sábado, 27 de outubro de 2012

Paleontólogos descobrem dinossauro com asas e penas

Os restos fossilizados de dinossauros com asas e penas foram encontrados em rochas com 75 milhões de anos em Alberta, no Canadá. O Ornithomimus edmontonicus seria, dizem os paleontólogos, parecido com uma avestruz.
O novo estudo, publicado pelos paleontólogos Darla Zelenitsky e François Therrien na revista Science, salienta que estes são os primeiros esqueletos de dinossauros ornitomimus (parecidos com pássaros) que mostram claramente que eles estavam cobertos de penas.
A partir da análise de três esqueletos fossilizados, de um dinossauro jovem e de dois adultos, os cientistas concluem que estes eram demasiados grandes para conseguir voar e que as asas só se desenvolviam mais tarde na vida. Assim, deveriam estar associadas a comportamentos reprodutivos, concluem.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lucy, a australopiteca, ainda trepava às árvores

É um caso de omoplatas. Num dado momento, os antepassados do homem deixaram de vez as árvores e caminharam. Os antropólogos sabem que os membros e os ossos destes hominíneos acompanharam esta transição. Agora, um estudo, publicado nesta sexta-feira na edição em papel da revista Science, analisou as omoplatas de um fóssil de Australopithecus afarensis juvenil e mostra que a espécie da famosa Lucy, conhecida pelo seu caminhar já erecto, também se sentia confortável a trepar às árvores.
Estamos habituados a ver bonecos da Lucy de pé. O fóssil encontrado em 1974 foi um marco na paleoantropologia por ser o hominíneo mais antigo descoberto até então.
Lucy viveu há 3,2 milhões de anos no Leste africano. Pensa-se que morreu adulta. Era capaz de caminhar com um à-vontade que hoje só nós temos. A forma dos ossos das pernas de Lucy e pegadas fossilizadas com 3,6 milhões de anos, que poderão pertencer também ao Australopithecus afarensis, dão indicações de que esta espécie seria bípede.
Mas o fóssil de uma australopiteca só com três anos, estudado por David Green, da Universidade de Midwestern, EUA, obriga a mudar a forma de pensar a locomoção do Australopithecus afarensis.
Selam, nome que lhe deram, foi encontrada na Etiópia, em 2000, e tem 3,3 milhões de anos. É o esqueleto mais completo de sempre de um de Australopithecus afarensis. E, pela primeira vez, os cientistas conseguiram estudar uma omoplata completa de um indivíduo desta espécie.
Green e um colega analisaram o desenvolvimento da forma da omoplata entre este juvenil e da omoplata que se pensa que os adultos desta espécie tinham. Compararam este desenvolvimento com o que acontece nos chimpanzés, gorilas e na nossa espécie, concluindo que era mais parecido com os símios. “Apesar de ser bípede como os humanos, o Australopithecus afarensis ainda era um bom trepador de árvores”, diz Green, acrescentando que mesmo “não sendo completamente humano, estava a caminho disso”.

Fonte: Público

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Operador móvel japonês anuncia tradução simultânea

O principal operador móvel japonês anunciou hoje o lançamento de um serviço telefónico de tradução simultânea para falar com um interlocutor em português, italiano, francês, alemão, espanhol, indonésio e tailandês.
A NTT Docomo prevê incluir esta aplicação gratuita nos "smartphones" e "tablets" que vai comercializar a partir de 01 de novembro, equipados com o sistema "Android" do grupo norte-americano Google.
Com este sistema, um japonês poderá falar na língua materna e o diálogo será automaticamente traduzido para o interlocutor. As respostas deste último serão, por seu turno, traduzidas para japonês.
Uma porta-voz do operador garantiu que o intervalo entre a voz de origem e a tradução informática será inferior a um segundo, admitindo que o serviço não oferece ainda uma tradução perfeita.
O proprietário de um "smartphone" ou de um "tablet" pode obter uma tradução da conversa, nos dois sentidos, numa ligação para uma linha fixa clássica, acrescentou a mesma porta-voz.
A aplicação pode também traduzir por escrito o significado das palavras.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Robô Curiosity provou um bocadinho de solo marciano

