quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alimentos biológicos e convencionais valem quase o mesmo para a saúde

Produtos biológicos como fruta, vegetais, cereais, carne e leite não vão tornar as pessoas que os consomem mais saudáveis, já que têm níveis de nutrientes semelhantes aos alimentos produzidos pelo modo convencional. A maior diferença está na quantidade de pesticidas, conclui um estudo da Universidade de Stanford, Califórnia, publicado nesta terça-feira na revista Annals of Internal Medicine.
Na altura de escolher o que colocar no cesto das compras, não serão os benefícios das vitaminas e minerais na saúde que vão ajudar a decidir se leva produtos biológicos ou produtos convencionais. “Se tomarmos uma decisão baseada apenas na nossa saúde, não existem muitas diferenças” entre uns e outros, disse Dena Bravata, investigadora principal do estudo que comparou os principais nutrientes nos dois tipos de alimentos.
Para chegar a esta conclusão, a equipa de Dena Bravata analisou centenas de estudos científicos já publicados e identificou os 237 mais relevantes, incluindo 17 sobre as dietas alimentares de pessoas que consumiram alimentos biológicos e convencionais. A maioria dos estudos, 223, comparou os níveis de nutrientes, de bactérias, fungos ou a contaminação por pesticidas de vários produtos, nomeadamente frutas, vegetais, cereais, carne, leite e ovos. A duração dos estudos variou entre os dois dias e os dois anos.
O estudo de revisão da literatura científica existente – que, dizem os investigadores, é o mais completo até agora realizado sobre a questão – não encontrou provas significativas de que os alimentos biológicos são mais nutritivos ou acarretam menos riscos para a saúde do que as alternativas convencionais. Aliás, o fósforo foi o único nutriente encontrado em maiores quantidades nos produtos biológicos. A maior diferença foi detectada ao nível da exposição a pesticidas, mais reduzido nos produtos biológicos.
Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, não ficou surpreendida com estas conclusões. “Já tenho lido artigos científicos que apontam nesse sentido”, ou seja, “no que diz respeito aos principais nutrientes, a diferença não é muito significativa", disse ao PÚBLICO. Além disso, existem muitos factores que afectam a composição nutricional dos alimentos, como a zona geográfica onde são produzidos e se o ano de colheita foi de seca, por exemplo.
O objectivo dos investigadores da Universidade de Stanford foi ajudar ao debate sobre os benefícios para saúde dos alimentos biológicos, uma questão que permanece em aberto. A equipa encontrou várias limitações ao seu trabalho, como a heterogeneidade dos estudos, baseados em diferentes métodos de teste e mesmo de agricultura biológica. Segundo a BBC, o estudo é criticado por ser inconclusivo.
Na verdade, a ideia para a investigação surgiu depois de cada vez mais pacientes de Bravata – que além de investigadora também é médica – lhe perguntarem o que seria melhor para a sua saúde e de não haver uma resposta.
“Esta é uma pergunta recorrente durante as consultas ou ainda nos fóruns de discussão”, contou ao PÚBLICO Alexandra Bento. Ainda assim, a nutricionista e bastonária afirma que “nunca recomendaria um alimento biológico face a outro convencional”. Na sua opinião, na altura da compra é o consumidor quem decide. “Tudo depende do que para nós tem mais importância, se o preço ou se, por exemplo, formos mais sensíveis ao sabor”, uma questão que, para si, “não é de descurar”.
Segundo Alexandra Bento, “é de incentivar a pequena horta para quem tem essa possibilidade”. “Se colher um tomate, ou uma alface ou laranja no estado de maturação ideal e se a consumir imediatamente, esse alimento terá uma riqueza nutricional máxima.”
Os cientistas norte-americanos quiseram dar mais informação às pessoas, não desencorajá-las a consumir produtos biológicos, explicam. “Se olharmos para lá dos benefícios na saúde, existem muitas outras razões para consumir alimentos orgânicos em lugar dos convencionais”, acrescentou Bravata, referindo benefícios ambientais e de bem-estar animal.

Fonte: Público

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Partícula de Deus: o que vem a seguir?

