quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Será que Jesus era casado?


Um pedaço de um papiro escrito no século IV em copta (a língua dos antigos cristãos egípcios) inclui as palavras "Jesus disse-lhes, a minha mulher". A descoberta deverá relançar o debate sobre se Jesus era ou não casado.
A existência do fragmento - não muito maior do que um cartão de visita - foi divulgada numa conferência em Roma por Karen King, professora na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts. A professora baptizou o documento como "o evangelho da mulher de Jesus".
"A tradição cristã há muito defende que Jesus não era casado, apesar de existirem provas históricas fidedignas que apoiam essa teoria", disse King, num comunicado revelado pela universidade. "Este novo evangelho não prova que Jesus era casado, mas diz-nos que o tema só surgiu como parte de um intenso debate sobre sexualidade e casamento", acrescenta.
"Desde o início, os cristãos discordavam sobre se era melhor não casar, mas só um século após a morte de Jesus começaram a recorrer ao estatuto marital de Jesus para defender as suas posições", indicou. Só a partir de 200 d.C. é que começaram a surgir indicações, através de um teólogo conhecido como Clement de Alexandria, de que Jesus não era casado. "Este fragmento sugere que outros cristãos do mesmo período defendiam que era casado", concluiu.
Apesar da insistência da Igreja Católica de que Jesus não era casado, a ideia reaparece com alguma frequência. A última vez, com a publicação em 2003 de "O Código Da Vinci", o best-seller escrito por Dan Brown, que irritou muitos cristãos por se basear na ideia de que Jesus era casado com Maria Madalena e tinha filhos.
Os peritos acreditam que o novo evangelho é autêntico, sendo contudo necessário realizar mais testes. O fragmento, propriedade de um colecionador privado que pediu a King ajuda na tradução e análise, terá sido descoberto no Egito ou talvez na Síria.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Primeiro transplante de útero de mãe para filha realizado na Suécia

O comunicado da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, relata uma delicada operação a duas mulheres que receberam os úteros das suas mães, realizada este fim-de-semana e que envolveu dez cirurgiões. O sucesso só será reclamado se as pacientes conseguirem engravidar após um ano sob observação.
Uma equipa de especialistas da Universidade de Gotemburgo e do Hospital Universitário Sahlgrenska, na Suécia, anunciou esta terça-feira que foi realizado o primeiro transplante de útero mãe-filha, sem registo de complicações até ao momento. Segundo o comunicado, o complexo procedimento terá sido feito a duas mulheres que receberam os úteros das suas mães. Uma das pacientes tinha sido forçada a remover o útero na sequência de um cancro e a outra nascera sem útero. Sem fornecer dados detalhados sobre estas mulheres, os especialistas referem apenas que estão na casa dos 30 anos e que foram alvo de tratamentos de fertilização antes do transplante.
O mesmo comunicado afirma que estas operações são resultado de mais de uma década de investigação da universidade sueca com colaboração internacional. “Mais de dez cirurgiões, que treinaram este procedimento juntos ao longo de vários anos, participaram na complicada cirurgia”, refere Mats Brännström, professor de Obstetrícia e Ginecologia na Universidade de Gotemburgo.
O médico acrescenta ainda que as duas mulheres que receberam o novo útero “estão bem mas cansadas” após a cirurgia e que as mães que doaram os órgãos “estão a pé e deverão receber alta nos próximos dias”. Segundo um cirurgião citado pela Associated Press, o sucesso desta intervenção só será proclamado se estas duas mulheres conseguirem engravidar, como desejam.
O transplante de útero é uma resposta que tem sido “prometida” há alguns anos e que poderá ser uma importante alternativa para a adopção ou os chamados úteros de substituição (barrigas de aluguer) de mulheres que, por exemplo nasceram sem útero ou sofreram cancro que as afectou de forma irreversível.
No ano passado foi notícia a realização de um transplante de útero na Turquia, mas não existia qualquer relação de parentesco entre dador e receptor. Sobre este caso, até agora não foi divulgado mais nenhum progresso, nomeadamente se a mulher já está a fazer tratamentos de fertilidade. Em 2000 também foi relatado um transplante de útero na Arábia Saudita mas, devido a complicações relacionadas com o fornecimento de sangue, o órgão acabou por ser removido três meses depois da cirurgia.

