quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sequenciado genoma do 'Homem dos Gelos'

Um grupo de cientistas conseguiu sequenciar o genoma completo de Otzi, o homem dos gelos, com mais de 5300 anos, cujo corpo foi encontrado em 1991.
A investigação foi publicada pela revista 'Nature Communications' e revela que tinha os olhos castanhos, era de grupo sanguíneo O e intolerante à lactose; além do mais, tinha predisposição genética a padecer de doenças cardiovasculares.
A análise do ADN revelou ainda estar aparentado aos atuais habitantes da Córsega e da Sardenha, ou não tivesse sido encontrado nos Alpes italianos.
Albert Zink, do Instituto Eurac em Bolzano (Itália), que dirigiu a investigação, explicou que a análise do ADN representa um grande avanço para conhecer a fundo uma das múmias naturais más estudads pela comunidade científica.
A análise do ADN sugere ainda que, provavelmente, os seus antepassados emigraram para o Médio Oriente numa época de transição para a agricultura, o que pode explicar a intolerância à lactose.O 'Homem dos Gelos' media 1,59 e pesava cerca de 50 quilos e teria 46 quando morreu. A causa de morte foi um ferimento por flecha, provavelmente no decurso de um confronto.

Fonte: Diário de Notícias

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ovários têm células estaminais com potencial de produzir óvulos

Uma investigação norte-americana confirmou a existência de células nos ovários de mulheres adultas equivalentes a células estaminais com potencial para produzir óvulos.
Durante décadas os médicos acreditaram que as mulheres nasciam com um número limitado de óvulos, mas uma descoberta da Universidade de Harvard, publicada na revista Nature Medicine, pode desafiar esse dogma e vir a revolucionar os tratamentos de fertilidade, dando uma nova esperança a muitos casais.
Filomena Gonçalves, dirigente da Associação Portuguesa de Fertilidade, disse, esta terça-feira, à TSF que se tratam de boas notícias, mas que pouco adiantam para casais que lutam atualmente para ter um filho.
«Sem dúvida que toda a investigação que é feita nesta área é bastante promissora. No entanto, talvez seja um pouco precoce para alimentar esperança para os casais que estão em tratamento neste momento», disse.
Filomena Gonçalves explicou que «esta investigação poderá abrir portas para novos tratamentos» para «as mulheres com falência precoce ovaria ou menopausa precoce».
Atualmente, as mulheres com estes problemas têm de recorrer à «doação de ovócitos», disse.
Em todos os casos de infertilidade, há alguma dificuldade no acesso aos tratamentos, por existirem longas listas de espera, sobretudo em Lisboa, acrescentou.

Fonte: TSF

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Brasil perde estação na Antárctida para as chamas e vai construir outra

A Presidente do Brasil, Dilma Roussef, emitiu um comunicado em que exprimiu “grande consternação" pelo acidente, elogiou o trabalho dos militares que apagaram o fogo no local e a investigação cíentífica que era conduzida na base. Roussef afirmou, na nota, que o país tenciona reconstruir a estrutura.
Os planos para a construção da nova estação na Antártica, na Ilha Rei George, deverão arrancar já nesta segunda-feira, segundo afirmou o ministro da Defesa brasileiro, Celso Amorim, ouvido pela Agência Brasil.
"A nossa ideia é imediatamente, já, chamar arquitectos para fazer desenhos, inclusive um desenho mais novo. Não estou dizendo que é por isso que aconteceu o incêndio, mas, obviamente, a base começou há 30 anos. Agora já podemos pensar numa coisa para o futuro, digamos, de maneira mais completa, mais orgânica", adiantou Celso Amorim.
Não há ainda estimativas sobre quando estará pronta a nova estrutura.
A estação que o Brasil tinha naquela região sofreu um incêndio na madrugada de sábado, cujas causas ainda estão por apurar. Dois militares acabaram por morrer nas chamas. Os restantes ocupantes da estação – que alojava pessoal militar, investigadores e pessoal de apoio – foram transferidos ilesos para a estação chilena naquela área, a bordo de um helicóptero argentino.
Não há ainda um relatório oficial sobre os prejuízos causados pelo incêndio, mas os relatos apontam para danos irreparáveis e muito material de pesquisa perdido.
“A estação acabou", afirmou um oficial da Marinha brasileira, citado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Já uma bióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que contactou com colegas que trabalhavam estação, explicou que estes saíram do local e “deixaram tudo para trás, documentos, pesquisas, bagagem”. A investigadora acrescentou: “É uma perda irreparável. Contaram que uns foram sendo acordados pelos outros, porque o alarme de segurança da estação não soou. Estamos consternados. Parece que não sobrou nada"

Fonte: Público

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Cavalos eram do tamanho de gatos há 56 milhões de anos

As alterações climáticas fizeram os animais encolher, conclui um estudo publicado na quinta-feira na revista Science.
Há 56 milhões de anos as temperaturas eram mais altas e os cavalos mais pequenos. Teriam cerca de quatro quilos e não seriam maiores que os atuais gatos de estimação, como forma de se adaptarem às altas temperaturas, provavelmente provocadas por gigantescas erupções vulcânicas.
Para chegarem a esta conclusão, os cientistas analisaram fósseis de dentes desta espécie de cavalos (Sifrihippys), encontrados no Wyoming, nos Estados Unidos.
Durante um período de 175 mil anos, na passagem do Paleoceno para o Eoceno (primeira e segunda épocas da era Cenozoica), muitas espécies animais desapareceram e outras diminuiram de tamanho como forma de se adaptarem ao aquecimento global.
Os investigadores Ross Secord, da Universidade do Nebrasca e Jonathan Bloch, do Museu de História Natural da Flórida, acreditam que cerca de dois terços dos animais diminuiram de tamanho nessa época. Uma conclusão que permite perceber o que poderá acontecer nos próximos séculos, que se esperam que venham a ser de muito calor, com a temperatura a aumentar quatro graus nos próximos 100 anos.

Fonte: Diário de Notícias

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Telescópio Hubble descobre nova classe de planeta com mais água que a Terra

Astrónomos confirmaram a existência de um planeta diferente de todos os conhecidos até agora e que terá mais água que a Terra. O GJ1214b, a 40 anos-luz do nosso planeta, foi descoberto pelo telescópio espacial Hubble.
O GJ1214b, mais pequeno que Urano e maior que a Terra, é descrito como um “mundo de água” distante, envolvido numa espessa atmosfera de vapor de água, segundo um estudo que foi aceite para publicação na revista Astrophysical Journal.
“Uma grande quantidade da sua massa é feita de água”, disse em comunicado o astrónomo Zachory Berta, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, que coordenou a equipa internacional de investigadores. “O GJ1214b é diferente de todos os planetas que conhecemos.”
O GJ1214b, a 40 anos-luz da Terra, foi descoberto em 2009 por uma equipa liderada por David Charbonneau que trabalhou com uma série de oito telescópios, no estado norte-americano do Arizona. No ano seguinte, uma outra equipa de cientistas, coordenada por Jacob Bean, tinha descoberto que a atmosfera do planeta poderia ser composta maioritariamente por água.
Agora os investigadores conseguiram confirmar detalhes sobre a atmosfera deste planeta, através da observação de imagens conseguidas pelo telescópio espacial Hubble. De acordo com a NASA, o GJ1214b tem 2,7 vezes o diâmetro da Terra e uma massa quase sete vezes maior. O planeta completa uma órbita em volta de uma estrela anã vermelha a cada 38 horas, a uma distância de dois milhões de quilómetros. Os cientistas estimam que a temperatura à sua superfície seja de 230º C.
Como a massa e o tamanho do planeta são conhecidos, os cientistas podem calcular sua densidade: apenas dois gramas por centímetro cúbico. A água, por exemplo, tem densidade de um grama por centímetro cúbico, enquanto a densidade média da Terra é de 5,5. Isso sugere que o GJ1214b tem muito mais água que a Terra e muito menos rocha. Por isso, a estrutura interna do planeta seria "extraordinariamente diferente" em relação à Terra. “As elevadas temperaturas e as elevadas pressões podem formar materiais exóticos como ‘gelo quente’ e ‘água superfluída’, substâncias que são completamente estranhas à nossa experiência do dia-a-dia”, comentou Zachory Berta.
Os teóricos acreditam que o GJ1214b se começou a formar longe da sua estrela, onde o gelo era abundante, e que depois se aproximou, passando pela zona onde as temperaturas à superfície seriam semelhantes às da Terra. Os cientistas não sabem dizer quanto tempo ele teria ficado nesta posição.
Este planeta é um forte candidato para ser objecto de estudo do telescópio espacial James Webb, que deverá ser lançado em 2018.

Fonte: Público

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Casa de Lego" para adultos disponível em setembro

A empresa portuguesa Cool Haven, em parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, criou uma habitação modular que pode ser mudada de lugar. Segundo a empresa o novo modelo não é comparável a uma casa pré-fabricada.
O site CiênciaHoje dá conta da novidade que chega de Coimbra. Uma casa que é como se fosse feita de Lego só que é mais "resistente, económica e ecológica", garante a Cool Haven.
Trata-se de uma casa de construção rápida, que pode ter várias dimensões, ser desconstruída e até mudada de local.
De acordo com Joaquim Rodrigues, co-fundador e administrador da empresa, "o novo modelo não é comparável a uma casa pré-fabricada", pois além da resistência e longevidade, "tem uma versatilidade muito maior", podendo a sua dimensão variar com o acréscimo ou a redução de módulos.
Explicou ao site CiênciaHoje que "a ideia é responder por exemplo ao aparecimento de um filho, com o acréscimo de divisões, com a mesma facilidade com que pode ser dividida ao meio, perante uma situação de divórcio".
Garante a Cool Haven que apesar da "desconstrução ser tão fácil como a construção" a casa é "segura" mesmo, perante "actividade sísmica ou tempestades ciclónicas".
O preço do metro quadrado custa a partir de 700 euros, variando em função das suas dimensões, equipamentos e acabamentos. O tempo estimado de construção de um edifício com 150 metros quadrados é inferior a um mês.
A construção da primeira moradia unifamiliar deverá estar concluída em setembro, em exposição no Parque Tecnológico de Coimbra (iparque).

