sábado, 15 de dezembro de 2012

NASA lança vídeo explicativo dez dias mais cedo

A NASA está confiante de que o mundo não vai acabar no próximo dia 21, como diz a profecia Maia e fez questão de criar um vídeo do género "bem te disse!", que, por engano, lançou dez dias mais cedo.
A agência espacial está tão confiante em que o mundo não irá acabar que até lançou um vídeo que explica o porquê de ainda cá estarmos... 10 dias mais cedo. O vídeo descreve ponto por ponto os chamados 'mitos' que cercam o final do calendário Maia, desacreditando previsões como o sol irradiar a atmosfera ou um planeta chocar contra a Terra."Sé está a ver este vídeo significa uma coisa... o mundo não acabou ontem", diz a agência espacial com confiança. No vídeo, a NASA compara ainda o fim do calendário Maia com um conta-quilómetros, que chega ao fim e volta ao início.
"Nenhuma ruína ou pedra que os arqueólogos examinaram prevê o fim do mundo", reafirmou a agência norte-americana. "Nenhum asteróide ou cometa conhecido está em rota de colisão com a Terra. Nem um planeta errante está a chegar para nos destruir, já que se isso estivesse para acontecer seria nesta altura o objeto mais brilhante no céu", acrescentaram.4

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

População mundial ganhou mais de dez anos de esperança de vida desde 1970

Portugal é dos poucos países que, em 40 anos, registaram melhores progressos na mortalidade de crianças até aos cinco anos e de jovens e adultos, entre os 15 e os 49 anos.
A população mundial ganhou mais de dez anos de esperança de vida desde 1970, mas as diferenças entre os países com melhores e piores resultados praticamente não mudou, conclui um relatório publicado hoje na revista The Lancet. Em Portugal, entre 1990 e 2010, refere ainda o estudo, a esperança de vida passou de 70,7 anos para 77,8 anos nos homens e, nas mulheres, esse salto foi dos 76,3 para os 82,3.
Intitulado Peso Global das Doenças 2010, o estudo é descrito pela revista como o maior esforço de sistematização para descrever a distribuição global e as causas de uma variedade de doenças, lesões e factores de risco para a saúde.
Recolhidos ao longo de cinco anos por 486 cientistas de 302 instituições em 50 países, os dados relativos a 187 países são agora publicados na primeira tripla edição da Lancet totalmente dedicada a um só estudo, que inclui sete artigos científicos e diversos comentários, incluindo da directora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, e do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.
Entre as conclusões, o estudo revela que a esperança de vida dos homens aumentou 11,1 anos entre 1970 e 2010, passado de 56,4 para 67,5. Nas mulheres, a esperança de vida aumentou ainda mais – 12,1 anos ou 19,8% –, passando de 61,2 anos em 1970 para 73,3 anos em 2010.
No entanto, acrescenta o estudo, as diferenças entre os países com maiores e menores esperanças de vida mantiveram-se muito semelhantes desde 1970, mesmo quando se retiram acontecimentos dramáticos como o genocídio do Ruanda em 1994.
Em 2010, as mulheres japonesas eram as que tinham maior esperança de vida (85,9 anos), enquanto para os homens a Islândia era o país com melhores resultados (80 anos). No extremo oposto, o Haiti tinha a mais baixa esperança de vida em ambos os géneros (32,5 nos homens e 43,6 nas mulheres), sobretudo devido ao sismo de Janeiro de 2010.
Além disso, alguns países contrariaram a tendência e registaram quedas substanciais da esperança de vida. Na África subsariana como um todo, a esperança de vida nos homens diminuiu 1,3 anos entre 1970 e 2010, enquanto nas mulheres caiu 0,9 anos, declínios atribuídos à epidemia do vírus da sida.
Por outro lado, o estudo revela que, à medida que a esperança de vida aumenta e o mundo vai envelhecendo, as doenças infecciosas e problemas infantis relacionados com a malnutrição – em tempos as principais causas de morte – vão sendo substituídos (com excepção da África subsariana) por doenças crónicas, lesões e doenças mentais.
“Essencialmente, o que nos faz doentes não é necessariamente o que nos mata. Enquanto o mundo fez um excelente trabalho a combater doenças fatais – especialmente doenças infecciosas –, vivemos agora com mais problemas de saúde que causam muita dor, afectam a nossa mobilidade e nos impedem de ver, ouvir e pensar claramente”, escreve a Lancet em comunicado.