A que saberá o solo marciano? O robô Curiosity, em Marte desde o início de Agosto, é que pode dizer, uma vez que um dos seus instrumentos acaba de engolir os primeiros pedaços de solo marciano. Para fazer diversas análises químicas e mineralógicas.
Com o braço robotizado, o Curiosity apanhou o solo e colocou-o num tabuleiro, para em seguida o submeter às análises no CheMin. “A identificação dos minerais é importante porque neles ficam registadas as condições ambientais em que se formaram”, explica um dos cientistas da missão do Curiosity, John Grotzinger, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, num comunicado da NASA.Ao pôr o Curiosity a engolir o solo, os cientistas esperam perceber se em Marte já houve muita água, um elemento considerado essencial à vida. Aliás, nos poucos meses que está em Marte, dentro da cratera Gale, onde já percorreu 480 metros graças às suas seis rodas, o robô já se deparou com rochas que mostram como a água correu abundantemente no planeta. O cascalho que encontrou arredondado por correntes antigas é a primeira prova geológica directa dessa abundância.
Na próxima semana, deverá haver novidades sobre o solo agora analisado. Para já, a agência espacial norte-americana apenas diz que é feito de grãos tão finos que os ventos marcianos os dispersam facilmente. Os cientistas pensam que é este tipo de grãos que forma as famosas tempestades de poeiras, por isso este estudo também ajudará a compreender melhor este fenómeno. “Estas são as partículas que viagem regionalmente, senão globalmente”, diz Grotzinger. “Vemos estas tempestades que envolvem todo o planeta e pensamos que estes são os grãos que se depositam uniformemente por Marte inteiro.”
Na Terra, nunca recebemos amostras de solo marciano. A NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) planeavam uma missão conjunta, que foi entretanto cancelada pela agência dos Estados Unidos. Tanto a NASA como a ESA estudam agora formas de trazer amostras marcianas, nunca antes de 2018. Até lá, o solo marciano chega-nos de forma indirecta, desta vez pelo olhar do Curiosity, que, quando a sua missão chegar ao fim, permanecerá para sempre como ferro-velho na superfície de Marte.

Fonte: Público

domingo, 21 de outubro de 2012

Descobertas células na origem do mais letal cancro cerebral

Até aqui, os especialistas pensavam que o glioblastoma multiforme, o mais comum e agressivo cancro do cérebro nos seres humanos, tinha a sua origem nas células da glia, aquelas que asseguram a coesão do tecido cerebral. Mas agora, resultados obtidos pela equipa de Inder Verma, do Instituto Salk, EUA, vêm demonstrar algo de inesperado: que este tumor pode ser gerado por outros tipos de células nervosas — e nomeadamente pelos próprios neurónios —, quando elas regridem para um estado “infantil”. Os resultados, publicados esta sexta-feira na revista Science, permitem perceber o alto nível de reincidência deste cancro e sugerem novos alvos potenciais para o tratar, explica um comunicado daquela instituição californiana.
Apesar de relativamente raro nos países ocidentais, onde anualmente atinge duas a três pessoas em cada cem mil, o diagnóstico de glioblastoma multiforme constitui quase sempre uma sentença de morte: os doentes não sobrevivem para além de dois anos. E os tratamentos aplicados — quimioterapia, cirurgia, radioterapia — são antes de mais paliativos. Nada parece conseguir travar este cancro de crescimento rápido — e na imensa maioria dos casos não há tratamento que o impeça de voltar.
Os cancros (em geral) costumam ter origem num punhado de células — ou mesmo numa única célula — que de repente começa proliferar descontroladamente. A teoria actualmente mais consensual é a de que existem, nos tumores malignos, “células estaminais cancerígenas” ou “células iniciadoras dos tumores”. Tal como as células estaminais normais dos embriões (que são capazes de dar origem a todos os tecidos do organismo), estas células conseguem dividir-se vezes sem conta e pensa-se que é delas que descendem todas as células de um dado cancro.
Só que ninguém sabe de onde vêm estas células estaminais cancerígenas. Não é muito claro se elas resultam de uma transformação maligna de células estaminais adultas (que existem normalmente no organismo, incluindo no cérebro) ou de células já diferenciadas que regrediram e ganharam características das células estaminais.
No caso do glioblastoma, só muito recentemente (no Verão) é que a equipa de Luis Parada, da Universidade do Sudoeste do Texas, nos EUA, identificou as células estaminais cancerígenas (ver “Há cada vez mais provas de que o cancro nasce de células estaminais”, PÚBLICO de 03/08/2012).
Inder Verma e colegas quiseram determinar a origem dessas células. Para isso, utilizaram vírus modificados de forma a conseguirem inactivar dois genes ditos “supressores de tumores”, que regulam a divisão celular: o célebre p53, também conhecido como “guardião do genoma”; e um outro, o NF1. Ambos estão implicados em cancros como o glioblastoma, quando sofrem mutações que impedem o seu normal funcionamento.
Os cientistas injectaram directamente os vírus em vários tipos de células do cérebro de ratinhos, e em particular em neurónios do córtex cerebral. E descobriram que, quando estas células nervosas adultas eram alteradas pelos vírus, tornavam-se capazes de formar gliomas malignos.
“Os resultados”, diz Dinorah Friedmann-Morvinski, autora principal do trabalho, “sugerem que, quando dois genes críticos são inactivados, [vários tipos de] células maduras, diferenciadas, adquirem a capacidade de se ‘desdiferenciar’, voltando para um estado semelhante ao das células progenitoras (...) e podendo a seguir dar origem a todos os tipos de células observadas nos gliomas malignos.”
O trabalho “permite explicar a taxa de recorrência dos gliomas após o tratamento”, diz Verma. E indica ainda que não basta eliminar as células estaminais cancerígenas para conseguir travar este cancro, “porque qualquer célula do tumor que não for erradicada poderá continuar a proliferar e a induzir a formação de tumores, perpetuando o ciclo”.

Fonte: Público