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sábado, 18 de abril de 2015

Yoda num manuscrito do século XIV?

Yoda viveu "há muito tempo, numa galáxia muito, muito longínqua". Mas o mestre Jedi conseguiu pôr a internet a falar de um manuscrito medieval francês. Um monge medieval Yoda era?
O que faz o Yoda num manuscrito medieval do século XIV? Um curador da Biblioteca Nacional do Reino Unido "encontrou" o mestre Jedi da Guerra das Estrelas nas iluminuras de um livro de decretos do Papa Gregório IX e escreveu sobre ele num blogue da Biblioteca. Sendo A Guerra das Estrelas o fenómeno cultural que é, as semelhanças não passaram despercebidas e nunca se falou tanto do manuscrito conhecido como os Decretos de Smithfield.
Mas é mesmo o mestre Jedi que viveu "há muito tempo, numa galáxia muito, muito longínqua"? E há muito tempo podem ser 700 anos? "Adoraria dizer que que é realmente Yoda, ou que foi desenhado por um viajante do tempo medieval, mas é uma ilustração da história bíblica de Sansão - o artista tinha claramente uma imaginação vívida", explicou Julian Harrison à NPR.
O livro de decretos do Papa Gregório IX foi escrito entre 1300 e 1340, em latim. Foi nele que os historiadores Damien Kempf e Maria L. Gilbert, que publicaram recentemente um livro sobre monstros medievais, encontraram a figura de orelhas pontiagudas, "parecida com uma estrela de Hollywod".

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 3 de janeiro de 2015

Grande Buraco Azul ditou fim da civilização Maia

Novas análises aos minerais retirados da caverna submersa conhecida como o Grande Buraco Azul, no Belize, na América Central, revelaram algumas das causas para o fim da civilização Maia.
Os resultados do estudo, realizado por investigadores da Universidade de Rice, no Texas, EUA, corroboram uma teoria já existente: a de que uma grande seca teria levado ao desaparecimento da sociedade Maia.
Os investigadores recolheram amostras de sedimentos encontrados no Grande Buraco Azul e nos recifes de coral que existem na caverna.
Em entrevista ao site norte-americano «LiveScience», o geólogo Andre Droxler, da Universidade de Rice, explicou que a chuva corrói as rochas vulcânicas da região, que contêm titânio, que é então transportado até ao oceano. Por esse motivo, quantidades menores desse elemento nos sedimentos correspondem a períodos menos chuvosos.
A civilização maia dominou a península de Yucatán e o norte da América Central, onde atualmente ficam o sul do México, Belize, Guatemala e partes de Honduras e El Salvador. O que a análise dos sedimentos e dos corais mostrou foi que houve um período de seca extrema entre 800 d.C e 900 d.C, que coincide com o momento em que a civilização Maia começou a diminuir. A partir daí, os Maias entraram em declínio económico e cultural, perderam influência com a ascensão de outros povos e acabaram dominados pelos espanhóis. 
O grande círculo azul-escuro no meio do mar turquesa do Caribe costuma atrair mergulhadores e turistas de todo o mundo. Localizado na Barreira de Recifes Lighthouse, a cerca de 50 milhas a leste da cidade de Belize, o buraco é um círculo quase perfeito, de cerca de 300 metros de diâmetro e 125 metros de profundidade. É visível inclusive do Espaço, tendo sido captado por um satélite da NASA, em março de 2009.
No início dos anos 1970, o famoso oceanógrafo Jacques Cousteau explorou os túneis e as estalactites da caverna submersa. O Grande Buraco Azul é parte da Reserva de Barreiras de Recifes de Belize, que é Património da Humanidade.

Fonte: TVI24

sábado, 25 de outubro de 2014

Apple 1 de 1976 vendido por 713 mil euros

Um Apple 1 de 1976 era um dos itens do leilão da History Of Science, que decorreu esta quarta-feira, na leiloeira Bonhams, em Nova Iorque.
Um modelo do primeiro computador pessoal a ter sido vendido foi adquirido por uma licitação de 712.991 euros. As licitações começavam no 234 mil euros, mas a Bonhams estimava que chegase apenas aos 400 mil.
Os valores elevados devem-se ao computador estar em boas condições e sem alterações à condição original, ao contrário dos outros cinco modelos levados a venda pública nos últimos quatro anos.
Entre os outros objetos do leilão encontrava-se uma carta de Charles Darwin sobre a reprodução da cirripeira - um crustáceo marinho que inclui cracas e percebes - um desenho da matemática Ada Lovelace e um dos primeiros teclados eletrónicos, o Helmholtz Sound Synthesizer de 1905.

Fonte: Correio da Manhã

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pinturas rupestres descobertas pela primeira vez na Ásia

Investigadores indonésios e australianos descobriram numa gruta da ilha de Sula- wesi, na Indonésia, pinturas rupestres com cerca de 40 mil anos, que são as primeiras do género encontradas na Ásia. A descoberta, e a respetiva datação, que foram anunciadas hoje na revista científica Nature, põem em causa a atual visão da evolução humana naquele período, dizem os autores do artigo.
Pensava-se até agora que estas manifestações artísticas primordiais tinham nascido na Europa: a mais antiga conhecida, com 41 mil anos, é a pintura de uma roda vermelha na parede de uma gruta espanhola, em El Castillo. Por isso, foi com um enorme espanto que a equipa de Maxime Aubert, da Universidade Griffith, na Austrália, descobriu que as pinturas na gruta de Sulawesi têm sensivelmente a mesma idade. A mais antiga de entre todas, uma pintura de uma mão humana (como se vê nas fotos), tem os tais 40 mil anos.
"A arte rupestre é um dos primeiros indicadores de uma mente capaz de abstração", explica Thomas Sutkina, da Universidade de Wollongong, na Austrália, e um dos coautores do estudo, citado num comunicado da sua universidade. O surgimento desta manifestação artística ancestral pela primeira vez na Ásia, mostra que a sua emergência ali indica que essa capacidade não surgiu unicamente na Europa, mas, pelo menos, também na Ásia.
"É comum assumir que que a Europa foi o centro da explosão inicial da criatividade humana, sobretudo nesta faceta da arte rupestre, há cerca de 40 mil anos, mas as pinturas de Sulawesi revelam que nessa mesma altura, do outro lado do mundo, os seres humanos estavam a fazer pinturas de animais tão notáveis como as que encontramos em grutas de Espanha e de França", sublinha, por seu turno, Maxime Aubert.
A descoberta implica que a manipulação mental de conceitos abstratos, evidenciada na materialização das pinturas era, afinal, comum a diferentes comunidades humanas, mesmo quando separadas por milhares de quilómetros entre si. Os autores levantam, inclusivamente a hipótese de que os seres humanos já produzissem este tipo de manifestação artística em África, antes mesmo de iniciarem a sua diáspora para os outros continentes.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 6 de maio de 2014

Revelado "truque" usado pelos egípcios para construirem as pirâmides?