Dados sobre Portugal
Portugal é um dos poucos países que registaram, em 40 anos, melhores progressos na mortalidade de crianças até aos cinco anos e de jovens e adultos entre os 15 e os 49 anos, revela o estudo. Portugal, a par de Cuba, Maldivas, Sérvia e Bósnia-Herzegovina, registou os melhores progressos na mortalidade das crianças.
O estudo indica também que Portugal foi um dos países com melhores resultados na mortalidade de jovens e adultos, superando Noruega, Espanha e Austrália.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que os óbitos em crianças até aos cinco anos baixaram em Portugal 97,3%, dos 12.357 em 1970 para os 326 em 2010. Quanto às mortes em jovens adultos dos 15 aos 49 anos, desceram 28,7%, das 8.517 em 1970 para as 6.069 em 2010, de acordo com o INE.
Quanto à esperança de vida dos portugueses, entre 1990 e 2010, passou de 70,7 anos para 77,8 anos nos homens e, nas mulheres, dos 76,3 para os 82,3.
Outra conclusão do estudo internacional é que, enquanto o peso da malnutrição foi reduzido em dois terços, a alimentação desequilibrada e a falta de exercício físico estão a contribuir para um aumento das taxas de obesidade e outros factores de risco, como a hipertensão, representando já 10% do peso das doenças.
O estudo conclui também que, embora se registe uma enorme redução da taxa de mortalidade infantil – que caiu mais do que alguma vez se tinha estimado – há um aumento de 44% no número de mortos entre os 15 e os 49 anos entre 1970 e 2010, sobretudo devido ao aumento da violência e ao desafio do VIH/sida, que matou 1,5 milhões pessoas por ano.
Resultado de um projecto liderado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, este estudo visa fornecer uma nova plataforma para avaliar os maiores desafios mundiais na área da saúde e formas de os abordar.

Fonte: Público

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ESA capta imagens únicas de um rio extraterrestre

A missão Cassini-Huygens obteve as melhores imagens até agora de um rio fora do planeta Terra, que mostra "uma versão extraterrestre em miniatura" do Nilo de uma lua de Saturno, anunciou hoje a Agência Espacial Europeia (ESA).
Trata-se de um rio que percorre mais de 400 quilómetros até chegar ao mar, precisou a ESA em comunicado, em que destacou que nunca até agora se tinha conseguido uma definição de imagem tão alta de um acidente geográfico extraterrestre, indica a agência noticiosa Efe.
"A linearidade relativa do rio sugere que segue pelo menos o contorno de uma falha, similar a outros grandes rios que correm na margem sul do mesmo mar de Titã", explicou a cientista da unidade de radares do projeto Jani Redebaugh.
Titã é o único lugar fora do planeta Terra em que foi detetado líquido estável na superfície, apesar do composto não ser de água, mas sim de etano e metano.
A missão Cassini-Huygens, em que participam a ESA, a norte-americana NASA e a italiana ASI, consiste numa missão não tripulada que estuda Saturno e os seus satélites naturais.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cientistas conseguiram regenerar o coração depois de um enfarte