"O que vem a seguir?" é a pergunta que os cientistas que descobriram o possível Bosão de Higgs ("Partícula de Deus") querem ver respondida até ao final do ano, e cujo programa de investigação é discutido esta semana em Lisboa.
A explicação foi dada à agência Lusa por João Varela, vice-diretor da experiência CMS, uma das duas maiores experiências no colisionador de protões do CERN (LHC), organização que recentemente anunciou a descoberta de uma partícula que poderá ser o Bosão de Higgs.
Os dados obtidos no LHC apontam para a existência de uma nova partícula, com um grau de certeza superior a um para um milhão, que tem características e propriedades muito semelhantes às do modelo padrão do Bosão de Higgs, afirmou em declarações à Lusa.
O Bosão de Higgs ou "Partícula de Deus" é uma partícula fundamental no modelo padrão da Física de Partículas.
Esta partícula agora descoberta poderá ser uma das peças que falta no puzzle da origem do universo, pois seja ou não a "Partícula de Deus", é uma descoberta que alarga desde já o conhecimento e servirá como ponto de partida para novas descobertas.
Até ao fim do ano haverá dados para responder à pergunta sobre se é uma partícula compatível com o Bosão de Higgs ou se é outra, afirmou João Varela.
"Se for outra, será muito interessante porque dará indicações de outros fenómenos. É uma partícula com características do Bosão de Higgs, mas pode não ser como o previsto na teoria. Pode ser algo que nos diz que a teoria não está completamente certa, que há qualquer coisa para além do modelo standard, e que o modelo padrão terá que ser alterado, estendido, aumentado ou completado", explicou.
Ou então é o Bosão de Higgs, a partícula que dá informação fundamental sobre o universo, que está todo ele banhado no campo de Higgs, todo o espaço é preenchido com o campo de Higgs, e este teria tido um papel determinante na criação do universo, das estrelas, das galáxias, dos planetas.
Uma descoberta dessas será fundamental na procura de explicação para a formação do universo, já que as estrelas, os planetas as galáxias e tudo aquilo que é atualmente conhecido representa apenas 4% da matéria do universo.
Tudo o resto, os outros 96%, é matéria escura e energia escura, que não se sabe o que é, acrescentou o investigador.
Todas estas questões estão em discussão durante a semana em Lisboa, naquela que é a reunião anual da experiência CMS fora do CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear).
Esta colaboração internacional (CMS), de cerca de 3.500 investigadores de 180 instituições científicas em 40 países, reúne-se uma vez por ano fora do CERN, sendo esta a primeira vez que vem a Portugal.
Neste encontro vai discutir-se o programa de investigação de colaboração e o ponto mais importante é "o que vem a seguir?". A partir da recente descoberta, importa agora delinear o programa de investigação até ao fim do ano.
Os investigadores vão também discutir o "upgrade da experiência" a mais longo prazo, nomeadamente a substituição de detetores.
O trabalho da equipa da experiencia CMS consiste em pôr a funcionar, manter e reparar um instrumento cientifico (acelerador de partículas) muito grande, dentro de um fosso de 100 metros de profundidade.
Paralelamente, há investigadores a fazer análise de dados, processados em rede num computador mundial desenvolvido pelo CERN - que vai para além da Internet -, um centro único de colaboração, que possibilita aos investigadores aceder aos dados, mesmo sem saber onde (em que país) eles estão.
Aproveitando a presença em Portugal destes cientistas realiza-se na terça-feira, no Pavilhão do Conhecimento, uma sessão pública gratuita sobre as experiências internacionais desenvolvidas na busca do bosão de Higgs, em que colaboram mais de uma centena de investigadores portugueses.
Albert De Roeck, do CERN, que integra a experiência CMS, e André David, jovem investigador do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física de Partículas - vão ser os oradores nesta palestra, mas o evento conta ainda com a presença de muitos outros envolvidos como João Varela, vice-diretor da experiência CMS.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estudantes estão mais perto de conseguirem aprender enquanto dormem

