quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

É o corpo que revela o que estamos a sentir em situações extremas

As teorias tradicionais sobre as emoções dizem que é possível ler, na cara, se uma experiência extrema que se está a viver é positiva ou negativa. Um novo estudo, na revista Science, conclui que não é bem assim.
Será que a derrota ou a vitória ficam estampadas na cara de uma forma diferente? Parece que não, quando vivemos momentos de emoções extremas. Afinal, é o corpo que mais revela os sentimentos em situações extraordinárias, como quando se ganha a lotaria ou se vê um filho a ser atropelado, conclui um estudo publicado na última edição da revista Science.
Os modelos tradicionais das emoções defendem que a raiva ou a felicidade provocam expressões faciais distintas, isto porque os músculos que são activados são diferentes. Estas diferenças, dizem os modelos, são úteis para os outros interpretarem o estado emocional, se é positivo ou negativo, de quem passa por essas situações.
No entanto, há poucos trabalhos que avaliam as expressões faciais durante estas experiências emocionais extremas. Estes estados são intensos e duram pouco tempo, como quando se obtém o ponto decisivo que permite ganhar uma partida de ténis, ou quando se perfura um mamilo com um piercing.
A equipa de Hillel Aviezer, da Universidade de Princeton, em New Jersey, nos Estados Unidos, foi avaliar se "as expressões faciais de significado afectivo oposto podem sobrepor-se durante picos muito intensos de emoção" - ou seja, se nestas situações extremas a cara que fazemos é, de facto, diferente consoante vivemos um acontecimento positivo ou negativo. Ou se, afinal, até temos uma expressão semelhante, independentemente do valor da experiência. Esta questão não é descabida: os trabalhos em neurociências mostram que emoções opostas activam as mesmas regiões do cérebro.
Para avaliar isso, a equipa fez uma experiência com imagens de jogadores de ténis no momento de emoção mais extrema, logo após perderem ou ganharem um ponto durante uma partida. As imagens mostram tanto a expressão facial como corporal do desportista.
Os cientistas isolaram, depois, as caras dos corpos dos tenistas e deram a observar três tipos de imagens distintas a três grupos de participantes de 15 pessoas cada. Algumas imagens eram integrais com o corpo e a cara dos jogadores, outras só tinham a cara sem o corpo e o terceiro grupo mostrava o corpo sem a cara.
Os cientistas pediram aos participantes para observar as imagens e avaliar as emoções dos jogadores. "Quando só viam as caras, os participantes falhavam na avaliação das emoções positivas, embora não no caso dos derrotados. Mas tinham sucesso quando viam só o corpo ou o corpo e a cara em conjunto", diz o artigo. Os resultados foram claros: a expressão facial é muito ambígua nos casos emocionais extremos.

O efeito de ilusão facial
Para confirmar estes dados, os cientistas usaram a técnica de corte e colagem: recortaram a face do jogador durante uma vitória e colocaram-na no mesmo jogador quando sofreu uma derrota. A imagem resultante mostrava o jogador com uma cara de felicidade num corpo de sofrimento. Fizeram também o inverso: um recorte de um jogador com a cara infeliz num corpo vitorioso.
Os participantes viram estas imagens reconstruídas: mesmo sem terem consciência disso, o corpo é que foi determinante para a avaliação que fizeram do estado emocional dos jogadores. O corpo de um jogador derrotado era sempre avaliado com um valor negativo, quer a cara fosse a do tenista derrotado ou a do mesmo tenista vitorioso. O contrário também se passava: os participantes consideravam estar perante um estado emocional positivo, se o corpo fosse de um jogador que acabava de ganhar um ponto, mesmo que a cara mostrasse uma reacção de derrota.
Perguntou-se depois a um grupo de pessoas que não participaram nesta experiência, mas que viram as imagens, se o mais importante para a avaliação do estado emocional era a cara, o corpo ou ambos. "Oitenta por cento escolheu a face como a região do corpo mais determinante para se diagnosticar o significado [emocional], 20% a cara e o corpo, e nenhum dos participantes escolheu o corpo", lê-se no artigo.
Como é que os autores do artigo interpretaram este conjunto de respostas? "Referimo-nos a este fenómeno como o efeito de ilusão facial." Mesmo que a expressão da cara seja ambígua, as pessoas assumem que é distintiva para a boa interpretação das emoções. Para a equipa, isto confirma a existência de uma lacuna entre as expressões faciais que as pessoas estão à espera de ver e as expressões que realmente ocorrem.
"Quando as emoções se tornam intensas, a diferença entre as expressões faciais positivas e negativas esboroa-se", diz Hillel Aviezer em comunicado. "Esta descoberta põe em causa os modelos básicos de comportamento nas Neurociências, na Psicologia Social e na Economia."
Mas se estamos habituados a interpretar um sorriso como sinal de alegria e as sobrancelhas descaídas como tristeza, então como se explica que em situações extremas - de dor, raiva ou felicidade - a expressão da cara seja indistinta? "A nível muscular, esta incapacidade de produzir uma expressão que leve ao diagnóstico pode reflectir uma musculatura facial que não está preparada para transmitir uma emoção de intensidade extrema", explicam os cientistas no artigo.
Talvez, remata a equipa, a avaliação da cara não seja assim tão importante. Na grande maioria dos casos, o contexto da situação será clarificador do estado emocional das pessoas. Seja como for, uma expressão emocional extrema passa depois para um estado menos ambíguo de alegria ou de tristeza, que já permite uma leitura mais fácil das emoções dos outros.