Continua a ser um dos mistérios: como conseguiram os egípcios construir as enormes pirâmides, numa época sem tecnologia. Existem algumas teorias - incluindo a que defende que os extraterrestres deram uma ajuda -, mas, afinal, a solução seria algo bem terrestre: um pouco de água.
Segundo os investigadores da universidade holandesa publicaram na revista 'Physical Review Letters', molhando com uma pequena quantidade de água a areia diminuiria a fricção, permitindo assim arrastar com a ajuda de uma espécie de trenó as enormes pedras ou as estátuas.
Não poderia ser em grande quantidade, senão a fricção seria mais complicada de lidar, assim como na areia seca (neste caso seria necessário estar constantemente a desviar a areia que impediria o trenó de se mover). Com este simples truque, os investigadores acreditam que era possível reduzir para metade o número de homens necessários para puxar as pedras.
No túmulo de Djehutihotep foi encontrado um desenho que parece mostrar uma pessoa com água a abrir caminho para a deslocação de um trenó, ainda que seja uma interpretação que não é consensual.
Daniel Bonn, um dos oito investigadores envolvidos na descoberta, explicou ao 'The Washington Post' que alguns estudiosos de Egiptologia "têm vindo a interpretar a água como parte de um ritual de purificação e nunca procuraram uma explicação científica". Bonn defende que "os egípcios estavam provavelmente cientes deste truque útil".

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 28 de abril de 2013

Descoberta arqueológica trouxe uma nova tese para a origem dos maias

Arqueólogos descobriram num sítio maia, na Guatemala, a estrutura arquitectónica mais antiga da que é a marca de água das futuras cidades maias, as praças e as pirâmides.
A questão é sobre pirâmides e cerimónias, mas é principalmente sobre origens. Viaje-se no tempo e no espaço até à América Central, na actual região da Guatemala, ao ano 1000 a.C.. Estava-se então no início daquilo a que os arqueólogos chamam "período pré-clássico médio". Naquela região existia uma constelação de povoações. As famílias, depois de séculos a viverem da agricultura, agregaram-se em grupos mais complexos onde as classes sociais começaram a germinar. No meio desta efervescência, nasceram as primeiras praças e pirâmides, que mais tarde seriam a marca de água das cidades-estado da cultura maia. Os arqueólogos descobriram agora no local arqueológico maia de Ceibal que estas estruturas nasceram dois séculos mais cedo do que se conhecia, revela um artigo publicado na Science.
Estas praças e pirâmides fazem parte de um complexo construído em conjunto e são expressões arquitectónicas de uma mudança social que existiu, por esta altura, desde o Sul da Guatemala até ao golfo do México. Já se sabia que o aparecimento da civilização maia como a conhecemos esteve ligada a este desenvolvimento, mas os autores defendem no artigo que os maias participaram nessa mudança regional. "Há esta ideia da origem da civilização maia como um acontecimento interno e isolado, e há esta outra ideia de que foi uma influência externa que desencadeou a complexidade social da civilização maia. Agora, estamos a pensar que o que se passou não é nem preto nem branco", diz Victor Castillo, um dos autores do artigo que pertence à Faculdade de Antropologia na Universidade de Arizona, nos Estados Unidos.
Foi no período clássico, entre 250 e 900 d.C., que as cidades mais espectaculares da civilização maia prosperaram, como Tikal, situada a norte de Ceibal, já no início da península de Iucatão. Mas, durante os séculos anteriores, verificou-se a ascensão e a queda de cidades e de outras civilizações como a olmeca, que é outra das personagens desta história.
A civilização olmeca englobava cidades situadas na costa do golfo do México, centenas de quilómetros a norte de Ceibal. Centros como o de San Lorenzo, no istmo de Tehuantepec, atingiram o auge antes de 1200 a.C.. Mas as prospecções arqueológicas feitas até hoje ainda não revelaram em San Lorenzo as estruturas arquitectónicas de praças e pirâmides que se tornaram depois presentes nos maias. Contudo, La Venta, o grande centro olmeca que floresceu por volta dos 800 anos a.C., após o esvaziamento de San Lorenzo, já apresentava estes complexos.
Os académicos sempre debateram a influência dos olmecas no desenvolvimento da sociedade maia das terras baixas [no Norte da Guatemala e na península de Iutacão]", lê-se no artigo da Science. "Alguns viam-nos como a cultura-mãe: a fonte de todas as inovações culturais, a partir de onde as artes e o sistema centralizado de política se espalharam para os maias e para outros grupos na América Central."
Há, contudo, quem defenda que os grupos maias que se estavam a desenvolver a sul eram pouco influenciados pelos olmecas e que estariam mais ou menos isolados. Mas a existência das praças e pirâmides em La Venta é um forte argumento a favor da força dos olmecas como cultura-mãe. Só que o novo trabalho põe em causa a tese de que os olmecas serviram de inspiração à cultura dos maias.
Takeshi Inomata, da mesma universidade de Victor Castillo, e outros colegas que trabalham nos Estados Unidos e no Japão fizeram prospecções arqueológicas em algumas estruturas de Ceibal, que fica na Guatemala, na fronteira sul da província de Petén, e descobriram que no ano 1000 a.C. já existiam estes complexos cerimoniais, apesar de serem muito menos sofisticados e grandes. As estruturas mais antigas de pirâmides e praças que se conheciam na cidade olmeca de La Venta eram 200 anos mais novas do que estas.
"O principal complexo em Ceibal é feito por uma praça, a oeste dela está uma plataforma ou pirâmide e, a leste, está um monte [aplanado]", explica Inomata. "Esta estrutura é genericamente conhecida por 'Estrutura do Grupo E', e pode-se encontrar por todo o Sul da América Central", acrescenta.
Os autores defendem que as pirâmides e praças de La Venta, datadas dois séculos mais tarde do que as que agora foram descobertas em Ceibal, pertencem ao mesmo tipo de estruturas. "Provavelmente, os seus usos eram similares", defende Inomata. "Os rituais eram muito importantes para estas civilizações, e há uma série de depósitos associados a rituais na praça de Ceibal. Encontraram-se machados feitos de jade, que eram depositados como uma espécie de oferta", descreve.
Portanto, esta novidade põe em causa o lugar dos olmecas na cultura maia. “Há uma mudança social profunda a acontecer desde as terras baixas dos maias, passando pela região de Chiapas [região no Sul do México, junto ao Pacífico, colada à Guatemala] até ao sul do golfo do México”, argumenta o investigador. "Esta nova ordem social não emergiu só de um centro, como o do golfo do México dos olmecas, mas através de muitas interacções entre diversos grupos, incluindo os maias."  

