quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Gelo está a derreter 2 vezes mais rápido que o previsto

A camada de gelo na Antártida ocidental, cujo degelo contribui para a subida do nível do mar, devido ao aquecimento global, está a derreter quase duas vezes mais depressa do que se pensava, revela um novo estudo.
Uma reanálise dos recordes de temperatura registados entre 1958 e 2010 demonstrou um aumento de 2,4 graus Celsius nesse período, o equivalente a três vezes mais a subida média global da temperatura.
O aumento da temperatura na Antártida ocidental quase duplicou, comparativamente a valores registados em estudos anteriores, sustentou, citado pela agência AFP, um dos coautores do estudo, David Bromwichand, acrescentando que se trata de uma das regiões da Terra que aqueceram mais rapidamente.
Segundo o especialista, do Centro de Investigação Byrd Polar, nos Estados Unidos, o "contínuo aquecimento na Antártida ocidental poderá afetar o equilíbrio da camada de gelo e contribuir para um aumento mais acentuado do nível do mar".
Cientistas creem que a diminuição da camada de gelo na Antártida ocidental é responsável por cerca de dez por cento da subida do nível do mar, em consequência do aquecimento global.
A camada de gelo ocidental, com uma extensão de quatro quilómetros, cobre a superfície e mergulha no mar, estando a derreter mais rapidamente do que qualquer outra na Antártida.
Para este novo estudo, David Bromwichand e outros investigadores, de diversas instituições norte-americanas, socorreram-se de dados climáticos de diferentes fontes.
O Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas das Nações Unidas estimou, em 2007, que o nível do mar irá subir entre 18 e 59 centímetros até 2100.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

E se a mão humana também tiver evoluído para bater?

Uma equipa de investigadores foi estudar a anatomia do punho e a sua funcionalidade no combate para tentar responder a questão.
Quando chega a altura de lutar, os primatas como os chimpanzés costumam abrir a mão para bater. O homem cerra os dedos e a sua derradeira ferramenta de destreza que utiliza no dia-a-dia transforma-se numa arma. Uma equipa de investigadores foi estudar a anatomia do punho e a sua funcionalidade no combate para tentar responder a uma questão: Será que a mão também evoluiu para bater? A resposta parece ser afirmativa, defendem os cientistas que publicaram os resultados agora na revista Journal of Experimental Biology.
"O papel que a agressão teve durante a nossa evolução não foi suficientemente tido em conta”, diz David Carrier da Universidade de Utah, Estados Unidos, líder do estudo. “Há pessoas que não gostam desta ideia, mas é evidente que os grandes símios são um grupo relativamente agressivo, quando comparados com outros mamíferos, com imensas lutas e violência, e isso inclui-nos”, sugere, num comunicado. “Somos os filhos pródigos em relação à violência.”
Para compreender melhor esta questão, os cientistas foram analisar a força de um soco e a anatomia da mão. Pediram a dez homens, com idades entre os 22 e os 50 anos e com experiência em artes marciais, para darem socos com o punho fechado e baterem com a mão aberta num saco de boxe.
O saco media a força da estalada e do soco. Os cientistas descobriram que a força máxima exercida pelos dois métodos era semelhante. No entanto, a área que o soco exerce a força é um terço da área de uma chapada com a palma aberta. Por isso a força exercida durante um soco naquela área era entre 1,7 e três vezes maior em relação à chapada. “Como há uma pressão maior quando se bate com o punho, é provável que se cause um dano maior” nos tecidos, nos ossos, nos olhos ou nos dentes, explica Carrier.
As experiências seguintes avaliaram a anatomia do punho. Um chimpanzé tem um polegar mais curto do que o homem e os outros quatro dedos são mais compridos do que os nossos. Quando tenta fechar a sua mão, como os humanos fazem, o chimpanzé fica com a mão numa forma de donut. Nos humanos, o punho é uma estrutura muito compacta, em que o polegar dá suporte ao indicador e ao dedo do meio.
Os cientistas tentaram avaliar se esta forma, com o apoio do polegar, protegia o resto da mão quando dava socos. A experiência mediu a rigidez dos nós dos dedos, quando a força é transferida dos dedos para o polegar. Para isso, pediram a outros dez homens para darem socos com o punho completamente fechado e com o punho sem o apoio do polegar. Os resultados mostraram que quando o polegar apoia os dedos, a rigidez dos nós dos dedos quadruplica e a força transmitida pelos durante o soco duplica.
Os autores defendem que a mão poderia ter evoluído para formas diferentes e que algumas estariam adaptadas só para o manusear e outras formas funcionariam bem só para lutar. “No entanto, é possível que só haja uma proporção esquelética correcta que permita as duas funções”, escrevem no artigo.
E notam aqui um paradoxo: “[A mão] é indiscutivelmente a nossa arma anatómica mais importante, usada para ameaçar, bater e em algumas situações matar para resolver um conflito. No entanto, é também a parte do nosso sistema muscular e esquelético que produz e utiliza utensílios delicados, toca instrumentos musicais, produz arte, transmite intenções e emoções complexas, e nutre. Em última análise, o significado evolutivo da mão humana talvez se deva à sua capacidade impressionante de cumprir duas funções aparentemente incompatíveis, mas intrinsecamente humanas.”
Para Carrier, olhar para uma evolução humana adaptada à agressão e à violência é, ainda, um tabu. “Há muita resistência para pensar que, a certos níveis, os humanos são por natureza animais violentos. Acho que seria melhor se encarássemos esta ideia de que temos emoções fortes e que, algumas vezes, elas levam-nos a comportamentos violentos. Se tivermos isto em conta somos capazes de prevenir melhor a violência no futuro”, defende, citado pela BBC News.

