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sábado, 30 de agosto de 2014

Descoberto primeiro assento de retrete de madeira romana

Arqueólogos britânicos anunciaram a descoberta num antigo acampamento militar romano em Northumberland, no Norte de Inglaterra, do primeiro assento de uma retrete feito em madeira conhecido, que foi preservado por quase dois mil anos.
«É maravilhoso encontrar algo que nunca tinha sido visto até agora, é uma descoberta assombrosa», disse à cadeia britânica BBC Andrew Birley, diretor das escavações no forte militar de Vindolanda, junto à Muralha de Adriano, a fronteira mais setentrional do império romano.
A equipa de arqueólogos que trabalha na zona tinha encontrado, até ao momento, moedas de ouro e prata, artefactos militares e objetos do quotidiano como cartas de soldados, sapatos e botas para crianças.

Fonte: TVI24

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Meia centena de múmias encontradas no Vale dos Reis

Meia centena de múmias foram encontradas no Vale dos Reis, em Luxor, na grande necrópoloe real da antiga Tebas, de há mais de três mil anos.
Entre os corpos embalsamados, rodeados de restos de madeira, panos, vasos, etc., estão príncipes e princesas da XVIII dinastia, uma das mais importantes do Antigo Egito, a que pertenceram faraós como Tutmosis III, Akenatón e Tutankamón.
É uma descoberta "apaixonante", afirmou ao El Pais a especialista Salima Ikram. "Há que analisá-lo detalhadamente mas, sem dúvida, é um grande achado". A descoberta, realizada por uma equipa da Universidade de Basileia, liderada por Helena Ballin, aconteceu na tumba número 40 do Vale dos Reis, uma das menos estudadas e mais mal conservadas do vale. Foi escavada, muito superficialmente, em 1899, por Victor Loret, que não publicou qualquer artigo sobre os seus achados. Sabe-se que tinha sido saqueada várias vezes, quer na Antiguidade quer no século XIX.
Até agora já foram identificados 30 nomes, graças às inscrições em vários elementos, como vasos funerários. Oito desses nomes são de filhas dos reis e quatro são de príncipes. Tratar-se-iam, segundo os especialistas, de Tutmosis IV e Amenofis III. Há ainda várias mulheres com nomes estrangeiros. A maioria dos corpos pertence a adultos mas há também algumas crianças, bem mumificados, o que não era muito comum no Antigo Egito, incluindo recém-nascidos.
"Cremos que estamos perante membros da família real", explicou Suzanne Bickel. que integra a equipa de arqueólogos a trabalhar no local.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 5 de março de 2014

Queijo mais antigo do mundo descoberto em múmias

Pedaços de queijo datados de 1450-1615 antes de Cristo (AC) foram encontrados em múmias na China, noticiou hoje o jornal USA Today, que afirma tratar-se dos mais antigos queijos do mundo.
Segundo a publicação norte-americana, os bocados de queijo chinês encontrados nos pescoços e peitos de múmias chinesas, que remontam ao ano de 1615 AC, são "de longe, os mais antigos já descobertos".
Os investigadores referiram que a conservação do queijo e das múmias se deve, em parte, às condições climatéricas extraordinárias (ar seco do deserto e solo salgado) existentes no Cemitério Small River, no noroeste da China.
"Nós não só identificámos o produto como o queijo mais antigo alguma vez conhecido, mas também temos evidência direta de tecnologia antiga" usada para o conservar, disse o químico analítico no Instituto de Biologia Celular, Molecular e Genética Max Planck da Alemanha, Andrej Shevchenko, que pesquisou as múmias.
Ao analisar as proteínas e gorduras, a equipa liderada por Andrej Shevchenko determinou que se tratava definitivamente de queijo e não de manteiga ou leite, mas não conseguiu apurar por que motivo as pessoas na altura eram enterradas com pedaços de queijo nos seus corpos.
A análise química dos produtos agora descobertos também mostrou que os queijos encontrados nas múmias eram feitos à mesma base de produção de quefir, bebida gasosa dos montanheses do Cáucaso, obtida a partir do leite por fermentação.
Segundo Andrej Shevchenko, atualmente o queijo não é feito à base de quefir, mas à base do coalho, uma substância das entranhas de bezerro, cordeiro ou cabrito, que coalha o leite.
O queijo foi supostamente inventado acidentalmente ao revestir com leite um recipiente feito do estômago de um animal, resultando na transformação do leite em coalhada e soro por ação da quimosina, uma enzima do estômago.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 28 de abril de 2013