Fonte: Público

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Afinal já existiram hobbits!

O homem (na verdade, a mulher) das Flores já tem um rosto.
Espécie que viveu até há 12 mil anos, numa ilha da Indonésia, era tão pequena que os cientistas chamaram hobbits aos seus membros. Afinal, as criaturas imaginadas por Tolkien em O Senhor dos Anéis até existiram.
Não é propriamente o que se chamaria uma mulher bonita, mas as suas feições eram, sem dúvida, distintivas. Palavras da antropóloga australiana Susan Hayes, depois de ter revelado ao mundo como era o rosto de uma mulher que viveu há 18 mil anos na ilha indonésia das Flores, naquela que é a primeira reconstrução facial de uma pessoa desta espécie de humanos.
A história da descoberta desta espécie, com quase uma década, lançou muita confusão na árvore evolutiva humana, já de si complexa. Em Agosto de 2003, uma equipa de cientistas australianos e indonésios encontrou o fóssil de uma mulher, incluindo o crânio, na gruta de Liang Bua. No ano seguinte, na revista Nature, a equipa anunciava a descoberta e defendia tratar-se de uma nova espécie de humanos. E eis que começava a controvérsia: antes de mais, porque até essa altura estávamos convencidos de que há muito mais tempo éramos os únicos humanos que restavam no planeta.
Na viagem evolutiva dos humanos, os neandertais eram até aí considerados os nossos últimos companheiros. Desapareceram há cerca de 28 mil anos, tendo a Península Ibérica como último refúgio, depois de terem vivido por toda a Europa.
Mas o fóssil da mulher com 18 mil anos, o primeiro exemplar descoberto, serviu de referência para identificar a nova espécie. O Homo floresiensis, ou homem das Flores, teria surgido há cerca de 95 mil anos e a sua existência ter-se-ia prolongado até há 12 mil anos, quando desapareceu e, aí sim, nos deixou sozinhos, como espécie humana, na Terra.
Como a mulher já era adulta, isso mostrava que aqueles humanos teriam apenas um metro de altura e 25 quilos. Por serem tão pequenos, os cientistas pensaram nas criaturas minúsculas do mundo imaginado por J. R. R. Tolkien em O Hobbit e na trilogia O Senhor dos Anéis, a ponto de considerarem chamar-lhe Homo hobbitus, em vez de Homo floresiensis.
Além da sua coexistência tardia com a nossa espécie, o Homo sapiens, os hobbits reais das Flores eram polémicos precisamente devido ao crânio muito pequeno. Isso implicava uma capacidade craniana de apenas 380 centímetros cúbicos, idêntica à dos chimpanzés.

Uma aproximação
Seriam então uma espécie nova ou apenas indivíduos doentes da nossa própria espécie? Referindo-se a esta última hipótese, houve cientistas que avançaram que o homem das Flores sofria de microcefalia, uma patologia caracterizada por um crânio e um cérebro muito pequenos e deficiências mentais. Outra hipótese considerava os hobbits como Homo sapiens pigmeus, pois ainda hoje vivem nas Flores populações de baixa estatura.
Mas, para a equipa que escavou e estudou os fósseis do Homo floresiensis, coordenada pelo arqueólogo Mike Morwood, da Universidade de Nova Inglaterra, na Austrália, uma das provas de que era uma espécie distinta estava na ausência de queixo. Só a nossa espécie tem queixo.
Vários estudos têm reforçado a tese de que o homem das Flores era uma espécie distinta, baseando-se, por exemplo, na comparação da forma do seu cérebro com o de indivíduos microcéfalos e saudáveis da nossa espécie e ainda na análise dos ossos do pulso. O seu lugar na árvore evolutiva e que relação tinha connosco é que continuam por determinar.
Só que, até agora, nunca tínhamos visto uma reconstrução da cara do homem das Flores – ou melhor, da mulher das Flores –, porque só o primeiro exemplar descoberto tem o crânio completo, embora tenham entretanto sido encontrados fragmentos de vários indivíduos.
Especialista em reconstrução facial, Susan Hayes, da Universidade de Wollongong, na Austrália, deu agora um rosto à mulher das Flores, moldando músculos e gordura sobre uma réplica do crânio. Assim, a cara foi ganhando "carne" e o resultado foi divulgado numa conferência de Arqueologia na Universidade de Wollongong, numa altura em que, por todo o mundo, também se tem estreado o filme O Hobbit: Uma Viagem Inesperada.
Maçãs do rosto proeminentes e um nariz largo são algumas surpresas, refere um comunicado da universidade australiana. Perante o resultado, Susan Hayes reconheceu então que a mulher não seria uma beldade. "Não diríamos que era bonita, mas era seguramente distintiva."
Como é que a antropóloga sabia que espessura de tecidos moles pôr no rosto dos hobbits, uma vez que não existem dados específicos para essa população desaparecida? Susan Hayes responde ao PÚBLICO que usou dados existentes para a população mundial com as espessuras médias dos tecidos moles: "São aplicáveis a todas as populações e baseiam-se num grande conjunto de dados, por isso são muito fidedignas. Para o Homo floresiensis, usei um subconjunto destes dados, uma vez que o crânio dela é muito pequeno."
E o que traz de novo a reconstrução do rosto desta mulher? Traz algumas provas sobre a aparência de outros humanos, diz Susan Hayes. "Mas, tal como toda a ciência, os resultados do trabalho baseiam-se no que sabemos hoje sobre o crânio, sobre a sua relação com os tecidos moles e a população em questão. Como todo o meu trabalho, é sempre uma aproximação."
Num comentário ao trabalho, Darren Curnoe, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, disse que o rosto é mais moderno do que esperava. "Os ossos parecem-se um pouco como os dos pré-humanos que viveram há dois ou três milhões de anos, mas, com esta reconstrução, vê-se como são surpreendentemente modernos", disse o especialista em evolução humana. "É interessante ver uma nova abordagem baseada na ciência forense, que pode melhorar a compreensão de como era o aspecto do Homo floresiensis. Até agora, vimos interpretações artísticas, muito bonitas, mas esta dá-nos uma visão mais científica e rigorosa do aspecto do hobbit."