Fonte: Público

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Novas imagens de Marte intrigam cientistas

O robô 'Opportunity' da NASA capturou imagens de formações rochosas raras na superfície de Marte. Os objetos esféricos estão a ter a atenção dos cientistas que ainda não conseguiram decifrar a sua origem.
À primeira vista as formações podem confundir-se com esferas ricas em ferro, conhecidas como 'blueberries', encontradas em outros locais do planeta. No entanto, os cientistas já confirmaram que não se tratam de reservas de hematite, como as primeiras. O robô antecessor do 'Curiosity' aterrou, em 2004, em Marte.
As esferas medem 3 milímetros de diâmetro. "Elas parecem crocantes por fora e suaves no interior", explicou Steve Squyres, responsável pelo robô e cientista da Universidade Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, ao jornal espanhol 'ABC'. O 'Opportunity' está a analisar um afloramento chamado Kirkwood, no seguimento do Cabo Iorque.
"Esta é uma das imagens mais extraordinárias de toda a missão. Temos um quebra-cabeças geológico maravilhoso à nossa frente. Temos várias hipóteses de trabalho, nenhuma é favorita neste momento. Vai levar algum tempo a resolver isto. Temos que manter a mente aberta e deixar que as rochas falem" , acrescentou.
Os 'blueberries' encontrados em outros locais do planeta são formados pela ação de minerais carregados de água dentro das rochas, o que evidencia o ambiente húmido de Marte.
O 'Opportunity' utilizou o seu braço robótico para analisar a região e permitir aos cientistas avaliar a composição das esferas. O robô investigou durante dois anos a cratera Victoria, onde aterrou e há quatro anos que investiga a orla da cratera Endeavour.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Isolamento durante os primeiros tempos de vida muda células do cérebro

Já se sabia que o isolamento durante os primeiros tempos de vida em pessoas ou em animais tinha impacto no cérebro e influenciava o comportamento durante a idade adulta. Agora, os cientistas verificaram alterações fisiológicas em várias células nervosas por causa da solidão em ratinhos, mostra um artigo publicado nesta sexta-feira na edição da revista Nature.
Uma equipa de cientistas testou os efeitos de isolamento em ratinhos durante vários estágios durante os primeiros tempos de vida e descobriu uma janela fulcral para o desenvolvimento cerebral em que a socialização é um bem necessário.
Quando os ratinhos eram postos num lugar isolado do resto da ninhada, durante quinze dias, três semanas depois de nascerem, havia consequências no seu desenvolvimento. Ao chegarem à adolescência, este grupo tinha comportamentos anti-sociais e uma grande falta de memória, quando comparado com ratinhos que tinham crescido num ambiente normal.
Estas mudanças comportamentais reflectem mudanças mais profundas, ao nível do cérebro dos pequenos roedores, revela o estudo dos cientistas do departamento de Neurologia da Escola Médica de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.
Segundo o artigo, há mudanças significativas nas células cerebrais chamadas oligodendrócitos. Estas células apoiam os neurónios – as células nervosas que passam informação no cérebro através dos impulsos eléctricos. Os oligodendrócitos são responsáveis por revestir as projecções dos neurónios para que estes impulsos eléctricos sejam muito rápidos e a informação circule agilmente.
De alguma forma, o isolamento nos ratinhos fez com que os oligodendrócitos não se desenvolvam como deve de ser e este revestimento acaba por ser menos espesso do que o normal. “Normalmente, o que se pensava era que as experiências que moldam o cérebro influenciavam directamente os neurónios”, explica Gabriel Corfas, um dos autores do artigo.
“Mostramos agora que as células da glia [comos os oligodendrócitos, que dão apoio ao desenvolvimento dos neurónios] também são influenciadas pelas experiências, e que este fenómeno é um passo essencial para que se estabeleça um circuito neuronal normal e maduro”, diz em comunicado.
Apesar destes resultados terem sido obtidos com ratinhos, podem ajudar a explicar as causas das consequências do isolamento de crianças que são vítimas de negligência. “As nossas descobertas dão um contexto molecular e celular para compreender as consequências do isolamento social”, estabelece o cientista.
Na experiência, os cientistas conseguiram ainda relacionar o défice de uma proteína que é responsável pela sinalização do crescimento dos oligodendrócitos nos ratinhos que sofreram isolamento. Segundo o investigador, distúrbios como a esquizofrenia, a depressão ou a doença bipolar estão relacionados com esta sinalização.
Um dos objectivos do laboratório é conseguir encontrar um químico que comande a produção desta proteína, estimule o crescimento dos oligondendrócitos e o bom funcionamento da rede neuronal. Mas, segundo Corfas, isto não é fácil. Se o revestimento dos neurónios feito pelos oligodendrócitos for excessivo também há consequências negativas: “Esta é uma sinalização que requere uma regulação muito cuidadosa.”

