domingo, 30 de setembro de 2012

Lançado segundo satélite com a cooperação da China

O governo venezuelano lançou na sexta-feira, com sucesso, um segundo satélite para o Espaço, no âmbito de um programa de cooperação com a China.
Trata-se do Venezuelan Remote Sensing Satélite - VRSS1 ou Satélite Miranda e foi lançado a partir da base de Jiuquan, no deserto de Gobi, no norte da China, quatro anos depois a Venezuela ter colocado no espaço o Venesat 1 ou Satélite Simón Bolívar.
O lançamento teve lugar pelas 23:12 horas locais (05:12 horas em Lisboa) e o novo satélite estabilizou-se 17 minutos depois na sua órbita final, segundo o ministro venezuelano de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jorge Arreaza.
Segundo o mesmo responsável "o satélite Miranda terá cinco anos de vida" e será usado principalmente para a observação da terra, para responder às necessidades da população, em termos de planeamento urbano, agrícola, deteção de recursos naturais, segurança e defesa do território.
Tirará imagens geográficas do país, as quais vão ser "úteis" aos ministérios do Ambiente, Defesa, Ciência, Indústria e Transporte, além de permitir a monitorização de colheita, estimação de produtividade das plantações e marinha.
"Em breve, estaremos a mostrar ao país o impacto do Satélite Miranda", afirmou Hugo Chávez, que assistiu ao lançamento a partir do palácio presidencial de Miraflores, depois de efetuar uma curta visita surpresa a uma praça do centro de Caracas, onde centenas de pessoas se concentraram aguardando o lançamento do novo satélite.
O novo satélite pesa 880 quilogramas, estará a 639,5 quilómetros de altitude e tirará 350 imagens diárias em rotações à volta da Terra, com parte do continente americano, desde México até à Argentina.
Findo o tempo de vida útil, a Venezuela e a China preveem substituir o Miranda por um outro satélite que será fabricado localmente, em território venezuelano, no âmbito de um acordo de transferência de tecnologia.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Os eunucos vivem mais do que os homens não castrados

Os homens castrados que serviram os reis da Coreia ao longo de séculos viveram, em média, 14 a 19 anos mais do que os seus congéneres não castrados, conclui um estudo publicado ontem na revista Current Biology. Estes resultados sugerem que as hormonas masculinas encurtam a vida dos homens, concluem Kyun-Jin Min, da Universidade de Inha (Coreia do Sul), e colegas.
Em muitas espécies, as fêmeas vivem mais do que os machos e pensa-se que a responsável por esta diferença seja a hormona masculina testosterona, ao encurtar a vida dos machos. Isto pode ser devido ao seu efeito negativo sobre o sistema imunitário e ao facto de ser um factor de risco cardiovascular. Para mais, sabe-se que a castração prolonga a vida dos machos de muitas espécies animais. Porém, nos seres humanos, os estudos da relação entre longevidade e reprodução masculinas não têm sido conclusivos.
Uma maneira de abordar a questão tem sido justamente através dos efeitos a longo prazo da castração masculina. Um estudo realizado na década de 1990, por exemplo, mostrou que a castração permitira prolongar em 14 anos a vida de doentes internados num hospital psiquiátrico quando comparados com os doentes não castrados. Mas, como salientam os autores no artigo agora publicado, o estudo dos castrati - os cantores líricos castrados da Itália dos séculos XVII e XVIII, tais como o célebre Farinelli - não permitiu revelar diferenças significativas de longevidade entre eles e os cantores não castrados.
Os cientistas sul-coreanos viraram-se desta vez para os registos genealógicos da corte imperial coreana durante a dinastia Chosun, de 1392 a 1910. "A manutenção dos registos genealógicos era importante", escrevem, "porque atestavam da pertença à nobreza." E os eunucos da corte - que devido a uma mutilação acidental ou deliberada tinham perdido os testículos (e por vezes também o pénis) e se tinham tornado altos funcionários ao serviço dos monarcas - podiam casar-se e adoptar "rapazes eunucos ou raparigas normais". Tinham portanto uma linhagem apesar da sua infertilidade e também eles mantinham metódicos registos genealógicos. Que se encontram reunidos num documento, o Yang-Se-Gye-Bo. "Tanto quanto sabemos", escrevem os cientistas na Current Biology, "este é o único repositório no mundo de histórias de famílias de eunucos."
Cruzando estes dados com outros documentos oficiais, que registavam o dia-a-dia no palácio imperial, Kyun-Jin Min e a sua equipa conseguiram confirmar a idade, na altura da morte, de 81 dos 385 eunucos que constam do Yang-Se-Gye-Bo ao longo de cerca de cinco séculos de história. E puderam assim concluir que a longevidade média desses eunucos foi de 68 a 72 anos. Ou seja, ultrapassou em 14 a 19 anos a longevidade "de homens não castrados de status socioeconómico semelhante".
O contraste entre a longevidade dos eunucos e a dos homens não castrados é ainda reforçado pelo facto de três desses eunucos terem chegado a centenários - atingindo, respectivamente, os 100, 101 e 109 anos. Ora, salientam ainda os autores, visto que, actualmente, a proporção de centenários é de um em 3500 no Japão e de um em 4400 nos EUA, isso significa que essa proporção, nesse grupo de eunucos coreanos que viveram há séculos, era 130 vezes maior do que é hoje em dois dos países mais desenvolvidos do mundo!
Mas, perguntam os autores, será mesmo a ausência de testosterona a responsável pela longevidade dos eunucos? Não será antes o seu estilo de vida pacato e protegido? Não é muito provável, respondem. Por um lado, a maioria dos eunucos vivia fora do palácio e só lá entrava quando estava de serviço. E por outro, a longevidade da família real - que, essa sim, passava a vida fechada naqueles muros - revelou ser muito menor: os reis viviam em média 44 a 50 anos e os membros masculinos da família real 42 a 48 anos...
Resultados deste tipo poderão permitir perceber melhor o envelhecimento humano, dizem os autores. Mas entretanto, acrescentam em comunicado, os homens não devem esquecer que, "para ter uma vida longa e saudável, convém evitar o stress e aprender o que podem junto das mulheres."

Fonte: Público

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Imagens subaquáticas disponíveis no Google Maps


Imagens subaquáticas panorâmicas, obtidas no recife australiano e nos mares das Filipinas e do Havai, estão disponíveis a partir de hoje na plataforma Google Maps, anunciou a multinacional de serviços na internet.
Os quatro conjuntos de imagens são os primeiros disponibilizados no âmbito de uma parceria da empresa norte-americana Catlin Seaview Survey, projeto científico que estuda recifes em todo o mundo.
As imagens foram obtidas por um equipamento construído para o efeito, designado SVII, que permite panorâmicas completas (360 graus) e a observação de ecossistemas marinhos na perspetiva dos mergulhadores.
A grande barreira de coral australiana, a reserva marinha na ilha filipina de Apo, a baía de Haunauma e os recifes de Molokini, ambos no Havai, são os locais cujas imagens que passam a ficar acessíveis aos utilizadores do Google Maps.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Planeta enfrenta uma "bancarrota de água"

O mundo enfrenta uma "bancarrota de água" devido a problemas como a urbanização e a atividade económica nas principais bacias fluviais do mundo e o aquecimento das águas oceânicas, indica um relatório da ONU divulgado ontem.
O documento, preparado pelo Instituto da Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, com sede em Hamilton (Canadá), é o resultado da análise de 200 grandes projetos mundiais relacionados com o meio aquático.
O relatório, em cuja elaboração também participaram o Programa da ONU para o Meio Ambiente e o Global Environmental Facility (GEF, Fundo Global para o Meio Ambiente), assinala que em 2050 acontecerá uma grave escassez de água em sete das dez principais bacias fluviais do mundo.
Atualmente, estas dez bacias geram 10 por cento do Produto Interno Bruto do planeta e nelas reside uma quarta parte da população mundial.
No documento adverte-se também para as consequências da subida das temperaturas dos oceanos.
Os oceanos são "o depósito final de calor que dirige o clima, a meteorologia, a fertilização e o fornecimento mundial de água doce", refere.
"Ainda que o aquecimento médio de 0,6 graus celsius da superfície marítima desde 1872 não pareça muito grande, representa um enorme aumento no armazenamento de calor", alerta.
O diretor do Instituto da Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, Zafar Adeel, disse que "este estudo sublinha que os muitos alertas prévios sobre problemas emergentes deverm ser escutados".
A divulgação do relatório coincide com o início hoje em Banquecoque, na Tailândia, da Conferência Internacional do GEF, que durante três dias vai analisar o papel da ciência na solução dos problemas mundiais da água.
O GEF é um mecanismo de cooperação internacional para apoio aos países em desenvolvimento na implementação de projetos que procurem soluções para as preocupações globais em relação à proteção dos ecossistemas e à biodiversidade.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Do rabo dos chimpanzés ao silenciador de tagarelas