Fonte: Público

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A Peste Negra medieval não foi primeira pandemia de peste bubónica

Análise de ADN revela que a doença que dizimou a população europeia entre os séculos VI e VIII d.C. era de uma forma ancestral da peste bubónica.
Há muito que os historiadores suspeitavam de que a “praga de Justiniano” – uma doença altamente contagiosa que, entre os anos de 541 e 750 da nossa era, matou mais de metade da população europeia e contribuiu para a queda do Império Romano do Oriente – era, na realidade, a peste bubónica. Só que, até aqui, não existiam dados científicos que corroborassem esta hipótese.
Nada permitia afirmar que a mortal doença se manifestara de forma pandémica na Europa antes da Idade Média, sendo portanto a Peste Negra – que matou mais de 100 milhões de pessoas entre 1347 e 1351 e de cujas consequências a Europa demorou 150 anos a recuperar – a deter o estatuto de primeira pandemia oficial de peste bubónica.
Mas a partir de agora há provas concretas: uma equipa internacional de cientistas acaba de acrescentar um novo “ramo” à “árvore genealógica” genética da bactéria responsável pela peste bubónica, a Yersinia pestis. E a conclusão é a de que, afinal, terá efectivamente havido uma pandemia de peste bubónica vários séculos mais cedo, que terá começado quando o imperador Justiniano I ainda reinava em Constantinopla.
Johannes Krause, da Universidade de Tübingen (Alemanha), e colegas, que em 2011 tinham reconstituído o genoma completo da estirpe da Yersinia pestis responsável pela pandemia de Peste Negra, compararam agora este ADN bacteriano ancestral com o de 311 estirpes modernas da bactéria da peste bubónica. Os seus resultados foram publicados na revista online de acesso livre PLoS One.
Segundo explica um comunicado daquela universidade, os cientistas confirmaram resultados já obtidos no ano passado, mostrando que 275 dessas estirpes modernas descendem efectivamente da bactéria medieval. Mas, desta vez, também identificaram 11 estirpes modernas que divergiram das outras, formando um novo “ramo” da árvore, entre os séculos VII e X. Isto sugere que terá havido, já naquela altura, que coincide grosso modo com a praga de Justiniano, um surto devastador de peste bubónica.
“A nossa nova análise indica que a peste bubónica poderá ter sido um assassino em massa já no fim do Império Romano”, diz Krause, citado pelo mesmo comunicado. “A praga de Justiniano parece ser a que corresponde melhor a esta pandemia mais antiga.”

Fonte: Público

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Múmia mais famosa do Museu Britânico foi assassinada

A mais famosa múmia do Museu Britânico, de nome Ginger, batizada assim devido ao cabelo vermelho, morreu devido a uma facada nas costas, revelaram exames médicos realizados através de tecnologia 3D.Os visitantes do Museu podem ver o corpo da múmia por dentro através de "scans".
A múmia Ginger (ou Homem de Gebelein) com 5500 anos, que está depositada no Museu Britânico, em Londres, e em exposição há mais de 100 anos, foi um jovem rapaz que morreu devido a uma facada nas costas, revela agora uma nova investigação.
Os médicos legistas que estudaram o corpo da múmia através de uma "autópsia virtual" concluíram que o rapaz foi assassinado de forma violenta.
Daniel Antoine, especialista do Museu restos humanos, explicou ao jornal The Times que "a escápula esquerda está ligeiramente danificada. Mas pode ver-se que a costela imediatamente sob a escápula foi destruída de tal forma que dividiu o tecido em dois. E isso revela que foi utilizada imensa força, atingindo provavelmente o pulmão (retirado no ritual da mumificação).
Os exames revelaram também que Ginger era um jovem com idade entre 18 e 20 anos e impressionantemente musculoso. Antoine acredita que devido à falta de feridas defensivas, Ginger foi alvo de um ataque surpresa.
O Homem de Gebelein é a segunda atração do Museu Britânico depois da Pedra da Rossetta.
A partir de hoje os visitantes podem usar uma tela interativa, e apenas com um toque olhar para dentro do corpo da múmia no sentido de apurar se existem outras pistas sobre a sua morte.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lucy, a australopiteca, ainda trepava às árvores

É um caso de omoplatas. Num dado momento, os antepassados do homem deixaram de vez as árvores e caminharam. Os antropólogos sabem que os membros e os ossos destes hominíneos acompanharam esta transição. Agora, um estudo, publicado nesta sexta-feira na edição em papel da revista Science, analisou as omoplatas de um fóssil de Australopithecus afarensis juvenil e mostra que a espécie da famosa Lucy, conhecida pelo seu caminhar já erecto, também se sentia confortável a trepar às árvores.
Estamos habituados a ver bonecos da Lucy de pé. O fóssil encontrado em 1974 foi um marco na paleoantropologia por ser o hominíneo mais antigo descoberto até então.
Lucy viveu há 3,2 milhões de anos no Leste africano. Pensa-se que morreu adulta. Era capaz de caminhar com um à-vontade que hoje só nós temos. A forma dos ossos das pernas de Lucy e pegadas fossilizadas com 3,6 milhões de anos, que poderão pertencer também ao Australopithecus afarensis, dão indicações de que esta espécie seria bípede.
Mas o fóssil de uma australopiteca só com três anos, estudado por David Green, da Universidade de Midwestern, EUA, obriga a mudar a forma de pensar a locomoção do Australopithecus afarensis.
Selam, nome que lhe deram, foi encontrada na Etiópia, em 2000, e tem 3,3 milhões de anos. É o esqueleto mais completo de sempre de um de Australopithecus afarensis. E, pela primeira vez, os cientistas conseguiram estudar uma omoplata completa de um indivíduo desta espécie.
Green e um colega analisaram o desenvolvimento da forma da omoplata entre este juvenil e da omoplata que se pensa que os adultos desta espécie tinham. Compararam este desenvolvimento com o que acontece nos chimpanzés, gorilas e na nossa espécie, concluindo que era mais parecido com os símios. “Apesar de ser bípede como os humanos, o Australopithecus afarensis ainda era um bom trepador de árvores”, diz Green, acrescentando que mesmo “não sendo completamente humano, estava a caminho disso”.

Fonte: Público

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Será que Jesus era casado?


Um pedaço de um papiro escrito no século IV em copta (a língua dos antigos cristãos egípcios) inclui as palavras "Jesus disse-lhes, a minha mulher". A descoberta deverá relançar o debate sobre se Jesus era ou não casado.
A existência do fragmento - não muito maior do que um cartão de visita - foi divulgada numa conferência em Roma por Karen King, professora na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts. A professora baptizou o documento como "o evangelho da mulher de Jesus".
"A tradição cristã há muito defende que Jesus não era casado, apesar de existirem provas históricas fidedignas que apoiam essa teoria", disse King, num comunicado revelado pela universidade. "Este novo evangelho não prova que Jesus era casado, mas diz-nos que o tema só surgiu como parte de um intenso debate sobre sexualidade e casamento", acrescenta.
"Desde o início, os cristãos discordavam sobre se era melhor não casar, mas só um século após a morte de Jesus começaram a recorrer ao estatuto marital de Jesus para defender as suas posições", indicou. Só a partir de 200 d.C. é que começaram a surgir indicações, através de um teólogo conhecido como Clement de Alexandria, de que Jesus não era casado. "Este fragmento sugere que outros cristãos do mesmo período defendiam que era casado", concluiu.
Apesar da insistência da Igreja Católica de que Jesus não era casado, a ideia reaparece com alguma frequência. A última vez, com a publicação em 2003 de "O Código Da Vinci", o best-seller escrito por Dan Brown, que irritou muitos cristãos por se basear na ideia de que Jesus era casado com Maria Madalena e tinha filhos.
Os peritos acreditam que o novo evangelho é autêntico, sendo contudo necessário realizar mais testes. O fragmento, propriedade de um colecionador privado que pediu a King ajuda na tradução e análise, terá sido descoberto no Egito ou talvez na Síria.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 12 de agosto de 2012