Descoberta arqueológica trouxe uma nova tese para a origem dos maias

Arqueólogos descobriram num sítio maia, na Guatemala, a estrutura arquitectónica mais antiga da que é a marca de água das futuras cidades maias, as praças e as pirâmides.
A questão é sobre pirâmides e cerimónias, mas é principalmente sobre origens. Viaje-se no tempo e no espaço até à América Central, na actual região da Guatemala, ao ano 1000 a.C.. Estava-se então no início daquilo a que os arqueólogos chamam "período pré-clássico médio". Naquela região existia uma constelação de povoações. As famílias, depois de séculos a viverem da agricultura, agregaram-se em grupos mais complexos onde as classes sociais começaram a germinar. No meio desta efervescência, nasceram as primeiras praças e pirâmides, que mais tarde seriam a marca de água das cidades-estado da cultura maia. Os arqueólogos descobriram agora no local arqueológico maia de Ceibal que estas estruturas nasceram dois séculos mais cedo do que se conhecia, revela um artigo publicado na Science.
Estas praças e pirâmides fazem parte de um complexo construído em conjunto e são expressões arquitectónicas de uma mudança social que existiu, por esta altura, desde o Sul da Guatemala até ao golfo do México. Já se sabia que o aparecimento da civilização maia como a conhecemos esteve ligada a este desenvolvimento, mas os autores defendem no artigo que os maias participaram nessa mudança regional. "Há esta ideia da origem da civilização maia como um acontecimento interno e isolado, e há esta outra ideia de que foi uma influência externa que desencadeou a complexidade social da civilização maia. Agora, estamos a pensar que o que se passou não é nem preto nem branco", diz Victor Castillo, um dos autores do artigo que pertence à Faculdade de Antropologia na Universidade de Arizona, nos Estados Unidos.
Foi no período clássico, entre 250 e 900 d.C., que as cidades mais espectaculares da civilização maia prosperaram, como Tikal, situada a norte de Ceibal, já no início da península de Iucatão. Mas, durante os séculos anteriores, verificou-se a ascensão e a queda de cidades e de outras civilizações como a olmeca, que é outra das personagens desta história.
A civilização olmeca englobava cidades situadas na costa do golfo do México, centenas de quilómetros a norte de Ceibal. Centros como o de San Lorenzo, no istmo de Tehuantepec, atingiram o auge antes de 1200 a.C.. Mas as prospecções arqueológicas feitas até hoje ainda não revelaram em San Lorenzo as estruturas arquitectónicas de praças e pirâmides que se tornaram depois presentes nos maias. Contudo, La Venta, o grande centro olmeca que floresceu por volta dos 800 anos a.C., após o esvaziamento de San Lorenzo, já apresentava estes complexos.
Os académicos sempre debateram a influência dos olmecas no desenvolvimento da sociedade maia das terras baixas [no Norte da Guatemala e na península de Iutacão]", lê-se no artigo da Science. "Alguns viam-nos como a cultura-mãe: a fonte de todas as inovações culturais, a partir de onde as artes e o sistema centralizado de política se espalharam para os maias e para outros grupos na América Central."
Há, contudo, quem defenda que os grupos maias que se estavam a desenvolver a sul eram pouco influenciados pelos olmecas e que estariam mais ou menos isolados. Mas a existência das praças e pirâmides em La Venta é um forte argumento a favor da força dos olmecas como cultura-mãe. Só que o novo trabalho põe em causa a tese de que os olmecas serviram de inspiração à cultura dos maias.
Takeshi Inomata, da mesma universidade de Victor Castillo, e outros colegas que trabalham nos Estados Unidos e no Japão fizeram prospecções arqueológicas em algumas estruturas de Ceibal, que fica na Guatemala, na fronteira sul da província de Petén, e descobriram que no ano 1000 a.C. já existiam estes complexos cerimoniais, apesar de serem muito menos sofisticados e grandes. As estruturas mais antigas de pirâmides e praças que se conheciam na cidade olmeca de La Venta eram 200 anos mais novas do que estas.
"O principal complexo em Ceibal é feito por uma praça, a oeste dela está uma plataforma ou pirâmide e, a leste, está um monte [aplanado]", explica Inomata. "Esta estrutura é genericamente conhecida por 'Estrutura do Grupo E', e pode-se encontrar por todo o Sul da América Central", acrescenta.
Os autores defendem que as pirâmides e praças de La Venta, datadas dois séculos mais tarde do que as que agora foram descobertas em Ceibal, pertencem ao mesmo tipo de estruturas. "Provavelmente, os seus usos eram similares", defende Inomata. "Os rituais eram muito importantes para estas civilizações, e há uma série de depósitos associados a rituais na praça de Ceibal. Encontraram-se machados feitos de jade, que eram depositados como uma espécie de oferta", descreve.
Portanto, esta novidade põe em causa o lugar dos olmecas na cultura maia. “Há uma mudança social profunda a acontecer desde as terras baixas dos maias, passando pela região de Chiapas [região no Sul do México, junto ao Pacífico, colada à Guatemala] até ao sul do golfo do México”, argumenta o investigador. "Esta nova ordem social não emergiu só de um centro, como o do golfo do México dos olmecas, mas através de muitas interacções entre diversos grupos, incluindo os maias."  

