terça-feira, 2 de abril de 2013

Diabetes tipo 2 pode desencadear Alzheimer

A diabetes tipo 2 (a forma mais comum, especialmente nos países desenvolvidos) é um elevado factor de risco para o aparecimento da doença de Alzheimer. Esta é a principal conclusão de um estudo pioneiro desenvolvido pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular e da faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC), divulgou hoje a instituição em comunicado.
Os nove investigadores envolvidos no projeto partiram do pressuposto de alguns estudos, que indicam que os diabéticos têm mais probabilidades de desenvolver demências, para estudar a relação direta entre a diabetes tipo 2 e a doença de Alzheimer.
Durante três anos foram usados ratinhos diabéticos (a doença foi induzida por ingestão de sacarose) e manipulados geneticamente com a doença de Alzheimer. Os investigadores observaram que "as mitocôndricas (fábricas de energia do organismo) do cérebro destes animais apresentavam um alteração drástica da sua função, provocando uma défice energético e um aumento de stresse oxidativo", explica Paula Moreira, coordenadora do estudo.
Além disso, e tal como acontece no cérebro de quem tem Alzheimer, também os ratinhos diabéticos apresentavam um aumento dos níveis da proteína beta-amiloide que potencia a deposição das placas senis.
Para a coordenadora da investigação, que será publicada em maio no Journal of Alzheimer Diseases, as suas conclusões "além de permitirem conhecer melhor o porquê da diabetes tipo 2 ser um fator de risco para a doença de Alzheimer, assumem relevância para a identificação de estratégias profiláticas. A alteração de estilos de vida, como por exemplo, a adoção de uma dieta equilibrada e o combate ao sedentarismo faz toda a diferença na prevenção das patologias", pode ler-se no comunicado.

Fonte: Diário de Notícias

Estou de volta... :)

Após um período em que, por motivos pessoais e profissionais não pude dedicar-me ao blog, estou de volta. :)
Durante o dia de hoje vou voltar aos posts!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Uma semana de pouco sono perturba centenas de genes e essa mensagem fica-nos "gravada" no sangue

Não dormir as horas suficientes pode ter um impacto muito negativo na saúde - e agora começa a perceber-se porquê.
Sabe-se que quem tem por hábito não dormir um número suficiente de horas por dia aumenta os seus riscos de obesidade, doenças cardiovasculares e disfunções cognitivas. Mas os mecanismos subjacentes a esta relação sono/doença têm permanecido misteriosos. Hoje, um estudo com base em amostras de sangue humano, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere fortemente que, no ser humano, a falta crónica de sono começa por perturbar a actividade dos genes.
Em cada tecido do organismo, os genes apresentam padrões de actividade - ou "expressão" - diferentes e específicos do tecido em causa. Isso permite, a partir da uma mesma molécula de ADN, gerar a grande diversidade das células, das hepáticas às nervosas passando pelas sanguíneas. E a expressão de cada gene reflecte-se na quantidade dos vários tipos de moléculas de ARN (parecidas com o ADN) que são transcritas pela célula de forma a fabricar as proteínas de que ela precisa.
Experiências no ratinho já mostraram que tanto a falta de sono como o seu desfasamento no tempo alteram esse padrão de ARN, chamado "transcritoma", no fígado e no cérebro desses animais. E agora, para determinar o impacto da falta de sono no ser humano, Derk-Jan Djik e colegas, da Universidade de Surrey, no Reino Unido, analisaram o transcritoma do sangue de uma série de voluntários em função do número de horas que dormiam.
"Tanto quanto sabemos, somos os primeiros a ter investigado, no ser humano, os efeitos de um nível ecologicamente relevante de falta de sono sobre o transcritoma", disse Djik ao PÚBLICO. Os cientistas estudaram o transcritoma do sangue porque a sua recolha não é invasiva e porque fornece, argumentam, uma visão global do que está a acontecer.
Durante uma semana, 26 adultos dormiram menos de seis horas - e durante uma outra semana dormiram quase nove horas. No fim de cada semana de "tratamento", tiveram de ficar acordados durante 40 horas a fio, numa situação de privação total do sono - e foi durante esse período que foram efectuadas as colheitas de sangue, ao ritmo de uma de três em três horas. Diga-se ainda que as duas partes da experiência decorreram com um intervalo de dez dias.
A análise do ARN do sangue revelou claramente os efeitos da falta de sono sobre a actividade de... 711 genes! Por outro lado, a privação de sono levou a uma nítida queda - de 1855 para 1481 - do número de genes que possuíam naturalmente ritmos de actividade circadianos (isto é, que ao longo de cerca de 24 horas, em sintonia com a alternância do dia e da noite, viam a sua actividade passar por um mínimo e um máximo). E mesmo nos genes cuja actividade continuou diariamente a oscilar, a amplitude das oscilações foi mais pequena. Além disso: a privação total de sono alterou só por si a expressão de uma série de genes, mas o número dos genes alterados durante esse período foi sete vezes maior após uma semana de privação crónica do que depois de uma semana de sono normal: 856 contra 122.
Entre os genes afectados há genes implicados nos processos imunitários, inflamatórios, no metabolismo celular e na resposta das células ao stress oxidativo.
Se uma semana de sono curto surte estes efeitos, não é difícil imaginar as consequências para a saúde de uma vida com horas de sono a menos, noitadas, insónias - decorrentes da actividade profissional e social típica das sociedades modernas. Segundo os dados dos Centros de Prevenção e Controlo de Doenças norte-americanos, 30% da população adulta dos EUA (mais de 40 milhões de pessoas) dorme seis horas ou menos por dia. E em Portugal, a proporção poderá ser superior a 50%.
Agora, os cientistas querem saber "se as alterações [do transcritoma] variam com a idade e relacioná-las com as perturbações fisiológicas e hormonais da obesidade e das doenças cardiovasculares", diz Djik.