Maias já tinham perus domésticos há 2000 anos

Ossos de perus encontrados na década de 1980 em El Mirador, uma cidade da antiga civilização maia, na Guatemala, deixaram pasmados uma equipa de cientistas. As aves pertenciam à espécie domesticada e terão sido transportadas ao longo de centenas de quilómetros. Nada disto seria uma surpresa se a datação dos ossos não obrigasse a recuar em mil anos a data do uso mais antigo de perus domésticos pelos maias, diz agora um artigo na revista Public Library of Science One (PLoS One).
A carne de peru está à venda em qualquer supermercado. Mas, ao contrário da galinha ou do coelho, que foram domesticados deste lado do Atlântico, aquela espécie foi trazida do Novo Mundo. Original do México, era das poucas espécies domesticadas pelos povos mesoamericanos, onde há vestígios arqueológicos seus entre 800 e 100 anos a.C.
Mas pensava-se que os maias só tinham começado a criar o peru muito depois - trazido da região do México -, entre 1000 e 1500 d.C. Até lá, os perus usados para comer ou sacrificar seriam de uma espécie selvagem da península de Iucatão.
Os vestígios dos fósseis de sete indivíduos estavam num museu em Brigham, no Utah, EUA, até serem enviados para Erin Thornton, do Museu de História Natural da Florida para serem estudados. "Estes ossos vieram do recinto de cerimónias, por isso provavelmente são restos de algum tipo de sacrifício feito por elites, ou de uma refeição ou festim", disse Thornton, co-autora do artigo.
Os ossos datam de 300 a.C. a 100 d.C., durante o período pré-clássico maia em que El Mirador era uma potência. Pela morfologia e genética, concluiu-se que os ossos eram da espécie domesticada. Por isso, os perus tiveram de ser transportados ao longo de 650 quilómetros. Os ossos eram de fêmeas, machos e crias, o que permite fazer criação, e os indivíduos tinham asas subdesenvolvidas, um sinal de domesticação. Não se sabe se estes perus foram criados ali ou transportados, mas a descoberta obriga a repensar a alimentação e o comércio dos maias.

Fonte: Público

sábado, 9 de junho de 2012

Descoberta a pérola mais antiga do mundo

No Golfo Pérsico, em tempos pré-históricos, estes objetos eram apreciados e faziam parte de rituais funerários
Arqueólogos franceses descobriram a pérola fina mais antiga de que há conhecimento, 7500 anos, fazendo recuar em 2500 anos a antiguidade deste tipo de objeto. A descoberta foi efetuada a escavação de uma povoação neolítica, nos atuais Emirados Árabes Unidos, em Umm al-Quwain, na costa do Golfo Pérsico.
A demonstração da antiguidade foi feita através de datação por Carbono 14. A pérola mais antiga do mundo, até agora, datava de 3000 anos antes da nossa Era e fora encontrada numa povoação pré-histórica no Japão. Os arqueólogos afirmam que a pérola de Umm al-Quwain estava na sepultura de um indivíduo e tinha clara ligação a ritos funerários.
Segundo os cientistas, a prática de pesca das ostras produtoras de pérolas é pré-histórica no Golfo Pérsico e Oceano Índico e fazia parte da identidade cultural da região. Em outros locais, foram encontradas pérolas colocadas sobre o rosto dos defuntos, nomeadamente sobre o lábio superior.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Barba de Napoleão mostra que ele era caucasiano



Investigadores compararam ADN do imperador com o de um descendente do seu irmão Jerónimo.

Ao contrário do que se especulava até agora, as raízes de Napoleão Bonaparte não eram árabes mas estavam bem firmadas na população caucasiana europeia. A conclusão é de um grupo de investigadores coordenado pelo francês Gérard Lucotte, do Instituto Molecular de Antropologia, de Paris, que analisou dois pelos da barba do imperador e publicou os seus resultados no Journal of Molecular Biology Research de dezembro.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ferramentas ancestrais comuns a África e Arábia

Culturalmente falando, os antigos africanos do leste estavam a uma curta distância do sul da Arábia. Ferramentas de pedra recolhidas em vários locais ao longo de uma região em Omã, com cerca de 106.000 anos, assemelham-se a ferramentas de corte alongadas com sensivelmente a mesma idade e que foram anteriormente encontradas em locais do Leste Africano, diz o arqueólogo Jeffrey Rose, da Universidade de Birmingham, Inglaterra, e os seus colegas. As novas descobertas também incluem núcleos - ou rochas a partir das quais as ferramentas eram criadas batendo com um martelo de pedra - que correspondem a espécimes do Leste Africano, de acordo com um artigo publicado na revista PLoS ONE.
Os locais do Leste Africano, dos quais eram provenientes esses artefactos de pedra, estendem-se para o sul ao longo do rio Nilo para o Corno de África.
"Na montanha de artigos que especulam sobre a dispersão humana a partir de África, uma ligação entre o sul da Arábia e o Vale do Nilo nunca foi considerada", diz Rose.
Ou os africanos cruzaram o Mar Vermelho e caminharam para o sul da Arábia bem antes do êxodo Africano de há cerca de 60.000 anos atrás, ou o povo antigo da Arábia fazia ferramentas influenciado pelos Africanos, sugerem os cientistas.
"As descobertas em Omã são bastante espetaculares", comenta o arqueólogo Michael Petraglia, da Universidade de Oxford, Inglaterra. "Eles têm uma data que é inferior à de artefactos similares Africanos, o que poderia implicar uma migração de volta à África, ou pelo menos um fluxo entre as populações Africana e Árabe."
Embora não tenham sido descobertos fósseis humanos nesse local da Arábia ou em locais Africanos relacionados através das ferramentas, ossos de Homo sapiens comcerca de 195.000 anos foram encontrados na África Oriental.
Não está claro se os ferramenteiros antigos de Omã continuaram na direção leste para o sul da Ásia ou ficaram onde estavam. O seu estilo distinto de fazer ferramentas não aparece em locais indianos datados de cerca de 74.000 anos atrás, diz Petraglia.
Rose vê semelhanças entre as ferramentas de pedra de Omã e outras com cerca de 50.000 anos de idade e outras descobertas em torno de Israel. Ele especula que as chuvas abundantes entre 60.000 e 50.000 anos atrás tornaram a parte interna da Arábia habitável e habilitado as pessoas do sul da Arábia para se espalharem para norte influenciando as técnicas de fabricação de ferramentas.
As novas descobertas em Omã estão de acordo com evidências que revelaram que seres humanos pessoas chegaram à costa leste da Arábia há 125 mil anos atrás e a à área interior norte há 75 mil anos atrás.
Pelo menos dois grupos humanos da Idade da Pedra culturalmente distintos habitaram a Arábia, suspeita Rose: um no sul e outra no norte e leste. Curiosamente, os estudos de DNA indicam que as pessoas se cruzaram com os neandertais logo após deixarem África. Uma idade do gelo entre 75.000 e 50.000 anos atrás pode ter motivado as pessoas e os neandertais a deslocarem-se para a Arábia, que ainda tinha fontes de água, e foi lá onde o cruzamento provavelmente ocorreu, sugere Rose.
As ferramentas de pedra encontradas em Omã, e as encontradas em outros dois locais da Arábia que foram habitadas por H. sapiens, mostram algumas semelhanças, na opinião de Petraglia. "Isso deve significar que a história da migração e sobrevivência, e as dispersões para fora de Africa, são muito mais complexas do que imaginamos", diz ele.
Fonte: Science News