Fonte: Público

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Descoberta pirâmide onde pode estar túmulo do ministro de Ramsés II

Uma equipa de arqueólogos belgas descobriu na cidade egípcia de Luxor uma pequena pirâmide que poderá conter o túmulo de um ministro do faraó Ramsés II, que morreu no ano 1237 A.C.
Segundo um comunicado do ministro do Estado egípcio de Antiguidades, Mohamed Ibrahim, a pirâmide calcária mede 15 metros de altura e 12 de largura e nela aparece gravada uma imagem do ministro Jay adorando a divindade Ra-Hor Ajti, que simboliza união dos deuses do sol e do céu.
As pirâmides calcárias costumavam ser construídas sobre os túmulos dos homens de Estado na era de Ramsés, em cujo reinado Jay foi ministro durante 15 anos.
Ibrahim acrescentou que se espera que, terminadas as escavações, seja descoberto o túmulo do ministro, situado junto ao templo de Ramsés II.
Segundo o responsável pelas antiguidades em Luxor, Mansur Burik, o ministro de Ramsés II supervisionou os trabalhadores que ergueram os túmulos reais no Vale dos Reis e no Vale das Rainhas, na margem ocidental do rio Nilo.
Burik salientou a importância da descoberta do túmulo de Jay, até agora desconhecido, embora o ministro de Ramsés seja referido em muitos documentos egípcios.

Fonte: Correio da Manhã

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Arqueólogos descobrem 12 esqueletos com 800 anos

Arqueólogos descobriram no centro do México esqueletos de 12 crianças e adultos com cerca de 800 anos, informou um especialista do Instituto Nacional de Antropologia e História do México citado pela agência AFP.
Os esqueletos foram descobertos quando os arqueólogos estavam a supervisionar a instalação de um novo sistema de drenagem em Cholula, uma cidade a cerca de 120 quilómetros a norte da capital mexicana.
As descobertas foram feitas entre o dia 08 de dezembro e quinta-feira, tendo sido identificados um total de 12 esqueletos.
Os investigadores terão agora de identificar o sexo e a origem étnica dos mesmos.
Em abril, 17 esqueletos com cerca de 700 anos também foram descobertos na mesma região.

Fionte: Diário de Notícias

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Descobertos destroços de naufrágio do século XIX

Arqueólogos subaquáticos fizeram primeira campanha de observação dos restos do navio na semana passada.
Descobertos acidentalmente por dois pescadores de Setúbal, em 2011, os destroços, que estão a baixa profundidade e à vista de terra, são os únicos até hoje declarados na região de Tróia, apesar de ao longo dos séculos ter havido inúmeros naufrágios na região.
Pelo que os arqueólogos já observaram, aquele era um lugre, uma embarcação com 30 a 35 metros de comprimento, construída em madeira e propulsionada à vela. "Não encontrámos quaisquer vestígios de caldeira ou pás que, pela sua dimensão, teriam de estar à vista", afirmou ao DN Adolfo Martins, que está a estudar o achado, juntamente com Alexandra Figueiredo e Cláudio Monteiro do Instituto Politécnico de Tomar (IPT).
Os primeiros dados da campanha mostram que o navio deveria estar a tentar entrar na barra do Sado, para aportar a Setúbal, quando naufragou. Não se sabe ainda qual seria a origem do lugre, nem se fazia transporte de mercadorias a granel, ou se era um navio de pesca de alto mar, por exemplo, um bacalhoeiro.
A análise de amostras de madeira recolhidas no local, que vai ser feita no Laboratório de Arqueologia e Conservação do Património Subaquático do IPT, poderá ajudar a esclarecer as muitas dúvidas que persistem sobre o achado. Nomeadamente sobre a construção e a possível origem do navio. Das próximas campanhas, já agendadas para Janeiro, Fevereiro e Março, os investigadores esperam também mais novidades.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Descoberto túmulo faraónico com mais de 4500 anos