A edição de 2012 destes hilariantes prémios, a cargo de "genuínos Prémios Nobel", recompensa os trabalhos de 10 grupos de cientistas – entre os quais eminentes especialistas na sua área.
Em 2008, Frans de Waal, mundialmente conhecido primatólogo holandês da Universidade de Emory, nos EUA, publicou na revista Advanced Science Letters o seguinte artigo: “Rostos e rabos: a percepção do sexo pelos chimpanzés.” Ele e a sua colega Jennifer Pokorny, da Universidade da Califórnia, irão ser , daqui a momentos, galardoados com o Prémio IgNobel de Anatomia “por terem descoberto que os chimpanzés podem identificar individualmente outros chimpanzés a partir de fotografias dos seus posteriores”, como explicaram em comunicado os organizadores da “22ª Primeira Edição” (sic) dos famosos galardões.
Esta dupla de cientistas e mais nove grupos de especialistas e técnicos de diversas áreas são os vencedores dos prémios de 2012, que lhes serão entregues numa cerimónia a decorrer no Teatro Sanders da Universidade de Harvard, em Cambridge (EUA). O evento, com início marcado para as 0h30 (hora de Lisboa), podia ser acompanhado em directo no YouTube (acessível em http://www.improbable.com/ig/2012/).
O mote dos Prémios IgNobel, atribuídos anualmente pela revista humorística Annals of Improbable Research em colaboração com Harvard, é “honrar façanhas que primeiro nos fazem rir e depois pensar”. Muitos dos galardoados são investigadores cujos trabalhos foram publicados em revistas especializadas absolutamente sérias. Mas todos eles têm um elemento comum, que os torna elegíveis para um IgNobel: o facto de os temas que abordam parecerem – e aliás, por vezes serem – totalmente descabelados (e esta é literalmente a palavra certa para dois dos galardoados deste ano...).
Falemos, pois, de cabelo humano. Em 2011, Johan Pettersson, engenheiro ambiental sueco, descobriu por que é que o cabelo de alguns dos residentes – inicialmente loiros – de certas habitações novas da cidade de Anderlöv, Suécia, tinha repentinamente ficado... verde. E agora, por ter desvendado um enigma que começara por deixar muitos especialistas confusos, recebe o IgNobel da Química. (Explicação: a culpa era da água quente que se acumulava, durante a noite, nas canalizações dos chuveiros dessas residências e que, ao dissolver o cobre dos canos tingia o cabelo das vítimas na manhã seguinte...).
Passando da química para a física do cabelo (comprido), Joseph Keller, da Universidade de Stanford, e colegas, recebem o IgNobel da Física pelo seu estudo “do equilíbrio das forças que moldam e movimentam o cabelo apanhado num rabo de cavalo”. As suas conclusões foram publicadas este ano na prestigiosa revista Physical Review Letters.
O prémio na categoria da Acústica deixa literalmente as pessoas sem fala. Inventado por Kazutaka Kurihara e Koji Tsukada, engenheiros de duas agências nacionais de tecnologia do Japão, parece uma arma de fogo futurista (mas algo tosca, pois é apenas um protótipo). Activada e apontada para os lábios do mais tagarela dos oradores, faz com que ele ouça o eco do que está a dizer ligeiramente desfasado, ficando totalmente impedido de continuar o seu discurso. O único antídoto: calar-se (o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=USDI3wnTZZg/ fala por si).
Haverá também um IgNobel da Dinâmica dos Fluidos, para Rouslan Krechetnikov e Hans Meyer, da Universidade da Califórnia, autores de um artigo publicado noutra prestigiada revista – Physical Review E – e intitulado algo como: “Andar de café na mão: por que é que o entornamos?”. Um problema quase de saúde pública, poderíamos argumentar, pelas queimaduras que pode causar.
Do lado das ciências da vida, na categoria das Neurociências, o IgNobel irá para a equipa de Craig Bennett, também da Universidade da Califórnia, por ter mostrado que, com as novas tecnologias de visualização do cérebro, até um salmão morto pode apresentar actividade cerebral significativa se a experiência não for repetida suficientes vezes. O IgNobel de psicologia contemplará Anita Eerland, da Universidade Aberta de Holanda, e colegas, pelo seu estudo de como o facto de se inclinar para a esquerda faz a Torre Eiffel parecer mais pequena (na revista Psychological Science). E o de medicina dois médicos franceses, Emmanuel Ben-Soussan e Michel Antonietti, que em 2007, no World Journal of Gastroenterology, “aconselharam os médicos que fazem colonoscopias sobre como minimizar as probabilidades de fazer explodir o doente”(!).
Resta mencionar as duas categorias não científicas: Paz e Literatura. Na primeira, o prémio vai para a empresa russa SKN, que “transforma velhas munições russas em diamantes novos” (ver http://www.skn-nd.ru/products_en.html). Na segunda, o IgNobel honra este ano o General Accounting Office (GAO) dos EUA “por ter emitido um relatório sobre relatórios sobre relatórios que recomenda a preparação de um relatório sobre o relatório sobre relatórios sobre relatórios” (e os outorgantes do prémio quase não estão a exagerar).
Durante a cerimónia, os laureados terão direito a 60 segundos para o discurso de aceitação. Haverá vários momentos musicais e festividades várias. A cerimónia deverá durar cerca de hora e meia.

Fonte: Público

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Biodiversidade das Berlengas mais mediterrânica

A fauna e a flora subaquáticas das Berlengas, ao largo de Peniche em pleno Atlântico, estão cada vez mais mediterrânicas, afirmam os cientistas que estão até dia 30 a participar naquela que é a maior expedição científica à zona.
Desde segunda-feira a bordo do antigo bacalhoeiro 'Creoula', Estibaliz Berecibar parte para mais um mergulho, em conjunto com outros investigadores, em busca dos muitos segredos ainda por revelar pela riqueza subaquática das Berlengas, Reserva da Biosfera da Unesco.
O arquipélago é considerado o maior viveiro natural da costa oeste atlântica, não só por ser a fronteira entre as águas frias e quentes, mas também por beneficiar da proximidade ao Canhão da Nazaré.
O mergulho, entre os mais de 24 já realizados a 30 metros de profundidade, veio a revelar-se numa nova descoberta. Pela primeira vez, a investigadora observou nas Berlengas duas espécies de algas ('gloiocladia microspora' e 'digenea simplex') típicas do Mar Mediterrâneo, à semelhança de outras.
Após observar fenómenos de emigração idênticos em relação a outras espécies, a bióloga acredita cada vez mais que "as Berlengas são o limite norte para muitas espécies do Mediterrâneo", que nos últimos anos começaram a expandir-se para a costa oeste do Atlântico.
"A paisagem debaixo de água está a ficar mais tropicalizada", afirma, e uma das justificações apontadas pode estar relacionada com as alterações climáticas.
Frederico Dias, coordenador da missão, não descura também as correntes marítimas "que saem do Estreito de Gibraltar e que têm tendência a virar para norte", permitindo a fixação de espécies nas Berlengas, dadas as excelentes condições naturais que aí encontram.
Por outro lado, é a oeste das Berlengas que se situa um importante "corredor marítimo de navios da Marinha mercante oriundos do Mediterrâneo", cujos cascos poderão trazer algumas dessas espécies que acabam por conseguir sobreviver e desenvolver-se nas Berlengas.
A bordo do 'Creoula', cujo convés mais parece um laboratório ao ar livre, a restante equipa estuda e cataloga as espécies e aguarda em grande expectativa cada saída de mergulho. Desde o início da expedição, já foram observadas 50 novas espécies nas Berlengas a juntar-se às cerca de 400 já conhecidas, nomeadamente 'briozoários' (animais que parecem plantas), um coral, um peixe, algas e 'poliquetas' (semelhantes a vermes).
A campanha é promovida pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), envolvendo cerca de 80 pessoas, entre mergulhadores, investigadores e estudantes universitários que, repartidos em dois grupos, estão a fazer a cartografia e caracterização de espécies e habitats existentes nas Berlengas.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 23 de setembro de 2012

Há uma enorme rã nas Caraíbas que come tarântulas e serpentes

Na escuridão da noite nas florestas das Caraíbas, a galinha-da-montanha - uma das maiores rãs do mundo - foi surpreendida a comer tarântulas e serpentes. Entre os investigadores está um biólogo português.
No mundo animal, as tarântulas e as serpentes estão entre os maiores predadores das rãs. Mas desta vez, a história acontece ao contrário. Gonçalo M. Rosa, do Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e outros investigadores que trabalharam na ilha de Montserrat, no mar das Caraíbas, em 2009, descobriram grandes rãs de tons acastanhados - as galinhas-da-montanha (Leptodactylus fallax) - a comer tarântulas-de-montserrat (Cyrtopholis femoralis), espécie endémica daquela ilha. Na verdade, aquela rã é o primeiro predador confirmado da tarântula-de-montserrat, dizem os autores do estudo publicado esta semana na revista Tropical Zoology.
A rã de hábitos nocturnos, que passa o dia escondida em buracos e reentrâncias nas rochas, alimenta-se sobretudo de pequenos grilos e pequenas aranhas que encontra no chão da floresta. Mas afinal o seu menu é mais diversificado. A primeira observação do desfecho desta interacção entre os dois gigantes de Montserratt aconteceu a 28 de Agosto de 2009, às 23h55, na zona de maior biodiversidade da ilha.
"Quando nos aproximámos da rã, vimos que tinha uma tarântula na boca, com quatro patas de fora (...). Depois de ter engolido duas vezes, a tarântula estava completamente consumida", numa "refeição" que durou cerca de quatro minutos, segundo o artigo científico publicado a 17 de Setembro pelos investigadores da Universidade de Kent, do Durrell Wildlife Conservation Trust, Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Museu Nacional de Ciências Naturais de Espanha, Sociedade Zoológica de Londres e dos Zoos de Perth e Chester.
A 9 de Setembro de 2009, às 20h, uma tarântula dirigiu-se devagar na direcção de uma rã quando foi subitamente capturada. Desta vez foram precisos seis minutos para a galinha-da-montanha acabar de comer a tarântula.
Estas observações foram feitas durante uma expedição coordenada pelo Zoo de Jersey, e da qual Gonçalo M. Rosa fez parte, para tentar travar a progressão do fungo Batrachochytrium dendrobatidis, que ameaça a galinha-da-montanha. "Encontrámos vários indivíduos a comer tarântulas quando fazíamos as saídas de campo nocturnas", contou o investigador português.
Segundo Gonçalo M. Rosa, "as rãs não serão propriamente imunes ao veneno das tarântulas. Mas as rãs abocanham, mordem e mastigam as tarântulas de tal forma que não lhes dão oportunidade de espalhar o veneno", explicou.
Mais tarde, em Outubro de 2011 e na ilha de Dominica, investigadores encontraram restos de serpente-de-julia (Liophis juliae) nas fezes da mesma espécie de rã. Na opinião do biólogo - cientista tanto no Instituto Durrell de Conservação e Ecologia da Universidade de Kent, no Reino Unido, como no Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - este estudo "dá-nos uma perspectiva que não é tão usual: a maioria dos relatos de interacção de rãs e tarântulas mostram estes aracnídeos como predadores vorazes das indefesas rãs. Aqui assistimos ao oposto: uma rã a ingerir sem problemas uma tarântula", contou Gonçalo M. Rosa ao PÚBLICO. Além disso, a rã "apresenta uma dieta da qual também fazem parte serpentes. Impressionante, não?"
Contudo, as capacidades predatórias da rã não lhe garantem a sobrevivência. Hoje, a galinha-da-montanha - que, segundo Gonçalo M. Rosa, é assim chamada pelos locais pelas grandes dimensões que atinge e o seu sabor a galinha quando cozinhada - está classificada como Criticamente Ameaçada pela União Mundial de Conservação da Natureza (UICN). Esta espécie existia em pelo menos seis ilhas das Caraíbas mas hoje já só existe em duas: Montserrat e Dominica.
"As observações feitas ajudam a um melhor conhecimento da biologia e ecologia da espécie", ajudando à conservação da rã, nomeadamente aos esforços de reprodução em cativeiro, acredita o investigador.
Segundo os investigadores que assinam o artigo, o declínio deste anfíbio deve-se à perda de habitat, sobrecaça para consumo e espécies exóticas invasoras. "A recente introdução do fungo Batrachochytrium dendrobatidis naquelas duas ilhas causou um declínio dramático nas populações que ainda restavam", acrescentam os investigadores. "A população de Dominica foi quase extirpada na sua totalidade e a de Montserrat foi afectada pelo fungo mais tarde. Em muitos ribeiros da ilha os números baixaram também drasticamente. Vários programas têm juntado esforços para proteger esta espécie e eu juntei-me a um deles em 2009."
Gonçalo M. Rosa apontou ainda outro obstáculo à rã - o vulcão da ilha de Montserrat. "Este tem tido uma actividade muito intensa e um terço da ilha está inacessível, sob as cinzas. Muitas áreas de floresta desapareceram. Ainda não conhecemos bem quais os impactos directos na rã, mas podemos dizer que o vulcão dificulta os trabalhos de conservação", explicou o biólogo.