domingo, 25 de dezembro de 2011

Pontos de registo do paleoclima apontam para potenciais mudanças climáticas rápidas

Novas pesquisas sobre a história do paleoclima da Terra, efetuadas pelo director do NASA Goddard Institute for Space Studies, James E. Hansen, sugerem um potencial para mudanças rápidas do clima neste século, incluindo elevação do nível do mar de múltiplos metros, se o aquecimento global não for diminuido. Olhando como o clima da Terra respondeu a antigas alterações naturais, Hansen procurou a resposta para uma questão fundamental levantada pela mudança climática em curso causada pelo homem: "Qual é o nível perigoso do aquecimento global?" Alguns líderes internacionais têm sugerido uma meta ao limitar o aquecimento a 2ºC a partir de tempos pré-industriais, a fim de evitar uma mudança catastrófica. Mas Hansen disse numa conferência de imprensa numa reunião da União Geofísica Americana em San Francisco, que o aquecimento de 2ºC levaria a mudanças drásticas, como a perda significativa de gelo na Gronelândia e na Antártida.
Com base no trabalho de análise da temperatura efectuado por Hansen, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, a temperatura da superfície da Terra média global já subiu 0,8ºC desde 1880, e agora está a aquecer à taxa de mais de 0,1ºC em cada década. Este aquecimento é, em grande parte, impulsionado pelos gases de efeito de estufa que aumentaram na atmosfera, principalmente dióxido de carbono, emitido pela queima de combustíveis fósseis em centrais de energia, nos carros e na indústria. No ritmo atual de queima de combustíveis fósseis, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera duplicou desde os tempos pré-industriais até meados deste século. A duplicação do dióxido de carbono provocará um eventual aquecimento de vários graus, disse Hansen.
Numa pesquisa recente, Hansen e o co-autor Makiko Sato, também do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, compararam o clima de hoje, o Holoceno, com épocas "interglaciais" anteriores - os períodos em que as calotas polares existiam, mas o mundo não estava coberto por glaciares. Através do estudo de núcleos perfurados tanto de folhas de gelo como de sedimentos oceânicos profundos, Hansen descobriu que a temperatura média global durante o período Eemiano, que começou há cerca de 130.000 anos atrás e durou cerca de 15 mil anos, era menos de 1ºC mais quente que a atual. Se as temperaturas subissem 2ºC acima do nível pré-industrial, a temperatura média global seria muito superior à do Eemiano, quando o nível do mar estava 4-6 metros mais elevado do que hoje, disse Hansen.
"O registo do paleoclima revela um clima mais sensível do que se pensava. Limitar o aquecimento causado pelo homem a 2ºC não é suficiente", disse Hansen. "Seria uma receita para o desastre."
Hansen concentrou grande parte do seu novo trabalho sobre a forma como as regiões polares e em particular as camadas de gelo da Antártida e da Gronelândia vão reagir a um mundo em aquecimento.
2ºC de aquecimento na Terra seria muito mais quente do que durante o Eemiano, e moveria a Terra para condições mais semelhante às do Plioceno, quando o nível do mar estava na faixa de 25 metros mais alto do que hoje, disse Hansen. Ao usar a história do clima da terra para saber mais sobre o nível de sensibilidade que governa a resposta do nosso planeta ao aquecimento de hoje, Hansen disse que o registo do paleoclima sugere que cada grau Celsius de aumento da temperatura global, em última análise equivale a 20 metros de elevação do nível do mar. No entanto, o aumento do nível do mar devido à perda de gelo seria esperado ocorrer ao longo de séculos, e grandes incertezas permanecem na previsão de como é que a perda de gelo vai ocorrer.
Hansen observa que a desintegração de folhas de gelo não será um processo linear. Essa deterioração não-linear já foi vista em lugares vulneráveis, tais como Pine Island Glacier no Oeste da Antártida, onde a taxa de perda de massa de gelo continuou a acelerar durante a última década. Dados da NASA's Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) apontam para uma taxa de perda de massa de gelo na Gronelândia e na Antártica Ocidental, que duplica a cada dez anos. O registo GRACE é muito curto para confirmar isso com grande certeza. No entanto, a tendência nos últimos anos não a descarta, disse Hansen. Esta taxa de perda de gelo contínua poderá causar vários metros de elevação do nível do mar até 2100, disse Hansen.
O gelo e núcleos de sedimentos oceânicos das regiões polares indicam que as temperaturas nos pólos durante as épocas anteriores - quando o nível do mar estava dezenas de metros mais elevado - não estão muito longe das que a Terra pode atingir neste século.
"Nós não temos uma margem substancial entre o clima de hoje e o aquecimento perigoso", disse Hansen. "A Terra está prestes a experimentar fortes feedbacks de ampliação em resposta ao aquecimento global adicional."
Considerações detalhadas sobre um alvo novo do aquecimento e como se chega lá estão para lá do âmbito desta pesquisa, disse Hansen. Mas esta pesquisa é consistente com os resultados anteriores de Hansen, que revelavam que a emissão de dióxido de carbono na atmosfera teria de ser revertida, passando das cerca de 390 partes por milhão na atmosfera de hoje para 350 partes por milhão, a fim de estabilizar o clima a longo prazo. Enquanto os líderes continuam a discutir um quadro de redução de emissões, as emissões globais de dióxido de carbono mantiveram-se ou aumentaram nos últimos anos.
Hansen e outros notaram que as evidências paleoclimáticas revelam um quadro claro do que o clima antes da Terra parecia, mas que usá-lo para prever com precisão como o clima pode mudar em escalas de tempo muito menores em resposta a alterações induzidas pelo homem, ao invés de mudanças climáticas naturais, continua difícil. Mas, Hansen observou, o sistema Terra já está a mostrar sinais de resposta, mesmo nos casos de "feedbacks lentos", tais como mudanças no gelo.
O aumento da libertação de dióxido de carbono de origem humana na atmosfera também apresenta aos cientistas do clima algo que nunca viram no registo dos níveis de dióxido de carbono nos últimos 65 milhões de anos - uma taxa de aumento drástico que torna difícil prever a rapidez com que a Terra vai responder. Nos períodos em que o dióxido de carbono tem aumentado devido a causas naturais, a taxa de crescimento média foi de cerca de 0,0001 partes por milhão por ano - em outras palavras, cem partes por milhão em cada milhão de anos. A queima de combustíveis fósseis está agora a fazer com que as concentrações de dióxido de carbono aumentem em duas partes por milhão por ano.
"Os seres humanos têm sobrecarregado as mudanças naturais e lentas que ocorrem em escalas de tempo geológico", disse Hansen.