Fonte: Público

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Peste Negra medieval não foi primeira pandemia de peste bubónica

Análise de ADN revela que a doença que dizimou a população europeia entre os séculos VI e VIII d.C. era de uma forma ancestral da peste bubónica.
Há muito que os historiadores suspeitavam de que a “praga de Justiniano” – uma doença altamente contagiosa que, entre os anos de 541 e 750 da nossa era, matou mais de metade da população europeia e contribuiu para a queda do Império Romano do Oriente – era, na realidade, a peste bubónica. Só que, até aqui, não existiam dados científicos que corroborassem esta hipótese.
Nada permitia afirmar que a mortal doença se manifestara de forma pandémica na Europa antes da Idade Média, sendo portanto a Peste Negra – que matou mais de 100 milhões de pessoas entre 1347 e 1351 e de cujas consequências a Europa demorou 150 anos a recuperar – a deter o estatuto de primeira pandemia oficial de peste bubónica.
Mas a partir de agora há provas concretas: uma equipa internacional de cientistas acaba de acrescentar um novo “ramo” à “árvore genealógica” genética da bactéria responsável pela peste bubónica, a Yersinia pestis. E a conclusão é a de que, afinal, terá efectivamente havido uma pandemia de peste bubónica vários séculos mais cedo, que terá começado quando o imperador Justiniano I ainda reinava em Constantinopla.
Johannes Krause, da Universidade de Tübingen (Alemanha), e colegas, que em 2011 tinham reconstituído o genoma completo da estirpe da Yersinia pestis responsável pela pandemia de Peste Negra, compararam agora este ADN bacteriano ancestral com o de 311 estirpes modernas da bactéria da peste bubónica. Os seus resultados foram publicados na revista online de acesso livre PLoS One.
Segundo explica um comunicado daquela universidade, os cientistas confirmaram resultados já obtidos no ano passado, mostrando que 275 dessas estirpes modernas descendem efectivamente da bactéria medieval. Mas, desta vez, também identificaram 11 estirpes modernas que divergiram das outras, formando um novo “ramo” da árvore, entre os séculos VII e X. Isto sugere que terá havido, já naquela altura, que coincide grosso modo com a praga de Justiniano, um surto devastador de peste bubónica.
“A nossa nova análise indica que a peste bubónica poderá ter sido um assassino em massa já no fim do Império Romano”, diz Krause, citado pelo mesmo comunicado. “A praga de Justiniano parece ser a que corresponde melhor a esta pandemia mais antiga.”

Fonte: Público

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sabe o que significa SMS?