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Investigadores holandeses produzem em laboratório carne com células estaminais

Investigadores holandeses utilizaram células estaminais bovinas para produzir carne e prevêem que em Outubro terão o primeiro hambúrguer em laboratório, orçado em 250.000 euros. Este feito, dizem os cientistas, pode vir a reduzir o número de gado abatido para alimentação e as emissões de gases com efeito de estufa.
A equipa de Mark Post, director do departamento de fisiologia da Universidade de Maastricht, produziu pequenos pedaços de músculo, com cerca de dois centímetros de comprimento por um centímetro de largura e meio milímetro de espessura. Estas pequenas tiras de músculo, produzidas a partir de células estaminais de bovino, serão misturadas com sangue e gorduras produzidas artificialmente e depois prensadas para, em Outubro, produzir um primeiro hambúrguer, orçado em 250.000 euros, disse aos jornalistas Mark Post, à margem da conferência anual da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), que se reuniu neste fim-de-semana em Vancouver. Mas com a melhoria nas técnicas de produção, os preços irão baixar.
“O meu projecto visa criar carne a partir de células estaminais com uma tecnologia desenvolvida pela medicina há mais de 20 anos e que já atingiu a maturidade”, acrescentou Mark Post. “Os tecidos produzidos [em laboratório] têm exactamente a mesma estrutura dos originais”, garantiu. Além disso, a carne produzida em laboratório poderá ser controlada para apresentar certas qualidades, como por exemplo conter níveis elevados de ácidos gordos (Ómega 3), benéficos para a saúde. Esta técnica permite também produzir a carne de qualquer animal. “Poderíamos fazer carne de panda, tenho a certeza que sim”, disse Mark Post citado pelo jornal The Guardian.
Tornar produção de carne mais eficaz
Este projecto de investigação, que começou há seis anos, foi financiado por um doador que quer manter o anonimato e cujo desejo é “ver diminuir o número de animais abatidos pela sua carne e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, resultante da produção de gado”, acrescentou Mark Post.
“A produção de carne deverá duplicar até 2050 para responder à procura. Actualmente já mobiliza 70% das nossas terras agrícolas”, estimou o investigador holandês. A criação de gado contribui ainda para as alterações climáticas através das emissões de metano, gás com efeito de estufa.
“Vamos apresentar as provas de que isto é possível, o que abrirá a porta ao início do desenvolvimento deste produto e a todos os processos para tornar a produção mais eficaz, o que é essencial”, continuou. Mark Post espera ver esta carne produzida a grande escala nos próximos 10 a 20 anos.
Patrick Brown, professor de bioquímica da Universidade de Stanford, na Califórnia, salientou durante a mesma conferência de imprensa que a importância deste avanço é “denunciar a agricultura actual – e sobretudo a criação de gado – como a maior catástrofe mundial em curso”.
“Tudo o que travar a conversão de terras para a agricultura é algo de positivo”, disse Sean Smukler, investigador da Universidade da Colúmbia Britânica, à BBC. “Neste momento já estamos a atingir um ponto crítico em termos de terra arável disponível.”

Fonte: Público

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Bactérias propagam-se em tratamento de águas

Águas residuais urbanas tratadas nas respetivas estações podem disseminar bactérias multirresistentes a antibióticos que não são eliminadas no tratamento secundário que é feito, alerta uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA).
Segundo explicou Alexandra Moura, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro, em Portugal só uma minoria das estações faz o tratamento terciário.
É o caso da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) do Freixo, no Porto, que já tem processos de ozonação e aplicação de lâmpadas de raios ultra-violeta. Mas a generalidade das estações de tratamento de águas residuais do País apenas faz o tratamento secundário, devido aos custos.
A equipa de investigadores do CESAM, de que Alexandra Moura faz parte, em artigo científico publicado no "Research in Microbiology" e considerado de 'especial interesse' pelo portal Global Medical Discovery, sublinha a necessidade da aplicação de normas em Portugal e na Europa que obriguem à quantificação de genes e bactérias multirresistentes a antibióticos após tratamento de águas residuais, contribuindo assim para evitar a sua proliferação no ambiente.
O artigo destaca o papel das águas residuais urbanas como veículo de disseminação de bactérias multirresistentes a antibióticos e sublinha a necessidade de aplicar métodos de eliminação destes agentes, que subsistem mesmo após o tratamento secundário.
A solução passaria pela aplicação do tratamento terciário que, na versão plena, envolve remoção de nutrientes e eliminação de bactérias, mas são tecnologias dispendiosas, reconhece a investigadora.
"Há poucas estações que façam o tratamento terciário, mesmo na Europa. Na impossibilidade de o fazer, a alternativa passa por otimizar os parâmetros de tratamento naquelas que só têm tratamento secundário, aumentando os tempos de retenção e diminuindo a concentração de oxigénio", explicou à Lusa.
Apesar de haver estudos que provam que essa alternativa "tem algum efeito na diminuição dos genes de resistência a antibióticos", Alexandra Moura adverte que tal solução nem sempre é fácil porque depende da dimensão do caudal que a ETAR recebe. "Se forem caudais muito grandes, tempos de retenção muito longos também afetam depois a capacidade tratamento da ETAR, pelo que é complicado", esclarece.
Mesmo em sistemas que lançam o efluente tratado no mar, a presença dessas bactérias não é eliminada, mas apenas dispersa, mas é nas estações de tratamento que descarregam para os rios que o risco é maior, até pela possível utilização posterior dessas águas para rega agrícola.
"O que influencia mais é o tipo de efluente que a ETAR recebe. Nos domésticos e de origem animal há maior prevalência", diz a investigadora, salientando que é urgente haver monitorização e controlo das águas residuais pós-tratamento em ETAR.
O estudo coordenado por António Correia, professor do Departamento de Biologia da UA e investigador do CESAM, identificou ainda novas sequências de genes envolvidos na resistência a antibióticos e virulência bacteriana.
As bactérias multirresistentes são bactérias que simultaneamente resistem a antibióticos de vários grupos químicos e algumas persistem após o habitual tratamento secundário nas estações de tratamento, pelo que a presença de genes e bactérias multirresistentes em efluentes tratados pode levar à sua dispersão noutros ambientes aquáticos e eventualmente meios agrícolas.

Fonte: Diário de Notícias

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Investigadores descobrem que cabras têm sotaques diferentes

Investigadores da Universidade de Londres descobriram que nem todos os balidos são iguais e que os cabritos adoptam sotaques diferentes assim que começam a socializar com outros animais. O estudo foi publicado na revista Animal Behaviour.
A descoberta surpreendeu os cientistas porque até agora se pensava que os sons da maioria dos mamíferos eram demasiado primitivos para permitir variações subtis. As únicas excepções conhecidas eram os humanos, morcegos e cetáceos, apesar de muitas aves terem a capacidade de imitar sons.
Agora, as cabras (Capra hircus) juntaram-se ao clube, segundo Alan McElligott, da Universidade de Londres.
Allan McElligot e o seu colega Elodie Briefer estudaram 23 crias de cabras recém-nascidas. Para reduzir o efeito da genética, todos os animais nasceram do mesmo pai, mas de mães diferentes.
Os investigadores deixaram os cabritos com as suas mães e registaram os seus balidos com uma semana de idade. Depois, os 23 animais foram distribuídos ao acaso em quatro grupos separados, entre os cinco e os sete animais.
Quando chegaram às cinco semanas de idade, os seus balidos foram novamente gravados. “Tínhamos para analisar 10 a 15 tipos de balidos por cabrito para analisar”, disse McElligott, ao site New Scientist. Alguns dos balidos eram claramente diferentes mas análises mais detalhadas, baseadas em 23 parâmetros acústicos, conseguiram identificar variações mais subtis. Segundo os investigadores, cada grupo de cabritos tinha desenvolvido um sotaque distintivo. “Provavelmente é algo que ajuda à coesão do grupo”, acrescentou McElligott.
Em Maio do ano passado, a investigadora Elodie Briefer publicou um estudo na revista Animal Cognition onde concluiu que as cabras são capazes de reconhecer os balidos das suas crias.
As capacidades vocais não se limitam às cabras. Em 2006, um cientista da mesma Universidade de Londres e especialista em fonética, John Wells, realizou um estudo onde concluiu que as vacas aprendem sotaques regionais diferentes ao mugir.

Fonte: Público

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Documentos revelam plano para desacreditar ciência climática em escolas dos EUA

Documentos divulgados esta semana na Internet revelam alegados detalhes da estratégia de uma organização norte-americana que contesta a visão dominante na ciência sobre as alterações climáticas, incluindo um plano para levar as suas teses às escolas.
Os documentos – na maior parte relacionados com uma reunião realizada em Janeiro – supostamente pertencem ao Instituto Heartland, uma das organizações mais activas nos EUA na contestação às evidências da influência humana sobre o aquecimento global verificado no século XX.
O instituto confirmou num comunicado, ontem, que alguns dos documentos “foram roubados” e “pelo menos um é falso e alguns podem ter sido alterados”.
“Os documentos roubados foram obtidos por uma pessoa desconhecida que fraudulentamente assumiu a identidade de um membro da direcção do [Instituto] Heartland e convenceu um funcionário a ‘reenviar’ materiais da direcção para uma nova morada de email”, refere o comunicado, divulgado ontem à noite. “Nós queremos identificar esta pessoa e vê-la na prisão por esses crimes”, acrescenta o comunicado.
Um caso semelhante – conhecido como Climategate – ocorreu no final de 2009, quando emails de vários climatologistas obtidos ilegalmente dos servidores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, foram publicados na Internet. O conteúdo de alguns emails foi interpretado como revelador de que alguns cientistas manipularam ou ocultaram dados que poderiam enfraquecer a conclusão de que a Terra está a aquecer e que a culpa principal é humana. Três inquéritos posteriores refutaram que tenha havido qualquer fraude ou má-conduta científica, embora tenham apontado falhas na disponibilização pública de dados.