Fonte: Público

sábado, 22 de setembro de 2012

Curiosity descobre rocha com forma de pirâmide

Com uma estranha forma de pirâmide e do tamanho de um bola de rugby, a rocha batizada de "Jake Matijevic" encontrada pela sonda Curiosity será a primeira análise do braço robótico.
A Curiosity, a sonda da NASA que chegou a Marte no mês passado, encontrou no seu caminho uma rocha com a forma de uma pirâmide que será o primeiro elemento a ser examinado pelo braço robótico da sonda.
Apenas 2,5 metros separam o veículo do seu objetivo. A rocha foi batizada de "Jake Matijevic" em homenagem a Jacob Matijevic, um engenheiro chefe da missão que morreu exatamente há um mês, pouco dias depois da Curiosity ter pousado no Planeta Vermelho.
A estranha rocha, de 25 centímetros de altura por 40 de largura, será a primeira análise de forma cruzada, ou seja que permita o cruzamento de dados.
A Curiosity encontra-se agora a meio do caminho desde que pousou, em Bradbury até ao seu destino, um local designado de Glenelg. As distâncias que percorre diariamente não parecem muito longas - de 22 a 37 metros -, mas a NASA está mais do que satisfeita.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os circuitos cerebrais resultam de encontros acidentais entre neurónios

Um cérebro humano contém à volta de cem mil milhões de células nervosas e um número ainda muito maior de ligações, ou sinapses, que ligam essas células e lhes permitem comunicar entre si. E um dos grandes desafios das neurociências actuais é mapear essa intricadíssima cablagem - o já célebre conectoma -, que faz do nosso cérebro o mais complexo órgão que se conhece. Mas, para isso, é preciso desvendar as regras que governam o estabelecimento das sinapses entre neurónios - saber o que leva cada neurónio, no cérebro em formação, a ligar-se efectivamente com uma série de congéneres, mas não com todos.
Sabe-se que a construção dos circuitos cerebrais é guiada em particular por sinais químicos específicos entre neurónios, uma espécie de sistema de "cheiros" que faz com que dois neurónios se atraiam ou se repelem. Mas, agora, surpreendentes resultados publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences sugerem que essa é apenas uma pequena parte da história. Henry Markram e colegas, da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), concluem que o essencial da construção do incrível emaranhado de ligações neuronais que temos na cabeça se deve, ao que tudo indica, a... uma série de encontros acidentais entre neurónios.
"O que nós descobrimos é que a regra de base do estabelecimento de sinapses entre neurónios é muito simples", diz Markram numa entrevista no site da EPFL. "Pensamos que os neurónios crescem da forma mais independente possível uns dos outros e que formam sinapses essencialmente nos locais onde, acidentalmente, colidem entre si", salienta.
Estes cientistas estavam à procura de regras que lhes permitissem determinar a localização das sinapses porque estão a desenvolver, desde 2005, um projecto baptizado Blue Brain, cujo derradeiro objectivo é simular um cérebro humano realista num computador.
Neste seu mais recente trabalho, utilizaram 20 anos de resultados experimentais baseados em amostras de córtex cerebral de ratinhos para, por um lado, obter modelos 3D de todos os tipos de neurónios presentes nesses tecidos e, por outro, ver onde se formavam as sinapses nesses circuitos reais.
A seguir, criaram um modelo virtual do circuito cerebral do ratinho. "Pusemos todos esses modelos de células num espaço 3D virtual e utilizámos um algoritmo e um supercomputador Blue Gene da IBM para determinar onde é que os neurónios se cruzavam entre si", frisa Markram. Era lógico, numa primeira aproximação, supor que as sinapses só se pudessem formar nesses cruzamentos.
Mas aquilo de que os cientistas não estavam mesmo à espera, ao compararem o mapa das sinapses "acidentais" gerado pelo computador com o das sinapses reais nas amostras de tecidos, era de descobrir que esses dois mapas fossem tão semelhantes. "Tirando algumas excepções, que também podemos tomar em conta no modelo, conseguimos prever a localização das sinapses", diz o cientista.
Mas então, se não é um sinal químico que determina se um neurónio se vai ou não ligar a outro, o que é? É a própria forma do neurónio, afirma. "Os neurónios só "sabem" qual a forma que vão ter e, quando crescem todos juntos, fazem o que devem quando acidentalmente se encontram", salienta o investigador. Sem recorrerem a quaisquer sinais químicos; basta deixar os neurónios virtuais desenvolver a morfologia certa e tudo corre como na realidade em 75 a 95% dos casos.
Os resultados também permitem explicar por que é que o cérebro pode recuperar a seguir a uma lesão. "Esta maneira de posicionar as sinapses é muito robusta, permite a perda de muitos neurónios", diz Markram. E também por que é que dois cérebros da mesma espécie são tão parecidos entre si. "A diversidade morfológica dos neurónios de cada espécie faz com que os circuitos cerebrais dessa espécie sejam basicamente iguais de um indivíduo para outro", salienta.
A confirmarem-se, lê-se na revista New Scientist, os resultados também poderão ajudar a perceber a origem de doenças tais como a esquizofrenia, que se pensa serem devidas a falhas na cablagem cerebral. "Os neurónios com malformações, que não se ligam correctamente aos outros, poderiam ser um factor nestas doenças", explica aquela publicação.
Para além da surpresa do resultado em si, esta foi uma muito boa notícia para o projecto de simulação do cérebro humano em que a equipa está envolvida, na medida em que torna o mapeamento do cérebro muito mais fácil. "Se não fosse assim", diz Markram, "poderia levar décadas, para não dizer séculos, a mapear a localização de cada sinapse no cérebro. Isto aumenta enormemente a nossa capacidade de construir modelos realistas".O projecto Blue Brain, coordenado por Markram, foi fundado por um grupo internacional de 13 instituições, entre as quais o Instituto Sanger do Wellcome Trust (Reino Unido), Instituto Karolinska (Suécia), Instituto Pasteur (França), Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), Universidade Hebraica (Israel) e Universidade Técnica de Munique (Alemanha). Até ao final deste ano, este consórcio - que reúne cerca de 150 equipas científicas, três das quais portuguesas (da Fundação Champalimaud, da Universidade de Coimbra e da Universidade do Minho) - deverá saber se o seu projecto, que apresentou no ano passado no âmbito da iniciativa Tecnologias Futuras e Emergentes (FET) da União Europeia, irá receber um financiamento de 100 milhões de euros por ano durante dez anos para construir um "modelo de silício" do nosso cérebro.

Fonte: Público

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Será que Jesus era casado?


Um pedaço de um papiro escrito no século IV em copta (a língua dos antigos cristãos egípcios) inclui as palavras "Jesus disse-lhes, a minha mulher". A descoberta deverá relançar o debate sobre se Jesus era ou não casado.
A existência do fragmento - não muito maior do que um cartão de visita - foi divulgada numa conferência em Roma por Karen King, professora na Universidade de Harvard, em Cambridge, Massachusetts. A professora baptizou o documento como "o evangelho da mulher de Jesus".
"A tradição cristã há muito defende que Jesus não era casado, apesar de existirem provas históricas fidedignas que apoiam essa teoria", disse King, num comunicado revelado pela universidade. "Este novo evangelho não prova que Jesus era casado, mas diz-nos que o tema só surgiu como parte de um intenso debate sobre sexualidade e casamento", acrescenta.
"Desde o início, os cristãos discordavam sobre se era melhor não casar, mas só um século após a morte de Jesus começaram a recorrer ao estatuto marital de Jesus para defender as suas posições", indicou. Só a partir de 200 d.C. é que começaram a surgir indicações, através de um teólogo conhecido como Clement de Alexandria, de que Jesus não era casado. "Este fragmento sugere que outros cristãos do mesmo período defendiam que era casado", concluiu.
Apesar da insistência da Igreja Católica de que Jesus não era casado, a ideia reaparece com alguma frequência. A última vez, com a publicação em 2003 de "O Código Da Vinci", o best-seller escrito por Dan Brown, que irritou muitos cristãos por se basear na ideia de que Jesus era casado com Maria Madalena e tinha filhos.
Os peritos acreditam que o novo evangelho é autêntico, sendo contudo necessário realizar mais testes. O fragmento, propriedade de um colecionador privado que pediu a King ajuda na tradução e análise, terá sido descoberto no Egito ou talvez na Síria.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Primeiro transplante de útero de mãe para filha realizado na Suécia

O comunicado da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, relata uma delicada operação a duas mulheres que receberam os úteros das suas mães, realizada este fim-de-semana e que envolveu dez cirurgiões. O sucesso só será reclamado se as pacientes conseguirem engravidar após um ano sob observação.
Uma equipa de especialistas da Universidade de Gotemburgo e do Hospital Universitário Sahlgrenska, na Suécia, anunciou esta terça-feira que foi realizado o primeiro transplante de útero mãe-filha, sem registo de complicações até ao momento. Segundo o comunicado, o complexo procedimento terá sido feito a duas mulheres que receberam os úteros das suas mães. Uma das pacientes tinha sido forçada a remover o útero na sequência de um cancro e a outra nascera sem útero. Sem fornecer dados detalhados sobre estas mulheres, os especialistas referem apenas que estão na casa dos 30 anos e que foram alvo de tratamentos de fertilização antes do transplante.
O mesmo comunicado afirma que estas operações são resultado de mais de uma década de investigação da universidade sueca com colaboração internacional. “Mais de dez cirurgiões, que treinaram este procedimento juntos ao longo de vários anos, participaram na complicada cirurgia”, refere Mats Brännström, professor de Obstetrícia e Ginecologia na Universidade de Gotemburgo.
O médico acrescenta ainda que as duas mulheres que receberam o novo útero “estão bem mas cansadas” após a cirurgia e que as mães que doaram os órgãos “estão a pé e deverão receber alta nos próximos dias”. Segundo um cirurgião citado pela Associated Press, o sucesso desta intervenção só será proclamado se estas duas mulheres conseguirem engravidar, como desejam.
O transplante de útero é uma resposta que tem sido “prometida” há alguns anos e que poderá ser uma importante alternativa para a adopção ou os chamados úteros de substituição (barrigas de aluguer) de mulheres que, por exemplo nasceram sem útero ou sofreram cancro que as afectou de forma irreversível.
No ano passado foi notícia a realização de um transplante de útero na Turquia, mas não existia qualquer relação de parentesco entre dador e receptor. Sobre este caso, até agora não foi divulgado mais nenhum progresso, nomeadamente se a mulher já está a fazer tratamentos de fertilidade. Em 2000 também foi relatado um transplante de útero na Arábia Saudita mas, devido a complicações relacionadas com o fornecimento de sangue, o órgão acabou por ser removido três meses depois da cirurgia.