Fonte: E! Science News

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Metais preciosos podem ter vindo de meteoritos

A descoberta foi publicada na revista Nature.
Durante a formação da Terra, ferro fundido afundou-se até ao centro, formando o núcleo. Isso levou com ele a grande maioria dos metais preciosos do planeta - como o ouro e platina. Na verdade, existem metais preciosos no núcleo suficientes para cobrir toda a superfície da Terra, com uma camada de quatro metros de espessura. No entanto, os metais preciosos são dezenas de milhares de vezes mais abundantes no manto de silicato da Terra do que o previsto. Tem sido argumentado que esta sobre-abundância descontínua é o resultado de uma chuva cataclísmica de meteoritos que atingiram a Terra, após o núcleo ser formado. A carga total de ouro dos meteoritos foi assim adicionada ao manto e não se perdeu para o interior profundo.
Para testar esta teoria, o Dr. Matthias Willbold e Professor Tim Elliott do Bristol Isotope Group na Escola de Ciências da Terra analisou rochas da Gronelândia com quase quatro biliões de anos, recolhidas pelo professor Stephen Moorbath da Universidade de Oxford. Estas rochas antigas fornecem uma oportunidade única de análise da composição do nosso planeta logo após a formação do núcleo, mas antes do proposto bombardeio de meteoritos.
Os pesquisadores determinaram a composição isotópica de tungsténio dessas rochas. O tungsténio (W) é um elemento muito raro (1g de rocha contém apenas cerca de um décimo-milionésimo de 1g de tungsténio) e, como o ouro e outros elementos preciosos, deveria ter entrado no núcleo quando este se formou. Como a maioria dos elementos, o tungsténio é composto por vários isótopos, átomos com as mesmas características químicas, mas com massas ligeiramente diferentes. Os isótopos fornecem impressões digitais robustas da origem do material e a colisão de meteoritos com a Terra iria deixar uma marca de diagnóstico sobre a  composição isotópica do tungsténio.
O dr. Willbold observou uma diminuição de 15 partes por milhão na abundância relativa do isótopo 182W entre as rochas da Gronelândia e as rochas modernas. Esta mudança pequena, mas significativa, está em excelente concordância com o estipulado para explicar o excesso de ouro acessível na Terra, como consequência de um bombardeamento de meteoritos. O dr. Willbold afirmou: "A extração de tungsténio a partir da análise de amostras de rochas e a determinação da sua composição isotópica para a precisão requerida era extremamente exigente, dada a pequena quantidade de tungsténio disponível nas rochas. Na verdade, somos o primeiro laboratório mundial que tem feito com sucesso medições com tão elevada qualidade. "
O impacto dos meteoritos foi agitando o manto da Terra por processos de convecção gigantescos. Um alvo tentador para o trabalho futuro é o estudo do tempo que este processo demorou. Posteriormente, os processos geológicos formaram os continentes e concentraram os metais preciosos (e o tungsténio) em depósitos de minério que são extraídos atualmente.
O dr. Willbold continuou: "O nosso trabalho mostra que a maioria dos metais preciosos em que se baseiam as nossas economias e muitos dos principais processos industriais foram adicionados ao nosso planeta por uma feliz coincidência, quando a Terra foi atingida por cerca de 20 biliões de biliões de toneladas de material espacial".

Fonte: Science Daily

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Encontrados machados de mão mais antigos

Um pedaço de solo na África Oriental revelou a mais antiga coleção de machados de pedra de mão e picaretas, exemplos de que os pesquisadores chamam a indústria Acheulian.
Estes achados Acheulian encontrados no Kokiselei, Quénia, têm mais de 1,76 milhões de anos, sendo um pouco mais velhos que os mais antigos encontrados até à data, revela o geólogo Christopher Lepre da Rutgers University e os seus colegas. Cuidadosamente esculpidos, os machados de mão de dois gumes e as picaretas estavam entre as ferramentas mais simples – lascas afiadas obtidas a partir de pedras - no Kokiselei. Os resultados foram publicados na revista Nature.
Estes achados realçam as suspeitas de que lascas de pedra utilizadas como dispositivos de corte, ferramentas primitivas conhecidas como a indústria Oldowan, não foram suplantadas pelos machados de mão, diz Lepre. Em vez disso, os dispositivos Acheulian mais complexos surgiram enquanto a implementa Oldowan - que apareceu pela primeira vez há cerca de 2,6 milhões de anos atrás, na mesma região - eram ainda populares, embora não esteja claro quanto tempo os dois tipos de ferramentas foram usadas simultaneamente em Kokiselei. Machados de mão de dois gumes e outras ferramentas tipificam a indústria Acheulian.
O Homo erectus, um possível ancestral direto dos humanos modernos, terá feito ferramentas Acheulian e talvez as Oldowan em Kokiselei, sugere a equipa de Lepre. Alternativamente, outra espécie de hominídeo pode ter elaborado os artefactos Oldowan.
"Se as ferramentas Acheulian deram uma vantagem aos hominídeos em África, então talvez grupos carentes de tecnologia fossem forçados a encontrar recursos em outros lugares, como Eurasia", diz Lepre. Em linha com essa proposta, outros pesquisadores desenterraram fósseis de H. erectus em Dmanisi, um local do Oeste Asiático, tão antigo quanto Kokiselei, juntamente com pedras simples de corte, mas não machados de mão. Permanece incerto se o H. erectus, que apareceu pela primeira vez há cerca de 2 milhões de anos, evoluiu em África ou na Ásia.
A equipa de Lepre estimou a idade das ferramentas Kokiselei fazendo medições ao solo onde foram encontrados os artefactos e aos solos vizinhos, e combinando-as com camadas previamente datadas de cinzas vulcânicas que ladeavam os objetos encontrados.
Arqueólogos familiarizados com o novo trabalho dizem que o mesmo move a origem das ferramentas Acheulian para um pouco mais perto da estreia evolutiva do H. erectus, um desenvolvimento interessante, mas não inesperado.
Escavações em Israel na Ubeidiya Formation recuperaram machados de mão e picaretas com 1,5 milhões de anos, presumivelmente feitos pelo H. erectus, que se assemelham aos de Kokiselei, observa Naama Goren-Inbar, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Locais Acheulian na Tanzânia e na Índia também foram datados como tendo mais de 1,5 milhões de anos.
Alguns conjuntos de artefactos Oldowan e Acheulian são muito parecidos, o que implica que a mesma espécie de hominídeo poderia ter produzido os dois tipos de ferramentas, diz Goren-Inbar. Ofer Bar-Yosef da Universidade de Harvard concorda. "O Homo erectus poderia ter feito todas as ferramentas de pedra em Kokiselei", afirma.
São necessários fósseis para confirmar que o H. erectus fez esses artefactos, comenta John Shea da Stony Brook University, em Nova York. Lascas cortantes de pedras aumentaram a complexidade das ferramentas ao longo da Idade da Pedra, embora os arqueólogos muitas vezes ignoram os artefactos Oldowan em sítios de humanos modernos, refere Shea.

