quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Há um tipo de colesterol quase desconhecido, e é o pior de todos

Pela primeira vez, cientistas dinamarqueses mostraram que um terceiro tipo de colesterol, que não é nem o HDL nem o LDL, é mesmo o vilão da fita no desenvolvimento das doenças coronárias.
Il Buono, il Brutto, il Cattivo – o título do célebre western spaghetti de 1966 realizado por Sergio Leone, e que em Portugal ficou conhecido como O Bom, o Mau e o Vilão – pode aplicar-se perfeitamente ao resultado que é publicado esta terça-feira na revista Journal of the American College of Cardiology (JACC) por uma equipa dinamarquesa.
Já se sabia que, para além dos chamados "bom" e "mau" colesteróis – respectivamente, o colesterol HDL e o colesterol LDL –, existe um terceiro tipo, designado colesterol "feio" (em inglês, ugly). E que este terceiro tipo, que quase ninguém conhece, é o "vilão" que mais faz aumentar o risco de bloqueio das artérias – a aterosclerose, principal causa de enfarte cardíaco. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que as doenças cardiovasculares matam 17 milhões de pessoas por ano no mundo.
Fazemos periodicamente uma análise de sangue para conhecer o nosso colesterol total, bem como o "bom" (HDL, de alta densidade) e o "mau" colesterol (LDL, de baixa densidade). Mas a soma destes dois tipos de colesterol não é igual ao colesterol total. É nessa discrepância que se esconde o colesterol "feio", ou "remanescente", de densidade muito mais baixa do que o colesterol mau. E, a acreditar nos resultados agora publicados, que envolveram milhares de participantes, talvez esteja na hora de a comunidade médica começar a olhar seriamente para este terceiro tipo, um autêntico vilão.
"Até aqui, as pessoas, os médicos e os cientistas têm-se focado principalmente no colesterol LDL. A maior parte dos médicos ignora o colesterol remanescente", disse ao PÚBLICO Børge Nordestgaard, da Universidade de Copenhaga, um dos principais autores do estudo.
Os cientistas realizaram um estudo junto de 73 mil participantes dinamarqueses, quase 12 mil dos quais tinham sido diagnosticados, entre 1976 e 2010, com uma cardiopatia isquémica decorrente de aterosclerose coronária. Por outro lado, cerca de 20 mil desses participantes apresentavam, devido a mutações genéticas, altos níveis do tal colesterol "feio".
"Para conseguirmos analisar a correlação entre o colesterol feio e a doença cardíaca, utilizámos amostras sanguíneas de pessoas portadoras de um defeito genético que faz com que elas tenham altos níveis [desse] colesterol durante toda a vida", explica Anette Varbo, co-autora do estudo, em comunicado da Universidade de Copenhaga. "Como esses resultados não dependem do estilo de vida das pessoas, são o mais rigoroso possível."

Uma questão de gordura
E o que os resultados mostram, pela primeira vez, é que existe uma relação causal entre os altos níveis de colesterol feio e a aterosclerose – com as pessoas com altos níveis deste tipo de colesterol a correrem um risco quase três vezes maior do que as outras de desenvolver uma cardiopatia isquémica. Mais precisamente, "um aumento do colesterol remanescente de 39 miligramas por decilitro de sangue corresponde a um aumento de 2,8 do risco causal de doença cardíaca isquémica", escrevem os autores na JACC. E, ainda por cima, isso acontece, salientam, "independentemente de os níveis de [bom] colesterol HDL serem reduzidos". Ou seja, até podemos ter níveis razoáveis de bom colesterol; se tivermos muito colesterol feio, o risco de cardiopatia isquémica será igualmente elevado. "É a primeira vez que demonstramos uma relação causal que não depende do facto de uma pessoa ter um nível baixo de HDL", salienta, Nordestgaard. "E isso é uma novidade."
Este terceiro colesterol é portanto o verdadeiro mau da fita? "Sim", responde-nos o cientista. "Mas o LDL também é mau e é esse que a maioria das pessoas tem." Mesmo assim, mais de um dinamarquês em cada cinco apresenta altos níveis de colesterol feio – e é provável que a situação seja comparável em muitos outros países ocidentais.
Há maneira de evitarmos o vilão? Evitando o excesso de peso e a obesidade. "Os altos níveis de colesterol feio resultam de altos níveis de gordura no sangue (triglicéridos)", salienta Nordestgaard. "Portanto, as pessoas com altos níveis deste colesterol devem ser aconselhadas a perder peso." Medicamentos tais como as estatinas "também poderão ajudar a diminuir os níveis". "Espero que estes novos resultados conduzam a melhores tratamentos preventivos", diz ainda.