Materiais escolares alternativos
Agora, a situação é a inversa. Os documentos alegadamente revelam a estratégia interna de uma organização cuja posição contra a ciência climática vigente é publicamente conhecida. “Não tivemos até agora nenhuma prova a indicar que os documentos não são reais”, disse ao PÚBLICO Branden DeMelle, editor do blogue DeSmogBlog, que divulgou os documentos do Instituto Heartland.
Pelo menos um dos documentos – um memorando “confidencial” sobre a estratégia climática do Instituto Heartland – é refutado pela organização como “totalmente falso, aparentemente com a intenção de difamar e desacreditar” o instituto, segundo o comunicado. Parte do seu conteúdo, no entanto, está reproduzida noutro documento, cuja autenticidade o instituto não desmentiu no comunicado – embora tenha dito que ainda está a verificar a autenticidade de todo o material.
Neste documento – um plano para obtenção de fundos em 2012 – há uma menção a uma proposta para a produção de materiais escolares que apresentem a questão das alterações climáticas como controversa em vários aspectos, desde os modelos climáticos até à influência humana – o que coincide com as posições que o Instituto Heartland assume publicamente. O argumento invocado no documento é o de que não há livros escolares que não sejam "alarmistas ou abertamente políticos".
O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar por email o autor desta proposta, David Wojick, descrito no site do instituto como consultor do Departamento de Energia do Governo norte-americano.

Informações sobre doadores
O documento detalha o financiamento deste e de outros projectos – incluindo o apoio ao Nongovernamental International Panel on Climate Change (NIPCC), uma rede de especialistas com visões alternativas às do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Também figura no documento o apoio à criação de um site com interpretações gráficas dos dados de uma nova rede de estações meteorológicas da NOAA, a agência norte-americana para a atmosfera e os oceanos – uma ideia do meteorologista e blogger norte-americano Anthony Watts, que defende que a tese humana do aquecimento global baseia-se em dados imprecisos.
Há menções a apoios a outros nomes conhecidos entre os chamados “cépticos” das alterações climáticas, e que já figuravam como colaboradores do Heartland Institute.
Embora muita da informação apenas detalhe ligações que já se conheciam, os documentos revelam dados que o instituto não divulga publicamente, em especial sobre os seus financiadores. O seu último relatório anual, divulgado no site do instituto, refere apenas que, em 2010, foram recebidos 6,1 milhões de dólares (4,7 milhões de euros), dos quais 48% vieram de fundações, 34% de empresas, 14% de pessoas individuais e 4% de outras fontes.
Nos documentos agora divulgados surge a menção a um doador em particular – descrito como “o doador anónimo” –, que terá sido responsável, individualmente, por uma expressiva fatia das receitas do instituto. Em 2010, terá contribuído com o equivalente a 1,3 milhões de euros (27% do total) e em 2011 este valor terá caído para cerca de 770 mil euros (21%). Em 2007, 63% das receitas terão vindo deste doador, com uma contribuição de 2,5 milhões de euros. A maior parte destes valores foi aplicada nas actividades relacionadas com as alterações climáticas – uma das principais, mas não a única, do Instituto Heartland.
Os documentos revelam uma extensa lista com dezenas de apoiantes do instituto. Na lista não aparecem referências directas a empresas petrolíferas – sendo que, pelo menos, a ExxonMobil terá, no passado, financiado organizações e pessoas contra a visão consensual da ciência sobre as alterações climáticas. Consta da lista a fundação Charles G.Koch, ligada à indústria do petróleo, com uma contribuição marginal em 2011 (0,5% das receitas do instituto) e que no orçamento para 2012 se espera ampliar para 2,5%.
Indirectamente, o Instituto Heartland reconheceu a veracidade da lista de doadores, a quem pediu desculpas, no seu comunicado, pelas suas identidades “terem sido reveladas por este roubo”.

Fonte: Público

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Tribunal Europeu: redes sociais não têm que controlar downloads

A decisão do Tribunal de Justiça Europeu é uma vitória para as empresas que operam as redes sociais, uma derrota para os que combatem os downloads ilegais de conteúdos como música e filmes.
O Tribunal de Justiça Europeu determinou hoje que os 'sites' das redes sociais não podem ser obrigados a instalar filtros que impeçam a transferência de músicas ou outros ficheiros protegidos pelo direito de autor.
A decisão é uma vitória para as empresas que operam as redes sociais na União Europeia, mas uma derrota para os que defendem restrições à distribuição de obras protegidas pelo direito de autor sem pagamento ou autorização.
Ela é divulgada numa altura em que se registam crescentes protestos na Europa contra o acordo internacional ACTA (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), negociado entre a UE, Estados Unidos, Japão, Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Singapura, Coreia do Sul, Marrocos, México e Suíça.
Na decisão hoje anunciada, o Tribunal europeu, a mais alta instância judicial da UE, determinou que exigir a instalação de filtros que cubram todos os utilizadores do 'site' não permite proteger dados pessoais e contraria a liberdade de receber e partilhar informação.

Encontrar o equilíbrio justo

Num comunicado de imprensa, o Tribunal afirmou que obrigar os 'sites' a policiar as redes não respeitaria "o princípio de que deve ser encontrado um equilíbrio justo entre a proteção do direito de autor, por um lado, e a livre iniciativa, o direito de proteção dos dados pessoais e a liberdade de receber e partilhar informação".
O Tribunal pronunciou-se relativamente a uma queixa apresentada pela sociedade belga de direitos de autor, SABAM, contra as práticas da rede social NetlogTV, cujos perfis de utilizador permitem a partilha ilegal de obras protegidas.
À semelhança de outras redes sociais como o Facebook, o Twitter ou o Youtube, a Netlog permite aos utilizadores a criação de um perfil que possibilita ligações com amigos e publicar fotos, vídeos ou outras ligações, incluindo materiais protegidos pelo direito de autor.
Em novembro, a SABAM já perdeu um outro processo em que pretendia que os fornecedores de serviço Internet fossem obrigados a instalar filtros que impedissem os 'downloads' ilegais.

Fonte: Expresso

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Cancro do estômago é o único que diminuiu a incidência


O cancro do estômago é o único que regista uma diminuição em Portugal, uma descida que se deve a décadas de utilização do frigorífico na conservação dos alimentos, revelou a diretora do Registo Oncológico Regional do Sul (ROR Sul).

Ana Miranda falava a propósito dos dados mais recentes da incidência, sobrevivência e mortalidade por cancro, ocorridos na população residente nas regiões abrangidas pelo ROR-Sul: Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Região Autónoma da Madeira.
Estes dados, referentes aos cancros diagnosticados em 2006, serão divulgados hoje nas XIX Jornadas ROR-Sul e apresentam a evolução dos principais tumores no homem e na mulher entre os anos 1998 e 2006.
Dos resultados, Ana Miranda destaca o facto de o cancro do estômago estar a "perder cada vez mais lugar de destaque", o único em que se verifica esta diminuição de incidência.
As razões, explica-as com um maior controlo da doença, mas sobretudo com a melhoria das condições de vida.
"O cancro do estômago está relacionado com a helicobacter pylori [bactéria que infeta o estômago humano], que hoje em dia já se consegue erradicar graças a uma melhor conservação dos alimentos no frigorífico, ao contrário do que se passava antigamente quando a conservação era feita por salmoura e fumeiro", explicou.
O frigorífico já foi inventado há décadas, mas é preciso todo este tempo para se estabelecer uma causa efeito e começar a ver os resultados, esclareceu.
É o que se passará com a vacina contra o cancro do colo do útero, que atualmente ainda não tem reflexos na redução da incidência deste tipo de tumor.
"Ainda é uma coisa muito recente. A vacinação faz-se até aos 16 anos e o tumor ocorre muito mais tarde. A repercussão vamos ver daqui a uns anos, porque esta vacinação só vai ter efeito sobre estas mulheres, já que as que são agora mais velhas não foram vacinadas", afirmou.
Ana Miranda salvaguarda que também não se sabe "até quando esta vacina confere imunidade".
A taxa de incidência para este cancro anda à volta (taxa alta em relação aos outros países da Europa) dos 11 por cem mil, uma taxa ainda alta em relação aos outros países europeus.
"Aqui o rastreio é altamente eficaz, conseguimos detetar lesões pré-malignas, e detectando-as o risco fica igual ao das outras mulheres", sublinhou a responsável.
O cancro do colo do útero aumenta grandemente a incidência a partir dos 35 anos. Desta idade até aos 39 a incidência é de 55 por cem mil mulheres e dos 40 para os 45, a incidência duplica, passando para os 110 casos por cem mil mulheres.
Outro tumor em relação ao qual o rastreio é fundamental é o da mama, que continua a ser "de longe o mais importante, representando 30 por cento do total de casos de cancro na mulher".
"Se compararmos com mortalidade, a incidência é quatro vezes mais do que a mortalidade. Temos para 600 óbitos uma incidência de 2.400 casos".
O segundo é o do cólon, mas mesmo assim ainda muito longe do da mama, representando 11% do total, tanto no homem como na mulher.
O cancro que continua a afetar mais homens é o da próstata -- 30% do total de cancros -- embora este seja também o que tem uma maior taxa de sobrevivência (80%).
"Isto tem a ver com o teste PSA [Antígeno prostático específico] que permite detetar na fase inicial, um fator fundamental para a sobrevivência na maioria dos tumores".
Entre os homens o segundo cancro com maior incidência é também o mais mortal, o do pulmão (e também o da traqueia), em relação ao qual se nota um acentuar da preponderância, afirmou.
Atualmente está a ser feita uma monitorização destes tumores, mas só daqui a uns anos é que se vai poder ver o impacto das medidas antitabagistas, já que os cigarros são a principal causa de cancro do pulmão, mas também com grande impacto numa série de outros como o da língua, da boca, do lábio, do esófago e até da bexiga.

Fonte: Diário de Notícias

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Apple revela novo iPad até 7 de março

A terceira geração do iPad vai ser anunciada a 7 de março, segundo avança o site iMore, citando fontes próximas da empresa.
O All Things Digital já tinha noticiado que a conferência seria marcada para a primeira semana de março. Segundo o iMore, confirmam-se os rumores de que o tablet terá um processador quad-core (o que multiplica a sua capacidade), mas não é certo que seja compatível com 4G – algo que foi reportado pelo Wall Street Journal.
O WSJ também fala de um ecrã ligeiramente menor. Os rumores têm apontado para que apresente já o retina display que o iPhone 4 tem, com uma resolução muito maior.  