Fonte: Público

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Novas imagens de Marte intrigam cientistas

O robô 'Opportunity' da NASA capturou imagens de formações rochosas raras na superfície de Marte. Os objetos esféricos estão a ter a atenção dos cientistas que ainda não conseguiram decifrar a sua origem.
À primeira vista as formações podem confundir-se com esferas ricas em ferro, conhecidas como 'blueberries', encontradas em outros locais do planeta. No entanto, os cientistas já confirmaram que não se tratam de reservas de hematite, como as primeiras. O robô antecessor do 'Curiosity' aterrou, em 2004, em Marte.
As esferas medem 3 milímetros de diâmetro. "Elas parecem crocantes por fora e suaves no interior", explicou Steve Squyres, responsável pelo robô e cientista da Universidade Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, ao jornal espanhol 'ABC'. O 'Opportunity' está a analisar um afloramento chamado Kirkwood, no seguimento do Cabo Iorque.
"Esta é uma das imagens mais extraordinárias de toda a missão. Temos um quebra-cabeças geológico maravilhoso à nossa frente. Temos várias hipóteses de trabalho, nenhuma é favorita neste momento. Vai levar algum tempo a resolver isto. Temos que manter a mente aberta e deixar que as rochas falem" , acrescentou.
Os 'blueberries' encontrados em outros locais do planeta são formados pela ação de minerais carregados de água dentro das rochas, o que evidencia o ambiente húmido de Marte.
O 'Opportunity' utilizou o seu braço robótico para analisar a região e permitir aos cientistas avaliar a composição das esferas. O robô investigou durante dois anos a cratera Victoria, onde aterrou e há quatro anos que investiga a orla da cratera Endeavour.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Isolamento durante os primeiros tempos de vida muda células do cérebro

Já se sabia que o isolamento durante os primeiros tempos de vida em pessoas ou em animais tinha impacto no cérebro e influenciava o comportamento durante a idade adulta. Agora, os cientistas verificaram alterações fisiológicas em várias células nervosas por causa da solidão em ratinhos, mostra um artigo publicado nesta sexta-feira na edição da revista Nature.
Uma equipa de cientistas testou os efeitos de isolamento em ratinhos durante vários estágios durante os primeiros tempos de vida e descobriu uma janela fulcral para o desenvolvimento cerebral em que a socialização é um bem necessário.
Quando os ratinhos eram postos num lugar isolado do resto da ninhada, durante quinze dias, três semanas depois de nascerem, havia consequências no seu desenvolvimento. Ao chegarem à adolescência, este grupo tinha comportamentos anti-sociais e uma grande falta de memória, quando comparado com ratinhos que tinham crescido num ambiente normal.
Estas mudanças comportamentais reflectem mudanças mais profundas, ao nível do cérebro dos pequenos roedores, revela o estudo dos cientistas do departamento de Neurologia da Escola Médica de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos.
Segundo o artigo, há mudanças significativas nas células cerebrais chamadas oligodendrócitos. Estas células apoiam os neurónios – as células nervosas que passam informação no cérebro através dos impulsos eléctricos. Os oligodendrócitos são responsáveis por revestir as projecções dos neurónios para que estes impulsos eléctricos sejam muito rápidos e a informação circule agilmente.
De alguma forma, o isolamento nos ratinhos fez com que os oligodendrócitos não se desenvolvam como deve de ser e este revestimento acaba por ser menos espesso do que o normal. “Normalmente, o que se pensava era que as experiências que moldam o cérebro influenciavam directamente os neurónios”, explica Gabriel Corfas, um dos autores do artigo.
“Mostramos agora que as células da glia [comos os oligodendrócitos, que dão apoio ao desenvolvimento dos neurónios] também são influenciadas pelas experiências, e que este fenómeno é um passo essencial para que se estabeleça um circuito neuronal normal e maduro”, diz em comunicado.
Apesar destes resultados terem sido obtidos com ratinhos, podem ajudar a explicar as causas das consequências do isolamento de crianças que são vítimas de negligência. “As nossas descobertas dão um contexto molecular e celular para compreender as consequências do isolamento social”, estabelece o cientista.
Na experiência, os cientistas conseguiram ainda relacionar o défice de uma proteína que é responsável pela sinalização do crescimento dos oligodendrócitos nos ratinhos que sofreram isolamento. Segundo o investigador, distúrbios como a esquizofrenia, a depressão ou a doença bipolar estão relacionados com esta sinalização.
Um dos objectivos do laboratório é conseguir encontrar um químico que comande a produção desta proteína, estimule o crescimento dos oligondendrócitos e o bom funcionamento da rede neuronal. Mas, segundo Corfas, isto não é fácil. Se o revestimento dos neurónios feito pelos oligodendrócitos for excessivo também há consequências negativas: “Esta é uma sinalização que requere uma regulação muito cuidadosa.”

Fonte: Público

domingo, 16 de setembro de 2012

A Voyager 1 ainda não encontrou a fronteira final do Sistema Solar

Afinal, onde é que está a Voyager 1? No site da NASA os números correm em tempo real, e dizem-nos que a sonda lançada há 35 anos está a 18,2 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, ou seja, o equivalente a 121,9 vezes a distância que existe entre o nosso planeta e o Sol. A Voyager 1 está muito para lá da órbita de Plutão ou de qualquer outro instrumento enviado para o espaço. Mas, de acordo com um trabalho publicado recentemente na Nature, não se sabe qual a sua posição em relação ao limite do Sistema Solar e a sonda pode ainda levar algum tempo a passar esta última fronteira e entrar finalmente no espaço interestelar.
O Sistema Solar tem o formato de um cometa com uma cauda, que viaja pelo espaço, orbitando em torno do centro da Alfa do Centauro. O Sol está situado no centro da cabeça deste "cometa" e gira lentamente à volta do núcleo da nossa galáxia. Um dos efeitos da sua actividade é a emissão constante de um fluxo de protões e electrões que são expulsos do Sol com muita energia e velocidade, originando o vento solar.
Mas estas partículas vão desacelerando. Em teoria, existe uma fronteira em que as partículas já não empurram o meio intergaláctico, que tem uma constituição de partículas diferente. Mas até onde existe, o vento solar produz no espaço uma atmosfera própria chamada heliosfera que determina as fronteiras do Sistema Solar. À frente do Sol e devido ao movimento da estrela, a espessura da heliosfera é mais pequena. É no limite desta região que a Voyager 1, a sonda da agência espacial norte-americana (NASA), viaja.
Esperava-se, no ano passado, que a máquina ultrapassasse a fronteira do Sistema Solar, depois de as suas medições mostrarem que as velocidades das partículas caíram para zero. Esta observação ia ao encontro do que os cientistas defendiam: a dado momento, depois de viajarem no espaço, as partículas solares deixariam de ter força para empurrar o espaço interestelar e, em vez disso, iniciariam um movimento lateral, tal como acontece quando um fluxo de água embate numa superfície sólida. Desta forma, haveria uma região entre o espaço interestelar e a heliosfera chamado heliopausa.
Mas Robert Decker e Stamatios Krimigis, dois dos autores do artigo da Nature, não mediram esta corrente lateral de partículas. "Concluímos que a Voyager 1 não está neste momento perto da heliopausa, pelo menos na forma como [esta região] foi imaginada", lê-se no artigo da equipa do laboratório de física aplicada da Universidade de Johns Hopkins. O que, em boa medida, significa que, mais de três décadas depois de ter saído da Terra, a sonda continua a surpreender-nos com as suas descobertas.
A Voyager 1 está hoje numa missão interestelar, mas nem sempre foi assim. O objectivo inicial desta sonda e da Voyager 2 - a outra sonda da missão que também continua viva e também se dirige para os confins do Sistema Solar, apesar de não estar tão afastada da Terra -, era o estudo de Júpiter, Saturno e as luas que giram em torno destes planetas.
A Voyager 2 foi lançada a 20 de Agosto de 1977. No mês seguinte, a 5 de Setembro de 1977, a Voyager 1 saiu da Terra. A NASA aproveitou Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno, os quatro planetas mais distantes do Sol, estarem em posições óptimas nas suas órbitas para as sondas passarem por eles em tempo-recorde. Nos anos seguintes, as duas sondas passaram por Júpiter e Saturno. Mais tarde, a humanidade teve a oportunidade de ver as primeiras fotografias de sempre de Úrano e Neptuno tiradas pela Voyager 2. Desde que a sonda se afastou de Neptuno para entrar na sua missão interestelar, em 1989, quase dez anos depois da Voyager 1 rumar em direcção à fronteira do Sistema Solar, que mais nenhum aparelho tirou imagens dos dois planetas mais longínquos.
Em 1990, começou oficialmente a missão interestelar. Hoje a Voyager 1 tem alguns instrumentos a funcionar, mas continua a transmitir informação para a Terra, que demora 17 horas para chegar cá. Para testar se existia um fluxo lateral de partículas, a equipa de Decker e Krimigis enviou um comando para a sonda girar em torno de si própria sete vezes, mas não descobriu o movimento de partículas que procurava.
Os resultados da experiência foram uma surpresa para os cientistas. "Não existe nenhuma orientação que nos diga o que é sair do Sistema Solar", explica Krimigis, citado numa notícia da Nature. Há algumas teorias que tentam explicar o que se passa. A sonda pode estar numa antecâmara da heliopausa ou a diminuição da velocidade das partículas pode ser uma consequência de campos magnéticos que se pensa que existam nos confins da heliosfera.Primeiro em Maio, e depois em Julho deste ano, a sonda mediu um pico de raios cósmicos, sugerindo que está a aproximar-se das margens do Sistema Solar. Por isso, Krimigis diz que a Voyager 1 pode atravessar a heliopausa ainda neste ano, mas o espaço pode continuar a surpreender-nos. As baterias alimentadas a energia nuclear da sonda deverão resistir até 2025. Se tudo correr bem, a Voyager 1 terá tempo para sair do Sistema Solar e entrar no ambiente interestelar.
Mesmo quando se desligar de vez, a sonda ainda tem o poder para fazer uma revelação fantástica. A NASA colocou um disco de cobre em cada uma das Voyagers com a informação sobre a humanidade para o caso improvável de um ser inteligente encontrar uma das sondas. Se compreender como o disco funciona, um extraterrestre fica a saber a localização da Terra no Universo e é-lhe revelada a existência da humanidade. Pode compreender a química da dupla hélice de ADN, ouvir a Flauta Mágica, de Mozart, ou o Johnny B. Goode, de Chuck Berry. Pode ver uma mulher a amamentar uma criança e antever o futuro da deriva dos continentes.
O conjunto de informação foi escolhido e organizado por uma equipa liderada por Carl Sagan. Há 55 vozes prontas a cumprimentarem o desconhecido, todas em línguas diferentes. "Paz e felicidade a todos", diz uma mulher em português com sotaque do Brasil. Não se sabe quando é que a Voyager I vai passar a fronteira final do nosso pequeno jardim cósmico, nem se sabe até onde chegará, mas nunca a saudação da humanidade foi tão longe.

