terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cães paralisados recuperam controlo das patas traseiras após transplante de células olfactivas

O Jasper é um “cão-salsicha” (Dachshund) que perdeu o uso das suas patas posteriores há quatro anos. Agora, a seguir a um tratamento a que foi submetido por Robin Franklin, da Universidade de Cambridge, e colegas, Jasper está “sempre a correr pela casa fora”, diz a sua dona, citada no site do Huffington Post United Kingdom.
Os resultados da equipa britânica, que dizem respeito a Jasper e mais 33 cães de estimação que ficaram paralisados na sequência de atropelamentos ou de problemas de costas, foram publicados na revista Brain e constituem a primeira demonstração de que é possível reparar lesões da medula espinal em casos “da vida real”, salientam os cientistas. A maior parte dos cães era raça Dachshund (ou Teckel), que tem propensão a sofrer de problemas da coluna vertebral que se revelam altamente incapacitantes.
O que os cientistas fizeram foi colher certas células da própria mucosa nasal dos cães para realizar um autotransplante – em inglês, são chamadas olfactive ensheathing cells, ou OEC. As OEC não são neurónios, mas células gliais, ou seja, células nervosas que têm em particular como função a sustentação dos tecidos nervosos.
Essas células foram cultivadas no laboratório antes de serem injectadas, no local da lesão, em cerca de dois terços dos animais, enquanto os outros recebiam apenas uma injecção de um líquido neutro.
Como o sistema olfactivo é a única parte do organismo dos mamíferos onde as fibras nervosas continuam a crescer ao longo de toda a vida – e como as OEC são justamente as células nervosas que promovem esse crescimento –, os especialistas suspeitavam há anos, com base em estudos anteriores, de que um transplante destas células ao nível de uma lesão espinal poderia permitir a reconstituir as ligações nervosas que tinham sido seccionadas por um traumatismo. Sabia-se também que um tal procedimento não apresentava riscos para o ser humano, mas a sua eficácia nunca fora testada – e ainda menos comprovada.
Foi isso que agora parece ter finalmente acontecido – no cão. “Os nossos resultados são extremamente excitantes porque mostram, pela primeira vez, que o transplante deste tipo de células para dentro de uma lesão grave da espinal medula pode acarretar uma melhoria significativa”, diz Franklin, citado pela imprensa britânica. E, de facto, isso aconteceu aos cães que tinham recebido as suas próprias células olfactivas, mas não aos que tinham apenas sido tratados com o líquido.
Os animais foram testados, de mês a mês, do ponto de vista da sua função neurológica e do seu desempenho numa passadeira. E os cientistas puderam observar que os animais tratados com as células nasais conseguiam mexer as patas até aí paralisadas, coordenando o movimento de conjunto graças às patas dianteiras. Porém, também constataram que, ao contrário do que acontece naturalmente no nariz, onde a regeneração nervosa promovida pelas OEC consegue manter a comunicação entre o sistema olfactivo e o cérebro (condição sine qua non para a preservação do sentido do olfato), ao nível da espinal medula as ligações nervosas regeneradas eram de curto alcance.
Daí que os cientistas permaneçam muito prudentes quanto à eventual aplicação da técnica aos seres humanos. “Pensamos que a técnica poderia restaurar o movimento pelo menos de forma limitada em doentes humanos com lesões da espinal medula”, acrescenta Franklin, “mas estamos muito longe de poder dizer que esses doentes poderiam vir a recuperar todas as funções perdidas.” Acontece que, juntamente com a perda de mobilidade, estas lesões acarretam também perda da função sexual e do controlo dos esfíncteres. Ora, na actual experiência, embora alguns cães tenham recuperado o controlo da bexiga e dos intestinos, o seu número não foi significativo.Isso não impede Geoffrey Raisman, do University College de Londres e descobridor das OEC, de afirmar que se trata “do mais alentador avanço em anos”.

Fonte: Público

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Múmia mais famosa do Museu Britânico foi assassinada

A mais famosa múmia do Museu Britânico, de nome Ginger, batizada assim devido ao cabelo vermelho, morreu devido a uma facada nas costas, revelaram exames médicos realizados através de tecnologia 3D.Os visitantes do Museu podem ver o corpo da múmia por dentro através de "scans".
A múmia Ginger (ou Homem de Gebelein) com 5500 anos, que está depositada no Museu Britânico, em Londres, e em exposição há mais de 100 anos, foi um jovem rapaz que morreu devido a uma facada nas costas, revela agora uma nova investigação.
Os médicos legistas que estudaram o corpo da múmia através de uma "autópsia virtual" concluíram que o rapaz foi assassinado de forma violenta.
Daniel Antoine, especialista do Museu restos humanos, explicou ao jornal The Times que "a escápula esquerda está ligeiramente danificada. Mas pode ver-se que a costela imediatamente sob a escápula foi destruída de tal forma que dividiu o tecido em dois. E isso revela que foi utilizada imensa força, atingindo provavelmente o pulmão (retirado no ritual da mumificação).
Os exames revelaram também que Ginger era um jovem com idade entre 18 e 20 anos e impressionantemente musculoso. Antoine acredita que devido à falta de feridas defensivas, Ginger foi alvo de um ataque surpresa.
O Homem de Gebelein é a segunda atração do Museu Britânico depois da Pedra da Rossetta.
A partir de hoje os visitantes podem usar uma tela interativa, e apenas com um toque olhar para dentro do corpo da múmia no sentido de apurar se existem outras pistas sobre a sua morte.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 17 de novembro de 2012