Uma equipa de arqueólogos checos escavou uma tumba faraónica de uma princesa com 4500 anos, no sul do Cairo, anunciou hoje o Ministério de Antiguidades do Egito.
El-Bialy, do ministério, disse hoje à Associated Press que no sítio das escavações o sepulcro da princesa Shert Nebti está rodeado pelos túmulos de quatro altos funcionários da V Dinastia, que datam de cerca de 2500 antes de Cristo, no complexo de Abu Sir, perto da pirâmide de degraus de Saqqara.
El-Bialy afirmou que será possível abrir o túmulo ao público.
A indústria de turismo no Egito, vital para a economia do país, sofreu uma forte quebra, devido à instabilidade interna do país, na esteira do levantamento do ano passado que derrubou o líder autocrático Hosni Mubarak, noticia a AP.
Em comunicado, emitido sexta-feira, o ministro das Antiguidades, Mohammed Ibrahim, afirmou que a antecâmara para o túmulo da princesa inclui quatro colunas de pedra calcária com inscrições hieroglíficas.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 7 de outubro de 2012

Rapaz de 11 anos descobre mamute na Rússia

Um rapaz de 11 anos descobriu um mamute num estado de conservação excecional quando passeava com o irmão perto do rio Ienissel no Grande Norte russo, anunciou hoje um cientista especializado nesta espécie desaparecida há milhares de anos.
A descoberta, revelada esta semana, ocorreu em agosto perto do golfo do Ienissel perto do oceano Ártico, na península de Taimyr, onde o animal ficou até agora conservado num subsolo cuja temperatura se mantém permanentemente inferior ou igual a zero graus centígrados durante um período mínimo de dois anos, indicou Alexeï Tikhonov, diretor do museu zoológico de São Petersburgo, que se deslocou ao local.
O rapaz de 11 anos "informou da descoberta o pai, que advertiu o diretor da estação polar, que por seu lado chamou os cientistas", explicou Tikhonov.
"Deslocámo-nos ao local com um responsável do comité internacional do mamute: encontrámos um grande mamute, que jazia sobre o lado direito cinco metros abaixo do nível do mar, adiantou.
"O esqueleto está praticamente inteiro e talvez esteja o coração inteiro na caixa torácica. Podemos falar do mamute do século", declarou ainda o cientista.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Google Earth pode ter descoberto pirâmide gigantesca

Arqueóloga usou o Google Earth para fazer a sensacional descoberta daquilo que parece ser uma pirâmide três vezes maior que a grande pirâmide de Gizé.
A arqueóloga Angela Micol passou dez anos a investigar a bacia hidrográfica do Nilo, no Egito, e agora assinalou dois locais que apresentam inequivocamente a forma de pirâmides.
Segundo avança o jornal "The Sun", um dos locais assinalados revela o que parece ser a base de uma pirâmide, quase três vezes maior que a grande pirâmide de Gizé. Falta ainda confirmar se se trata efetivamente de uma pirâmide genuína o que, a confirmar-se, poderá ser uma das maiores descobertas arqueológicas de todos os tempos.
A arqueóloga norte-americana prepara agora uma expedição ao local para perceber exatamente o que é o misterioso local revelado pelo Google Earth. "Numa observação mais atenta, esta formação parece ter uma superfície lisa e numa curiosa forma triangular", diz, "as imagens falam por si próprias e é óbvio que os locais assinalados têm qualquer coisa, mas são necessárias pesquisas no local para perceber melhor do que se trata".

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Descobertos os “fósforos” mais antigos, usados para fazer fogo por fricção

