sábado, 10 de novembro de 2012

Como é que o peixe-arqueiro lança jactos seis vezes superiores à sua força muscular?

Uma equipa de cientistas italianos diz ter desvendado o mistério do peixe-arqueiro, que cospe um jacto de água seis vezes superior à sua força muscular para caçar. Ele aproveita movimento da água, pelo que a força dos jactos deve-se à dinâmica da água e não só aos órgãos do peixe.
Este mistério dá que falar há quase 250 anos, desde o primeiro relato deste comportamento, em 1764 . Agora o grande poder dos jactos do peixe-arqueiro foi desvendado Alberto Vailati e pelos colegas da Universidade de Milão. O peixe fecha as guelras para forçar a produção do jacto, que é projectado pelo ar, como uma única grande gota de água, que atinge a presa de uma tal maneira que ela se torna refeição.
A dinâmica da água serve assim de “alavanca”, como lhe chama Vailati no estudo, para o peixe-arqueiro, assim como um arqueiro faz com o seu arco, para impulsionador da flecha. Aliás, é a precisão do disparo dos jactos que justifica o nome da espécie, com o nome científico Toxotes jaculatrix. “O mecanismo observado representa um exemplo extraordinário de uma alavanca hidrodinâmica externa que não implica um elevado custo do ponto de vista evolutivo para o desenvolvimento de estruturas internas altamente especializadas dedicadas ao armazenamento de energia mecânica”, refere o artigo.
O peixe consegue arrancar insectos firmemente presos à vegetação fora da água. Assim que os insectos são derrubados pelo jacto, e caem na água, são devorados imediatamente pelo peixe. Esta técnica permite-lhe atingir certeiramente um insecto numa fracção de segundo, mesmo se estiver a dois metros de distância. Peixe típico dos mangais, que por vezes entra pelos em rios e ribeiras adentro, encontra-se na Ásia e na Oceânia, em países como a Indonésia, a Papuásia-Nova Guiné e na Austrália.
Estudos anteriores já tinham demonstrado que não são os órgãos internos do peixe os responsáveis pela técnica mortal de caça. Isso acontece, por exemplo, com os camaleões, que armazenam energia nos próprios corpos, em fibras que actuam como uma mola que lhes permitem disparar as suas línguas repentinamente para capturar as presas. A aceleração do disparo pode atingir os 500 metros por segundo ao quadrado.
O estudo, publicado na revista PLos ONE, foi possível graças à utilização de câmaras de alta velocidade, que permitiram visualizar jactos em fracções de segundo. Os cientistas puderam assim descrever os movimentos do jacto mortal do peixe.
A proposta apresentada pelos cientistas italianos para desvendar o mistério é a primeira a sugerir que os jactos de água disparados pelo peixe-arqueiro, tal e qual uma bisnaga de água, como compara Alberto Vailati, se devem a forças externas, em vez de terem unicamente causas biológicas internas.

Fonte: Público

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

"Cheiro a rosas" é promessa de desodorizante comestível

O 'Deo Perfume Candy' prova o velho ditado de que cada um é aquilo que come.
A empresa búlgara Alpi conseguiu fabricar um produto que muda o cheiro exalado por quem o experimenta. O novo desodorizante, que surge na forma de pastilhas comestíveis é feito de rosas damascenas (uma mistura das espécies de rosa 'gallica' e 'moschata') da Bulgária e foi desenvolvido por cientistas japoneses.
O web-site do produto, apelidado de "perfume doce", explica que a descoberta surgiu através de uma serie de estudos que demonstraram que depois de ser ingerido, o óleo de rosas liberta componentes aromáticos para a pele. Assim, quando evapora pelos poros, passa o cheiro da flor para o corpo. É ainda explicado que o mecanismo funciona de forma semelhante ao que acontece quando é ingerido alho.
De acordo com o fabricante, uma porção de quatro pedaços de doce é suficiente para que uma pessoa com aproximadamente 65 quilos fique "cheirosa" durante mais de seis horas. A quantidade padrão conta com 12 miligramas de geraniol, um óleo de rosas. Para ser gerara uma gota deste óleo são necessárias 2 mil pétalas de rosa.
O 'Deo Perfume Candy' tem ainda várias versões. Pode escolher com ou sem açúcar ou ainda com sabor natural a tangerina. Países como os Estados Unidos, França, Espanha, Alemanha e China já contam com a inovação nas prateleiras. O produto está ainda disponível para encomendas para todo o mundo no site oficial, por apenas sete euros.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Formam-se cada vez menos estrelas

