terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

'Curiosity' perfura solo de Marte nos próximos dias

A sonda 'Curiosity', da NASA, usou o sistema de perfuração pela primeira vez e deverá furar o solo de Marte nos próximos dias, disse à agência Lusa a gestora da missão, Jennifer Trosper.
Em entrevista telefónica, a responsável disse que na quinta-feira o 'rover' experimentou pela primeira vez "fazer uns toques, com um pouco de percussão, para perceber as propriedades da rocha".
Apesar de sondas anteriores terem já raspado a superfície de Marte, a 'Curiosity' é a primeira com capacidade de perfurar o solo e recolher um pedaço do interior da rocha, o que deverá fornecer uma amostra livre de qualquer alteração provocada pelo clima ou pela radiação.
A equipa da agência espacial norte-americana que controla a 'Curiosity' tem estado a preparar-se para a sua primeira perfuração e, depois da primeira utilização do equipamento, haverá "mais algumas atividades de caracterização" para garantir que tanto a rocha como a broca se comportam como esperado.
"Dentro de dois ou três dias vamos perfurar", disse a especialista em astronáutica, explicando que a amostra recolhida na perfuração entra para um compartimento na broca que a processa e depois a entrega aos instrumentos de análise química e orgânica.
"Com sorte conseguimos recolher seis porções para entregar aos instrumentos de análise. É aí que achamos que vamos recolher uma série de dados interessantes sobre a composição da rocha", disse a cientista.
Desde que aterrou na enorme cratera Gale, no solo de Marte, a 06 de agosto, a 'Curiosity' já percorreu cerca de 700 metros e encontra-se agora numa pequena depressão chamada Yellowknife Bay.
Esta zona, disse Trosper, "foi afetada por água, tem componentes geológicos distintos" e por isso foi escolhida para a primeira perfuração.
O local escolhido para o primeiro furo - ao qual a equipa deu o nome de John Klein em homenagem a um recém-falecido engenheiro da NASA que trabalhou no projeto - é uma rocha sedimentar de grão muito fino, que apresenta veios do que parece ser sulfato de cálcio.
Estes veios, disse Trosper, indicam a presença de água no passado.
A missão da 'Curiosity' é tentar determinar se a cratera de Gale terá tido alguma vez ambientes capazes de suportar vida bacteriana e perceber a composição da rocha é crítico para essa investigação, já que os depósitos na cratera terão em si o registo geoquímico das condições em que se formaram.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Google Maps oferece visita guiada pelo Grand Canyon

Agora já pode viajar por uma das maravilhas da natureza sem sair de casa e a única coisa de que precisa é um computador com acesso à internet. A Google permite-lhe uma visita ao Grand Canyon sem ter de abandonar o seu sofá.
"Quer esteja a planear uma caminhada, ou queira aprender mais sobre o passado geológico da Terra, o Google Maps pode ajudar", disse Ryan Falor, responsável pela nova criação da Google.
Em outubro do ano passado, a Google enviou uma equipa capturar imagens da do Grand Canyon para compor o mapa virtual do Arizona.
"A nossa equipa prendeu as mochilas às costas e caminhou pelo terreno rochoso suportando mudanças de temperatura e dores musculares ao longo de todo o caminho", contou Falor.
Quinze câmaras incorporadas em quinze mochilas, as Trekkers, disparavam a cada 2,5 segundos, capturando cada detalhe do território americano. As imagens estão agora disponíveis no Google Maps e, com um clique do rato, os utilizadores vão ser transportados numa visita bi-dimensional pelos trilhos do Canyon.
Mais de 9500 fotografias criam o passeio virtual pela paisagem americana. Mexendo o cursor, os usuários podem rodar a imagem até 360 graus para obter uma vista completa da paisagem americana.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Cientistas revertem envelhecimento em ratos

Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia inseriu um gene da longevidade nas células-mãe de sangue de ratos velhos o que rejuvenesceu o potencial de regeneração das mesmas, informa um artigo da revista Cell Reports.
A experiência divulgada na revista norte-americana na quinta-feira pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos para doenças degenerativas associadas ao envelhecimento.
Os biólogos determinaram que a proteína SIRT3, da classe das sirtuínas, desempenha um papel importante ao ajudar as células-mãe de sangue envelhecidas a lidar com o stress.
Quando os investigadores inocularam a proteína naquelas células dos ratos velhos, o tratamento estimulou a formação de novas células de sangue, o que prova uma reversão da deterioração, relacionada com a idade, na função das células.
"Já sabemos que as sirtuínas regulam o envelhecimento, mas o nosso estudo é o primeiro a demonstrar que as sirtuínas podem reverter a degeneração ligada ao envelhecimento", disse Danica Chen, professora de ciência e toxicologia na Universidade de Califórnia, em Berkeley, e investigadora principal do estudo, citada na agência noticiosa espanhola EFE.
Chen assinalou que nos últimos 10 a 20 anos tem havido um grande avanço na compreensão científica do envelhecimento, que é visto agora como tendo um desenvolvimento altamente regulado o que o torna possível de manipulação.

