sábado, 13 de outubro de 2012

Células estaminais geram primeira tiróide 'in vitro'

Células estaminais foram usadas, pela primeira vez, para recriar com êxito a tiróide de um ratinho que não tinha a glândula, abrindo novas perspetivas ao uso terapêutico daquelas células, noticiou hoje a agência AFP.
Para gerar a primeira tiroide 'in vitro', uma equipa de cientistas da Universidade Livre de Bruxelas utilizou células estaminais (células que se dividem e diferenciam noutras células).
Depois de várias tentativas, o grupo adotou o "procedimento correto" para transformar as células estaminais em "tecido de tiroide produtor de hormonas", como o faz a tiróide em estado natural, explicou Francesco Antonica, um dos membros da equipa.
O tecido foi, depois, transplantado com êxito num ratinho que não tinha tiroide.
Segundo o investigador Francesco Antonica, o enxerto foi capaz de produzir hormonas da tiróide de "uma maneira prolongada, eficaz e regular".
As hormonas da tiróide são essenciais para o crescimento e a maturação do esqueleto e do sistema nervoso.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O elemento 113 existe (quase de certeza). Por ora, chama-se unúntrio

Cientistas japoneses anunciaram ter finalmente conseguido provar a existência do 113 elemento da tabela periódica. Caso a descoberta seja validada, o Japão passará a ser o primeiro país asiático a baptizar um elemento atómico. Ainda que provisoriamente, chama-se unúntrio.
A equipa de Kosuke Morita, do Centro RIKEN Nishina, com sede em Wako, já tinha anunciado a descoberta do elemento 113 em 2004, mas na altura não viu esses resultados validados. Agora, passados nove anos, os cientistas publicaram, na revista Journal of Physical Society of Japan, os resultados de um novo trabalho, feito num acelerador de partículas, que dizem comprovar a existência desse elemento. Fizeram colidir iões (partículas com carga eléctrica) de zinco, a viajar a 10% da velocidade da luz, com uma camada de bismuto e os resultados dessas colisões (depois de seis decaimentos radioactivos) foram identificados como os produtos de uma forma do elemento 113.
Num decaimento radioactivo, de origem natural ou não, um átomo emite radiação, podendo transformar-se num átomo de um elemento mais leve. Neste caso, a sequência de seis emissões de partículas alfa — que são constituídas por dois protões e dois neutrões — resultou no elemento 101, o mendelévio. Feitas uma série de contas, os cientistas pensam que o que deu origem ao mendelévio foi o elemento 113.
Apesar de já constar na tabela periódica, por se suspeitar da sua existência, o elemento 113 têm ainda um nome provisório. O unúntrio — que significa um-um-três em latim — pode estar agora mais perto de ser baptizado com um nome definitivo, bastando que a experiência da equipa japonesa seja repetida noutros laboratórios e os resultados sejam validados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP). Logo quando reclamaram pela primeira vez a descoberta deste elemento, em 2004, os cientistas japoneses sugeriram alguns nomes: rikénio ou japónio.

Até ao elemento 118

Olhando para todos estes nomes, é impossível não pensar no elemento que aparece no filme Avatar, o unobtanium (do inglês unobtainable), até pela dificuldade em obter o elemento 113. Na história, unobtatnium é um minério tão valioso que está na origem da guerra que os humanos desencadearam contra os nativos da lua Pandora, os na’vi, para poderem explorar as suas enormes reservas.
Na corrida ao elemento 113, os cientistas japoneses não estão sozinhos. Também em 2004, uma equipa da Rússia afirmou tê-lo produzido, só que chegou lá de outra forma e, pelo caminho, também conseguiu produzir o elemento 115.
Os primeiros elementos “pesados” foram obtidos em 1940 e, desde essa altura, os Estados Unidos, a Rússia e a Alemanha já sintetizaram vários deles, por exemplo através de reacções de fusão nuclear, em reactores nucleares. Estes elementos têm de ser produzidos em laboratório, porque não ocorrem espontaneamente na natureza, já que a quantidade de partículas no seu núcleo torna-os muito instáveis.
Criada por Dimitri Mendeleiev em 1869, a tabela periódica tem sentido a evolução da ciência. Quando foi inventada, tinha só 60 elementos, mas no início de 2012 já contava com o elemento 112, o copernício. Em Junho, a IUPAC e a IUPAP aprovaram a entrada de mais dois, o 114 e o 116, respectivamente o fleróvio e livermório. Os elementos 113, 115, 117 e 118, apesar de já se ter anunciado a sua criação, continuam a aguardar comprovação daquelas duas entidades para serem oficializados.
Quanto à equipa japonesa, diz que quer ir mais longe na procura de elementos pesados. “O nosso próximo desafio será olhar para os territórios desconhecidos do elemento 119 e para lá dele”, diz Kosuke Morita, citado num comunicado da sua instituição. Depois do copernício, do fleróvio e, quem sabe, se do japónio, que mais nomes estarão reservados para a tabela periódica?

