quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Cancro infantil é ameaça crescente nos países pobres

O cancro infantil está a aumentar nos países pobres, onde ocorrem 94% das mortes de crianças provocadas por tumores, revela um estudo hoje publicado, que atribui a alta mortalidade à ausência de tratamento adequado.
"A dura realidade é que o acesso ao tratamento é muito fraco nos países de médio e baixo rendimento. Uma percentagem desconhecida de crianças com cancros potencialmente curáveis nunca recebe tratamento - nem sequer tratamento paliativo - e muitos dos que recebem algum tratamento morrem apesar disso", diz um dos autores do estudo, Ian Magrath, da Rede Internacional para o Tratamento e Investigação do Cancro, na Bélgica.
Publicado na revista científica 'Lancet Oncology', o estudo, que reuniu alguns dos maiores especialistas em cancro do mundo, sublinha que o cancro infantil, outrora considerado uma doença de países ricos, é cada vez mais uma ameaça nos países em desenvolvimento.
Segundo estimativas recentes da Organização Mundial de Saúde, citadas no estudo, o cancro mata todos os anos cerca de 100 mil crianças antes dos 15 anos em todo o mundo, 94% das quais morrem em países de baixo rendimento.
Segundo os cientistas, a falta de sensibilização para o cancro infantil e a ausência de serviços de saúde básicos em alguns países levam a que muitas crianças apareçam com cancros em estado avançado.
Os médicos nestes países frequentemente não são formados para diagnosticar o cancro e veem muito poucos casos de cancro infantil ao longo da sua carreira.
Além disso, o tratamento é muitas vezes pobre ou inexistente, ou demasiado caro para os pacientes.
Em África, exemplificam os autores, a proporção de cancros que ocorrem em crianças é 12 vezes maior do que na Europa, mas 80% das pessoas no continente não tem acesso a radioterapia, cirurgia oncológica ou mesmo às infraestruturas necessárias para os cuidados oncológicos básicos.
Mas nem sempre o problema é financeiro, alerta a autora principal, Kathy Pritchard-Jones, da University College de Londres, que lamenta a falta de vontade política para criar as condições necessárias.
No México, exemplifica, a taxa de abandono do tratamento entre as crianças diminuiu de 35% para 4% por uma combinação de medidas como a introdução de seguros para os mais pobres, o desenvolvimento de protocolos de tratamento e a criação de 49 programas para o cancro infantil.
Os cientistas defendem o investimento em sistemas de saúde, mais profissionais de saúde e mais bem formados, assim como o estabelecimento de redes de hospitais regionais.
Defendem ainda parcerias entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento que permitam a uns servir de conselheiros aos outros, ajudar na formação médica, no acesso a tratamentos atualizados e ao aumento da participação dos pacientes dos países pobres em ensaios clínicos internacionais.
Finalmente, os investigadores sublinham a necessidade de acabar com o mito de que os países em desenvolvimento não têm recursos para tratar as crianças com cancro.
"Como as crianças têm as vidas todas pela frente, salvá-las tem muito mais impacto no desenvolvimento económico do que o tratamento oncológico dos mais velhos", explica Magrath.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cientistas encontram fragmentos do meteorito da Rússia