Os fósforos como os conhecemos agora são uma invenção do século XIX, mas desde a pré-história que o homem faz fogo. Para isso, os povos utilizavam uma parafernália de utensílios. Uma equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém analisou pequenos objectos de barro com 8000 anos, que antes se pensava serem formas fálicas de culto, e percebeu que serviam como “fósforos” para atear a chama. Estes “fósforos” são os mais antigos até agora encontrados, segundo o artigo publicado na revista PLoS One.
A equipa de Naama Goren-Ibar estudou mais de 80 destes objectos descobertos no sítio arqueológico de Sha’ar HaGolan, no Nordeste de Israel, onde há 8000 anos florescia a cultura neolítica Yarmukian. Os objectos estavam no Museu de Israel em Jerusalém classificados como objectos de culto.
Goren-Ibar em visita ao Museu viu naqueles objectos outro propósito. “Veio-me imediatamente à cabeça que estes objectos eram muito parecidos com todos os paus que se usam para fazer ‘fogo por fricção’”, explicou a investigadora, citada pela BBC News. “Temos provas da utilização de fogo feito pelos humanos modernos e pelos Neandertais, devido a [elementos arqueológicos como] madeira queimada, cinzas e lareiras. Mas nunca foi encontrado nada que se relacionasse com a forma de atear o fogo.”
O fogo por fricção pode ser feito com um arco de madeira com um cordão que prende uma broca – um pedaço de madeira cilíndrico. A ponta esférica deste pedaço de madeira ajusta-se a um buraco feito numa placa de madeira que fica no chão. Segurando a broca com uma pedra, pode-se utilizar o arco e a corda para girar a broca e fazer fricção na madeira ateando o fogo.
A equipa da Universidade Hebraica de Jerusalém tentou perceber se os pequenos paus de barro cozido funcionavam como brocas. Estes paus, que tinham entre três e seis centímetros de comprimento e entre 1,2 e 1,4 centímetros de largura, eram cilíndricos com as pontas arredondadas, em forma de cone ou com uma forma irregular. Muitos estavam partidos, mas alguns permaneceram intactos ao longo de milénios.
A equipa identificou estrias e marcas lineares nas pontas dos paus e relacionou essas marcas com a fricção feita para atear o fogo. Além disso, encontrou partes chamuscadas nos “fósforos” e marcas na parte lateral que poderiam ter sido feitas pelas cordas do arco. “Propomos que estes objectos sejam o registo mais antigo de fósforos – brocas que serviam como componente de um mecanismo avançado para produzir fogo”, sugere o artigo.
Os autores não refutam o aspecto simbólico dos “fósforos”. A nível etnográfico, estas brocas e a placa de madeira “representavam o órgão sexual masculino e feminino”, defende o artigo.

Fonte: Público

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Descoberto o mais antigo calendário maia

O calendário maia mais antigo fica no n.º 54 da povoação de Xultún.
Xultún fica na Guatemala, na América Central. É um local arqueológico da antiga civilização maia, que foi descoberto em 1905, mas passados mais de cem anos continua muito pouco estudado, e por isso pronto a revelar surpresas. Desde 2010 que uma equipa da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, está a estudar uma das casas do complexo, e encontrou pinturas da época clássica dos maias e o calendário mais antigo desta civilização, escrito nas paredes interiores da casa. A descoberta é publicada hoje na revista Science.
A casa está no meio de floresta tropical, e a envolvente que fica a poucos quilómetros da pirâmide de Tikal, no Norte da Guatemala, parece-se mais com uma habitação dos pequenos hobbits. Está um metro abaixo da superfície e nada tem que ver com as imponentes estruturas arquitectónicas desta civilização, que não sobreviveu à chegada dos europeus em 1492.
A povoação de Xultún estava habitada muito antes do derramamento de sangue que aconteceu com a vinda dos espanhóis. As pinturas desta casa, estudada por William Saturno e colegas, deverão ser do início do século IX d.C., mais precisamente do ano 813 ou 814, o que corresponde à época clássica dos maias, iniciada no ano 300 e que finda em 950.
Nesta altura, a povoação deveria ter dezenas de milhares de pessoas. A casa é mais uma de um complexo habitacional extenso. Tem o número 54, dado pelos investigadores da Universidade de Harvard que, na década de 1970, cartografaram parte do local. Numeraram apenas até à casa 56, há mais alguns milhares que ainda não têm número.
Mas o n.º 54 revelou mais do que o esperado. A estrutura já tinha sido saqueada, muito provavelmente por ladrões de túmulos. Por isso, parte do seu interior estava à mercê dos elementos da natureza e dos mosquitos. “Quando a vimos, pensámos: ‘Vamos entrar e ver o que resta e, se não houver nada, ao menos ficamos a saber o tamanho da divisão’”, disse William Saturno, da Universidade de Boston, numa entrevista num podcast da Science. Em 2010 e 2011, a equipa esteve primeiro a desenterrar a casa e depois a estudar as pinturas surpreendentes que encontrou.

