domingo, 16 de dezembro de 2012

Três espécies de primatas nocturnos descobertas na ilha de Bornéu

As novas espécies de lóris são nocturnas, têm veneno na boca e são alvo do comércio ilegal para serem animais de estimação.
Uma equipa de cientistas descobriu três novas espécies de primatas nocturnos na ilha de Bornéu, no Sudeste asiático. São lóris, primatas parecidos com os lémures de Madagáscar, mas que habitam aquela região da Ásia. Conhecia-se uma única espécie com duas subespécies em Bornéu. Mas afinal são espécies diferentes. A terceira espécie é um outro grupo que se pensava pertencer à espécie antiga e nem sequer tinha sido individualizada como um grupo diferente.
“Historicamente, muitas espécies não foram reconhecidas independentemente e foram agrupadas de um modo errado numa única espécie. Enquanto o número de espécies de primatas duplicou nos últimos 25 anos, algumas espécies nocturnas mantiveram-se desconhecidas para a ciência”, explica Rachel Munds, da Universidade do Missouri, autora do estudo, publicado na revista American Journal of Primatology.
A espécie inicial chama-se Nycticebus menagensis, e agora só existe no arquipélago das Filipinas. Considerava-se que este primata vivia nalgumas ilhas das Filipinas e em Bornéu. Mas, depois desta investigação, as duas subespécies de Bornéu ascenderiam ao estatuto de espécie e chamam-se agora Nycticebus bancanus e Nycticebus borneanus. Além disso, o novo grupo identificado em Bornéu ficou com o nome do rio Kayan, chamando-se Nycticebus kayan. Este grupo vive nas zonas montanhosas, no centro-leste da ilha.

Boca venenosa
Alguns lóris têm padrões na pelagem da cara muito característicos, que permitem definir as espécies. Mas no género dos Nycticebus, que está activo à noite, esses padrões são menos distintivos. Para chegar às novas conclusões, a equipa analisou mais aprofundadamente os padrões coloridos da face, que se parecem com máscaras.
Outra característica única destes animais é terem veneno na boca. Estes lóris têm uma glândula junto do cotovelo que segrega toxinas. Os animais habituaram-se a esfregar o líquido nos dentes. Resultado, funciona como uma arma e pode provocar um choque anafilático nas pessoas que são mordidas, além de apodrecer os tecidos à volta do local mordido. Os cientistas pensam que este veneno não será produzido pelos primatas, mas que virá de certos artrópodes da classe das comuns marias-café. Estes artrópodes de Bornéu produzem toxinas e servem de alimento aos lóris.
A equipa está preocupada com a conservação das quatro espécies, devido ao seu comércio ilegal como animais de estimação. Quem faz este comércio costuma tirar os dentes da frente dos animais por serem venenosos. Agora, os conservacionistas têm de se preocupar, não com uma, mas com quatro lóris diferentes. “Espécies separadas são mais difíceis de proteger do que uma, já que cada espécie precisa de manter um certo número populacional e ter floresta suficiente como habitat”, explica Rachel Munds.

Fonte: Público

sábado, 15 de dezembro de 2012

NASA lança vídeo explicativo dez dias mais cedo

A NASA está confiante de que o mundo não vai acabar no próximo dia 21, como diz a profecia Maia e fez questão de criar um vídeo do género "bem te disse!", que, por engano, lançou dez dias mais cedo.
A agência espacial está tão confiante em que o mundo não irá acabar que até lançou um vídeo que explica o porquê de ainda cá estarmos... 10 dias mais cedo. O vídeo descreve ponto por ponto os chamados 'mitos' que cercam o final do calendário Maia, desacreditando previsões como o sol irradiar a atmosfera ou um planeta chocar contra a Terra."Sé está a ver este vídeo significa uma coisa... o mundo não acabou ontem", diz a agência espacial com confiança. No vídeo, a NASA compara ainda o fim do calendário Maia com um conta-quilómetros, que chega ao fim e volta ao início.
"Nenhuma ruína ou pedra que os arqueólogos examinaram prevê o fim do mundo", reafirmou a agência norte-americana. "Nenhum asteróide ou cometa conhecido está em rota de colisão com a Terra. Nem um planeta errante está a chegar para nos destruir, já que se isso estivesse para acontecer seria nesta altura o objeto mais brilhante no céu", acrescentaram.4