Fonte: Público

domingo, 16 de setembro de 2012

A Voyager 1 ainda não encontrou a fronteira final do Sistema Solar

Afinal, onde é que está a Voyager 1? No site da NASA os números correm em tempo real, e dizem-nos que a sonda lançada há 35 anos está a 18,2 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, ou seja, o equivalente a 121,9 vezes a distância que existe entre o nosso planeta e o Sol. A Voyager 1 está muito para lá da órbita de Plutão ou de qualquer outro instrumento enviado para o espaço. Mas, de acordo com um trabalho publicado recentemente na Nature, não se sabe qual a sua posição em relação ao limite do Sistema Solar e a sonda pode ainda levar algum tempo a passar esta última fronteira e entrar finalmente no espaço interestelar.
O Sistema Solar tem o formato de um cometa com uma cauda, que viaja pelo espaço, orbitando em torno do centro da Alfa do Centauro. O Sol está situado no centro da cabeça deste "cometa" e gira lentamente à volta do núcleo da nossa galáxia. Um dos efeitos da sua actividade é a emissão constante de um fluxo de protões e electrões que são expulsos do Sol com muita energia e velocidade, originando o vento solar.
Mas estas partículas vão desacelerando. Em teoria, existe uma fronteira em que as partículas já não empurram o meio intergaláctico, que tem uma constituição de partículas diferente. Mas até onde existe, o vento solar produz no espaço uma atmosfera própria chamada heliosfera que determina as fronteiras do Sistema Solar. À frente do Sol e devido ao movimento da estrela, a espessura da heliosfera é mais pequena. É no limite desta região que a Voyager 1, a sonda da agência espacial norte-americana (NASA), viaja.
Esperava-se, no ano passado, que a máquina ultrapassasse a fronteira do Sistema Solar, depois de as suas medições mostrarem que as velocidades das partículas caíram para zero. Esta observação ia ao encontro do que os cientistas defendiam: a dado momento, depois de viajarem no espaço, as partículas solares deixariam de ter força para empurrar o espaço interestelar e, em vez disso, iniciariam um movimento lateral, tal como acontece quando um fluxo de água embate numa superfície sólida. Desta forma, haveria uma região entre o espaço interestelar e a heliosfera chamado heliopausa.
Mas Robert Decker e Stamatios Krimigis, dois dos autores do artigo da Nature, não mediram esta corrente lateral de partículas. "Concluímos que a Voyager 1 não está neste momento perto da heliopausa, pelo menos na forma como [esta região] foi imaginada", lê-se no artigo da equipa do laboratório de física aplicada da Universidade de Johns Hopkins. O que, em boa medida, significa que, mais de três décadas depois de ter saído da Terra, a sonda continua a surpreender-nos com as suas descobertas.
A Voyager 1 está hoje numa missão interestelar, mas nem sempre foi assim. O objectivo inicial desta sonda e da Voyager 2 - a outra sonda da missão que também continua viva e também se dirige para os confins do Sistema Solar, apesar de não estar tão afastada da Terra -, era o estudo de Júpiter, Saturno e as luas que giram em torno destes planetas.