A primeira mensagem escrita recebida num telemóvel data de 03 de dezembro de 1992 e resumiu-se a um modesto "Feliz Natal", enviada pelo britânico Neil Papworth a partir de um computador para testar uma nova tecnologia.
O Serviço de Mensagens Escritas, cujo nome em inglês (Short Message Service) deu origem à sigla SMS pela qual é conhecido, foi desenvolvido na altura pela Vodafone no Reino Unido.
Coube ao engenheiro informático, então com 22 anos e a trabalhar em Newbury, 100 quilómetros a oeste de Londres, enviar a primeira mensagem para Richard Jarvis, um diretor da companhia britânica.
Porém, passaram vários anos até a comunicação por mensagens escritas se tornar num fenómeno, potenciado por, em 1999, ter passado a ser possível trocar SMS entre redes de telemóvel diferentes.
Os principais responsáveis pela explosão terão sido os jovens, cujo acesso à tecnologia foi facilitado durante os anos 1990 devido à chegada das tarifas pré-pagas e ao baixo custo do serviço em relação às comunicações de voz.
Foram estes que rapidamente se habituaram a escrever com os polegares e criaram uma gramática paralela, feita de abreviações e mistura de números e letras.
Esta nova linguagem surgiu da necessidade de aproveitar o máximo do limite de 160 carateres, estabelecido para restringir o número de dados a transmitir.
Atualmente, estima-se que mais de quatro mil milhões de pessoas enviem e recebam SMS, pois é uma tecnologia simples, que não necessita de terminais complicados ou de Internet.
Longe de ser o pai do SMS, Neil Papworth ficou mesmo assim famoso e, conta o próprio numa página pessoal na Internet, já deu entrevistas para todo o mundo, foi convidado para uma gala de cinema e foi resposta num concurso de televisão.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 2 de dezembro de 2012

Apanhados buraco negro mais maciço e quasar mais potente

Dois "monstros" cósmicos que acabam de ser descobertos poderão permitir perceber melhor a evolução das galáxias e dos seus buracos negros centrais.
A galáxia NGC 1277, a 220 milhões de anos-luz da Terra na direcção da constelação de Perseu, tem uma originalidade: é quase totalmente ocupada por um buraco negro. E mais: segundo resultados hoje publicados na revista Nature, também não se trata de um buraco negro qualquer, mas do mais maciço buraco negro recenseado até aqui.
O "monstro" foi descoberto com o Telescópio Hobby-Eberly (HET), do Observatório McDonald da Universidade do Texas (EUA), um dos grandes telescópios ópticos mundiais, cujo espelho mede 9,2 metros de diâmetro.
Para tentar perceber a forma como as galáxias e os buracos negros que residem no seu centro se formam e evoluem em conjunto, Remco van den Bosch e colegas estão a estudar as 800 galáxias mais maciças da nossa "vizinhança" cósmica. "Actualmente, há três mecanismos completamente diferentes para explicar a relação entre a massa dos buracos negros e as propriedades das galáxias hospedeiras", diz Van den Bosch em comunicado da Universidade do Texas. "Mas ainda não sabemos qual é a melhor dessas três teorias."
Os cientistas combinaram dados recolhidos pelo HET com medições da luminosidade da NGC 1277 feitas a partir de fotografias tiradas pelo telescópio espacial Hubble e com modelos matemáticos simulados num supercomputador. E concluíram que a massa do buraco negro em questão corresponde a 17 mil milhões de vezes a do Sol.
O resultado surpreendeu-os porque a NGC 1277 é uma galáxia compacta e pequena, de massa e tamanho dez vezes inferiores aos da Via Láctea. Mas, apesar disso, a largura do buraco negro é mais de 11 vezes maior do que a órbita de Neptuno à volta do Sol, representando 14% da massa total da galáxia - e 59% da massa do seu grupo central de estrelas. Um resultado que contrasta fortemente com o habitual, em que a massa do buraco negro central representa apenas 0,1% da massa total da galáxia hospedeira.
"Esta galáxia é mesmo anticonformista", diz o co-autor Karl Gebhardt, citado pelo mesmo documento. "É quase só buraco negro. A sua massa é muito maior do que o previsto, o que nos leva a pensar que o processo físico de crescimento dos buracos negros nas galáxias muito maciças é diferente."
Entretanto, utilizando o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), situado no Monte Paranal, no Chile, Nahum Arav e os seus colegas, da Universidade Técnica da Virgínia (EUA), anunciaram ontem a detecção de um outro "monstro" cósmico: o quasar mais energético de sempre.
Os quasares são regiões compactas e extremamente luminosas, situadas no centro das galáxias maciças, à volta do buraco negro central. E apesar de os buracos negros "sugarem" grande parte da matéria envolvente, muitos quasares ejectam enormes quantidades de matéria para o exterior - fenómeno que se pensa ter um grande impacto na evolução da galáxia hospedeira. Só que, até agora, explica o ESO em comunicado, nunca tinha sido encontrado um quasar com os altos níveis de energia de ejecção previstos por esta teoria.
Os cientistas descobriram um quasar, SDSS-J1106+1939, cujo ritmo de emissão de energia é, diz Arav, "no mínimo equivalente a dois milhões de milhões de vezes a emissão de energia do Sol e cerca de 100 vezes maior do que a produção energética total da Via Láctea". O quasar "cospe" cerca de 400 vezes a massa do Sol por ano, à velocidade de 8000 quilómetros por segundo. "Há dez anos que procurava uma coisa destas e é muito excitante termos finalmente encontrado uma ejecção tão monstruosa como previa a teoria!"