Fonte: Público

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

'Curiosity' descobre "objeto brilhante" em Marte

O robô 'Curiosity' detetou um "objeto brilhante" no solo de Marte, tendo suspenso as recolhas até ser possível confirmar a proveniência daquele elemento, que poderia ser uma parte do próprio robô que se separou do veículo, devido à natureza acidentada do terreno do 'Planeta Vermelho'.
A NASA anunciou ter sido descoberto "um objeto brilhante" no solo de Marte, estando o robô a realizar "mais imagens" para "permitir à equipa identificar e avaliar o impacto que esse objeto pode ter nas tarefas de recolhas de amostras" do solo.
O 'Curiosity' aterrou em Marte a 6 de agosto, na cratera Gale, para uma missão de exploração do planeta, que tem uma duração estimada em dois anos. O seu principal objetivo é a recolha de amostras de solo que permitam determinar se Marte teve no passado condições propícias à existência de formas de vida.
Estas operações de recolha estão suspensas até se determinar se o 'Curiosity' foi afetado pela perda daquele elemento.
As primeiras amostras do solo de Marte foram recolhidas domingo. Uma vez completada a sua tarefa, o 'Curiosity' regressará à Terra, onde se prevê que chegue em 2018.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Nobel da Medicina para descoberta de que células adultas podem voltar a ser estaminais

O britânico John Gurdon e o japonês Shinya Yamanaka ganharam o Nobel da Medicina de 2012 pela descoberta de que as células adultas, já especializadas num órgão, podem ser reprogramadas para voltar a um passado em que têm as características das células estaminais dos embriões. E, a partir daí, conseguem voltar a originar todos os tecidos do organismo. O anúncio foi feito esta manhã pela Assembleia Nobel do Instituto Karolinska, na Suécia.
John Gurdon nasceu em 1933 em Dippenhall, no Reino Unido, e é professor no Instituto Gurdon em Cambridge. Quanto a Shinya Yamanaka, nasceu em 1962 em Osaka e é actualmente professor na Universidade de Quioto. A importância do seu trabalho prende-se, em última análise, com a medicina regenerativa. O derradeiro sonho é pegar numa célula adulta de um paciente, transformá-la numa célula estaminal e, em seguida, levá-la a tornar-se numa célula do órgão que está doente para, assim, o “reparar”.
O trabalho de John Gurdon remonta à década de 1960, quando o investigador decidiu fazer experiências com rãs. Numa experiência que se tornou clássica, em 1962, o cientista retirou o núcleo a um ovócito de uma rã e, em seu lugar, colocou o núcleo de uma célula adulta dos intestinos. Surpreendentemente, este ovócito modificado desenvolveu-se e foi capaz de dar origem a uma rã.
John Gurdon tinha assim descoberto que as células adultas, já especializadas – que se tornaram uma célula da pele ou do coração, por exemplo –, podiam ter a sua especialização revertida. O ADN de uma célula adulta e madura, neste caso da rã, ainda tinha a informação necessária para conseguir originar todas as células da rã, tal como ocorre nas células que existem nos embriões.
Inicialmente, os resultados de Gurdon foram recebidos com cepticismo pela comunidade científica, mas, à medida que começaram a ser reproduzidos por outras equipas, acabaram por ser aceites, explica o comunicado do comité Nobel.
Gurdon tinha utilizado o núcleo inteiro de uma célula adulta. Mas seria possível fazer voltar atrás no tempo uma célula adulta inteira, sem recorrer a um ovócito, reprogramando directamente o ADN da célula especializada de maneira a que pudesse dar origem a todas as células do organismo? No fundo, seria possível tornar uma célula adulta numa célula estaminal embrionária, fazendo-a regressar literalmente à infância? Décadas depois, em 2006, Shinya Yamanaka conseguiu dar esse passo, considerado logo na altura um grande avanço.
O cientista japonês identificou, nas células estaminais embrionárias, os genes que as mantinham imaturas e capazes de originar todas as outras. Introduzindo apenas quatro genes em células adultas (fibroblastos), ele e a sua equipa transformaram-nas em células estaminais. Ficaram conhecidas como células estaminais pluripotentes induzidas.
“Esta jornada de uma célula imatura para uma célula especializada era antes considerada unidireccional. Considerava-se que a célula mudava de tal forma durante a maturação que era impossível voltar a um estádio imaturo, pluripotente”, refere o comunicado da Assembleia Nobel do Instituto Karolinska. “As descobertas [dos dois cientistas] revolucionaram a nossa compreensão de como as células e o organismo se desenvolvem.”