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

População mundial ganhou mais de dez anos de esperança de vida desde 1970

Portugal é dos poucos países que, em 40 anos, registaram melhores progressos na mortalidade de crianças até aos cinco anos e de jovens e adultos, entre os 15 e os 49 anos.
A população mundial ganhou mais de dez anos de esperança de vida desde 1970, mas as diferenças entre os países com melhores e piores resultados praticamente não mudou, conclui um relatório publicado hoje na revista The Lancet. Em Portugal, entre 1990 e 2010, refere ainda o estudo, a esperança de vida passou de 70,7 anos para 77,8 anos nos homens e, nas mulheres, esse salto foi dos 76,3 para os 82,3.
Intitulado Peso Global das Doenças 2010, o estudo é descrito pela revista como o maior esforço de sistematização para descrever a distribuição global e as causas de uma variedade de doenças, lesões e factores de risco para a saúde.
Recolhidos ao longo de cinco anos por 486 cientistas de 302 instituições em 50 países, os dados relativos a 187 países são agora publicados na primeira tripla edição da Lancet totalmente dedicada a um só estudo, que inclui sete artigos científicos e diversos comentários, incluindo da directora-geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, e do presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim.
Entre as conclusões, o estudo revela que a esperança de vida dos homens aumentou 11,1 anos entre 1970 e 2010, passado de 56,4 para 67,5. Nas mulheres, a esperança de vida aumentou ainda mais – 12,1 anos ou 19,8% –, passando de 61,2 anos em 1970 para 73,3 anos em 2010.
No entanto, acrescenta o estudo, as diferenças entre os países com maiores e menores esperanças de vida mantiveram-se muito semelhantes desde 1970, mesmo quando se retiram acontecimentos dramáticos como o genocídio do Ruanda em 1994.
Em 2010, as mulheres japonesas eram as que tinham maior esperança de vida (85,9 anos), enquanto para os homens a Islândia era o país com melhores resultados (80 anos). No extremo oposto, o Haiti tinha a mais baixa esperança de vida em ambos os géneros (32,5 nos homens e 43,6 nas mulheres), sobretudo devido ao sismo de Janeiro de 2010.
Além disso, alguns países contrariaram a tendência e registaram quedas substanciais da esperança de vida. Na África subsariana como um todo, a esperança de vida nos homens diminuiu 1,3 anos entre 1970 e 2010, enquanto nas mulheres caiu 0,9 anos, declínios atribuídos à epidemia do vírus da sida.
Por outro lado, o estudo revela que, à medida que a esperança de vida aumenta e o mundo vai envelhecendo, as doenças infecciosas e problemas infantis relacionados com a malnutrição – em tempos as principais causas de morte – vão sendo substituídos (com excepção da África subsariana) por doenças crónicas, lesões e doenças mentais.
“Essencialmente, o que nos faz doentes não é necessariamente o que nos mata. Enquanto o mundo fez um excelente trabalho a combater doenças fatais – especialmente doenças infecciosas –, vivemos agora com mais problemas de saúde que causam muita dor, afectam a nossa mobilidade e nos impedem de ver, ouvir e pensar claramente”, escreve a Lancet em comunicado.

Dados sobre Portugal
Portugal é um dos poucos países que registaram, em 40 anos, melhores progressos na mortalidade de crianças até aos cinco anos e de jovens e adultos entre os 15 e os 49 anos, revela o estudo. Portugal, a par de Cuba, Maldivas, Sérvia e Bósnia-Herzegovina, registou os melhores progressos na mortalidade das crianças.
O estudo indica também que Portugal foi um dos países com melhores resultados na mortalidade de jovens e adultos, superando Noruega, Espanha e Austrália.
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que os óbitos em crianças até aos cinco anos baixaram em Portugal 97,3%, dos 12.357 em 1970 para os 326 em 2010. Quanto às mortes em jovens adultos dos 15 aos 49 anos, desceram 28,7%, das 8.517 em 1970 para as 6.069 em 2010, de acordo com o INE.
Quanto à esperança de vida dos portugueses, entre 1990 e 2010, passou de 70,7 anos para 77,8 anos nos homens e, nas mulheres, dos 76,3 para os 82,3.
Outra conclusão do estudo internacional é que, enquanto o peso da malnutrição foi reduzido em dois terços, a alimentação desequilibrada e a falta de exercício físico estão a contribuir para um aumento das taxas de obesidade e outros factores de risco, como a hipertensão, representando já 10% do peso das doenças.
O estudo conclui também que, embora se registe uma enorme redução da taxa de mortalidade infantil – que caiu mais do que alguma vez se tinha estimado – há um aumento de 44% no número de mortos entre os 15 e os 49 anos entre 1970 e 2010, sobretudo devido ao aumento da violência e ao desafio do VIH/sida, que matou 1,5 milhões pessoas por ano.
Resultado de um projecto liderado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington, este estudo visa fornecer uma nova plataforma para avaliar os maiores desafios mundiais na área da saúde e formas de os abordar.