Fonte: Science News

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A origem dos gigantes da Idade do Gelo

Um fóssil com 3,6 milhões de anos, descoberto no Tibete, indica que alguns mamutes gigantes, preguiças e tigres dente-de-sabre podem ter evoluído em terras altas antes da Idade do Gelo, dizem especialistas. Os paleontólogos do Museu de História Natural de Los Angeles e da Academia Chinesa de Ciências, que encontraram o crânio completo e uma mandíbula de um rinoceronte lanudo em 2007, argumentam que o mesmo se adaptou ao arrefecimento global mesmo antes de acontecer.
Num artigo a publicar na revista Science, eles afirmam que os rinocerontes evoluíram no frio e neve das terras altas tibetanas, enquanto o resto do mundo era muito mais quente. O animal desenvolveu adaptações especiais, incluindo um chifre achatado útil para afastar a neve para encontrar a vegetação, e então foi capaz de se espalhar para o norte da Ásia e da Europa à medida que a Idade do Gelo começava há 2,6 milhões de anos atrás.
"A extinção dos gigantes da Idade do Gelo, tais como mamutes e rinocerontes, preguiças gigantes, e tigres dentes-de-sabre tem sido amplamente estudada, mas muito menos se sabe sobre de onde vieram estes gigantes," dizem os pesquisadores. "O planalto tibetano pode ter sido outro berço de gigantes da Idade do Gelo".
Além do rinoceronte lanudo, a equipa também descobriu uma espécie extinta de cavalo de três dedos, Bharal Tibetano, também conhecido como ovelha azul, e cerca de 25 outros tipos de mamíferos.
"Lugares frios, como o Tibete, o Ártico e a Antártida, são onde as descobertas mais inesperadas serão feitas no futuro", diz Wang Xiaoming, do Museu de História Natural de Los Angeles County. "Estas são as fronteiras restantes que ainda estão largamente inexploradas."

Fonte: ABC Science

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Fóssil revela que Plesiossauros davam à luz a descendência, em vez de porem ovos

O espécime adulto de 15,4 pés de comprimento e com 78 milhões de anos, é uma Polycotylus latippinus, um dos répteis gigantes e carnívoros conhecidos como os plesiossauros, que viveram durante a Era Mesozóica. O esqueleto embrionário encontrado revela muito do corpo em desenvolvimento, incluindo costelas, 20 vértebras, ombros, quadris e outros ossos. A pesquisa, efectuada pelo dr. O'Keefe e pelo dr. Chiappe estabelece que este fóssil duplo é a primeira evidência de que plesiossauros davam à luz filhos vivos, ao invés de incubação dos ovos na terra.
Apesar da viviparidade ter sido documentada em vários outros grupos de répteis aquáticos do Mesozóico, nenhuma prova tinha sido previamente encontrada para a ordem dos plesiossauros. Os drs. O'Keefe e Chiappe também determinaram que os plesiossauros eram os únicos entre os répteis aquáticos, a dar à luz um filho único, grande, e que eles podem ter vivido em grupos sociais e baseados no cuidado parental.
"Os cientistas sabem há muito tempo que os corpos dos plesiossauros não estavam bem adaptados à ida para terra e colocação de ovos num ninho," afirmou o dr. O'Keefe. "Assim, a falta de provas de partos em plesiossauros era intrigante. Este documento fóssil, pela primeira vez, revela essa capacidade e, assim, finalmente resolve este mistério. Além disso, o embrião é muito grande em comparação com a mãe, muito maior do que seria de esperar, em comparação com outros répteis. Muitos dos animais vivos, hoje, que dão origem a filhos grandes e únicos são sociais e têm cuidados maternos. Especulamos que os plesiossauros podem ter exibido comportamentos semelhantes, tornando as suas vidas sociais mais semelhantes aos dos modernos golfinhos do que outros répteis. "
Os plesiossauros não têm parentes vivos conhecidos, mas eram comuns nos oceanos do mundo durante a Era dos Dinossauros. Eles estavam entre os predadores de topo no Western Interior Seaway, a vasta massa de água tropical que dividiu a América do Norte durante o Cretáceo, quando as águas do Oceano Árctico e do Golfo do México inundaram o continente esse encontraram.
O espécime NHM notável foi descoberto em 1987 por Charles Bonner no rancho Bonner no Condado de Logan, Kansas. Praticamente completa, excepto para as peças do pescoço do adulto e do crânio, a "mãe" exemplar e o seu bébé foram alvo de conservação extensa pelo NHM e, então, montada para exibição por Phil Fraley Productions (Patterson, NJ) com a supervisão dos drs. O'Keefe e Chiappe. O espécime está actualmente em exibição no Salão Dinosaur, a nova exposição de 14.000 metros quadrados no NHM com mais de 300 fósseis e 20 montagens completas de dinossauros e criaturas do mar.
"Como muitos outros espécimes em exposição e na nossa colecção, este espécime é extremamente importante entre os fósseis, o que significa que apenas pode ser admirado e estudado aqui em Los Angeles", declarou o dr. Chiappe. "Estamos muito orgulhosos de que na NHM, estes materiais insubstituíveis estejam acessíveis não só aos cientistas, mas a todo o público, dando às pessoas a oportunidade de se integrar na busca do conhecimento com a maravilha de ver os restos desses animais antigos e misteriosos."

Fonte: Science Daily