Fonte: Público

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ratos treinados para detetar minas terrestres

Nova técnica, mais simples e barata que as anteriores, tem dado resultados nas regiões em que está a ser utilizada. Os 'ratos-heróis' são treinados pela ONG belga Apopo, que investiga, desenvolve e implementa tecnologia de deteção por ratos para fins humanitários, como a remoção de minas.
As minas terrestres podem ficar enterradas durante décadas, mas o seu poder destrutivo não diminui com o passar do tempo. Segundo a Apopo, cerca de 66 países e 7 territórios pós-conflito ainda enfrentam o drama dessas armas perigosas. Uma situação que limita o desenvolvimento dessas regiões ao impedir a agricultura, limitar o acesso à água e restringir a circulação de pessoas.
Para combater o problema, a organização combina a tecnologia de desminagem já existente com o uso inovador dos seus Ratos de Deteção de Minas (MDR, sigla em inglês). No ano passado, 64 animais foram acreditados após passarem pelo centro de treinamento da instituição na Tanzânia. Ao todo já são 300 ratos gigantes africanos, espécie encontrada em grande parte do continente, capacitados para detetar as minas terrestres de forma rápida e eficaz.
Primeiro, ainda filhotes, os ratos são socializados para acostumarem-se com a interação com os humanos. Depois, são treinados e condicionados a associar um clique com o que estão a cheirar, explosivos, para ganhar uma recompensa, comida. Por último, eles aprendem a identificar a opção correta, entre três alternativas, quando ouvem o clique e ganham a recompensa quando acertam.
Veja o vídeo dos funcionários da Apopo a treinar os animais (em inglês):
A parte mais difícil do processo de desminagem é detetar os artefactos, centenas de milhões de dólares já foram gastos em investigações para melhorar a deteção de minas terrestres e salvar vidas. Além das técnicas manuais, com humanos a utilizar detetores de metais e cães treinados, diversos institutos científicos trabalharam no desenvolvimento de deteção por análise térmica, química e por lasers, durante as últimas décadas.
Utilizar essas tecnologias para limpar campos minados pode ser um processo muito lento e caro. "Pode-se gastar muito tempo e dinheiro para descobrir que não há nada. E é ai que esses animais são importantes. Os ratos são ferramentas muito rápidas para aumentar a confiança de que não há mais minas numa grande área", disse à BBC Guy Rhodes, do Centro Internacional para Desminagem Humanitária de Genebra.
Após décadas de conflitos, Moçambique é um dos países que mais sofre com as minas terrestres remanescentes. Em parceria com o Programa Nacional de Desminagem do país, em 2008, a organização tornou-se a operadora de desminagem responsável pela limpeza da província de Gaza, uma das mais afetadas pelo artefacto de guerra. Utilizando o novo método, a Apopo terminou o seu trabalho na região um ano antes do prazo, que terminaria em 2014, e agora o mesmo também será feito nas províncias de Manica, Sofala e Tete.
Segundo dados da entidade, 6.423.361 metros quadrados de campos minados foram devolvidos à população moçambicana. Os ratos-heróis, como ficaram conhecidos, encontraram 2.406 minas terrestres, 13.025 pequenas armas e munições e 992 bombas que foram neutralizadas e destruídas.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Poderia o nosso Universo acabar engolido por outro?