Fonte: Público

sábado, 15 de setembro de 2012

Carro inteligente do futuro é apresentado em Berlim

A DLR apresenta pela primeira vez um veículo eléctrico "inteligente" e capaz de se mover de forma autónoma. No RoboMóvil, apelidado de Romo, as quatro rodas movem-se independentemente, dado-lhe a capacidade de girar 360.º.
O novo carro foi apresentado em Berlim, na ILA, uma das mais importantes feiras do mundo da aviação, já que esta inovação partiu do Centro Espacial Alemão. Com capacidade para dois passageiros, a grande novidade deste automóvel é que as suas quatro rodas são capazes de se mover de forma independentes, permitindo assim a capacidade de o carro girar 360.º sobre o seu eixo. Este sistema permite ainda que o veículo se mova para os lados e na diagonal sem alterar a direção da cabine.
Outra das novidades é que, graças a câmaras embutidas na estrutura, o Romo, é capaz de evitar buracos e irregularidades e ainda estacionar de forma completamente independente.
O veículo exposto na ILA representa um grande avanço no campo da mobilidade elétrica, e segundo o porta voz da empresa poderá andar nas cidades daqui a "20 ou 30 anos". O Romo é o resultado da aplicação da robótica aeroespacial na terra.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Terra tem um novo recorde de temperatura; mas é menor

Durante várias décadas, a cidade líbia de Al Azizia, 40 quilómetros a sul da capital Trípoli, manteve a fama de ser o ponto mais quente da Terra. A 13 de Setembro de 1922, os termómetros marcaram 58 graus Celsius. Agora, este recorde foi posto em causa, mas não por ter surgido um valor maior. Uma equipa internacional de meteorologistas concluiu que a medição feita há 90 anos, então numa base militar italiana, estava errada.
Com isso, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) reconheceu esta quinta-feira que o recorde mundial de temperatura cabe ao segundo colocado, a localidade norte-americana de Greenland Ranch, na Califórnia. Ali – numa região sintomaticamente designada como Vale da Morte – os termómetros chegaram aos 56,7 graus Celsius, no dia 10 de Julho de 1912.
Desde o princípio que se desconfiava da veracidade do recorde de Al Azizia. Já em 1930, um artigo numa revista da Departamento de Meteorologia dos Estados Unidos questionava como era possível tal temperatura num ponto tão próximo do mar. Na década de 1950, o meteorologista italiano Amilcare Fantoli expôs mais dúvidas concretas.
Recentemente, a OMM resolveu tirar a questão definitivamente a limpo. Nos dois últimos anos, especialistas de nove países passaram a pente fino um vasto conjunto de dados e fontes de informação, incluindo o caderno original onde a observação foi anotada, medições históricas de outras localidades próximas a Al Azizia, o equipamento utilizado e as condições do local onde a medição foi feita. “No coração de cada meteorologista e climatologista bate sempre a alma de um detective”, graceja Randy Cerveny, especialista da Universidade do Estado do Arizona e relator da OMM para os extremos meteorológicos, citado num comunicado.
O estudo identificou cinco problemas com a observação de Al Aziza. O aspecto mais importante é que a medição terá sido feita por alguém inexperiente, utilizando um tipo de termómetro na altura já obsoleto, que dava ampla margem para uma leitura errada – conforme se utilizasse a parte de cima, e não a de baixo, de um ponteiro que indicava a temperatura máxima. Na prática, terá havido um erro de sete graus Celsius. Ou seja, naquele dia os líbios de Al Aziza terão sufocado na mesma, mas com apenas 51 graus Celsius.
Observações pontuais podem facilmente revelar falhas, mas para o climatologista Ricardo Trigo, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o mais grave é haver problemas em séries de dados de temperatura ao longo do tempo. “É mais importante, do ponto de vista climatológico, corrigir as séries longas”, afirma.
Algumas dúvidas têm sido levantadas, nos últimos anos, sobre a consistência das séries utilizadas nos estudos sobre a dimensão e as causas das alterações climáticas. Cientistas sobretudo conotados com os chamados “cépticos” da tese de que o aquecimento global é obra humana têm contestado, por exemplo, a utilização de estações meteorológicas nas cidades – que resultariam em dados exagerados devido ao efeito de ilha de calor – ou a escolha parcial das fontes de observações de temperatura.
Estas dúvidas estiveram na base de um estudo recente – o Berkeley Earth Surface Temperature – que multiplicou por cinco o número de estações meteorológicas consideradas e efectuou diversas combinações diferentes de dados. Os resultados preliminares, divulgados em Julho passado, coincidem com as séries já existentes das agências norte-americanas para o espaço (NASA) e para o oceano e atmosfera (NOAA), e da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
Os resultados corroboram também a correlação entre a subida das temperaturas e o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. “Eu não estava à espera disso, mas como cientista é o meu dever deixar que as evidências mudem a minha opinião”, disse na altura Richard Muller, fundador e director do projecto Berkeley Earth.
A “desclassificação” dos 58 graus Celsius de Al Azizia não vai ter qualquer efeito nas séries históricas. Mas alterou o quadro de honra dos maiores episódios de extremos meteorológicos, mantido pela OMM, e que incluem secas que duraram 14 anos, rajadas de vento com mais de 400 quilómetros por hora e chuvas anuais equivalentes a quase 30 vezes a precipitação em Portugal (ver infografia). A reavaliação do antigo recorde de Al Aziza enfrentou um sério contratempo, quando um dos cientistas envolvidos – o líbio Khalid El Fadli – desapareceu por oito meses, durante a revolta popular que derrubou o ditador Muammar Kadhafi. Quando retomou o contacto com o resto da equipa, o trabalho foi concluído, tendo agora sido publicado online na revista da American Metereological Society.
Um recorde de temperatura, segundo Randy Cerveny, é algo mais do que um atributo a exibir por uma localidade. “Este tipo de dado pode ajudar as cidades em tais ambientes a desenvolver edifícios melhor adaptados a esses extremos”, afirma.

Fonte: Público

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Peixe com "rosto humano" é atração em Weymouth

Um curioso peixe com um "rosto humano" é mais recente atração do aquário Weymouth Sea Life Park, no Reino Unido, segundo o jornal espanhol ABC.
A natureza decidiu dar um ar estranho a um peixe que se tornou na mais recente atração do aquário da cidade de Weymouth, no Reino Unido.
O peixe tem um rosto com semelhanças humanas. E as suas características, refere o ABC, parecem tiradas do filme da Disney "À procura de Nemo".
Olhando para o peixe de perfil vê-se um rosto de onde sai uma protuberância que aparenta um nariz e que outros não hesitam em comparar com um chifre de um unicórnio.
O peixe foi batizado de Nimrod, uma vez que também lembra o avião da RAF.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Risco de cancro nos testículos é elevado com marijuana e menor com cocaína

Um estudo publicado esta segunda-feira na revista Cancer, da Sociedade Americana de Cancro, confirma a relação entre o consumo recreativo de marijuana e um maior risco de desenvolver cancro nos testículos associando-a ainda a prognósticos mais graves. Os investigadores perceberam também que o mesmo risco é menor entre os consumidores de cocaína.
A associação entre o consumo de marijuana e o risco de cancro de testículo já era conhecida mas, desta vez, os investigadores alargaram o âmbito da análise aos efeitos provocados pelo uso recreativo de outras drogas, desde cogumelos, a LSD ou cocaína, entre outras. Os resultados do estudo destacam a confirmação da “culpa” da marijuana no aumento de casos desta neoplasia e alertam para o facto de esta relação de risco existir não só no uso recreativo mas também no terapêutico (medicinal).
Para verificar a relação entre o consumo recreativo de drogas com o risco de cancro do testículo, o grupo de cientistas liderado por Victoria Cortessis da Universidade da Califórnia do Sul, em Los Angeles, examinou 163 jovens entre os 18 e os 35 anos, caucasianos, com diagnóstico positivo e compararam os resultados com o obtido com 292 homens saudáveis, da mesma faixa etária e também caucasianos.
Os resultados obtidos mostram que os homens com historial de uso de marijuana, têm duas vezes mais probabilidade de desenvolver um dos subtipos de cancro dos testículos: não seminomas (considerados mais agressivos e que afectam sobretudo homens mais jovens) e neoplasias mistas. Porém, segundo o artigo, o risco é maior nos consumidores pouco frequentes (menos do que uma vez por semana) e há menos tempo (menos de dez anos).
De acordo com estes dados, os investigadores sugerem que os potenciais efeitos negativos do consumo de Marijuana e dos seus derivados devam ser tidos em conta, não só quando é usada para fins recreativos, também nas situações em que o uso tem fins terapêuticos.
O cancro dos testículos é o mais comum em homens entre os 15 e os 45 anos e, apesar de ser raro, representa 2% dos casos diagnosticados. Este tumor maligno, tem uma taxa de sucesso de cura que ronda os 95%, mas muitos sobreviventes ficam com sequelas como, por exemplo, doenças cardiovasculares. Trata-se de um cancro que afecta principalmente jovens que nasceram com um testículo não-descido (criptorquidia), mas os antecedentes familiares da doença e os problemas de fertilidade são também factores de risco. É um tipo de cancro praticamente inexistente em asiáticos e africanos.
O artigo publicado na Cancer, nota que “a incidência tem vindo a aumentar ao longo das últimas décadas o que implica uma mudança na exposição a um ou mais riscos não genéticos”.
A marijuana tem sido associada a múltiplos efeitos adversos no sistema reprodutivo, do impacto na qualidade do esperma à impotência e infertilidade. O seu principal componente químico é o tetrahidrocanabinol (THC), um princípio activo alucinogénio, cujos receptores no nosso corpo estão instalados no cérebro, no coração, nos testículos e no útero. Por outro lado, alguns estados americanos e países como a Holanda ou a Bélgica, usam esta planta pontualmente, para aliviar sintomas relacionados com o tratamento do cancro, tais como as náuseas e os vómitos causados pela quimioterapia.
Em relação ao uso da cocaína são ainda necessários mais estudos para se poderem validar resultados, mas, pela primeira vez, os investigadores perceberam que os homens que tinham usado cocaína apresentavam um risco reduzido nestes subtipos de cancro. Embora ainda não se saiba como é que influencia o cancro dos testículos, os testes de laboratório com animais, mostram que esta droga destrói as células germinativas (a maioria destes tumores tem origem nestas células). “Se isto for válido também para os humanos então a “prevenção” tem um preço muito alto” refere Victoria Cortessis, citada num comunicado de imprensa da Wiley. “ Embora as células germinativas deixem de poder desenvolver cancro, se elas são as primeiras a ser destruídas a fertilidade seria prejudicada”, acrescenta a investigadora.

