidade de atenção, que nos "super-idosos" chegava a ser maior do que nas pessoas de meia-idade. "É mesmo incrível", disse Rogalski. "Esta região é importante para a atenção, e a atenção suporta a memória. Talvez os "super-idosos" tenham mesmo uma atenção mais aguçada e isso suporta a sua memória excepcional."
Para a cientista, estes resultados podem vir a ajudar a tratar problemas como a doença de Alzheimer, que é degenerativa e cujos primeiros sinais são a perda gradual das recordações. "Podemos começar a perceber como é que os "super-idosos" conseguem manter a sua boa memória. O que aprendemos com estes cérebros saudáveis pode ajudar nas estratégias para melhorar a qualidade de vida dos idosos e combater a doença de Alzheimer."
Mas esta população é mínima. Só 10% das pessoas que disseram ter uma capacidade extraordinária de guardar lembranças é que conseguiram passar os testes da equipa.
Uma das questões que o artigo levanta é como é que estas pessoas chegaram a estas idades assim: será que já nasceram com um córtex particularmente grande? Ou será que houve uma diminuição muito mais lenta do cérebro do que o normal? Qualquer que seja a resposta, o trabalho "demonstra como a manutenção de uma memória superior, acompanhada pela integridade do córtex, é possível a nível biológico".
“Estamos a seguir estes indivíduos em intervalos regulares de 18 meses e vamos recolher informações sobre o contexto genético, o tipo de vida que levam, a história médica. Também pedimos para doarem os cérebros na altura da morte. No fim, esperamos identificar as características biológicas que promovem a capacidade funcional nas pessoas mais velhas”, disse ao PÚBLICO a investigadora.

Fonte: Público

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Avião supersónico desintegra-se sobre o Pacífico

A Força Aérea norte-americana realizou ontem um voo de teste com o seu avião supersónico não tripulado X-51A WaveRider. Mas uma falha técnica fez com que o avião se desintegrasse.
X-51A Wave Rider foi lançado com êxito e soltou-se corretamente do bombardeiro B-52 que o transportava, no entanto, teve uma falha técnica aos 16 segundos de voo e acabou por se desintegrar sobre o Oceano Pacífico, informou uma fonte do Pentágono, citada pela agência Efe.
"É lamentável que um problema técnico tenha abortado tão rapidamente o voo antes de se poder ligar o motor "scramjet" (que permite alcançar velocidades supersónicas), afirmou Charlie Brink, reponsável pelo Programa de Investigação do X-51A da Força Aérea dos Estados Unidos. "Todos os dados mostravam que que haviam condições adequadas para se dar a ignição e estávamos muito esperançados em poder cumprir os objetivos do teste", adiantou.
O Pentágono informou que irá agora realizar uma investigação rigorosa para se ficarem a conhecer as causas da falha. O X-51A esperavam que neste teste a aeronave atingisse a velocidade supersónica durante 300 segundos, até submergir no Oceano Pacífico.
Este terá sido o terceiro voo experimental de um programa que começou em 2004, com financiamento da NASA e do Pentágono. O primeiro WaveRider, construído pela Boeing, foi testado em maio de 2010 e atingiu os 3500 quilómetros por hora durante 143 segundos, quando teve um problema técnico. O segundo teste, realizado em junho de 2011, também terminou mais cedo do que o esperado.
A Força Aérea norte-americana tenciona desenvolver esta tecnologia para transportar mísseis ou aviões para qualquer parte do mundo em poucos minutos, não dando tempo aos inimigos para reagir. Para além da velocidade, as aeronaves supersónicas voarão a grande altitude, fora do alcance do fogo inimigo ou mesmo de um míssil.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O que faz Paris ser Paris e não Praga, Barcelona, Nova Iorque ou Londres

