domingo, 30 de setembro de 2012

Lançado segundo satélite com a cooperação da China

O governo venezuelano lançou na sexta-feira, com sucesso, um segundo satélite para o Espaço, no âmbito de um programa de cooperação com a China.
Trata-se do Venezuelan Remote Sensing Satélite - VRSS1 ou Satélite Miranda e foi lançado a partir da base de Jiuquan, no deserto de Gobi, no norte da China, quatro anos depois a Venezuela ter colocado no espaço o Venesat 1 ou Satélite Simón Bolívar.
O lançamento teve lugar pelas 23:12 horas locais (05:12 horas em Lisboa) e o novo satélite estabilizou-se 17 minutos depois na sua órbita final, segundo o ministro venezuelano de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jorge Arreaza.
Segundo o mesmo responsável "o satélite Miranda terá cinco anos de vida" e será usado principalmente para a observação da terra, para responder às necessidades da população, em termos de planeamento urbano, agrícola, deteção de recursos naturais, segurança e defesa do território.
Tirará imagens geográficas do país, as quais vão ser "úteis" aos ministérios do Ambiente, Defesa, Ciência, Indústria e Transporte, além de permitir a monitorização de colheita, estimação de produtividade das plantações e marinha.
"Em breve, estaremos a mostrar ao país o impacto do Satélite Miranda", afirmou Hugo Chávez, que assistiu ao lançamento a partir do palácio presidencial de Miraflores, depois de efetuar uma curta visita surpresa a uma praça do centro de Caracas, onde centenas de pessoas se concentraram aguardando o lançamento do novo satélite.
O novo satélite pesa 880 quilogramas, estará a 639,5 quilómetros de altitude e tirará 350 imagens diárias em rotações à volta da Terra, com parte do continente americano, desde México até à Argentina.
Findo o tempo de vida útil, a Venezuela e a China preveem substituir o Miranda por um outro satélite que será fabricado localmente, em território venezuelano, no âmbito de um acordo de transferência de tecnologia.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Os eunucos vivem mais do que os homens não castrados

Os homens castrados que serviram os reis da Coreia ao longo de séculos viveram, em média, 14 a 19 anos mais do que os seus congéneres não castrados, conclui um estudo publicado ontem na revista Current Biology. Estes resultados sugerem que as hormonas masculinas encurtam a vida dos homens, concluem Kyun-Jin Min, da Universidade de Inha (Coreia do Sul), e colegas.
Em muitas espécies, as fêmeas vivem mais do que os machos e pensa-se que a responsável por esta diferença seja a hormona masculina testosterona, ao encurtar a vida dos machos. Isto pode ser devido ao seu efeito negativo sobre o sistema imunitário e ao facto de ser um factor de risco cardiovascular. Para mais, sabe-se que a castração prolonga a vida dos machos de muitas espécies animais. Porém, nos seres humanos, os estudos da relação entre longevidade e reprodução masculinas não têm sido conclusivos.
Uma maneira de abordar a questão tem sido justamente através dos efeitos a longo prazo da castração masculina. Um estudo realizado na década de 1990, por exemplo, mostrou que a castração permitira prolongar em 14 anos a vida de doentes internados num hospital psiquiátrico quando comparados com os doentes não castrados. Mas, como salientam os autores no artigo agora publicado, o estudo dos castrati - os cantores líricos castrados da Itália dos séculos XVII e XVIII, tais como o célebre Farinelli - não permitiu revelar diferenças significativas de longevidade entre eles e os cantores não castrados.
Os cientistas sul-coreanos viraram-se desta vez para os registos genealógicos da corte imperial coreana durante a dinastia Chosun, de 1392 a 1910. "A manutenção dos registos genealógicos era importante", escrevem, "porque atestavam da pertença à nobreza." E os eunucos da corte - que devido a uma mutilação acidental ou deliberada tinham perdido os testículos (e por vezes também o pénis) e se tinham tornado altos funcionários ao serviço dos monarcas - podiam casar-se e adoptar "rapazes eunucos ou raparigas normais". Tinham portanto uma linhagem apesar da sua infertilidade e também eles mantinham metódicos registos genealógicos. Que se encontram reunidos num documento, o Yang-Se-Gye-Bo. "Tanto quanto sabemos", escrevem os cientistas na Current Biology, "este é o único repositório no mundo de histórias de famílias de eunucos."
Cruzando estes dados com outros documentos oficiais, que registavam o dia-a-dia no palácio imperial, Kyun-Jin Min e a sua equipa conseguiram confirmar a idade, na altura da morte, de 81 dos 385 eunucos que constam do Yang-Se-Gye-Bo ao longo de cerca de cinco séculos de história. E puderam assim concluir que a longevidade média desses eunucos foi de 68 a 72 anos. Ou seja, ultrapassou em 14 a 19 anos a longevidade "de homens não castrados de status socioeconómico semelhante".
O contraste entre a longevidade dos eunucos e a dos homens não castrados é ainda reforçado pelo facto de três desses eunucos terem chegado a centenários - atingindo, respectivamente, os 100, 101 e 109 anos. Ora, salientam ainda os autores, visto que, actualmente, a proporção de centenários é de um em 3500 no Japão e de um em 4400 nos EUA, isso significa que essa proporção, nesse grupo de eunucos coreanos que viveram há séculos, era 130 vezes maior do que é hoje em dois dos países mais desenvolvidos do mundo!
Mas, perguntam os autores, será mesmo a ausência de testosterona a responsável pela longevidade dos eunucos? Não será antes o seu estilo de vida pacato e protegido? Não é muito provável, respondem. Por um lado, a maioria dos eunucos vivia fora do palácio e só lá entrava quando estava de serviço. E por outro, a longevidade da família real - que, essa sim, passava a vida fechada naqueles muros - revelou ser muito menor: os reis viviam em média 44 a 50 anos e os membros masculinos da família real 42 a 48 anos...
Resultados deste tipo poderão permitir perceber melhor o envelhecimento humano, dizem os autores. Mas entretanto, acrescentam em comunicado, os homens não devem esquecer que, "para ter uma vida longa e saudável, convém evitar o stress e aprender o que podem junto das mulheres."