Um grupo de investigadores, liderados por um português, concluiu que estão a formar-se 30 vezes menos estrelas do que há 11 mil milhões de anos, mas a galáxia da Terra ainda dá um contributo positivo.
O astrofísico David Sobral coordena uma equipa de investigadores de várias nacionalidades, entre ingleses, um japonês, um italiano e um holandês, a trabalhar em diferentes locais do mundo, de Edimburgo a Quioto, dedicados a estudar o universo.
A partir da Universidade de Leiden, na Holanda, David Sobral lidera o projeto que está a utilizar três dos melhores telescópios do mundo, dois no Havai e um no Chile.
"Medimos a taxa de natalidade ao longo da história e verificamos que, no pico da atividade do universo, há cerca de 11 mil milhões de anos, existiam cerca de 30 toneladas por minuto de estrelas a formar-se num determinado volume, enquanto que, hoje, num volume comparável, apenas se está a formar uma tonelada de estrelas por minuto", disse hoje à agência Lusa o cientista.
"Temos amostras 10 vezes superiores ao que existia antes, e usamos a mesma técnica, o que nunca tinha sido feito antes", realçou David Sobral.
O investigador salientou a diminuição gradual do que chama o Produto Interno Bruto (PIB) cósmico, numa analogia à criação de riqueza económica, ou seja, a quantidade de novas estrelas que se está a formar.
Aliás, são as estrelas que dão o seu contributo para a criação de riqueza, de que são exemplo os metais preciosos.
"Estamos numa época em que se formam poucas estrelas, e vão formar-se cada vez menos à medida que os anos passam. Mesmo que esperássemos um tempo infinito, o universo nunca vai formar mais do que cinco por cento das estrelas que existem hoje", explicou.
Assim, "a maior parte das estrelas que existem e vão existir formaram-se no passado", concluiu David Sobral.
"A nossa galáxia é uma das que ainda contribui para a quantidade de estrelas que se formam no universo inteiro, porque é uma galáxia relativamente saudável e, pelo menos nos próximos seis ou sete mil milhões de anos, vai continuar a formar estrelas de forma razoável, sustentável, até que irá colidir com uma galáxia vizinha", relatou o cientista.
Quando viajam no tempo com estes telescópios, os astrónomos recolhem amostras de cerca de mil galáxias em cada uma das épocas, podem compará-las diretamente e olhar para as suas características, se estão juntas ou isoladas, por exemplo.
David Sobral referiu que, com "uma medição muito boa da taxa de natalidade de estrelas", é possível fazer uma previsão de qual será o número total de estrelas que existe no universo ao longo dos tempos.
"Com base na evolução desta taxa de natalidade, sabemos quantas estrelas deverão existir no universo daqui a cinco mil milhões de anos ou 100 mil milhões de anos, até quase a um tempo infinito", acrescentou.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Cientistas portugueses desenvolveram vacina oral contra a hepatite B