Dois portugueses obrigaram células musculares cardíacas a multiplicarem-se, o que não acontece naturalmente. Dois meses após um enfarte, a função cardíaca dos roedores da experiência era quase normal.
A maioria dos órgãos adultos dos mamíferos não se regenera. À excepção de alguns casos, como o fígado, as células não são capazes de começar a dividir-se para salvar a função de um órgão, quando ele sofre danos. Por isso, a seguir a um enfarte de coração, a actividade circulatória não volta a ser a mesma. Mas um trabalho liderado por dois cientistas portugueses, em Itália, conseguiu que as células musculares de ratos e ratinhos se multiplicassem após um ataque cardíaco. Os roedores recuperaram a função do coração quase totalmente, segundo os resultados publicados na última edição da revista Nature.
Um ataque cardíaco dá-se quando há células no coração a morrer em massa. Esta mortandade acontece quando uma região do músculo deixa de receber oxigénio e nutrientes vindos do sangue. As pessoas que sobrevivem ao enfarte têm a função cardíaca comprometida. Uma porção do músculo fica morta, forma-se uma cicatriz e o coração deixa de bombear o sangue com a eficácia de antes. "Este é o problema: as células musculares do coração não são capazes de se dividir", diz Miguel Mano ao PÚBLICO. "É preciso arranjar uma alternativa."
O cientista português, de 35 anos, pertence a uma equipa do Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia de Trieste, no Norte de Itália. Durante os dois anos desta experiência, Miguel Mano esteve a trabalhar com Ana Eulálio, que é a primeira autora do artigo e tem uma larga experiência laboratorial em micro-ARN – uma classe de moléculas com uma função muito importante na regulação genética das células.
"Os micro-ARN regulam a expressão [actividade] de um número grande de proteínas ao mesmo tempo. São muito importantes no desenvolvimento embrionário", explica Miguel Mano.
Os genes são partes da molécula de ADN que está no núcleo das células. Contêm a informação necessária para a produção das proteínas do corpo. Na linha de montagem das proteínas, o primeiro passo é o gene ser copiado, ou transcrito, para uma molécula semelhante ao ADN chamada ARN. Este ARN-mensageiro sai do núcleo das células e é usado como molde para a produção da proteína.
A célula regula a actividade ou a inactividade destes genes logo na molécula de ADN. Mas os micro-ARN, descobertos quase há 20 anos, vieram acrescentar um grau novo a este controlo. Estas pequenas moléculas de ARN ligam-se ao ARN-mensageiro e impedem que ele sirva de molde para produzir a devida proteína. Só que uma molécula de micro-ARN pode ligar-se a diferentes ARN-mensageiros e com isso impedir a produção de várias proteínas.
Em Trieste, Miguel Mano tinha montado uma biblioteca de microARN humanos. Em conjunto com Ana Eulálio – hoje chefe de grupo na Universidade de Würzburg, na Alemanha –, o cientista testou perto de 900 micro-ARN humanos em células musculares cardíacas de ratos e ratinhos, para ver se algum provocaria a divisão das células, algo que não acontece naturalmente.
Os investigadores descobriram que 204 micro-ARN promoviam a multiplicação nas células de rato e, desses, 40 mantinham esse poder também nas células de ratinho – outra espécie usada como cobaia. Depois de uma série de experiências, a equipa conseguiu isolar os dois micro-ARN mais potentes. De seguida, injectaram-se estas duas moléculas separadamente no coração de ratos e de ratinhos, durante uma operação, pouco depois de lhes ter sido provocado um ataque cardíaco. Resultado: as células musculares começaram a multiplicar-se e, ao longo de dois meses, regeneraram boa parte do tecido que tinha sofrido o enfarte. O coração ficou sem cicatriz e a sua função foi restabelecida quase totalmente.
A equipa descobriu que cada um destes dois micro-ARN reduzia os níveis de actividade de cerca de 600 genes e aumentava a actividade de outros 800. "Com uma só molécula, alterámos o programa celular", sublinha Miguel Mano.
O próximo passo, em Trieste, será testar estes micro-ARN em cães e porcos, dois modelos com uma fisiologia mais parecida com a do homem. "É muito provável que estas moléculas funcionem em humanos." Mas, antes, é preciso perceber se a sua aplicação tem efeitos secundários.

Fonte: Público

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ventos de Vénus têm o primeiro mapa rigoroso e foi feito por portugueses