Fonte: Público

domingo, 23 de dezembro de 2012

Bloco ocêanico pode desabar e provocar tsunami

Cientistas australianos identificaram junto à Grande Barreira de Coral um enorme bloco oceânico que poderá entrar em colapso e alertaram que se isso acontecer poderá provocar um tsunami devastador para o nordeste do país.
O bloco, de um quilómetro cúbico, conhecido como o bloco Noggin, é o remanescentes de um deslizamento de terra que ocorreu no fundo do mar e está atualmente pousado nos limites da plataforma continental, explicou a emissora ABC.
Robin Beaman, geólogo marinho da Universidade de James Cook disse à ABC que o bloco está numa primeira fase de desprendimento da Grande Barreira de Coral, muito embora o processo decorra ainda de forma lenta.
Mas, acrescentou, se o bloco se libertar rapidamente em consequência, por exemplo, de um terramoto, poderia provocar um tsunami com capacidade de numa hora atingir a costa leste da Austrália.
Esta catástrofe é pouco provável, "mas deve considerar-se que pode acontecer. Não se sabe que momento pode um bloco deste tipo entrar em colapso, só se pode dizer que eventualmente irá suceder", acrescentou o geólogo.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 22 de dezembro de 2012

E 136 anos depois, o mapa-múndi das espécies animais foi actualizado

O mapa utilizado até aqui para estudar a biodiversidade dos vertebrados à face da Terra datava de 1876. Desde ontem, há um novo mapa, que integra a árvore genética das espécies.
Uma equipa internacional de investigadores, entre os quais um especialista português de biodiversidade, combinou os dados evolutivos e geográficos - coligidos ao longo de 20 anos sobre 21.037 espécies de vertebrados - e produziu um mapa "moderno" da distribuição geográfica de todos os mamíferos não-marinhos, dos anfíbios e das aves actualmente conhecidos.
O novo mapa, apresentado ontem ao fim da tarde na edição online da revista Science, actualiza e "corrige" o mapa utilizado até aqui pelos especialistas como base para os estudos da biodiversidade animal no nosso planeta. Um mapa que data de... 1876 e cujo autor foi o naturalista britânico Alfred Russel Wallace, co-descobridor, independentemente de Charles Darwin, da teoria da selecção natural das espécies.
Os autores da actualização confirmaram agora, no novo mapa, que existem muitas semelhanças com o mapa do século XIX. Mas, graças à massa de informação genética hoje disponível, revelaram também diferenças que podem ser essenciais para a concepção de futuros programas de conservação das espécies.
"Wallace era um naturalista extraordinário", disse ao PÚBLICO Miguel Araújo, professor da cátedra de Biodiversidade Rui Nabeiro do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) na Universidade de Évora - e co-autor do trabalho. "Viajou pelo mundo inteiro e verificou que, em cada região, existiam espécies diferentes, de aspecto diferente."
Porém, Wallace apenas dispunha de informação sobre um número limitado de espécies, na maioria mamíferos, que tinha visto no terreno durante as suas viagens ou cuja existência conhecia através de amigos e colegas. Ora, essa situação é hoje radicalmente diferente: "Nos últimos anos, tem-se estado a reconstruir os mapas biogeográficos dos mamíferos, dos anfíbios e das aves", explica Miguel Araújo. "Toda esta informação [sobre a distribuição das espécies] é muito recente."
E por outro lado, Wallace também "não tinha a árvore da vida, embora ela já estivesse, de forma qualitativa, por trás da sua classificação", salienta o cientista. "Nós tivemos agora em conta as filogenias todas", incluindo uma nova árvore genética das aves, que a equipa publica online juntamente com o seu artigo.