Fonte: Público

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ESA capta imagens únicas de um rio extraterrestre

A missão Cassini-Huygens obteve as melhores imagens até agora de um rio fora do planeta Terra, que mostra "uma versão extraterrestre em miniatura" do Nilo de uma lua de Saturno, anunciou hoje a Agência Espacial Europeia (ESA).
Trata-se de um rio que percorre mais de 400 quilómetros até chegar ao mar, precisou a ESA em comunicado, em que destacou que nunca até agora se tinha conseguido uma definição de imagem tão alta de um acidente geográfico extraterrestre, indica a agência noticiosa Efe.
"A linearidade relativa do rio sugere que segue pelo menos o contorno de uma falha, similar a outros grandes rios que correm na margem sul do mesmo mar de Titã", explicou a cientista da unidade de radares do projeto Jani Redebaugh.
Titã é o único lugar fora do planeta Terra em que foi detetado líquido estável na superfície, apesar do composto não ser de água, mas sim de etano e metano.
A missão Cassini-Huygens, em que participam a ESA, a norte-americana NASA e a italiana ASI, consiste numa missão não tripulada que estuda Saturno e os seus satélites naturais.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cientistas conseguiram regenerar o coração depois de um enfarte

Dois portugueses obrigaram células musculares cardíacas a multiplicarem-se, o que não acontece naturalmente. Dois meses após um enfarte, a função cardíaca dos roedores da experiência era quase normal.
A maioria dos órgãos adultos dos mamíferos não se regenera. À excepção de alguns casos, como o fígado, as células não são capazes de começar a dividir-se para salvar a função de um órgão, quando ele sofre danos. Por isso, a seguir a um enfarte de coração, a actividade circulatória não volta a ser a mesma. Mas um trabalho liderado por dois cientistas portugueses, em Itália, conseguiu que as células musculares de ratos e ratinhos se multiplicassem após um ataque cardíaco. Os roedores recuperaram a função do coração quase totalmente, segundo os resultados publicados na última edição da revista Nature.
Um ataque cardíaco dá-se quando há células no coração a morrer em massa. Esta mortandade acontece quando uma região do músculo deixa de receber oxigénio e nutrientes vindos do sangue. As pessoas que sobrevivem ao enfarte têm a função cardíaca comprometida. Uma porção do músculo fica morta, forma-se uma cicatriz e o coração deixa de bombear o sangue com a eficácia de antes. "Este é o problema: as células musculares do coração não são capazes de se dividir", diz Miguel Mano ao PÚBLICO. "É preciso arranjar uma alternativa."
O cientista português, de 35 anos, pertence a uma equipa do Centro Internacional de Engenharia Genética e Biotecnologia de Trieste, no Norte de Itália. Durante os dois anos desta experiência, Miguel Mano esteve a trabalhar com Ana Eulálio, que é a primeira autora do artigo e tem uma larga experiência laboratorial em micro-ARN – uma classe de moléculas com uma função muito importante na regulação genética das células.
"Os micro-ARN regulam a expressão [actividade] de um número grande de proteínas ao mesmo tempo. São muito importantes no desenvolvimento embrionário", explica Miguel Mano.
Os genes são partes da molécula de ADN que está no núcleo das células. Contêm a informação necessária para a produção das proteínas do corpo. Na linha de montagem das proteínas, o primeiro passo é o gene ser copiado, ou transcrito, para uma molécula semelhante ao ADN chamada ARN. Este ARN-mensageiro sai do núcleo das células e é usado como molde para a produção da proteína.
A célula regula a actividade ou a inactividade destes genes logo na molécula de ADN. Mas os micro-ARN, descobertos quase há 20 anos, vieram acrescentar um grau novo a este controlo. Estas pequenas moléculas de ARN ligam-se ao ARN-mensageiro e impedem que ele sirva de molde para produzir a devida proteína. Só que uma molécula de micro-ARN pode ligar-se a diferentes ARN-mensageiros e com isso impedir a produção de várias proteínas.
Em Trieste, Miguel Mano tinha montado uma biblioteca de microARN humanos. Em conjunto com Ana Eulálio – hoje chefe de grupo na Universidade de Würzburg, na Alemanha –, o cientista testou perto de 900 micro-ARN humanos em células musculares cardíacas de ratos e ratinhos, para ver se algum provocaria a divisão das células, algo que não acontece naturalmente.
Os investigadores descobriram que 204 micro-ARN promoviam a multiplicação nas células de rato e, desses, 40 mantinham esse poder também nas células de ratinho – outra espécie usada como cobaia. Depois de uma série de experiências, a equipa conseguiu isolar os dois micro-ARN mais potentes. De seguida, injectaram-se estas duas moléculas separadamente no coração de ratos e de ratinhos, durante uma operação, pouco depois de lhes ter sido provocado um ataque cardíaco. Resultado: as células musculares começaram a multiplicar-se e, ao longo de dois meses, regeneraram boa parte do tecido que tinha sofrido o enfarte. O coração ficou sem cicatriz e a sua função foi restabelecida quase totalmente.
A equipa descobriu que cada um destes dois micro-ARN reduzia os níveis de actividade de cerca de 600 genes e aumentava a actividade de outros 800. "Com uma só molécula, alterámos o programa celular", sublinha Miguel Mano.
O próximo passo, em Trieste, será testar estes micro-ARN em cães e porcos, dois modelos com uma fisiologia mais parecida com a do homem. "É muito provável que estas moléculas funcionem em humanos." Mas, antes, é preciso perceber se a sua aplicação tem efeitos secundários.

Fonte: Público