Há quem defenda que a recente determinação da massa do bosão de Higgs torna possível um cenário de destruição do Universo. Mas também há quem duvide...
"É possível que o Universo em que vivemos seja intrinsecamente instável e que, a dada altura, daqui a dezenas de milhares de milhões de anos, venha de repente a ser varrido sem deixar rasto", afirmou, em Boston, um físico teórico norte-americano, Joseph Lykken, do Fermilab (EUA). O cientista fez esta declaração aos jornalistas na segunda-feira, quase no fim do congresso anual da AAAS (American Association for the Advancement of Science), à margem da sua conferência sobre os mais recentes resultados acerca do bosão de Higgs, noticiou a Reuters.
O fim do Universo não constitui propriamente uma ameaça para nós ou o planeta, visto que a Terra terá desaparecido muito antes, quando o Sol esgotar o seu combustível, daqui a uns 4,5 mil milhões de anos. Porém, isso não tem impedido os especialistas de imaginar uma série de possíveis cenários. E embora o mais provável seja que a expansão e a diluição do Cosmos prossigam sem sobressaltos até nada dele ficar, existem teorias mais apocalípticas, entre as quais se inclui a que foi agora evocada por Lykken.
Lykken falou do fim do Universo no mesmo dia em que o LHC - o grande esmagador de protões do CERN, perto de Genebra, na Suíça, onde o bosão de Higgs foi descoberto no ano passado - fechou por dois anos para uma renovação de fundo. E de facto, a "profecia" deste cientista, que também faz parte da equipa do LHC, tem tudo a ver com a descoberta do Higgs, uma vez que a estimativa da massa desta partícula é hoje muito mais certeira. A massa do bosão de Higgs ronda, sabe-se agora, graças aos dados produzidos pelo LHC, os 126 GeV (giga-electrão-volts).
O bosão de Higgs era a única partícula que faltava detectar para completar o elenco previsto pelo chamado Modelo-Padrão - a teoria que actualmente melhor descreve o mundo das partículas elementares. Teorizado há cerca de 50 anos, o Higgs só existe materialmente durante brevíssimos instantes, quando é criado numa colisão de protões dentro do LHC. No entanto, desempenha um papel no mínimo fundamental: confere massa às outras partículas, sendo por isso directamente responsável pela existência da matéria tal como a observamos todos os dias - nas galáxias, nas estrelas e nos planetas, mas também em nós próprios e em todos as coisas que nos rodeiam.
Mas acontece que, conhecendo-se a massa do bosão de Higgs - e daí, o valor de todos os parâmetros do Modelo-Padrão -, torna-se possível utilizar esse modelo para "calcular" o destino do Universo. Foi o que motivou as declarações de Lykken: "Esse cálculo diz-nos que, daqui a muitas dezenas de milhares de milhões de anos, vai acontecer uma catástrofe", explicou o cientista. "Uma pequena bolha de algo a que poderíamos chamar de universo "alternativo" irá surgir algures, expandir-se e destruir-nos." O fenómeno, que segundo a teoria em causa se verifica ciclicamente devido à instabilidade inerente do vácuo (designado por isso de "falso vácuo") irá desenrolar-se à velocidade da luz, dando origem a outro Universo que nada terá a ver com o actual.
Mas qual é, na realidade, a probabilidade de que as coisas se passem efectivamente dessa maneira? Peter Woit, físico e matemático da Universidade de Columbia (Nova Iorque), acha que se trata de um cenário muito pouco realista. "Para acreditar que este cálculo reflecte a realidade", disse Woit ao PÚBLICO, "seria basicamente preciso acreditar que não existe uma nova física, ainda desconhecida, muito para além dos níveis de energia acessíveis ao LHC. E também seria preciso acreditar que o cálculo [de Lykken] não será afectado pela gravitação quântica, que não percebemos mas que sabemos deve tornar-se importante a níveis de energia muito elevados". É um facto que a generalidade dos físicos acha que o Modelo-Padrão é um modelo incompleto, que está longe de conseguir prever tudo.
"O cenário de que Lykken fala", diz ainda Woit, "deriva de uma extrapolação para níveis de energia milhões de milhões de vezes superiores a tudo o que somos capazes de medir, utilizando um cálculo que temos todas as razões de pensar não é fiável a esses níveis. Portanto, as pessoas podem ficar descansadas..."

Fonte: Público