Meteorito principal continua por encontrar no fundo de um lago, mas dezenas de partículas foram recuperadas por investigadores da Universidade dos Urais.
Cientistas russos recuperaram vários fragmentos do meteoro russo que se desintegrou sexta-feira sobre a região de Cheliabinsk, 1800 quilómetros a Leste de Moscovo, deixando quase 1500 feridos.
No domingo, o Governo russo suspendera as buscas para encontrar um meteorito que caiu sobre um lago congelado, recortando um círculo perfeito de vários metros de diâmetro sobre o gelo. A Universidade dos Urais, no entanto, enviou para a região uma equipa de investigadores, que recuperou cerca de meia centena de pequenos meteoritos. Fotos divulgadas pela universidade mostram uma série de pequenos fragmentos, o maior dos quais parece ter o diâmetro de um dedo.
“Confirmamos que as partículas de uma substância encontrada pela nossa expedição perto do lago de Tchebarkoul têm a composição de um meteorito”, disse Viktor Grokhovski, investigador da Universidade dos Urais e membro da Academia Russa de Ciências, citado pela agência AFP.
Segundo os cientistas, as partículas encontradas serão fragmentos de um meteorito maior que terá caído no lago de Tchebakoul. Mergulhadores tentaram encontrá-lo, mas a operação foi abandonada, dada a existência de uma camada de um metro e meio de lodo no fundo.
Meteorito é a designação que se dá aos fragmentos de um meteoro – um corpo celeste quando entra na atmosfera ­– que chegam ao solo. O meteoro da Rússia teria 17 metros de diâmetro e 10.000 toneladas de massa quando entrou na atmosfera, desintegrando-se num rasto incandescente devido ao atrito com o ar.
Várias ondas de choque, provocadas sobretudo pela explosão sónica da desaceleração do meteoro até ao limite da velocidade do som, provocaram danos em milhares de edifícios, sobretudo vidros partidos.
O último balanço do Ministério da Saúde russo fala em 1491 feridos, dos quais 311 são crianças. Ainda há 46 pessoas hospitalizadas.
Na região de Cheliabinsk, equipas de emergência continuam a trabalhar para reparar os estragos, sobretudo pela substituição de vidros partidos. As temperaturas na região nesta altura do ano chegam perto dos 20 graus Celsius negativos.

Fonte: Público

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um em cada cinco répteis está ameaçado de extinção

Estudo faz a primeira avaliação com representatividade global do estado de conservação dos répteis.
Aproximadamente um em cada cinco espécies de répteis está em risco de desaparecer para sempre da Terra, segundo um estudo que faz pela primeira vez uma avaliação global da situação desta classe de animais.
No estudo, publicado na revista Biological Conservation, cientistas avaliaram uma amostra aleatória de 1500 espécies de répteis e concluíram que 19% estão ameaçadas de extinção. Não havia, até agora, uma indicação fidedigna do estado dos répteis a nível global. A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, mantida e actualizada anualmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), identifica 807 répteis “criticamente ameaçados”, “em perigo” ou “vulneráveis”. Mas apenas 39% das 9547 espécies descritas de répteis foram até agora avaliadas, segundo dados da Lista Vermelha. E a avaliação não tem sido sistemática, incidindo mais sobre determinadas áreas do globo ou sobre alguns tipos de répteis.
Está em curso uma avaliação completa dos répteis do mundo (Global Reptile Assessment). Mas enquanto isso não fica concluído, o estudo agora publicado oferece um atalho, através de uma amostra com representatividade global. “É basicamente um retrato imediato do estado dos répteis”, disse ao PÚBLICO Philip Bowles, da Comissão de Sobreviência das Espécies da UICN e um dos autores principais do estudo.
Cerca de duas centenas de cientistas, de vários países, estiveram envolvidos nesta avaliação. Os resultados serão validados à medida que a avaliação global dos répteis for avançando, explica Philip Bowles.
A percentagem estimada de espécies ameaçadas não é tão grande como a da classe dos anfíbios – onde duas em cada cinco corre o risco de se extinguir. “Não é tão mau como poderia ser. Mas não são boas notícias”, afirma Philip Bowles.
As espécies ameaçadas concentram-se sobretudo nas regiões tropicais, onde têm sido vítimas da destruição do seu habitat, para dar lugar à agricultura ou à exploração de madeira. Os répteis de água doce apresentam maior número de espécies em risco: 30% no total e 50% só para as tartarugas.
De acordo com Philip Bowles, o estudo, embora seja apenas uma primeira abordagem à escala global, permite identificar desde já espécies para as quais é prioritário adoptar medidas de conservação.