É o animal com mais patas e vive nos arredores do Silicon Valley

Os animais com mais patas do mundo vivem nos Estados Unidos, na Califórnia, e só agora foram descritos pormenorizadamente. Parentes afastados das nossas maria-cafés, pertencem à espécie Illacme plenipes e agora ficou a saber-se que, apesar de andarem muito devagar, as fêmeas podem ter 750 patas e os machos 562.
Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1928, por Orator Fuller Cook e Harold Frederick Loomis, com base em sete exemplares. Mas nesse relato não havia qualquer ilustração ou imagem e os autores pouco a diferenciaram de uma outra espécie, de aspecto muito semelhante, classificada dentro do género Siphonophorida.
Esta semana, Paul Marek e colegas publicaram na revista ZooKeys uma descrição completa da Illacme plenipes, baseando-se em exemplares que foi recolhendo nos arredores do Silicon Valley, entre 2005 e 2007, e ainda nos poucos que existem em museus.
Apesar de o investigador ter procurado estes animais noutras regiões, só os encontrou em três localidades perto do Silicon Valley, num refúgio limitado a 4,5 quilómetros quadrados, o que faz deles animais raros. Vivem no subsolo, em locais húmidos.
Mesmo em museus de história natural, não são presença assídua: no mundo inteiro só se conhecem 17 exemplares, incluindo os primeiros sete descritos. “Esta espécie é uma relíquia, é o único representante da sua família no hemisfério ocidental. O seu parente mais próximo deve ser o Nematozonium filum, que vive na África do Sul e a relação entre eles existiu há mais de 200 milhões de anos, quando os continentes estavam todos juntos na Pangeia”, diz Paul Marek citado num comunicado do grupo editorial da revista.
Os milípedes, ou miriápodes, como também são conhecidos, são herbívoros do grupo dos artrópodes. Contrariamente à sua aparência, que é a de um animal bastante frágil e simples, a sua anatomia é complexa. Para além do número extraordinário de patas, estes animais, de alguns centímetros apenas, têm um exoesqueleto, o corpo coberto de pêlos que produzem seda e antenas, que usam para examinar o caminho, já que não têm olhos. A boca é muito rudimentar em comparação com a de outros milípedes, que desenvolveram estruturas para moer a comida. No seu caso, a boca tem apenas umas estruturas que, provavelmente, furam e sugam as plantas e tecidos dos fungos.
Quanto à cor, o milípede das 750 patas é branco, enquanto geralmente estes animais são acastanhados. Quando se sentem ameaçados, enrolam-se e fingem-se mortos, tal e qual as maria-cafés que podemos ver no campo.

Fonte: Público

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

É possível corrigir a miopia sem recurso a cirurgia

Um novo tipo de lentes molda a córnea durante o descanso noturno para permitir uma visão de maior acuidade ao longo do dia seguinte.
O diário ABC, de Madrid, revela na sua edição de hoje ter sido descoberta uma técnica inédita que permite a correção da miopia sem necessidade de recorrer a intervenções cirúrgicas.
A intervenção cirúrgica, nomeadamente, por laser tornou-se desnecessária com a nova técnica denominada Terapia Corneal Refrativa (CRT na desiganção em inglês). A CRT consiste na aplicação de um tipo especial de lentes que vão moldando a córnea enquanto o olho descansa no período de sono. Assim, quando um míope se levanta e retira aquelas lentes, a sua visão será nítida durante todo o dia.
A CRT implica o uso deste tipo específico de lentes todas as noites. Caso contrário, os sintomas de miopia voltam a manifestar-se desde que as lentes deixem de ser aplicadas em três noites consecutivas, refere o diário espanhol.
O jornal indica ainda ser necessário aconselhamento médico, sendo as lentes apropriadas para casos de pessoas com casos até seis dioptrias e 1,75 de estigmatismo. Nos primeiros 15 dias, devem estar postas entre seis a oito horas, pelo menos. Passado o período de adaptação, devem ser usadas todas as noites, mas sem indicação de uma duração mínima.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Cancro colorrectal cria metástases com ajuda de células saudáveis à volta