Fonte: Dinheirovivo

NASA não tem dinheiro para mandar sondas a Marte

É o anúncio-choque da proposta de orçamento para 2013 de Barack Obama: a NASA não tem dinheiro para enviar missões para Marte, nem sequer para as duas missões ExoMars, que tinha planeado com a Agência Espacial Europeia (ESA) desde 1999.
Em tempos de falta de dinheiro e opções difíceis, a agência espacial norte-americana optou por continuar a construção do telescópio espacial que substituirá o Hubble e por desenvolver o novo sistema de foguetões e cápsulas tripuladas, uma aposta para voltar a levar astronautas com a bandeira das estrelas e das listras para o espaço. “Não há dúvida de que tivémos de tomar decisões duras”, disse o administrador da NASA, Charles Bolden, na apresentação do orçamento.
Os valores do orçamento permanecem estáveis, em 17,7 mil milhões de dólares para o ano fiscal de 2013 (que começa em Outubro), e assim devem permanecer nos próximos anos. Mas os custos do Telescópio Espacial James Webb (que não será lançado antes de 2018), que se estimam em 6,5 mil milhões de dólares, serão cada vez maiores, apesar de já ter ultrapassado em muito o orçamento inicial, e a data esperada de conclusão. Já esteve para ser abandonado, mas o Congresso ordenou à NASA que o terminasse.
Por outro lado, o dinheiro que a NASA canaliza para a exploração tripulada do sistema solar e a tecnologia espacial deve aumentar de 6% para 22% — para desenvolver meios alternativos aos vaivéns, aposentados definitivamente no ano passado.
O resultado disto é que a percentagem do orçamento dedicada à exploração planetária, onde se incluem as missões robóticas para Marte, fica reduzida em 21% na proposta de orçamento da NASA. “Este é um orçamento estável, que nos permite suportar um portfólio diversificado”, garantiu o administrador da agência espacial.
Mas esta retirada do jogo é, pelo menos, má diplomacia. Deixa um parceiro pendurado — a ESA — que já fez investimentos nas duas missões ExoMars. A primeira é uma sonda que ficaria em órbita de Marte, a ExoMars Trace Gas Orbiter, a lançar em 2016, para tentar compreender o mistério do metano na atmosfera do planeta. Este gás pode ter origem biológica, mas tem de ser constantemente renovado para persistir na atmosfera. Qual a sua origem em Marte? A segunda missão, um robô que andaria pela superfície, deveria partir em 2018, para recolher amostras de materiais que fornecessem pistas sobre se houve vida em Marte no passado.
A ESA está a tentar interessar a Rússia em participar nas missões ExoMars e, após a saída dos EUA, o interesse na colaboração de Moscovo pode ser ainda maior. Por outro lado, tanto a ESA como a Alemanha têm expressado um interesse crescente na cooperação espacial com a China — que não poderia participar se os EUA estivessem a bordo.

Fonte: Público

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

LHC vai aumentar a potência antes de fazer uma pausa nos trabalhos

O Grande Acelerador de Hadrões vai aumentar a potência, anunciou nesta segunda-feira o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN). Este aumento da energia, nas colisões de feixes de protões, tornará mais fácil a detecção do bosão de Higgs, a partícula que, segundo as teorias da física, dá massa à matéria.
Durante os últimos dois anos, os feixes de protões estavam a colidir com energias de 3,5 tera electrovolts (TeV), a energia que resultava do choque chegava aos sete TeV. Agora a energia vai ser aumentada para quatro TeV.
Múltiplas partículas podem ser produzidas durante estes choques, com probabilidades diferentes. O bosão de Higgs é uma delas, mas até agora nunca foi encontrado.
Desde 2008, aquando a inauguração do LHC (sigla para o acelerador), que os cientistas andam à procura do bosão. Só no ano passado é que conseguiram alguns resultados que indicam a sua presença. Mas estes resultados precisam de confirmação. Ao aumentar a energia do feixe em 0,5 TeV, os cientistas vão conseguir colisões na ordem dos oito TeV, o que aumenta em 30 a 40% a probabilidade de se produzirem bosões de Higgs durante as colisões, facilitando assim a detecção destas partículas, explica a revista American Scientist.
O acelerador, um túnel circular que fica a 100 metros de profundidade debaixo da Terra, situado na região fronteiriça da França com a Suíça, vai parar a sua actividade no final de 2012. A pausa servirá para fazer uma actualização dos sistemas. Quando voltar a funcionar, o LHC irá produzir feixes na ordem dos 7 TeV, se tudo correr bem. Por isso, até à paragem é o tudo por tudo.
"Na altura em que o LHC fizer a sua primeira grande paragem no final deste ano, saberemos se existe um bosão de Higgs ou se excluímos o bosão de Higgs previsto pelo Modelo Padrão," disse Sergio Bertolucci, Director de Pesquisa no CERN, em comunicado. "De qualquer forma, teremos um enorme avanço no nosso entendimento da Natureza, aproximando-nos da compreensão de como é que as partículas fundamentais adquirem a sua massa, e marcando um novo capítulo em física de partículas."

Fonte: Público

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Meio de auxílio ao diagnóstico criado por portuguesa premiado

Um novo método de auxílio de diagnóstico de determinadas doenças, especialmente da diabetes, foi premiado com o 'Best Student Paper Award', na conferência internacional Bioinformatics 2012, anunciou hoje a reitoria da Universidade de Coimbra (UC).
O prémio de melhor artigo científico foi atribuído a Edite Figueiras, doutoranda em engenharia biomédica, no âmbito de "uma investigação iniciada, há quatro anos", no Centro de Instrumentação da UC, em colaboração com investigadores internacionais e financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.
A investigação permitiu criar "um protótipo de produto, que mede, com todo o rigor, o fluxo sanguíneo nos vasos mais pequenos" e, por isso, "também os mais difíceis de medir", disse, à Agência Lusa, o investigador principal do projeto, Requicha Ferreira.
O protótipo -- um fluxómetro a laser --, "não invasivo", envia e recebe, através de fibra ótica, "informações resultantes da sua interação com os glóbulos vermelhos, medindo a velocidade de circulação do sangue", acrescentou o especialista.
Este meio permite medir o fluxo de sangue presente até às camadas mais profundas da pele, afirmou Requicha Ferreira, sublinhando que as informações ali recolhidas "podem ser, depois de convenientemente estudadas, muito importantes", no âmbito do diagnóstico de certas doenças.
O fluxómetro desenvolvido pela UC -- sintetizou --, permite "correlacionar os fenómenos que se passam na pele", em função da velocidade da circulação capilar sanguínea, "mesmo nas camadas mais profundas".
Sem este novo meio de auxílio de diagnóstico (ou qualquer outro com esta capacidade), só é possível efetuar medições nas camadas superficiais da pele, salientou Requicha Ferreira, recordando que as diferentes doenças afetam, no corpo humano, de modo diverso, "as várias camadas microcirculatórias".
Ao medir-se o fluxo sanguíneo presente em cada uma das camadas microcirculatórias, é possível detetar "a camada da pele mais afetada" e, portanto, localizar a zona mais atingida pela falha da microcirculação.
Trata-se, sem dúvida, de "um contributo muito importante para o auxílio no diagnóstico médico e na terapêutica de várias doenças, especialmente na diabetes", já que, explicitou Requicha Ferreira, permite verificar a gravidade de determinada doença.
As atenções dos estudos dos investigadores do CIUC envolvidos neste projeto vão agora centrar-se na "otimização do dispositivo", na perspetiva de o poder vir a colocar no mercado.

Fonte: Diário de Notícias

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Bitdefender alerta para falsos vídeos de comportamentos heróicos no Facebook

A Bitdefender, provedor de soluções de segurança para a Internet, alertou hoje para a proliferação de falsos vídeos de comportamentos heróicos no Facebook, cujo intuito é entrar na conta dos utilizadores.
Em comunicado, a empresa adianta que esta "nova fraude no Facebook" atua através de vídeos de comportamentos heróicos, como a história de um polícia que morreu para ajudar um cidadão.
Quando os utilizadores tentam ver estes falsos vídeos, que são acompanhados de mensagens como "precisamos mais gente como esta" ou "isto é um herói", é-lhes pedido que instalem um complemento para o seu 'browser' ou uma atualização para o Youtube.

Fonte: Expresso

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Receber artigos de graça e testá-los comodamente em casa...

A Internet é uma ferramenta poderosa de marketing, talvez mesmo a mais poderosa de todas. As marcas sabem bem isso e portanto não param de criar novas maneiras de promover e divulgar os seus produtos. Uma das formas que tem vindo a crescer muito nos últimos anos, mais ainda por causa do contexto de crise económica global em que estamos atualmente, é o teste de produtos grátis. A ideia é muito simples (volto a referir, já existe há vários anos, mas é algo que tem vindo a crescer drasticamente nos últimos tempos)... há sites onde as pessoas se podem registar e candidatar-se a receber produtos grátis na sua casa; ou então, há lojas em que as pessoas pagam uma quota anual e podem levar para casa um determinado número de artigos. Em ambos os casos o que têm que fazer é utilizar os produtos no dia-a-dia e depois devem divulgar a sua opinião, através da internet.
Como qualquer fenómeno da internet, este também já recebeu um nome, sendo designado por tryvertising ou advertrying (do inglês try + advertising). Da minha parte, posso dizer que já me rendi a esta situação e penso que é a melhor forma de podermos experimentar os artigos antes de os comprarmos. Se quiser ser um tryvertiser, pode clicar no seguinte link (Experimentar produtos grátis) e depois  é só começar a experimentar... :) Neste site já houve artigos de várias marcas conhecidas para teste, tais como Colgate, Ben & Jerry, Mimosa, Nintendo, etc.