Fala-se de Paris como a mais romântica das cidades. Mas o que distingue a capital francesa — filmada rua a rua em Antes do Anoitecer e em tantos outros filmes com uma carga romântica tão forte como a interpretada por Ethan Hawke e Julie Delpy — podem afinal ser aspectos arquitectónicos e de design bem mais concretos: a forma e a cor das placas que assinalam as ruas, os tipos de candeeiros de pé distribuídos pela cidade ou as grades que delimitam as varandas das casas.
Cientistas da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, trabalharam dados visuais do Google Street View à procura de características distintivas de 12 cidades, entre as quais a capital francesa. E afinal, O que faz com que Paris se pareça com Paris?, questiona a equipa no título do artigo, publicado na revista ACM Transactions on Graphics. A resposta não é definitiva, mas o trabalho mostra que a análise de imagens pode ajudar a compreender a experiência estilística que se sente quando se está lá.
“O nosso laboratório tem estado interessado no problema da geolocalização, ou seja, em conseguir inferir onde é que uma fotografia foi tirada”, explica-nos Carl Doersch, um dos autores do artigo.
Há uma grande diferença em como as pessoas e os computadores identificam o local onde as imagens foram tiradas. “Se uma pessoa cataloga uma imagem como sendo de Paris, normalmente consegue apontar ‘elementos visuais’: placas com os nomes das ruas ou varandas. Mas, antes do nosso trabalho, os computadores tratavam as imagens como uma colecção de linhas e curvas: uma imagem seria de Paris se tivesse o número certo de linhas no local correcto”, explica Doersch. A equipa, liderada por Alexei Efros, quis mudar isso. Usando um programa informático que está sempre a aprender, os cientistas tentaram identificar os elementos visuais que caracterizam uma região, e que, depois, fazem sentido para as pessoas como elementos distintivos das cidades.
Para isso, utilizaram o Google Street View, um programa onde se podem ver fotografias de alta resolução de muitas regiões do mundo, permitindo fazer autênticas tours virtuais pelas avenidas das grandes metrópoles. Os cientistas escolheram cerca de 10.000 imagens do programa por cada cidade que analisaram: Paris, Londres, Praga, Barcelona, Milão, Nova Iorque, Boston, Filadélfia, São Francisco, São Paulo, Cidade do México e Tóquio.
Depois, procuraram padrões dentro das imagens que ocorressem frequentemente e fossem ao mesmo tempo discriminativos. A Torre Eiffel é uma construção única no mundo, mas nas fotografias de Paris aparece tão raramente que é inútil para identificar a cidade. Pelo contrário, os passeios de Paris são comuns, mas são iguais aos de tantas outras cidades. “O maior desafio é que a esmagadora maioria da informação [nas imagens] é desinteressante. Por isso, encontrar os raros elementos que interessam é como encontrar uma agulha no palheiro”, explica o artigo.
Primeiro, a equipa escolheu milhares de elementos que sobressaíam nas fotografias. Depois, verificou se estes elementos estavam limitados geograficamente ou existiam em todas as cidades. Finalmente, obrigou o programa informático a aprender a agrupar correctamente os elementos interessantes e distintivos de cada cidade. Deste modo, os cientistas determinaram que as placas das ruas eram diferenciadoras de Paris. Que o formato do candeeiro de pé de Londres era diferente do de Paris e que também era diferente do de Praga. Ou que os gradeamentos à frente dos edifícios londrinos eram únicos.
Uma das conclusões é que as cidades europeias têm muito mais características distintivas do que as dos Estados Unidos. Carl Doersch justifica esta diferença devido à mistura cultural na América e, por outro lado, porque os norte-americanos têm aversão a regulamentos que interfiram na liberdade privada. “Cada cidade dos EUA tem muitas diferenças e não há um estilo único dominante.”

Da Grécia a Portugal
Mas o investigador diz que este programa pode vir a influenciar a urbanização. “Um software que for construído a partir do nosso pode ajudar os arquitectos a compreender o estilo das cidades para onde desenham edifícios e levar o público a apreciar o estilo e a história da sua própria região. Nesse caso, os construtores passariam a dar mais atenção ao estilo de uma cidade e a mantê-lo.”
Há também um contexto histórico que os autores defendem que estes resultados podem elucidar. Muitos elementos arquitectónicos que o programa identifica são partilhados entre algumas cidades. De certa forma, este padrão responde à questão de como um lugar acabou por ser como é. “Há uma narrativa estilística que começa na Grécia antiga e que se move tanto no espaço como no tempo, primeiro para Roma, depois para França, Espanha e Portugal, e finalmente para o Novo Mundo”, explica Alexei Efros. Ao identificar esses elementos arquitectónicos partilhados, poderá descobrir-se até a“história de outras influências, subjectivas e difíceis de quantificar, entre estes locais”. E a capital portuguesa, o que a tornará única? “Infelizmente, não estudei Lisboa. Por isso, não consigo adivinhar o que encontraria”, responde Carl Doersch.

Fonte: Público