Fonte: Público

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

NASA descobre provas de existência de lago em Marte

Uma sonda norte-americana na órbita de Marte descobriu provas de um antigo lago abastecido por águas subterrâneas, o que suporta a teoria de que já houve vida no planeta vermelho, informou a NASA.
Num comunicado divulgado ao final do dia de domingo, a agência espacial norte-americana diz que dados recolhidos pela Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) mostram vestígios de minerais argilosos e carbonatos, usualmente formados na presença de água, no fundo de uma cratera de 2,2 quilómetros de profundidade.
"Estas novas observações sugerem a formação de carbonatos e argila num lago abastecido por água subterrânea no interior da bacia da cratera", escreve a NASA, cujo artigo científico foi publicado na edição online da Nature Geoscience.
Citando "alguns investigadores", a agência escreve que "o interior da cratera onde ficava a água e a zona subterrânea que a fornecia poderão ter sido ambientes húmidos e potenciais habitats".
A cratera, chamada McLaughlin, não tem grandes canais de afluxo de água, pelo que o lago deverá ter sido abastecido por águas subterrâneas, acrescentam os cientistas.
Estas observações, diz ainda a NASA, "fornecem provas de que os carbonatos se formaram no interior de um lago e não foram arrastados para o interior da cratera desde o exterior", disse Joseph Michalski, que dirigiu a investigação.
A cratera, de 92 quilómetros de diâmetro, fica no extremo mais baixo de uma encosta com muitos quilómetros de comprimento e, tal como na Terra, um lago abastecido por água subterrânea ocorre normalmente em zonas de baixa altitude.
Lançada em 2005, a MRO tem fornecido mais informação de alta resolução sobre o planeta vermelho do que todos os outros aparelhos que orbitaram Marte juntos.
O cientista da MRO Rich Zurek, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, disse que a descoberta agora divulgada indica "um planeta Marte mais complexo do que se pensava, em que, pelo menos algumas áreas, têm probabilidade de revelar sinais de vida".

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Procura-se barriga de aluguer para clonar Neandertal

O geneticista George Church, da Harvard Medical School, diz ser capaz de clonar um homem de Neandertal, extinto há mais de 30 mil anos, a partir de ADN extraído de fósseis. Só precisa de uma "mulher aventureira".
"Já consegui extrair ADN suficiente de ossos fossilizados para reconstruir o ADN da espécie humana há muito extinta. Agora, só preciso de uma mulher aventureira", afirmou o professor norte-americano à revista alemã 'Der Spiegel'.
O geneticista argumenta que é possível introduzir partes do genoma do homem de Neandertal, um dos antepassados dos humanos, em células estaminais e criar um feto que seria implantado no útero de uma mulher. "Tudo depende de uma série de factores, mas acredito que é possível faze-lo", acrescentou.
Church, de 58 anos, ajudou a lançar o Projeto do Genoma Humano, que mapeou o ADN dos seres humanos.
"Conseguimos clonar todo o tipo de mamíferos, por isso é muito provável que conseguíssemos clonar um humano. Porque é que não o poderíamos fazer?", questiona o professor. Na maioria dos países, a clonagem humana é crime.
"Os neandertais podem pensar de forma diferente da nossa. Sabemos que tinham um crâneo maior. Podem até ser mais inteligentes que nós", acrescentou Church na entrevista.