Cientistas da Universidade do Algarve descobrem ser vivo mais velho da Terra

O ser vivo mais velho da Terra que se conhece vive mesmo ao lado da Península Ibérica, é uma erva marinha que cresce no Mediterrâneo e pode ter mais de 100.000 anos, de acordo com uma equipa de cientistas que integra investigadores da Universidade do Algarve. A descoberta foi publicada nesta semana na revista Public Library of Science One.
A erva marinha chamada Posidonia oceanica não é uma alga, mas sim uma angiospérmica, ou seja, pertence ao grupo das plantas que dão flores, e é endémica do mar Mediterrâneo.
A planta tem folhas curtas que podem crescer até ao metro e meio, e apesar de ter flores e reproduzir-se sexualmente, utiliza na maior parte das vezes indivíduos clones para se ir dispersando. O seu crescimento é muito lento, demorando 600 anos para cobrir um espaço de 80 metros nas pradarias subaquáticas do Mediterrâneo.
A equipa liderada por Ester Serrão, do Centro de Ciências do Mar, da Universidade de Algarve, que contou com investigadores de Espanha, analisou a nível genético os espécimes desta planta que vivem em 40 pradarias aquáticas ao longo de 3500 quilómetros do mar Mediterrâneo.
Os resultados revelaram que muitos espécimes são clones uns dos outros, alguns com dezenas de milhares de anos. Um pedaço erva com 15 quilómetros de largura, que fica ao pé da ilha espanhola Formentera, poderá ter mais 100.000 anos.
Esta descoberta demonstra a robustez de um genoma capaz de se adaptar a diferentes habitats, ao longo do tempo. Mas também pode ser a razão do declínio desta planta, cujo genoma poderá não aguentar as rápidas mudanças climáticas recentes: nos últimos 100 anos, a área de distribuição da Posidonia oceanica diminuiu em 10%.

Fonte: Público

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Zebras têm riscas pretas e brancas para afastar as moscas

Porque é que as zebras têm riscas brancas e pretas? De acordo com um estudo realizador por investigadores da Hungria e da Suécia, e agora publicado no Journal of Experimental Biology, o objetivo das riscas é sobretudo um: afastar os insetos que lhes sugam o sangue e transmitem doenças.
Várias explicações têm sido avançadas ao longo de décadas de investigação e já se sabia que a principal função das riscas tinha a ver com a camuflagem, mas falava-se sempre de as zebras estarem a escapar aos seus predadores. Este estudo vem dar uma explicação diferente. Na verdade, o segredo não é tanto o facto de as zebras terem riscas mas sim o modo como os padrões em riscas refletem a luz.
"Começámos a estudar cavalos com pelo branco, preto e castanho", explicou à BBC Susanne Akesson, da Lund University, e um dos elementos da equipa internacional de cientistas que realizou este estudo. "Descobrimos que os cavalos preto e castanhos refletem ondas de luz polarizadas na horizontal", o que atrais geralmente os insetos, sobretudo as moscas da família Tabanidae. Já a pele branca tem uma forma diferente de refletir a luz, tornando-se menos atraente para as moscas.
Foi a partir desta descoberta que os investigadores voltaram a sua atenção para as zebras que, além de padrão com branco, têm riscas verticais, o que torna tudo diferente: "Fizemos uma experiência e descobrimos que o padrão da zebra era, de longe, aquele que atraia menos moscas. isto foi uma surpresa."
Isto não significa que as outras explicações estão erradas, avisam os cientistas. Até porque, se isto fosse assim tão linear, talvez outros animais que costumam ser incomodados pelas moscas também devessem ter evoluído no sentido de ter riscas. Como afirma o biólogo Matthew Cobb, citado pela BBC: "O meu palpite é que não há uma única explicação, mas são vários os factores que contribuíram para as riscas das zebras."

Fonte: Diário de Notícias

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Nave Mars Express revela que já houve um oceano em Marte

Há fortes indícios de que uma parte da superfície de Marte já esteve coberta por um oceano, mostram dados recolhidos pela nave Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA) e da Agência Espacial Italiana.
Através de um radar, o MARSIS, a nave detetou restos de sedimentos de fundo oceânico, dentro dos limites de uma zona costeira que já tinha sido identificada.
"A interpretação que fazemos é de que se trata de depósitos sedimentários, talvez ricos em gelo", afirma Jérémie Mouginot, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble (IPAG), em França, e da Universidade da Califórnia, acrescentando que "isto é uma nova e forte evidência de que naquela região já existiu um oceano".
Já havia suspeitas de que teriam existido oceanos em Marte e já foram identificadas reminiscências de uma costa, em imagens captadas por várias sondas espaciais.

Cientistas sugerem dois oceanos
Os cientistas sugerem dois oceanos: um há 4 mil milhões de anos, quando o clima era mais quente, e outro há 3 mil milhões de anos, quando o gelo por baixo da superfície derreteu depois de um forte impacto, que criou canais de escoamento que conduziram a água para áreas mais baixas.  
"O MARSIS penetra bem fundo no solo, revelando os primeiros 60-80 metros da sub-superfície do planeta," explica Wlodek Kofman, líder da equipa do radar no IPAG.
Nesta profundidade, há evidência de sedimentos e de gelo. Os sedimentos são de materiais granulosos de baixa densidade, sujeitos à erosão da água.

Água congelou novamente
Este oceano desaparecido agora revelado pela Mars Express terá sido, no entanto, temporário. Num espaço temporal de um milhão de anos ou menos, estima Mouginot, a água terá congelado novamente, sendo preservada debaixo do solo, ou ter-se-á transformado em vapor de água, subindo lentamente até à atmosfera.
"Não acredito que o oceano tenha existido tempo suficiente para a formação de vida", afirma o cientista. Para encontrar indícios de vida, os astrobiólogos terão de investigar um período ainda mais antigo na história de Marte, quando a água líquida permaneceu por períodos mais longos no planeta.
Olivier Witasse, responsável do projeto da ESA para a Mars Express, recorda que "os resultados anteriores da nave sobre a água em Marte vieram do estudo de imagens e dados mineralógicos, bem como de medições atmosféricas, e agora temos a visão do radar de sub-superfície. Mas a questão permanece: para onde foi toda a água?"

Fonte: Expresso

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ADN dos denisovanos sequenciado integralmente e colocado online

A partir de uma ínfima parcela da falange de um dedo fossilizado, descoberta em 2008 na gruta Denisova, na Sibéria, foi agora possível obter o primeiro genoma de alta qualidade de uma espécie extinta de seres humanos.
Os autores deste feito técnico, liderados por Svante Pääbo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig, na Alemanha, colocaram hoje online, à disposição de toda a comunidade científica, a sequência genética de um representante destes hominídeos que, juntamente com os neandertais, são os nossos mais próximos parentes extintos.
O reconhecimento oficial de que os denisovanos constituem uma espécie antes desconhecida veio em 2010, quando a equipa de Pääbo publicou na revista "Nature" o primeiro “rascunho” do ADN dos denisovanos.
Mas agora, estes investigadores foram muito mais longe, graças a novas técnicas ainda mais potentes de sequenciação genética desenvolvidas no seu próprio laboratório. E produziram uma sequência que, segundo explica Matthias Meyer (que foi precisamente quem desenvolveu as técnicas inovadoras de leitura do genoma), “tem menos erros do que do que a maior parte dos genomas de seres humanos actuais sequenciados até à data.”
O ADN denisovano foi extraído de uma quantidade mínima de osso - inferior a 10 miligramas. E, enquanto cada posição desse genoma tinha sido lida apenas duas vezes para obter o rascunho de 2010, o que deixava uma grande margem para erros na determinação das “letras” que compõem o ADN, agora foi possível fazê-lo repetindo a operação até 30 vezes. Isto permite, explica um comunicado daquele instituto alemão, distinguir mesmo as pequenas diferenças que possam existir entre as cópias de cada gene que a dona do dedo fóssil - uma menina que tinha entre cinco e sete anos de idade na altura da sua morte, há 30 a 50 mil anos - tinha herdado do seu pai e da sua mãe.
Os investigadores, que tencionam publicar os seus resultados numa revista científica ainda este ano, não quiseram esperar tanto tempo para os divulgar. “Quisemos tornar os dados acessíveis imediatamente de forma gratuita”, diz Pääbo. “Achamos que poderão ser muito úteis para muitos cientistas.”
Pääbo e colegas também tinham anunciado, em 2010, que nós, os humanos modernos, temos nos nossos genes bocadinhos de ADN vindo dos não só dos neandertais, mas também dos denisovanos, respondendo assim à essencial questão de saber se o Homo sapiens se tinha ou não reproduzido com estas duas espécies.

Fonte: Público

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Bebés que comem com os dedos crescem com peso correto


Os bebés que comem com os dedos tendem a alimentar-se melhor e a crescer com o peso correto comparativamente aos que são alimentados através da colher, concluiu um estudo publicado pela revista British Medical Journal.
O estudo, realizado em 155 crianças entre os 20 meses e os seis anos e meio, foi baseado num questionário feito aos seus pais. Noventa e dois bebés foram alimentados pelo método a que chamaram "bebé serve-se sozinho", que consiste em deixar as crianças comer pequenos pedaços de alimentos de textura sólida, e os outros 63 foram alimentados pelo método tradicional: alimentos reduzidos a puré e dados com uma colher.
Os investigadores da Escola de Psicologia da Universidade de Nottingham (Reino Unido) mostraram que os hidratos de carbono, como pão e massas, eram os alimentos preferidos pelos bebés que se alimentavam com os dedos, ao passo que os outros preferiam alimentos doces, sendo que aos bebés alimentados por colher eram também oferecidos hidratos de carbono, frutas, legumes e proteínas.
De acordo com os investigadores, os hidratos de carbono apresentados sob forma sólida podem atrair mais as crianças pela sua textura, que se perde quando os alimentos são reduzidos a puré, ou então podem simplesmente ser mais fáceis de mastigar do que outros alimentos sólidos, como a carne.
"O nosso estudo sugere que o método "bebé serve-se sozinho" tem um impacto positivo na preferência das crianças por alimentos que estão na base de uma alimentação saudável, como os hidratos de carbono. Isso tem implicações no combate contra o aumento da obesidade nas sociedades contemporâneas", afirmam os autores do estudo.

Fonte: Diário de Notícias

Dia da Internet Segura: Google lança hoje Centro de Segurança Familiar

A Google lança hoje um espaço destinado às famílias e à relação das crianças com a Internet de uma forma adequada, tendo como parceiros investigadores e a Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens (CNPCJ).
O Centro de Segurança Familiar da Google, já existente noutros países, é hoje apresentado em Portugal, no Dia Europeu da Internet Segura.
"A ideia é, em cada país, haver uma série de vozes que, com base no conhecimento do país, apresentem aos pais algumas sugestões e indicações sobre como é que podem ajudar no uso da Internet pelos filhos e o que significam certos resultados que encontrámos na investigação", disse à agência Lusa a investigadora Cristina Ponte, coordenadora do projeto "EU Kids Online Portugal".