Fonte: Público

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Adesivo para corrigir defeitos cardíacos de bebés

Uma investigadora portuguesa que participa no Programa MIT Portugal está a desenvolver um adesivo que ajuda a resolver "defeitos" cardíacos de bebés, evitando uma operação e com menos efeitos secundários.
Maria José Pereira, doutoranda do MIT Portugal e a trabalhar na sua investiação em colaboração com a Harvard Medical School, onde "tudo é testado em hospital, com médicos cirurgiões", disse hoje à Lusa que a ideia é desenvolver um adesivo, colocado através da carótida, indo até ao coração através de um cateter.
Trata-se de resolver problemas como defeitos no septo, malformações ventriculares, ou seja, "quando há um buraquinho entre os dois ventrículos ou nas aurículas".
Em algumas crianças, o defeito acaba por fechar espontaneamente, mas noutras não fecha e é necessária uma intervenção cirúrgica.
Com o novo método, "evita-se que seja necessária uma operação de coração aberto, os materiais são elásticos, [permitindo] imitar as propriedades do coração, sem causar fricção no tecido cardíaco", referiu Maria José Pereira, avançando que os cientistas esperam que haja "muito menos efeitos secundários".
Os materiais utilizados foram já testados em ratinhos, nomeadamente as propriedades de biocompatibilidade, e "agora estamos a desenvolver os procedimentos e os dispositivos usando um modelo animal de porco", salientou Maria José Pereira.
A investigadora explicou que o adesivo "serve como suporte e há várias células que podem aderir ao material e, à medida que o material se vai degradando, as células vão-se organizando" e vai sendo criada uma cicatriz, a qual, segundo vários estudos, "não é um problema".
A cientista começou por trabalhar em terapias para enfartes do miocárdio, desenvolveu um elemento local para entrega de fármacos de maneira controlada ao coração e foi necessário um adesivo para o colocar na superfície do coração.
Foi assim que surgiu a ideia de usar o adesivo para outros problemas cardíacos, como os defeitos no feto.
E prosseguiram os trabalhos para "desenvolver um material que seja resistente ao sangue e que possa ser empregue de uma maneira minimamente invasiva [quando no local adequado]", especificou a investigadora.
No caso do tratamento do enfarte do miocárdio, a entrega do material é feita na superfície do coração e poderá existir um medicamento a libertar, mas para os defeitos do feto "não há muita necessidade de haver um fármaco, basta haver um suporte físico para que as células possam aderir ao material e acabar por fechar o defeito".
O dispositivo vai ser desenvolvido nos próximos dois anos, mas até poder ser utilizado nos humanos terá de percorrer um processo longo, não inferior a cinco anos, segundo as expetativas da estudante de doutoramento do MIT Portugal.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Truta desaparecerá da Península Ibérica em menos de 100 anos

Em 2040, a truta terá perdido metade do seu habitat na Península Ibérica; em 2100 terá praticamente desaparecido, segundo um estudo de investigadores espanhóis publicado na revista Global Change Biology.
A poluição, as alterações climáticas, a extracção de água para rega e a sobre-pesca são as causas apontadas pela equipa de Ana Almodóvar, da Universidade Complutense de Madrid para a provável extinção das populações de truta-marisca (Salmo trutta), na Península Ibérica, antes de 2100.
Os investigadores analisaram o registo de temperaturas de Navarra entre 1975 e 2007 e, mediante um modelo matemático, calcularam a temperatura da água dos rios da região. Além disso, a equipa monitorizou a população de trutas em 12 rios da bacia do rio Ebro e observou que o aumento das temperaturas detectado estava associado a uma diminuição das populações deste peixe.
“No melhor dos cenários – o que considera alterações climáticas mais ligeiras –, a situação da truta é desastrosa”, afirma a investigadora ao serviço espanhol de notícias de ciência SINC (Scientific Information and News Service). Os resultados do estudo são aplicáveis a outras regiões ibéricas e mediterrâneas. “A região do Mediterrâneo é uma zona muito vulnerável às variações climáticas e à diminuição da disponibilidade de água”, acrescenta Ana Almodóvar.
“Até agora intuía-se que, devido às alterações climáticas, as populações de truta dos países do Sul da Europa seriam mais afectadas do que as do Norte. Mas faltava um estudo concreto”, diz a investigadora.
A truta Salmo trutta está classificada como espécie Criticamente em Perigo pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.
Apenas as populações dos rios Minho e Lima apresentam a forma migradora (e não a forma sedentária), ou seja, aquelas cujos peixes eclodem em água doce e, passados um a dois anos, migram para o mar onde crescem até à maturação sexual.
Só depois regressam aos locais de nascimento para se reproduzirem, normalmente zonas de baixa profundidade, com velocidades de corrente moderada e bem oxigenadas e sem poluição.

Fonte: Público

domingo, 9 de setembro de 2012

Apple está a preparar aplicação gratuita para rádio

A Apple está em processo de negociações para lançar uma aplicação de rádio na Internet, gratuita, utilizando o que oferecem os dispositivos para o iPhone.
A aplicação, que rivaliza com outra do género, a Pandora, será lançado, segundo o The Wall Street Journal, dentro de meses.
O novo serviço da Apple está pensado para a gama de iPhone, tablet iPad e computadores Mac, mas também para equipamentos com o sistema operativo Windows, mas não para o sistema Android de Google.
Pandora é líder de rádio na Internet com 55 milhões de utilizadores, estando a ganhar terreno, curiosamente, via iTunes de Apple, este também líder mundial na venda de música desde 2003.

Fonte: Diário de Notícias

sábado, 8 de setembro de 2012

O que sabemos de novo sobre terramotos ou sobre os ossos dos adolescentes?

Os rapazes adolescentes que praticam determinados tipos de desporto conseguem "melhores" ossos, ou seja, uma densidade mineral óssea mais alta. Em Portugal, os enfartes do miocárdio aumentam cerca de 60% quando ocorre um terramoto ligeiro. Os partos prematuros aumentam 1,2% por cada subida de um grau na temperatura entre os meses de Abril e Outubro. Estes são apenas três exemplos dos muitos trabalhos apresentados esta semana, no Porto, durante o Congresso Europeu de Epidemiologia.
A equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) apresenta esta sexta-feira os resultados obtidos com um trabalho que começou com uma primeira avaliação em 2003 a um grupo de 1137 adolescentes com 13 anos e que acompanhou estes rapazes e raparigas até aos 17 anos de idade, de forma a saber mais sobre os benefícios já conhecidos do desporto na massa óssea. "Já se sabia que o desporto faz bem aos ossos. O que percebemos agora é que diferentes tipos de desporto têm diferentes impactos nesse aumento da densidade mineral óssea", sublinha Elisabete Ramos, uma das autoras do estudo. Exemplos? "A natação, por exemplo, não tem grande impacto nos ossos porque não implica carga, não temos o peso da gravidade. Terá noutros aspectos, mas não neste", aponta.
Na lista das actividades físicas com mais impacto na massa óssea está, por exemplo, correr, a prática de futebol ou andebol. Porém, este benefício só ficou provado nos rapazes. E as raparigas? "Não é possível afirmar o mesmo. É provável que também obtenham o mesmo benefício, mas o que constatamos é que as meninas praticam pouco desporto e, por isso, não conseguimos uma associação estaticamente significativa", responde Elisabete Ramos, que esclarece que cerca de 60% das raparigas não praticam desporto na adolescência, enquanto os rapazes se ficam pelos 35%. Com estes ganhos de densidade mineral óssea durante a adolescência - sublinhe-se que só é possível ganhar massa óssea até determinada idade (entre os 20 e os 25 anos) - os adolescentes conseguem prevenir, por exemplo, o risco de osteoporose. Este trabalho de investigação que deverá ser retomado para uma nova avaliação destes adolescentes não atletas está inserido no vasto projecto Epiteen, que quer "compreender de que forma os hábitos e comportamentos adquiridos na adolescência se vão reflectir na saúde do adulto". Iniciado no ano lectivo de 2003/2004, o estudo abrange 2943 participantes nascidos em 1990, que serão acompanhados ao longo da vida.
No Congresso Europeu de Epidemiologia foi divulgado ainda um outro estudo de investigadoras portuguesas (do Instituto Superior de Saúde Pública da Universidade do Porto e da FMUP). A partir de uma avaliação dos registos hospitalares de 59 municípios com 1,7 milhões de habitantes, as investigadores Ana Isabel Ribeiro e Maria de Fátima Pinto estabeleceram uma associação entre um aumento na ordem dos 60% da taxa de episódios cardíacos (não letais) e a actividade sísmica com a ocorrência de terramotos de baixa magnitude.
De Itália, chega ainda a conclusão de um trabalho que relacionou o calor com os partos prematuros. Segundo os investigadores de Roma por cada grau a mais entre Abril e Outubro há mais 1,2% de partos prematuros. E, mais uma vez de investigadores da FMUP, há ainda os resultados de um trabalho que revela que quatro anos após o parto, "o risco de hipertensão nas mulheres que tiveram pressão alta na gravidez foi quase seis vezes superior entre as que tiveram um menina e três vezes maior nas que deram à luz um rapaz". Ou seja, fica o alerta para um grupo de risco que deve ser acompanhado.
Estes são apenas alguns dos muitos possíveis exemplos de alguns dos avanços reportados nas múltiplas áreas de estudo da epidemiologia, a ciência que estuda a distribuição e os factores condicionantes e/ou determinantes dos problemas de saúde na população. Para Henrique Barros, professor da FMUP e presidente da comissão de organização do encontro, esta é a ciência que "fomenta a colocação das questões mais pertinentes e, na maior parte dos casos, dá as respostas mais adequadas aos grandes desafios da saúde e da doença nas comunidades".

