quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lémures de Madagáscar entre os 25 primatas mais ameaçados do planeta

A destruição das florestas e a caça ilegal empurraram os lémures de Madagáscar para a lista dos 25 primatas mais ameaçados do planeta, divulgada nesta segunda-feira pela União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN).
O relatório “Primatas em Perigo” 2012-2014 foi apresentado na 11ª Conferência das Partes (COP) da Convenção para a Diversidade Biológica, a decorrer em Hyderabad, na Índia, até 19 de Outubro.
Nove das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo vivem na Ásia, seis em Madagáscar, cinco em África e cinco nos Neotrópicos. Em termos de países, Madagáscar surge em primeiro lugar com seis espécies, logo seguido do Vietname (5), Indonésia (3), Brasil (2) e China, Colômbia, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Equador, Guiné Equatorial, Gana, Quénia, Peru, Sri Lanka, Tanzânia e Venezuela, todos com uma espécie nesta lista.
Os lémures de Madagáscar estão gravemente ameaçados pela destruição do habitat e caça ilegal. O lémur mais raro, o lémure-desportivo-do-norte (Lepilemur septentrionalis), está actualmente reduzido a 19 animais em estado selvagem.
“Os lémures estão hoje entre os mamíferos mais ameaçados do mundo, depois de mais de três anos de crise política e da falta de leis para os proteger”, disse em comunicado Christoph Schitzer, responsável pela investigação na fundação Fundação Bristol para a Conservação e Ciência, que participou no estudo.
De acordo com a UICN, cerca de 90 espécies e sub-espécies dos 130 lémures que vivem em Madagáscar estão ameaçadas de extinção. Os lémures de Madagáscar representam cerca de 20% dos primatas do planeta.
Com este relatório, os conservacionistas querem também chamar a atenção para a situação de animais como o pequeno Tarsius pumilus, na ilha de Sulawesi, na Indonésia. Até 2008 apenas eram conhecidos três exemplares em museus. Desde então foram encontrados quatro animais, três dos quais no Parque Nacional Lore Lindu. “As populações que ainda restam, fragmentadas e isoladas, estão ameaçadas pela perseguição humana e pelo conflito armado”, diz a UICN em comunicado.
“Mais uma vez, este relatório mostra que os primatas estão cada vez mais ameaçados por causa de actividades humanas. Mesmo que não tenhamos perdido uma única espécie de primatas neste século, algumas delas estão verdadeiramente numa situação desesperada”, acrescentou Christoph Schitzer.
Mais de metade (54%) das 633 espécies e subespécies de primatas do planeta – com estatuto de conservação conhecido – está classificada como ameaçada de extinção. As maiores causas são a destruição dos habitats, especialmente os incêndios nas florestas tropicais, a caça e o tráfico de animais selvagens.
Ainda assim, há casos de sucesso. Várias espécies saíram da lista – agora na sua sétima edição – entre elas o macaco-de-cauda-de-leão (Macaca silenus) e o lémur de Madagáscar Prolemur simus.
“Os primatas são as melhores espécies-bandeira para as florestas tropicais, dado que mais de 90% de todas as espécies conhecidas ocorrem neste bioma”, comentou Russell Mittermeier, director do Grupo de Especialistas sobre Primatas da Conservation International. “Eles são um elemento-chave porque ajudam a dispersar sementes e a manter a diversidade na floresta”, acrescentou.
      
Fonte: Público

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Descoberta inédita de planeta iluminado por 4 sóis