Fonte: Expresso

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Afinal os pombos são inteligentes

Tal como os seres humanos e os macacos, o pombo comum também é capaz de colocar números por ordem, de acordo com uma nova pesquisa. A descoberta, efetuada pelo psicólogo Scarf Damian, da Universidade de Otago, e colegas, foi publicada na revista Science. "Este é o primeiro exemplo, sem contar com os primatas, de uma espécie que é capaz de fazer isso", diz Scarf.
Enquanto as habilidades matemáticas dos seres humanos são, sem dúvida, únicas, há algumas evidências de que outros animais compreendem os números e a ordem.
Há quase 15 anos, os pesquisadores descobriram que os macacos são capazes de ordenar as imagens com base no número de objetos mostrado nelas. Agora, depois de realizar o mesmo teste em três pombos, Scarf e os seus colegas descobriram que esses animais de cérebro pequeno também têm essa habilidade.
"Eu não acho que as pessoas têm uma visão muito brilhante da inteligência do pombo", diz Scarf. "[Mas] você não precisa de um cérebro de primata para ser capaz de fazer coisas como esta."
A equipa de Scarf treinou primeiro os pássaros em caixas equipadas com ecrãs táteis. Aos pombos foram mostradas uma série de três imagens, cada uma com um, dois ou três objetos diferentes. As aves foram treinadas, usando uma recompensa de alimentos, para escolher as imagens em ordem crescente do número de objetos nelas (através do toque com o bico no ecrã). Para controlar a possibilidade de que os pombos estavam a responder a um sinal visual que não seja o número de objetos, a equipa de investigação usou imagens que tinham uma mistura de formas, tamanhos, cores e área de superfície total. "Isso foi feito para forçar os pombos a usarem o número em vez de outros estímulos", diz Scarf.
Os pesquisadores então testaram a capacidade dos pombos para ordenar pares de números completamente novos entre 1 e 9 e observaram que os pássaros ordenaram os pares corretamente em 74% das vezes.
Pombos mais lentos do que macacos
Mas, apesar de os pombos terem mostrado a mesma habilidade que os macacos, eles levaram mais tempo para treinar - um ano, em comparação com um par de meses para macacos, diz Scarf. "Você tem que dar-lhes muitos e muitos exemplos antes de chegar ao ponto em que os números são a variável crítica... Ao passo que os macacos são muito melhores em coisas desse tipo", diz ele. Além disso, afirma, algumas aves têm uma personalidade melhor para aprender do que outras.
"Alguns pombos são realmente rápidos a concluir as suas tarefas e outros pombos são um pouco mais lentos," diz ele. "Alguns pombos terminaram a formação em nove meses, enquanto outros levaram 12 meses." As novas descobertas também levantam questões sobre as origens de tais habilidades numéricas.
"Os pássaros separaram-se evolutivamente dos mamíferos há cerca de 300 milhões de anos atrás, por isso ou nós estamos a olhar para uma habilidade que veio de um ancestral comum, ou nós estamos a olhar para algo que evoluiu de forma independente nas duas linhas", diz Scarf.
Ele defende que é importante ver o quão disseminadas estão tais habilidades numéricas no reino animal. "Seria incrível olhar para um animal que não é um mamífero nem um pássaro - um polvo ou qualquer outra coisa realmente 'lá fora'", diz Scarf.
Ele diz que a pesquisa futura poderia também estudar se os pombos podem realizar adição e subtração básica, algo que os macacos também se têm mostrado capazes de fazer.

Fonte: ABC Science

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Ciência está mais próxima de ler os pensamentos

Ser capaz de ler os pensamentos de alguém é uma ideia que faz oscilar entre a curiosidade e o medo. Um grupo de cientistas norte-americanos deu mais um passo neste sentido e conseguiu identificar as palavras em que algumas pessoas estavam a pensar. O objectivo era ajudar os doentes impedidos de comunicar a expressar-se.
O estudo, desenvolvido pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, acaba de ser publicado na revista científica PLoS Biology e explica que os investigadores conseguiram reconstruir algumas palavras em que os participantes estavam a pensar, a partir das ondas cerebrais emitidas.
A equipa conseguiu decifrar a actividade eléctrica de uma zona do cérebro associada à audição humana e à linguagem que se chama circunvolução temporal superior (STG, na sigla em inglês). Ao analisarem os padrões de actividade da STG os investigadores conseguiram reconstruir algumas das palavras que os participantes estavam a ouvir numa conversa normal.
“Esta investigação baseia-se nos sons que uma pessoa ouve realmente”, esclareceu o autor principal, Brian N. Pasley, investigador da Universidade de Berkeley. Pasley clarificou que o objectivo principal do estudo foi explorar como funciona o cérebro humano, sobretudo em termos de codificação da fala, para determinar que aspectos da linguagem são mais importantes para a compreensão. “Em algum momento, o cérebro tem de extrair a informação auditiva e mapeá-la numa palavra, já que podemos entender a linguagem e as palavras, independentemente de como soam”, acrescentou.
Segundo o investigador, “existem provas de que a percepção e a imaginação podem ser muito semelhantes no cérebro”, pelo que se o doente entende a relação entre o som e o que chega ao cérebro é, pois, possível “sintetizar o som real em que a pessoa está a pensar ou simplesmente escrever as palavras com algum tipo de dispositivo que sirva de interface”.
As palavras foram reconstruídas com a ajuda de um modelo computorizado baseado em algoritmos e deram continuação a um estudo publicado no ano passado, no qual os participantes que tinham eléctrodos colocados directamente no cérebro foram capazes de mover o cursor do rato num computador pensando apenas em sons de vogais. Para a investigação agora publicada o grupo recorreu a ressonâncias magnéticas funcionais, um exame médico capaz de mostrar o fluxo sanguíneo no cérebro e centrou-se na STG pela sua grande importância tanto na recepção como na elaboração de linguagem.
A equipa monitorizou as ondas da actividade cerebral de 15 doentes submetidos a cirurgias para a epilepsia ou para remoção de tumores, ao mesmo tempo que passava uma gravação áudio com vários intervenientes a dizerem frases ou simples palavras. Com a ajuda de um modelo computorizado a equipa conseguiu perceber que zonas do cérebro eram activadas em cada momento e com que intensidade. De seguida foram ditas várias palavras aos doentes que tinham de escolher algumas em que deveriam pensar e os investigadores foram capazes de descobrir quais. E foram ainda mais longe: conseguiram mesmo reconstruir algumas palavras, transformando as ondas cerebrais em som.
“Este estudo é muito importante para os doentes que têm danos nos mecanismos da fala na sequência de um acidente cerebrovascular” ou de outras doenças, exemplificou, por seu lado, Robert Knight, outro dos autores do estudo e professor de Psicologia e Neurociências na mesma universidade. Knight salientou, também, que este trabalho traz desenvolvimentos tanto ao nível do conhecimento de como funciona o cérebro como eventuais futuros benefícios para pessoas com perturbações no discurso.
Os autores acreditam que, no futuro, este tipo de técnica pode ser disseminada nos hospitais para facilitar a comunicação com doentes cujas capacidades de comunicação estão limitadas. No entanto, alertam que a investigação ainda está numa fase muito prematura e que são necessários muitos mais estudos e melhorias até se chegar a uma técnica que possa ser implementada na realidade.

Fonte: Público

Gene associado a um maior risco de cancro do pâncreas

Mutações no gene ATM podem aumentar o risco hereditário para cancro do pâncreas, de acordo com dados publicados na Cancer Discovery, a mais recente revista da Associação Americana para Pesquisa do Cancro. O cancro de pâncreas é um dos cancros mais mortais, sendo que menos de 5 por cento das pessoas diagnosticadas com a doença sobrevivem cinco anos. Aproximadamente 10 por cento dos pacientes vêm de famílias com vários casos de cancro do pâncreas.
"Havia razões significativa se acreditar que esta aglomeração estava associada à genética, mas não havia, até este altura, informações acerca dos genes que explicassem esta incidência de cancro pancreático na maioria dessas famílias", disse a autora Alison Klein , Ph.D., professora associada de oncologia do Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Center da Universidade Johns Hopkins e diretora do National Familial Pancreas Tumor Registry.
Klein e os seus colegas usaram técnicas de sequência de última geração, incluindo análises a todo o genoma e exoma, e identificaram mutações no gene ATM em duas famílias com cancro pancreático familiar.
Quando estes resultados iniciais foram examinados numa grande quantidade de pacientes, as mutações no gene ATM estavam presentes em quatro dos 166 pacientes com cancro de pâncreas, mas estavam ausentes em 190 subconjuntos conjugais.
Klein disse que o conhecimento da presença do gene ATM pode levar a uma melhor triagem para o cancro do pâncreas, a quarta causa mais comum de morte relacionada com cancro. No entanto, atualmente não há testes de triagem recomendados.
Muitos médicos utilizam a endoscopia como ferramenta de triagem para o cancro do pâncreas, mas os pesquisadores ainda estão a avaliando essa técnica em ensaios clínicos.

Fonte: E! Science News

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Terra vista pelo satélite Suomi


A agência espacial dos Estados Unidos (NASA) mostrou as primeiras imagens captadas com o instrumento CERES, que está no satélite Suomi para melhorar as previsões meteorológicas e aumentar o entendimento das alterações climáticas, noticia a Efe.
O Suomi abriu as comportas e o instrumento 'Earthis Radiant Energy System' (CERES) começou a esquadrinhar a Terra, pela primeira vez, ajudando a assegurar a disponibilidade contínua das medições da energia que emana da Terra para a atmosfera.
Os resultados do CERES ajudarão os cientistas a determinar o equilíbrio energético da terra, proporcionando um registo de longo prazo deste parâmetro ambiental crucial, que servirá para consolidar a informação dos seus antecessores.
O CERES chegou ao espaço em 28 de outubro de 2011, a bordo do satélite Suomi, de observação da Terra, que resulta de uma aliança entre a NASA, a Administração dos Oceanos e da Atmosfera e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Um cientista do Centro de Investigação Langley e principal investigador do CERES, Norman Loeb, afirmou que o instrumento "vigia pequenas mudanças na energia da Terra, a diferença entre a que entra e a que sai".
Em comunicado, adiantou que "qualquer desequilíbrio na energia da Terra, devido às crescentes concentrações de gases, aquece os oceanos, aumenta o nível do mar e causa os aumentos de temperatura".