Fonte: Público

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Imagens subaquáticas disponíveis no Google Maps


Imagens subaquáticas panorâmicas, obtidas no recife australiano e nos mares das Filipinas e do Havai, estão disponíveis a partir de hoje na plataforma Google Maps, anunciou a multinacional de serviços na internet.
Os quatro conjuntos de imagens são os primeiros disponibilizados no âmbito de uma parceria da empresa norte-americana Catlin Seaview Survey, projeto científico que estuda recifes em todo o mundo.
As imagens foram obtidas por um equipamento construído para o efeito, designado SVII, que permite panorâmicas completas (360 graus) e a observação de ecossistemas marinhos na perspetiva dos mergulhadores.
A grande barreira de coral australiana, a reserva marinha na ilha filipina de Apo, a baía de Haunauma e os recifes de Molokini, ambos no Havai, são os locais cujas imagens que passam a ficar acessíveis aos utilizadores do Google Maps.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Planeta enfrenta uma "bancarrota de água"

O mundo enfrenta uma "bancarrota de água" devido a problemas como a urbanização e a atividade económica nas principais bacias fluviais do mundo e o aquecimento das águas oceânicas, indica um relatório da ONU divulgado ontem.
O documento, preparado pelo Instituto da Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, com sede em Hamilton (Canadá), é o resultado da análise de 200 grandes projetos mundiais relacionados com o meio aquático.
O relatório, em cuja elaboração também participaram o Programa da ONU para o Meio Ambiente e o Global Environmental Facility (GEF, Fundo Global para o Meio Ambiente), assinala que em 2050 acontecerá uma grave escassez de água em sete das dez principais bacias fluviais do mundo.
Atualmente, estas dez bacias geram 10 por cento do Produto Interno Bruto do planeta e nelas reside uma quarta parte da população mundial.
No documento adverte-se também para as consequências da subida das temperaturas dos oceanos.
Os oceanos são "o depósito final de calor que dirige o clima, a meteorologia, a fertilização e o fornecimento mundial de água doce", refere.
"Ainda que o aquecimento médio de 0,6 graus celsius da superfície marítima desde 1872 não pareça muito grande, representa um enorme aumento no armazenamento de calor", alerta.
O diretor do Instituto da Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, Zafar Adeel, disse que "este estudo sublinha que os muitos alertas prévios sobre problemas emergentes deverm ser escutados".
A divulgação do relatório coincide com o início hoje em Banquecoque, na Tailândia, da Conferência Internacional do GEF, que durante três dias vai analisar o papel da ciência na solução dos problemas mundiais da água.
O GEF é um mecanismo de cooperação internacional para apoio aos países em desenvolvimento na implementação de projetos que procurem soluções para as preocupações globais em relação à proteção dos ecossistemas e à biodiversidade.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Do rabo dos chimpanzés ao silenciador de tagarelas