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Um dia o ouriço-do-mar pode tirar-lhe as rugas

Jovem investigadora portuguesa ganha Prémio Pulido Valente Ciência 2012 e outro galardão francês. Fisiologia do ouriço-do-mar pode vir a ser imitada em biomaterial para regenerar tecidos humanos.
Mário Barbosa gosta de pescar nos tempos livres. Foi na pesca que descobriu os buracos que os ouriços-do-mar fazem nas rochas, mesmo nas que são graníticas e duras. A curiosidade levou o cientista do Instituto de Engenharia Biomédica (Ineb), no Porto, a estudá-los, primeiro na literatura científica já publicada, depois no laboratório. Agora, o investigador tem em mãos um projecto para desenvolver um material regenerativo para tecidos humanos com base num tecido encontrado nestes animais marinhos.
Os ouriços-do-mar fazem parte do grupo de animais que inclui as estrelas-do-mar e os pepinos-do-mar. Na praia, o que salta à vista são os espinhos que cobrem os seus corpos e o aspecto colorido. Mas os buracos que escavam e que despertaram a curiosidade a Mário Barbosa devem-se a uma estrutura chamada "lanterna de Aristóteles" – a região central do ventre dos ouriços que tem cinco dentes capazes de ir corroendo a rocha.
Mário Barbosa e Maria Carnevali, a investigadora principal de um grupo na Universidade de Milão, em Itália, que já trabalhava com ouriços-do-mar há décadas, acabaram por se lançar numa investigação para encontrar novos biomateriais com qualidade de regeneração de tecidos humanos usando o ouriço-do-mar. “A ideia foi estudar os ligamentos que prendem [internamente] os dentes dos ouriços ao resto do corpo”, disse o cientista ao PÚBLICO.
Na altura, a investigadora Ana Ribeiro, formada em Engenharia dos Materiais pela Universidade do Minho, agarrou o projecto e candidatou-se a uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. “Pensei que era uma loucura”, lembra Ana Ribeiro, de 31 anos. “Como é que uma engenheira de materiais vai ser capaz de trabalhar e aprender a biologia fundamental dos tecidos dos ouriços-do-mar?”, questionou-se.
Mas não se arrependeu. Aliás, o desafio foi compensado e o doutoramento que fez valeu a Ana Ribeiro dois prémios científicos: o galardão francês Daniel Jouvenance de 2012 para jovens investigadores, de 4000 euros, entregue esta última terça-feira em Paris, e o prémio português Pulido Valente Ciência de 2012.
A investigadora descobriu que estes ligamentos no ouriço-do-mar eram compostos por fibras de colagénio muito bem estruturadas, muito parecidas com as dos mamíferos. Mas, nos ouriços-do-mar, estas fibras cumprem a função de músculos e são controladas pelo sistema nervoso. Para Mário Barbosa, esta propriedade pode ser recriada em biomateriais para regenerar tecidos humanos durante a cicatrização ou em utilizações cosmética, como suavizar as rugas.
O colagénio é uma das proteínas mais importantes do tecido conjuntivo – que é o nome generalizado para os tecidos dos ossos, ligamentos, tendões, cartilagem, tecido adiposo, entre outros. A molécula é composta por uma cadeia de aminoácidos, produzida nas células, e que se unem em feixes cada vez maiores. A unidade destes feixes é a fibrila.
Ana Ribeiro estudou uma espécie de ouriço-do-mar que existe na costa portuguesa, a Paracentrotus lividus, e utilizou a microscopia electrónica para caracterizar este ligamento, obtendo imagens ampliadas da estrutura. “O ligamento é um tecido de colagénio mutável característico dos equinodermes que podem sofrer alterações muito rápidas das suas propriedades mecânicas – rigidez, resistência à tração e viscosidade – num período curto de tempo”, explica.