Fonte: Diário de Notícias

Quasicristal premiado com Nobel caiu do espaço

Um cristal premiado com um Nobel acabou de ter estatuto de alien. Pensa-se que a única amostra conhecida de um quasicristal natural caiu do espaço, modificando o entendimento das condições necessárias para estas estruturas curiosas se formarem.
Os quasicristais são ordenados, tais como os cristais convencionais, mas têm uma forma mais complexa de simetria. Padrões equivalentes a essa simetria têm sido usados na arte há séculos, mas materiais com este tipo de ordem na escala atómica não foram descobertos até à década de 1980.
A sua descoberta, num material feito em laboratório composto por elementos metálicos, incluindo alumínio e manganésio, galardoou Daniel Shechtman do Technion Israel Institute of Technology, em Haifa, com o Prémio Nobel da Química no ano passado.
Agora, Paul Steinhardt da Princeton University, e colegas, revelam evidências de que o único quasicristal conhecido que ocorre naturalmente, encontrado numa rocha das montanhas Koryak, no leste da Rússia, faz parte de um meteorito.

Afinal… meteorito!

Steinhardt suspeitou que a rocha pode ser um meteorito, quando uma equipa que ele chefiou descobriu a amostra de quasicrystal natural em 2009. Mas outros pesquisadores, incluindo o especialista em meteoritos Glenn MacPherson, do Instituto Smithsonian de Washington DC, estavam céticos sobre isso. Agora Steinhardt e membros da equipa de 2009 uniram forças com MacPherson para realizar uma nova análise da rocha, descobrindo evidências que finalmente convenceram MacPherson.
Num artigo que os investigadores e as suas equipas escreveram juntos, afirmam que a rocha tem que ter estado exposta a pressões e temperaturas extremas típicas das colisões de alta velocidade que produzem meteoróides no cinturão de asteróides. Além disso, a abundância relativa de diferentes isótopos de oxigénio na rocha correspondente à de outros meteoritos, em vez dos níveis de isótopos de rochas da Terra.
Ainda não está claro como é que os quasicristais se formam na natureza. As amostras de laboratório são feitas por depósito de vapor metálico, com uma composição cuidadosamente controlado, numa câmara de vácuo. A nova descoberta de que eles se podem formar também no espaço, onde o ambiente é mais variável, sugere que os cristais podem ser produzidos numa ampla variedade de condições. "A natureza conseguiu fazê-lo em condições que teríamos pensado que era seria uma loucura ", diz Steinhardt.

Fonte: New Scientist

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Há cérebros que podem ser mais vulneráveis ao vício

A experiência com substâncias que causam vícios como o álcool e as drogas é diferente para cada pessoa. É preciso uma primeira vez para haver uma segunda. Mas há quem use várias vezes sem se deixar dominar pelo vício e há outros que vêem a sua vida destruída. Estas duas versões podem conviver na mesma família. Por isso, uma equipa de investigadores foi perceber as diferenças no comportamento e no cérebro em irmãos em que um era viciado numa substância e outro não, para tentarem compreender se as características cerebrais de pessoas viciadas já estavam lá antes do vício ou apareciam depois, ou seja, se há uma vulnerabilidade natural. Descobriram que ambos os irmãos tinham regiões no cérebro com características associadas ao vício, o que indica que pode haver uma vulnerabilidade herdada. O estudo foi publicado na Science.
A equipa de Karen Ersche, da Universidade de Cambridge, analisou regiões do cérebro que já se sabia estarem associadas ao vício, por terem alterações a nível de conectividade das redes de neurónios em pessoas que consomem drogas. “Os indivíduos com risco de se tornarem dependentes de drogas têm um défice de auto-controlo, o que pode reflectir uma capacidade diminuída de recrutar as redes [cerebrais] pré-frontais para regular o comportamento”, escrevem os autores no artigo.
Mas a questão era perceber se estas alterações são uma reacção ao consumo frequente de drogas, que tendem a modificar estas regiões e a reforçar o comportamento aditivo, ou se, por outro lado, as alterações no cérebro já estavam lá antes do início do consumo de drogas, e são portanto uma vulnerabilidade.
Para isso, a equipa reuniu 50 pares de irmãos em que um era viciado nalgum tipo de substância e outro não, que foram comparados com mais 50 pessoas saudáveis que não eram da família dos pares de irmãos.
A primeira experiência foi um teste para medir a impulsividade e apetência aos vícios das 150 pessoas. O teste chamado stop-signal test é simples, cada pessoa tem um ecrã onde aparece uma seta virada para esquerda ou para a direita e tem que carregar num botão da esquerda ou da direita consoante o sentido da seta. O catch é que quando se ouve uma buzina, não se pode tocar no botão.
O jogo requer que os indivíduos parem imediatamente o impulso habitual de carregar no botão sempre que ouvem a buzina. Isto mede a compulsão, impulsividade e os maus resultados estão associados a tendências para os vícios. As regiões neuronais activadas durante este teste estão bem estudadas e também estão associadas à dependência de drogas.
“Observámos dificuldades na regulação do comportamento [durante o teste] tanto nos indivíduos dependentes de drogas como nos seus irmãos biológicos que não têm um histórico de abuso crónico de drogas”, explicaram os autores no artigo. Mais, os padrões de resposta eram muito parecidos entre irmãos do mesmo par e diferentes entre pares de irmãos. Os grupo controlo de 50 pessoas não apresentaram estas dificuldades.
De seguida, os cientistas foram analisar o cérebro para olhar para a integridade das redes neuronais. E perceberam que ambos os irmãos tinham o mesmo tipo de pior integridade em certas regiões do órgão, associadas à capacidade de auto-controlo, do que no grupo controlo.
“Sabe-se há muito que nem toda a gente que toma drogas é viciado, e que as pessoas que estão em risco de ficarem dependentes de drogas têm, tipicamente, um défice de auto-controlo”, disse Ersche, citada pela Reuters. “As nossas descobertas dão um indício da causa do risco de as pessoas se tornarem viciadas em droga aumentar em pessoas com uma história [de dependência] na família: partes do seu cérebro, responsáveis pela capacidade de auto-controlo, trabalham de uma forma menos eficiente.”
O próximo passo da equipa é perceber porque é que, ainda assim, existem diferenças no comportamento dos irmãos. Em que um, apesar de ter as mesmas características neurológicas, e o mesmo ambiente familiar, não se torna viciado. A resposta também poderá estar escondida no cérebro.

Fonte: Público

Nova esperança para pacientes com cancro nos ovários

Os resultados deste estudo foram publicados na conceituada revista New England Journal of Medicine.
"Esta abordagem pode ser encarada como um terceiro componente importante no tratamento do cancro dos ovários e neoplasias relacionadas", diz Robert A. Burger, investigador principal do estudo e diretor do Women’s Cancer Centre no Fox Chase Cancer Center. "Nós temos uma combinação de tratamento cirúrgico e quimioterapia citotóxica há muitos anos, mas realmente não tenho visto qualquer outra coisa em termos de uma classe fundamental de tratamentos. Isto representa uma nova maneira de doença."
O estudo placebo-controlado, que foi patrocinado pelo National Cancer Institute, contou com 1.873 pacientes com doença avançada, não tratados previamente, de 336 locais, principalmente dos Estados Unidos, mas também do Canadá, Coreia do Sul e Japão. Os pacientes ou tiveram cancro dos ovários em estado III que não podia ser totalmente removido com cirurgia, ou doença no estado IV, e foram divididos aleatoriamente em três grupos. Para os pacientes que receberam bevacizumab com quimioterapia, seguidos de bevacizumab por um período adicional de até 10 meses, a mediana de tempo até que o seu cancro progrediu foi de 14,1 meses, que comparam com os 10,3 meses para os pacientes do grupo controlo, que receberam quimioterapia com um placebo e depois continuaram com o placebo. O efeito líquido foi uma redução de 28% no risco de progressão da doença ao longo do tempo. Pacientes que receberam bevacizumab apenas com quimioterapia, mas não continuaram o tratamento com bevacisumab, tiveram uma sobrevivência livre de progressão com uma mediana de 11,2 meses.
O Instituto Nacional do Cancro estima que cerca de 22.000 mulheres foram diagnosticadas com cancro dos ovários em 2011, e mais de 15.000 morreram da doença. Para pacientes diagnosticados antes de o cancro se espalhar, os cinco anos de sobrevivência foi observado em cerca de 93 por cento dos casos (em relação à sobrevivência relativa apenas ao cancro, independentemente de outras causas de morte). Mas o cancro de ovário é insidioso - os primeiros sintomas, tais como inchaço, dor abdominal e dificuldade em comer, são típicos de muitas doenças e facilmente descartados como sintomas não-ameaçadores. Muitas vezes as mulheres não detetam que têm a doença até que esta já se espalhou. Em 62 por cento dos novos casos, o cancro da paciente já tem metástases em locais distantes, e a taxa de sobrevivência de cinco anos é ligeiramente inferior a 27 por cento.
O bevacizumab já está aprovado pela FDA para uso contra alguns tipos de cancros do cólon, rim, pulmão e cérebro; a sua aprovação acelerada para o cancro de mama metastático foi recentemente revogada pela FDA. A droga age através da ligação ao fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), uma proteína produzida por certos tipos de cancro que ajuda a iniciar o crescimento de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor. O processo de crescimento de novos vasos sanguíneos é chamado de angiogénese, e o bevacizumab é um inibidor da angiogénese.
"O bevacizumab bloqueia o fator de crescimento VEGF, que é importante no processo de progressão do cancro de ovário", diz Burger, "e vimos que esta droga também é ativa em pacientes com doença recorrente."
A angiogénese ocorre na interface entre o hospedeiro e a doença, o que a torna um alvo atraente para o tratamento, diz Burger, que também liderou o estudo de Fase II sobre o uso de bevacizumab em mulheres com cancro dos ovários recorrente. Ele diz que diferentes cancros dos ovários podem parecer idênticos ao microscópio, mas diferem biologicamente, o que significa que eles vão responder de forma diferente ao tratamento.
No artigo no NEJM, Burger e os seus colaboradores salientam que outro estudo sobre o cancro dos ovários realizado principalmente na Europa e chamado ICON7, tem demonstrado resultados positivos na utilização de becavizumab em combinação com quimioterapia e depois apenas becavizumab durante um período de até 7 meses.