Há vários anos que Olga Borges e a sua equipa, do Centro de Neurociências da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, recorrem às nanotecnologias para tentar desenvolver vacinas não injectáveis contra diversas doenças. E fabricaram, em particular, uma vacina oral contra a hepatite B que já deu resultados positivos no ratinho. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que as doenças associadas à hepatite B são responsáveis anualmente, a nível mundial, pela morte de 600 mil pessoas.
A nova vacina experimental é feita de nanopartículas que transportam diversas substâncias a bordo, tal como se fossem vírus artificiais, mas inócuos. "Nós preparamos as nanopartículas, fizemos tudo aqui", disse ao PÚBLICO Olga Borges.
As nanopartículas, explica um comunicado da universidade, são feitas de quitosano, um derivado da quitina (o composto natural da "casca" dos crustáceos ou insectos), e transportam um antigénio do vírus da hepatite B - ou seja, uma molécula normalmente presente à superfície do vírus e que desencadeia, por parte do organismo a ele exposto, a formação de anticorpos contra o vírus. E, como foram feitas para resistir ao sistema digestivo, explica-nos ainda Olga Borges, "o antigénio é transportado intacto até a umas estruturas do intestino, chamadas "placas de Peyer", que pertencem ao sistema imunitário". Aí, as nanopartículas serão "engolidas" por células imunitárias especializadas e, passados uns tempos, libertarão o seu conteúdo.
Uma vacina oral teria várias vantagens em relação às vacinas injectáveis. Por um lado, a sua conservação não precisaria de refrigeração e ela seria obviamente muito fácil de administrar. E, mais, salienta a cientista: a vacina oral induz a produção de elevadas concentrações de anticorpos nas mucosas. Ora, como a hepatite B é uma doença sexualmente transmitida, que penetra pelas mucosas dos órgãos reprodutores, o vírus poderia assim ser combatido logo "na porta de entrada do nosso organismo".
Os cientistas administraram aos ratinhos três tomas da vacina oral, de 15 em 15 dias, e a seguir mediram não só os níveis de anticorpos anti-hepatite B no sangue, como também nas mucosas dos animais tratados. "Os nossos estudos correram bem, obtivemos uma boa resposta imunitária", frisa Olga Borges. O trabalho foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pelos laboratórios GlaxoSimthKline, que "forneceram o antigénio que usam na sua vacina injectável do mercado", refere Olga Borges.
A fase seguinte, a dos ensaios clínicos, não está ainda à vista, uma vez que requer "um financiamento gigantesco", acrescenta a cientista. Mas a equipa de Coimbra tem entretanto avançado para outras estratégias de imunização contra a hepatite B - nomeadamente, para uma vacina nasal. A via nasal promete "uma maior capacidade de induzir anticorpos na mucosa associada aos órgãos reprodutores do que a via oral", diz Olga Borges. Já estão há três anos a desenvolver nanopartículas especialmente destinadas a esta segunda forma de administração e os testes em ratinhos deverão começar no início do ano que vem.
Ainda uma outra vantagem apontada pelos cientistas é que este tipo de vacinas também poderá ser benéfico para as pessoas que já se encontram infectadas pelo vírus da hepatite B. "As [nossas] nanopartículas contêm também outras substâncias, ditas "imunomoduladoras", e a resposta imunitária que provocam é ligeiramente diferente da resposta às vacinas injectáveis. Isso pode ser útil para [tratar] os portadores do vírus", diz Olga Borges.

Fonte: Público

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Opilião das patas longas bate recorde de comprimento