Qual é o estudante que não ia querer deitar-se com uns auscultadores nos ouvidos, fechar os olhos e, na manhã seguinte, já saber tudo sobre o bosão de Higgs, se isso fosse possível? Um estudo publicado nesta semana, na revista científica Nature Neuroscience, comprovou pela primeira vez que as pessoas são capazes de aprender “lições” simples, enquanto dormem.
Muitos estudantes já sonharam pelo menos uma vez na sua vida como seria se conseguissem aprender enquanto dormiam e sem qualquer esforço. Não se sabe ao certo onde a equipa de investigadores israelitas liderada por Anat Arzi, do Instituto Weizmann de Ciência, se inspirou para a realização desta experiência, mas certamente que a população estudantil vai estar atenta nos próximos anos a esta linha de investigação.
Para tentar ensinar uma lição muito simples, os investigadores andaram a pulverizar os voluntários com cheiros agradáveis e desagradáveis – odores de peixe podre –, enquanto estes dormiam. Tal como acontece quando as pessoas estão acordadas, os voluntários “adormecidos” em contacto com odores agradáveis inspiravam mais longamente e os perfumados com odores desagradáveis limitavam o seu fôlego. A isto, os investigadores ainda adicionaram mais um factor: um som particular associado a cada odor – agudos para os agradáveis e graves para os desagradáveis.
Após diversas exposições, os cientistas deixaram de “regar” os participantes com os cheiros enquanto dormiam, mas mantiveram os dois tipos de sons. Os voluntários, quando ouviam o som agudo, passavam a inspirar mais longamente, e quando ouviam o som grave, reagiam de forma oposta.
Já acordados, foram expostos novamente aos mesmos sons. De alguma forma, no seu subconsciente, estavam à espera de um determinado cheiro e os fôlegos voltaram a alterar-se.
Este fenómeno é conhecido como condicionamento ou aprendizagem condicionada – uma simples forma de aprendizagem que ficou famosa por Ivan Pavlov e o seu cão.
A lição condicionada que tinha sido apreendida durante o sono dos voluntários mantinha-se quando os participantes na experiência acordavam. Todavia, os voluntários não tinham consciência de terem aprendido algo durante a noite.
A co-autora do artigo Ilana Hairston, da Universidade de Ciências Comportamentais de Jafa, afirmou à National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, que esta investigação pode ser o primeiro passo para “desbloquear os efeitos que o sono tem nos processos cerebrais”. Já em estudos anteriores, tinha sido comprovado o efeito positivo que as sestas podem ter como mecanismo de consolidação de conhecimento no cérebro, mas este foi o primeiro caso em que os indivíduos aprenderam realmente algo enquanto dormiam.
Mais aplicações práticas da técnica condicionante ainda estão longe de se concretizar. No entanto, ao especular sobre o futuro potencial desta técnica, Hairton declarou à NPR que “ um estudante de medicina pode vir a aprender quais são os órgãos do corpo”, por exemplo.

Fonte: Público

domingo, 2 de setembro de 2012

Moléculas de açúcar detetadas em redor de estrela jovem

Uma equipa de astrónomos detetou moléculas de açúcar no gás envolvente de uma estrela jovem semelhante ao Sol, uma descoberta inédita efetuada graças à utilização de uma rede de radiotelescópios designada ALMA, construída no norte do Chile.
"É a primeira vez que descobrimos açúcar na zona envolvente de uma estrela apresentando tais características", indica um comunicado do Observatório Europeu Austral, citado pela agência AFP.
O gás que envolve a estrela, situada a 400 anos-luz da Terra, contém glicolaldeído, uma forma simples de açúcar, considerada um elemento essencial a toda a vida, segundo os especialistas.
A molécula é um dos ingredientes do ARN (ácido ribonucleico, responsável pela síntese de proteínas da célula), que é um dos elementos constitutivos da vida.
A descoberta "demonstra que qualquer um dos compostos químicos necessários à vida existia à época da formação dos planetas", segundo o observatório.
O composto já tinha sido observado no espaço interestelar, mas agora foi descoberto na proximidade de uma jovem estrela, potencialmente "um bom local, um bom momento" para ser integrado nos planetas em formação.
A descoberta foi tornada possível pela utilização de uma vasta rede de antenas instaladas no deserto de Atacama, o mais importante projeto astronómico terrestre, ainda em construção no deserto do norte do Chile.
Um total de 66 radiotelescópios deverão estar operacionais no local em 2013, no âmbito de um projeto com um orçamento de 600 milhões de dólares reunindo a Europa, os Estados Unidos e o Japão, em cooperação com o Chile