A edição de 2012 destes hilariantes prémios, a cargo de "genuínos Prémios Nobel", recompensa os trabalhos de 10 grupos de cientistas – entre os quais eminentes especialistas na sua área.
Em 2008, Frans de Waal, mundialmente conhecido primatólogo holandês da Universidade de Emory, nos EUA, publicou na revista Advanced Science Letters o seguinte artigo: “Rostos e rabos: a percepção do sexo pelos chimpanzés.” Ele e a sua colega Jennifer Pokorny, da Universidade da Califórnia, irão ser , daqui a momentos, galardoados com o Prémio IgNobel de Anatomia “por terem descoberto que os chimpanzés podem identificar individualmente outros chimpanzés a partir de fotografias dos seus posteriores”, como explicaram em comunicado os organizadores da “22ª Primeira Edição” (sic) dos famosos galardões.
Esta dupla de cientistas e mais nove grupos de especialistas e técnicos de diversas áreas são os vencedores dos prémios de 2012, que lhes serão entregues numa cerimónia a decorrer no Teatro Sanders da Universidade de Harvard, em Cambridge (EUA). O evento, com início marcado para as 0h30 (hora de Lisboa), podia ser acompanhado em directo no YouTube (acessível em http://www.improbable.com/ig/2012/).
O mote dos Prémios IgNobel, atribuídos anualmente pela revista humorística Annals of Improbable Research em colaboração com Harvard, é “honrar façanhas que primeiro nos fazem rir e depois pensar”. Muitos dos galardoados são investigadores cujos trabalhos foram publicados em revistas especializadas absolutamente sérias. Mas todos eles têm um elemento comum, que os torna elegíveis para um IgNobel: o facto de os temas que abordam parecerem – e aliás, por vezes serem – totalmente descabelados (e esta é literalmente a palavra certa para dois dos galardoados deste ano...).
Falemos, pois, de cabelo humano. Em 2011, Johan Pettersson, engenheiro ambiental sueco, descobriu por que é que o cabelo de alguns dos residentes – inicialmente loiros – de certas habitações novas da cidade de Anderlöv, Suécia, tinha repentinamente ficado... verde. E agora, por ter desvendado um enigma que começara por deixar muitos especialistas confusos, recebe o IgNobel da Química. (Explicação: a culpa era da água quente que se acumulava, durante a noite, nas canalizações dos chuveiros dessas residências e que, ao dissolver o cobre dos canos tingia o cabelo das vítimas na manhã seguinte...).
Passando da química para a física do cabelo (comprido), Joseph Keller, da Universidade de Stanford, e colegas, recebem o IgNobel da Física pelo seu estudo “do equilíbrio das forças que moldam e movimentam o cabelo apanhado num rabo de cavalo”. As suas conclusões foram publicadas este ano na prestigiosa revista Physical Review Letters.
O prémio na categoria da Acústica deixa literalmente as pessoas sem fala. Inventado por Kazutaka Kurihara e Koji Tsukada, engenheiros de duas agências nacionais de tecnologia do Japão, parece uma arma de fogo futurista (mas algo tosca, pois é apenas um protótipo). Activada e apontada para os lábios do mais tagarela dos oradores, faz com que ele ouça o eco do que está a dizer ligeiramente desfasado, ficando totalmente impedido de continuar o seu discurso. O único antídoto: calar-se (o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=USDI3wnTZZg/ fala por si).
Haverá também um IgNobel da Dinâmica dos Fluidos, para Rouslan Krechetnikov e Hans Meyer, da Universidade da Califórnia, autores de um artigo publicado noutra prestigiada revista – Physical Review E – e intitulado algo como: “Andar de café na mão: por que é que o entornamos?”. Um problema quase de saúde pública, poderíamos argumentar, pelas queimaduras que pode causar.
Do lado das ciências da vida, na categoria das Neurociências, o IgNobel irá para a equipa de Craig Bennett, também da Universidade da Califórnia, por ter mostrado que, com as novas tecnologias de visualização do cérebro, até um salmão morto pode apresentar actividade cerebral significativa se a experiência não for repetida suficientes vezes. O IgNobel de psicologia contemplará Anita Eerland, da Universidade Aberta de Holanda, e colegas, pelo seu estudo de como o facto de se inclinar para a esquerda faz a Torre Eiffel parecer mais pequena (na revista Psychological Science). E o de medicina dois médicos franceses, Emmanuel Ben-Soussan e Michel Antonietti, que em 2007, no World Journal of Gastroenterology, “aconselharam os médicos que fazem colonoscopias sobre como minimizar as probabilidades de fazer explodir o doente”(!).
Resta mencionar as duas categorias não científicas: Paz e Literatura. Na primeira, o prémio vai para a empresa russa SKN, que “transforma velhas munições russas em diamantes novos” (ver http://www.skn-nd.ru/products_en.html). Na segunda, o IgNobel honra este ano o General Accounting Office (GAO) dos EUA “por ter emitido um relatório sobre relatórios sobre relatórios que recomenda a preparação de um relatório sobre o relatório sobre relatórios sobre relatórios” (e os outorgantes do prémio quase não estão a exagerar).
Durante a cerimónia, os laureados terão direito a 60 segundos para o discurso de aceitação. Haverá vários momentos musicais e festividades várias. A cerimónia deverá durar cerca de hora e meia.

Fonte: Público