Há muito tempo que se tenta descobrir como é que o cancro colorrectal, uma das principais causas de morte por cancro em todo o mundo, cria metástases e invade outros órgãos. Cientistas espanhóis identificaram agora as moléculas envolvidas na formação das metástases deste cancro - que em Portugal é o que mais mata, com cerca de três mil mortes por ano. Com este trabalho, a equipa espanhola confirmou uma suspeita antiga: as células saudáveis à volta das células do cancro são cúmplices involuntárias na instalação de focos da doença noutros órgãos.
A equipa de Eduard Batlle e Elena Sancho, do Instituto para Investigação Biomédica de Barcelona, estudou 345 casos de cancro colorrectal e ontem publicou os seus resultados na revista Cancer Cell.
Já há muito tempo que se suspeitava que o microambiente em redor do cancro - o estroma, o tecido conjuntivo que sustenta as células funcionais de um órgão - era crucial na metastização. Mas agora a equipa espanhola diz ter reunido provas disso. "Este é o primeiro estudo que observou células saudáveis do microambiente a desempenharem um papel fundamental na criação de metástases num tipo específico de cancro", anuncia a equipa, num comunicado do seu instituto.
Antes de mais, há que dizer que o fígado e os pulmões são os alvos comuns das metástases do cancro colorrectal. E que as células de um cancro não são todas iguais, há uma hierarquia. Muitas delas, explica-se no comunicado, só formam a massa do tumor e, no topo da pirâmide, num pequeno reservatório, estão as células estaminais cancerígenas.
Tal como as normais células estaminais dos embriões e dos adultos, que são capazes de originar diferentes tipos de tecidos no organismo, as células estaminais cancerígenas conseguem dividir-se vezes sem conta. Nesta hipótese, proposta há algumas décadas, elas são as sementes dos cancros: originam todas as células malignas, suportam o crescimento dos cancros e criam as metástases. Também resistem aos tratamentos, o que explica as recidivas. Esta hipótese tem sido reforçada com a identificação destas células em vários cancros.

O adubo e as sementes
Ora a equipa de Batlle e Sancho mostrou que, quando as células estaminais do cancro colorrectal chegam ao fígado, libertam uma molécula nesse microambiente. Trata-se do factor beta de transformação de crescimento (TGF-beta, na sigla inglesa), que controla, por exemplo, a proliferação das células. No cancro, essa proliferação é descontrolada.Em resposta à libertação do TGF-beta, as células na vizinhança - como macrófagos e fibroblastos, presentes no tecido conjuntivo, e células endoteliais, que revestem o interior dos vasos sanguíneos - libertam outras moléculas. Uma delas é a interleucina-11. Só que a interleucina-11, que funciona como um mensageiro químico para regular a proliferação de certas células, acaba por funcionar como mais adubo para o cancro: activa nas células estaminais cancerígenas uma série de genes que lhes permitem sobreviver noutros órgãos.
Sem a interleucina-11, diz a equipa, as células do cancro que viajaram para outros locais morreriam antes de formarem aí novos focos da doença. É preciso, em primeiro lugar, que as células libertadas pelo cancro na corrente sanguínea consigam sobreviver ao ambiente hostil dessa viagem, bem como ao do órgão distante para onde foram.
"Este estudo propõe uma mudança de paradigma", diz Batlle. "Até agora, se queríamos saber se um doente com cancro do cólon tinha probabilidades de desenvolver metástases, olhávamos para as células do tumor. Este estudo mostrou que, em vez de olharmos para a semente, temos de olhar para o solo. Podemos prever se uma planta vai crescer se o solo, ou substrato, onde se põe a semente é adubado. O TGF-beta é o adubo que modifica o solo onde as sementes do tumor vão crescer."
Portanto, neste jogo de moléculas, as células saudáveis acabam por ser usadas pelas células do cancro que foram colonizar outros tecidos.

Base para teste e terapia
Aliás, a equipa também observou que as células no cancro primário já conseguem mudar o microambiente à sua volta. Com esta informação, poderá criar-se um teste que avalie o risco de metástases e permita adaptar a terapia conforme os resultados.
Um passo seria ver se o TGF-beta e a interleucina-11 estão nos tecidos vizinhos das células do cancro. Em 15% dos casos do estudo não houve metástases, o que a equipa atribui à ausência de modificação do estroma pelo TGF-beta. "Se virmos que o estroma já está modificado no tumor primário no cólon, isso significa que as células tumorais serão capazes de mudar o microambiente do fígado quando se disseminarem para lá", diz outro autor, Alexandre Calon.
Para demonstrar o papel do TGF-beta como o primeiro adubo lançado sobre as células saudáveis, a equipa fez experiências em ratinhos com cancro colorrectal: tratou-os com um inibidor do TGF-beta e impediu a formação de metástases. "Esta experiência prova que o TGF-beta e o estroma do tumor têm de "falar um com o outro", para ocorrer a metastização", diz Batlle. "Os nossos resultados nos ratinhos também mostram que os doentes que tiverem o TGF-beta activado, e que estão nas fases iniciais da doença, podem beneficiar da toma do inibidor do TGF-beta.

Fonte: Público