Fonte: Público

sábado, 1 de dezembro de 2012

Em 2013, já poderemos saber se vem aí um tsunami

Testado futuro sistema de alerta de tsunamis no Atlântico Nordeste, Mediterrâneo e outros mares na região. Num dos cenários testados por 19 países, simulou-se um terramoto ao largo de Portugal, seguido de ondas gigantes, idêntico ao de 1755.
Às 8h15, o exercício arrancou: naquele instante tinha acabado de acontecer, ficticiamente, um sismo ao largo de Portugal, com epicentro na Falha da Ferradura, que seria capaz de desencadear um tsunami. A partir do final de 2013, se este cenário se tornar real, poderemos ser alertados, com minutos de antecedência, que vem a caminho de Portugal uma onda gigante.
Pouco depois do momento marcado para o sismo fictício, o recém-criado Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em Lisboa, enviava a mensagem inicial para instituições de 19 países, incluindo portuguesas, com a localização e magnitude do sismo e alertava para um possível tsunami, com estimativas do tempo de chegada da primeira onda a várias zonas costeiras do Atlântico Nordeste – desde o próprio continente e ilhas até Espanha, Marrocos ou Irlanda.
Minutos mais tarde, a equipa do geofísico Fernando Carrilho, do IPMA, fazia seguir a segunda mensagem, com uma actualização da magnitude do sismo: passava de 8,1 para 8,7 graus, a mesma energia libertada no terramoto de 1755, um dos mais fortes de que há memória, que destruiu Lisboa e matou cerca de dez mil pessoas na capital portuguesa. O exercício foi mais um teste ao futuro sistema de alerta precoce de tsunamis no Atlântico Nordeste, Mediterrâneo e outros mares na região, que a Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO está a criar desde 2005, o ano a seguir ao tsunami que atingiu o Sudoeste asiático e provocou a morte a mais de 200 mil pessoas.
No Pacífico e Caraíbas, já existe um sistema mantido pelos Estados Unidos com outros países, tal como no Índico, este criado depois da tragédia de 2004.
Em Abril deste ano, já tinha havido um teste às comunicações do futuro sistema de alerta na Europa, então com o envio de uma mensagem de alerta de um hipotético tsunami, enviada pelo Observatório e Instituto de Investigação de Sismos de Kandilli, em Istambul, Turquia, para 30 países. No caso de um sismo com epicentro no mar, com potencialidade para gerar ondas gigantes, é crucial que o alerta seja dado em poucos minutos e que os centros responsáveis pelos avisos nos vários países reajam depressa.
Agora, nas últimas terça e quarta-feira, 19 países testaram não só as comunicações, mas também a capacidade de os serviços de protecção civil para lidarem com a ameaça de um tsunami, explica Fernando Carrilho, um dos coordenadores do projecto em Portugal. Desta vez, o teste incluiu quatro cenários de tsunamis gerados por sismos: a Turquia enviou o alerta relativo ao Mediterrâneo Oriental, a França ao Mediterrâneo Ocidental, a Grécia ao Mar Egeu e Portugal ao Atlântico Nordeste.
No caso do cenário gerido pelo IPMA, na terceira, entre as seis mensagens enviadas esta terça-feira, confirmava-se já a ocorrência do hipotético tsunami, com medições na costa por marégrafos, tanto portugueses como de outros países. O tsunami chegaria com uma onda de nove metros a Sagres, 22 minutos depois do suposto sismo, e de cinco metros a Cascais, 40 minutos depois. A Casablanca, por exemplo, chegaria uma onda de oito metros. A propagação da onda desde a Falha da Ferradura – com mais de 100 quilómetros de extensão e que tem sido apontada como uma das que possivelmente originou o sismo de 1755 – pode ver-se numa simulação animada do IPMA.