Os reinos e a linha de Wallace
Com base nas suas observações, Wallace, considerado o "pai" da biogeografia, tinha dividido o mundo em seis grandes "reinos". O novo mapa vem acrescentar cinco novos reinos, que podem ainda ser subdivididos em 20 regiões mais pequenas. "Os reinos fornecem uma informação muito prática, muito clara, da origem evolutiva comum das espécies", diz ainda Miguel Araújo. Porém, conforme o tipo de aplicação, pode ser precisa a distribuição mais fina em regiões.
Novidades? "Wallace pensava que Madagáscar estava ligada à África", refere o cientista, "mas segundo nós é um reino perfeitamente independente". E mais: "A origem evolutiva de Madagáscar é mais próxima da Índia do que da África." O resultado bate certo com o que se sabe da tectónica das placas: Madagáscar separou-se da Índia e não de África.
Outra diferença em relação ao velho mapa é o facto de o Norte de África unir-se agora num único reino com a Península Arábica (num conjunto designado reino saro-arábico), quando até aqui estava incluído no reino paleárctico, que engloba a Eurásia. Também foi possível distinguir, a sul do paleárctico, um reino sino-japonês. E quanto à Nova Zelândia, passou a pertencer ao mesmo reino que a Austrália, o que não era o caso até aqui. Ao mesmo tempo, o reino australiano original ficou partido em dois: australiano e oceânico (este último incluindo a Nova Guiné e as ilhas do Pacífico).
"Madagáscar é um caso especial", explica ainda o cientista. "Se tivéssemos de atribuir medalhas, a de ouro iria para a Austrália, que é a região mais individualizada do planeta e a que tem a fauna mais diferente; a de prata iria para Madagáscar e a de bronze para a América Latina, que permaneceu muito isolada e longe dos grandes fluxos de migração."
As novas características biogeográficas agora reveladas deverão ter implicações importantes ao nível dos programas de conservação das espécies. "Se Madagáscar estivesse ligada à África, a sua prioridade em termos de conservação seria menor", exemplifica Miguel Araújo. Mas com uma fauna única no mundo, trata-se de algo "mais universal" e a sua prioridade no panorama da biodiversidade passa logo para outro patamar.
Uma outra questão que o novo mapa poderá agora vir resolver diz respeito àquilo que hoje é conhecido como "linha de Wallace" - um obstáculo à dispersão das espécies animais que, segundo teorizou aquele naturalista, marcaria uma separação entre as faunas do seu reino oriental (que inclui o subcontinente indiano e o Sudeste asiático) e o da Austrália. Wallace colocara essa fronteira natural no estreito de Macáçar, entre Bornéu e a ilha indonésia de Celebes. "Tem havido um grande debate sobre onde passa a linha", diz Miguel Araújo, acrescentando terem agora confirmado que está essencialmente muito perto da localização atribuída por Wallace.
Será que os especialistas de biodiversidade vão já passar a utilizar o novo mapa? Para Miguel Araújo, não há dúvidas de que, a partir de agora, "o mapa de Wallace está desactualizado". O novo mapa será, entretanto, colocado à disposição da comunidade internacional, em particular através do Google Earth.

Fonte: Público