Fonte: Díário de Notícias

sábado, 1 de setembro de 2012

Comer menos calorias não ajuda a viver mais, mostra experiência em macacos

Um prato de batatas fritas ou meia porção de arroz integral? Talvez a resposta esteja no meio termo para quem quiser ter uma vida comprida: uma alimentação variada e regrada. Desde o início do século XX que se têm feito experiências em vários seres vivos, à procura de uma associação entre um regime alimentar com restrições calóricas e o prolongamento da vida. Embora muitas experiências tenham dado sinais positivos nesse sentido, os resultados de uma investigação com mais de 20 anos em macacos rhesus contrariam essa tendência, diz um artigo na edição online de quarta-feira da revista Nature.
Há mais de duas décadas que o Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos (NIA), em Baltimore, trabalha nesta experiência. Por causa da proximidade evolutiva que tem com o homem, e do ciclo de vida e fisiologia, o macaco rhesus, ou Macaca mulatta, é um modelo por excelência nas experiências científicas. Os resultados publicados agora são fruto de 23 anos de observações.
A equipa de Rafael de Cabo fez duas experiências diferentes. Uma delas em dois grupos de macacos com idades entre um e 14 anos - um dos grupos serviu de controlo e teve uma alimentação normal, enquanto o outro teve um corte de 30% nas calorias, mas sem ficar malnutrido. A outra experiência foi idêntica, só que os macacos começaram as dietas com idades entre os 16 e os 23 anos.
A esperança média de vida em cativeiro dos macacos rhesus é de 27 anos, por isso a experiência nos animais mais jovens ainda não terminou, uma vez que cerca de metade ainda está viva. Mas os resultados obtidos até agora mostraram que a longevidade não aumentou devido à diminuição de alimento. Este resultado contradiz outra experiência feita em macacos rhesus pelo Centro Nacional de Investigação de Primatas de Wisconsin, nos Estados Unidos, que obteve bons resultados na longevidade em grupos que foram submetidos a uma restrição alimentar.
Porém, há uma diferença significativa: na experiência de Wisconsin, o grupo de macacos de controlo podia comer o que quisesse e a alimentação era menos variada.
Para já, é impossível saber qual a influência da variabilidade genética nos resultados destes dois estudos. Mas os macacos dos grupos de controlo do NIA já tinham um peso normal e, em média, sofriam menos de diabetes do que os do Wisconsin.
"Será que a restrição de calorias não é nada mais do que eliminar o excesso de gorduras?", questiona Steven Austad, do Instituto Barshop para a Longevidade e Estudos do Envelhecimento, da Universidade do Texas, num comentário na Nature sobre o novo estudo. "Poder-se-ia concluir isso ao interpretar os resultados dos animais do grupo de controlo no estudo do NIA, porque também tiveram restrições alimentares para ter um peso normal. E as restrições acrescidas que foram impostas ao grupo experimental tiveram poucas consequências na longevidade."
Mas apesar dos novos resultados, a restrição alimentar teve consequências na saúde dos primatas. Houve uma redução na incidência de cancro e, possivelmente, de diabetes. No entanto, houve um ligeiro aumento nas doenças cardiovasculares.
"Há a hipótese de que a restrição de calorias leva a alterações hormonais e a diminuição na hormona do crescimento e no peso de ratinhos", diz-nos João Pedro de Magalhães, investigador principal do grupo de Genómica Integrada do Envelhecimento, da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e que não está ligado ao novo estudo. "Por isso, as células têm menos estímulos para crescer e isso diminui a probabilidade de os ratinhos desenvolverem cancros e a proliferação de cancros que já existem", explica o cientista português.
Já se fizeram inúmeros estudos sobre a alimentação e a longevidade em leveduras, no verme Caenorhabditis elegans, na mosca-da-fruta ou em ratinhos. Muitas das experiências concluíram haver uma associação entre o prolongamento da vida e as restrições calóricas, mas não todas. Este novo estudo mostra que não há uma resposta definitiva, sobretudo em animais complexos e que vivem mais. "Os mecanismos de restrição calórica ainda não são bem conhecidos", diz João Pedro de Magalhães, acrescentando que é mais seguro apostar numa dieta saudável, variada e no exercício físico.

Fonte: Público