Três paredes recheadas

A divisão tem 1,95 por 1,8 metros, e uma altura de três metros. O tecto é encurvado e, ao longo da divisão, há um banco de pedra que serviria de assento. “Pensamos que esta casa foi utilizada para a escrita. Está ligada a um complexo utilizado por escribas maias”, explica William Saturno.
A equipa chegou a estas conclusões depois de ver as pinturas. Quem entra na pequena casa encontra na parede à esquerda três figuras pretas sentadas, de tamanho natural, que olham para a parede mesmo à frente da porta de entrada. Nesta parede está um homem pintado de cor de laranja, com um estilete. Provavelmente, seria um escriba e tinha a mão esticada para outra figura mais imponente — devia ser o rei de Xultún —, o que mostra a relação entre quem vivia ali e a família real. As figura “estão envolvidas numa narrativa, em que o rei personifica uma divindade maia”, diz William Saturno.
Apesar de estes desenhos serem uma surpresa, não são uma novidade em relação ao que se conhece da época. O que é “fantástico”, nas palavras do arqueólogo, são os hieróglifos milimétricos escritos a preto e vermelho ao lado da pintura do rei e na parede à direita, que representam contagens de dias. Os famosos calendários maias já conhecidos, com os ciclos da Lua, de Marte e Vénus, como o códice de Dresden ¬— escrito em “papel” feito de casca de figueira —, são do período pós-clássico. O códice de Dresden é do século XI ou XII. Estas novas tabelas, do início do século IX, são assim mais antigas.
“Pela primeira vez, pudemos ver como eram os registos de um escriba”, disse Saturno. “Pareciam usar [as paredes] como um quadro de escola.” As tabelas, que não estão relacionadas com as pinturas, representam os calendários maias referentes aos ciclos de 260 dias das suas cerimónias, assim como os ciclos de 365 dias do Sol, 584 dias de Vénus e 780 dias de Marte destes astros no céu.
As tabelas têm colunas de números representados por pontos e travessões. O cientista refere que estes registos mais antigos não são tão correctos como os do códice de Dresden, que revela uma contagem aperfeiçoada dos dias até aos próximos eclipses lunares. Mas reflectem uma forma de olhar o mundo. “Os antigos maias previam que o mundo ia continuar e que daqui a 7000 anos as coisas iriam ser exactamente como agora”, diz William Saturno. “Continuamos sempre à procura de fins para as coisas. Mas os maias procuravam uma garantia de que nada iria mudar. Tinham uma forma de pensar completamente diferente.”

Fonte: Público

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Ferramentas ancestrais comuns a África e Arábia

Culturalmente falando, os antigos africanos do leste estavam a uma curta distância do sul da Arábia. Ferramentas de pedra recolhidas em vários locais ao longo de uma região em Omã, com cerca de 106.000 anos, assemelham-se a ferramentas de corte alongadas com sensivelmente a mesma idade e que foram anteriormente encontradas em locais do Leste Africano, diz o arqueólogo Jeffrey Rose, da Universidade de Birmingham, Inglaterra, e os seus colegas. As novas descobertas também incluem núcleos - ou rochas a partir das quais as ferramentas eram criadas batendo com um martelo de pedra - que correspondem a espécimes do Leste Africano, de acordo com um artigo publicado na revista PLoS ONE.
Os locais do Leste Africano, dos quais eram provenientes esses artefactos de pedra, estendem-se para o sul ao longo do rio Nilo para o Corno de África.
"Na montanha de artigos que especulam sobre a dispersão humana a partir de África, uma ligação entre o sul da Arábia e o Vale do Nilo nunca foi considerada", diz Rose.
Ou os africanos cruzaram o Mar Vermelho e caminharam para o sul da Arábia bem antes do êxodo Africano de há cerca de 60.000 anos atrás, ou o povo antigo da Arábia fazia ferramentas influenciado pelos Africanos, sugerem os cientistas.
"As descobertas em Omã são bastante espetaculares", comenta o arqueólogo Michael Petraglia, da Universidade de Oxford, Inglaterra. "Eles têm uma data que é inferior à de artefactos similares Africanos, o que poderia implicar uma migração de volta à África, ou pelo menos um fluxo entre as populações Africana e Árabe."
Embora não tenham sido descobertos fósseis humanos nesse local da Arábia ou em locais Africanos relacionados através das ferramentas, ossos de Homo sapiens comcerca de 195.000 anos foram encontrados na África Oriental.
Não está claro se os ferramenteiros antigos de Omã continuaram na direção leste para o sul da Ásia ou ficaram onde estavam. O seu estilo distinto de fazer ferramentas não aparece em locais indianos datados de cerca de 74.000 anos atrás, diz Petraglia.
Rose vê semelhanças entre as ferramentas de pedra de Omã e outras com cerca de 50.000 anos de idade e outras descobertas em torno de Israel. Ele especula que as chuvas abundantes entre 60.000 e 50.000 anos atrás tornaram a parte interna da Arábia habitável e habilitado as pessoas do sul da Arábia para se espalharem para norte influenciando as técnicas de fabricação de ferramentas.
As novas descobertas em Omã estão de acordo com evidências que revelaram que seres humanos pessoas chegaram à costa leste da Arábia há 125 mil anos atrás e a à área interior norte há 75 mil anos atrás.
Pelo menos dois grupos humanos da Idade da Pedra culturalmente distintos habitaram a Arábia, suspeita Rose: um no sul e outra no norte e leste. Curiosamente, os estudos de DNA indicam que as pessoas se cruzaram com os neandertais logo após deixarem África. Uma idade do gelo entre 75.000 e 50.000 anos atrás pode ter motivado as pessoas e os neandertais a deslocarem-se para a Arábia, que ainda tinha fontes de água, e foi lá onde o cruzamento provavelmente ocorreu, sugere Rose.
As ferramentas de pedra encontradas em Omã, e as encontradas em outros dois locais da Arábia que foram habitadas por H. sapiens, mostram algumas semelhanças, na opinião de Petraglia. "Isso deve significar que a história da migração e sobrevivência, e as dispersões para fora de Africa, são muito mais complexas do que imaginamos", diz ele.
Fonte: Science News