Uma equipa internacional de astrónomos anunciou hoje a descoberta de um planeta iluminado por quatro sóis, no que é o primeiro sistema estelar deste tipo observado até hoje, noticia a AFP.
O planeta, batizado PH1, situado a mais de cinco mil anos-luz da Terra [um ano-luz corresponde a 9,461 biliões (milhão de milhões) de quilómetros], orbita em torno de dois sóis, em volta dos quais também evoluem duas estrelas.
Este sistema planetário circumbinário duplo foi descoberto por dois astrónomos amadores dos EUA, Kian Jek e Robert Gagliano.
Astrónomos profissionais norte-americanos e britânicos efetuaram depois observações e medidas com os telescópios Keck situados no monte Mauna Kea, no Havai.
"Os planetas circumbinários representam o que há de mais extremo na formação planetária", realçou Meg Schwamb, um investigador da Universidade de Yale, no Estado do Connecticut, principal autor da pesquisa, apresentada na conferência anual da Divisão de Paleontologia da Sociedade Americana de Astronomia, reunida em Reno, no Estado do Nevada.
"A descoberta de tais sistemas satelitários força-nos a repensar como estes planetas se podem formar e evoluir em tais ambientes", acrescentou, em comunicado.
A descoberta foi colocada em linha no sítio da internet arXiv.org e submetida para publicação ao "Astrophysical Journal".
O PH1, um planeta gasoso gigante da mesma dimensão de Neptuno, representando cerca de seis vezes a da Terra, desloca-se em torno das duas primeiras estrelas, cuja massa respetiva é equivalente a 1,5 e 0,41 vezes a do Sol da Terra, em 138 dias.
As outras duas estrelas evoluem em torno deste sistema planetário a uma distância equivalente a mil vezes a da Terra ao Sol.
O sítio Planethunters.org foi criado em 2010 para encorajar os astrónomos amadores a identificar exoplanetas - planetas situados fora do nosso sistema solar -- com a informação obtida com o telescópio espacial norte-americano Kepler.
Este telescópio, lançado em março de 2009, tem por objetivo procurar exoplanetas similares à Terra em órbita em torno de outras estrelas.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 14 de outubro de 2012

A cientista que tem um BabyLab, um laboratório cheio de pais e bebés

Vimos ao mundo já equipados com uma série de sistemas cognitivos de base. Elizabeth Spelke estuda há quatro décadas esses tijolos de construção da mente humana.
Voz suave e expressão doce, cabelos lisos partidos ao meio e roupa descontraída que fazem lembrar a revolução hippie, Elizabeth Spelke, hoje com 63 anos, é mundialmente conhecida pelos seus trabalhos em psicologia cognitiva. Começou na década de 1970 a tentar perceber como é que as crianças pequenas dão sentido ao mundo que as rodeia - e a procurar identificar os nossos "sistemas cognitivos nucleares" inatos. No seu BabyLab da Universidade Harvard, mais parecido "com a sala de uma casa" do que com um laboratório convencional, a sua equipa acolhe dezenas de pais e filhos para tentar avaliar a compreensão que, aos poucos meses de idade, os bebés humanos têm dos conceitos de número ou de espaço geométrico, do comportamento dos objectos e até das interacções sociais. Após a conferência que deu na semana passada no simpósio internacional de neurociências que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, Elizabeth Spelke conversou com o PÚBLICO.

O que faz no seu BabyLab?
Interessa-me a mente humana e o que nos torna capazes de desenvolver conhecimentos tão ricos e sistemáticos acerca do mundo. A minha maneira de abordar estas questões é voltando aos estádios mais precoces do desenvolvimento. Estudo crianças e pergunto-me como é que elas conseguem dar sentido ao mundo, o que compreendem, como os seus conhecimentos crescem e mudam ao longo da infância antes de começarem a escola. Trabalho sobretudo com crianças a partir dos três, quatro meses de idade.

Como se faz esse trabalho?
Temos equipamentos para observar os bebés, registar as suas acções e apresentar-lhes coisas que controlamos com grande precisão. Mas ao mesmo tempo, os pais e as crianças que nos visitam poderiam pensar que estão na sala da uma casa. Volta e meia, retiramos os elementos de distracção para mostrar uma coisa a uma criança e ver a sua reacção. Mas mesmo assim, o BabyLab não parece um laboratório. Não há batas brancas e não treinamos os bebés. Observamos o seu comportamento, as suas capacidades naturais.

