sábado, 20 de outubro de 2012

Gasolina produzida a partir de ar e água

Uma empresa britânica com sede, em Teesside, na Inglaterra, garante que está a desenvolver um projeto tecnológico avançado que permite produzir gasolina a partir de ar e água.
A empresa Air Fuel Synthesis, segundo a BBC News, já conseguiu produzir cinco litros de gasolina desde agosto, mas espera estar em plena produção em 2015. Trata-se de um combustível sintético voltado para o setor do desporto motorizado.
A empresa acredita que a técnica pode ajudar a resolver os problemas energéticos do planeta e reduzir o aquecimento global.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Encontrado planeta similar à Terra próximo do sistema solar

Uma equipa de astrónomos europeus descobriu um planeta, com uma massa um pouco maior que a Terra, que orbita uma estrela no sistema Alfa Centauri, o mais próximo do nosso sistema solar, informou a Organização Europeia para a Investigação Astronómica no Hemisfério Sul (ESO).
Trata-se de um exoplaneta, refere o jornal espanhol El Mundo. O mais leve descoberto até agora em redor de uma estrela semelhante ao Sol e foi detetado pelo instrumento Harps, instalado no telescópio de 3,6 metros situado no Observatório La Silla, no norte do Chile.
De acordo com Stéphane Udry, do Observatório de Genebra, este é o primeiro planeta com uma massa similar à da Terra descoberto em redor de uma estrela semelhante ao Sol. Acrescenta, no entanto, que por orbitar muito perto da sua estrela "deve ser demasiado quente para ter vida tal como a conhecemos, mas é possível que faça parte de um sistema em que haja mais planetas".
Depois de quatro anos de observações, "este resultado representa um enorme passo rumo à deteção de um gémeo da Terra na vizinhança imediata do Sol. É uma descoberta extraordinária", salientou o cientista.
Alfa Centauri B é uma das estrelas mais brilhantes dos céus austrais e do sistema estelar mais próximo do nosso sistema solar, a apenas 4,3 anos-luz de distância.
O Alfa Centauri é um sistema estelar triplo, com duas estrelas semelhantes ao Sol - Alfa Centauri A e B -, orbitando próximas uma da outra, e uma estrela vermelha mais distante, batizada como Próxima Centauri

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Lémures de Madagáscar entre os 25 primatas mais ameaçados do planeta

A destruição das florestas e a caça ilegal empurraram os lémures de Madagáscar para a lista dos 25 primatas mais ameaçados do planeta, divulgada nesta segunda-feira pela União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN).
O relatório “Primatas em Perigo” 2012-2014 foi apresentado na 11ª Conferência das Partes (COP) da Convenção para a Diversidade Biológica, a decorrer em Hyderabad, na Índia, até 19 de Outubro.
Nove das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo vivem na Ásia, seis em Madagáscar, cinco em África e cinco nos Neotrópicos. Em termos de países, Madagáscar surge em primeiro lugar com seis espécies, logo seguido do Vietname (5), Indonésia (3), Brasil (2) e China, Colômbia, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Equador, Guiné Equatorial, Gana, Quénia, Peru, Sri Lanka, Tanzânia e Venezuela, todos com uma espécie nesta lista.
Os lémures de Madagáscar estão gravemente ameaçados pela destruição do habitat e caça ilegal. O lémur mais raro, o lémure-desportivo-do-norte (Lepilemur septentrionalis), está actualmente reduzido a 19 animais em estado selvagem.
“Os lémures estão hoje entre os mamíferos mais ameaçados do mundo, depois de mais de três anos de crise política e da falta de leis para os proteger”, disse em comunicado Christoph Schitzer, responsável pela investigação na fundação Fundação Bristol para a Conservação e Ciência, que participou no estudo.
De acordo com a UICN, cerca de 90 espécies e sub-espécies dos 130 lémures que vivem em Madagáscar estão ameaçadas de extinção. Os lémures de Madagáscar representam cerca de 20% dos primatas do planeta.
Com este relatório, os conservacionistas querem também chamar a atenção para a situação de animais como o pequeno Tarsius pumilus, na ilha de Sulawesi, na Indonésia. Até 2008 apenas eram conhecidos três exemplares em museus. Desde então foram encontrados quatro animais, três dos quais no Parque Nacional Lore Lindu. “As populações que ainda restam, fragmentadas e isoladas, estão ameaçadas pela perseguição humana e pelo conflito armado”, diz a UICN em comunicado.
“Mais uma vez, este relatório mostra que os primatas estão cada vez mais ameaçados por causa de actividades humanas. Mesmo que não tenhamos perdido uma única espécie de primatas neste século, algumas delas estão verdadeiramente numa situação desesperada”, acrescentou Christoph Schitzer.
Mais de metade (54%) das 633 espécies e subespécies de primatas do planeta – com estatuto de conservação conhecido – está classificada como ameaçada de extinção. As maiores causas são a destruição dos habitats, especialmente os incêndios nas florestas tropicais, a caça e o tráfico de animais selvagens.
Ainda assim, há casos de sucesso. Várias espécies saíram da lista – agora na sua sétima edição – entre elas o macaco-de-cauda-de-leão (Macaca silenus) e o lémur de Madagáscar Prolemur simus.
“Os primatas são as melhores espécies-bandeira para as florestas tropicais, dado que mais de 90% de todas as espécies conhecidas ocorrem neste bioma”, comentou Russell Mittermeier, director do Grupo de Especialistas sobre Primatas da Conservation International. “Eles são um elemento-chave porque ajudam a dispersar sementes e a manter a diversidade na floresta”, acrescentou.
      