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Encontrados machados de mão mais antigos

Um pedaço de solo na África Oriental revelou a mais antiga coleção de machados de pedra de mão e picaretas, exemplos de que os pesquisadores chamam a indústria Acheulian.
Estes achados Acheulian encontrados no Kokiselei, Quénia, têm mais de 1,76 milhões de anos, sendo um pouco mais velhos que os mais antigos encontrados até à data, revela o geólogo Christopher Lepre da Rutgers University e os seus colegas. Cuidadosamente esculpidos, os machados de mão de dois gumes e as picaretas estavam entre as ferramentas mais simples – lascas afiadas obtidas a partir de pedras - no Kokiselei. Os resultados foram publicados na revista Nature.
Estes achados realçam as suspeitas de que lascas de pedra utilizadas como dispositivos de corte, ferramentas primitivas conhecidas como a indústria Oldowan, não foram suplantadas pelos machados de mão, diz Lepre. Em vez disso, os dispositivos Acheulian mais complexos surgiram enquanto a implementa Oldowan - que apareceu pela primeira vez há cerca de 2,6 milhões de anos atrás, na mesma região - eram ainda populares, embora não esteja claro quanto tempo os dois tipos de ferramentas foram usadas simultaneamente em Kokiselei. Machados de mão de dois gumes e outras ferramentas tipificam a indústria Acheulian.
O Homo erectus, um possível ancestral direto dos humanos modernos, terá feito ferramentas Acheulian e talvez as Oldowan em Kokiselei, sugere a equipa de Lepre. Alternativamente, outra espécie de hominídeo pode ter elaborado os artefactos Oldowan.
"Se as ferramentas Acheulian deram uma vantagem aos hominídeos em África, então talvez grupos carentes de tecnologia fossem forçados a encontrar recursos em outros lugares, como Eurasia", diz Lepre. Em linha com essa proposta, outros pesquisadores desenterraram fósseis de H. erectus em Dmanisi, um local do Oeste Asiático, tão antigo quanto Kokiselei, juntamente com pedras simples de corte, mas não machados de mão. Permanece incerto se o H. erectus, que apareceu pela primeira vez há cerca de 2 milhões de anos, evoluiu em África ou na Ásia.
A equipa de Lepre estimou a idade das ferramentas Kokiselei fazendo medições ao solo onde foram encontrados os artefactos e aos solos vizinhos, e combinando-as com camadas previamente datadas de cinzas vulcânicas que ladeavam os objetos encontrados.
Arqueólogos familiarizados com o novo trabalho dizem que o mesmo move a origem das ferramentas Acheulian para um pouco mais perto da estreia evolutiva do H. erectus, um desenvolvimento interessante, mas não inesperado.
Escavações em Israel na Ubeidiya Formation recuperaram machados de mão e picaretas com 1,5 milhões de anos, presumivelmente feitos pelo H. erectus, que se assemelham aos de Kokiselei, observa Naama Goren-Inbar, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Locais Acheulian na Tanzânia e na Índia também foram datados como tendo mais de 1,5 milhões de anos.
Alguns conjuntos de artefactos Oldowan e Acheulian são muito parecidos, o que implica que a mesma espécie de hominídeo poderia ter produzido os dois tipos de ferramentas, diz Goren-Inbar. Ofer Bar-Yosef da Universidade de Harvard concorda. "O Homo erectus poderia ter feito todas as ferramentas de pedra em Kokiselei", afirma.
São necessários fósseis para confirmar que o H. erectus fez esses artefactos, comenta John Shea da Stony Brook University, em Nova York. Lascas cortantes de pedras aumentaram a complexidade das ferramentas ao longo da Idade da Pedra, embora os arqueólogos muitas vezes ignoram os artefactos Oldowan em sítios de humanos modernos, refere Shea.