Fonte: Público

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

As bactérias também se organizam para a guerra

Um estudo realizado com bactérias oceânicas mostrou que em termos de organização social, as bactérias não são, afinal, muito diferentes dos animais ou das plantas. Em situações de combate a populações rivais, elas também são capazes de se organizar em grupos que cooperam para derrotar o adversário.
Otto Cordero, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, liderou o estudo que é publicado esta quinta-feira na revista Science e que avaliou várias populações da bactéria oceânica da família Viobrionaceae (que também inclui espécies associadas à cólera). A análise ao “comportamento” destas bactérias, feita através de estudos genéticos e outros, permitiu observar que em cada um dos vários grupos havia um reduzido número de bactérias que produzia antibióticos e que todos os restantes elementos eram resistentes aos antibióticos produzidos na sua população. Assim, os antibióticos parecem funcionar como uma espécie de “arma” do grupo - e que é usada para o bem comum de toda a população nos momentos de combate com rivais – e não como um factor que beneficia apenas os elementos capazes de o produzir. Ou seja, a organização social existe aqui.
“Os indivíduos que produzem o antibiótico são geneticamente diferentes dos outros e se um individuo não tem o gene, não pode produzir o antibiótico” explicou ao PÚBLICO, Helene Morlon, do Instituto Politécnico de Paris, e autora de um comentário do artigo. O antibiótico produzido tem um efeito negativo nos elementos das outras populações, mas não tem efeitos sobre os elementos da população onde ele foi produzido”, esclareceu ainda.
A ideia de que os microrganismos podem ter comportamentos sociais não é nova. Eles cooperam para melhor explorar os recursos ou para, por exemplo, resistirem a ambientes stressantes. O que este estudo revela é que a cooperação entre indivíduos de uma população também existe quando se trata de competições mediadas por antibióticos. “A estrutura das populações de bactérias é muito mais forte do que se poderia pensar” conclui o artigo científico.

Fonte: Público

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O "lixo" do nosso ADN é afinal um interruptor fundamental

Durante anos foram designadas como "ADN lixo", mas afinal as partes do nosso código genético que não codificam proteínas e para as quais ainda não se tinha encontrado uma função parecem desempenhar um papel essencial na regulação da atividade de genes e no aparecimento de certas doenças. São verdadeiros interruptores genéticos.
Esta é uma das principais conclusões do trabalho da equipa internacional do projeto ENCODE, que nos últimos cinco anos se dedicou a fazer um retrato detalhado do genoma humano.
A grande maioria do "ADN-lixo" é na verdade um grande painel com milhões de interruptores que regulam a atividade dos nossos genes. Sem esses controlos, os genes que codificam as proteínas não funcionam. E mutações nessas áreas podem levar à doença, explica um resumo do trabalho publicado hoje em várias revistas científicas, incluindo a Nature e a Science.
Pierre Tambourin, diretor-geral da Génopole, em França, descreve a descoberta como "muito importante, porque mostra que o ADN não-codificante é essencial" para a vida. "É quase tão importante como a publicação da sequência do genoma humano", disse à AFP.
O ADN humano (ácido desoxirribonucleico) é composto por 3,3 mil milhões de pares de bases (letras), que programam as instruções para sintetizar as moléculas que formam cada célula, tecido ou órgão humano.Mas apenas 2 a 3% deste material é de codificação, ou seja, utilizado para a síntese de proteínas no corpo, uma fracção muito pequena do genoma humano. A sequenciação do genoma humano, no âmbito do Projeto Genoma Humano, permitiu no início dos anos 2000 identificar cerca de 22 mil genes.
O resto do genoma foi inicialmente chamado de "ADN lixo", porque foi considerado inútil. Mas ao decifrar as sequências não-codificadoras, a equipa identificou 4 milhões de "interruptores" genéticos.
Estes novos dados foram descobertos por cerca de 400 cientistas internacionais (biólogos, geneticistas, matemáticos) envolvidos no projeto ENCODE, lançado em 2003 para fazer uma enorme enciclopédia de ADN.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Alimentos biológicos e convencionais valem quase o mesmo para a saúde

Produtos biológicos como fruta, vegetais, cereais, carne e leite não vão tornar as pessoas que os consomem mais saudáveis, já que têm níveis de nutrientes semelhantes aos alimentos produzidos pelo modo convencional. A maior diferença está na quantidade de pesticidas, conclui um estudo da Universidade de Stanford, Califórnia, publicado nesta terça-feira na revista Annals of Internal Medicine.
Na altura de escolher o que colocar no cesto das compras, não serão os benefícios das vitaminas e minerais na saúde que vão ajudar a decidir se leva produtos biológicos ou produtos convencionais. “Se tomarmos uma decisão baseada apenas na nossa saúde, não existem muitas diferenças” entre uns e outros, disse Dena Bravata, investigadora principal do estudo que comparou os principais nutrientes nos dois tipos de alimentos.
Para chegar a esta conclusão, a equipa de Dena Bravata analisou centenas de estudos científicos já publicados e identificou os 237 mais relevantes, incluindo 17 sobre as dietas alimentares de pessoas que consumiram alimentos biológicos e convencionais. A maioria dos estudos, 223, comparou os níveis de nutrientes, de bactérias, fungos ou a contaminação por pesticidas de vários produtos, nomeadamente frutas, vegetais, cereais, carne, leite e ovos. A duração dos estudos variou entre os dois dias e os dois anos.
O estudo de revisão da literatura científica existente – que, dizem os investigadores, é o mais completo até agora realizado sobre a questão – não encontrou provas significativas de que os alimentos biológicos são mais nutritivos ou acarretam menos riscos para a saúde do que as alternativas convencionais. Aliás, o fósforo foi o único nutriente encontrado em maiores quantidades nos produtos biológicos. A maior diferença foi detectada ao nível da exposição a pesticidas, mais reduzido nos produtos biológicos.
Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, não ficou surpreendida com estas conclusões. “Já tenho lido artigos científicos que apontam nesse sentido”, ou seja, “no que diz respeito aos principais nutrientes, a diferença não é muito significativa", disse ao PÚBLICO. Além disso, existem muitos factores que afectam a composição nutricional dos alimentos, como a zona geográfica onde são produzidos e se o ano de colheita foi de seca, por exemplo.
O objectivo dos investigadores da Universidade de Stanford foi ajudar ao debate sobre os benefícios para saúde dos alimentos biológicos, uma questão que permanece em aberto. A equipa encontrou várias limitações ao seu trabalho, como a heterogeneidade dos estudos, baseados em diferentes métodos de teste e mesmo de agricultura biológica. Segundo a BBC, o estudo é criticado por ser inconclusivo.
Na verdade, a ideia para a investigação surgiu depois de cada vez mais pacientes de Bravata – que além de investigadora também é médica – lhe perguntarem o que seria melhor para a sua saúde e de não haver uma resposta.
“Esta é uma pergunta recorrente durante as consultas ou ainda nos fóruns de discussão”, contou ao PÚBLICO Alexandra Bento. Ainda assim, a nutricionista e bastonária afirma que “nunca recomendaria um alimento biológico face a outro convencional”. Na sua opinião, na altura da compra é o consumidor quem decide. “Tudo depende do que para nós tem mais importância, se o preço ou se, por exemplo, formos mais sensíveis ao sabor”, uma questão que, para si, “não é de descurar”.
Segundo Alexandra Bento, “é de incentivar a pequena horta para quem tem essa possibilidade”. “Se colher um tomate, ou uma alface ou laranja no estado de maturação ideal e se a consumir imediatamente, esse alimento terá uma riqueza nutricional máxima.”
Os cientistas norte-americanos quiseram dar mais informação às pessoas, não desencorajá-las a consumir produtos biológicos, explicam. “Se olharmos para lá dos benefícios na saúde, existem muitas outras razões para consumir alimentos orgânicos em lugar dos convencionais”, acrescentou Bravata, referindo benefícios ambientais e de bem-estar animal.

Fonte: Público

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Partícula de Deus: o que vem a seguir?

"O que vem a seguir?" é a pergunta que os cientistas que descobriram o possível Bosão de Higgs ("Partícula de Deus") querem ver respondida até ao final do ano, e cujo programa de investigação é discutido esta semana em Lisboa.
A explicação foi dada à agência Lusa por João Varela, vice-diretor da experiência CMS, uma das duas maiores experiências no colisionador de protões do CERN (LHC), organização que recentemente anunciou a descoberta de uma partícula que poderá ser o Bosão de Higgs.
Os dados obtidos no LHC apontam para a existência de uma nova partícula, com um grau de certeza superior a um para um milhão, que tem características e propriedades muito semelhantes às do modelo padrão do Bosão de Higgs, afirmou em declarações à Lusa.
O Bosão de Higgs ou "Partícula de Deus" é uma partícula fundamental no modelo padrão da Física de Partículas.
Esta partícula agora descoberta poderá ser uma das peças que falta no puzzle da origem do universo, pois seja ou não a "Partícula de Deus", é uma descoberta que alarga desde já o conhecimento e servirá como ponto de partida para novas descobertas.
Até ao fim do ano haverá dados para responder à pergunta sobre se é uma partícula compatível com o Bosão de Higgs ou se é outra, afirmou João Varela.
"Se for outra, será muito interessante porque dará indicações de outros fenómenos. É uma partícula com características do Bosão de Higgs, mas pode não ser como o previsto na teoria. Pode ser algo que nos diz que a teoria não está completamente certa, que há qualquer coisa para além do modelo standard, e que o modelo padrão terá que ser alterado, estendido, aumentado ou completado", explicou.
Ou então é o Bosão de Higgs, a partícula que dá informação fundamental sobre o universo, que está todo ele banhado no campo de Higgs, todo o espaço é preenchido com o campo de Higgs, e este teria tido um papel determinante na criação do universo, das estrelas, das galáxias, dos planetas.
Uma descoberta dessas será fundamental na procura de explicação para a formação do universo, já que as estrelas, os planetas as galáxias e tudo aquilo que é atualmente conhecido representa apenas 4% da matéria do universo.
Tudo o resto, os outros 96%, é matéria escura e energia escura, que não se sabe o que é, acrescentou o investigador.
Todas estas questões estão em discussão durante a semana em Lisboa, naquela que é a reunião anual da experiência CMS fora do CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear).
Esta colaboração internacional (CMS), de cerca de 3.500 investigadores de 180 instituições científicas em 40 países, reúne-se uma vez por ano fora do CERN, sendo esta a primeira vez que vem a Portugal.
Neste encontro vai discutir-se o programa de investigação de colaboração e o ponto mais importante é "o que vem a seguir?". A partir da recente descoberta, importa agora delinear o programa de investigação até ao fim do ano.
Os investigadores vão também discutir o "upgrade da experiência" a mais longo prazo, nomeadamente a substituição de detetores.
O trabalho da equipa da experiencia CMS consiste em pôr a funcionar, manter e reparar um instrumento cientifico (acelerador de partículas) muito grande, dentro de um fosso de 100 metros de profundidade.
Paralelamente, há investigadores a fazer análise de dados, processados em rede num computador mundial desenvolvido pelo CERN - que vai para além da Internet -, um centro único de colaboração, que possibilita aos investigadores aceder aos dados, mesmo sem saber onde (em que país) eles estão.
Aproveitando a presença em Portugal destes cientistas realiza-se na terça-feira, no Pavilhão do Conhecimento, uma sessão pública gratuita sobre as experiências internacionais desenvolvidas na busca do bosão de Higgs, em que colaboram mais de uma centena de investigadores portugueses.
Albert De Roeck, do CERN, que integra a experiência CMS, e André David, jovem investigador do LIP - Laboratório de Instrumentação e Física de Partículas - vão ser os oradores nesta palestra, mas o evento conta ainda com a presença de muitos outros envolvidos como João Varela, vice-diretor da experiência CMS.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estudantes estão mais perto de conseguirem aprender enquanto dormem