Três países em operação...
Por enquanto, só três países estão em condições de lançar alertas à população, baseando-se sobretudo em informação sísmica – por exemplo, se ocorre um sismo com epicentro no mar e magnitude superior a 6,5 graus, existe a possibilidade de tsunami. Por outro lado, o sistema praticamente não tem ainda estações no fundo do mar, cujos sensores permitiriam detectar com mais fiabilidade se um tsunami vem a caminho da costa. Os sensores das estações detectam uma certa variação na altura da coluna de água, causada porque o fundo do mar sofre uma deformação produzida por um sismo. É que um sismo é originado quando a crosta terrestre se rompe. No mar, gera-se um tsunami quando essa ruptura também deforma o fundo do mar.
“Em Julho e Agosto, a Grécia, Turquia e França declararam que estão em operação: o Mediterrâneo Ocidental e Oriental tem já sistema de monitorização e alerta, ainda que sem estações no fundo do mar, com excepção da Turquia, que instalou algumas estações no mar de Mármara”, refere Fernando Carrilho. “No Atlântico Nordeste e Mediterrâneo Central ainda não está em operação nenhum sistema. Portugal defendeu, na última reunião [dos parceiros envolvidos no sistema], em Setembro, que está a planear entrar em operação no último trimestre de 2013.”
Assim sendo, no final do próximo ano, com base na magnitude e localização dos sismos e ainda em medições do nível do mar pelas estações maregráficas que existem na costa, quando a onda lá chegar, o IPMA estará em condições de enviar alertas para os países participantes no sistema. Em Portugal, a Autoridade Nacional de Protecção Civil decidirá então, na sequência dessas mensagens, o que fazer: se lançará avisos à população e se neles haverá ordem de evacuação de determinadas zonas.
... E no mar, três estações para o Sudoeste ibérico
Para quando a instalação das estações no fundo do mar? “[Por causa da crise], nos tempos mais próximos nenhum país europeu vai ter estações no fundo do mar”, diz Maria Ana Baptista, do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, também coordenadora do projecto em Portugal.
Seja como for, a configuração estudada do sistema para o Sudoeste do cabo de São Vicente incluiu o mínimo de três estações. A compra e instalação de cada uma delas custariam cerca de 700 mil euros, a que se juntariam outros 700 mil euros por ano em manutenção. “Esta é a componente mais difícil de concretizar, porque envolve grandes investimentos. Provavelmente, o sistema arrancará dependendo da rede sísmica e maregráfica, sem estações no fundo do mar”, diz Fernando Carrilho. “Ou é Portugal que avança e instala e mantém em operação esses equipamentos, ou, no âmbito de cooperação internacional, considera-se que esses equipamentos serviriam Espanha, Marrocos, Irlanda, Reino Unido e haveria uma parceria que suportaria essa instalação.”
Mesmo sem estações no fundo do mar, como um tsunami demora só alguns minutos a chegar a certas zonas da costa portuguesa, como seria avisada a população? “Teria de haver sistemas de alerta sonoros nas praias mais expostas e difusão de mensagens nos canais televisivos”, responde Fernando Carrilho. “Se for durante a noite, os sinais sonoros são os mais eficazes”, sublinha o geofísico, acrescentando que a Câmara Municipal de Setúbal já tem uma experiência desse género na praia de Albarquel.

Fonte: Público