Quantas crianças passam pelo laboratório?
Pode haver entre 10 e 15 crianças no laboratório ao mesmo tempo, em diversas experiências. Numa semana carregada, podemos ter 30 ou mais crianças, que ficam lá 30 a 45 minutos de cada vez e participam em vários estudos.

Que capacidades estuda?

As minhas primeiras pesquisas foram sobre a compreensão dos objectos pelas crianças - a capacidade de ver os objectos, de os seguir ao longo do tempo, de pensar neles quando não estão visíveis e de prever o seu comportamento futuro. Prever, por exemplo, que quando um objecto colide com outro, o movimento de ambos vai mudar. Também fizemos estudos de cognição espacial, ou seja de navegação num dado espaço.

Como é que medem o que as crianças percebem?
No caso da navegação espacial, pedimos aos pais para trazerem um brinquedo e pomo-lo numa caixa. Não é preciso ensinar um bebé de 18 meses que tem de ir buscar o seu brinquedo - e nós aproveitamos esse comportamento espontâneo para tentar perceber como é que o bebé apreendeo sítio onde está. Também introduzimos perturbações espaciais, por exemplo fazendo rodopiar as crianças para as desorientar ou alterando aspectos da sala para avaliar as alterações de comportamento.

Qual é o denominador comum do seu trabalho?
Quase toda a minha investigação tem consistido em tentar isolar as capacidades cognitivas que se desenvolvem cedo e das quais precisamos para, mais tarde, raciocinar correctamente na matemática e nas ciências. A minha visão de conjunto é que existe uma série de sistemas cognitivos "nucleares", com que nascemos já equipados, e que foram apurados ao longo da evolução para desempenhar tarefas, tais como saber onde estamos ou identificar e categorizar os objectos.
Mas nós, humanos, somos a única espécie que consegue combinar essas capacidades de base de formas inéditas para criar novos sistemas de conhecimento e resolver novos problemas com novos conceitos. A minha hipótese é que essa produtividade provém do que é talvez a única capacidade exclusivamente humana: a de utilizar símbolos externos - e sobretudo a linguagem - para representar a informação. A linguagem não serve só para comunicarmos informação aos outros, serve também para formularmos novos conceitos na nossa própria mente, reunindo informação vinda de sistemas cognitivos à partida distintos. Assim, quando os sistemas cognitivos nucleares que partilhamos com outros animais se combinam, gera-se um conjunto de capacidades que são só nossas. Somos os únicos a fazer matemática, ciência, a desenvolver sistemas inteiros de novos conceitos.O que está a estudar agora?
O que me interessa neste momento é a cognição social: como é que os bebés reagem a pessoas que interagem socialmente umas com outras. E os nossos resultados sugerem que, muito cedo no desenvolvimento, por volta dos quatro meses de vida, já existe uma sensibilidade dos bebés à conformidade - ou seja, ao facto de as pessoas interagirem fazendo gestos semelhantes. Estamos a começar a ver se os bebés usam essa informação para compreender quem gosta de quem, quem está ligado a quem.

Fonte: Público

sábado, 13 de outubro de 2012

Células estaminais geram primeira tiróide 'in vitro'

Células estaminais foram usadas, pela primeira vez, para recriar com êxito a tiróide de um ratinho que não tinha a glândula, abrindo novas perspetivas ao uso terapêutico daquelas células, noticiou hoje a agência AFP.
Para gerar a primeira tiroide 'in vitro', uma equipa de cientistas da Universidade Livre de Bruxelas utilizou células estaminais (células que se dividem e diferenciam noutras células).
Depois de várias tentativas, o grupo adotou o "procedimento correto" para transformar as células estaminais em "tecido de tiroide produtor de hormonas", como o faz a tiróide em estado natural, explicou Francesco Antonica, um dos membros da equipa.
O tecido foi, depois, transplantado com êxito num ratinho que não tinha tiroide.
Segundo o investigador Francesco Antonica, o enxerto foi capaz de produzir hormonas da tiróide de "uma maneira prolongada, eficaz e regular".
As hormonas da tiróide são essenciais para o crescimento e a maturação do esqueleto e do sistema nervoso.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O elemento 113 existe (quase de certeza). Por ora, chama-se unúntrio