Fonte: Público

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Produção do iPhone 5 está parada

A produção do iPhone 5 da Aple está paralisada depois de milhares de trabalhadores fabris da empresa Foxconn de Taiwan, onde são produzidos os aparelhos, terem entrado em greve contra as condições laborais "abusivas".
De acordo com a agência de notícias espanhola EFE, citando um comunicado da associação de defesa dos direitos laborais "China Labour Watch", existem entre 3 mil a 4 mil trabalhadores da fábrica Foxconn, em Zhengzhou, capital da província central de Henan, que abandonaram os seus postos de trabalho na terça-feira, dia 02, por causa do seu descontentamento com algumas das condições da empresa.
Queixam-se, entre outras, das "excessivas exigências de qualidade dos produtos", impostas pela Foxconn e pela Apple, sem que seja dada a formação adequada, bem como pelo facto de lhes ter sido negada a possibilidade de tirar férias durante a passada semana, festa nacional em toda a China.
"Os inspetores do controlo da qualidade confrontaram-se várias vezes com os trabalhadores, que os tentaram agredir. De qualquer das maneiras, a administração da fábrica não tem respondido às queixas nem tem conseguido resolvê-las", disse a "China Labour Watch".
Os trabalhadores atuaram movidos por "uma grande pressão", diz a organização, sem esclarecer quando é que voltam aos seus postos de trabalho.
A greve começou duas semanas depois de outra fábrica da Foxconn, na província de Shanxi, a norte, ter sido obrigada a fechar mais de um dia depois de um incidente que envolveu mais de 2 mil trabalhadores e que obrigou a que mais de uma dezena deles tivesse de receber tratamento hospitalar.
O incidente ocorreu dois dias depois da chegada ao mercado do novo iPhone 5, o que levantou suspeitas de que o ritmo laboral se intensificou com o objetivo de cumprir a meta estabelecida.
Pouco tempo antes, no início do mês de setembro, houve um suicídio numa das fábricas da Foxconn, o segundo depois do acordo assinado entre esta empresa e a Apple para melhorar as condições dos trabalhadores.
O acordo estabelecia que a Foxconn se comprometia a reduzir o horário de trabalho, melhorar os protocolos de segurança e proporcionar outros benefícios sociais aos funcionários que montam os equipamentos.
O protocolo foi assinado depois de, em janeiro, mais de uma centena de trabalhadores da empresa asiática terem ameaçado suicidar-se em massa, saltando de um telhado da fábrica.
O episódio fez com que a Apple aceitasse que a Associação para a Justiça Laboral levasse a cabo uma investigação, que permitiu ficar a saber que os funcionários chineses trabalhavam, em muitas ocasiões, mais de 60 horas por semana.

Fonte: Diário de Notícias