Fonte: Público

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Treinar o cérebro pode dar-nos mais anos de vida

Os velhos ditados dizem que "se não não usas algo, podes acabar por perde-lo". O psiquiatra californiano Daniel G. Amen levou a ideia a sério e desenvolveu um método que mostra as "áreas negras" do cérebro que precisam de ser estimuladas, prevenindo assim o seu "adormecimento".
A fórmula que promete combater os efeitos do envelhecimento do cérebro é promovida por Daniel Amen. Distinguido pela American Psychiatric Association, Amen utiliza o seu programa de digitalização cerebral para detetar as "zonas adormecidas do cérebro", que lhe vão poder indicar os quais os problemas que impedem uma pessoa de viver mais tempo e de se sentir mais jovem.
Como relata a BBC, através de uma imagem tridimensional Amen percebe quais as zonas do cérebro onde o fluxo de sangue é mais baixo. Depois, conforme o diagnóstico, o psiquiatra desenha um tratamento adequado às necessidades do paciente, que irá estimular as áreas adormecidas.
Para uns, ler, dormir ou fazer alguns jogos será mais que suficiente. Para outros, o exercício físico ou a estimulação do córtex com luzes, sons e outras terapias, pode ser o tratamento mais indicado.
Daniel Amen pensa que o tempo de vida do ser humano é, em parte, determinado pelas funções cerebrais. As pessoas devem ser capazes de tomar decisões certas decisões que protejam o seu cérebro, tais como não comer ou beber demais.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Aprovada comercialização do primeiro 'olho biónico'

Aparelho batizado de 'Argus II' ajuda pessoas que perderam a visão devido a uma doença rara a distinguir formas e movimentos. Com a sua comercialização autorizada esta semana pela Agência de Medicamentos americana (FDA, sigla em inglês), Argus II será o primeiro aparelho do género a chegar ao mercado. Apoiado também por autoridades europeias, o dispositivo já foi implantado em cerca de 60 pessoas no mundo.
Embora o dispositivo não seja capaz de restaurar a visão, ele dá aos utentes a capacidade de perceber a diferença entre a luz e a escuridão. O aparelho é composto por uma câmara de vídeo, um transmissor sobre um par de óculos e uma unidade de processamento de imagens, que transforma e as imagens em dados eletrónicos enviados para uma prótese implantada na retina.
"Esse novo sistema é uma grande oportunidade para as pessoas que não têm visão devido à retinite pigmentosa (RP). Este olho biónico fornece-lhes perceções de formas e movimentos. Funções que, também, lhes permitem ser mais independentes e realizar as tarefas diárias de todos os dias", disse num comunicado Jeffrey Shuren, diretor do Centro para Saúde Radiológica e Dispositivos da FDA.
Retinite pigmentosa é uma doença genética rara que afeta principalmente as células que detetam a luz na retina. Num olho saudável, essas células convertem os raios de luz em impulsos elétricos que enviam informações através do nervo ótico até ao cérebro, que classifica os sinais e os transforma em imagens. A RP atinge cerca de cem mil pessoas nos Estados Unidos, de acordo com dados da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles.
O Argus II destina-se a pessoas com 25 anos ou mais, diagnosticadas com RP severa. Precisam ter intacto o funcionamento da retina interna e ter tido a capacidade de perceber formas em alguma altura da sua vida. Além disso, os utilizadores devem assinar um termo de consentimento em que se comprometem a seguir as instruções e a reabilitação necessários após a realização do implante.
Para autorizar a comercialização do olho biónico, a FDA foi baseou-se num estudo clínico realizado com 30 pessoas entre 28 e 77 anos, com uma capacidade visual mínima. Os utentes foram capazes de distinguir entre o preto e o branco e os movimentos. Segundo a AFP, o Argus II estará brevemente disponível também em vários países europeus e custará 73 mil euros.

Fonte: Diário de Notícias