Fonte: Público

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Descoberta inédita de planeta iluminado por 4 sóis

Uma equipa internacional de astrónomos anunciou hoje a descoberta de um planeta iluminado por quatro sóis, no que é o primeiro sistema estelar deste tipo observado até hoje, noticia a AFP.
O planeta, batizado PH1, situado a mais de cinco mil anos-luz da Terra [um ano-luz corresponde a 9,461 biliões (milhão de milhões) de quilómetros], orbita em torno de dois sóis, em volta dos quais também evoluem duas estrelas.
Este sistema planetário circumbinário duplo foi descoberto por dois astrónomos amadores dos EUA, Kian Jek e Robert Gagliano.
Astrónomos profissionais norte-americanos e britânicos efetuaram depois observações e medidas com os telescópios Keck situados no monte Mauna Kea, no Havai.
"Os planetas circumbinários representam o que há de mais extremo na formação planetária", realçou Meg Schwamb, um investigador da Universidade de Yale, no Estado do Connecticut, principal autor da pesquisa, apresentada na conferência anual da Divisão de Paleontologia da Sociedade Americana de Astronomia, reunida em Reno, no Estado do Nevada.
"A descoberta de tais sistemas satelitários força-nos a repensar como estes planetas se podem formar e evoluir em tais ambientes", acrescentou, em comunicado.
A descoberta foi colocada em linha no sítio da internet arXiv.org e submetida para publicação ao "Astrophysical Journal".
O PH1, um planeta gasoso gigante da mesma dimensão de Neptuno, representando cerca de seis vezes a da Terra, desloca-se em torno das duas primeiras estrelas, cuja massa respetiva é equivalente a 1,5 e 0,41 vezes a do Sol da Terra, em 138 dias.
As outras duas estrelas evoluem em torno deste sistema planetário a uma distância equivalente a mil vezes a da Terra ao Sol.
O sítio Planethunters.org foi criado em 2010 para encorajar os astrónomos amadores a identificar exoplanetas - planetas situados fora do nosso sistema solar -- com a informação obtida com o telescópio espacial norte-americano Kepler.
Este telescópio, lançado em março de 2009, tem por objetivo procurar exoplanetas similares à Terra em órbita em torno de outras estrelas.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 14 de outubro de 2012

A cientista que tem um BabyLab, um laboratório cheio de pais e bebés

Vimos ao mundo já equipados com uma série de sistemas cognitivos de base. Elizabeth Spelke estuda há quatro décadas esses tijolos de construção da mente humana.
Voz suave e expressão doce, cabelos lisos partidos ao meio e roupa descontraída que fazem lembrar a revolução hippie, Elizabeth Spelke, hoje com 63 anos, é mundialmente conhecida pelos seus trabalhos em psicologia cognitiva. Começou na década de 1970 a tentar perceber como é que as crianças pequenas dão sentido ao mundo que as rodeia - e a procurar identificar os nossos "sistemas cognitivos nucleares" inatos. No seu BabyLab da Universidade Harvard, mais parecido "com a sala de uma casa" do que com um laboratório convencional, a sua equipa acolhe dezenas de pais e filhos para tentar avaliar a compreensão que, aos poucos meses de idade, os bebés humanos têm dos conceitos de número ou de espaço geométrico, do comportamento dos objectos e até das interacções sociais. Após a conferência que deu na semana passada no simpósio internacional de neurociências que decorreu na Fundação Champalimaud, em Lisboa, Elizabeth Spelke conversou com o PÚBLICO.