Um jogo entre moléculas
Embora a estrutura molecular do colagénio no ouriço seja muito parecida com a dos mamíferos, a cientista descobriu que esta mutabilidade permite a contracção dos ligamentos do equinoderme, o que foi uma novidade: “Resulta de uma reorganização da matriz [do tecido conjuntivo]”, explica Ana Ribeiro.
O que acontece é um jogo entre várias proteínas que origina a contracção ou a distensão do colagénio. Mário Barbosa explica este jogo. No ligamento do ouriço, existe a tensilina, uma proteína que une as fibrilas de colagénio. Consoante a necessidade do ouriço-do-mar, assim o seu sistema nervoso envia estímulos para a produção de outras proteínas que quebram as ligações entre a tensilina e o colagénio, tornando as fibrilas relaxadas. Por fim, para voltar a haver contracção, uma terceira molécula inibe o funcionamento das proteínas que quebram as ligações.
“A tensilina é uma proteína natural do ouriço que o organismo humano não produz”, explica Mário Barbosa. A equipa do Ineb está agora a tentar imitar este sistema, integrando a tensilina nos biomateriais baseados no colagénio. O colagénio, já muito utilizado em cirurgia plástica, tem algumas limitações. “A maior parte dos biomateriais não se adaptam ao ambiente estruturalmente dinâmico dos tecidos e órgãos naturais”, explica Ana Ribeiro.
O objectivo é dar a este biomaterial a capacidade de mutabilidade encontrada nos ouriços-do-mar. Uma utilização imediata seria aplicar o colagénio com tensilina na pele para a tornar mais plástica e fazer desaparecer as rugas. Mas pode-se pensar em usos mais complexos, como a reconstituição da mama depois de uma mastectomia.
“Teremos um tecido com capacidade moldável”, sublinha Mário Barbosa. O cientista espera que esse tecido possa responder aos estímulos celulares e, desta forma, permitir que todos os tipos de células o invadam. No caso da mama, onde a sensibilidade proporcionada pelo sistema nervoso é muito importante, espera-se que também as células nervosas cresçam no colagénio.
A equipa já conseguiu produzir tensilina utilizando bactérias. “Já sabemos que, se tivermos colagénio e tensilina, o colagénio agrega-se. O problema fundamental é saber se in vivo o efeito é aquele que esperamos”, diz o cientista.
Ana Ribeiro já não vai testemunhar em primeira mão as próximas experiências. Está no Brasil, em São Paulo, a fazer um pós-doutoramento na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita e Filho. O tema une a engenharia e a biologia: “Estudo o comportamento das células humanas para aplicações em implantes dentários.”
Saltou para o lado de lá do Atlântico e para o lado de lá das oportunidades na ciência em Portugal. “O Brasil é um país em que existe muito financiamento para a ciência, é assustadora a diferença com Portugal”, lamenta Ana Ribeiro, que considera haver poucas saídas para os jovens cientistas portugueses no seu próprio país.
E os prémios? “É uma satisfação muito grande. O doutoramento é um período de estudos intenso, muitas vezes colocamos de parte a vida pessoal para nos dedicarmos ao trabalho. Ver esse esforço e dedicação reconhecidos é óptimo.”

Fonte: Público

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

'Curiosity' capta primeiras imagens noturnas de Marte

Pela primeira vez desde que chegou a Marte, em agosto de 2012, o robô 'Curiosity' utilizou a câmara instalada no seu braço para tirar fotos noturnas do solo marciano. O instrumento utiliza luzes brancas e ultravioletas para capturar as imagens.
O objetivo dos cientistas foi observar de perto, durante a noite, uma rocha chamada "Sayunei" utilizando o equipamento Mars Hand Lens Imager (MAHLI). A rocha já tinha sido raspada pela roda dianteira esquerda do Curiosity para que o material a ser examinado estivesse livre de poeira.
O local fica perto do sítio onde a equipa de cientistas planeia começar a usar o robô para perfurar uma rocha nas próximas semanas. As imagens da rocha Sayunei e do alvo do MAHLI foram captadas a 22 de janeiro e recebidas na Terra no dia seguinte.
"O objetivo de fazer observações sob iluminação ultravioleta foi procurar minerais fluorescentes ", disse o investigador principal do MAHLI, Ken Edgett, do Malin Space Science Systems, em San Diego.
"A equipa ainda está a avaliar as observações.Se algo parecia verde, amarelo, laranja ou vermelho sob a iluminação ultravioleta, que seria um indicador mais claro de fluorescência", disse.

Fonte: Diário de Notícias