À superfície, uma brisa. Mas a 70 quilómetros de altitude os ventos venusianos atingem velocidades muito superiores aos dos furacões na Terra. Pela primeira vez, fez-se uma medição rigorosa desses ventos.
Vénus aparece-nos no céu nocturno sem dificuldade e é o astro mais brilhante depois da Lua. Mas quem quiser conhecê-lo melhor depara-se com uma barreira – uma capa de nuvens que envolve o planeta e reflecte muita luz solar. Uma equipa liderada por cientistas portugueses conseguiu medir, num telescópio na Terra, o movimento dos ventos nesta camada de nuvens, ajudando a compreender melhor a sua atmosfera. "É a primeira vez que se faz um mapa dos ventos de Vénus", realça o astrofísico Pedro Mota Machado, que liderou, com o seu colega David Luz, ambos do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa, o estudo publicado na revista científica Icarus.
A equipa usou as lentes do Very Large Telescope (VLT), o complexo de telescópios no cimo de Cerro Paranal, no Chile, que pertence ao Observatório Europeu do Sul. "Já se mediram os ventos de Vénus a partir da Terra seguindo os padrões das nuvens", explica o astrofísico. Este método só pode produzir velocidades médias, mas a equipa conseguiu agora ter uma fotografia da velocidade das partículas que estão em suspensão nas nuvens venusianas, utilizando um espectrógrafo do VLT.
Por estarem juntos, Vénus e a Terra nasceram da agregação de poeira cósmica semelhante. Vénus terá tido água líquida há muito tempo, mas perdeu-a ao longo de milhões de anos. Hoje, os planetas são muito diferentes. A rotação de Vénus é no sentido inverso da da Terra. O planeta demora 243 dias terrestres a dar uma volta sobre si mesmo, apesar de orbitar o Sol em 224 dias. Mesmo com um dia e noite compridos, as condições à superfície do planeta mantêm-se semelhantes.
Vénus é uma espécie de "inferno de Dante", diz Pedro Mota Machado. À superfície, corre apenas uma brisa, mas, para um humano sobreviver lá, teria de aguentar uma temperatura de 450 graus Celsius e uma pressão equivalente à que se sente a um quilómetro de profundidade no mar. Estas condições são provocadas por um intenso efeito de estufa: a atmosfera venusiana é muito densa e está saturada quase só de dióxido de carbono. "Ainda sabemos muito pouco sobre Vénus. Como perdeu a água e chegou a este efeito de estufa?", questiona.
Lançada em 1989, a sonda Magalhães observou Vénus e mostrou que a sua topografia é marcadamente vulcânica. Tem 1600 grandes vulcões, mas nenhum parece estar activo. "Para haver dióxido carbono e enxofre [que produz ácido sulfúrico e chuvas ácidas] na atmosfera, é necessário haver reposição destes gases", diz Pedro Mota Machado.

Uma cortina de nuvens
A própria camada densa de nuvens de enxofre é um mistério. Na Terra, as nuvens estão a uma altitude máxima de 20 quilómetros. Em Vénus, a camada encontra-se a cerca de 70 quilómetros. Além disso, na região equatorial, esta cortina de nuvens está continuamente em movimento, graças a um vento chamado laminar ou zonal: "Há uma zona de nuvens que se move em uníssono em torno de Vénus e a uma velocidade constante", explica o astrofísico.
Foi esta região que a equipa observou durante Maio e Junho de 2007. Para isso, utilizou o espectrógrafo do VLT para medir os fotões, na parte da luz visível do espectro electromagnético. Estes fotões tinham vindo do Sol e, ao chegarem à atmosfera venusiana, eram desviados consoante a velocidade do movimento das partículas suspensas na camada de nuvens sobre o equador. E o espectrógrafo dava uma leitura imediata das velocidades destas partículas, o que permitia assim obter um perfil dos ventos na região equatorial.
A equipa mediu ventos com velocidades entre os 381 e 457 quilómetros por hora (como termo de comparação, na Terra, os furacões mais fortes têm ventos de 252 quilómetros por hora). "Conseguimos ter dados concretos da circulação dos ventos", sublinha Pedro Mota Machado.
Assim, é possível aperfeiçoar os modelos da circulação atmosférica de Vénus e de planetas com características semelhantes noutros sistemas solares. Mas há um objectivo mais geocêntrico. Apesar de Vénus ser um extremo, não deixa de poder servir como exemplo de estudo sobre um possível futuro da Terra. "Quando Vénus, Terra e Marte se formaram, os valores da concentração de dióxido carbono na atmosfera eram praticamente iguais", diz o cientista.
Na Terra, a vida alterou as condições. O efeito de estufa é muito mais suave do que em Vénus e ajuda a manter uma temperatura amena. Mas estas condições podem mudar. A Terra teve momentos em que tinha mais dióxido de carbono na atmosfera e em que o efeito de estufa era mais intenso. Tudo indica que um fenómeno semelhante está em curso, desta vez com um grande contributo humano. Até ao final do século, a temperatura terrestre pode aumentar em média quatro graus Celsius. "A atmosfera na Terraé muito frágil", refere Pedro Mota Machado.
A equipa detectou ainda a presença de uma "maré solar", que já tinha sido prevista: "A zona que está virada para o Sol recebe mais luz e há uma dilatação da atmosfera", explica.
Neste momento, a equipa procura os ventos meridionais de Vénus. Na Terra, estes ventos produzem células de ar que se movem do equador em direcção aos pólos e transferem assim calor para as regiões frias. Em Vénus, não se sabe se existem estes ventos. "Provavelmente, o novo trabalho vai responder a esta questão."

Fonte: Público