Fonte: Science Daily

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pfizer assegura eficácia do tratamento da paramiloidose em 60% dos casos


O laboratório Pfizer assegurou a eficácia do Tafamidis em 60 por cento dos doentes com paramiloidose, baseando-se no ensaio clínico que avaliou os danos nos nervos dos pacientes e da qualidade de vida após 18 meses de tratamento.

A eficácia do medicamento foi questionada na semana passada pelo presidente da autoridade nacional do medicamento (Infarmed), que afirmou que o medicamento não tem efeito em cerca de 80% dos doentes e que, nos restantes, apenas atrasa em 18 meses o processo para transplante hepático.
"Os estudos que temos mostram que em 78% dos doentes o medicamento não tem efeito e vão ter de fazer o transplante hepático. Os outros 22% vão ter o seu processo para transplante atrasado 18 meses", disse Jorge Torgal à Agência Lusa.
Num esclarecimento enviado à Lusa, a Pfizer afirma que, segundo os resultados do ensaio clínico (Fx-005), aos 18 meses, 60% dos doentes em tratamento com Tafamidis tiveram resposta ao medicamento, em comparação com 38% dos doentes no grupo que apenas recebeu placebo.
"Os mencionados 22% referem-se à diferença entre estes dois grupos. Considerando os resultados do ensaio clínico, o Tafamidis demonstrou eficácia em 60% e não em 22% dos doentes", esclarece o laboratório.
No seguimento do ensaio clínico de 18 meses, os efeitos do Tafamidis a longo prazo foram avaliados até aos 30 meses, num ensaio de extensão em aberto (12 meses).
"Neste ensaio, a eficácia durante os 12 meses de tratamento foi semelhante à observada naqueles doentes aleatorizados e tratados com Tafamidis, em dupla ocultação, no período de 18 meses anterior", adianta.
Contudo, os resultados não incluem doentes com doença mais grave, que abandonaram o estudo numa fase inicial devido à necessidade de um transplante de fígado, acrescenta o Relatório Público Europeu de Avaliação (EPAR).
O efeito do Tafamidis foi estudado em modelos experimentais antes de ser estudado em seres humanos, tendo sido comparado a um placebo em 128 doentes com amiloidose associada à transtirretina.
O medicamento foi mais eficaz do que o placebo no tratamento de doentes com amiloidose associada à transtirretina. Em 45% dos doentes a função nervosa melhorou ou estabilizou, em comparação com 30% dos doentes que receberam placebo, adianta o EPAR.
Os doentes também registaram melhores pontuações em termos de qualidade de vida, mas a diferença com o placebo não foi considerada significativa.
A Pfizer reitera o "compromisso em trabalhar em conjunto com as autoridades de saúde nacionais no sentido de assegurar o acesso dos doentes ao Tafamidis", adiantando que estão a decorrer "as conversações com as autoridades competentes" para que "seja possível alcançar uma resolução que assegure o acesso ao tratamento aos doentes que dele necessitam".
O medicamento foi aprovado pela Comissão Europeia (CE) em novembro de 2011 para o tratamento de doentes adultos com polineuropatia sintomática de estádio 1.
No passado dia 27, o Parlamento aprovou resoluções do PCP, Bloco de Esquerda, PSD e CDS favoráveis à disponibilização no Serviço Nacional de Saúde do tafamidis.
Aprovou também, por unanimidade, um projeto de resolução do Partido Ecologista "Os Verdes" sobre disponibilização do tafamidis aos doentes com paramiloidose. Mais controversa foi a votação da resolução do PS, que foi chumbada com os votos do PSD, apesar da abstenção do CDS e do apoio recebido das bancadas do PCP, Bloco de Esquerda e "Os Verdes".

Fonte: Diário de Notícias

Pesquisadores inovam em terapia para pedófilos

Os serviços de psiquiatria de prisões e centros de recuperação, quando existem, têm muita dificuldade em tratar homens que cometem pedofilia. Em alguns estados dos EUA, a justiça pode manter o pedófilo preso mesmo que a pena já tenha acabado, se os psicólogos julgarem que ele “ainda não está curado”. Mas como é possível curar um pedófilo?
Psicólogos da Escola de Medicina John Hopkins (Baltimore, Maryland), nos Estados Unidos, admitem que nenhum psiquiatra na história foi capaz de apontar uma razão sólida que leva um homem a ter atração sexual por crianças. Mas isso não significa, no entanto, que os casos não tenham solução: existem avançadas psicoterapias que podem ter um efeito positivo.
Tais terapias, atualmente, baseiam-se numa série de indicadores comportamentais dos pedófilos, e podem traçar um competente perfil psicológico de cada um. Quando o problema começou a ser estudado mais a fundo, nos anos 80, os terapeutas dirigiam-se ao praticante de pedofilia de maneira brusca e rígida, com o intuito de causar um choque no paciente.
Hoje, a abordagem mais indicada é a de empatia entre psiquiatra e paciente. Os médicos explicam que a pedofilia, em geral, está ligada a distúrbios de limitação e violência interpessoal do portador do problema. Combater esse problema, pela raiz, pode ajudá-lo a inibir a própria atração sexual por crianças.
Muita gente acha, por exemplo, que os pedófilos assumem esse comportamento o tempo todo. É um engano. Boa parte dos pedófilos tem famílias, esposas adultas e um casamento comum. Essa realidade mostra, conforme explicam os cientistas, que a situação pode ser revertida: um bom tratamento pode fazer o pedófilo direcionar as suas atrações sexuais apenas para adultos e afastar o objeto infantil da estrutura psicológica.
Para complementar os efeitos da terapia, os psiquiatras ainda recomendam certos medicamentos. Alguns andrógenos (geralmente, esteróides ligados a características masculinas mais visíveis), por exemplo, podem ser ministrados em algumas ocasiões. Nem todos os pedófilos agem da mesma maneira e os perfis psicológicos variam, por isso é necessário estudar caso por caso.

Fonte: HypeScience

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Banco de esperma para evitar extinção

por Eloise Layan

Em menos de 20 anos o diabo-da-tasmânia chegou à beira da extinção, com algumas populações do norte da ilha reduzidas em 95%. O culpado: um cancro que se tornou transmissível. Alguns comportamentos sexuais da espécie favorecem o contágio, pois os animais mordem-se muito e as células do tumor daqueles que já foram contaminados são depositadas nos ferimentos dos mordidos, onde se alojam. Devido à semelhança genética entre membros da mesma espécie, o sistema imunitário não reconhece as células cancerosas como estranhas e elas não são destruídas. Assim, o tumor desenvolve-se no focinho dos animais e impede a alimentação, o que pode ser fatal.
Apesar de os cientistas ainda não terem encontrado uma vacina contra o cancro, eles investigam outros meios para salvar a espécie. “Pensando nas péssimas previsões para os diabos selvagens, com risco de serem extintos daqui a 25 ou 30 anos, um banco de material genético – de animais selvagens e cativos – é muito importante”, explica Tamara Keeley, bióloga especializada em reprodução da Taronga Conservation Society Australia (TCSA).
Com Justine O'Brien, diretor cientifico do SeaWorld & Busch Gardens Reproductive Research Center em San Diego, Califórnia, ela criou um “zoo congelado”. Ou seja, um banco genético para o marsupial e publicou, na revista Theriogenology, um artigo sobre a biologia e as técnicas de conservação de gâmetas.
A espécie tem um período de reprodução entre três e quatro anos. Porém, muitos animais com um bom material genético têm morrido antes de chegar à fase ideal de reprodução. Além disso, outros estudos mostraram que os diabos-da-tasmânia não têm uma grande variedade genética. Por isso, conservar o máximo de linhagem genética pode ser importante.
Encontrar uma solução capaz de congelar e conservar os gâmetas do marsupial foi um desafio devido à baixa produção de espermatozóides desses animais (por volta de centenas, quando na maioria das espécies vai até milhões ou biliões). Outro problema é que a membrana do espermatozóide se revelou muita sensível e sofria danos no processo. Agora, depois de quatro anos de aperfeiçoamento da técnica, os pesquisadores conseguiram que 48% dos espermatozóides sobrevivam ao descongelamento.
Felizmente, o tumor não parece ter um impacto nos gâmetas do animal. “A nossa observação com diabos-da-tasmânia que apresentavam diferentes graus de sintomas clínicos sugere que os efeitos na qualidade do esperma são limitados” declara Keeley. “Mesmo os animais com tumores graves e metástases continuaram a produzir esperma móvel e de qualidade equivalente ao dos com tumor num estado inicial”. Isso significa que não é preciso recolher o material genético de animais saudáveis para preservar um stock genético maior e mais diverso. No estudo, inclusive, todos os óvulos e espermas foram recolhidos de diabos-da-tasmânia tão doentes, que seriam sacrificados de qualquer maneira.
O próximo desafio que os pesquisadores esperam vencer envolve a inseminação artificial. “O sucesso desse processo depende da qualidade do esperma e do conhecimento mais amplo sobre o ciclo hormonal da fêmea, especialmente referente ao tempo de ovulação”, reforça Keeley. São necessárias mais pesquisas para que os cientistas possam entender melhor os processos que permitem a inseminação das fêmeas, no momento adequado. Os estudiosos já sabem que as fêmeas da espécie apresentam um período de ovulação longo e acreditam que elas mantenham o esperma dentro do seu aparelho reprodutor por vários dias, o que aumenta as expectativas em relação ao sucesso.
Keeley acredita que quando as técnicas de inseminação artificial ou de fertilização in vitro estiverem desenvolvidas, o material genético dos bancos possivelmente será introduzido em populações selvagens ou cativas para aumentar, ou pelo menos manter, a biodiversidade.

Fonte: Scientific American