A Voyager 2 foi lançada a 20 de Agosto de 1977. No mês seguinte, a 5 de Setembro de 1977, a Voyager 1 saiu da Terra. A NASA aproveitou Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, os quatro planetas mais distantes do Sol, estarem em posições óptimas nas suas órbitas para as sondas passarem por eles em tempo-recorde. Nos anos seguintes, as duas sondas passaram por Júpiter e Saturno. Mais tarde, a humanidade teve a oportunidade de ver as primeiras fotografias de sempre de Úrano e Neptuno tiradas pela Voyager 2. Desde que a sonda se afastou de Neptuno para entrar na sua missão interestelar, em 1989, quase dez anos depois da Voyager 1 rumar em direcção à fronteira do Sistema Solar, que mais nenhum aparelho tirou imagens dos dois planetas mais longínquos.
Em 1990, começou oficialmente a missão interestelar. Hoje a Voyager 1 tem alguns instrumentos a funcionar, mas continua a transmitir informação para a Terra, que demora 17 horas para chegar cá. Para testar se existia um fluxo lateral de partículas, a equipa de Decker e Krimigis enviou um comando para a sonda girar em torno de si própria sete vezes, mas não descobriu o movimento de partículas que procurava.
Os resultados da experiência foram uma surpresa para os cientistas. "Não existe nenhuma orientação que nos diga o que é sair do Sistema Solar", explica Krimigis, citado numa notícia da Nature. Há algumas teorias que tentam explicar o que se passa. A sonda pode estar numa antecâmara da heliopausa ou a diminuição da velocidade das partículas pode ser uma consequência de campos magnéticos que se pensa que existam nos confins da heliosfera.Primeiro em Maio, e depois em Julho deste ano, a sonda mediu um pico de raios cósmicos, sugerindo que está a aproximar-se das margens do Sistema Solar. Por isso, Krimigis diz que a Voyager 1 pode atravessar a heliopausa ainda neste ano, mas o espaço pode continuar a surpreender-nos. As baterias alimentadas a energia nuclear da sonda deverão resistir até 2025. Se tudo correr bem, a Voyager 1 terá tempo para sair do Sistema Solar e entrar no ambiente interestelar.
Mesmo quando se desligar de vez, a sonda ainda tem o poder para fazer uma revelação fantástica. A NASA colocou um disco de cobre em cada uma das Voyagers com a informação sobre a humanidade para o caso improvável de um ser inteligente encontrar uma das sondas. Se compreender como o disco funciona, um extraterrestre fica a saber a localização da Terra no Universo e é-lhe revelada a existência da humanidade. Pode compreender a química da dupla hélice de ADN, ouvir a Flauta Mágica, de Mozart, ou o Johnny B. Goode, de Chuck Berry. Pode ver uma mulher a amamentar uma criança e antever o futuro da deriva dos continentes.
O conjunto de informação foi escolhido e organizado por uma equipa liderada por Carl Sagan. Há 55 vozes prontas a cumprimentarem o desconhecido, todas em línguas diferentes. "Paz e felicidade a todos", diz uma mulher em português com sotaque do Brasil. Não se sabe quando é que a Voyager I vai passar a fronteira final do nosso pequeno jardim cósmico, nem se sabe até onde chegará, mas nunca a saudação da humanidade foi tão longe.

Fonte: Público