O que faz no seu BabyLab?
Interessa-me a mente humana e o que nos torna capazes de desenvolver conhecimentos tão ricos e sistemáticos acerca do mundo. A minha maneira de abordar estas questões é voltando aos estádios mais precoces do desenvolvimento. Estudo crianças e pergunto-me como é que elas conseguem dar sentido ao mundo, o que compreendem, como os seus conhecimentos crescem e mudam ao longo da infância antes de começarem a escola. Trabalho sobretudo com crianças a partir dos três, quatro meses de idade.

Como se faz esse trabalho?
Temos equipamentos para observar os bebés, registar as suas acções e apresentar-lhes coisas que controlamos com grande precisão. Mas ao mesmo tempo, os pais e as crianças que nos visitam poderiam pensar que estão na sala da uma casa. Volta e meia, retiramos os elementos de distracção para mostrar uma coisa a uma criança e ver a sua reacção. Mas mesmo assim, o BabyLab não parece um laboratório. Não há batas brancas e não treinamos os bebés. Observamos o seu comportamento, as suas capacidades naturais.

Quantas crianças passam pelo laboratório?
Pode haver entre 10 e 15 crianças no laboratório ao mesmo tempo, em diversas experiências. Numa semana carregada, podemos ter 30 ou mais crianças, que ficam lá 30 a 45 minutos de cada vez e participam em vários estudos.

Que capacidades estuda?

As minhas primeiras pesquisas foram sobre a compreensão dos objectos pelas crianças - a capacidade de ver os objectos, de os seguir ao longo do tempo, de pensar neles quando não estão visíveis e de prever o seu comportamento futuro. Prever, por exemplo, que quando um objecto colide com outro, o movimento de ambos vai mudar. Também fizemos estudos de cognição espacial, ou seja de navegação num dado espaço.

Como é que medem o que as crianças percebem?
No caso da navegação espacial, pedimos aos pais para trazerem um brinquedo e pomo-lo numa caixa. Não é preciso ensinar um bebé de 18 meses que tem de ir buscar o seu brinquedo - e nós aproveitamos esse comportamento espontâneo para tentar perceber como é que o bebé apreendeo sítio onde está. Também introduzimos perturbações espaciais, por exemplo fazendo rodopiar as crianças para as desorientar ou alterando aspectos da sala para avaliar as alterações de comportamento.

Qual é o denominador comum do seu trabalho?
Quase toda a minha investigação tem consistido em tentar isolar as capacidades cognitivas que se desenvolvem cedo e das quais precisamos para, mais tarde, raciocinar correctamente na matemática e nas ciências. A minha visão de conjunto é que existe uma série de sistemas cognitivos "nucleares", com que nascemos já equipados, e que foram apurados ao longo da evolução para desempenhar tarefas, tais como saber onde estamos ou identificar e categorizar os objectos.
Mas nós, humanos, somos a única espécie que consegue combinar essas capacidades de base de formas inéditas para criar novos sistemas de conhecimento e resolver novos problemas com novos conceitos. A minha hipótese é que essa produtividade provém do que é talvez a única capacidade exclusivamente humana: a de utilizar símbolos externos - e sobretudo a linguagem - para representar a informação. A linguagem não serve só para comunicarmos informação aos outros, serve também para formularmos novos conceitos na nossa própria mente, reunindo informação vinda de sistemas cognitivos à partida distintos. Assim, quando os sistemas cognitivos nucleares que partilhamos com outros animais se combinam, gera-se um conjunto de capacidades que são só nossas. Somos os únicos a fazer matemática, ciência, a desenvolver sistemas inteiros de novos conceitos.O que está a estudar agora?
O que me interessa neste momento é a cognição social: como é que os bebés reagem a pessoas que interagem socialmente umas com outras. E os nossos resultados sugerem que, muito cedo no desenvolvimento, por volta dos quatro meses de vida, já existe uma sensibilidade dos bebés à conformidade - ou seja, ao facto de as pessoas interagirem fazendo gestos semelhantes. Estamos a começar a ver se os bebés usam essa informação para compreender quem gosta de quem, quem está ligado a quem.

Fonte: Público