Cientistas japoneses anunciaram ter finalmente conseguido provar a existência do 113 elemento da tabela periódica. Caso a descoberta seja validada, o Japão passará a ser o primeiro país asiático a baptizar um elemento atómico. Ainda que provisoriamente, chama-se unúntrio.
A equipa de Kosuke Morita, do Centro RIKEN Nishina, com sede em Wako, já tinha anunciado a descoberta do elemento 113 em 2004, mas na altura não viu esses resultados validados. Agora, passados nove anos, os cientistas publicaram, na revista Journal of Physical Society of Japan, os resultados de um novo trabalho, feito num acelerador de partículas, que dizem comprovar a existência desse elemento. Fizeram colidir iões (partículas com carga eléctrica) de zinco, a viajar a 10% da velocidade da luz, com uma camada de bismuto e os resultados dessas colisões (depois de seis decaimentos radioactivos) foram identificados como os produtos de uma forma do elemento 113.
Num decaimento radioactivo, de origem natural ou não, um átomo emite radiação, podendo transformar-se num átomo de um elemento mais leve. Neste caso, a sequência de seis emissões de partículas alfa — que são constituídas por dois protões e dois neutrões — resultou no elemento 101, o mendelévio. Feitas uma série de contas, os cientistas pensam que o que deu origem ao mendelévio foi o elemento 113.
Apesar de já constar na tabela periódica, por se suspeitar da sua existência, o elemento 113 têm ainda um nome provisório. O unúntrio — que significa um-um-três em latim — pode estar agora mais perto de ser baptizado com um nome definitivo, bastando que a experiência da equipa japonesa seja repetida noutros laboratórios e os resultados sejam validados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e pela União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP). Logo quando reclamaram pela primeira vez a descoberta deste elemento, em 2004, os cientistas japoneses sugeriram alguns nomes: rikénio ou japónio.

Até ao elemento 118

Olhando para todos estes nomes, é impossível não pensar no elemento que aparece no filme Avatar, o unobtanium (do inglês unobtainable), até pela dificuldade em obter o elemento 113. Na história, unobtatnium é um minério tão valioso que está na origem da guerra que os humanos desencadearam contra os nativos da lua Pandora, os na’vi, para poderem explorar as suas enormes reservas.
Na corrida ao elemento 113, os cientistas japoneses não estão sozinhos. Também em 2004, uma equipa da Rússia afirmou tê-lo produzido, só que chegou lá de outra forma e, pelo caminho, também conseguiu produzir o elemento 115.
Os primeiros elementos “pesados” foram obtidos em 1940 e, desde essa altura, os Estados Unidos, a Rússia e a Alemanha já sintetizaram vários deles, por exemplo através de reacções de fusão nuclear, em reactores nucleares. Estes elementos têm de ser produzidos em laboratório, porque não ocorrem espontaneamente na natureza, já que a quantidade de partículas no seu núcleo torna-os muito instáveis.
Criada por Dimitri Mendeleiev em 1869, a tabela periódica tem sentido a evolução da ciência. Quando foi inventada, tinha só 60 elementos, mas no início de 2012 já contava com o elemento 112, o copernício. Em Junho, a IUPAC e a IUPAP aprovaram a entrada de mais dois, o 114 e o 116, respectivamente o fleróvio e livermório. Os elementos 113, 115, 117 e 118, apesar de já se ter anunciado a sua criação, continuam a aguardar comprovação daquelas duas entidades para serem oficializados.
Quanto à equipa japonesa, diz que quer ir mais longe na procura de elementos pesados. “O nosso próximo desafio será olhar para os territórios desconhecidos do elemento 119 e para lá dele”, diz Kosuke Morita, citado num comunicado da sua instituição. Depois do copernício, do fleróvio e, quem sabe, se do japónio, que mais nomes estarão reservados para a tabela periódica?

Fonte: Público