terça-feira, 12 de maio de 2015

Desenvolvida após melhoramentos genéticos, 'supercana' visa energia

Ela é enorme -pode atingir seis metros de altura-, tem potencial para produzir 300 toneladas por hectare e representa uma nova era no setor sucroenergético.
A cana energia, ou "supercana", desenvolvida após melhoramentos genéticos, está em fase avançada de pesquisa e já gera novos desafios. Num setor em crise, a colheita da variedade irá demandar novos equipamentos ou adaptações nos atuais.
Desenvolvida nos últimos seis anos pelo Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), ela tem como principais características um alto índice de fibras e de biomassa, diferentemente da cana tradicional, que possui mais sacarose e é utilizada para produzir açúcar.
Daí ser chamada de cana energia, por ser mais própria para produzir energia elétrica ou etanol de segunda geração, a partir da palha e do bagaço da cana.
A previsão é que chegue ao mercado em três anos, de acordo com o pesquisador Mauro Xavier, do Centro de Cana.
Em relação à cana-de-açúcar comum, a diferença visual é clara: a "supercana" é mais grossa e chega a quase o triplo de altura -a tradicional atinge até 2,2 m. O rendimento também é muito maior, já que a convencional atinge a média de 80 toneladas por hectare.

Espécie selvagem
Para chegar à variedade, pesquisadores partiram de uma espécie selvagem. Foram feitos cruzamentos com canas tradicionais, e os "descendentes" foram selecionados até chegar ao material com esse perfil.
Se ela emplacar no mercado, um desafio será encontrar colheitadeiras e maquinário que tenham condições de cortá-la e levá-la até as usinas.
Uma possibilidade discutida é evitar que ela atinja a altura e peso máximos e, com isso, em vez de uma safra a cada 12 meses, poderia ser colhida em sete ou oito meses, com duas safras em 15 meses.
"É um grande desafio", afirma Xavier. A contratação de boias-frias para a "supercana" foi descartada pelo setor.
Embora tenha como foco a energia, ela até pode ser usada para fabricar açúcar, mas o rendimento será menor.
"É como colocar o Neymar, atacante, para jogar no gol. Nela, a sacarose não é tão essencial. O melhoramento teve como meta acumular biomassa rapidamente e elevar a fibra", afirma o pesquisador.

Ciência
A "supercana" é apenas uma das variedades desenvolvidas por órgãos como IAC, CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) e Ridesa (rede interuniversitária), além da gigante de biotecnologia Monsanto.
A ciência tem invadido cada vez mais os canaviais e, em 12 anos, foram liberadas no mercado mais de 90 plantas, algumas regionalizadas.
Com o avanço da mecanização, foram criadas variedades com capacidade de brotar sob a palha que é deixada pelas máquinas no solo após a colheita.
O CTC está focado em ampliar a produtividade e o teor de açúcar, com tolerância a doenças e para colheita mecanizada, de acordo com o gerente de melhoramento genético, Hugo Campos de Quiroz.
As variedades mais recentes foram feitas para o cerrado. "Precisam de boas condições climáticas e devem ser resistentes ao florescimento."
Arnaldo Jardim, secretário da Agricultura de São Paulo, afirmou que o foco das novas variedades -não só de cana-de-açúcar, mas também de culturas como algodão, milho e feijão- deve ser buscar resistência ao estresse hídrico, devido à seca histórica que atinge o Estado.
Apesar das opções, menos de dez variedades são as mais usadas, fato que precisa mudar, segundo Xavier. "Uma praga que dá em uma variedade pode não atingir outra."

Fonte: Folha de S. Paulo

domingo, 10 de maio de 2015

Misteriosos sinais rádio intrigavam cientistas há 17 anos... mas era só um micro-ondas

A instalação de um aparelho mais preciso permitiu perceber que o sinal de rádio que há tanto tempo interferia com as observações tinha uma origem muito mais próxima do que se pensava.
Em 1998, cientistas australianos detetaram um sinal estranho com um dos maiores radiotelescópios do país que não sabiam a que atribuir. 17 anos depois, graças a um equipamento mais preciso, descobriram a causa: o micro-ondas do observatório onde os membros da equipa aqueciam o almoço. Os cientistas publicaram um artigo científico em que explicam a descoberta.
Simon Johnston, dirigente do departamento de astrofísica da agência científica australiana CSIRO, contou ao jornal britânico The Guardian que os sinais, a que chamaram "perytons", foram detetados pela primeira vez em 1998. Os cientistas apercebiam-se que os sinais vinham de perto, ou seja, que a sua origem não estaria a muito mais do que cinco quilómetros do telescópio. Mas, por não perceberem do que se tratava, presumiam que pudessem vir da alta atmosfera, estando ligados, por exemplo, a relâmpagos.
Quando um novo aparelho foi instalado, dia 1 de janeiro deste ano, que permitia estudar melhor a interferência, repararam que os sinais que estavam a ser detetados tinham a "assinatura" de uma radiação micro-ondas. O micro-ondas das instalações do observatório era responsável, afinal, pela radiação que interferia com as observações do espaço, quando a porta era aberta antes que o ciclo de aquecimento tivesse terminado.
A interferência só surgia durante o dia, e só quando, por acaso, o telescópio estava apontado na direção do micro-ondas no momento em que este estava a ser aberto, o que explica que tenha levado tanto tempo até ser descoberto o problema.
Conforme relembra o jornal The Guardian, a interferência humana nas observações do espaço cria muitos problemas aos astrónomos, pelo que é importante saber identificar as fontes da interferência e explicar como surgiram. Este caso verificou-se no radiotelescópio de Parkes, um dos mais importantes na missão que levou o homem à Lua pela primeira vez.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 9 de maio de 2015