Fonte: Science News

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Encontrado palácio ibérico muito antigo na Andaluzia

As escavações iniciadas em Maio deste ano, no local arqueológico de Puente Tablas, em Jaén na Espanha, desenterraram o mais antigo palácio ibérico alguma vez descoberto na Andaluzia, com cerca de 2500 anos de idade. A construção descoberta é o núcleo central de um complexo palaciano que inclui outros edifícios. Pertencente a um príncipe de Puente Tablas, começou a ser construído no século 5 a.C. e levou cerca de 200 anos para se apresentar com a estrutura encontrada actualmente.
O palácio possui 400 metros quadrados de planta com partes bem diferenciadas. A primeira e mais nobre organiza-se em torno de um pátio, no formato aproximado de um quadrado ladrilhado. Nesta área, duas colunas privilegiam um espaço reservado ao norte e uma série de pilares separam a parte ocidental da oriental do edifício. Supõe-se que a divisão espacial marcaria funções muito distintas, públicas a oeste e privadas a leste, uma característica encontrada frequentemente em construções palacianas do Mediterrâneo antigo. Um vestíbulo pavimentado ao sul do edifício daria acesso aos visitantes e suavizaria a diferença de altura do piso entre o pátio e a porta. No canto noroeste do palácio, um segundo pátio seria um espaço de culto com uma cela situada ao fundo e na qual um bétilo – pedra sagrada – marcaria o acesso directamente a partir da rua, embora estivesse em contacto no interior com o resto do edifício. Um sistema de canais feitos de pedra, finalmente, faria a água circular no interior da casa em direcção a um pequeno reservatório. A sudeste, um segundo corpo rectangular anexava-se ao edifício central, pelo menos na fase mais tardia do século 3 a.C., por três naves que se fechavam ante um poderoso muro exterior. Este segundo corpo atenderia às funções relacionadas aos serviços do palácio, como mostra a presença de silos, bandejas, fornos e canais de água entre outros objectos.
O palácio foi construído sobre alicerces de pedra e levantado com adobes e taipas. Cal e gesso eram os materiais comummente utilizados nas paredes, da mesma forma que o revestimento vermelho revela o cuidado no tratamento das suas superfícies. Os azulejos e a pintura vermelha seriam também largamente utilizados no revestimento habitual do piso.
Segundo Arturo Ruiz, do Centro Andaluz de Arqueologia Ibérica (CAAI) da Universidade de Jaén e uma das três pessoas responsáveis pelas escavações, o oppidum – assentamento pré-romano – é importante, não apenas em si, mas também por possuir “uma das melhores fortificações ibéricas já conhecidas”. Com a descoberta deste palácio “dá-se um salto qualitativo no que se refere ao conhecimento da vida ibérica”.
O oppidum de Puente Tablas era uma cidade fortificada que se estendia por mais de 50 km quadrados e devia ter, no seu apogeu no século 4 a.C., em torno de mil habitantes. O assentamento tem uma grande história que começa com um povoado de cabanas ao fim do século 9 a.C., segue com a construção da fortificação e da assimilação da casa de planta quadrangular no século 7 a.C. e continua com o desenvolvimento de um urbanismo muito regular de ruas paralelas e perpendiculares a partir do século 6 A.C., caracterizando, devido à sua cultura material, o início da cultura ibérica no território da cidade de Jaén. Posteriormente, no final do século 4 a.C., o lugar foi abandonado e a população transferiu-se para a serra de Santa Catalina, iniciando o desenvolvimento da cidade de Jaén. Mas o oppidum foi recuperado em meados do século 3 a.C., devido à guerra entre romanos e cartagineses, durante a Segunda Guerra Púnica. No final deste mesmo século, a fortificação acabou por ser abandonada definitivamente.

Fonte: Ciência Diária