Peter Jäger, aracnólogo do Instituto de Investigação de Senckenberg, em Frankfurt, viajou até ao Laos para participar nas gravações de um programa televisivo, em Abril deste ano. A história acabaria aqui, se o cientista não tivesse ido apanhar aranhas e se, entre os exemplares, não estivesse um certo opilião, que já bateu o recorde das patas mais compridas para estes animais.
Confundidos muitas vezes com aranhas, os opiliões não segregam seda, não fazem teias, nem produzem veneno. São conhecidos por terem pernas muito grandes em comparação com o resto do corpo. Chamam-se vulgarmente "cavaleiros", porque parecem cavalgar quando são perturbados. Este andar bamboleante pode ser uma maneira de confundirem os predadores, que assim não percebem exactamente onde está a parte central do corpo.
Apesar de haver opiliões com patas curtas e robustas, aquele que foi descoberto no Laos é dos pernilongos. "Entre filmagens, apanhei aranhas em grutas no Sul da província de Khammouan", conta Peter Jäger, num comunicado do seu instituto. "Numa das grutas descobri um opilião absolutamente gigante."
Até agora, o maior opilião conhecido, o Mitobates triangulus, foi encontrado na Mata Atlântica brasileira. As suas pernas medem 34,2 centímetros. O "novo" opilião bate esse recorde, como mostra a fotografia dele esticado por cima de uma régua. A sua espécie ainda não está identificada, mas o género sim, é o Gagrella.
No Laos, têm sido encontrados, aliás, vários artrópodes gigantes: há uma aranha caçadora com patas que chegam aos 30 centímetros (Heteropoda máxima); um escorpião com um corpo de 26 centímetros (Typopeltis magnificus); e uma centopeia com quase 40 (Thereuopoda longicornis). O opilião pernilongo junta-se ao grupo, fazendo do Laos um mundo de artrópodes gigantes.
Para tentar descobrir a sua espécie, Peter Jäger procurou a ajuda da investigadora brasileira Ana Lúcia Tourinho, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia e que se encontra agora no Instituto de Senckenberg. Ao PÚBLICO, Ana Lúcia Tourinho conta que os opiliões, além de viverem em grutas, são animais nocturnos e preferem refúgios húmidos. O seu corpo perde água com muita facilidade, o que os torna dependentes dos habitats húmidos.
Geralmente, os opiliões são predadores e, enquanto as aranhas só ingerem alimentos líquidos, eles conseguem comer pequenos pedaços sólidos. Chegam a alimentar-se de outros opiliões, já mortos. "Possuem hábitos alimentares muito variados", refere Ana Lúcia Tourinho. Outra característica que os distingue das aranhas é a fecundação ser interna. Os opiliões são o único grupo de aracnídeos com um verdadeiro pénis.
Para se defenderem, produzem um líquido que é tóxico para insectos mais pequenos, mas que nos humanos, se forem picados, causa apenas uma ligeira comichão. Quando se sentem ameaçados, podem picar o inimigo ou perder uma das patas. Mesmo depois de já não estar presa ao corpo, essa pata continua com movimento. Assim, esperam distrair os predadores, que incluem sapos, grilos e outros aracnídeos.
As suas longas patas têm várias funções. Com quatro pares, o primeiro e o segundo, normalmente maior do que os outros, têm uma função sensorial, funcionando mais ou menos como uma antena. É com elas que os opiliões identificam o espaço à volta, captando os sinais físicos e químicos do ambiente. O terceiro e o quarto pares de patas têm apenas a função de locomoção.
Mas, durante os rituais de acasalamento, as patas servem para mostrar à fêmea as suas habilidades e tentar assim conquistá-la. "Nalgumas espécies, o macho oferece alimento à fêmea, que o deverá aceitar para poderem acasalar", explica o biólogo Pedro Sousa, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, no Porto.

O maior de Portugal
Vivem muitas espécies de opiliões em Portugal, com grande diversidade de formas, tamanhos e cores do corpo. "Existe em Portugal o maior opilião europeu, a espécie Gyas titanus", diz Pedro Sousa.
Este opilião, que se encontra principalmente no Norte do país, tem o corpo negro com linhas prateadas transversais, os olhos escuros com uma linha branca ao centro e faz parte do grupo dos que têm as pernas compridas. O corpo atinge, no máximo, 12 milímetros de comprimento e é uma espécie adaptada para viver num ambiente com muita água. E um dos opiliões mais pequenos de Portugal, cuja identificação está por fazer, vive no parque de Monsanto, paredes meias com a cidade de Lisboa, conta Sérgio Henriques, conservador no Museu de História Natural de Londres. "Além de ser endémica, esta pequena espécie cor de laranja é uma relíquia. Conseguiu sobreviver às alterações climáticas que Portugal sofreu nos últimos milhões de anos", diz Sérgio Henriques. "Este endemismo ainda não tem nome e faz parte de uma parceria internacional para ser descrito."
Para Pedro Cardoso, outro biólogo português, conservador do Museu de História Natural da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, o opilião mais especial em Portugal é o Iberosiro distylos: é cavernícola e conhecido numa única gruta da serra de Montejunto. Foi descoberto em 1941, pelo aracnólogo português António de Barros Machado, que não o conseguiu identificar e permaneceu assim esquecido. "Só foi descrito em 2004, por uma equipa da Universidade de Harvard, o que demonstra o pouco que em Portugal se faz neste campo da ciência", diz Pedro Cardoso.

Fonte: Público