Fonte: DIário de Notícias

domingo, 20 de janeiro de 2013

Em 2015, a estação espacial vai ter um módulo insuflável

A agência espacial norte-americana NASA vai testar novos habitáculos flexíveis com vista a futuras missões tripuladas de longa duração.
Algures em 2015, uma espécie de balão acoplar-se-á à Estação Espacial Internacional (ISS), anunciou a agência espacial norte-americana NASA.
Trata-se de um módulo habitável insuflável, desenvolvido pela empresa Bigelow Aerospace e que deverá lá permanecer durante dois anos. Durante essa estada, a tripulação e os engenheiros no solo irão proceder a uma série de testes, nomeadamente da sua integridade estrutural, monitorizando ainda a taxa de fugas de ar.
Entretanto, uma bateria de instrumentos a bordo do módulo, baptizado BEAM (Bigelow Expandable Activity Module) irão realizar medições dos níveis de radiação e de temperatura interiores, para depois comparar estes dados com os dos módulos convencionais em alumínio. Os astronautas da ISS também deverão penetrar periodicamente no módulo para recolher dados e efectuar inspecções.
“Esta tecnologia deverá permitir avanços importantes [em termos] dos objectivos a atingir para permitir a permanência humana de longa duração no espaço”, diz Lori Garver, administradora adjunta da NASA, num comunicado da agência. “A ISS é um laboratório único para testar tecnologias inovadoras como o BEAM”, salienta, por seu lado, William Gerstenmaier, um dos responsáveis, na NASA, pelas área das viagens tripuladas.
O insuflável espacial deverá ser lançado pela empresa SpaceX no âmbito do seu contrato em curso com a NASA para o reaprovisionamento da ISS. Mais precisamente, isso acontecerá na oitava missão comercial da SpaceX, programada para 2015. Uma vez acoplado ao módulo Tranquility pelo braço mecânico da ISS, o módulo BEAM será enchido com ar que ele próprio transportará para o espaço.
No fim da sua missão, o módulo será ejectado da ISS, para se vir desintegrar na reentrada na atmosfera terrestre.

Fonte: Público

sábado, 19 de janeiro de 2013

Mais um passo em direção ao teletransporte

Investigadores resolveram as bases matemáticas necessárias para tornar possível o envio de informação quântica, à velocidade da luz, mais eficiente.
Físicos do Reino Unido dizem ter mostrado que o teletransporte vai ser, finalmente, possível. Os investigadores, da Universidade de Cambridge, afirmam ter feito avanços, mais teóricos, que podem abrir caminho para algo que mais parece ficção científica.
A humanidade está muito longe de construir uma máquina que nos leve de um lado para o outro do mundo, à velocidade da luz como em Star Trek. No entanto os cientistas, que publicaram o seu trabalho na revista Physical Review, demonstram, através de cálculos matemáticos, que é possível realizar tal façanha no mundo quântico.
O universo estranho, que governa o comportamento de moléculas e átomos, permite que as coisas aconteçam de uma forma tão mágica como estar em dois lugares ao mesmo tempo. Os resultados, obtidos pelos cientistas britânicos, servirão principalmente para desenvolver a tão esperada computação quântica, bem como para enviar informação a uma velocidade, hoje, impossível. O limite só o futuro poderá ditar
Sergii Strelchuk, do departamento de Matemáticas Aplicadas e Física Teórica de Cambridge, afirma: "Há uma estreita relação entre o teletransporte e os ordenadores quânticos, que são dispositivos que aproveitam a mecânica quântica para realizar cálculos que não seriam possíveis num computador clássico."
Enquanto o protocolo dos físicos de Cambridge é completamente teórico, no ano passado, uma equipa de cientistas chineses relataram que tinham conseguido teletransportar a 143 quilómetros de distância. Deste modo quebram- se todos os recordes anteriores. O teletransporte de informação, por átomos individuais, é possível de ser concebido com as tecnologias atuais. Apesar disso, teletransportar objetos, como fazia o Capitão Kirk, permanece no reino da ficção científica.

Fonte: Diário de Notícias