Detetadas quantidades de água em corpos celestes diferentes da Terra

O maior telescópio espacial apurou ainda que um grande número de planetas pode ter um volume de teor de água comparável ao da Terra.
O poderoso telescópio espacial europeu Herschel detetou enormes quantidades de água em diversos corpos celestes, incluindo numa estrela anã branca, o que reforça a convicção de existência de ambiente propício para formação de vida noutros planetas.
"Há muitas estrelas anãs brancas que detêm grandes quantidades de hidrogênio nos seus ambientes e esta nova descoberta sugere que os asteroides e cometas são ricos em água, são comuns em torno de outras estrelas que não o Sol", disse o astrónomo Boris Gänsicke, citado numa nota publicada na página da Universidade britânica de Warwick.
O maior telescópio espacial apurou ainda que um grande número de planetas pode, assim, ter um volume de teor de água comparável ao da Terra, pois a quantidade de água encontrada é equivalente a 30-35% do volume dos oceanos presentes na terra, de acordo com pesquisadores da Universidade de Warwick.
A pesquisa encontrou provas de inúmeros corpos planetários, incluindo asteroides e cometas, que contém grandes quantidades de água, que, provavelmente, terão chegado à Terra através destes corpos celestes que colidiram com a superfície terrestre.
"Muitos planetas podem conter um volume de água comparável à contida na Terra", afirmou Roberto Raddi, coautor do estudo publicado hoje pela Royal Astronomical Society, em Londres.
O cientista referiu que o aparecimento desta quantidade de água pode ter resultado do embate com asteroides ou cometas, nomeadamente o planeta Terra, "criando um ambiente propício" para a formação de condições para a vida.
Lançado em maio de 2009, o Herschel é o maior e o mais poderoso telescópio de infravermelhos já lançado no espaço e tem um espelho de 3,5 metros de diâmetro.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Células estaminais podem sofrer mutações e originar cancros

O investigador português Dinis Calado, do Francis Crick Institute, no Reino Unido, revelou que "vários tipos de cancro têm origem nestas células".
O investigador português Dinis Calado, do Francis Crick Institute, no Reino Unido, disse hoje no Porto que as células estaminais, fundamentais para a formação e manutenção dos nossos órgãos, podem sofrer mutações e originar vários tipos de cancro.
"Vários tipos de cancro têm origem nestas células, que por si só não têm uma capacidade proliferativa muito grande, mas que, devido a mutações que poderão ocorrer, perdem essa restrição e acabam por proliferar muito. O tumor é constituído por vários tipos de células e dentro desses grupos de células existirão algumas que têm uma capacidade percussora do tumor", explicou à Lusa o investigador.
Dinis Calado falava no âmbito do Porto Cancer Meeting, a decorrer até sexta-feira, no Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), sobre o tema "Células Estaminais e o Cancro".
"Tentar perceber como é que células estaminais normais funcionam talvez ajude a perceber como é que essas células cancerígenas que poderão ter características de células estaminais nos tumores poderão ser eliminadas. E, assim, fazer com que os tratamentos sejam mais eficazes", sublinhou.
Dinis Calado desenvolve investigação na área da genética em ratinhos, no The Francis Crick Institute.
"Tentamos modelar doenças cancerosas do foro sanguíneo, tais como leucemia e linfomas. Fazemos uma comparação de tumores entre espécies para tentar encontrar mutações que são conservadas de forma evolutiva. Apesar de sermos muito diferentes dos ratinhos, como é óbvio, a formação de cancros tem mutações que são idênticas. Às vezes, o que acontece em tumores humanos é que há muitas mutações e não sabemos quais as que devemos estudar. Então, uma comparação entre espécies diferentes poderá ajudar-nos a priorizar quais as mutações a estudar", explicou.
Com o tema "Células Estaminais e o Cancro", a XXIII edição do Porto Cancer Meeting reúne especialistas portugueses na área a trabalhar em centros de investigação nacionais, investigadores portugueses que estão no estrangeiro em centros de referência nesta matéria e ainda especialistas estrangeiros vindos de todo o mundo.
O principal objetivo é "conseguir juntar, num ambiente informal, vivo e cientificamente dinâmico, investigadores, estudantes e todos os que trabalham em cancro na discussão à volta de um tema chave do cancro. Aliás, tem sido hábito do Porto Cancer Meeting promover, durante e após a reunião, a interação entre grupos, criando as condições para novas colaborações, ou seja, aumentar as parcerias de investigação e a mobilidade de estudantes", salienta a organização.
Este ano, as comunicações centram-se na relevância das células e das características estaminais no cancro para a progressão tumoral, nomeadamente a sua agressividade, heterogeneidade e resistência à terapia.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O seu smartphone tem o segredo para uma maquilhagem perfeita?

Cada vez mais os utilizadores são confrontados com as mais variadas aplicações, agora até já pode obter ajuda a maquilhar-se através de uma app.
Esta aplicação serve para experimentar virtualmente truques de maquilhagem, usando o reconhecimento facial.
O Makeup Genius é uma proposta da L’Oreál Paris e está associada a alguns produtos, que podem ser vendidos através de um código de barras. Há ainda a opção de tirar uma selfie e compartilhar nas redes sociais, avança o TeK.
Esta app conta com a tecnologia aplicada no filme Benjamin Button, para a transformação de Brad Pitt. Já está disponível para smartphones e tablets.

Fonte: Notícias ao Minuto