Qual é o estudante que não ia querer deitar-se com uns auscultadores nos ouvidos, fechar os olhos e, na manhã seguinte, já saber tudo sobre o bosão de Higgs, se isso fosse possível? Um estudo publicado nesta semana, na revista científica Nature Neuroscience, comprovou pela primeira vez que as pessoas são capazes de aprender “lições” simples, enquanto dormem.
Muitos estudantes já sonharam pelo menos uma vez na sua vida como seria se conseguissem aprender enquanto dormiam e sem qualquer esforço. Não se sabe ao certo onde a equipa de investigadores israelitas liderada por Anat Arzi, do Instituto Weizmann de Ciência, se inspirou para a realização desta experiência, mas certamente que a população estudantil vai estar atenta nos próximos anos a esta linha de investigação.
Para tentar ensinar uma lição muito simples, os investigadores andaram a pulverizar os voluntários com cheiros agradáveis e desagradáveis – odores de peixe podre –, enquanto estes dormiam. Tal como acontece quando as pessoas estão acordadas, os voluntários “adormecidos” em contacto com odores agradáveis inspiravam mais longamente e os perfumados com odores desagradáveis limitavam o seu fôlego. A isto, os investigadores ainda adicionaram mais um factor: um som particular associado a cada odor – agudos para os agradáveis e graves para os desagradáveis.
Após diversas exposições, os cientistas deixaram de “regar” os participantes com os cheiros enquanto dormiam, mas mantiveram os dois tipos de sons. Os voluntários, quando ouviam o som agudo, passavam a inspirar mais longamente, e quando ouviam o som grave, reagiam de forma oposta.
Já acordados, foram expostos novamente aos mesmos sons. De alguma forma, no seu subconsciente, estavam à espera de um determinado cheiro e os fôlegos voltaram a alterar-se.
Este fenómeno é conhecido como condicionamento ou aprendizagem condicionada – uma simples forma de aprendizagem que ficou famosa por Ivan Pavlov e o seu cão.
A lição condicionada que tinha sido apreendida durante o sono dos voluntários mantinha-se quando os participantes na experiência acordavam. Todavia, os voluntários não tinham consciência de terem aprendido algo durante a noite.
A co-autora do artigo Ilana Hairston, da Universidade de Ciências Comportamentais de Jafa, afirmou à National Public Radio (NPR), dos Estados Unidos, que esta investigação pode ser o primeiro passo para “desbloquear os efeitos que o sono tem nos processos cerebrais”. Já em estudos anteriores, tinha sido comprovado o efeito positivo que as sestas podem ter como mecanismo de consolidação de conhecimento no cérebro, mas este foi o primeiro caso em que os indivíduos aprenderam realmente algo enquanto dormiam.
Mais aplicações práticas da técnica condicionante ainda estão longe de se concretizar. No entanto, ao especular sobre o futuro potencial desta técnica, Hairton declarou à NPR que “ um estudante de medicina pode vir a aprender quais são os órgãos do corpo”, por exemplo.

Fonte: Público

domingo, 2 de setembro de 2012

Moléculas de açúcar detetadas em redor de estrela jovem

Uma equipa de astrónomos detetou moléculas de açúcar no gás envolvente de uma estrela jovem semelhante ao Sol, uma descoberta inédita efetuada graças à utilização de uma rede de radiotelescópios designada ALMA, construída no norte do Chile.
"É a primeira vez que descobrimos açúcar na zona envolvente de uma estrela apresentando tais características", indica um comunicado do Observatório Europeu Austral, citado pela agência AFP.
O gás que envolve a estrela, situada a 400 anos-luz da Terra, contém glicolaldeído, uma forma simples de açúcar, considerada um elemento essencial a toda a vida, segundo os especialistas.
A molécula é um dos ingredientes do ARN (ácido ribonucleico, responsável pela síntese de proteínas da célula), que é um dos elementos constitutivos da vida.
A descoberta "demonstra que qualquer um dos compostos químicos necessários à vida existia à época da formação dos planetas", segundo o observatório.
O composto já tinha sido observado no espaço interestelar, mas agora foi descoberto na proximidade de uma jovem estrela, potencialmente "um bom local, um bom momento" para ser integrado nos planetas em formação.
A descoberta foi tornada possível pela utilização de uma vasta rede de antenas instaladas no deserto de Atacama, o mais importante projeto astronómico terrestre, ainda em construção no deserto do norte do Chile.
Um total de 66 radiotelescópios deverão estar operacionais no local em 2013, no âmbito de um projeto com um orçamento de 600 milhões de dólares reunindo a Europa, os Estados Unidos e o Japão, em cooperação com o Chile

Fonte: Díário de Notícias

sábado, 1 de setembro de 2012

Comer menos calorias não ajuda a viver mais, mostra experiência em macacos

Um prato de batatas fritas ou meia porção de arroz integral? Talvez a resposta esteja no meio termo para quem quiser ter uma vida comprida: uma alimentação variada e regrada. Desde o início do século XX que se têm feito experiências em vários seres vivos, à procura de uma associação entre um regime alimentar com restrições calóricas e o prolongamento da vida. Embora muitas experiências tenham dado sinais positivos nesse sentido, os resultados de uma investigação com mais de 20 anos em macacos rhesus contrariam essa tendência, diz um artigo na edição online de quarta-feira da revista Nature.
Há mais de duas décadas que o Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos (NIA), em Baltimore, trabalha nesta experiência. Por causa da proximidade evolutiva que tem com o homem, e do ciclo de vida e fisiologia, o macaco rhesus, ou Macaca mulatta, é um modelo por excelência nas experiências científicas. Os resultados publicados agora são fruto de 23 anos de observações.
A equipa de Rafael de Cabo fez duas experiências diferentes. Uma delas em dois grupos de macacos com idades entre um e 14 anos - um dos grupos serviu de controlo e teve uma alimentação normal, enquanto o outro teve um corte de 30% nas calorias, mas sem ficar malnutrido. A outra experiência foi idêntica, só que os macacos começaram as dietas com idades entre os 16 e os 23 anos.
A esperança média de vida em cativeiro dos macacos rhesus é de 27 anos, por isso a experiência nos animais mais jovens ainda não terminou, uma vez que cerca de metade ainda está viva. Mas os resultados obtidos até agora mostraram que a longevidade não aumentou devido à diminuição de alimento. Este resultado contradiz outra experiência feita em macacos rhesus pelo Centro Nacional de Investigação de Primatas de Wisconsin, nos Estados Unidos, que obteve bons resultados na longevidade em grupos que foram submetidos a uma restrição alimentar.
Porém, há uma diferença significativa: na experiência de Wisconsin, o grupo de macacos de controlo podia comer o que quisesse e a alimentação era menos variada.
Para já, é impossível saber qual a influência da variabilidade genética nos resultados destes dois estudos. Mas os macacos dos grupos de controlo do NIA já tinham um peso normal e, em média, sofriam menos de diabetes do que os do Wisconsin.
"Será que a restrição de calorias não é nada mais do que eliminar o excesso de gorduras?", questiona Steven Austad, do Instituto Barshop para a Longevidade e Estudos do Envelhecimento, da Universidade do Texas, num comentário na Nature sobre o novo estudo. "Poder-se-ia concluir isso ao interpretar os resultados dos animais do grupo de controlo no estudo do NIA, porque também tiveram restrições alimentares para ter um peso normal. E as restrições acrescidas que foram impostas ao grupo experimental tiveram poucas consequências na longevidade."
Mas apesar dos novos resultados, a restrição alimentar teve consequências na saúde dos primatas. Houve uma redução na incidência de cancro e, possivelmente, de diabetes. No entanto, houve um ligeiro aumento nas doenças cardiovasculares.
"Há a hipótese de que a restrição de calorias leva a alterações hormonais e a diminuição na hormona do crescimento e no peso de ratinhos", diz-nos João Pedro de Magalhães, investigador principal do grupo de Genómica Integrada do Envelhecimento, da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, e que não está ligado ao novo estudo. "Por isso, as células têm menos estímulos para crescer e isso diminui a probabilidade de os ratinhos desenvolverem cancros e a proliferação de cancros que já existem", explica o cientista português.
Já se fizeram inúmeros estudos sobre a alimentação e a longevidade em leveduras, no verme Caenorhabditis elegans, na mosca-da-fruta ou em ratinhos. Muitas das experiências concluíram haver uma associação entre o prolongamento da vida e as restrições calóricas, mas não todas. Este novo estudo mostra que não há uma resposta definitiva, sobretudo em animais complexos e que vivem mais. "Os mecanismos de restrição calórica ainda não são bem conhecidos", diz João Pedro de Magalhães, acrescentando que é mais seguro apostar numa dieta saudável, variada e no exercício físico.

Fonte: Público